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História Personificação do amor - Capítulo 2


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Capítulo 2 - Capítulo 2


Fanfic / Fanfiction Personificação do amor - Capítulo 2 - Capítulo 2

 

-Isso é horrível- o Daniel sorria mostrando o sanduíche que ele havia acabado de comprar- parece uma mistura de todos os ingredientes vencidos que eles conseguiram achar na geladeira. Ainda estou tentando entender como a vigilância sanitária permite que esse restaurante exista.

-Só não é pior do que o suco de maracujá da cantina

-Nada pode ser pior do que aquilo

Minhas mãos estavam inquietas e minhas pernas pareciam ter ganhado vida própria de maneira que eu as batia com tanta força no chão que era capaz de eu abrir um buraco ali mesmo

-Jú, eu sei que você não quer conversar sobre isso, mas eu quero que você saiba que se você precisar de mim para qualquer coisa eu vou estar bem aqui. Você não precisa enfrentar isso sozinha!

Ele entrelaçou nossas mãos por baixo da mesa

-Podemos comprar um pote de sorvete de morango para comermos enquanto assistimos “de volta para o futuro”. Vai falar que você vai resistir a essa brilhante ideia? Alguém me contou que esse é seu filme favorito desde sempre.

É claro que ele sabia a respeito do meu fanatismo por esse filme. Não é como se ele não me conhecesse desde que éramos dois bebês trocando as primeiras palavras na tentativa de nos comunicarmos. Chega a ser difícil sabermos o momento exato que nos tornamos melhores amigos.

-Eu aceito a parte do filme, mas a parte do sorvete eu vou passar

-por que? O que você tem contra ele?

-Não quero ser que nem essas pessoas que ao invés de descobrir como resolver um problema, preferem ficar chorando assistindo filmes de drama enquanto comem potes de sorvete como se não houvesse o amanhã.

-Jú, chorar não é sinônimo de fraqueza

-Eu só quero estar com a minha vó! O médico disse que a doença está avançada. Ela tem o que? 3 anos? 4 anos? Como a gente deixou passar tanto tempo? Como eu não fui a fundo ao perceber que algumas peças não se encaixavam? Talvez se eu tivesse percebido... se eu tivesse investigado ela teria mais tempo aqui com a gente

-Não é sua culpa! Não importa o que você diga para tentar se convencer de que a culpa tem que cair sobre alguém. Jú, essa culpa nem ao menos existe e muito menos tem que cair sobre você

Ele estava certo. Mas dentro de mim ainda havia um ritmo doloroso no meu peito tentando achar um culpado para aquela situação.

-Vem, jujuba- ele se levantou depois de lançar um olhar para seu sanduíche intacto em cima da mesa- vamos para casa

Dentro do carro, o clima pesado pareceu se dissipar pouco a pouco a medida que as musicas de Mamma mia nos acompanhavam no percurso. Não havia nada que essa trilha sonora não pudesse curar. Nem mesmo um coração partido. Nem mesmo um coração dolorido. E nem mesmo um coração sem esperança.

-Minha menina- meu avô me abraçou depositando um beijo cheio de significado em minha testa- sua vó acabou de perguntar sobre você

-Onde ela está? - Perguntei apressada

Ele apontou em direção a sala antes de abraçar o Daniel. 

-Estou preocupado com a Júlia - o ouvi dizendo antes de me afastar até onde a minha vó estava.

Seu olhar estava concentrado em uma palavra cruzada. Dava para notar o quanto estava sendo difícil para ela encontrar as palavras certas quando sua memória parecia não fornecer as informações necessárias. Dava para perceber a frustação em seu olhar ao mesmo tempo que era possível notar seu olhar vazio. Dava para perceber, principalmente, que ela não estava por completo com a gente. Não por escolha, mas porque o Alzheimer havia ocupado parte dela.

A observei alguns minutos antes que ela tivesse consciência de que eu estava na sala. O cabelo que começava a ficar grisalho na raiz reluzia luz; suas mãos alisavam o papel em sua mão e seu olhar intercalava entre a resposta na última pagina e a palavra cruzada. Era possível perceber que na maioria das vezes ela copiava a resposta ao ver que não conseguiria achar a palavra em seu repertório.

-Oi vó

Escutei minha voz ecoar pela sala e seu olhar se encontrou com o meu. Sempre que ela me olhava eu conseguia notar o amor transbordando de dentro dela e, por isso, desde pequena eu e a Bruna dizíamos que a dona Paula era a personificação do amor

 -Minha estrelinha- meu coração se aqueceu com o apelido – quer me ajudar aqui? Estava pensando em terminar esse antes de arrumar minha mala para voltarmos para casa. Você já arrumou a sua?

Fazia alguns meses que ela dizia que queria voltar para casa, embora em todo esse empo já estivéssemos em nossa própria casa. Da primeira vez eu fiquei perdida, sem saber o que eu deveria fazer. Sentia que a sala toda rodava enquanto as câmeras me filmavam e as pessoas se preparavam para gritar “te peguei”. Não era possível que minha própria vó estivesse armando uma pegadinha, certo?

 -Eu estava falando com o vovô e estamos achando melhor voltarmos para casa amanhã, o que você acha?

-Será que o dono dessa casa não vai brigar por ficarmos mais um dia?

-Já falei com ele- pisquei em sua direção me acomodando no sofá ao seu lado

O Daniel apareceu na sala lançando um sorriso em nossa direção. Uma de suas mãos estava ocupada com o melhor DVD existente no mundo.

 -Olha se não é meu garotinho! Você está tão bonito

 -Se a senhora está achando isso é porque ainda não se olhou no espelho- Minha vó deu leves tapinhas no sofá para que ele se sentasse- agora eu sei de onde vem toda a beleza da Jujuba

 Meu rosto queimou com o elogio. A dona Paula era realmente uma mulher bonita com seus 63 anos. Seu cabelo castanho avermelhado e seus olhos amendoados eram seus traços marcantes. Ser comparada com sua beleza era algo que me enchia de orgulho.

 -Minha neta é realmente linda

-Ela é... muito

Se eu estava confusa com o ritmo que minha vida estava tomando, agora eu estava ainda mais com os elogios do Daniel.

-Bem, crianças, já vou preparar a minha mala. Não gosto de deixar tudo para a última hora. Como diz seu avô, nunca deixe para amanhã o que você pode fazer hoje.

Com um beijo na testa eu permiti que ela fosse. Todos os dias a essa hora ela arrumava uma enorme mala verde com todo o guarda roupa dentro. Sua escova de dente. Sua pasta. Suas fotos. Tudo isso era empacotado por algumas horas até que eu, ou a minha irmã ou o meu vô desfizéssemos a mala para que ela pudesse ser preenchida novamente no dia seguinte

No começo tentávamos mostrar para ela que aquela era a sua casa. Que aquele espaço que seus olhos viam era a mesma casa que foi passada de geração em geração. Que aquele ambiente era o mesmo que eu e minha irmã corríamos sem parar até que recebêssemos uma bronca por estarmos correndo na escada- Claro que eu não ouvi minha vó e acabei ficando com a minha perna engessada por alguns meses- Entretanto, toda vez que apontávamos os objetos, suas coisas, e tentávamos convence-la de aquela casa pertencia a ela, minha vó perdia a cabeça. A agressividade, que nunca havia estado presente nela, tomava conta de cada parte de seu ser. Era quase como ela se transformasse em outra pessoa de uma hora para a outra. Além disso, ela sofria com seu conflito interno. Não é fácil ter tanta certeza de uma coisa enquanto outras pessoas tentam te provar o contrário

-Preparada para essa divindade?

 Me forcei a pensar em outra coisa e apoiei minha cabeça no ombro do Daniel. Seu cheiro de hortelã me invadiu por completo e aos poucos meus músculos relaxaram e minha respiração parecia mais continua.

-Nunca estive mais preparada

Sorri e ele me puxou para mais perto. Suas mãos entrelaçaram no meu cabelo e descerem para meu rosto onde pararam por alguns segundos.

-Você está fazendo um bom trabalho com sua vó, jujuba


Notas Finais


Até o próximo capítulo
beijinhos S2


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