História Perfection - Capítulo 4


Escrita por: ~

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Categorias Inuyasha
Personagens Inuyasha, Izayoi, Kagome, Kikyou, Miroku, Naraku, Rin, Sango
Tags Drama, Mistério, Perfeição, Romance
Visualizações 25
Palavras 3.536
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Comédia, Drama (Tragédia), Famí­lia, Fantasia, Ficção Científica, Hentai, Luta, Mistério, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Terror e Horror, Violência
Avisos: Álcool, Estupro, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 4 - I Uma café da manhã... Inusual I


Vozes despertaram-no.

– Como é que ele está?

– Sra. Onigumo o seu marido teve uma grave lesão no olho. Não havia nenhuma forma de concertar o dano. Foi uma longa cirurgia, inúmeras análises, contactamos outros hospitais e médicos conhecidos… Mas, não havia qualquer solução. Ele perdeu a visão. Nem mesmo se enviássemos o seu marido para outro país para ser examinado por outro profissional, ele dir-lhe-ia o mesmo e os resultados seriam o esperado. Lamento imenso.

– Estou a ver. Eu compreendo…

Através do olho estável ele observou Kikyou dialogar com o médico, ao seu lado, a pequena Rin que apertava a mão da sua mãe e olhava curiosamente em torno do quarto branco recheado de aparelhos e outros objetos característicos de um quarto de hospital.

Assim que o seu olhar começou a girar em volta da divisão, ele apercebeu-se da dificuldade em fitar o seu lado direito. O olho que não havia sido danificado arregalou-se e o mesmo conduzira a mão trémula até ao olho arruinado, os seus dedos encostando-se a uma textura que o fazia lembrar um tecido. Acidentalmente, pressionara os dedos no local, e gemera pela leve força exercida, tendo em conta que após o acidente da noite passada que exigira uma operação imediata (um vasto número de horas gastos no bloco operatório), a zona ainda estava relativamente sensível.

As três cabeças giraram para a cama onde jazia Naraku Onigumo. Logo, o doutor apressou-se em dirigir-se ao seu paciente.

– Sr. Onigumo.

– O q-que se passa? Onde estou? O que aconteceu ao meu olho? – Arfou, soando mais do que um homem aflito e desesperado. A mão tremelicada suspensa no ar e o olho intacto e arregalado dançando sobre as pessoas que se encontravam presentes, cuja iris negra tremia.

A mulher e a menina aproximaram-se da cama, movimento que foi reconhecido por Naraku ao captar o ruído familiar do deslocar das rodas da mochila de Rin.

– O doutor não se recorda do que aconteceu na noite passada?

– Noite… passada?

– Sim – O médico anuiu antes de ajeitar os óculos sobre o nariz – O experimento K-207H escapou. Houve um massacre na base, enfraqueceu as nossas defesas, destruiu muitos dos nossos melhores soldados. E num determinado momento da sua fuga, acabou por atacar o senhor. Você teve o seu olho danificado… O senhor perdeu a visão do seu olho direito.

À medida que o médico se ia pronunciando imagens do evento da noite anterior divagavam pela sua mente. Tiros, sangue, estalar de ossos, carne a ser rasgada, aquele olhar furtivo… Sentira pontadas dolorosas na zona ocular assim que a última memória surgira, a lâmina que se fincara com precisão no seu olho, no centro da sua pupila. Um gemido abafado escapulira por entre os lábios trémulos e secos.

Ela fugiu. Ela desobedecera às suas ordens. Ela o machucou. Aquele que cuidara dela por mais de duas décadas, que lhe dera poder absoluto, que a fizera num ser perfeito. E era daquela forma que a desgraça o recompensava? Como ela pôde fazer isso ao seu criador? Se não fosse pela sua genialidade ela nunca teria a oportunidade de conhecer os gostos malignos na humanidade, de provar a vida.

– Querido? – Clamou a mulher, curvando-se ligeiramente sobre o seu corpo, de modo a chamar a atenção do marido que naquele momento tinha o olho ampliadamente húmido vidrado no teto.

– Eu quero ficar sozinho – As mãos do renomado físico pousaram sobre o lençol branco que cobria o seu corpo, os dedos trémulos apertando o tecido fino – Deixem-me – Ordenou num fio de voz.

– Naraku-

Ela fora impedida de continuar ao sentir o toque do médico sobre o seu ombro. Ao confrontá-lo a cientista viu o sacudir da cabeça do médico, indicando que seria melhor deixá-lo sozinho, uma vez que este passara por uma experiência traumatizante.

Os três saíram pela porta sem dizer mais nenhuma palavra.

Assim que se viu só, Naraku afastou o lençol, esticou as pernas para fora da cama e levantou-se. Ainda sobre o efeito da anestesia, obrigou-se a apoiar na mobília próxima e em paredes, uma vez que sentia as pernas tremerem incapazes de sustentarem o peso do seu corpo. O homem arrastou-se até à porta que ficava do lado oposto à da outra porta por onde tinham saído as pessoas que outrora estiveram na sua presença. Rodou a maçaneta gelada e girou-a lentamente, deparando-se com o interior do banheiro, cujas luzes automáticas piscaram duas vezes antes de oferecem a total claridade e lhe darem a visão do interior. Quando do lado de dentro, movimentou-se para a pia, apoiando rapidamente as mãos nesta emancipando a sua queda, pois ao deslocar-se pelo banheiro se esquecera totalmente de pedir suporte e quase caíra.

Enfrentou a sua imagem refletida no espelho diante de si. Enxergou o impedimento que ocultava a visão do seu olho direito. Era uma bandagem branca que além de cobrir o seu olho, também tapava a sua sobrancelha e uma parte da sua bochecha e testa. Os seus dedos escovaram de leve sobre a bandagem. Subitamente a sua expressão curiosamente inocente se convertera num careta raivosa e no momento seguinte os seus dedos apertavam a bandagem e a retiravam, forçando a sua saída a todo o custo, e, ao mesmo tempo, rangia os dedos, ora de ódio, ora de dor, na medida em que o seu olho estável se enchia de água.

O olho estava um pouco inchado e vermelho, além de fechado, sob uma linha de costura, ou seja, levara pontos. Ao que o mesmo respondeu com uma brutalidade imensa ao utilizar ambas as mãos - uma sobre a pálpebra e outra ligeiramente abaixo do olho - para separar as peles que o impediam de testemunhar a olhos vivos as consequências da outra noite. 

Pingos de sangue caíram devagar sobre a pia.

Vislumbrara em puro horror o seu reflexo. O fio que unia anteriormente as camadas de pele ficara preso nas extremidades da pálpebra. No lugar onde deveria estar o seu olho, apenas se encontrava um fundo escuro. Não havia sinal do globo ocular… Ele não estava ali.

O seu semblante transmitia claramente a sua perplexidade. A sua mão trémula navegou pela sua face até que terminasse junto do seu olho, tendo tido contacto com os filetes escarlates que escorria do ferimento aberto.

O corpo estremeceu.

Como ela pode fazer isto comigo?

Os dedos ficaram brancos pela força com que apertava as laterais da pia.

Depois de tudo que eu fiz por ela!

Erguera um dos punhos e golpeara o espelho. A sua imagem se distorcera completamente, distribuindo-se pelas quebras que tatuavam o espelho.

– Eu vou encontrá-la… Eu vou encontrá-la… Você vai encontrá-la Naraku… – Encostou a testa na superfície envidraçada – Você vai encontrá-la… Você é um génio… Você é o dito criador, superior… Génio… Ela vai ser sua… Sua… Minha… Eles vão ver, aqueles filhos da puta… Vão conhecer a minha obra… A perfeição… Eles vão ver, vão ver, vão ver – Murmurava para si mesmo, o olho arregalado encarando sem o menor interesse os pingos vermelhos que decoravam a pia. A sua loucura patente na forma como falava consigo mesmo e na voz que utilizava, similar a um louco em profundo desespero, isolado.

⋅ᔚ⚛ᔗ⋅

 

Inuyasha acabara de sair do banheiro, atravessando a porta deste e escapando do fumo quente e pesado criado pelo seu banho matinal. Entrara na cozinha a tempo de fechar o último botão da sua camisa branca, na qual ficara no exato segundo estancado mesmo à porta e com ambas as mãos sobre a peça de roupa. O seu olhar incrédulo despenhara sobre a mesa onde um esplendido e aromatizante café da manhã o esperava. Ele observou o café fumegante, um prato ocupado por um delicioso croissant de ovo e ao seu lado frutos cortados, pão fatiado com manteiga e um copo de suco de laranja.

Tudo organizado, um cenário digno de um quadro.

Inuyasha sentiu a boca se encher de água.

Por outro lado, na exata localização que o humano, encontrava-se K-207H ao lado da janela, observando atentamente o comportamento animal. Os globos neutros fixaram-se numa pequena extremidade da janela, focando a sua visão naquele espaço e ampliando-o, de modo a absorver com mais rigor os seus detalhes. Ela enxergou uma pequena mosca presa entre fios de aranha - tão magnificamente tecidos que quase a fizera cair na tentação de tocar nelas - o inseto voador começara a fugir de modo a escapar da emboscada em que caíra tão estupidamente, no entanto, quanto mais se movia, mais dificultava a sua situação. Entretanto, a causadora da armadilha surgira, caminhando graciosamente pelas teias, sem que as suas múltiplas pernas ficassem encurraladas por entre os fios, as pontas das pernas finas tocando com elegâncias nas teias, que mal se moviam consoante os seus passos, os movimentos das teias eram sim provocados pelas tentativas frustrantes da mosca de escapar. A aranha usara duas das suas patas para imobilizar o inseto voador e com as outras começara a tecer as suas teias ao redor do seu corpo, sem embaraçar os fios uns nos outros e sempre em linha reta, até que apenas se visse um pequeno embrulhinho branco.

– Fascinante – Declara sob um sussurro.

Depois, o majestoso aranhiço fincou as suas presas no corpo, deliciando-se com o sangue da presa que não mais se movia.

Era incrível. Belo. Tão bem executado, uma maravilhosa performance.

– Fascinante – Repetiu.

O comportamento animal era aceitável, uma vez que eles se guiavam pelo instinto e o código de sobrevivência. Enquanto os humanos não tinham quaisquer motivos para usarem a violência uns contra os outros em situações que não deveria ser permitido o seu uso, como assassinar o se ente querido por pua e simplesmente maldade, ganância, inveja… As guerras, as diferenças dos povos.

Ridículo… Humanos são ridículos.

Entretanto, a sua atenção foi desviada assim que o seu campo magnético detetara o calor do corpo do humano. Ela girou nos calcanhares lentamente e visualizou o espanto e admiração com que o humano fitava a comida na mesa. 

– Humano.

Inuyasha devolvera o olhar. Os seus olhos não ficaram indiferentes com a adição de novos elementos à sua roupa, como a calça jeans e os ténis pretos.

– Isso é-

– Eu modifiquei as medidas da sua roupa para que elas se ajustassem à minha estrutura e altura, inclusive, feminidade. Eu sou mulher, devo parecer como tal se me quero encaixar na vossa… sociedade. Foi muito gentil da sua parte me oferecer a sua roupa. Estou grata – Ela fez um breve aceno com a cabeça.

Hein? Oferecer a minha roupa? Quando é que eu fiz isso?

Confuso, o humano coçou a parte detrás da cabeça.

– De nada… Eu acho – Sussurrou a última parte.

– Coma.

Os olhos negros voltaram-se para a mesa e retornaram a ela. Um sorriso brincalhão pendurando-se nos seus lábios.

– Eu gostava imenso… Mas eu já estou sem tempo. Eu vou pegar uma fruta e talvez compre uma barra de cereais lá no hos-

– Eu alterei o tempo. Neste momento você tem exatamente 55 minutos e 34 segundos.

Ele pestanejou, surpreso.

– Alterar o tempo… O quê? Como assim?

– Eu não sou humana. Você já se esqueceu disso? Vocês humanos e a vossa memória reduzida e limitada… Quase que tenho pena de vocês. Quase.

Oh, pois. Ela não é humana.

– Sim… Claro. Como eu podia esquecer – Usou uma mão para afastar uma mecha escura que caíra sobre o seu rosto, suspirando longamente no decorrer do processo – “Porque alterar o tempo é super normal… Muito humano” – Pensou com um suspiro pesado.

– Coma – Apesar do tom naturalmente distante, era notável a ordem ali presente.

Inuyasha puxou a cadeira em frente a si e sentou-se, saboreando primeiramente do café. Estava ótimo, a temperatura nem muito quente e nem muito fria, melhor de quando ele mesmo o fazia. Pousou a xícara e partiu para o pão, trincando uma pequena porção antes de a mastigar. O seu olhar prendendo-se com a fêmea que já se encontrava do seu lado esquerdo. Como raios ela fora parar ali? Ele nem ao menos ouvira o mínimo barulho do arrastar da cadeira ou de quando ela se sentara e ajustara a sua posição.

Entretanto, uns minutos se passaram em que Inuyasha desgostava do café da manhã, ao passo que K-207H o observava e se entretinha com o ruído do mastigar dos alimentos ou o bebericar dos líquidos, seja do café ou do sumo. Aquela junção de ruídos era aprazível, isto do ponto de vista da fêmea. Já, Inuyasha, tinha uma opinião oposta, de modo que para ele era desconfortável, tanto o silêncio - a falta de diálogo e não contando com os barulhos que ele efetuava ao comer -, como pela observação da mulher.

Querendo quebrar aquele mórbido silêncio e sentindo-se cada vez mais nervoso com o olhar dela, Inuyasha brindou-lhe com um sorriso:

– Isto está muito bom… O café está no ponto. Honestamente, é o melhor café que já tomei. As frutas estão frescas e maduras, doces. O suco também está muito bom. Conclusão, está tudo ótimo! – Exclamou com empolgação, numa tentativa de arrancar alguma emoção da jovem.

Todavia, elas apenas anuiu.

– Você fez tudo isto em tão pouco tempo? Eu não me lembro de ter morangos em casa, sequer amoras… E pão – Uniu as sobrancelhas em confusão – Como você-

– Você estava imaginando “o café da manhã ideal para começar o seu dia de segunda-feira”, essas foram as suas palavras, enquanto tratara da sua higiene. E como eu precisava de fazer algo em troca pelo seu gesto solidário, eu concretizei os seus desejos. Captei as imagens da sua mente e projetei-as para o real.

– Ahhhh… Me parece justificável.

Totalmente normal Acrescentou em pensamento.

– Agora você terá que me compensar.

– Eu, compensar? – Inquiriu, baralhado, erguendo uma das sobrancelhas escuras.

– Sim. Vocês, humanos, funcionam dessa forma. Fazem os seus pedidos e depois esperam que a pessoa vos retribuía. Eu realizei o seu desejo e espero que você retribua o meu favor.

Inuyasha suspirou e deu um pequeno gole do seu café.

– Não é bem assim. Normalmente, as pessoas fazem favores umas pelas outras pessoas por iniciativa própria. Você está parcialmente correta. Existem sim outras que fazem propositadamente favores porque querem algo em troca.

Ela deixou o seu olhar divagar pela mesa, ponderando e assimilando a informação que lhe fora transmitida.

– Favores… Por iniciativa própria. Qual a sua posição nesse assunto?

O humano encolheu os ombros e mordiscou o seu pão, mastigando-o calmamente antes de responder à sua pergunta:

– Eu faço-o por minha vontade. Eu quero ajudar, gosto de ajudar, não espero nada em troca. Esse é um dos motivos porque decidi seguir o curso de medicina e fazer psiquiatria. Eu queria ajudar as pessoas, curá-las, orientá-las para o caminho certo – Ditou com seriedade, abaixando os olhos para o seu reflexo no café.

A fêmea notara uma ligeira mudança nas cordas vocais ao revelar a sua perspetiva e defender a sua posição.

– Tristeza… Sinto tristeza – Mencionara mais para ela mesma do que propriamente para o indivíduo do seu lado – É a minha leitura do seu estado de espirito e através da examinação dos seus padrões cerebrais.

O homem saiu do seu estado de melancolia ao escutar as palavras dela. Ao que afastou aquela sensação que por pouco não se apoderou completamente do seu ser. Inuyasha abanou a cabeça e concedeu-lhe um outro sorriso, diferente do anterior, curto, forçado.

– Você já… comeu?

– Eu não preciso me alimentar.

– Não?

– Comer ou dormir é desnecessário. O meu sistema está em constante movimento, as minhas energias se renovam automaticamente, assim impossibilitando necessidade de pausa para reabastecer, mesmo depois de uma longa e ativa atividade, ou consumir qualquer alimento.

– Certo…

Quem diria que iria estar a tomar um café da manhã com uma mulher tão bonita, embora estranha. Não que nunca tivesse tomado uma refeição com nenhuma outra mulher, mas nenhuma o havia deixado tão confuso e intrigado ao mesmo tempo, tampouco com a necessidade de quebrar o silêncio constrangedor. Inuyasha nem se recordava da última vez que tivera uma conversa tão prolongada, tampouco com o despertar de temas tão profundamente elaborados (exceto pela sua querida mãe ou Sango).

– Inuyasha Taishou.

– Hm? – Virou-se para ela, enquanto mastigava um morango.

– K-207H – O seu olhar continuava caído na mesa – Projeto… K-207H.

– Projeto… K-207H?

– Preciso de uma identidade – A sua cabeça rodou para o lugar onde se encontrava o humano que tinha uma interrogação marcada no seu semblante – Preciso de um nome. Me dê um nome.

– Um nome?

– Sim. Eu quero que você me dê um nome. Você tem uma identidade, Inuyasha Taishou. Esse é uma outra missão que devo cumprir para me encaixar definitivamente na vossa sociedade. Peço que pense num nome apresentável e que seja do meu agrado, caso contrário, eu mato você.

A cria de humano teria rido da piada se não tivesse visto a expressão impassível dela, constatando que aquilo não fora sem dúvida alguma uma piada ou algo para o fazer rir e que ela realmente o mataria. Inuyasha acreditava fielmente naquela hipótese, não apenas pela sua expressão indecifrável (própria de um personagem que escondia claramente segredos sombrios ou com o objetivo de fazer o outro ponderar nas mil e um coisa que poderiam estar a passar pela sua cabeça), mas também por se recordar do que K-207H fizera naquela manhã ao tocar-lhe com os dedos e provocar-lhe aquela dor que, felizmente, não tivera nenhum efeito secundário ou o levaram a tomar comprimidos para extinguir as dores de cabeça. Se ela era capaz de fazer tal estrago com as pontas dos dedos, imaginava o que ela poderia provocar com a mão toda…

… Ele não queria descobrir.

– Hm… Um nome. Certo. Hm, me deixe pensar.

– Não demore.

Ela está exigindo demais!

– E você está pensando demais. O seu tempo está acabando, Inuyasha Taishou.

Inuyasha ficara uns segundos em silêncios. A iris negra não mais se fixou no teto, descendo e dançando sobre a silhueta elegantemente feminina que esperava “pacientemente” pela sua resposta.

– Kaede?

– Não.

– Kanna?

– Não.

– Kagura?

– Não.

– Kirara?

– Não.

– Kaguya?

– Alguma particularidade para os nomes que se iniciam pela letra “K”?

– Oh… – Ele desviou o olhar envergonhado – Bom, você, como vou explicar isto? Você tem cara de “K”… Eu não sei, eu só sinto que o “K” se acentua a você. Não existe propriamente uma explicação.

– Hm… A estrutura da sua frase é impensável. Não creio que se possa denominar isso de “explicação”. A si não lhe foi garantido o acesso à educação? Esse é um erro preocupante para alguém que está formado e tem uma carreira com um futuro promissor. Todavia, não me surpreendo com a sua resposta, Inuyasha Taishou. Humanos e o uso de vocábulos incorretos e as frases sem o menor sentido… Eu me pergunto como vocês conseguem se comunicar usufruindo de um vocabulário tão fracamente limitado e de uma maneira inconsciente quando as vossas línguas são tão ricas, extensas, tão importantes para a vossa intelectualidade e crescimento, uma vasta lista de palavras que vocês nem o número mínimo utilizam. Vocês envergonham os vossos antepassados e comprometem aqueles que ocuparam os vossos lugares no futuro.

E quando ele achava que ela não poderia humilha-lho mais ainda… Nunca em toda a sua vida conhecera uma mulher (com a exceção da sua mãe) que pudesse deixá-lo sem palavras, boquiaberto e encabulado como aquela criatura que se exprimia tão pacificamente, inconsciente do impacto que aquelas palavras causavam no outrem.

Inuyasha deitou os cotovelos no tampo da mesa e cobriu a face, cujas bochechas estavam pinceladas com um leve tom de vermelho. Aliás, ele sentia o escaldar da sua face em contacto com as suas palmas.

Quando foi a última vez que se sentira assim perto de uma mulher ou em qualquer outra ocasião ao longo da vida?

– Inútil. Foram dispensados 2 minutos e 13 segundos neste assunto. Foi tempo gasto desnecessariamente.

As mãos do humano escorregaram pelo seu rosto até caírem sobre a mesa. Confusão e surpresa estampados do seu rosto ao depararem o seu assento vazio. Ele passeou os olhos pela divisão.

Ela não estava em nenhum lugar.

– Mas onde será que ela-

Inuyasha Taishou, aconselho a tomar o restante da sua refeição e dar por concluído a sua preparação para que então se dirija seguidamente ao seu carro onde eu o aguardo A voz dela ecoou pela extensão da sua mente.

O terráqueo consultou as horas no seu relógio de pulso.

Para que as pressas? E como assim “eu o aguardo no carro”? Você não está pensando em vir comigo, está? Isso está fora de questão, eu vou trabalhar-

15 minutos. O tempo que lhe dou. Se não efetuar as suas tarefas, terei que usar outros métodos. Por favor, não me obrigue a chegar a esse ponto, Inuyasha Taishou.

Um arrepio subiu pela sua espinha à menção das últimas palavras.

Você ao menos me poderia explicar isso de “aguardar no carro”, como assim? Não posso simplesmente levá-la para o meu emprego. Eu tenho muitas coisas para fazer, como você já deve saber. O melhor e mais seguro a fazer é você ficar em casa. Você está apta o suficiente para mexer num comando da televisão e servir-se da bela paisagem enquanto lê um romance. Mas, está fora de cogitação eu levá-la comigo.

Nada.

Ei, você está aí? Hello? Alguém está aí?

Nada.

– Oh, ótimo me deixou falando sozinho – Resmungou – Aquela mulher… Santíssimo Senhor. 



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