História Périplo - Capítulo 36


Escrita por: ~, ~ShiroKohta e ~moonshiro

Postado
Categorias Bangtan Boys (BTS), EXO, Seventeen
Personagens Baekhyun, Chanyeol, Chen, D.O, Jimin, Kai, Kris Wu, Lay, Lee Jihun "Woozi", Lu Han, Sehun, Suga, Suho, Tao, Xiumin
Tags Chanbaek, Chanlu, Kaisoo, Krisho, Ot12, Sebaek, Star Trek, Star Wars, Suchen, Taohun, Xiuchen, Yoonmin
Visualizações 852
Palavras 11.107
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Comédia, Crossover, Fantasia, Ficção, Ficção Científica, Lemon, Luta, Mistério, Romance e Novela, Saga, Sci-Fi, Universo Alternativo, Violência, Yaoi (Gay)
Avisos: Bissexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


OLÁ GALERINHA DO MAAAAL!
Temos esse capítulos que tem mais de 11k!!! Acho que nos superamos dessa vez. Realmente pensamos em dividir ele em dois por acreditar que seria um capítulo muito extenso e cansativo, mas as batleitoras no grupo do WPP garantiram que estava de boa. E como quem manda é o cliente, confiamos e aqui estamos nós.
Como não foi dividido, terminaremos em 39 capítulos e não 40. Ou seja, mais três capítulos e Périplo chega ao fim T_T
MAAAAAAAAAAAAAS... Temos um Spin Off cheirosinho no forno, que saíra ao fim de Périplo, contando a história da nossa tripulação na Academia em outra realidade. Achavam mesmo que a gente não ia rebolar nossa bunda hoje? n
Esperamos que gostem desse capítulo, foi muito aaaaaa pra escrever porque é muita coisa. Boa leitura chuchus!
Ps: O Link do grupo do WPP está nas notas finais.

Capítulo 36 - O último destino


 

 

 

 

 

O Major e o Capitão estavam sentados na frente do computador central da sala de controle. Todos os outros estavam em seus respectivos quartos, já era madrugada e ambos estavam responsáveis pelo turno daquele momento. Deveria ser o Capitão e o Tenente-Mapeador, mas como o mesmo fora liberado para ficar com o terráqueo, o Major não achou certo deixar o piloto sozinho.

    O mapa principal estava projetado na frente de ambos, fazendo com que eles ficassem azulados. As luzes da sala de controle estavam com brilho baixo, justamente pela não necessidade de iluminação já que eram só ambos. Os dedos ágeis do Major moviam alguns dados de um canto para o outro, enquanto o capitão observava atentamente. O plano para o resgate do Xiumin e Tao estava totalmente pronto, mas isso não os impediam de revisar por mais dezenas de vezes enquanto não chegavam ao satélite - coisa que não demoraria muito - sempre comparando com os novos dados coletados pelo Efferinus.

— Eu acho que deveríamos ter essa rota para um possível problema — Suho apontou para a projeção, dando zoom no ponto em específico que falava — Temos coordenadas exatas dela e se vocês forem descobertos, Kai poderá se teletransportar, afinal, não estaremos mais nos escondendo de ninguém.

— De fato. Mas não devemos contar tanto com o Kai. Não sabemos como essas barreiras foram levantadas, não sabemos se é seguro ou se de alguma forma isso poderá acarretar em algum problema para o Tahrik. Ele já está projetando coisas? — O Major perguntou pensativo, fazendo o piloto arquear a sobrancelha.

— Coisas?

— É. Levar algo de um canto para outro sem ir junto. Na última vez que o tive na minha tripulação, ele já fazia isso com êxito. Estava tentando com pessoas.

— Não, acho que ele nunca tentou tal coisa. Mas Kai é inteligente. Podemos conversar com ele amanhã e pedir para que comece a treinar — Ditou ao tempo que mudava o mapa.

— Seria interessante. Garanta que o D.O esteja próximo de si. De todas as vezes que voltei, ele sempre se saía melhor quando treinava em conjunto com o Rideel. Era assim desde a Academia — Yifan sorriu levemente com a lembrança. Sempre achou o casal levemente peculiar.

— A ideia é transferir algum objeto grande antes dele mesmo fazer a própria transferência para se ter certeza de que é seguro?

— Exatamente. Passamos a fazer isso quando quase o perdemos em uma missão. Inclusive, foi uma ideia sua. Tudo bem que você teve essa ideia enquanto o D.O te ameaçava aos berros porque você queria que o Kai fosse a uma área desconhecida e ele não estava deixando.

— Podemos ver claramente minha moral de capitão perante a minha tripulação — Ainda que parecesse sério, a fala não foi melancólica. Tinha até um ar de riso.

— E quem é que manda no Kai além do D.O? Acho que nem o próprio embaixador principal da FNG conseguiria mandar o Kai fazer algo que o D.O está dizendo que não. Não sei quem era pior para ordens. Ele ou o Xiumin.

— Xiumin? Você quer dizer Baekhyun, não? — Perguntou levemente surpreso.

— Xiumin mesmo. Baekhyun é meio doidinho de pedra, mas ele levava a sério o que tinha que fazer. Por mais que uma vez ou outra provocasse um mini caos, ele sempre era dotado de ideias excelentes e tinha uma oratória impecável. Além de que, ele sabia ouvir quando sabia que era preciso. Agora o Immor… Se você acha o Chen difícil, Xiumin era três vezes pior. Ele podia acatar uma ordem, mas se no meio do processo achasse que deveria ser do outro jeito, ele simplesmente mudava. Ele não informava a ninguém, alterava e fazia. Às vezes, ainda na academia quando estávamos em simulação ainda decidindo como faríamos, ele tirava a arma do meu coldre e simplesmente saia da nave — Ditou o final rindo, balançando a cabeça negativamente.

— Isso é realmente chocante. Nunca imaginei tal coisa do Xiumin! — Até o próprio Suho estava rindo. Aquilo tudo parecia surreal demais.

— Acho que pela mudança de linha do tempo mesmo. Pós-sequestro, ele era dessa forma que é agora, ao menos era o que contavam. Quieto, passível. Mudou com o tempo e com a academia, creio eu. Só nunca foi tão doce, acho que foi uma peculiaridade dessa linha atual…  

— Acho que eu queria ter vivido essas realidades — Suho admitiu em um meio suspiro. Parecia tão mais fácil e tão mais vívido. Era possível sentir falta de algo que nunca viveu?

Ambos se silenciaram após a frase do piloto, perdido em seus pensamentos. O projetor fora apagado e agora, tudo que iluminava à ambos eram os pontinhos brancos na vasta escuridão negra. Yifan acabou bocejando um tanto alto, arrancando uma leve risada do Capitão.

— Está com sono de novo, não é? — O Capitão disse num meio sorriso, levando a palma da mão ao rosto do Major que praticamente congelou — Eu já te falei mil vezes, Fan! Para de tirar o turno do Chanyeol. Você tem que descansar, ainda que seja o comandante da nave — O repreendeu, ainda naquele sorriso calmo.

O Major continuava parado. Era como está revivendo algo que conhecia tão bem. Era realmente seu costume cobrir os turnos do Chanyeol ou do Kai por achar que ambos deveriam ficar mais com seus companheiros, ainda mais quando ambos tinham turno com seu marido. Era quase unir o útil ao agradável. Mesmo assim, sempre era repreendido por um Suho preocupado com o seu cansaço, algo que amava mais do que tudo; e ver ali, daquela forma, lhe encheu o peito ainda que não fizesse sentido.

— Suho…

— Não Fan. Não vou discutir contigo de novo sobre isso. Nada de tirar turno por ninguém, entendeu? Não importa se seja pra me fazer companhia. Eu gosto de voltar para o quarto e te encontrar na nossa cama descansando. Se isso voltar a se repetir, você vai tá encrencado comigo e nós dois sabemos que você não quer isso, não é? — Ditou sério, arqueando a sobrancelha numa demonstração clara de que realmente deixaria o outro encrencado. Mas no fim, acabou rindo da teimosia alheia e puxou o rosto do mais velho para selar ambos os lábios.

O que era um selar, se tornou um beijo mais aprofundado. As língua se encontraram de uma forma tão carinhosa e amorosa, que de uma forma patética, Yifan queria chorar porque sentia muita falta daquilo. As mãos grandes se embrenharam nos fios negros do piloto, que derreteu-se ainda mais aos toques do outro, maltratando os lábios rosados em pequenas mordidinhas.

Acabaram se afastando com um sorriso preso em ambos os lábios e vários selares sendo distribuídos ainda preso naquele carinho todo — Eu amo você, Fan. Mas não me desobedeça. Você sabe que eu odeio quando você não cumpre minhas ordens — O Capitão murmurou, deixando um último selar antes de se afastar de vez — Eu vou pegar café para nós dois — Ditou por fim, erguendo da cadeira e caminhando em direção a porta. Antes de chegar na mesma, simplesmente parou. Ficou paralisado por longos segundos, piscando os olhos totalmente confuso.

— Suho? — Yifan indagou preocupado, erguendo-se da cadeira mas não se aproximando do outro. Sabia que tinha algo errado.

— Por que diabos eu senti há segundos atrás que éramos casados? Na verdade, por que diabos apareceu memórias que eu tenho certeza que não são minhas? — O piloto perguntou ainda em total confusão, franzindo a testa ao tempo que colocava os dígitos nas têmporas.

— As realidades começaram a se chocar — Yifan respondeu mais para si do que para o outro — Você achava que era meu Suho de antes, não o de agora. É por isso…

— As realidades estão se chocando? — Suho perguntou desacreditado.

— Estão. E isso significa que nosso tempo está acabando. Vamos ter que acordar o Yoongi e reaver a estrutura da nave. Precisamos viajar ainda mais rápido.

— Eu farei isso, Fan. Yifan. Major. Que demônios! — Suho resmungou para si mesmo, saindo da sala.

E por mais que o Major estivesse plenamente preocupado, um sorriso delineava seus lábios.

 

[...]

 

    — O que aconteceu? — Kai indagou, atravessando a enfermaria e indo em direção ao Rideel sentado em cima de uma maca. Se teletransportou no mesmo segundo que o Isticine havia o chamado, largando tudo na sala de controle.

    — Baekhyun disse que quando acordou, o encontrou tremendo muito, quase em um estado catatônico e o trouxe para cá. Desconfio que ele esteja tendo uma crise forte de ansiedade. Há muita coisa acontecendo, muitos sentimentos sentidos pela primeira. É demais para ele — O Lu explicava enquanto o Príncipe tomava o menor em seus braços num forte abraço — Não posso medicá-lo porque ainda não tenho certeza sobre a raça dele. Decidi ir pelo método natural. Os deixarei aqui, qualquer coisa, me chame.

— Obrigado, Lu — Kai disse baixo, vendo-o acenar e sair da enfermaria. Beijou o topo da cabeça do Rideel e um pequeno carinho fora feito em suas costas — O que houve, meu amor?

— Não consigo respirar. Não tem ar. Eu odeio isso, não tem ar — Disse quase desesperado.

O Tahrik levou ambas as mãos a face alheia e forçou que os olhos naturalmente arregalados fitassem os seus cinzas de modo gentil

— O ar está aqui. Ele está em seus pulmões. Respira comigo, tudo bem? Devagar. Um… — Inspirou e expirou lentamente, vendo o Rideel repetir o feito — Dois… — Ainda ditou calmo, onde o outro repetiu mais uma vez, indo até dez — Lembra quando te expliquei as coisas novas que você podia sentir?

— Uhum — O Rideel ditou baixinho

— Vamos concentrar nisso, tudo bem? Me diga o que você está ouvindo — Pediu baixo, calmo, voltando a ter o outro em seus braços.

— Seu coração. Ele faz tum… Tum… Tum… — Kai abriu um meio sorriso, voltando a apertá-lo gentilmente.

— É um som bom?

— É sim.

— E no tato, o que está sentindo? — Voltou a indagar baixinho.

— Sua camisa. Tem uma coisa engraçada, é lisa. Não gosto muito, fico sentindo falta das elevações que sua pele naturalmente tem… Preciso você sem a camisa. É melhor de sentir — Explicou mais calmo, a respiração se regulando aos poucos.

— Também prefiro que toque minha pele — O Tahrik disse num meio sorriso — E que gosto está sentindo? O que tem no seu paladar?

— Nada, eu acho. Baba tem gosto? To sentindo gosto de baba — Resmungou e o outro riu baixinho — Não ri de mim — Reclamou deixando um forte tapa no peitoral do Kai que soltou um pequeno gemido de dor — Gosto de fazer isso.

— Bater?

— Uhum. Me sinto melhor — Disse baixinho, batendo mais uma vez no Tahrik — É, definitivamente me sinto melhor.

— Então está mais calmo? — O moreno indagou com cautela, vendo o Rideel afirmar com a cabeça — Que bom, meu amor — Beijou a testa do mesmo, mas não o tirou de seus braços.

— Por que eu me senti assim?

— Acontece quando tem muita coisa na cabeça. Muita coisa pra pensar e sentir, nosso corpo não sabe lidar. Mas eu sempre estarei aqui pra quando isso acontecer novamente, tudo bem?

— Vou poder te bater até me acalmar?

— Você poderá fazer qualquer coisa comigo desde que fique bem — Respondeu docemente, fitando o rosto do outro.

— Você é idiota — Murmurou, aninhando-se ainda mais no peitoral alheio. Aquela coisa de sentir era muito difícil.

 

[...]

 

— Você acha que os danos são graves? — Suho perguntou, olhando a projeção da Júpiter. Ele, Yifan e Yoongi estavam naquilo desde a madrugada.

— Como eu disse capitão, esses são nosso pontos vulneráveis — Apontou para o ponto vermelhos que piscavam no desenho da nave — Não são pontos primordiais, mas sei que piorou quando aumentamos a dobra essa madrugada. Desde que pousamos, eu escaneei toda a Júpiter, mas não tenho materiais o suficiente para resolver esses pontos no tempo que me deu. Não posso assegurar que isso estará pronto quando o Major voltar de Terrígena — O Wiih ditava sério, os olhos azuis abertos quase como nunca estavam.

— Foi errado então termos acelerado? —  O Major perguntou baixo, vendo o Wiih negar com a cabeça.

— Honestamente, eu desconfio que isso foi mais do pouso do que da dobra. Ia ficar dessa forma querendo ou não, se tivessemos numa velocidade menor, seria mais tempo usando e forçaria da mesma forma. Farei reparos paliativos, mas temos que ter ciência de que uma fuga precisa ter um planeta ou estrela para um pouso. A Júpiter não vai aguentar distâncias absurdas sem perder sua eficiência — O Wiih voltou a falar, encarando a imagem.

— Então antes de vocês saírem, vamos mapear rotas de fugas mais próximas, assim…

“Compartimento B do Transponder acionado. Visitantes a bordo” A voz do Woozi ecoou pela nave, fazendo todos da sala de controle arregalarem os olhos.

— Não! — D.O gritou, mas Kai já estava sumindo da sua sua frente.

O Immor retirou a arma do coldre e junto com o os terrígenos, correram para fora da sala, atravessando a nave em passos totalmente rápidos e apressados.

Quando chegaram a ala sul onde as pequenas câmaras de transporte ficavam, não estava o caos que previam. Kai segurava os braços do Sehun para trás e Tao terminava de ajudar o Xiumin a sair de um dos tubos.

— Tao? — Yifan perguntou baixinho, fazendo o garoto de pele esverdeada arregalar os olhos e correr em direção ao pai - quase derrubando o tio no processo - pulando em cima do colo do mesmo, apertando-o em um abraço atrapalhado.

— Papai, papai! Finalmente! Eu estava com tanta saudades — O serzinho verde disse todo animado, ganhando uma risada do pai que apertou o garoto em seus braços.

    O Capitão se limitou a olhar a cena sentindo um calorzinho estranho no peito.

    Jimin entrava no lugar um tantinho encolhido, levemente assustado. Sabia que não deveria estar ali, mas tinha esperança de ver o pai quando ouviu que alguém tinha entrado. Seu desespero era tanto, que nem cogitou que poderia ser alguém mal e por sorte, estava certo. Por isso, não demorou a correr e ir em direção aos braços do Immor que o recebeu com os mesmos abertos, apertando-o com força.

— Eu sabia que você ia voltar pra mim, eu sabia! — Jimin ditava num choro baixinho, escondendo o rosto no pescoço do pai, ao tempo que uma gema esverdeada deslizava pela sua bochecha.

— Eu sempre voltarei pra você, meu filho — Xiumin disse num sorriso em meio às lágrimas, acarinhando os fios azulados.

Chen que olhava tudo levemente chocado, despertou de seu transe e atravessou o local e quando Xiumin percebeu, abriu os braços para também recebe-lo no abraço, mas o Co-capitão passou direito. Kai só teve tempo de se teletransportar para o lado, para não ser atingido pelo soco que fora deferido com força contra o Malesuadus, que cambaleou para trás e caiu no chão.

— Nunca mais ouse tocar em alguém da minha família! — Grunhiu, apontando a arma em direção ao ex-Comunicador, que se encolheu esperando o tiro que não veio. Kai conseguira ser rápido o suficiente para pegar o Sehun e mudá-lo de lugar no local, fazendo o tiro atingir apenas o chão. E logo se teletransportava para tirar a arma da mão do Immor.

— Ainda precisamos dele, Tenente. Pense com a razão e não pela raiva — O Tahrik ditou ainda segurando o Immor, que estreitou os olhos para a cena, mas no fim assentiu com a cabeça.

— Eu o quero dentro de uma cela até que tudo esteja organizado para um julgamento — Falou firme para o Princípe de Takhatur que assentiu, sumindo com o Malesuadus — Lu, preciso que venha até aqui para examinar o Rideel e o meu companheiro — Ditou contra o comunicador, em um tom claro de ordem — Vocês dois, na sala de controle, precisam preparar o interrogatório do Malesuadus — Apontou para o Yifan e Suho. O primeiro riu enquanto o outro arqueou a sobrancelha.

— Ele sabe que vocês é quem tem o comando? — Tao sussurrou e o Major acabou rindo.

— Meu filho, não existe comando quando mexem com os Immors. Ainda mais quando eles são a família do Chen — Yifan disse dando de ombros, sentindo o filho lhe abraçar mais uma vez.

— Ordens são ordens… Vamos preparar tudo para sabermos exatamente o como e porque Sehun trouxe vocês de volta — Suho disse num suspiro, mas totalmente aliviado.

— Também estou curioso. Nas outras seis vezes, isso nunca aconteceu. Sehun nunca voltou atrás — Yifan ditou pensativo, caminhando para dentro da nave ao lado do Suho, enquanto Tao observava ambos os pais.

Então era aquilo que a voz na sua cabeça queria?


 

[...]

 

Por mais que um julgamento feito na nave deveria conter todos os participantes, o capitão e o major concordaram que deveria ser feito apenas por um número mínimo de tripulantes. O problema fora fazer todos concordarem. Jimin não queria se separar de Xiumin que precisava estar no julgamento como testemunha. Chanyeol sendo relator precisava do Baekhyun porque sua temperatura estava instável. Kai precisava estar presente para qualquer tipo de fuga, o que fazia D.O se negar a tirar o pé da sala de controle. No fim, decidiram que todos ficariam ali mesmo, mas o veredito final seria dado pelo Major.

Sehun estava em sua antiga cadeira na sala de controle, mas diferente do comum, tinha o semblante cansado, um olho roxo e algemas nos braços que não só o prendiam, como também anulavam qualquer poder que o mesmo poderia ter, já que elas criavam uma jaula de isolamento nas células, deixando-o só com a função básica de respiração.

— Tio, baixa essa arma — Tao ditou calmamente, olhando para o Immor que se mantinha ao lado do Malesuadus com uma arma apontada em sua cabeça.

— E por que eu deveria fazer isso?

— Sehun não irá fugir. Quantas vezes eu terei que repetir que ele tirou a mim e ao tio Xiumin de Terrígena? Que ele realmente está arrependido? Ele colocou a própria vida em risco para nos salvar. Salvar a família que ele entendeu ser a verdadeira dele.

— Tao, não me peça para que eu volte a confiar em alguém que me prova todo o contrário de voto de confiança. Ele não precisaria se arrepender de nada, se não tivesse cometido um crime. Ele não pode simplesmente virar as costas para quem o acolheu, machucar a mesma e simplesmente decidi voltar!

— Mas Tio…

— Tao — Sehun interrompeu — Está tudo bem. Eu não me importo — A voz era calma, baixa e totalmente sincera. Ainda que os olhos fossem apenas escuridão, era possível visualizar um cansaço e tristeza sem fim neles.

— Major Wu. Eu entendo que seja um caso grave, mas eu vou concordar com o Tao em tais circunstância. Acho essa arma e até mesma a algema algo que não se faz necessário nesse momento — Baekhyun ditou sério, ganhando atenção de quase todos pela forma como o seu porte mudou levemente.

— E o que você sabe sobre isso, Terráqueo? — Chen praticamente debochou, enquanto o último ser da terra cruzou os braços e ergueu a sobrancelha.

— O suficiente pra saber que acordo de paz não são feitos a base de ameaças. O que você quer fazer, tenente? Atirar no garoto por um crime? Vamos seguir a lógica de matar alguém que matou porque matar é errado? Onde isso nos tornará melhores do que os criminosos? — O garoto praticamente esbravejou, ganhando o choque do Immor de volta — Nem sequer o ouvimos, nem temos o caso. Mas temos claramente duas vítimas que testemunham a favor do mesmo. E a não ser que estejamos tendo uma virose de síndrome de estocolmo, o garoto tem direito de responder por liberdade como um cidadão de seu planeta.

— Baekhyun…

— Não Major! Eu me nego a isso, de verdade. Por que sempre tem que ser do jeito do Chen, se quando o diplomata sou eu? Por que faço brincadeiras? Por que eu não me importo de ser uma pessoa mais animada? Eu passei dois anos numa academia, eu sei o que estou fazendo, como sei de todas as leis que protegem qualquer ser vivo do universo. E você, mais do que ninguém, sabe que quando o assunto é sério, eu tenho maturidade o suficiente para lidar com essas situações.

— Mas você não é um diplomata, Baek — Xiumin ditou confuso, fazendo o terráqueo se encolher, piscando os olhos numa notável confusão.

— Mas….

— Está ficando pior — O Lu se manifestou pela primeira vez — Não temos muito tempo, Fan.

Suho estreitou os olhos para o médico. Por que o mesmo se dirigiu ao seu oficial por um apelido e não pela sua patente?

— Lu Han tem razão. Chen, abaixe a arma e fique ao lado do Xiumin. Não o quero perto do Sehun porque você não está usando razão para nada. Kai, troque de lugar com ele e sim… Você pode acompanhá-lo, D.O — Yifan ditou calmamente, o dedo sobre o queixo.

— Eu posso fazer o que eu bem quiser. O Kai é meu, não seu — O Rideel ditou desafiadoramente, fazendo o Major erguer ambos os braços como se dissesse que o outro tinha total razão.  

— Antes de tudo começar. É só eu, ou mais alguém está chocado que sendo da nave o Baekhyun é um diplomata? — Yoongi falou chocado e sendo ignorado.

— Ok, isso significa que podemos começar o interrogatório. Chanyeol, já está tudo instalado?

— Sim, Major.

— Seu nome e raça — Suho indagou baixo, os olhos sobre a tela.

— Me chamo Sehun. Malesuadus — O garoto ditou calmamente.

— Sehun, conte-nos exatamente o que aconteceu.

....

 

Sehun andava de um lado para o outro em seu quarto em total aflição e agonia. O que iria fazer estava indo contra toda a sua filosofia de vida, pela primeira vez iria desobedecer regras e ir contra seu pai. A porta de seu quarto foi aberta e ele parou de andar a encarando. Suspirou aliviado ao ver o ser de pele igualmente pálida, olhos totalmente negros e cabelos loiros passar pela porta e tratou de encurtar a distância entre os dois segurando o outro em um abraço apertado. O Malesuadus estava feliz e aliviado em poder ver seu irmãozinho caçula são e salvo.

— Eu vim o mais rápido que pude e infringir muitas regras pra chegar aqui. O que está acontecendo, Sehun?

Mark se afastou segurando ambas as suas mãos. Sehun sorriu de lado cansado, queria poder ter tempo para conversar com o mais novo.

— É uma longa história, maninho.

— Sehun, o que aconteceu com você?

Ele sabia que sua aparência não estava das melhores, tudo graças as noites mal dormidas e sua mente correndo a mil.

— O que posso te dizer é que você tinha razão. Eu finalmente vi quem realmente o papai é.

Ele soube que não precisava explicar mais nada ao menor, a expressão no rosto do Mark era só compreensão.

— Desculpa interromper essa reunião familiar, mas eu realmente gostaria de saber o que estamos fazendo aqui sabe? E Jackson sai dessa droga de janela agora! — Um ser vestindo preto dos pés a cabeça ditou aproveitando para gritar com outro que agora estava sentado na cama do Malesuadus. Sehun já havia estudado sobre aquela raça, eles funcionavam como uma unidade, eram opostos que se atraiam como um imã. Um Diànzi tinha poder de umbracinese, por isso tinham os olhos totalmente negros como dos Malesuadus e amavam a cor e não poderia viver sem o seu Zhízi que era seu oposto, amavam branco e tinham o poder de ficarem invisíveis.

— Mas… Você já viu essa vista? Aqui é tipo… Muito uau! — O Zhízi respondeu animado, fazendo o Diànzi revirar os olhos.

— É a mesma vista que temos na academia, Jackson.

— Claro que não é. Se fosse a mesma, estaríamos na academia e não na casa do Mark que é muito rico e não conta para seus amigos.

— O que conversamos antes de vir pra cá?

— Que eu tenho que ficar calado ou você vai cortar minhas antenas foras e fazer de hashi, mesmo que eu não tenha ideia do que é hashi. Desculpa Jinyoung, eu vou me comportar.

Mark fitou as duas criaturinhas e suspirou. Não é como se esperasse que os colegas de turma não fossem ficar de birra mesmo estando em perigo. Só achava que… Ia diminuir um pouquinho. Definitivamente estava enganado.

— Hm, você me pediu pra trazer minha tripulação. Bom, eu trouxe metade dela, a outra ficou na academia — Mark sorriu sem jeito — Esses são Moonbyul, Youngjae, Jinyoung e Jackson.

Sehun ficara impressionado, era uma combinação inusitada, uma Spelleri que tinha o dom de expelir uma pulsação magnética capaz de matar outra criatura, um Ghrèin que construía barreiras e campos de força e um Diànzi e seu Zhízi. Todos ali tinha poderes essenciais para uma fuga.

— Você precisa fugir dessa casa não é? Pensei certo?

Ele abriu um sorriso brilhante para o irmão passando a mão em seu cabelo de forma carinhosa.

— Pensou sim. Eu preciso fugir desse planeta e com duas pessoas que estão reféns aqui —  ele olhou diretamente para a única garota no grupo, ela era uma Spelleri uma raça muito reservada e que não era propícia a ajudar outros sem motivos concretos — Eu irei ficar imensamente grato se vocês puderem me ajudar.

Ela encarou Sehun e depois olhou para Mark. Os dois se encararam por um momento, parecendo travar uma conversa silenciosa para por fim dar um aceno discreto com a cabeça em concordância.

— O Mark é nossa família e você a família dele. É óbvio que iremos te ajudar.

O ser laranja, o Ghrèin Youngjae ditou sorrindo.

— Okay então. Vamos ao trabalho.


 

A situação em Terrígena não estava das melhores. A população e os estudantes mais cegos da Academia da Federação podiam pensar que tudo estava bem, que os soldados nas ruas e o planeta fechado era para protegê-los de um ataque rebelde, mas Mark e seus amigos viam o contrário. O jovem Malesuadus havia sido criado ao redor de homens importantes e muitos soldados, apesar de não ser o menino dos olhos de ouro do pai, havia tido a mesma educação básica que Sehun, então sabia sim identificar uma situação de perigo. E a Capital e provavelmente todo o planeta transbordava isso, perigo iminente, porém vindo de dentro. Quando recebeu a ligação de seu irmão lhe pedindo a presença não houve porque questionar, tinha certeza que quer fosse o motivo, era crucial, ainda mais que seu irmão mais velho deveria estar perdido no espaço como todas as outras tripulações da Federação e não em terra firme.

— Nós não temos muito tempo, daqui a pouco os soldados batem aqui, você nunca trouxe amigos para casa.

— Porque eu não tinha.

— Não precisa se preocupar Tenente ninguém nos viu entrar ou sair da Academia, só o Mark foi visto, o Jackson nos deixou invisível e eu trabalhei minhas sombras.

Jinyoung ditou dando de ombros com um sorriso orgulhoso no rosto as duas antenas em sua cabeça vibraram satisfeitas quando ele tocou no Jackson que também teve suas antenas vibrando.

— Incrível. Eu preciso sair do planeta. É possível eu chegar nas docas e pegar uma nave?

— Não. O planeta está fechado. Ninguém entra ou sai sem autorização.

Youngjae tirou um pequeno dispositivo redondo do bolso que brilhou mostrando uma pequena projeção de Terrígena, ao seu redor um campo de força projetado pelos Ghrèins envolvia o planeta em sua totalidade. Aquele era um sistema de defesa que os planetas da Federação adotavam quando o risco de ataque e perigo era eminente. Para transpassá-la só com os comandos certos.

— Não posso ficar em Terrígena, preciso fugir e entrar em órbita para encontrar a Júpiter.

— Júpiter? DNG-458: Júpiter? — Youngjae perguntou e Sehun notou que sua pele laranja ficou mais brilhante.

— Essa mesmo.

— Ah! Eu e a Hwasa estávamos a procura de alguma vibração, ou nave que pudesse receber nosso chamado de socorro, estamos fazendo isso há meses desde que as coisas começaram a ficar estranhas. Então, ontem captamos um sinal fraco da Júpiter em Loona.

O garoto Ghrèin, apertou uma sequência de botões no dispositivo em sua mão, que agora mostrava uma sequência de números binários de identificação.

— Se vocês os encontraram significa que qualquer um pode achá-los, então não estão seguros por muito tempo.

— Na verdade não. Ninguém vai achá-los se não tiverem procurando ali, e nós usamos um mecanismo nosso, criado por nós, senhor. Sua nave está segura sim — Youngjae sorriu para Sehun que o encarava estupefato — Presumo que aqui tem um transponder, certo? Eu acho que consigo abrir um ponto na barreira, ligar os canais de transponder aqui e lá e transportar vocês até a Júpiter.

Era uma situação que tinha tudo para dar errado, mas parecia a única lógica viável. Os transponders eram meios de transporte inter-espaço que permitiam a saída e entrada em um planeta da Federação sem a necessidade de pouso da nave, porém seus canais eram muito bem vigiados, seu pai não era idiota em deixar tudo desprotegido, mas ali estava uma criaturinha laranja e ainda por cima um estudante dizendo que poderia burlar o sistema.

— Em quanto tempo?

— Vinte minutos, talvez, ou mais.

— Jinyoung e Moonbyul vocês conseguem nos embarreirar por essa quantidade de tempo? — Mark perguntou aos dois amigos que acenaram positivo com a cabeça — Qual dos reféns resgatamos primeiro, irmão?

— O Tao, ele é um Rideel. Ele está com menos segurança e eu tenho livre acesso à ele. O Xiumin que é um Immor é acesso restrito. Eu não posso chegar lá, ninguém pode, tem muitos soldados.

— Certo. Fazemos assim, você vem comigo e Jackson, pegamos o Rideel e então você vai a sala de comando, você tem acesso à ela não tem? — Ele acenou positivo para o irmão — Você vai sozinho, assim ninguém vai suspeitar de você quando os alarmes soarem informando intrusos, eu e os meninos, junto com o Rideel pegamos o Immor e nos encontramos na sala de controle.

— É perigoso demais pra vocês!

— Irmão gostoso do Mark, nós somos a pior turma da Academia e não é por acaso. A gente tira onda com o perigo. Tudo bem que às vezes o perigo tira onda com as nossas caras e paramos na detenção, maaas… Não enviamos dois professores para repouso por estresse por menos. Somos profissionais!

Sehun riu baixinho do Zhìzi. Não tinha palavras para descrever o quanto estava impressionado com o irmão caçula. O garoto havia crescido e se tornado maduro demais, e parecia ser tudo aquilo que ele jamais seria, um líder nato. Não podia estar mais orgulhoso. Ele observou Mark dar umas últimas instruções para os que ficariam a espera, depois seguiu porta á fora em direção ao quarto do Tao. Não podia vê-los, mas sabia que Mark e Jackson o seguiam de perto.


 

Mark e Jackson seguiram o Malesuadus mais velho de perto, como havia dito, o corredor onde o Rideel ficava tinham poucos soldados, apenas dois de frente a porta do quarto. Assim que saíram do elevador, os terrígenos fizeram uma reverência ao Sehun que se aproximou andando elegantemente. Mark já tinha visto seu irmão fazer aquilo e não gostava de presenciar ele brincando com a mente de outros indivíduos.

— Vocês podem ir e descansar eu vou ficar com ele por um tempo. Os chamo quando sair — Sehun ditou manso, um sorriso sedutor em seu rosto e os olhos escuros encarando lascivos os soldados, ganhando toda a atenção dos dois que logo o obedeceram, fazendo o caminho contrário ao deles e sumindo de vista.

— Eu posso ir também? Nossa, eu daria fácil pro seu irmão.

Jackson sussurrou próximo a si, mas não baixo o bastante porque Sehun sorriu de lado abrindo a porta do quarto e Mark se limitou a revirar os olhos e segui-lo puxando o Zhìzi consigo.

Ao entrarem no quarto Mark observou seu irmão ir de encontro ao Rideel que logo se levantou da cama para abraçá-lo lhe dando um beijo casto nos lábios. A forma como Sehun olhava a criatura verde, era especial, quase como se o endeusasse, parecia completamente apaixonado e Mark nunca tinha visto algo assim, geralmente era o contrário.

— ELE TEM OS OLHOS DE RELÓGIO, CARA! Nossa, que incrível. Tu vira pra ele e pergunta a hora, mas vrá, tu olha o olho dele e já sabe a hora certinho. Quando é alarme, a boca abre e começa a berrar? — Jackson perguntou impressionando, mas fora calado pelo Malesuadus mais novo com a palma da mão em sua boca.

— Esse é meu irmão Mark e seu amigo Jackson, viemos te tirar daqui.

Mark sorriu mortificado para o Rideel segurando o Jackson pelo braço o impedindo de se aproximar do outro e assustá-lo, o Zhìzi era uma criatura muito curiosa e na maior parte do tempo não sabia o que era espaço pessoal e limites.

— Eu não irei pra lugar algum sem meu tio Xiumin.

— Nós vamos tirar os dois daqui, o meu irmão e os amigos já estão apostos, vamos temos que ser rápidos.

— Youngjae, estamos saindo agora, pode ir desligando as câmeras — Mark ordenou no comunicador  recebendo um ‘Okay’ em resposta. Os quatro se dirigiram para o corredor, Mark e Jackson iam na frente cada um segurando uma arma.

— Sehun — Tao parou de andar puxando o mais velho pela mão. O Malesuadus o olhou confuso —  Não podemos sair daqui sem as gemas, a voz na minha cabeça diz que não adianta irmos sem elas, é preciso reavê-las.

— A voz na sua cabeça? Tao, não temos tempo.

Sehun resmungou, voltando a andar para ser impedido mais uma vez pelo mais novo.

— Sehun, eu não saio daqui sem elas.

O Rideel ditou olhando o mais velho determinado, fazia tempos que a voz em sua cabeça não se manifestava e naquele momento ela parecia desesperada lhe lembrando das gemas.

—  Tá bom. Segue com eles, te encontro depois, eu prometo.

Sehun sorriu incerto e Tao o encarou por alguns segundos antes de puxá-lo para um beijo, onde tentou passar o quanto confiava e como era importante Sehun voltar com as jóias. Eles se separaram e Tao seguiu para onde os outros dois garotos estavam segurando a porta do elevador aberta.

— Onde você vai? A sala de comando é lá em cima!

Mark gritou pro irmão, assim que o Rideel passou por ele entrando no elevador.

— Eu sei. Preciso resolver uma coisa, encontro vocês lá.

Sem esperar uma resposta Sehun deu as costas para os garotos seguindo o corredor e Mark soltou a porta a permitindo se fechar.

— Okay, fase um completa. Jinyoung e Moonbyul podem começar a desestabilizar os soldados e Youngjae pode operar o elevador até o vigésimo andar encontro vocês lá.

 

Tao se pôs ao lado do irmão do Sehun que olhava os números de led que indicavam os andares por qual estavam passando com ansiedade. Do seu outro lado o tal Jackson pulava de um pé para o outro, as duas anteninhas brancas em sua cabeça se mexiam freneticamente empolgadas. O elevador parou no vigésimo andar e o Rideel se encolheu contra a parede atrás de si quando o Malesuadus apontou a arma contra a porta que abriu revelando três seres. Um garoto baixinho e laranja, um outro garoto muito parecido com o Jackson porém enquanto esse estava vestido de branco do cabelo aos pés o outro se vestia de preto e uma garota de pele porosa e cinzenta, cabelos de mesma cor e olhos vermelhos vibrantes.

Mark abaixou a arma e eles entraram no elevador, Jackson se jogou nos braços do garoto com os olhos negros e antenas de mesma cor que o abraçou de forma carinhosa com um sorriso contido no rosto. O elevador continuou a subir e Tao notou que o serzinho laranja de nome Youngjae era que estava o controlando com o dispositivo em sua mão, até que por fim parou no trigésimo andar.

— Então, quando a porta abrir, tudo vai ficar escuro e a Moonbyul vai expandir o campo magnético dela desestabilizando os soldados e inutilizando as armas, mas não é garantia que todos fiquem inabilitados, então algumas pessoas irão se machucar.

Mark lhe informou, ele parecia triste em informar que pessoas iriam se machucar mesmo estas sendo inimigas.

— Eu faço qualquer coisa pra salvar meu tio, se tiver que machucar alguém no caminho não me importo.

— Gostei de você.

A garota sorriu revelando dois dentinhos proeminentes como se fosse um coelho. Foram dois minutos, o serzinho laranja ficou ao seu lado enquanto uma sombra negra saia do Jinyoung se propagando por entre as brechas da porta que se abriu, Moonbyul foi a primeira a sair uma pulsação vibrou no ar os jogando para trás de leve e com força total para frente, tudo estava um breu, mas eles conseguiram ouvir os soldados gritando de dor e armas caindo ao chão.

— O quarto é o último do corredor —  Youngjae comunicou mostrando um pequeno holograma com a planta do prédio que estavam. Eles seguiram em fila com o Jinyoung na frente e a Moonbyul atrás, eles não conseguiam ver com a escuridão, mas o Diànzi conseguia muito bem os guiando com precisão.

— As portas não abrem, não consigo quebrar o código — Youngjae murmurou frustrado enquanto o dispositivo em sua mão brilhava vermelho.

— Só temos alguns segundos antes de todos os soldados do prédio virem até aqui!

Mark atestou, Jinyoung havia parado e todos deduziram que estavam de frente a porta que abrigava o Immor.

— EU SEI! — Youngjae gritou seu rosto brilhando laranja.

— Eu abro a porta — Tao falou atraindo a atenção para si — Eu consigo abrir a porta, só peço que vocês se afastem.


 

Xiumin estava encolhido contra a parede bem longe da porta de seu quarto. Estranhamente todas as luzes haviam se apagado e todo o âmbito fora tomado por uma escuridão macabra, ele não conseguia ver nada a sua frente. De repente um estrondo soou, e a porta voou revelando uma leve luz laranja e ramos e galhos faziam seu caminho para dentro. Xiumin se assustou ao ver o Tao entrar em seu quarto acompanhado de mais cinco criaturas. O Rideel correu até si lhe abraçando apertado, falando uma milha por segundo e ele só conseguira entender que aquele grupo iria tirá-los dali. Um alarme ensurdecedor soava por todo o lugar. A escuridão foi se esvaindo do quarto e Xiumin pôde ver todos perfeitamente.

— Cara, se você podia fazer isso o tempo todo porque não fugiu antes?

Uma voz feminina perguntou e Tao deu de ombros o braço por cima de seu ombro.

— E como eu iria sair do prédio?

Um Malesuadus loiro se aproximou dos dois e o Immor se encolheu de leve contra o sobrinho.

— Olá Xiumin, eu sou o Mark irmão do Sehun e esses são meus amigos e viemos tirar vocês daqui e mandar de volta pra Júpiter e mil desculpas, mas vamos precisar correr agora.

Depois disso tudo aconteceu muito rápido, todos saíram correndo seguindo o Malesuadus em direção às escadas, gritos e comandos seguidos por botas marchando eram ouvidas próximo à eles. Xiumin segurou com força a mão do Tao que o puxava pelos lances de escada, uma porta se abriu e por ela um soldado passou apontando uma arma muito grande para eles, mas fora empurrado para o alto por uma força invisível emanada pelo ser laranja que o jogou no teto o fazendo cair ao chão desfalecido. Eles subiram mais algumas escadas e uma segunda porta se abriu, e a garota com eles impulsionou as mãos para frente e uma onda magnética empurrou a todos ao chão, parecia que um rochedo havia sido jogado contra seu peito.

— Moonbyul! — O Malesuadus gritou e eles pararam de se sentir esmagados — Jinyoung vá na frente e deixe todo o prédio no escuro menos a sala no final do corredor.

O garoto em questão saiu empunhando uma arma com um sorriso no rosto e as sombras tomaram conta de todo o lugar.

— Oh droga —  Mark sussurrou horrorizado a saída de emergência estava toda escura assim como todo o prédio, mas do outro lado já conseguia ver uma brilhante luz laranja fluorescente ficando cada vez mais forte — Youngjae se desliga! Eu estou vendo você brilhando daqui!

— Se desliga! —  Jackson deu um tapa na cabeça do pobre Ghrèin, que choramingou ficando mais brilhante ainda acarretando em mais tapas dadas pelo outro.

— Eu não consigo!

Youngjae resmungou se afastando dos tapas e esbarrando de leve na Moonbyul, os olhos dela brilharam vermelho intenso de irritação. Mark suspirou, um Spelleri irritado sempre causava muitos danos e eles não podiam correr o risco de serem pegos antes da hora.

— Oh droga. Jackson para, você está irritando a Moonbyul!

Ele usou sua voz de comando carregada de poder, o Zhìzi lhe obedeceu na hora, ele sabia que parte da hiperatividade do Jackson era por estar longe do Jinyoung e se aproximou do amigo laranja lhe tocando o rosto com ambas as mãos fazendo-o encará-lo.

— Youngjae, querido foca em mim —  Essa era a terceira vez que Mark tinha que usar seu poder e ele estava odiando principalmente por ser em seu melhor amigo — Só relaxa, hm, vamos ficar bem.

A cor alaranjada do menor fora perdendo a opacidade até se apagar por completo se perdendo na escuridão.

— Vocês são muito estranhos, é pré-requisito pra entrar na Academia ser meio doidinh… Aiiiii — Tao perguntou, choramingando ao receber um beliscão do tio Xiumin.

— Desculpa — Mark ditou sem jeito —  Moonbyul, você está bem?

— Estou, desacordei todos do andar menos da última sala, mas não vou conseguir mantê-los assim por muito tempo, você sabe.

— Vocês perceberam que o ser azul que estamos salvando é a versão azul homem da Moonbyul? — Jackson murmurou baixinho jurando que só os dois amigos mais próximos ouviam, quando todos conseguiam escutar perfeitamente — Ele parece ser muito mais legal. A gente pode pintar a Moonbyul de azul e ficar com o Immor! Eu seria muito mais feliz!

— Jinyoung também não vai conseguir manter as sombras por muito tempo — Moonbyul voltou a falar, ignorando plenamente o Jackson. A garota já estava craque naquilo ou acabaria cometendo um crime de ódio.

— Então vamos logo. Você já pode usar sua arma agora Jackson.

Mark ditou segurando a sua firme na mão, Xiumin sentiu uma presença ao seu lado e encontrou o garoto laranja lhe estendendo uma arma.

— Eu não gosto de armas e você parece precisar mais que eu.

Xiumin a aceitou e estranhamente se sentiu como se aquilo não fosse anormal, que ter uma pistola em punho era tão normal quanto chorar suas gemas.


 

Por mais absurda que parecesse a ideia do Tao, Sehun entendia de alguma forma que precisava pegar as gemas. Afinal, todo o mal que havia causado tinha sido por culpa delas. Mais uma vez precisava correr atrás delas, só que agora iria reavê-las para o bem e harmonia de todos.

Ele parou no corredor que dava para o escritório do pai, algo em seu íntimo lhe dizia que as gemas não estariam ali, que elas não estariam guardadas em nenhum lugar que remetesse a Woonbin e se lembrava bem quando as entregou ao seu pai, ele havia dito que não podia tocá-las por muito tempo.

Mas onde poderia tê-las colocado? Sem que ao menos perceber Sehun deu a volta, optando por pegar as escadas descendo alguns andares. Se tivesse em posse de algo muito valioso e que ninguém poderia ter o conhecimento, onde guardaria? Obviamente, não em um cofre. Esse seria o primeiro lugar onde um ladrão tentaria procurar. Em seus aposentos não parecia certo também e seria a segunda opção. Com alguém de confiança muito menos, não poderia confiar em ninguém.

Sehun parou de andar ao perceber que havia ido parar no corredor dos quartos, o seu era logo no final e de seu irmão o penúltimo. Ele encarou a porta do Mark por alguns segundos, parecia tão absurdo e improvável e ainda assim... Desde que havia entrado na Academia seu irmão não colocava os pés em casa e por que alguém procuraria ali? Logo nos aposentos do filho menos querido? Sua mão tocou a fechadura que com um clique se abre fácil, porque estaria destrancada se guarda algo valioso? Seus pés o levaram para dentro, estava escuro e quando deu o comando para as luzes se acenderem elas não o fizeram. Sehun caminhou com passos comedidos mais ainda para dentro do cômodo, uma rajada de vento frio lhe transpassa o corpo lhe dando calafrios, e um soluço soa por entre as paredes. O Malesuadus congela no lugar, um choramingo baixo de uma criança lhe chega aos ouvidos e ele não consegue evitar em se encolher.

— Sehun querido, não precisa chorar.

Não é mais que um sussurro que o ataca como mil projéteis de bala contra seu corpo. Aquela voz. Como poderia esquecer aquela voz? E como em um passe de mágica o escuro do quarto de perde na claridade do deserto, o sol escaldante, a areia voando com o vento e diante de seus olhos a imagem nítida de um pequeno Malesuadus, não mais velho que três anos chorando copiosamente enquanto via a mãe ser arrastada por traficantes para fora da pequena casa em que moravam.

— POR FAVOR! O SEHUN E O BEBÊ NÃO! POR FAVOR! POR FAVOR!

A voz e os gritos pareciam que não teriam fim. Aquela voz, que por tanto tempo Sehun havia jurado esquecer. Ele podia não lembrar do rosto dela, mas jamais esquecera de fato a voz que lhe acalentava para dormir, lhe cantava cantigas cantigas do seu planeta natal e que dizia lhe amar pra sempre.

— Mamãe! — O pequeno tentou correr atrás de sua mãe que era arrastada pelos cabelos longos e loiros para longe de si — Mamãe!

Um choro de um bebê recém-nascido tirou a atenção do pequeno para dentro da casa onde uma criatura saia segurando seu irmãozinho que chorava.

— Mark! — As pernas curtas do pequeno Sehun o levaram até o irmão, a criatura que o segurava lhe pegou pelos cabelos pretos o fazendo parar de tentar lhe machucar se ajoelhando a sua frente.

— Hey, eu não irei machucar você e seu irmãozinho, vocês valem muito sabia? Mas você não deveria dar as costas para aquilo ali.

O traficante dizia enquanto virava o corpinho do pequeno segurando sua cabeça para ele ver o que acontecia não muito longe, a crueldade que era praticada com sua mãe.

 

— Não por favor, não quero lembrar, por favor, não, por favor — Sehun tinha certeza que fechara os olhos, mas a cena continuava desenrolando a sua frente. Seu eu de três anos de idade olhava para onde sua mãe era mantida ajoelhada no chão de terra batida do deserto, com uma arma laser apontada para a cabeça.

— Por favor… — Sehun havia jurado esquecer, mas a lembrança estava bem ali, vívida à sua frente, a última coisa que lembrava fora dos olhos escuros tão parecidos com os seus lhe encarando e a voz doce que tanto amava, antes dela cair ao chão inerte.

— Vai ficar tudo bem, querido.

 

Os gritos da criança se perderam com os gritos do agora adulto Sehun. Ele tremia dos pés a cabeça, suas pernas haviam desistido de lhe sustentar e o jovem se vira sentado no chão, era só uma lembrança ruim. Só uma lembrança, tentava assegurar a si mesmo, mas havia sido tão real. Ainda conseguia ouvir os gritos e as súplicas misturadas com o choro. Tão real. Lágrimas escorriam de seus olhos como uma cachoeira, ele queria que elas parassem, mas não conseguia se controlar. Sehun tentou se pôr de pé, precisava continuar a procurar, mas outra rajada fria lhe assaltou e o sussurro macabro e gélido em rente ao seu ouvido lhe faz fraquejar voltando a cair no chão.

— Você é patético. Tão fraco, fico feliz que não tenha nenhum laço sanguíneo comigo, Sehun.

 

A imagem a sua frente agora era de um Sehun com oito anos de idade sentado no parapeito de uma janela no segundo andar do orfanato observando com um olhar triste várias crianças de diversas raças brincarem no pátio. Ele odiava aquele lugar e odiava mais ainda as pessoas que tinham medo dele só por ser um Malesuadus. Sehun não tinha culpa se ao falar de certa forma acabava fazendo as pessoas lhe obedecerem de bom grado, não tinha culpa.

— Hunnie! — Seu nome fora chamado de forma fofa e o garotinho substituiu a carranca triste que tinha no rosto para um sorriso alegre, enquanto dava atenção a um garotinho de cinco anos sentado no chão a seus pés segurando uma miniatura de uma espaçonave sem asas na mão — Hunnie! Brinca comigo?

Um sentimento quente de alegria tomou o corpo do Malesuadus adulto que observava a lembrança de sua infância a sua frente. A primeira vez que se sentira alegre, a primeira vez que vira a esperança como algo real. Observou seu pequeno eu brincar com a versão em miniatura do Mark. A porta do quarto onde estavam fora aberta e por ela entrou uma garota terrígena, como todas as outras crianças dali, ela o olhava com medo.

— Você foi chamado lá embaixo, pode deixar o monstrinho aí.

Ela resmungou e saiu correndo. Sehun se virou para o irmão que o encarava com os olhinhos negros confusos.

— Eu já volto tá Markie. Eu prometo que volto.

A visão mudou e Sehun se viu sentado em um escritório em uma poltrona de frente para um homem terrígeno de olhos incrivelmente dourados. O pequeno não sabia o que fazer, em sua cabeça de criança tentava recapitular tudo o que já havia feito, será que estava em encrenca? Será que aquele homem iria levá-lo para a prisão como os trabalhadores do orfanato diziam que iria acontecer caso usasse seus poderes?

— Você gostaria de ter um pai? — A voz do homem é grave, porém é doce e melodiosa — Sabe, eu ouvi coisas incríveis sobre você, e não me importo, realmente. De onde venho, Terrígena, existem muitos Malesuadus. Até um planeta vocês tem.

— O senhor quer me adotar?

— Mais é claro! Você nasceu pra ser meu filho, Sehun. O que acha? Eu adoraria ser seu pai.

Sehun, encarou a mão estendida a sua frente e depois os olhos dourados amorosos, era tudo o que o pequeno queria, uma família. Ele colocou sua mãozinha pequena na do adulto que a segurou, fora caloroso e não tinha repulsa ali. Sehun se deixou levar pelo homem que seria seu pai, mas antes de atravessarem a porta ele parou.

— O que foi, Sehun?

— E o Mark? Não posso ir a lugar algum sem ele.

— Quem é Mark?

— Meu irmãozinho. Não vou a lugar algum sem ele.

Ele ditou se afastando do adulto pronto para correr caso o outro decidisse o levar sem seu irmão. Não iria a lugar algum sem Mark.

O pequeno Sehun não percebera o primeiro olhar de desgosto dado em sua direção, a dúvida nos olhos dourados.

O adulto Sehun agora percebera que ali, Woonbin ponderou se deveria levar consigo uma criança com uma fraqueza.

— Tudo bem. Vamos buscar seu irmãozinho.

Woonbin sorriu contido e o pequeno Sehun gritou empolgado correndo por onde tinha vindo para buscar o Mark.

A imagem sua feliz segurando a mão de seu pai, enquanto este carregava seu irmão nos braços lhes conduzindo para fora do orfanato fora se esmaecendo. E a felicidade infantil de finalmente ter a chance de ser amado fora substituída por medo e raiva.

— Você foi um erro. Meu pior erro.

A voz de Woonbin vinha de todas as direções, ela vinha com o vento zunindo contra seus ouvidos e o atacava como adagas lhe perfurando e rasgando a pele.

— Tão inútil quanto o irmão. Eu nunca precisei dele e percebi que nunca precisei de você.

— Fraco. Inútil.

O Malesuadus levou ambas as mãos aos ouvidos, numa tentativa de abafar as palavras duras e frias palavras do homem que sempre tivera como um ídolo a ser seguido. Sehun queria poder se lembrar que aquilo tudo era só uma ilusão, mas como poderia? Parecia tão real.

— Um fraco, tão fraco. Você é patético, Sehun. Fraco.

— PARA! PARA! EU TE ODEIO! NÃO TENHO MEDO DE VOCÊ ME DEIXA EM PAZ!!! — O jovem gritou batendo as mãos em punhos contra o chão, um soluço desesperado escapou de seus lábios e a palma de sua mão sangrou onde as unhas haviam fincado na pele — Eu te odeio, tanto.

Sehun chorou como nunca havia chorado antes, havia sido tão cego e ingênuo em pensar que alguém poderia amá-lo, por amar. Como fora burro em confundir interesse com afeto?

Mas ao mesmo tempo daquelas lembranças torturantes, um borrão verde se fez presente em sua cabeça. E junto dele, palavras doces ecoavam contra os sussurros maldosos. Palavras que diziam que ele podia sim ter o amor de alguém. Afinal, ele era essa alguém.

Percebeu que não havia mais vozes lhe deixando louco quando o barulho de um alarme soou ao longe, então abriu os olhos para encontrar o nada a sua frente, não havia mais lembranças, não havia mais os sussurros de desgosto de seu pai, não havia mais o caos. Havia apenas no centro do quarto uma caixa de vidro guardando segura as gemas do Xiumin. O Malesuadus se sentou, a respiração ofegante, os olhos marejados olhavam todo o redor desconfiado. Depois de respirar fundo por breves segundos e limpar o rosto molhado com a manga da camisa, reuniu forças para se levantar.  Sehun andou até a caixa de vidro ainda com as pernas bambas, e com as mãos trêmulas ele a jogou longe e pegou as seis gemas na palma da mão suja as colocando dentro do bolso e sem olhar para trás saiu do quarto em direção a sala de controle.

 

Sehun conseguiu passar facilmente pelos soldados que corriam em direção ao andar onde o Xiumin estava aprisionado, nenhum sequer lhe pagou atenção. Ele correu por entre os corredores chegando ao andar onde ficava a sala de segurança, onde todos os cômodos e corredores do prédio eram monitorados além do espaço ao redor. Ele não tinha ideia de onde seu pai estava no momento, mas sabia que não era em casa, se tivesse Woonbin já teria se manifestado. Ele entrou na sala encontrando três soldados, uma Malesuadus e dois Wiih.

— O que está acontecendo?

Perguntou fingindo preocupação.

— Senhor, estamos sendo atacados por dentro, mas não sabemos quem e por onde especificamente, um hacker entrou no nosso sistema e não tenho acesso as câmeras.

A mulher lhe informou os olhos atentos as telas de monitoramento na parede de frente a eles que exibiam o emblema da Academia da Federação.

— E meu pai onde está?

— O Primeiro-ministro foi há uma reunião na sede do governo, ele está seguro.

Um grito fora ouvido do lado de fora seguido por tiros e Sehun fora jogado no chão juntamente com os outros três por um impulso forte, porém rápido como aconteceu a pressão se dissipou. Ele respirou fundo se levantando sua cabeça zunia.

— Vocês dois vão ver o que foi isso — Ele ordenou aos dois Wiih que lhe obedeceram saindo da sala e voltou sua atenção a Malesuadus que se levantava com dificuldade — Eu realmente sinto muito, querida.

Sehun ditou e atirou na mulher sem lhe dar chance de reação, que caiu no chão imóvel.


 

Mesmo com uma pistola em punho Xiumin não atirou em ninguém. Ele permaneceu ao lado do Youngjae que havia grudado em si segurando seu braço em um aperto firme, enquanto olhava frenético de um lado para outro, mais laranja do que nunca. Os dois estavam agachados num canto de uma parede atrás de uma cadeira que não faziam ideia de onde havia vindo. Ao redor soldados e adolescentes lutavam e tiros eram disparados.

— Nós temos que continuar indo — Youngjae falou o puxando para ficar de pé ao qual Xiumin protestou puxando o garoto para o chão novamente.

— Você ficou louco? Nós vamos morrer! Todos nós!

O garoto balançou a cabeça em negativa se levantando novamente e dessa vez usou força o bastante para levantar o Immor. Ele segurou apertado o braço da criatura azul e respirou fundo. Xiumin arregalou os olhos coloridos ao ver que uma esfera furta cor envolvia a ambos.

— Nada passa por essa barreira, é da mesma propriedade da que envolve o planeta, eu não só brilho sabe — O garoto sorriu sem graça — Vamos correr tá, e não precisa se preocupar com os outros, eles sabem se cuidar.

Xiumin não soube como, mas todos chegaram ao destino final, ou ao menos parcialmente. Moonbyul carregava um ferimento na perna esquerda que sangrava e Jinyoung tinha uns arranhões no rosto. Sehun já estava dentro da sala. O Malesuadus correu na direção do irmão o abraçando e depois se aproximou de si. Xiumin não tinha muita raiva do Malesuadus e gostaria de lhe dizer algumas verdades, mas as palavras ficaram presas em sua garganta ao encarar o rosto do Sehun. O sempre tão bonito e altivo, tenente-comunicador estava abatido, e não era apenas por cansaço físico, fora rápido mas Xiumin vira nos olhos escuros algo diferente, uma dor profunda e arrependimento.

— São suas — Ele falou baixo e Xiumin olhou para suas mãos encontrando as gemas que havia chorado, as causadoras de problemas. Ele não queria tocá-las.

— Eu fico com elas — A voz do Tao se fez presente e o Immor suspirou aliviado quando o Rideel as pegou colocando no bolso. Ele olhou com confusão seu sobrinho estender a mão com cuidado e a colocar no rosto do Malesuadus que se inclinou no toque fechando os olhos. — Obrigado, Sehun.

— Vocês precisam entrar no transponder agora — Mark apareceu do lado deles fazendo Sehun e Tao se afastarem, o Malesuadus mais novo indicou um câmara de vidro em forma de tubo e Xiumin puxou o Rideel consigo para dentro. Mal via a hora de poder sair dali, e conversar com o Tao sobre o que significava tudo aquilo.

— Como vocês vão sair daqui? — Sehun perguntou ao irmão que apenas deu de ombros com um sorriso no rosto. O que deixou o Malesuadus mais velho preocupado.

— Damos um jeito, não se preocupe com a gente.

Ele abriu a boca para contestar, não precisava ele mesmo voltar para Júpiter. Iria ficar e ajudar o irmão e os amigos a escaparem, iria enfrentar as consequências de tudo sozinho, mas o grito histérico do Youngjae chamou a atenção de seu irmão que saiu correndo até o Ghrèin.

— CONSEGUI! — Youngjae gritou levando ambas as mãos a cabeça e se ajoelhando no chão. Sehun se viu empurrado por alguém para o centro da câmara do Transponder onde Xiumin e Tao já estavam, seus olhos escuros procuraram pelos de seu irmão, o encontrando a alguns passos de distância.

— Mark…

— Até a próxima, irmão. Te encontro no espaço.

Mark observou com os olhos nadando em lágrimas as três figuras se dissiparem no ar, por alguma estranha razão ele sentia que não veria seu irmão nunca mais. Segundos depois, Youngjae caiu deitado no chão, o nariz sangrando pelo esforço. Jinyoung correu até ele e Mark foi até o computador ter a certeza que seu irmão e os outros haviam entrado na Júpiter com sucesso.

— Eles conseguiram.

— Ótimo. Vamos dar o fora daqui, nossa carona chegou.

Moonbyul o puxou de leve pelo pulso, enquanto Jinyoung a seguia com Jackson ao seu lado segurando Youngjae nas costas.

Mark olhou uma última vez para o computador e então seguiu os outros para o telhado do prédio onde o resto de sua tripulação esperava para resgatá-los. Ele só esperava que ficasse tudo bem com seu irmão e qualquer burrada que tenha feito consiga ser consertada.

 

….

 

    — Honestamente, não vejo motivos para continuar mantendo-o preso. Seu arrependimento me parece claro e ele corrigiu seu erro. O que acha Baekhyun? — O Major virou o rosto para o terráqueo que no mesmo segundo ficou acuado.

— Eu não sou da nave… Hmm… Não dessa, sabe?

— Mas ainda é o mesmo. Quero sua opinião.

— Por que a opinião dele? Ele não tem qualquer formação, inclusive se envolveu com o Sehun. O julgamento jamais deveria ser feito por ele — Chen esbravejou, sendo contido pelo companheiro.

— Tudo bem, Chen — Yifan manteve sua postura neutra — Xiumin, o que você acha? Afinal de contas, fora a pessoa mais ameaçada em toda essa história. Qual seria sua resposta?

— Eu tenho um filho. E daria o mundo por ele como sei que ele faria o mesmo por mim. Não é justificativa plena, eu sei. Mas nascemos dentro de um ambiente e aprendemos que é a eles que devemos amar e respeitar. Hoje somos fruto da educação dos nossos pais e por vezes, infelizmente, temos eles como única influência nos tornando quem somos. Eu vejo Sehun, assim como o irmão dele que conheci e me ajudou, como duas pessoas que foram ludibriadas. Sehun pior ainda, foi montado para ser uma arma… Eu não posso virar para um garoto desses, ainda que mais velho do que eu, e culpá-lo completamente pelo que ele é. Ele teve escolhas? Até teve. Mas nunca teve alguém para guiá-lo fora da bolha de seu pai. Então, Senhor Wu, eu não o culpo. Digo isso com o coração de um pai, de um amigo e acima de tudo, de alguém que acredita que todas as pessoas podem ter uma segunda chance.

Chen fitou o companheiro de espécie por vários segundos, tentando absorver o que o mesmo havia dito.

— Você percebe o que está dizendo?

— Percebo sim, Chen. Eu não estou falando para ninguém receber ele de braços abertos. Confiar nele outra vez. Colocar uma arma em sua mão e deixá-lo livre. Mas deixá-lo ter oportunidade de se redimir e provar que em algum momento poderemos confiar nele outra vez…

— O Pai Min tá certo, Pai Chen. Tio Baek sempre me dizia que não se combate ódio com ódio, que se não compreendemos a totalidade do outro não podemos julgá-los nunca.

— Só eu ou mais alguém continua chocado com todas essas coisas vindo possivelmente do terráqueo? — Yoongi voltou a falar, fazendo ambos os terrígenos revirarem os olhos.

 

[...]

 

Não foi tão difícil chegar num consenso depois da fala do Immor. Sehun fora liberto, mas não assumiria mais seu antigo cargo. Não precisaria ficar preso, mas usaria um chip implantado em si para saber sua exata localização, além do Kai e Chanyeol serem responsáveis por vigiar o mesmo em quase tempo integral. Sehun não reclamou, afinal, ele já tinha ganhado mais do que devia.

Todos ainda estavam na sala de controle. Chanyeol tirava os últimos fios que ligavam Sehun ao computador, enquanto o Lu pacientemente inseria o nanochip no mesmo com uma seringa.

— Jimin. Me dê sua gema! — Yifan não mais que de repente ditou entre os pequenos burburinhos da sala.

— Você quer que meu filho chore? — Chen indagou já levantando da cadeira que estava.

— Não. Eu quero a gema que ele chorou quando Xiumin voltou. E Sehun, me entregue as outras seis, por favor — O Immor mais novo fitou o pai, que ainda desconfiado, assentiu com a cabeça. O garoto atravessou a sala e entrou a pedra esverdeada na palma da mão do Major, não tardando a voltar para ficar junto de ambos os pais.

— Estão com o Tao — O Rideel verde assentiu com a cabeça e tirou dos bolsos as seis gemas, colocando-as calmamente sobre a palma do pai, lhe deixando um beijo na bochecha, fazendo o mais velho sorrir.

— Kai, preciso que tire a camisa — Yifan voltou a ditar, fitando as gemas sobre sua palma.

— Não! — D.O respondeu prontamente, erguendo-se na frente do Tahrik como se fosse uma barreira.

— Esqueço que vocês estão no início do Vailles ainda — O terrígeno suspirou, bagunçando os fios negros com a mão livre — D.O, nós precisamos ver um mapa que está presente nas costas do Kai. Ele é muito importante para que todos na nave fiquem bem. Você poderia permitir que o Kai tire a camisa? Ninguém irá tocar, eu prometo. Chanyeol irá escanear e colocará o mapa no computador central. Será rápido.

O ex-serzinho de areia olhou o maior por longos segundos, não se incomodando com os vários pares de olhos sobre si. Não era como se aquilo o intimidasse.

— Tira! — Ditou por fim, olhando para o teleporter que não tardou a levar a mão ao uniforme e retirar a parte superior, virando as costas em direção ao Efferinus. Chanyeol desceu os olhos pelas costas marcadas do Tahrik, vendo um labirinto. Tinha um formato hexagonal e muitas linhas pequenininhas, que não dava pra ter certeza de como se chegaria ao núcleo do mesmo.

— Devo escanear toda essa região? — Apontou um tanto distante, tomando todo um cuidado para não tocar.

— Ainda não — O comandante voltou a ditar — Em cada tempo, o caminho correto aparecia de uma forma diferente. Às vezes o D.O o beijava, as vezes era um abraço, as vezes era apenas um toque… Isso variava do que o D.O gostava. Atualmente, D.O, o que mais gosta de fazer no Kai?

— Tirem o Jimin e o Tao da sala antes né? Sexo ao ar livre ainda é atentado ao pudor para o menores! — Baekhyun ditou risonho, riso esse que logo morreu quando sentiu o olhar pesado do Rideel ex-arenoso sobre si.

— Bater! — Respondeu decidido a ignorar o terráqueo, dando um belo tapa sobre as costas do Tahrik que soltou um choramingo de dor com a força empunhada. Não demorou para que algumas marcar que eram da cor preta ficassem completamente avermelhadas, revelando um caminho da entrada até o núcleo.

Rapidamente o Efferinus escaneou as costas, tomando o cuidado de fazer isso em três tempos e ângulos diferente, só para ter certeza que não estava deixando absolutamente nada passar.

Yifan deu alguns passos e parou de frente ao Lu, que prontamente ficou de pé, abrindo as mãos para que as gemas fossem depositadas — Precisamos do Yixing, você sabe disso — O major ditou baixinho e o médico se limitou a acenar.

Os olhos bicolores azul e rosa brilharam até se transformar em o mais puro lilás. Quase emanavam a cor púrpura, as tatuagem de flores brilhando gritantemente.

— Me sinto mal de ter espionado a nave por tanto tempo, ter visto você tantas vezes e nunca perceber que de fato era você, Yixing.

— Você me obrigou a isso, Fan. Eu não podia vir como sempre viria. Não dessa vez — O médico sorriu, pressionando as gemas contra a sua palma.

— Senti sua falta, mesmo assim. Mas pelo que vejo, você pensou em absolutamente tudo. Estamos indo mais a frente do que sempre íamos, afinal, eu sempre falhava no sequestro do Xiumin para lhe salvar.

— Precisei mudar as ordens de algumas coisas — Voltou a sorrir abertamente — Mas você funcionou em harmonia comigo, no final das contas. Entendeu o seu tempo e lugar. Estou orgulhoso disso, Fan.

— Você sempre ficava orgulhoso de mim, Xing. Se nos dá a honra — Apontou para o computador e o médico acenou brevemente com a cabeça, indo até ao computador do Chanyeol, digitando rapidamente alguns dados no mesmo.

— Tripulação da Júpiter. Dobra Máxima — A voz do Lu emanou de modo mais brando, não dando espaço para questionamentos. Cada um colocou em sua posição e mesmo sem entender o como ou por quê, dirigiram a nave para seu novo local, ainda que esse, talvez, fosse definitivamente o último destino.

 


Notas Finais


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Não somos de pedir comentários, cada um comenta quando se sentir confortável, mas seria INCRÍVEL se puderem falar o que acharam do capitulo de hoje. Seja pelo tamanho, pela ação e se as teorias de vocês se firmam mais ainda!!

Até próximo final de semana, bebês <3


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