História Perfeição - Capítulo 2


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Palavras 3.359
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Aventura, Comédia, Crossover, Drama (Tragédia), Ficção Adolescente, Hentai, Suspense, Universo Alternativo
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Drogas, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Antes de tudo -----> FAVORITEM POR FAVOR <3

Cheguei, gente estou amando escrever essa fanfic!! É tão boa, apesar de o tema ser um pouco complexo.
Queria também dizer que isso é extrema ficção, e se você tem ou conhece alguém com desturbios alimentares, e que sofre esse tipo de relação tóxica com os pais, há profissionais que ajudam. Ajudem ao próximo e não deixem que ninguém diminua sua importância.

LEIAM, FAVORITEM E COMPARTILHEM.
Lembrando que é uma short, então acho que mais dois capítulos e eu encerro ela :\

Capítulo 2 - Dois


Fanfic / Fanfiction Perfeição - Capítulo 2 - Dois

ELE:

Entrego o dinheiro para o garoto sorridente do caixa, e me atrevo a enfrentar o sol escaldante da Califórnia, se eu tivesse um pouco mais de juízo eu me aventuraria mais na vida diurna, me sento na orla da praia aproveitando os minutos que tenho pra viver como um ser humano normal, e saboreio meu Frapuccino com cafeína.  Mais um vez venho pra território americano sem tempo para ser um turista, dessa vez fui mandado com o trabalho de observar o trabalho dos médicos do hospital de emergências.

                Enquanto observo as garotas jogando sorrisos cheios de charme para os caras bronzeados que passam com carros enormes, meu telefone toca repetidamente até minha força de vontade me cobrar. Olho o rosto na tela e atendo.

- Oi.

- Oli, amor, como você está?

- Ótimo Ally. Tomando café na beira da praia.

- Café? Sozinho?...                     

Reviro os olhos e continuo observando o movimento das ondas, as crianças correndo atrás do cara vestido de homem aranha com algodões doces.

- Sim Alissa.  Tenho só que assinar a última palestra e de tarde embarco no avião pra Londres, chego ai ao anoitecer

Escuto o outro lado da ligação enquanto minha mulher corre pelo piso de madeira do quarto

- Eu não vou estar aqui amor, vou ter que tirar fotos de novo

Não consigo evitar de senti o peso no peito. Fotos? De novo? Dessa vez amasso o copo transparente e começo a brincar com o canudo verde cutucando o chantilly de chocolate que restou

- Tudo bem então.

Escuto quando Alissa para o que está fazendo pra começar a me reprender, e enquanto ela fala, checo o relógio só pra confirmar que já deu a hora de ir assinar minha despedida. Dou sinal para o táxi e troco o celular de orelha.

- ...Você compreende não é Oli?

Olho para o taxista e digo que vou ao hospital.

- Lissa vou ter que assumir plantão daqui uns minutos, eu mando mensagem mais tarde pode ser?

Mas quando olho a tela vejo que já faz segundos em que estou falando sozinho. Estou casado a um ano, a conheci quando fui trabalhar no ambulatório de um desfile de moda, ela é linda, sorridente, meio louca demais e bebe mais do que achei que um ser humano era capaz de beber. Mas derrepente depois de casarmos ela começou a ficar extremamente ocupada, nunca podia me acompanhar nas minhas viagens e nem fazer viagens de férias, as vezes ela se tranca no quarto e fica horas no telefone sem olhar no meu rosto.

Os coqueiros passam pela vista da janela, e o cenário muda de areia e mar para casarões, e pessoas correndo com roupas de ginastica. This is Califórnia baby!  O carro para em frente à entrada majestosa do hospital da Califórnia, pago a corrida e desço, jogando a mochila por sobre os ombros. Passo pelos seguranças que apartam uma mulher desesperada, comprimento as recepcionistas e pego o elevador em direção a sala da responsável pelos médicos.   Quando a porta do elevador se abre as enfermeiras me encaram sorridentes, uma delas checa o batom no espelho e acena pra mim, enquanto dá a volta sobre o balcão para ficar a minha frente.

- Doutor Sykes, boa tarde!

- Boa tarde – Aceno com a cabeça

- Está gostando do sol da Califórnia? – Não escondo a expressão divertida e a encaro ainda mais quando suas colegas dão risinhos nervosos. – Digo... – Ela tosse

- É bem mais quente que o de onde moro.  – Ajeito a mochila, . Ela sorri – A Doutora Light está? Preciso assinar meus papéis.

A enfermeira morena arregala os olhos e olha por cima dos ombros

- Ela... Ela está na clínica, o senhor não precisa mais atender nenhum paciente hoje, apenas esperar a doutora Light retornar. – Concordo com a cabeça novamente e me viro em direção a clínica, mas não antes de ser mais uma vez perturbado pela morena sorridente – AH! Doutor tem uma paciente na sala de espera da doutora Light que está a sua espera já faz uns minutos.

Uma paciente? Pelo que lembre não dei nenhuma receita errada, costumo nunca errar nessas coisas, e isso que sou um dos homens mais preguiçosos que conheço!  Pego um copo d´agua no caminho e atravesso o corredor que me leva ao meu destino.  Passo os olhos até observar de longe a figura da pessoa que me espera.   As pernas cruzadas balançando ansiosamente sem ao menos ela perceber, a luz do sol refletindo nos cabelos ruivos e cumpridos, os olhos ansiosos passando pelas páginas do livro em suas mãos.  Eu até poderia fingir que esqueci o nome dela, pois sou um médico que atende a vários pacientes por dia, mas não, eu lembro o nome completo dela.

- Senhorita Quinn?

Seus olhos se erguem cautelosos ao encontro dos meus, ela alinha sua postura e passa a língua nos lábios, observo atento até de mais suas unhas escuras tamborilando a capa verde surrada de seu livro. Ela se levanta, mas ainda assim tem que manter o queixo erguido para me encarar.  Ela bufa irritada e observo divertido. O que?

- Senhorita não – Ela discorda quase rindo – Belle. – Ela gesticula com a mão e a ergue em minha direção, aperto sem mudar meu olhar.

- Posso ajudar? – Passo meus olhos por toda Belle, mas apenas pra verificar se a menina está bem, tirando a palidez estranha pra quem mora na cidade do sol, e as olheiras quase roxas de falta de sono... Aperto meus olhos em desconfiança

- Vim me desculpar por ontem, minha mãe é exagerada e super protetora e de vez em quando ela exagera.

Tradução: A mãe dela é louca.  Isso se repete na minha cabeça me fazendo rir discretamente

- Intendo a super proteção da sua mãe Belle – Gosto como o seu nome se desenrola na minha língua, com uma facilidade que derrete no céu da boca. – Não é nada com que eu nunca tenha lidado - Seus olhos vasculham os meus, e aproveito para procurar algo além de cansaço e cautela nos olhos da garota a minha frente.  – Você se alimentou? - Ela olha para minha camiseta enquanto sussurra que sim, ela é tão óbvia mentindo.... – Ainda posso passar a receita pra você...

- Não... – Ela dá um passo para trás congelada, depois sorri sem graça e ensaiadamente – Obrigada.

Na minha mente me lembro de como me intriguei com a mudança cardíaca da menina quando sua mãe saiu da sala, sua respiração se acalmou, as brotoejas nas bochechas ficaram mais claras, e os movimentos descongelaram, como se ela estivesse o tempo inteiro apertando a barra do carrinho da montanha russa, prestes a despencar. Algo naquela cena faz um incomodo crescer no meu estomago e uma preocupação desconhecida surgir na minha mente. Essa menina se deixa domar pela mãe, e isso se torna um enigma pra mim, dizem que a vida é bela, mas quem inventou essa frase com certeza nunca tinha visto essa menina frente a frente.

Uma terceira pessoa entra na sala, é um homem de altura mediana, olhos verdes e cabelos pretos, ele me encara e acena com a cabeça.

- Belle, sua mãe já me ligou duas vezes...

A menina arregala os olhos e encara o relógio ao seu lado, a boca se escancara em surpresa e seus dentes prendem seus lábios manchados de algo rosa e com glitter.   O homem a encara com um olhar de compaixão, e no mesmo momento a dúvida de quem é ele, me atinge corrosivamente. Eu sempre tenho essa curiosidade crescente sobre as pessoas. Mas me tranquiliza saber que algo em seu olhar indica que ele se preocupa muito com a ruivinha nervosa.

- Droga, droga, droga, droga... – Ela corre até o bebedouro e enche um copo com água. – Obrigada doutor...

O menino a segura pelo cotovelo e a guia para fora da sala, observo quando o reflexo ruivo de seu cabelo, some na curva, e só então me conscientizo de que estou segurando minha respiração.

 

 

ELA:

 

Felicidade

fe·li·ci·da·de

sf

1. Estado de espírito de quem se encontra alegre ou satisfeito; alegria, contentamento, 2. Acontecimento ou situação feliz ou alegre; sorte, sucesso, ventura.

 

        - Kellin eu não tenho tempo.

Ele me mostra o dedo do meio e continua colocando frutas na minha boca, aposto que se Carla entrar no camarim eu estou perdida.  Meus pés estão pousados delicadamente no chão com as unhas recém pintadas de framboesa, as duas manicures pintam as unhas agora quadradas das minhas mãos. Meus cabelos estão presos em bobs, e ainda sinto o cheiro de morango do creme da massagem após depilação a laser de mais cedo.

- Tem que comer, caralho. 

- Mas eu já vou me maquiar – Choramingo

- Exatamente por isso que too tuxando isso na sua goela antes de rebocarem sua cara – Ele enfia um pedaço de pêssego melecado de leite condensado

Mastigo nervosa com o estomago pesado, repasso mentalmente todos os truques que aprendi nas aulas extras de passarela, piano e estúdio. E depois o episódio de ontem e o doutor com expressão divertida de hoje de manhã. O motivo do meu atraso de olhos lindos! Sorrio me despedindo da distração de tatuagem e jaleco branco.

É hoje... O teste pra minha vaga na Europa.  Não dormi a noite inteira ensaiando passarela com a ajuda de Vic e Kellin.  Imperfeições não serão aceitas, por isso minhas unhas estão sendo refeitas, meu cabelo foi escovado e a maquiadora mais cara da cidade está espalhando suas maquiagens por todo o camarim, minha única exigência foi ter meu primo e Vic ali comigo até o momento de ter que desfilar.

Vic não parece nada incomodado enquanto está deitado na poltrona de couro, com uma mesa de comida ao lado e tirando milhares de fotos pra postar no instagram enquanto enche a boca com uvas cobertas de chocolate.

 

Longos minutos depois, sem ao menos conseguir ver o resultado da maquiagem, sou arrastada pra trás de uma cortina. Kellin me segue e entrega a primeira peça de roupas de ballet, um collant rosa com glitter, saia e sapatilhas de ponta. Entro na roupa delicadamente, e prendo o cabelo do modo como fui instruída para não desfazer os cachos.

O clima dentro da sala fica pesado conforme os nomes são chamados para as apresentações individuais, não é permitida a entrada de mais ninguém nesse momento, observo um grupo de meninas vestidas iguais para a performance de dança, ao meu lado uma garota morena esta vestida com roupas coloridas e brilhantes de mágica, ela mexe compulsivamente nas cartas do baralho em suas mãos.  A próxima menina a enfrentar o palco é uma morena bronzeada, alta, de olhos verdes que tamborila os dedos nos furos da flauta. Cada mínimo barulhinho serve como uma sinfonia dentro da minha mente, em algum lugar uma gota pinga e isso forma uma tsunami em meus ouvidos.

Sigo em direção ao banheiro dos fundos, tomo cuidado para pular a água suja do chão e me fecho em uma das cabines e uso minha unha framboesa para arranhar minha garganta na esperança da salada de frutas sair. Calorias a mais não ajudam ninguém. Forço mais uma vez, mas a figurinista grita meu nome dentro do camarim.   Corro pra fora e me posiciono degraus acima.  Então meu nome é chamado novamente e caminho sobre o palco, as luzes dos holofotes me cegam por segundos, mas mantenho minha cabeça erguida como se tivesse meus cinco anos novamente e as enciclopédias de mamãe me impedindo de curvar a postura! Abro um sorriso enquanto a plateia me aplaude, e escuto Vic me chamar de gostosa, então vou ao meio do palco e as luzes diminuem dando o drama perfeito pra um começo.  A música clássica toma todo o espaço, enquanto realizo os movimentos ensaiados, passo os olhos pela plateias e vejo o resultado que espero: incredulidade.

Pessoas ficam incrédulas com a perfeição.

Observo Vic roer as unhas e Kellin sorrir, em seguida vejo o brilho dos olhos da minha irmãzinha e então o ar fica pesado, as íris geladas de mamãe calculam meus movimentos como um leão prestes a atacar, prendo a respiração e sinto vontade de vomitar o que não ingeri. Me forço a ser mais graciosa e quando menos noto a música da seu tom final. Me reverencio e escuto aplausos fortes.  Da plateia vejo Carla insinuar um sorriso em seu próprio rosto, me ordenando silenciosamente para sorrir e cativar a plateia, viro em um giro e desfilo para dentro das cortinas azuis.

 

 

Coloco o vestido rosa e solto o cabelo, agora é a hora em que mostramos nosso charme, minha barriga dói e cubos de gelo correm em minhas veias, mas só piora enquanto o barulho de saltos alinhados ecoam no linóleo.

-  Isabelle. – Sua voz é pura repreensão. Seus dedos gélidos seguram meu punho e o trava, ela analisa cada fio do meu cabelo. – O que foi aquilo?

- Eu fui boa – Procuro a palavra certa

- Meses de treinamento para você se sair boa? Na hora dos aplausos eu deveria ficar surda de barulhos, mas escutei sua própria irmã estourar o chiclete

Prendo a respiração para impedir as lágrimas

- Perd...

- Não – Sua narina infla e suas pupilas dilatam – Você vai entrar lá agora e vai fazer por merecer.

Me sento no banco duro atrás de mim e espero de cabeça baixa enquanto todas as modelos terminam de se arrumar. Mamãe vai à procura de um pouco de água e gemidos chamam minha atenção. Encolhida entre os vestidos uma figura se esconde, me aproximo curiosa, os cabelos loiros escorridos prendem uma tiara brilhante, ela está de vestido lilás pálido.

- Tudo bem?

- Eu estou nervosa – Sua voz é suave

- É normal, o segredo é tomar um copo de água gelada. – Sorrio e a ajudo a sentar no banco ao meu lado

- É um ótimo conselho. – Seu corpo treme – Também vindo de você...

Ergo uma sobrancelha

- Eu?...

- Todo mundo conhece você, Isabelle Quinn, você arrebenta nos ensaios de passarela. Sou de uma das turmas.  Lily.

- ISABELLE. – A voz de minha mãe ordena e me levanto lançando um olhar culpado para Lily. – Não existem amizades aqui dentro, componha – se, vou esperar lá fora.

 

Mas não é isso o que ela faz, ela espera até que meu nome seja chamado pelo apresentador, ao passar, Carla aperta meu punho com força em um sinal claro de severidade e ordem. Um lembrete de que se eu for apenas boa, as coisas sairam da linha na minha perda. Perder não é uma opção.

Desfilo pela passarela com olhos fixos no fundo do teatro, sinto o suor se mostrar presente no meu corpo, giro sobre o salto e faço pose para a câmera, sorrio e volto em direção ao apresentador que me pergunta sobre qual minha visão para o futuro, e em meio a minha resposta noto no canto do salão os pontinhos brancos, o pessoal dos primeiros socorros, enfermeiros estão sentados em cadeiras em prontidão para qualquer acidente, mas parado ao lado de um deles, assinando papéis reconheço a pessoa que está mais compenetrado no movimento da caneta do que no que está acontecendo ao redor. Dessa vez solto uma risada natural que combina perfeitamente com o fim da piada do apresentador.

Volto para o fundo do palco enquanto o resto das candidatas desfilam.  Então depois de minutos o encarando finalmente seus olhos encontram os meus, ele ergue uma sobrancelha parecendo divertido, então cruza os braços. Comprimento com a cabeça e aceno discretamente, ele conversa com um homem de branco e se senta na poltrona livre ao lado.

  

ELE:

                - Doutor Sykes, mais uma menina desmaiou no camarim, vamos prestar socorro, tem como o senhor ir dar uma verificada nas meninas por favor? – A enfermeira fala correndo enquanto pega o estetoscópio

Era pra eu estar na minha cama em Londres, mas o surto de virose repentino fez com que os médicos de plantão ficassem ocupados em clinicas públicas, em troca de uma passagem de primeira classe tive que vir cobrir o último plantão dos enfermeiros. Geralmente é apenas anotar o nome de quem está trabalhando e cair fora. Mas parece que tudo nessa cidade é um problema para minhas soluções. Verifico o relógio, e sigo para dentro do camarim.

Cheiro de comida, é isso que sinto enquanto desço a pequena escada, ao lado duas mesas cobertas de comida intocada. Roupas no chão misturadas com maquiagens chutadas por enfermeiros. Uma das enfermeiras avalia menina por menina, também com tantos corpos em lugar só o calor se acumula e junta ao cheiro de comida. Embrulha o estomago de qualquer louco.

- De água pra elas, e alguém arranja um ventilador pelo amor de Deus – Reclamo em voz alta.

Garotas são abanadas por outras, umas comem preocupadas, e outras correm de um lado para o outro perdidas, e ali no canto Belle está sentada com a cabeça encostada na parede e olhos fechados, a boca de mexe como se estivesse orando.   Ao chegar perto escuto que na verdade ela cantarola uma música do Aerosmith

- Você também precisa de água?

Ela abre os olhos preguiçosamente e me encara

- Água não vai trazer minha passagem pra longe daqui – Ela suspira e tomba a cabeça pra frente – Perdão, é o estresse.

- Eu sei do que você precisa. – Pego o bloco de notas do bolso e caneta, anoto e entrego pra garota que começa a ler

- Salsicha ? Pão? – O sorriso se alarga – Eu preciso de cachorro quente?

Aceno com a cabeça concordando e me permito rir

- Recomendações médicas – Pisco divertido

- Seria bom provar alguma vez – Ela dobra o papel e dou risada

- Como assim? Não me diz que você NUNCA comeu um cachorro quente na vida!!!!

Ela discorda com a cabeça e dou risada de desespero.

- Faremos assim, vou deixar a receita com você, e você está intimada a comer um – Anoto meu número em um papel, sem ao menos pensar e entrego – E me mande mensagem quando terminar.

Ela gargalha de verdade dessa vez.

- Fechado. Ou posso esperar para minha próxima consulta e fazer você me pagar um.

Fico calado ao lembrar que isso não vai acontecer, pois daqui a horas vou estar novamente na cidade acinzentada esperando minha mulher ocupada voltar. Olho ao redor e noto que o último enfermeiro está para sair da sala. Encaro Belle que ainda está me encarando divertida.

- Fechado. Vou trabalhar agora.

 

 

 

ELA :

 

Minhas unhas se enterram sem piedade na carne da mão, meu vestido pinica, o salto faz meus pés latejarem, mil pares de olhos estão em cima de mim, as câmeras apontadas para nossa direção. O apresentador baixinho anuncia o quinto lugar , o quarto lugar, e o terceiro acaba de ser anunciado, e Lily desfila novamente para junto das outras vencedoras.

- Em segundo lugar, concorrendo ao penúltimo lugar no avião, a vaga no maior concurso de passarela e sessões de fotos com verdadeiros nomes da moda.... Veronica Mendes.

A morena pula de alegria, seca as lágrimas e desfila confiante para a frente.  O som de tambores tomam os altos falantes.

P E R F E I Ç Ã O

- Em primeiro lugar -  A voz ecoa em minha mente e me sinto catatônica

S E R  Ó T I M A  N Ã O  É  S E R  P E R F E I T A !

- ISABELLE QUINN.

É isso. Escuto os aplausos, as vozes da minha família, vejo minha irmãzinha correr para perto do palco e pela primeira vez vejo Carla com as mãos para cima em sinal de prece. O choque me impede de assimilar quando me entregam um passaporte de mentira e um ticket em forma de avião representando meu lugar garantido. A sensação de alivio me rouba o folego.

Mas em meio as luzes piscando foco meus olhos na figura que sai despercebido arrastando uma pesada mala atrás de si, meus olhos o acompanham até ver a última parte da mala sumir porta a fora e desde ali percebo que agora o cachorro quente não terá gosto de cachorro quente. 

 


Notas Finais


COMENTEM POR FAVOR <3


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