História Permita-se - Capítulo 4


Escrita por:

Postado
Categorias Neo Culture Technology (NCT)
Personagens Chenle, Haechan, Jaehyun, Jaemin, Jeno, Jisung, Mark, RenJun, Taeyong, Yuta
Tags Drama, Jejun, Markchan, Markhyuck, Menção Chensung, Nct Dream, Noren, Romance
Visualizações 253
Palavras 4.309
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Famí­lia, Ficção Adolescente, Romance e Novela, Shonen-Ai, Slash, Universo Alternativo, Yaoi (Gay)
Avisos: Homossexualidade, Linguagem Imprópria, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Hello! ^_^

Como estão?

Voltei depois de um tempinho!
Obrigada a cada um que favoritou! Espero que estejam gostando hehehe

Sem mais demora!
Boa leitura!

Capítulo 4 - Mau pressentimento


Fanfic / Fanfiction Permita-se - Capítulo 4 - Mau pressentimento

Fazia alguns minutos que se encontrava sentado naquela cadeira dura vendo pessoas sendo levadas as pressas em macas, crianças perto dali chorando, enfermeiras indo para lá e para cá, tudo normal afinal estava em um hospital de emergência.

 

Mas toda a corrida que tinha feito até ali fora em vão, porque nem mesmo pode passar da recepção. Renjun queria se estapear muito por ser tão idiota. Quando saiu de casa não tinha pegado seus documentos, nada, nem mesmo um casaco para se proteger do frio foi capaz de lembrar. Agora não podia ver sua mãe. Já havia implorado e chorado para a recepcionista o deixar ir vê-la, mas a mesma era firme em sua decisão e sem os devidos dados e documentos não poderia ver sua mãe.

 

Renjun já estava entrando em desespero por não saber o que fazer. Seu pai não atendia o celular, não tinha mais ninguém pra quem ligar, não podia ficar com sua mãe e, aliás, nem sabia qual era o estado dela. Já tinha cansado de tanto chorar, agora apenas deixava as lágrimas descerem quando quiserem enquanto batia o pé nervosamente contra o piso e apertava as mãos unidas em seu colo.

 

Tentava se manter firme, ser forte até seu pai ligar ou aparecer, mas seu coração não deixou de bater rápido um minuto sequer desde que tinha chegado, sentia mais frio que o normal e queria pensar que era apenas por causa do ar-condicionado e por falta de uma roupa adequada. Mas Renjun sabia que se continuasse daquele jeito por mais tempo, quem começaria a passar mal ali seria ele.

 

― Meu jovem beba esse copo de água. _ uma senhora disse enquanto estendia para si um copo descartável com água. Renjun a olhou sem entender. ― Já faz uma hora que está sentado ai tão aflito. _ disse ela e pegou a mão de Renjun o fazendo segurar o copo. ― Vamos, beba, você está pálido e tremendo.

 

― Obrigado. _ disse com a voz falha enquanto bebia um pouco de água.

 

― Fique calmo, nesses momentos se desesperar não é uma boa opção. _ disse a senhora sentada ao seu lado.

 

― Eu não consigo... _ começou e sua voz novamente falhou já sentindo as lágrimas quentes descerem por seu rosto. ― A minha mãe não está bem... E-e eles ne-em me deix-aram ver ela. _ gaguejava enquanto o choro aumentava.

 

― Não fique assim. _ disse ela passando de leve sua mão enrugada pelas costas dele. ― Você precisa ficar calmo, ser positivo e ser forte por sua mãe. Como você acha que ela vai ficar ao ver você nesse estado? _ perguntou fazendo Renjun se acalmar um pouco.

 

Era verdade, sua mãe ficaria muito preocupada se o visse assim. Talvez pudesse piorar. Tratou de enxugar suas lágrimas e respirar fundo controlando o choro e bebendo mais um pouco de água. Tinha que pensar que seu pai logo chegaria e que sua mãe logo ficaria bem, que não era nada de grave.

 

Só com aqueles pensamentos Renjun já se sentia mais calmo. Olhou para a senhora ao seu lado que o olhava atenta e preocupada, e de certa forma compreensiva. Sorriu pequeno para a mesma.

 

― Obrigado, acho que já me sinto um pouco melhor. _ disse e a senhora sorriu e Renjun observou os olhos dela formarem meias luas, como se a mesma também sorrisse com os olhos. ― Acho que a senhora foi como um anjo enviado pra me ajudar.

 

― Fico muito feliz em ter ajudado você. _ disse ela.

 

― Renjun! _ ouviu seu nome ser chamado. Levantou-se rapidamente quando viu seu pai caminhar apressado em sua direção.

 

Renjun o abraçou com força e a vontade de chorar voltava também, mas daquela vez conseguiu se controlar, apenas deixou algumas lágrimas descerem por seu rosto.

 

― Eu fiquei tão preocupado quando não te encontrei em casa. _ disse seu pai segurando o rosto pequeno do filho entre suas mãos. ― Então imaginei que você já estaria aqui.

 

― Pai, onde você estava? _ perguntou Renjun. ― Quando me ligaram, eu não sabia o que fazer, e você não estava em casa e eles nem me deixaram... _ foi interrompido por seu pai.

 

― Ei, ei, fica calma filho. _ pediu vendo o rosto de Renjun molhado pelas lágrimas. ― Eu explico depois, agora preciso resolver outras coisas. Você espera mais um pouco? _ perguntou e Renjun assentiu. ― Não se preocupe, vai dar tudo certo.

 

Voltou a sentar-se enquanto via seu pai ir até a recepção. Seu coração estava tão aliviado depois que o mesmo tinha chegado, até conseguia respirar mais calmamente agora.

 

― Você parece estar mais aliviado agora. _ comentou a senhora e Renjun sorriu sem graça, mas assentiu.

 

Assim que terminou seu pai fez um sinal com a mão o chamando. Renjun levantou-se indo até o mesmo.

 

― Eu vou entrar pra ficar com ela. _ disse ele.

 

― Eu vou também! _ Renjun se apressou em falar.

 

― Não, você vai pra casa. _ disse sério seu pai. Renjun iria retrucar, mas ele continuou. ― Filho olha o seu estado, você não está em condições de passar a noite em um hospital, além do fato que ainda é menor de idade. _ disse e Renjun abaixou a cabeça. ― Eu sei que está preocupado com ela, eu também, por isso vou ficar. Amanhã você pode vir visitá-la.

 

― O que ela tem? _ perguntou Renjun.

 

― Eu não sei. _ disse seu pai e suspirou. ― Ainda vou conversar com os médicos. _ disse e viu novamente lágrimas descendo pelo rosto do filho. Suspirou mais uma vez e o puxou para um abraço.

 

Separando-se seu pai tirou o grande casaco que usava e colocou sobre os ombros de Renjun.

 

― Vista isso, você está com frio. _ mandou. Renjun obedeceu vestindo o casaco que tinha ficado enorme em seu corpo magro. ― Agora vai pra casa com cuidado. Quando chegar trate de me ligar. _ mandou e Renjun assentiu.

 

Olhou para a senhora que ainda se encontrava sentada e acenou para a mesma se despedindo. A senhora sorriu de leve e acenou também. Lançou um último olhar cauteloso ao seu pai e por fim passou pelas portas duplas de vidro do hospital sendo abraçado pelo vento frio da noite o fazendo puxar o capuz para cobrir sua cabeça e se encolher dentro do enorme casaco, mas que ainda estava quentinho por causa de seu pai.

 

Naquela noite Renjun quase não conseguiu dormir, sua preocupação era muito maior e mesmo não querendo ficar daquele jeito não conseguia controlar. Chorou também, mesmo não querendo e o tempo que passou acordado ficou olhando seu bobinho que estava quieto no aquário. Com muita dificuldade conseguiu dormir pela madrugada.

 

...

 

 

Eu não estou acreditando! Por que essas coisas acontecem com você sempre quando eu não estou por perto? _ perguntava Chenle do outro lado da linha.

 

Naquela manhã o despertador de Renjun foi nada mais nada menos que a ligação de seu amigo Chenle. O mesmo dizia que estava preocupado e sentia que havia algo de errado. E ele estava certo. Então Renjun tratou de explicar tudo ao amigo.

 

E agora quem vai cuidar de você? _ perguntou Chenle fazendo Renjun revirar os olhos enquanto terminava de escovar os dentes.

 

― Eu não sou uma criança Chenle, eu sei me cuidar. _ disse Renjun enxugando a boca na pequena toalha.

 

Aham, sei muito bem. Sei também que é um bebê chorão e que só sabe fazer lamém, ovo frito e kimchi. _ disse Chenle.

 

― E você não é diferente de mim. _ disse Renjun tentando calçar os tênis.

 

Agora eu sou, porque aprendi a fazer cupcake. _ disse Chenle todo orgulhoso.

 

― Cupcake? Mas você nem gosta disso. _ lembrou Renjun enquanto firmava o celular entre a orelha e o ombro para amarrar os cadarços.

 

Eu sei Renjun, eu sei! _ disse Chenle meio irritado. ― Mas o Jisung gosta e isso muda tudo. _ Chenle novamente mudou o tom de voz para o um mais convencido.

 

― Você está assim tão interessado nele pra aprender a fazer uma coisa que nem gosta? _ perguntou terminando com os tênis e logo se jogando deitado de costas na cama.

 

É lógico! Vou fazer ele parar de me ignorar e nada melhor do que com algo que ele gosta muito. _ disse Chenle então Renjun se lembrou de perguntar algo que sempre esteve o incomodando.

 

― Chenle, mas você sabe por que ele te ignora? _ perguntou.

 

Não... _ murmurou Chenle. ― Eu não sei se ele é antissocial ou tímido, eu vejo ele trocar poucas palavras com os outros, mas comigo ele não troca nenhuma sequer!

 

― Então não é melhor você parar com isso...? _ perguntou Renjun um pouco indeciso.

 

Definitivamente não! _ disse Chenle firme do outro lado. ― Poxa Renjun você deveria estar me apoiando... _ murmurou Chenle.

 

― Chenle e se esse garoto realmente não gosta de você? _ perguntou Renjun preocupado fazendo Chenle ficar mudo. ― Eu me preocupo com você e não quero que por algum motivo você acabe se decepcionando por causa dele.

 

Não diz isso... _ murmurou novamente em tão triste. ― Eu gosto dele...

 

― Pois então você vai colocar ele contra a parede e perguntar tudo que tem vontade! _ disse Renjun sério.

 

Você ficou maluco? _ perguntou Chenle incrédulo.

 

― Ou você faz isso, ou vai ter que aguentar ele te ignorando sabe lá por quanto tempo. _ disse Renjun.

 

Renjun realmente estava preocupado com o amigo. Pelo jeito que Chenle falava do tal Jisung já dava pra perceber o quanto ele gostava daquele garoto mesmo sem ter trocado uma palavra. Tinha medo que Jisung não gostasse de seu amigo e Chenle acabasse saindo dessa história machucado. Por algum motivo ― e achava que não era nada bom ― tinha para o garoto ficar ignorando seu amigo.

 

Chenle precisava descobrir o quanto antes, talvez assim, se for como Renjun imaginava, poderia evitar que a decepção fosse grande demais para lidar depois.

 

Tudo bem... _ disse Chenle parecendo derrotado, mas fazendo Renjun suspirar aliviado.

 

...

 

 

Sentado na cadeira grande ao lado do leito, observava sua mãe enquanto a mesma almoçava. Tinha chegado cedo para entrar pontualmente no horário de visitas para passar o maior tempo possível com a mesma. Quando entrou no quarto e a viu deitada naquele leito chorou de preocupação, saudades ― isso mesmo, saudades, porque tendo se passado apenas um dia, para Renjun fora muito mais que isso ― e de alívio por poder enfim encontrá-la.

 

― Coma tudo direitinho. _ mandou Renjun quando viu sua mãe já abandonando os jeotgarak.

 

― O que é isso agora? _ perguntou a mesma arqueando uma sobrancelha. ― Eu sou a mãe aqui.

 

― Pode ser, mas hoje sou eu que vou cuidar de você. Então trate de se alimentar direito para se recuperar logo. _ disse Renjun fazendo sua mãe prender o sorriso.

 

― Quando foi que meu bebê se tornou tão maduro? _ perguntou ela apertando uma das bochechas do filho.

 

Renjun sorriu enquanto ouvia sua mãe reclamando que tinha amadurecido muito rápido e que queria o bebê dela de volta. Como estava aliviado pela mesma estar bem. Sua mãe estava se esforçando muito no trabalho e juntando com as preocupações e estresse a pressão da mesma caiu de repente e acabou por fazê-la desmaiar no trabalho. O médico disse que não tinha muito com o que se preocupar, apenas aconselhou se alimentar bem, evitar estresse e não se esforçar tanto. Ainda não tinha recebido alta porque o médico tinha pedido alguns exames, segundo ele para se prevenir.

 

Depois de todo o discurso que Renjun ouviu do médico pensou bem e já tinha se decidido; iria procurar por um emprego de meio período. Claro que não falaria nada ainda para seus pais porque tinha certeza que eles discordariam no mesmo instante em que terminasse de falar. Por enquanto não falaria nada só depois que conseguisse. Não podia mais deixar tudo por conta de sua mãe. Não podia mais correr o risco de vê-la novamente ir parar em um leito de hospital por esforço demais no trabalho. Sabia que ela dava o melhor de si para sustentá-lo e também a casa, mas não aguentaria mais ver apenas ela fazendo alguma coisa.

 

Por isso no outro dia já começaria sua busca por um emprego. Sabia que seria difícil encontrar um trabalho de meio período, mas não custava tentar, qualquer coisa serviria.

 

― Em que você tanto pensa? _ ouviu sua mãe perguntar o fazendo prestar atenção na mesma.

 

― Nada. _ disse sorrindo pequeno. Sua mãe o olhava atentamente como se estivesse prestes a descobrir o que planejava.

 

― Você parecia estar no mundo da lua. _ disse ela.

 

― Não é nada importante, só coisas da escola. _ disse e ela assentiu parecendo ter acreditado, pois não perguntou mais nada e Renjun agradeceu por isso.

 

 

...

 

Sua busca por um trabalho de meio período tinha começado cedo naquela manhã de domingo e Renjun já estava pensando em desistir. Certo, já imaginava que não seria fácil, mas também não sabia que seria tão difícil. Com isso começava a entender a dificuldade que seu pai tinha em conseguir um trabalho.

 

Renjun já tinha tentado em alguns supermercados e shoppings, mas sem sucesso, pois ou eles queriam para o dia todo ou exigiam certos tipos de cursos que não tinha. Suas pernas doíam de tanto andar, e o pior de tudo era passar por cima de sua timidez para falar com certos tipos de pessoas, como naquele momento.

 

Mas não era só sua timidez, era um pouco de medo, certo, não era pouco, Renjun estava com muito medo e arrependido de ter entrado naquele estúdio de tatuagens. O que tinha na cabeça? Não entendia nada sobre aquilo. Trabalho ali para si só se fosse para varrer o chão.

 

Sentado em um dos sofás se mantinha um pouco encolhido com as pernas juntas e suas mãos entrelaçadas sobre seu colo enquanto pressionava de vez em quando os lábios um no outro por conta do nervosismo. Em sua frente um cara vestido de preto com pircings pelo rosto e tatuagens pelo pescoço e braços o encarava de forma nada discreta.

 

― Então quer trabalhar aqui? _ perguntou o cara.

 

― Sim... _ murmurou Renjun, mas na verdade queria dizer não e sair correndo dali.

 

― Trabalhar em que? _ voltou a perguntar.

 

― Qualquer coisa. _ respondeu Renjun. Qualquer coisa não era boa ideia, mas não sabia nada do que eles faziam ali além de tatuagens.

 

― Qualquer coisa? Hum... _ disse o cara olhando Renjun de cima abaixo.

 

Abaixou a cabeça apertando suas mãos fortemente sobre seu colo. Tinha muitos lugares para ir não precisava ficar ali. Sentia que não deveria ficar ali nem mais um minuto. Levantou-se de repente e estando prestes a dizer que iria embora, foi interrompido.

 

― Vamos ali. _ disse o cara.

 

― Não, eu... _ começou, mas novamente foi interrompido.

 

― Você não quer trabalhar aqui? Então vem comigo, precisa falar com o dono disso aqui. _ disse ele caminhando até uma porta.

 

Renjun pensou por alguns instantes, não queria trabalhar naquele lugar. Era estranho, o ar cheirava a cigarro, as mobílias e decorações eram pretas, além de ser muito silencioso e vazio. Falaria com o tal dono, mas só para dizer que não precisaria mais.

 

Seguiu o cara tatuado e passou pela porta que logo foi sendo fechada e trancada por ele. Foi nesse momento que Renjun sentiu um mau pressentimento e arrepiou-se dos pés a cabeça. Certo, aquele corredor era muito mais escuro do que a própria sala do estúdio. Caminhava a passos curtos e cautelosos atrás do cara que olhava de vez em quando para si. Seu coração batia desesperado no peito e Renjun sentia que havia algo estranho.

 

Parou e olhou para a porta por onde passou. Sua vontade era correr dali.

 

― Qual o problema? Vamos. _ disse o cara se aproximando.

 

― Não, eu acho que já vou... _ murmurou Renjun.

 

― Você não vai falar com ele? É na última porta do final do corredor. Vem eu te levo. _ disse e segurou Renjun pelo braço começando a puxá-lo.

 

― Não, eu não preciso mais. _ disse Renjun se soltando.

 

― Como assim? _ perguntou o outro estreitando os olhos.

 

― Eu só não quero mais, não sirvo pra trabalhar aqui. _ disse Renjun dando um passo para trás.

 

― É claro que serve. _ disse o cara o olhando novamente daquela forma que Renjun achou estranho. ― Tem muitas coisas que você pode ser bom. _ continuou e pela primeira vez deu um sorriso de lado.

 

Renjun engoliu em seco. Sabia que deveria ir embora imediatamente.

 

― Não, obrigado. Eu já vou. _ disse e passou a caminhar rápido em direção a bendita porta ouvindo os passos também apressados atrás de si.

 

Quando tocou a maçaneta da porta uma mão grande foi posta contra a mesma o impedindo de abrir.

 

― Me deixa sair! _ disse gritando fazendo o cara levantar as duas mãos como se estivesse se rendendo.

 

― Calma! _ pediu ele. ― Eu só vou abrir a porta pra você. Calminha. _ disse e retirou do bolso uma chave a mostrando para Renjun.

 

Assim que a porta foi aberta Renjun tratou de sair imediatamente dali, ainda pode ouvir um "volte sempre" daquele cara e prometeu a si mesmo que nunca mais passaria nem perto daquele estúdio de tatuagens.

 

 

...

 

O desânimo fazia Renjun querer desistir de vez e ir para casa. Todas as suas tentativas foram falhas, o que faria? Já tinha andado por todo o bairro e nada, nem uma esperança lhe deram de que talvez mais tarde pudesse receber uma ligação, a única que lhe deram de que talvez pudesse conseguir algo foi no estúdio de tatuagens, mas o engraçado é que tinha sido ele mesmo a rejeitar.

 

E fez o certo. Não conseguia imaginar coisas boas se tivesse entrado naquela sala. Tinha até calafrios só em pensar.

 

Olhou para o céu escuro quando finas gotas de água começaram a cair molhando suas roupas. As pessoas já corriam procurando um lugar que lhes pudessem servir de abrigo para se protegerem da chuva. Renjun fechou o zíper de seu casaco e puxou o capuz também se pondo a correr em busca de um lugar.

 

Avistou uma cafeteria de fachada simples, mas que parecia aconchegante. Correu até a mesma. As janelas de vidro eram enfeitadas com correntinhas de luz as quais eram também bastantes usadas no natal e na porta tinha uma placa desejando um "seja bem vindo". Assim que entrou sabia que tinha escolhido o lugar certo.

 

O piso era de madeira escura e as mesas e cadeiras ― essas que possuíam um estofado macio ― também. Junto ao balcão tinha cinco bancos altos de madeira e um senhor atrás do mesmo fazia algumas anotações. Uma parede ao lado do balcão deixava um visual simples, mas bonito por parecer que tinha sido feita com pequenos tijolos de cor clara e os vários tipos de quadro de café, bolinhos e cappuccino enfeitavam a mesma deixando o ambiente agradável, sem falar no cheirinho de café pelo ar.

 

Renjun observou que a cafeteria estava quase vazia, a não ser por um casal sentado mais ao fundo. Verificou na mochila e agradeceu aos céus pelo pouco dinheiro que tinha dar pelo menos para comprar uma xícara de café.

 

Sentou-se a mesa que tinha próximo a janela e viu uma garota alta e magra, vestindo roupas colegiais, saia, camisa social junto aos sapatos e meias brancas até o joelho se aproximando trazendo uma bandeja com algo.

 

― Só um momentinho já atendo você. _ disse ela e seguiu até a mesa do casal.

 

Logo a garota voltou e Renjun pediu apenas o simples café. Quando voltava com o pedido na bandeja qual não foi a surpresa de Renjun quando viu a mesma tropeçando nos próprios pés e caindo derrubando o café.

 

― Meu Deus, Rose! _ disse o senhor no balcão logo indo até a garota devagar com a ajuda de uma bengala.

 

Renjun levantou-se rápido ajudando a mesma a se levantar. A garota de cabelos laranja já tinha os olhos cheios de lágrimas.

 

― Já é a segunda vez hoje! _ reclamou o senhor. ― Você precisa prestar mais atenção.

 

― Eu não levo jeito pra isso vovó! Você sabe! Eu nem deveria estar aqui. _ disse a garota chorando.

 

― Pois deveria ter pensado nisso antes de fazer besteira! _ reclamou o senhor mais uma vez batendo com a bengala no chão fazendo a garota chorar ainda mais.

 

Renjun ouvia tudo abaixado enquanto juntava os cacos de porcelana da xícara, biscoitos espalhados, recipiente de açúcar entre outros.

 

― Eu odeio esse lugar! _ gritou a garota e saiu correndo para os fundos.

 

― Rose! _ chamou o senhor, mas já era tarde. Renjun levantou com a bandeja na mão fazendo o senhor prestar atenção nele. ― Não precisava se incomodar garoto. Você é cliente, e clientes devem ser servidos e não servir.

 

― Eu não me incomodo. _ disse Renjun sorrindo pequeno.

 

― Você poderia me ajudar levando isso até o balcão? _ perguntou o senhor.

 

― Claro. _ disse Renjun seguindo até o balcão com o senhor atrás mais devagar.

 

― Não sei onde estava com a cabeça quando despedi Taeil só porque minha neta viria trabalhar aqui. _ resmungava o senhor sentando-se na cadeira atrás do balcão. Renjun deixou a bandeja em cima do mesmo prestando atenção. ― Ele era ótimo, mas agora me sobrou essa desastrada. _ continuou e soltou um longo suspiro. ― Ah, como estou arrependido...

 

Renjun sentia um fio de esperança correndo por seu corpo. Ver aquele senhor arrependido por ter perdido um ótimo empregado o fazia pensar na possibilidade de que ele estaria precisando de alguém e talvez o aceitasse ali.

 

― Preciso de outra pessoa para me ajudar ou vou a falência se continuar só com essa minha neta desastrada. _ disse o senhor e Renjun arregalou os olhos. Aquela era a oportunidade.

 

― O-o se-enhor precisa de alguém...? _ gaguegou nervoso. O senhor o encarou e sorriu enquanto assentia. Renjun sorriu também.

 

...

 

 

Renjun caminhava rápido pelos corredores da escola em direção a sua sala. Tinha passado do horário pela primeira vez desde que começou a frequentar a mesma. Quando acordou faltava apenas poucos minutos para que pudesse sair, esse foi um dos motivos que o fez cair da cama e se apressar para se arrumar o mais rápido possível para não perder o metrô e ter que esperar meia hora pelo próximo.

 

Mas não estava irritado, pelo contrário, estava muito feliz. Mesmo chegando à escola atrasado e sabendo que o professor do primeiro horário já estava na sala e chamaria sua atenção na frente da turma. Aquela manhã encontrou com sua mãe já em casa fazendo seu coração dar um salto de alegria. A mesma tinha recebido sua alta e estava bem, mas deveria ter repouso e seu pai a ajudaria enquanto estivesse fora. E também, tinha conseguido o que tanto tentou no dia anterior, um emprego.

 

Renjun quase podia saltitar de alegria. Parecia o destino o levando diretamente até a cafeteria daquele senhor que, aliás, foi muito gentil e compreensivo consigo dizendo que lhe ajudaria dando a oportunidade de trabalhar lá.

 

Agora sim poderia ajudar sua família. Sorriu com o pensamento. Mas ao ouvir som de passos atrás de si o fez ficar sério. Olhou para trás e lembrou-se vagamente do garoto do terceiro ano, amigo de Taeyong inclusive. Apressou os passos.

 

Mas logo parou quando foi surpreendido ao ver o próprio Taeyong saindo de um dos corredores e ficando bem na sua frente impedindo sua passagem. Parecia que o mesmo estava escondido ali a sua espera, apenas esperando o momento de dar o bote, como uma cobra.

 

― Você parece muito feliz. _ disse ele sorrindo. Renjun notou o outro garoto ficando atrás de si. ― Isso me deixa muito incomodado... _ murmurou ele coçando a nuca. ― É verdade que aquela lama nojenta que você jogou era pra mim? _ perguntou arqueando uma sobrancelha.

 

― N-ão... _ gaguejou Renjun. Sua mente gritava perigo e não sabia o que fazer. Todos já estavam em aula. Não tinha ninguém para lhe ajudar.

 

― E ele ainda tem coragem de mentir. _ disse o garoto atrás de si sorrindo.

 

― Eu vou te mostrar o que acontece com pessoas que tentam algo contra mim. _ disse Taeyong sério. ― Segura ele Yuta. _ mandou Taeyong.

 

Renjun tentou correr, mas o garoto atrás de si o segurou rapidamente pelos braços. Debatia-se tentando se soltar e quando pensou em gritar sua boca fora tapada. Taeyong arrancou sua mochila das costas jogando no chão e o segurou também o levando junto do outro para algum lugar.

 

Depois de o arrastarem por alguns corredores Renjun logo reconheceu para onde o estavam levando. De frente a porta velha Taeyong tirou uma chave do bolço em seguida puxou Renjun pelos cabelos da nuca sorrindo.

 

― Espero que aproveite bem o seu tempo aqui. _ disse ele.

 

O mesmo abriu a porta velha e empurrou Renjun rapidamente para dentro do minúsculo armário escuro de vassouras trancando a porta e saindo gargalhando seguido do outro.

 

Renjun até começaria a gritar e esmurrar a porta para pedir ajuda se não estivesse tão surpreso em descobrir que não era o único preso no armário. Ali dentro não era tão escuro, por isso conseguia enxergar bem aqueles olhos tão escuros que mais o lembrava duas pedras ônix o olhando também expressando sua tamanha surpresa e confusão.

 


Notas Finais


Quem me dera ter a sorte do Renjun e encontrar uma cafeteria assim sabe? ashuashuashua

Como vocês perceberam o cap se passou mais no dia dele e a dificuldade em encontrar um emprego com aquela idade e as certas surpresinhas que ele encontrou... Nada de cair em conversas fiadas gente!

Espero que tenham gostado!
Me digam o que estão achando!

Até o próximo!
XOXO


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...