História Perfeitamente Imperfeitos - INTERATIVA - Capítulo 2


Escrita por:

Postado
Categorias Histórias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Interativa
Visualizações 108
Palavras 5.313
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Drama (Tragédia), Famí­lia, Romance e Novela, Shoujo (Romântico)
Avisos: Álcool, Heterossexualidade, Homossexualidade, Linguagem Imprópria, Sexo, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Oi oi oi!
Olha quem está aqui!
Euzinha!
É, provavelmente vocês estejam um pouco chateados comigo por ter demorado tanto, mas o importante é que eu estou aqui! Certo? Certo?

Eu tenho três personagens para apresentar... ou são quatro? Não lembro direito, desculpem, minha memoria esta um tantinho ruim... mas o link para o jornal com os personagens está nas notas finais.
Não se preocupem, os personagens que não aparecerem ou tiveram pouca participação neste vão aparecer mais no proximo, ok? São muitos persnogens e coloca-lo todos apenas neste me faria escrever uma vinte paginas de capítulo e olha que este deu doze paginas do word!
Vocês irão perceber que neste capítulo e provavelmente nos seguintes haverão partes diretamente do ponto de vista dos personagens. Eu gosto mais de escrever como narradora em terceira pessoa, as vezes é mais facil, outras nem tanto, escrever em primeira pessoa as vezes é mais facil demonstrar os sentimentos e pensamentos do personagem... bem para mim é assim... Há dois "POVs" neste capítulo, ok?

Sem mais, desejo-lhes uma boa leitura!

Capítulo 2 - Start


Fanfic / Fanfiction Perfeitamente Imperfeitos - INTERATIVA - Capítulo 2 - Start

TWO - START

O salto armani que valia pelo menos dois mil dólares ecoava pelos corredores titilando de limpos, a mulher elegantemente vestida em um terninho escuro falava ao telefone a voz exigente de quem sabia o que queria e que comandava tudo ao seu redor, exigia que tudo estivesse pronto até às oito da manhã, horário em que geralmente os alunos de sua escola começavam a chegar aos montes, trazidos pelos pais ou motoristas destes.

Moira Finn, trinta e seis anos, diretora interina da Haven’s High School, tinha nascido para aquele trabalho do qual herdara do avô e desde então tem comandado todo aquele complexo com mãos de ferro, afinal tinha que ter punho firme se quisesse educar as crianças dos maiores empresários e empresárias do país. Todas aquelas crianças tinham um futuro brilhante e Moira se arrepiava só de imaginar-se sendo mencionada em seus discursos de posse, a fama do colégio subindo cada vez mais, atingindo patamares do ocidente ao oriente.

Nada poderia fazer Moira mais feliz.

- Senhora! - A voz estridente de sua nova secretária feriu seus ouvidos - Diretora Finn!

- Qual o problema desta vez Senhorita Porter? - Moira encarou a jovem secretária de não mais que vinte e dois anos, de estatura pequena, cabelos castanhos e óculos redondos, mais parecia uma de seus alunos.

- A nova professora já a aguarda em seu escritório e a Senhorita Withmore está esperando alguns alunos.

- Nesse horário? O que Amanda quer conversar com esses alunos que não pode esperar até o horário do almoço?

- Ela disse que prefere conversar com eles mais tranquilamente - Louis Porter dirigiu um sorriso amarelo para sua chefe ao estender a pastas dos alunos que a Orientadora queria ver. Moira assim que leu os nomes deles estalou a língua.

- Tudo bem - suspirou e devolveu as pastas sem nenhuma delicadeza - Vou para minha sala falar com a nova professora e você vai conferir se está tudo em ordem para a cerimônia de abertura.

- Sim senhora!

Moira voltou a caminhar, seus saltos estalando no piso, antes de entrar no escritório, verificou sua roupa e maquiagem e colocou um sorriso simpático no rosto. Era hora de trabalhar.

****

Abi movia-se preguiçosamente pelo corredor completamente vazio da escola, não tinha pressa alguma de chegar a sala da orientadora, ainda era muito cedo e o colégio estava vazio se você não contar com os zeladores dando os últimos toques de limpeza nas salas de aula e auditórios. Ao virar o corredor, Abigail viu o zelador Hunter sair de uma das salas de aula empurrando um daqueles carrinhos de limpeza.

O zelador Hunter era um homem ruivo com barba espessa e era frequentemente visto com a expressão fechada, hoje isso não era diferente, Abi apenas acenou para o homem e seguiu seu caminho, seus tênis brancos combinando com o look jeans daquele dia, batia ruidosamente no chão muito limpo de vinílico, a porta do escritório da orientadora já podia ser vista, a placa de madeira com letras garrafais fazia Abigail rolar os olhos.

Não queria estar ali, definitivamente. Amanda Withmore era uma pessoa legal, Abigail podia admitir isso, mas não era por ser uma pessoa legal  que a faria falar sobre os problemas que rondavam sua vida, não mesmo, ela mesma podia lidar com isso, afinal estava limpa ha... Mais de um ano se não estivesse enganada. No entanto ainda sim, estava lá, parada diante a porta da Orientadora da escola por dois motivos basicamente: primeiro sua avó, a mulher maravilhosa que ela era e que Abi não queria decepcionar ou causar problemas, mas do que já causou e o segundo era a própria orientadora, uma mulher muito insistente.

Um suspiro escapou por entre seus lábios, e Abigail estendeu as mãos para a maçaneta. Seus dedos mal tinham tocado a superfície fria, quando a porta foi aberta de forma rápida de mais. Abigail pulou para o lado soltando palavrões que teriam deixado um marinheiro vermelho.

- Senhorita Jones! - A orientadora ralhou, coisa que Abigail nem ligou, estava olhando para a garota que tinha aberto a porta - Mais educação, por favor!

- Eu pensei que esse horário fosse exclusivamente meu, Amanda. - Abigail sorriu matadora, a mulher mais velha suspirou e Chloe Karhu, a garota que tinha acabado de sair da sala retribuiu seu sorriso.

- Chloe, por favor, compareça às aulas, sim? - Amanda pediu pelo que parecia a enésima vez - E escolha alguma das atividades para fazer!

- Talvez se eu estiver com vontade - Chloe deu de ombros - Mas boa sorte para você Amy, com aquele seu namorado.

- Que namorado? - Abigail perguntou com curiosidade e interesse. Talvez com um pouco de sorte pudesse enrolar Amanda pelos próximos trinta e cinco minutos, caso não desse certo, teria uma conversa com Chloe mais tarde.

- Entre para a sala, senhorita Jones e vamos conversar.

 

Chloe continuou seu caminho pelo corredor depois de deixar a sala. Pensava no que iria fazer, talvez fosse para casa dormir ou simplesmente andar por aí, não tinha a mínima vontade de continuar naquela escola, aliás, só estava ali porque sabia como sua orientadora era insistente. Talvez fosse porque fosse ruiva, a mulher era capaz de ir bater na sua porta, ou talvez ela se preocupasse verdadeiramente com os alunos e seus futuros e mesmo assim Chloe se importava muito pouco.

Era um pouco engraçado conversar com Amanda - ou Amy como costumava dirigir-se a orientadora - como, por exemplo, mencionar o namorado da mesma na conversa para distraí-la. Como ela sabia do namorado? Muito simples, as pessoas quando querem ser discretas às vezes não percebem nada ao seu redor e foi desta forma que Chloe entre ouviu sem querer a conversa da orientadora com a professora de história.

Ajustou o casaco nos ombros e pegou os fones de ouvidos do bolso e com um rápido deslizar de dedos selecionou a playlist que desejava, já sabia para onde iria, mas primeiro, iria fazer uma parada em seu armário.

Distraída com a playlist, Chloe não percebeu quando Thomas virou o corredor e acabaram trombando.

- Hey! - Chloe olhou para o aluno estranho um garoto negro, alto de porte atlético e lábios com a insinuação de um sorriso que poderia fazer mulheres caírem facilmente a seus pés.

- Desculpe - Thomas deu de ombros não se importando se tinha sido ele ou ela a esbarrar, também analisava Chloe e gostava do que via. Ela era um pouco mais baixa do que ele, uns dez centímetros talvez, mas Chloe tinha seus atributos bastante apreciáveis. Thomas sorriu abertamente - Pode me dizer onde fica a sala da orientadora?

- Não, estou ocupada.

- Ouvindo música? - Thomas arqueou as sobrancelhas, o sorriso ainda desenhado nos lábios.

- Sim, como pode ver - Chloe segurou a vontade de revirar os olhos e retomou seu caminho - Agora, tchau!

- Sério mesmo que não vai ajudar um colega? - Thomas gritou erguendo os braços, mas foi completamente ignorado.

Thomas bufou e xingou. Ótimo! - Pensou. Tinha sido obrigado a ir morar com seu pai, ausente por anos e agora tinha que ir ver uma orientadora. Ótimo, simplesmente ótimo! Sabia exatamente sobre o que a mulher queria falar e a perspectiva não era agradável, seus problemas eram seus, demais ninguém. Voltou a caminhar pelos corredores a procura da sala da dita orientadora, quando finalmente a encontrou teve o vislumbre de outra garota bonita e pela sua expressão a conversa com Amanda não tinha sido muito boa.

Abi e Thomas se encaram por alguns minutos, antes de Abi se afastar da porta e seguir seu caminho.

- Boa sorte com Amy - Abigail murmurou ao passar. Thomas encarou a porta e mais uma vez bufou, não estaria ali se não fosse por sua avó. Na verdade se não fosse por ela, estaria cabulando aquela sessão de aconselhamento.

- Senhor Jackson? - Amanda sorriu afável quando Thomas bateu em sua porta.

- Pode apenas me chamar de Thomas - Disse o garoto se sentando de frente para a mulher ruiva.

- Eu sou Amanda e a partir de hoje serei sua orientadora - Amanda estendeu a mão em cumprimento - Eu gostaria primeiro de começar com seu histórico...

- Tem mesmo que fazer isso? - Thomas cortou a fala de Amanda.

- Sim, nós da Haven’s School queremos muito que nossos alunos tenham destaque em seus futuros e infelizmente não podemos permitir suas antigas atividades...

- Claro porque este é um colégio de elite e os papais por aí não querem que seus filhos se misturem com um traficante de drogas - Thomas juntou as mãos e se curvou - certo, Amanda?

- Thomas, nem todos os alunos de nossa escola estão em uma situação privilegiada...

- Só a grande maioria...

- Você tem um futuro pela frente, sei que sabe disso - Amanda preferiu ignorar o comentário - E você é um aluno bolsista, tem que ter em mente que para manter a bolsa tem que se esforçar, não só no comportamento, mas em suas notas também.

- Se é essa a sua preocupação, Amanda, não se preocupe - Thomas voltou a se encostar na cadeira bastante relaxado - Não pretendo “sair da linha”.

****

 

Georgia.

Levantar cedo definitivamente não era o meu forte, eu sabia que estava atrasada, mas não conseguia me levantar da cama, era uma mistura de desânimo com tristeza, eu sabia o que iria encontrar no andar de baixo, como todos os dias.

Mamãe preparando o café da manhã enquanto cantarolava uma canção que não sabia direito a letra por estar em gaélico e então meu pai entraria na cozinha, sorrindo para a mulher que amava, diria “bom dia” com o sotaque que derretia minha mãe como manteiga em faca quente. Por fora uma família feliz, desfrutando do café da manhã, mas eu sabia que não era bem assim. Por baixo daquela felicidade, estava uma tristeza velada por uma perda precoce.

Passos soaram pelo corredor e sabendo o que viria a seguir enterrei meu rosto no travesseiro gemendo antecipadamente a ordem que Claire Mackenzie daria.

— Levante-se ou vai se atrasar! — Ela gritou do outro lado da porta. Outro gemido incoerente da minha parte — Se está cansada é culpa sua por ter ficado acordada até tarde.

Realmente a culpa era minha, mas eu terminei de assistir a sétima temporada de CSI o que me impediu de exercer minha mais recente mania de vagar de madrugada pela vizinhança e descobri quem era o tal assassino das miniaturas ou melhor assassina, uma jovem chamada Natalie, tão bonitinha que seria fofa se não tivesse olhos azuis sinistros e matado sua irmã mais velha quando tinha quatro anos, além da obsessão sinistra de criar maquetes.

— Levante-se Georgia! — E lá estava o ultimato, era levantar ou ser arrastada para fora da cama e consequentemente para escola. Não tive escolha, joguei de lado os cobertores e me pus de pé, um moletom vermelho tirado do fundo do armário, com uma saia preta e meia-calça, seriam bons o suficiente para um primeiro dia de aula.

O café da manhã servido na cozinha parecia delicioso como sempre, suco, leite, biscoitos e o que os europeus chamam de “pequeno almoço” para aguentar o dia. Sentei ao lado do meu pai que lia um jornal.

— Bom dia mo phàiste¹ desejou ao me ver ao seu lado servindo um prato waffles e caramelo. A reação de papai foi instantânea. A sobrancelha bem feita e vermelha subiu alguns sentimentos — Não é cedo demais para comer doces?

— Não.

— Vai passar mal — Ele avisou, servindo-se com crumpets, pãezinhos de consistência bastante elástica e porosa, ovos e bacon — E como pai não posso deixar que passe mal em seu primeiro dia de aula.

— Devolva meus waffles! — Meu querido pai trocou meu prato, sorrindo travesso — Mãe!

— Coma o que está no prato Georgia — Mamãe sequer desviou o olhar de sua caneca de café, mas sorria com indulgência.

— Odeio vocês... — cutuquei os ovos sem vontade. Waffles... Deliciosos waffles com cobertura ou manteiga... Waffles... Oh queridos waffles, porque me deixaste?

— Também te amamos querida — Os dois disseram juntos e riram como o casal apaixonado que eram.

Mereço.

****

Do outro lado, em um conjunto de apartamentos próximo ao colégio, outra garota tentava se organizar para o primeiro dia.

Kisa tinha levantado cedo e feito alguns exercícios para manter uma rotina e treinar um pouco os movimentos que pretendia apresentar quando fosse fazer o teste para as lideres de torcida. Enquanto fazia aberturas falava com o pai via Skype e logo depois correu para deixar seus quatro gatos e seu único cachorro, confortáveis até sua volta da escola.

Kisa amava gatos, assim como toda a sua família e como estava vindo para os Estados Unidos para cursar o ensino médio, não pode deixar de trazer seus bichanos para lhe fazer companhia enquanto seus pais e irmão continuavam na Rússia.

- Vai me desejar boa sorte, certo German? - Kisa olhou para o gato sagrado da Birmânia esticado no sofá, que se quer lhe deu atenção - Tudo bem... E vocês Wanny e Felix? - O gato e o pequeno Zwergspitz olhavam em expectativa para sua dona.

Kisa sorriu para seus animais, estava animada para aquele primeiro dia, tanto que quase dava pulinhos, sempre tinha gostado de aprender coisas novas e vir para Portland era uma bela oportunidade. Olhando uma última vez no espelho, Kisa ajustou o rabo de cavalo e verificou sua roupa, calça preta com os joelhos rasgados, uma blusa preta e camisa de flanela, por fim deu uma ultima olhada em seus companheiros e saiu trancando o apartamento.

Preferiu usar as escadas ao elevador e enquanto andava pelas ruas, imaginava que tipo de pessoas iria encontrar na nova escola. Kisa era uma garota que não tinha muita paciência, esperava não encontrar ninguém que a levasse ao limite logo no primeiro dia. Virando uma esquina, Kisa já podia ver a grande movimentação em torno do complexo que era a Haven’s’ School, carros iam e vinham deixando alunos, muitos deles, Kisa apostavam que eram motoristas. Sorrindo animada a pequena atleta russa apressou o passo, mas parou no meio do caminho quando um garoto alto, moreno e um tanto magro “brotou” na sua frente. Ele parecia prestes a vomitar ou começar a se transformar no Hulk.

- Hey você está bem? - Kisa pergunta ao garoto que como se tivesse levado um choque transferiu seu olhar da entrada para a loira ao seu lado.

- S-sim... - Ele gagueja movendo a cabeça demasiadamente rápido.

- É um novato também? - Kisa sorriu interrogativa e o garoto respondeu em forma de acenos positivos com a cabeça - Legal, eu me chamo Kisa - disse estendendo a mão.

- Você... - O colega sem nome mordeu o lábio inferior em dúvida - Seu sotaque... Você é russa?

- Sim, algum problema com isso? - O sorriso de Kisa se transformou em uma careta ela abaixou a mão - Vim fazer intercâmbio...

- Sem nenhum problema senhorita - Ele sorriu relutante e curvou-se um pouco desajeitado.

- Seu nome, strannyy²?

- Na... Desculpe... Ephrain Nathanael.

- Você ia se apresentar com o segundo nome, não gosta de “Ephrain”?

- Eu não diria isso, só às vezes ele parece estranho... E complicado... - Ephrain encolheu os ombros desconfortável.

- Posso chamá-lo de Nat, então? - Kisa questiona, Ephrain/Nat apenas acena novamente - Ok! Já que somos dois novatos, por que não procuramos a secretária ou algo assim juntos?

- E se ficarmos perdidos? Esse lugar parece enorme... - Nat voltou a olhar para o prédio, Kisa podia ver muito bem a vontade dele de correr para bem longe dali - Ter um mapa até que seria legal...

- Tem certeza que está bem? - Dúvida brilhava nos olhos de Kisa, aquele garoto era um pouquinho estranho. Nat abriu a boca para responder, mas foi interrompido.

- Vocês também querem sair correndo daqui? - A voz carregada com outro sotaque que puxava os “Rs”, surpreendeu Kisa e Nat. Os dois adolescentes se viraram para trás dando de cara com uma garota ruiva que os encarava com um misto de ansiedade e descrença no olhar castanho.

- E você é? - Kisa indagou arqueando a sobrancelha perfeita, assistindo a outra morder o lábio inferior e olhar para trás. Kisa seguiu o olhar da ruiva e do outro lado da rua, estava uma Uno branco com um homem ruivo acenando positivamente.

- Georgia - A ruiva murmurou depois de suspirar - Se vocês vão ir em frente, gostaria de me juntar a vocês... Se não se importarem...

- Tudo bem... - Kisa deu de ombros - Certo Nat?

- Aahhh... Sim... Tudo bem...

Nem cinco minutos depois, os três estavam perdidos no corredor abarrotado de alunos, Nat se sentia um pouco tonto com todo aquele burburinho ao redor e novamente se sentia enjoado, coisa que Kisa não pode deixar de perceber e se perguntar novamente se estava tudo bem e a ruiva a sua esquerda não parecia muito melhor, olhava ao redor e murmura baixinho em uma língua estranha.

Kisa fechou os olhos bem apertados e contou até cinco tentando controlar sua falta de paciência, aqueles dois estavam lhe tirando dos nervos, parecendo dois paranoicos e antissociais.

Que sorte eu tenho! - pensou consigo mesma revirando os olhos. Mordeu os lábios escolhendo suas próximas palavras, mas para sua sorte ou para sorte de Nathanael e Georgia a salvação chegou em forma de um garoto quase tão alto quanto Nat, ele tinha cabelos castanhos e uma franja alta que lhe dava um topete, olhos castanhos escuros e a pele levemente bronzeada. O novo garoto para na frente deles e lhes sorriu prestativo.

- Novos alunos? - Ele perguntou aos três que acenaram que sim - Sou Mike, muito prazer - Disse estendeu a mão a qual Kisa pegou primeiro.

- Kisa e esses são... - falou olhando para os dois companheiros

-... Nathanael - Disse o garoto depois de hesitar por um segundo e não se pode deixar de notar que ele preferiu omitir o primeiro nome.

- Georgia - A ruiva disse acenando timidamente, finalmente parando de resmungar.

- E estão precisando de ajuda - Mike refuta um meio sorriso nos lábios.

- Sim, por favor! - Kisa e Georgia acenaram enfáticas, Mike mais uma vez lhes dirigiu um sorriso e depois conferiu o relógio do celular.

- Ainda temos tempo antes de a diretora fazer seu discurso, posso mostrar a secretária para vocês e depois se quiserem a escola.

- Seria legal de sua parte, perdido é pouco para descrever como estou me sentindo - Nat articula coçando a nuca um pouco constrangido.

- Então se não se importam, serei seu guia - Mike tomou a frente e Nat não pode deixar de pensar que em um dos seus jogos, Mike seria um daqueles Npc’s super maneiros que apresentavam um tutorial completo e por isso relaxou um pouco.

****

Sophie Schutz.

Aquela manhã não estava sendo muito legal, não tanto quanto a última noite de férias tinha sido. Foi bastante divertido brincar com meus irmãos e depois assistir um filme de ação depois de muito debate, com o babaca do Matt, tanto que acabei por dormir em seu quarto. No entanto quando acordei, meu irmão mais velho tinha evaporado... Não literalmente, claro, mas eu não tinha um bom pressentimento sobre aquilo e todas as minhas suspeitas se confirmaram quando Mel, minha fofa e sapeca irmã caçula dedurou Matt, enquanto eu lhe ajudava a se vestir para a escola.

- Soso sabia que Matt saiu carregandu uma grande sacola? - Mel articulou enquanto eu lhe ajudava a vestir uma blusa rosa fofa.

- Grande sacola? - Tive que repetir a fala para ter certeza. Oh, não! Matt desta vez não, por favor!

- Sim! - Mel estava sorrindo como se tivesse acabado de ganhar um presente de natal - Ele falou que iria brincar na escola! Vai me levar?

- Mel você é tão fofa! - Apertei-lhe as bochechas - Mas sabe bem que não pode ir para o prédio dos adultos na escola, tem que ficar com as crianças, agora por que não vai encontrar o papai na cozinha? - Ela fez que sim com a cabeça, mas o bico em seus lábios me disse que não estava contente.

Quando cheguei à cozinha meu pai servia panquecas aos meus irmãos, torci para que Mel não se lambuzar com o xarope de bordo ou teria que trocar sua roupa antes de sairmos. Quando pus os olhos em Julie quase não contive o suspiro de irritação que quis me escapar, mais uma vez Julie tinha entrado no meu quarto pego um dos meus vestido e maquiagem.

Vamos lá Sophie, conte até dez e controle seu gênio.

Tendo feito a contagem, apresentei um sorriso de bom dia para minha família e me sentei à mesa para esperar meu pai colocar mais panquecas nos pratos.

- Pai, - chamei, assim que ele colocou três discos quentinhos e açucarados no prato a minha frente - Matt vai fazer de novo!

- O que é que tem ele fazer de novo? É divertido! - Justin exclamou, nem um pouco preocupado com que os trotes de Matt poderiam causar.

- Não, não é! - Emiti contrafeita - E você não deve seguir o exemplo de Matt, Justin, não é nem um pouco divertido brincar com as pessoas! - Declarei, Justin apenas deu de ombros e voltou a comer.

- Você às vezes não é nem um pouco divertida - Ele murmurou.

- Escute sua irmã, Justin - Papai interveio em meu auxílio - Ela tem um pouco mais de juízo que seu irmão mais velho.

O restante do café da manhã foi tranquilo e estávamos nos organizando para sair quando o celular de papai tocou, ele suspirou quando viu quem era pelo visor e atendeu.

- Um acidente? Onde?... Claro, já estou a caminho... - Outro suspiro lhe escapou dos lábios e pelo olhar que nos dirigiu, eu sabia o que significava - Desculpem crianças, eu não vou poder levá-los a escola hoje.

- Onde aconteceu o acidente? - Não pude deixar de questionar preocupada.

- Na Avenida Interstate - Papai massageou sua testa e recuperou sua maleta do suporte ao lado da porta - Vou pedir aos Ahlgren que levem vocês com eles por hoje.

- Vamos com Nath? - Mel pergunta animada, gostava de conversar e brincar com minha amiga e vizinha.

- Pode ir, vou falar com Nath. - Meu pai sorriu agradecido, sabíamos que ele gostaria de ter mais tempo com os filhos, mas o trabalho no hospital exigia muito de seu tempo e todo o momento que ele tinha conosco era preciso, para ele e para nós também.

- Não sei o que faria sem você Soph - Ele sorria orgulhoso, beijou nossas bochechas e saiu apressado.

- Vamos indo então, Nath já deve estar saindo de casa.

 Nathalie estava mesmo saindo de casa, discutindo com a irmã sobre alguma coisa boba que me fez revirar os olhos e rir, Mel soltou-se de Julie e correu na direção delas. Nathalie era uma garota bonita de 1,65 de altura, cabelos castanhos lisos e olhos da cor de avelãs.

- Nath! - A pequena correu e pulou na morena.

- Bom dia Mel! - Nath sorriu animada para minha irmãzinha - Já está de pé assim tão cedo?

- É claro! Eu já sou uma menina glande! - Mel fez pose, mostrando-se um verdadeira adulta e eu não pude resistir e rir, assim como Nath e Helisa.

- Podemos ir com você hoje, Nath? Meu pai teve um emergência no hospital - Manifestei-me um pouco vaga o acidente em poucos minutos já estaria sendo anunciado na rádio, isso se já não houvesse.

- É claro que podem papai não vai se importar - Ela disse com um sorriso - Onde está Matt?

- Você ainda está nessa, Nath? Sério? - Não pude deixar de revirar os olhos e rir descrente que minha amiga ainda tivesse uma paixonite pelo meu irmão.

- Essa daí não toma jeito - Helisa apontou como se já tivesse perdido as esperanças e provavelmente tinha, Nathalie era do tipo que se apaixonava muitas vezes.

- O que eu posso fazer se seu irmão é um pedaço de mau caminho? - Nath fez-se de ofendida, mas logo caiu na risada.

- Você deveria se apaixonar por mim - Justin disse, talvez um tanto quanto esperançoso.

- Ahhh! Justin querido você é um fofo - Nath apertou as bochechas dele deixando o menino vermelho - Mas é muito novo, quem sabe quando crescer?

Se possível Justin ficou ainda mais vermelho.

 

****

Jake e Bryan Miller estavão impressionados com a estrutura do colégio onde estudariam. O lugar era enorme, tinha dois campos de futebol, uma quadra fechada para esportes como basquete e vôlei, piscina olímpica e uma pista de atletismo e um enorme teatro. Bryan tinha perdido o irmão logo depois que saíram da secretária com a chave dos armários - alunos tinha direito a dois armários, um para materiais escolares e outro para esportes, roupas de ginástica e afins - e o horário de aula que iriam frequentar. Bryan sequer ligou quando Jake o deixou sozinho, na maior parte do tempo preferia ignorar que o irmão existia, para falar a verdade, nunca tinham se dado bem e por isso sequer tinha a preocupação do que o outro iria fazer.

Dando de ombros, ele saiu para o corredor e se empenhou na tarefa de encontrar o número de seu armário, deixar a mochila lá dentro e seguir para o auditório número quatro, onde segundo as instruções que recebeu, haveria uma “cerimônia de início de semestre”.
Depois de encontrar o armário e colocar seus pertences dentro, Bryan começou a se locomover para encontrar o auditório, que se localizava, infelizmente do outro lado do complexo.

Quando já estava desistindo de encontrar o tal lugar, Bryan notou a grande movimentação de alunos em torno de uma porta dupla, ele se dirigiu naquela direção quando foi “atropelado” por duas meninas, uma de cabelos negros na altura dos ombros e a outra de cabelo castanho cacheado.

- Desculpa - A garota de cabelo preto sorriu-lhe e foi-se sendo puxada pela outra.

- Venha logo Pixie! - Dizia sua companheira - Ainda temos tempo de ver mais coisas!

Bryan observou as duas se afastarem antes de entrar e encontrar um lugar e sentar-se.

Enquanto o irmão esperava dentro de um auditório com ar condicionado, Jake preferiu explorar o novo território. Encontrava-se na arquibancada do campo de futebol americano e pista de atletismo. O lugar era realmente grande e deveria ser o máximo competir num lugar como aquele. O sorriso que Jake abriu, dizia para qualquer um que o visse ali, que o jovem aceitaria qualquer desafio que lhe oferecessem e que tinha a intenção de vencer todos.

- Lá vai ela - disse uma voz masculina alguns acentos abaixo de Jake, sentado logo abaixo estava um garoto moreno que tinha em mãos um cronômetro. Curioso, Jake voltou sua atenção para a pista de corrida, lá uma garota ruiva corria com muita destreza. Atento ele observa ela completar a volta e se aproximar do garoto

- Qual foi o tempo? - A garota ruiva questiona aceitando a garrafa de água que lhe foi estendida.

- Sete minutos e quarenta e dois segundos - Informou o garoto olhando para o cronômetro - Quem sabe você não participa da competição esse ano Lilith?

- Não. - A ruiva respondeu um pouco ríspida, como se já tivesse discutido aquele assunto muitas vezes, ela tomou a toalha do banco - Eu não posso e sabe disso Tomas.

- Sim, eu sei - disse o garoto encolhendo os ombros - mas você se daria muito bem se participasse...

- Você tem um tempo realmente bom - Jake desceu as arquibancadas e chamou a atenção dos três.

- Não te conheço - Lilith a ruiva corredora arqueou a sobrancelha desconfiada - O que quer?

- Nada, só estava olhando - Jake deu de ombros enfiando as mãos nos bolsos - E achei legal o que estava fazendo.

- Obrigada, agora já pode ir - Lilith pegou a toalha e saiu deixando Tomas e Jake sozinhos. Tomas olhou para Jake e depois para Lilith que se afastava e depois novamente para Jake.

- O que? - Jake ergueu as sobrancelhas.

- Nada, - Tomas balançou a cabeça se colocando de pé - Já vou indo também, até mais!

Jake observou o garoto correr atrás da ruiva e os achou um pouco estranhos, mas decidiu não pensar muito nisso, estava na hora de dar uma olhada na quadra de basquete.

 

Ruby calmamente pintou seus lábios com seu batom vermelho favorito. Tinha vindo ao banheiro retocar a maquiagem antes de se dirigir ao auditório, tinha que estar sempre perfeita, sua mãe não aceitaria menos que isso. Perfeição, essa era a palavra para descrever a família Monroe ou pelo menos o que eles aparentavam ser para os resto do mundo. Verificando se não havia algum reboco para ser removido, Ruby se afastou do espelho com um sorriso ladino, o próximo passo seria o rímel e em seguida o cabelo, sequer notou quando a companhia mais desagradável em sua opinião entrou no banheiro.

- Qual falha tanto procura? - A voz de Abigail Jones a irritava, Ruby nunca poderia dizer exatamente o porque, mas “Abitch” como muitos diziam pelos corredores, irritava Ruby. A ruiva sequer olhou para a outra garota, preferindo ignorá-la por completo - Maduro da sua parte me ignorar.

- Estou ocupada como pode ver - Ruby bufou mergulhando o pincel de rímel de volta ao cilindro.

- Quer saber o porquê não gosta de mim, Ruby?

- Eu não te dei permissão para me chamar pelo nome - Ruby rosnou se virando para encarar Abigail - E eu não gosto de você porque o seu tipinho está abaixo de mim.

- Claro... É isso que você se diz todas as noites antes de se deitar em seu colchão de penas de ganso?

- O que você quer aqui Abigail Jones? - Ruby olhou Abigail de cima a baixo com uma clara expressão de desdém.

- Queria usar o banheiro, o que mais? - Abi respondeu como se aquilo fosse bastante óbvio - Por que mais alguém viria até o banheiro?

- E parou para me provocar?

- Não se sinta tão importante Ruby, só quis dizer “olá” para uma colega de escola, não posso nem fazer isso?

- No futuro me ignore, Abitch - Ruby recolheu sua nécessaire e fez menção de sair, mas Abigail a segurou - Não me toque!

- Sabe por que me odeia? - Abigail repetiu a pergunta - Por que somos iguais.

- Não sou igual a você nem de longe - Ruby desdenhou - Quem está se achando importante aqui é você.

- Sim, sim, claro - Abi deu de ombros nem um pouco ofendida - Continue mentindo para si mesma Monroe e vai acabar se perdendo para sempre - Ruby podia não ter demonstrado isso, mas as palavras de Abi a atingiram mais do que ela gostaria de admitir - Essa é a diferença entre nós, eu escolhi não viver com correntes, já você...

Ruby sequer ouviu o restante, saiu dali como uma tempestade ruiva batendo a porta com força chamando a atenção de todos no corredor, mas um olhar seu foi o suficiente para calar quem quer que ousasse comentar algo a respeito. Onde já se viu alguém do tipo de Abigail não podia se comparar a ela de forma alguma, nem aqui e nem em um milhão de anos.

Ruby Monroe Rossdale era superior a qualquer um e isso era um fato irrefutável.


Notas Finais


Então? Como ficou?
Se tiver alguma coisa errada ou que eu tenha fugido da personalidade dos personagens por favor me perdoe e me avise para que eu possa corrigir >-<

Glossario:
¹mo phàiste - Minha criança em Gaélico escocês.
²strannyy - Estranho em russo.

Link do jornal: https://www.spiritfanfiction.com/jornais/perfeitamente-imperfeitos--aceitos-13977907


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...