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História Persistir ou Desistir? - Capítulo 9


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Notas do Autor


Sei que disse seriam apenas três capítulos focados na Leia mas estou com um bloqueio de criatividade intenso, por isso dividirei o capítulo em partes. Desculpem a demora e divirtam-se

Capítulo 9 - Naboo - Parte I


 Seus olhos amendoados varreram ociosamente a pista de pouso. Repararam na variedade de naves ali presentes, cada uma levando os traços de sua cultura. Ao fundo da vista, ela encontrou seu droid de protocolo refletindo as luzes neon da Coruscant noturna. Ele carregava suas malas. Visto que não queria arriscar um encontro com o ex no estado atual, o mandou buscá-las.

— Vossa Alteza, espero não ter demorado muito. Sei como a senhora está se sentindo nesse momento de término e… — C-3PO prolongou seu monólogo além do esperado, o que irritaria a jovem se ela não estivesse tão distante. — Alteza?

— …

— Princesa Leia?!

— Ãh? O que foi, Threepiou? — ela perguntou ao notar novamente sua presença exaustiva.

— Vossa Alteza, se me permite, recomendo que vá ao otorrinolaringologista para verificar seus órgãos auditivos. Acho que a senhorita não está ouvindo muito bem. Podemos cancelar essa viagem e garant…

— Não iremos cancelar nada! Eu irei a Naboo e essa discussão se encerra aqui — interrompeu ríspida, algo que era incomum para Leia, mas justificável pela situação pela qual estava passando. — Perdoe-me, Threepiou. É que… bem… — ela tentava esclarecer após registrar suas palavras frias.

— Não há para perdoar, princesa Leia. Eu sou um droid de protocolo e também um cyborg perito em relações humanas. Compreendo perfeitamente as circunstâncias com as quais a senhorita está tendo que lidar. Além disso, eu sou seu servo, estou aqui para ajudá-la em sua árdua jornada — as palavras do droid surpreenderam a jovem e a alegraram, também por elas Leia se recordou do porquê de aturar Threppiou. Ele era incrivelmente irritante, um fato inegável, e mais inegável ainda, era que o mesmo era um excelente "ombro amigo".

— Obrigada, Threepiou — agradeceu sorrindo.

Após mais alguns minutos, as áureas de Amylin e Pooja aproximaram-se da Senadora Organa e do droid dourado acompanhadas pela escolta pessoal de cada uma delas.

— Você está melhor? — Pooja perguntou à Organa quando chegou perto o suficiente, seu semblante ainda era carregado da mesma preocupação de antes.

— Estou sim — respondeu voltando-se para a prima. — Espero que possamos ter uma viagem tranquila — Pooja percebeu o que aquele comentário significava. Leia não quer se incomodada durante o trajeto — Constatou.

— Teremos — respondeu Amylin.

Após as devidas amenidades, seguiram para dentro da nave modelo nubiana prateada.

Pooja regressaria ao seu planeta por conta das comemorações nativas, no caso, o Festival da Luz. O feriado comemorava o dia em que Naboo aliou-se à República, e a mesma não poderia ser ignorada. Quanto à Amylin, visitaria o local somente porque desejava acompanhar Leia, pois havia tomado para si a missão de vigiá-la e garantir que a viagem obtivesse sucesso em fazê-la sentir-se melhor.

Mais tarde, Leia finalmente se via sozinha de novo, em sua própria cabine privada, deitada em uma cama. Era um ótimo poder estar em solidão – Threepiou havia providenciado um banho de óleo para si –, principalmente quando as circunstâncias a levavam a um total desânimo e uma total tristeza. O sentimento de traição ainda era vivo, afinal, seu rompimento com Solo se deu fazia apenas algumas horas. Não havia tido tempo suficiente para aquela ferida se cicatrizar, e ela precisaria de muito mais que algumas horas para isso.

Luke me traiu… Han me traiu — a frase reverberava em sua cabeça num eco atordoado. Estagnada em sua cama, ela só pensava naquilo de novo e de novo, repetidas vezes.

Uma lágrima errante escorregou de suas pálpebras, que naquele momento pareciam pesadas como chumbo, de modo que ela nem sentia vontade de abrir seus olhos marejados.

O pior é que não havia nada que pudesse distraí-la, o que havia fora arrancado dela. Sua única satisfação era o trabalho, ajudar o povo sofrido da galáxia. Todavia, Leia reconhecia sua necessidade de descanso, as muitas missões diplomáticas que ela realizou ao longo dos últimos anos resultaram nisso, uma verdadeira exaustão.

E daí surgiam dúvidas: como Padmé aguentou essa vida? Lidar com as Guerras Clônicas, que, pelo o que Leia assistiu em holo vídeos, consistiam em batalhas árduas que sempre deixavam ressentimentos entre as raças cujos planetas eram utilizados como palco. Ainda que dessa forma, Amidala arcava com a diplomacia e o senado como uma excelência atípica, geralmente se saindo muito bem em ambas as funções e garantindo brilhantes resultados para a Velha República.

Isso a consagrou como uma exímia líder, e era isso que impulsionava a menina a persistir, sua falecida mãe, uma guerreira de energia quase que inesgotável. Como ela, Leia queria ser, e para isso necessitaria estar renovada e não havia melhor lugar na galáxia que Naboo. Um bônus seria poder visitar avó, tia e prima, a muito tempo não as via, e estava ansiosa depois de tudo o que havia acontecido. Talvez, à vista disso, conseguisse criar verdadeiros vínculos com elas, já que o restante do que ela considerava família, havia desonestamente a traído.

Prestes a adormecer, acamada e novamente sem ânimo para vestir-se para dormir, um chiado por de trás da porta se fez presente. Calmamente, Leia abriu as pálpebras, notando com certa indiferença que agora não estavam tão pesadas quanto antes. Ela se levantou e ajeitou seu traje, olhou-se num espelho próximo e constatou sua perfeição. Após, liberou o acesso à sua cabine e permitiu que quem quer estivesse chamando do lado de fora entrasse. Em poucos segundos, Amilyn percorreu a entrada e se apresentou no quarto como um soldado faria diante de um oficial de patente mais elevada, em uma postura impecável.

— Amilyn — cumprimentou levemente surpresa.

— Princesa Leia.

Por um minuto, as duas somente se encararam, uma avaliando a outra. Holdo procurava sinais de melancolia na Organa, enquanto esta buscava uma resposta para responder o recente porquê de Amilyn estar no seu quarto àquela hora sem nem ter comunicado que viria.

— Então? — Leia perguntou, tentando abrir caminho para uma conversa formal.

— Eu vim ver como a estrela está — respondeu casualmente, como se esperasse uma reação diferente além de espanto da parte de Leia. Esta, por sua vez, prosseguia tentando achar uma resposta para a incógnita que era Holdo no momento, ou como ela sempre era.

— Perdão?

Antes de explicar, Amilyn olhou em volta como se buscasse as palavras certas. Em sua pequena observação, percebeu que Leia havia chorado nas fronhas dos travesseiros pois ali estavam as marcas, isso só aumentou sua vontade de atinar as palavras certas.

— Você é como a última estrela num céu mergulhado na penumbra da noite, irradia luz de esperança para aqueles que estão perdidos na escuridão — concluiu com um mínimo sorriso, não tendo em mente que o ato seguinte de Leia fosse ser tão emocional.

Organa deixou novas lágrimas escorrerem de seus olhos amendoados, a explicação de Amilyn era a realização de seu sonho. Sabia que Holdo raramente mentia, ainda mais para ela, então se ela falasse algo com tanta plenitude, era verdade, e se Leia era a Estrela que guiava os desnorteados na negritude, ela estava muito mais que feliz.

A jovem lançou-se em direção à amiga e a envolveu em um abraço aliviado, no qual ela pôde transmitir tudo o que estava sentindo. Amilyn o devolveu sem pestanejar, agradecida por suas palavras terem surtido efeito na Princesa. Era muito provável que, depois disso, Leia se tornasse um pouco mais comunicativa, mas Amilyn não cometeria o erro de forcá-la.

— Eu espero que isso não aumente seu ego inflado — Holdo comentou divertida, embora tivesse um pouco de verdade no dito.

Leia a soltou rindo levemente.

— Você não precisa se preocupar com meu ego — Organa respondeu limpando as lágrimas. — Obrigada, Amilyn.

— Não deve agradecer pela verdade, Leia. Ela apenas deve ser dita, sem recompensas pelo feito — levou as mãos ao rosto de Leia e com os polegares secou o rastro do pranto da mesma.

— Ainda assim, obrigada. É bom saber que tenho você ao meu lado. É bom saber que ainda existem pessoas que se importam com o que eu sinto… — a amargura em seu tom era palpável, e também era a confirmação de sua lógica, Leia estava disposta a lhe dizer o que de fato havia acontecido, mas no devido tempo.

— Quer que eu me retire? Sei que estava prestes a dormir quando invadi o quarto.

— Seria muito cortês da sua parte, obrigada — a jovem respondeu um pouco triste por ter que vê-la sair; a presença de Amilyn fora muito acalentadora e ela sentia que necessitava de mais dela, porém se sentia na obrigação de descansar também.

— Tenha bons sonhos, Princesa.

— Não deveria me chamar assim…

— Te conheci como princesa, então será princesa para sempre! — interrompeu um tanto arrogante. Organa somente revirou os olhos sabendo que não deveria entrar em uma discussão com Holdo.

Esta, após a troca de sorrisos, se despediu com um beijo plantando no topo da cabeça de Leia, lembrando a jovem da "pequena" diferença de altura entre as duas.

— Você também, encrenqueira. Boa noite.

Abraçou a jovem de cabelos coloridos uma última vez e permitiu que esta se fosse. Fechou a porta e notou, com certa alegria, que aquele pequeno diálogo realmente tinha lhe feito bem, mas só porque era Amilyn.

Ela não era Mon Monthma, a quem Leia encarava maternalmente, mas não deixava de ser sua superior; ela não era Pooja, com que ela possuía laços sanguíneos, mas não deixava de encarar uma garota desconhecida, afinal quase não se viam; por fim, ela não Han e nem Luke, indivíduos com os quais ela compartilhou risadas e lágrimas, seres que ela considerava como insubstituíveis e que inescrupulosmente a haviam traído. Não, Amilyn estava lá para ela e por ela; era a única a quem poderia confidenciar seus reais sentimentos sem ser obrigada. Então, que fosse ela a lhe proporcionar conforto.

Após tantas reflexões, a menina deitou novamente depois de despir-se de todos os ornamentos utilizados e se permitiu finalmente adormecer. Desta vez, sem interrupções. 


Notas Finais


Podemos dizer que essa atualização foi uma homenagem a pessoa que vive me cobrando, eu não vou dizer quem mas quando ela ler vai saber kkkkkkk

Enfim, espero quem tenham gostado. Leia ainda terá uma grande jornada a percorrer para quem sabe perdoar nosso casal favorito...

Beijos travessos e trevosos 😘😘


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