História Permita-se Amar (SuperCorp) - Capítulo 9


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Categorias Supergirl
Personagens Cat Grant, Kara Zor-El (Supergirl), Lena Luthor
Tags Amizade, Angst, Kara, Kara Danvers, Lena, Lena Luthor, Supercorp, Universo Alternativo
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Palavras 3.344
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), FemmeSlash, Festa, Ficção, LGBT, Literatura Feminina, Romance e Novela, Universo Alternativo, Violência, Yuri (Lésbica)
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Estupro, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Neste capítulo, tem uma fala de Lena que explica muitoooo a razão dela ter levado tanto tempo para se abrir com Kara e contar o que havia acontecido em seu passado.
Leiam as notas finais.

Capítulo 9 - 9. A reação de Kara


Lena encarou o copo vazio que tinha na mão. Sentiu sua garganta seca e uma sensação ruim no estômago. Quando, enfim, criou coragem, olhou para Kara e percebeu que a amiga estava com o rosto tenso. Podia jurar que cada músculo do corpo da loira se contraiu, enquanto contava o que havia acontecido doze anos atrás entre Jack e ela.

— Miserável! — Kara praguejou, cerrando os punhos — Por que nunca contou isso para ninguém? — Fitou a amiga com o olhar aflito.

Lena suspirou e devolveu o olhar, mas o seu estava estranhamente sereno.

— E o que eu diria, Kara? Que fui estuprada? — sorriu sem humor — Quem acreditaria em mim? Várias pessoas me viram paquerar com ele enquanto dançávamos e não fui forçada a acompanhá-lo para fora do salão, muito menos para o apartamento — os olhos verdes permaneciam sem brilho — Para ser justa, imagino que Jack pensou que eu também estivesse disposta. Achou que eu sabia o que estava querendo. Como é que podia adivinhar que eu era uma idiota inocente?

— Lena, pelo amor de Deus, perceba a barbaridade que está falando. Você ainda defende a atitude daquele canalha? Não importa se você flertou com ele, não importa se aceitou acompanhá-lo até o apartamento... Você disse não mais de uma vez. Jack não podia seguir adiante sem o seu consentimento. Ele te estuprou!  — Kara quase gritou, enraivecida.

Lena calou-se e abaixou o olhar, traçando com o dedo a borda do copo.

— Kara — voltou a falar com a voz muito controlada — O que você acha que as pessoas, até mesmo a própria polícia, fariam se uma moça chegasse contando uma história que passou a noite bebendo, depois dançou e paquerou com um desconhecido com quem acabou indo para um apartamento voluntariamente, mas, entre quatro paredes, se arrependeu e disse que não queria fazer sexo com ele? Acha mesmo que alguém acreditaria nela? — levantou o rosto sem expressão para a amiga — Você lembra de Lindsay, aquela nossa colega de teatro que saiu com praticamente todos os atores e que geralmente se excedia demais nas festas do elenco? Lembra quando certo dia, ela não apareceu para o ensaio e soubemos depois que estava internada em um hospital, dizendo não se lembrar do que havia acontecido na noite anterior, embora existisse indícios dela ter sofrido violência sexual? Você lembra do seu comentário na época, Kara?  

Desta vez, foi Kara quem não sustentou o olhar. Ela fitou o chão e o rubor se espalhou por todo seu rosto.

— Eu disse que mais dia, menos dia, isso acabaria acontecendo com ela, pois era muito “maluquinha”.

— Pois é... Aquele foi um período terrível para mim, porque eu senti uma enorme identificação com Lindsay. Fiquei imaginando a dor dela, o medo que deveria estar sentindo em denunciar seus agressores e ser desacreditada por causa de seu comportamento. — Lena calou por um momento — E o pior foi presenciar minha melhor amiga fazendo isso. Mas eu não senti raiva de você... Lembro que até concordei com o seu comentário, pois, no fim, era o que eu pensava também.

Kara olhou-a com o rosto molhado pelas lágrimas.  

 — Lena — aproximou-se e se ajoelhou em frente à amiga, mas sem tocá-la — É monstruoso o que vou dizer, mas o que aconteceu com Lindsay naquela época não me afetou...—  admitiu no murmúrio —  Talvez por que eu não me importasse com ela, talvez por que a visse apenas como uma garota louca que estragou sua vida envolvendo-se com coisas erradas. — Soltou um largo suspiro e calou-se brevemente, tentando controlar o tremor de sua voz — Mas, a dor e a impotência que sinto agora me fazem perceber o quanto minha reação ao que aconteceu com ela foi desprezível. Na época, eu fui uma idiota. Agi como as pessoas que cometem ou que veem injustiças sendo cometidas e não fazem nada para impedi-las. Elas simplesmente dão de ombros e seguem seus caminhos... —  engoliu em seco —  Não sabe o que daria para voltar no tempo e rever muitos pensamentos idiotas que já passaram pela minha cabeça. Queria, sinceramente, poder te livrar dar dor que sente e apagar tudo que Jack te fez no passado.

Lena olhou-a com afeição. Naquele momento, tinha certeza que Kara era a pessoa mais humana que já conhecera, com todos seus defeitos e todas suas virtudes.

 — Você poderia me servir mais uma dose, por favor  — Lena estendeu o copo, preferindo não dizer nada.

Em silêncio, Kara pegou-o e se levantou. Foi até o barzinho para enchê-lo e o entregou novamente a Lena.

A atriz tomou um grande gole e sentiu-se grata pelo calor que lhe percorreu o corpo.

— Eu deveria dar uma surra em Jack — Kara comentou de repente.

Lena tentou não rir do súbito rompante dela.

— Se quiser, seguro sua bolsa enquanto o espanca — disse com divertimento.

Kara respirou fundo.

 — Estou falando sério, Lena.

A atriz fitou a amiga e viu a fúria crescente tomar o seu bonito rosto. Os punhos de Kara estavam cerrados e sua expressão ainda mais tensa. Raríssimas vezes, a escritora tinha um acesso violento e quando isso acontecia até Lena ficava com medo.

Kara voltou a se ajoelhar na frente da morena e falou, baixinho:

—Não deveria ter mantido esse segredo guardado durante tantos anos. Eu sabia que alguma coisa a consumia por dentro; recusei-me a achar que não tinha sentimentos, que era fria... e estava certa. Você foi vítima de uma violência, e um trauma desses pode destruir emocionalmente uma pessoa. Se tivesse contado isso antes a alguém, hoje, talvez, já pudesse ter, não esquecido, mas superado o que lhe aconteceu.

Seu tom compreensivo trouxe conforto para o coração machucado de Lena. Sempre teve medo que Kara passasse a desprezá-la ou não a olhasse mais da mesma maneira quando soubesse da verdade.  Mas, aparentemente, a revelação havia aproximado as duas ainda mais.

— Se sente melhor agora, depois de ter me contado tudo? — Kara levantou a mão e ajeitou delicadamente uma mecha negra por trás da orelha de Lena.

— Sim, obrigada — respondeu com a voz baixa, deixando o copo no encosto de braço do sofá.

— Pelo quê?

— Por ter me ajudado a falar sobre isso. — Lena explicou.

— Eu que agradeço por você ter confiado em mim, mesmo eu sendo uma idiota. — Kara sorriu sem jeito — Se pudesse, faria o tempo voltar para impedir que aquele infeliz  te machucasse.... Você sempre foi muito importante para mim, Lena. O mais importante. — Repetiu de maneira afetuosa.

Lena sentiu os lábios tremerem com a ternura que as palavras da loira transmitiam. Enquanto olhava para ela, Kara estendeu a mão e passou os dedos, de leve, pelo rosto bonito da atriz. Cada nervo reagiu àquele toque e Lena ficou confusa com a própria reação.

Mas, antes que tivesse chance de dizer qualquer coisa, Kara voltou a falar:

— Será que estou certa ao supor que Jack anda perseguindo você?

Sentiu-se mal outra vez. Fez que sim com a cabeça.

O semblante de Kara endureceu novamente. .

— É hora de eu ter uma conversinha com ele, então.

Havia uma satisfação selvagem na voz dela, que alarmou a atriz.

— Mas o que vai fazer?

— Vou à casa de Cat, conversar com Jack — falou, levantando-se. — Vou dar àquele canalha uma lição que nunca mais vai esquecer na vida. Vai precisar de um ótimo cirurgião plástico, quando eu acabar com ele.

— Não, Kara — Lena implorou, erguendo-se e andando atrás dela.

Mas a escritora já se afastava a passadas largas, parecendo uma tigresa no encalço de sua presa. Kara andava com tanta pressa que não percebeu que o salto de um dos sapatos de Lena quebrou e ela caiu no chão.

Quando a morena se recuperou do susto e correu para a garagem, Kara já tinha saído no carro e ela apenas vislumbrou o conversível fazendo a primeira curva em alta velocidade.

Lena ficou paralisada no lugar. O mínimo que podia acontecer era Kara criar um escândalo que iria causar um enorme falatório; mas o pior era que a loira talvez se ferisse ou machucasse Jack seriamente, e teria problemas legais por isso. Enquanto pensava no que podia fazer para impedir uma possível tragédia, recordou-se dos olhos azuis fervendo de ódio.

Pensou depressa e correu para dentro da casa. Revirou a bolsa e pegou seu celular, porém, lembrou-se de que não sabia o número de Cat. Custou a encontrá-lo na agenda que tinha dentro da bolsa de Kara e ao mesmo tempo em que apertava os números com dedos trêmulos, rezava silenciosamente para que alguém a atendesse.

Após o quinto toque, Siobhan falou, a voz demonstrando surpresa quando Lena pediu para falar com Jack.

Rapidamente, o homem se fez ouvir do outro lado da linha: — Sim?

Lena não perdeu tempo: — Kara está indo para aí, disposta a agredir você. É melhor pegar o primeiro avião e dar o fora.

Desligou, antes que ele respondesse. Tinha conseguido avisá-lo. Não que lhe interessasse um mínimo o que pudesse acontecer com Jack, mas Kara era muito importante e a morena não queria que ela se envolvesse em complicações por sua causa.

Ficou à janela, olhando para o jardim, observando o sol que se punha. Escutava o tique-taque do relógio; o ritmo regular batendo dentro de sua cabeça.

Quanto tempo Kara levaria para chegar lá? Verificou o celular ainda em sua mão e suplicou: “Por favor faça com que Jack saia, antes da chegada dela.”

Deixou o celular sobre a mesinha e passou a andar pela sala, tensa e ansiosa, apertando uma mão na outra, escutando o ruído do mar, as batidas do relógio, o vento nas árvores.

Uma ou duas vezes pegou o celular novamente, mas desistiu de ligar. Já ia haver suficiente curiosidade naquela casa quando Kara aparecesse, mesmo que Jack já tivesse ido embora…

Uma hora se passou. Kara já deveria ter chegado lá.

Lena foi para a cozinha e fez um café forte. Sentou-se à mesa e segurou a xícara com as duas mãos, aquecendo-as, pois estavam geladas, mas sua mente continuava tensa e preocupada.

Por fim, quando escutou o barulho de um carro estacionando, levantou-se de um salto, só então reparando que estivera na escuridão.

Escutou os passos de Kara, que parou na porta da cozinha, olhando para ela na penumbra.

— Você ligou para ele? — A escritora lançou, séria.

Lena engoliu em seco e, após uns instantes em silêncio, hipnotizada pela expressão obscura que via nos olhos azuis da mulher parada a sua frente, perguntou, com voz trêmula:

— O que aconteceu? Kara o que você fez com ele? — Sua voz saiu angustiada.

— Ele fugiu como o covarde que é — exclamou meio raivosa — Por que você o avisou, Lena?

— Não queria que você se metesse em uma confusão, Kara. Sabe-se lá o que poderia acontecer se você o machucasse seriamente... Poderia acabar presa e seria por minha causa. — Explicou, nervosa.

— Eu apenas ia dar uns socos nele, nada mais — contestou ainda séria.

Lena sorriu sem vontade.

 — Isso não faria diferença nenhuma, Kara. Não serviria de consolo para o que houve comigo no passado.

— Por um momento, cheguei a pensar que você o avisou pois, de alguma forma, se importa com ele. — Disse com ar desconfiado.

— Eu não levantaria um dedo para impedir que Jack fosse atropelado por uma manada de búfalos. — Lena falou com firmeza.

Kara finalmente recostou-se no batente da porta, relaxando.

— Fui até o aeroporto, mas não havia sinal dele lá.

— Cat não ficou curiosa quando viu você chegar procurando por Jack?

— Não a encontrei. Falei com Siobhan.

— E ela contou que eu havia telefonado?

— É, contou... — Murmurou, concisa.

— Imagino que estivesse curiosa — disse Lena, desviando os olhos.

— Morrendo de curiosidade, mas não se preocupe: não falei nada.

A atriz soltou um longo suspiro. Seu corpo agora estava entorpecido. Sentiu tanta tensão, enquanto esperava que Kara chegasse, desejando que a amiga não tivesse feito nenhuma besteira, que agora podia finalmente relaxar.

— Acho que vou me deitar — expressou num tom baixo enquanto Kara a olhava em silêncio — Boa noite — desejou ao passar pela amiga, saindo do recinto.

— Boa noite — Kara devolveu, seguindo-a com o olhar.

///

Na manhã seguinte, Lena acordou sentindo uma estranha sensação de leveza e liberdade. Desceu para a área da piscina, observando como os raios de sol refletiam na água azul.

Kara já estava por ali. Vestia short e camiseta. Parecia muito concentrada na leitura de um livro, enquanto um copo de suco de laranja repousava na mesinha ao lado.

— Dormiu bem? — a escritora levantou o rosto, fitando-a sobre as lentes dos óculos, ao perceber a aproximação da outra.  

Lena fez que sim com a cabeça.

 — Acho que vou nadar um pouco.

Kara assentiu e empurrou os óculos para o topo do nariz, voltando a se concentrar no livro.

Lena andou até a borda e mergulhou. Quando retornou a superfície, apoiou os braços na margem para observar a amiga.

A escritora olhou-a e sorriu, antes de perguntar: — Quer torradas e suco?

— Quero, obrigada.

Kara levantou-se e entrou na casa. Lena saiu da piscina e foi se deitar em uma espreguiçadeira. Apoiou a cabeça no encosto e observou o céu sem nuvens.

Logo, viu a amiga voltar, trazendo a comida numa bandeja. Lena lhe sorriu com carinho.

— Obrigada. — Pegou o que a amiga lhe oferecia. Seu preferido, suco de kiwi.

— De nada. — Deixou a bandeja na mesinha e sentou-se novamente na espreguiçadeira que ocupava antes.

Ficaram em silêncio. Depois, a morena alcançou o protetor jogado no chão junto com a toalha e passou uma camada na pele menos pálida por causa dos banhos de sol, enquanto Kara a observava por trás das lentes.

Lena percebeu o olhar da amiga e ficou sem jeito. Sentiu seu rosto corar. Parecia uma adolescente insegura, diante do “garoto” de seus sonhos. Felizmente, Kara deve ter percebido seu desconforto e parou de encará-la daquela maneira, voltando a se focar no livro.

Durante o resto do dia elas não fizeram mais nada, somente tomaram sol e nadaram. Na hora do almoço, comeram uma refeição leve. Era a rotina de todos os outros dias que haviam passado ali; no entanto, Lena percebia que a atmosfera estava diferente.

— Quer jantar fora hoje? — Kara sugeriu, mais tarde.

O sol já estava baixo no horizonte, o que criava uma faixa dourada no mar.

— Quero.

— Você não parece muito entusiasmada — a escritora observou, levantando as sobrancelhas.

— Sol demais me deixa assim, meio desanimada.

Kara riu e analisou-a de alto a baixo.

— Mas faz muito bem ao resto...

Aquele comentário teve o poder de deixar a atriz muda. Em resposta, ela mostrou um sorriso meio sem graça e, minutos depois, pegou a toalha, dizendo que ia tomar banho.

Lena entrou na casa, completamente estarrecida com sua total falta de reação. Nem parecia uma atriz capaz de representar as personagens mais complexas.

Mas o problema era exatamente esse: não estava num palco. O que acontecia ali era muito real e Lena não tinha um roteiro que a guiasse, ensinando-a a sair dessas situações constrangedoras. Só desejava que sua relação com Kara voltasse ao mesmo estado de antes e ela parasse de se sentir tão sem jeito perto da loira.

Entrou no chuveiro e a água fria ajudou a dissipar a sonolência causada pelo excesso de sol. Sentiu-se melhor, mais viva, com a mente mais clara. Enrolou-se na toalha e abriu o guarda-roupa, procurando um vestido para usar no jantar.

Num impulso, escolheu um que sabia que Kara gostava, pois o vestira na primeira exibição de uma das peças dela e a escritora passou a noite elogiando-a.

Demorou a ficar pronta, o coração batendo mais depressa cada vez que escutava um ruído na casa. Por fim, depois de mais uma rápida olhada no espelho, foi para a sala, encontrar sua amiga.

Kara estava de costas para a escada, servindo-se de uma bebida. Quando ouviu o barulho dos saltos de Lena, olhou por cima do ombro para perguntar se ela também queria um drinque.

Mas, quando o olhar de Kara se cravou em Lena, a atriz percebeu que a amiga ficou sem reação, parecendo hipnotizada pelo efeito do vestido negro que, colado ao corpo, marcava o busto, a cintura e os quadris da morena. Viu como o rosto de Kara ficou tenso... Os olhos azuis escureceram e Lena sentiu um calor invadi-la.

Imediatamente, Lena se arrependeu de sua escolha. Havia sido um impulso maluco: aquela roupa era provocante demais. Nervosa, pediu um Martíni seco.

Kara virou-se para pegar a bebida, e foi a vez de Lena reparar na aparência dela. Estava tão atraente usando calça e blazer pretos com uma blusa branca por dentro. Tinha um físico bonito e possuía os cabelos tão loiros e macios que a morena sentia uma vontade louca de tocar neles, assustando-se com o estranho impulso.

A escritora aproximou-se e colocou o copo em suas mãos. Uma onda de calor subiu pelo corpo da atriz. Ficou mais alarmada ainda. Evitou olhar à amiga, provando a bebida, tocando o gelo com os lábios.

Lá fora, mariposas batiam agitadas nos vidros das janelas, atraídas pela luz. Lena sabia como se sentiam, pois tinha a mesma sensação dentro do peito.

Nem ela nem Kara falaram, ambas conscientes da tensão que aumentava a cada instante. Sempre tinham conversado com tamanha liberdade e, agora, pareciam não ter nada a dizer.

Lena observou o perfil bonito da loira, como se a visse pela primeira vez. Na verdade, nunca aquele rosto tão conhecido a impressionara tanto.

Kara se virou, de repente, antes que ela pudesse desviar os olhos.

Sentiu a garganta apertar e falou, rápido: — Onde vamos jantar? — tentando disfarçar que estivera admirando-a por alguns minutos.

— Não sei... Você está tão bonita. Não imagino um lugar no Havaí, ou neste planeta, digno de tanta beleza. — Comentou, mostrando seu sorriso perfeito.

Lena corou.

— Que exagero, Kara — lutou para disfarçar o embaraço.

— Não é exagero — devolveu, deixando o copo sobre a bancada do barzinho. — Tenho certeza que é consciente de sua beleza e do que ela provoca em mim — murmurou, procurando os olhos verdes de Lena que fugiam dos seus.

O coração de Lena disparou ao ouvir as palavras de Kara e, mais ainda, quando sentiu o olhar profundo da amiga sobre si.

— Lena Luthor, se eu contasse o que esse vestido faz comigo, você sairia daqui correndo. — Kara voltou a falar, dessa vez sem encará-la. Então, pegou o copo, bebeu o resto do conteúdo de uma só vez e, antes que a morena encontrasse o que dizer, sugeriu: — Vamos?

Kara virou-se e começou a andar na direção da saída. Lena a seguiu.

Óbvio que a amiga entenderia o motivo que a levou a escolher aquele vestido tão provocante e, agora, sentia-se uma tola por sua total falta de reação aos comentários de Kara.

O carro foi saindo pelo portão e Lena desceu um pouco o vidro da janela, deixando entrar o vento perfumado. A lua se refletia no mar, cobrindo tudo com uma névoa brilhante.

Desciam pela estrada estreita e, quando Kara fez uma curva em alta velocidade, a morena sentiu o corpo retesar.

— Calma — Kara disse, sem olhar para ela. — Sou uma boa motorista. Nunca me arrisco sem ter certeza de que vou me sair bem.

— Isso é reconfortante — resmungou, ainda assustada. — Vou me lembrar, quando acordar num hospital...

A escritora sorriu baixinho.

— Isso nunca vai acontecer. Há quantos anos anda de carro comigo? Quando é que eu tive um acidente?

— Sempre há uma primeira vez...

— Isso é verdade — concordou de maneira lacônica.

Apesar daquela conversa trivial, a atmosfera dentro do carro era estranha e a tensão só aumentava entre elas. Lena queria ter tempo para acostumar-se às mudanças pelas quais estava passando. Acostumar-se ao que estava crescendo dentro dela.

Os anos de controle emocional haviam terminado, tinha que reconhecer. Começava a sentir-se consciente de Kara e precisava admitir isso também. Mas não estava pronta para arriscar nada, ainda.

Havia o medo de sair de sua concha depressa demais, além do receio de cometer novamente um erro desastroso. Queria ir devagar, fazer tentativas, e não cair de cabeça em um caso com sua melhor amiga. Naquele momento, a morena temia agir de forma precipitada e perder o que mais importava em sua vida: a amizade verdadeira de Kara.


Notas Finais


Olha, gente, espero que vcs tenham paciência porque não será do dia para noite que o relacionamento romântico entre elas vai acontecer. Lena deu o primeiro passo para se libertar do trauma e ser capaz novamente de se envolver romanticamente e sexualmente com outra pessoa. Mas vamos dar um tempo para que ela se acostume com isso, sim?


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