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História Perfect pretenders - Capítulo 1


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Eu que lute pra atualizar 4 histórias em andamento

Capítulo 1 - 001 - Prologue


Fanfic / Fanfiction Perfect pretenders - Capítulo 1 - 001 - Prologue

"Alisson Lindgren vai desistir da carreira de cantora?"

"— Só queríamos o melhor para ela, porém, Alisson decidiu seguir o próprio caminho. Nós a amamos e esperamos que ela fique bem, meus pensamentos estão com nela." declara, Agnes Johansson sobre a nova fase da ex colega de banda."

 

— Vadia falsa. — Joguei o exemplar daquele tabloide chulo sobre a mesa de centro enquanto me jogava sobre o sofá.

Todos sabiam o quão tendencioso e mentiroso o The Sun poderia ser. Mas eu infelizmente conhecia aquela cobra bem o suficiente para ter certeza que ela havia sim dito aquilo e muito mais sobre mim para destilar todo seu veneno e ainda assim soar como angelical e preocupada.

Talvez eu devesse considerar tornar realidade a machete menos sensacionalista que havia lido naquela manhã, largar a carreira de cantora, e virar atriz, por exemplo. Afinal, quem precisa fazer teatro ou ter aulas de atuação com os ganhadores do Oscar quando se tem três anos de fingimento convivendo naquele ninho de cascavéis?

Vender uma imagem falsa de irmandade era algo completamente contratual. Aliás, o que nós fazíamos que não estava escrito naquele bando de folhas com letras minúsculas? Nada! Até nossa respiração devia estar contada e prevista ali, onde - na euforia de assinar um contrato - nem nos demos ao trabalho de ler.

A pressa, meus queridos, é a principal inimiga da perfeição.

Apesar da falta de experiência quando nos juntaram num grupo no The x factor, com o passar do tempo conseguimos nos estabilizar no cenário musical. Não havíamos ganhado o programa, mas só ele já nos deu uma incrível impulsionada, ao ponto de chegarmos onde outras girlbands como Fifth harmony e Little mix chegaram.

Aquele era o topo. Era como se tivéssemos subido no maior prédio do mundo e ficássemos ali, apenas apreciando a vista e sentindo o vento bater em nossos cabelos enquanto algum fotógrafo pegava nossos melhores ângulos, enchiam de photoshop e depois publicavam na capa da Billboard com uma entrevista repleta de frases mal interpretadas. 

E sensacionalistas. Claro, afinal era aquilo que dava dinheiro. 

Quando não aguentei mais aquela gestão fodida fazendo pouco caso do meu trabalho e esforço junto das outras integrantes, nos colocando em roupas ridiculamente curtas e  desconfortáveis, vendo o dinheiro praticamente se esvair de minhas mãos, decretei estar caindo fora daquele circo, que só faltava ser coberto com a lona. Porque o público, as palhaças e o trabalho escravo já tinham.

E minha queda livre foi incrível enquanto durou. 

O impacto de meu rosto contra o chão foi tão forte que o mundo todo fez questão de estar ali, envolta de mim, registrando Alisson Lindgren, a na época, ex-integrante da Golden Girls quebrar a cara.

A cobrança em cima de mim foi enorme. De repente, eu já não era a integrante mais seguida nas redes sociais, os poucos fãs que ficaram, cobravam-me dia e noite músicas novas e informações do meu tão esperado álbum solo. Fui iludida ao pensar que sozinha as coisas iriam ser mais fáceis, fui seduzida ao enxergar que o fato de ser solo me traria mais controle, mais retorno financeiro e mais fama, já que eu não teria que dividir meus ganhos e nem os holofotes com mais quatro pessoas.

Mas nada daquilo se concretizou.

De repente, vi meu rosto estampado nos jornais com boatos e títulos sensacionalistas, fotos minhas em situações constrangedoras e “politicamente incorretas” rodearem a internet no mundo inteiro. Já não subia no palco mais, nunca estava sóbria o bastante para poder cantar uma frase inteira sem cair.

Nenhuma gravadora se interessava em ter a bêbada Alisson Lindgren como uma de suas contratadas. Nenhum bar de esquina qualquer me queria como atração.

Minha saída da reabilitação foi televisionada com tantos detalhes que quando pude me ver livre dos muros e portões que me prenderam durante meses, fui presa pelos paparazzis impiedosos, que quase me encurralaram contra o muro a fim de conseguir fotos de diversos ângulos do meu rosto abatido e do meu corpo magro.

O topo do mundo parecia-se muito com o fundo do poço, os fotógrafos ainda estavam por lá, e as notícias envolvendo meu nome ainda circulavam com a mesma rapidez. Mas quando não se tem mais nada para oferecer para o mundo, ele costuma se voltar contra você.

Eu simplesmente odiava o show business.

E entendia perfeitamente os surtos de Britney em meados de 2007. Aqueles abutres eram a pior raça, se aproveitavam de momentos como aquele para satisfazem as pessoas que sentiam prazer com a desgraça alheia, eram piores que os próprios pássaros, que sobreviviam de restos de animais mortos. 

Em meio a toda aquela turbulência, eu ainda tentava recomeçar a subir os degraus da fama que me levariam de volta ao conhecido topo. Apesar de tudo o que me havia acontecido, eu não conseguia me arrepender das escolhas que tinha feito, mesmo que elas tivessem me feito cair feio como eu tinha caído. 

Se pudesse, viveria tudo outra vez. Só queria ter tido alguém para me avisar que as coisas eram assim antes de entrar para esta indústria suja.

Mas tudo o que passei havia aberto meus olhos sobre a podridão que tinha por trás de todo o glamour dos palcos enormes, tudo o que os bastidores e camarins dos estádios lotados que costumava me apresentar escondiam. 

O ego e a ganância cegam ao ponto de não ver onde se está pisando. Havia me envolvido com pessoas erradas em busca de alguém para confiar, sangue-sugas da pior espécie, namorados tóxicos e loucos por fama e até pessoas fanáticas me perseguindo por dias e noites.

Mas eu não os deixaria tampar minha visão novamente. Estava negociando com outra gravadora, daquela vez, lendo todas as entrelinhas do contrato, deixando claro como eu queria que as coisas acontecessem e estando ciente das regras às quais me submeteria a seguir.

Meu nome assinado com a costumeira letra de garrancho foi analisado de perto pelo meu mais novo contratante.

— Bem vinha á Columbia Records, Alisson Lindgren.


 

                                                                             ***

 

— Precisamos comemorar, porra! — Exclamei levantando meus braços para o céu azul, enquanto saiamos de mais um dia inteiro trancados no estúdio compondo e gravando. 

Já fazia um mês que estava naquela rotina louca e frenética. Logo eu teria o aval para começar a divulgar minha volta aos palcos. Eu estava tão feliz que poderia sair pela rua saltitando, finalmente eu tinha liberdade para cantar minhas próprias músicas, um estilo bem diferente do pop em que era habituada a cantar, mas que eu me sentia milhões de vezes mais confortável. Porque aquela era eu! E eu podia e iria cantar o que realmente me agradava.

Só de não precisar mais ensaiar dias e dias uma coreografia já me fazia um bem enorme.

Sempre havia sido sedentária, meu condicionamento físico era péssimo e eu mal conseguia respirar enquanto tinha que dançar em sincronia com as outras e cantar ao mesmo tempo.

— Não precisamos não. — Stella, minha querida agente, andava ao meu lado com a costumeira cara de poucos amigos e olhos atentos aos paparazzis, que estavam escondidos do outro lado da rua detrás de um poste de iluminação.

Péssimo disfarce, alias.

— Ah, qual é! — A mulher de olhos azuis vívidos encarou-me sem paciência. — Eu não tinha nenhuma esperança de voltar a cantar, isso precisa ser comemorado caralho!

—  Alisson, você acabou de sair da reabilitação, está envolvida em mais escândalos que a Amanda Bynes. Uma vacilada e você perde o contrato. — Bufei pegando meu celular. — Estou falando sério, mais uma e você está fora.

Mas nem fudendo.

Alisson: "Fee, o que temos para hoje?"

Felix: "Acabou de sair do AA e já está com saudades?

Hoje é dia de rock, baby

Mas onde está sua agente, que não está sabendo disso?"

Alisson: "Te encontro ás 10 ;)"

Ignorava as outras mensagens, totalmente desnecessárias. 

Eu não pensava em exagerar no álcool, primeiro porque aquele lugar onde passei me recuperando era horrível e eu não pretendia voltar tão cedo, e segundo porque apesar de tudo, eu ainda tinha responsabilidades. Tinha que estar de volta ao estúdio sem ressaca pela manhã.

Era apenas um happy hour. Eu era jovem demais para ficar em casa trancafiada em plena sexta a noite. Aliás, eu já havia ficado trancada tempo demais.


 

                                                                     ***

 



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