História Pesadelo - Capítulo 1


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Categorias Saint Seiya
Personagens Camus de Aquário, Miro de Escorpião
Tags Amigo, Camus, Dor, Milo, Morte, Perda, Pesadelo, Premonição, Previsão, Sonho, Tristeza
Visualizações 37
Palavras 985
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 12 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Violência
Avisos: Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Essa fic é uma criação inesperada.

Capítulo 1 - Pesadelo


Lembrava com alguma dor daquela noite, sempre teve medo dela, um medo inexplicável e irracional. Não tinha porque ter medo, não era realidade, era apenas uma lembrança triste.

Mas agora que a lembrança se tornava real, tudo o que conseguia fazer era lembrar e se curvar mais, tamanha era sua dor.

— Camus…

O amigo sempre teve um sono muito leve, ele acordava com um alfinete caindo no chão de carpete e depois demorava horas para dormir novamente. Em caso de ouvir o próprio nome ser chamado ele não dormia mais e, com razão, estava sempre em alerta.

— Milo… - grunhiu com o cérebro ainda despertando. - Me chamou?...

— Camus...

Se sentou na cama velha de alojamento, estava completamente dopado de sono, coçava os olhos e bocejava de forma um tanto sonora. Precisou estreitar os olhos para enxergar ao menos a própria mão no escuro, se levantou e foi para cama vizinha, cujo dono não parava de se remexer. Chamava o nome do outro e sofria com alguns espasmos, a priore se constrangeu pensando ser um sonho de teor estranho, mas o soluço alheio abafou essa suspeita na mesma hora.

— Camus… - o soluço ficou mais alto. - Não morra… Não…

Não sobrou mais dúvidas, o francês se inclinou sobre o outro e começou a lhe chacoalhar da forma menos gentil possível. Tinha que acordar o amigo daquele sonho antes que todo o alojamento acordasse pra saber o que estava acontecendo, não precisavam de gente curiosa atrapalhando.

— Hey… Milo. - até tirar as cobertas e travesseiro tirou. - Milo. Acorda. Vamos, acorda. Milo!

O grego acordou sobressaltado, meio reacionário ao que estava acontecendo no sonho. Ele tinha lágrimas escorrendo pelo rosto e tinha se acostumado com o escuro mais rápido que o amigo.

— Camus? - chamou segurando um soluço.

Seja lá qual fosse o conteúdo do sonho, as lágrimas já diziam tudo por si mesmas. A vida que tinham era, no mínimo, arriscada, laços eram um perigo à parte de suas vidas, há qualquer momento você podia perder uma pessoa amada por várias razões. Aquela amizade que tinham, dependendo do que o futuro lhes guardava, deixaria machucados profundos.

Mas o francês decidiu ignorar, o futuro era mistério e o passado história, o importante era o presente. Ele pousou a mão no braço do amigo e tentou lhe sorrir animador.

— Estou aqui, Milo. - sorriu bem de leve. - Foi só um pesa-... - o outro tinha sentado num rompante e o abraçou com toda força que tinha. - …-delo…

O amigo o apertava cada vez mais no abraço e soluçava em seu ombro como se ainda fosse um garotinho, ele parecia ter medo que o amigo se desfizesse há qualquer momento. Ele tremia muito e suas lágrimas já estavam começando a molhar a pele por debaixo das roupas de dormir do outro.

O francês então deu um sorriso solidário e o abraçou de volta, passando a mão por toda a extensão das costas do outro, estava consolando o amigo como faria com uma criança. Ele precisava daquela segurança, daquele abraço e daquela calma, precisava de um amigo para fazê-lo acordar daquele terrível pesadelo.

— Eu tô aqui… - dizia da forma mais calma e gentil possível. - Foi só um pesadelo… Está tudo bem… Eu tô aqui…

Ouviram um remexer incomodado nas outras camas do pequeno quarto, os soluços estavam começando a incomodar.

— Hm… Camus?... - um dos amigos tinha acordado e derrubado algo. - Tá tudo bem?

— O que tá acontecendo?!... - outro tinha acordado com o barulho do objeto que caiu, tossindo um pouco pelo susto. - Mu?!... O que aconteceu? Camus?!...

— O Milo teve um pesadelo, Aiolia. - respondeu o francês com um sorriso envergonhado. - Estou aqui, Milo… Você só precisa acordar… Estou aqui…

Lembrava que os amigos se mobilizaram para tentar lhe acalmar, fizeram de tudo para que ele se distraísse e esquecesse daquele sonho desagradável. Com o tempo ele voltou a dormir e todos também voltaram.

Os anos passaram e muitas coisas mudaram, eles tomaram os próprios caminhos e mudaram, mas outras coisas permaneceram iguais. A amizade mesmo parecia algo que jamais se perderia, conforme foram voltando a alegria entre os amigos que ficaram só crescia.

Até o dia que ela estagnou, os medos do pesadelo quase esquecido voltaram. Em verdade, eles nunca foram embora, apenas estavam escondidos, esperando o momento certo de voltar.

E quando voltaram, voltaram trazendo o horror da realidade.

— Camus…

O pesadelo se tornava realidade, o sangue só aumentava conforme subia as escadas. As Casas vazias, seus ocupantes e defensores não passavam de estátuas sem vida, jogados e quebrados no chão. Poucos autômatos dourados restaram vivos, porém rachados e muito feridos.

— Camus… Não morra… Não…

A grandiosa Aquário estava mais gélida que o costume, seu chão estava coberto por uma fina camada de gelo. Suas pegadas viraram rastros no chão, rastros mais antigos evidenciaram a passagem dos inocentes algozes. O homem caído perto do contorno dum corpo menor e vários rastros o fez cair no chão, tendo as mão como único apoio restante.

Se arrastou aos urros e prantos o restante do caminho, puxando o corpo gélido para seus braços e o deitando em seu peito, o abraçando com a mesma força de anos atrás.

— Camus…

A pele estava branca como gesso e muito fria, onde tocava a película de gelo derretia e formava pequenas gotas. Os lábios arroxeados estavam entreabertos, os olhos castanhos esbranquiçados, como se um véu tivesse os coberto. Os músculos duros, travados, fazendo barulhos de estalo iguais ao gelo quando eram movidos. Os cílios  e cabelo cristalizados com pequenos flocos brancos, a única coisa quente eram as unhas pintadas de vermelho e o cabelo escarlate que não estava coberto de branco.

Se curvou sobre o corpo, chorando com a testa encostada no peito dourado. Gelado, mais gelado do que devia ser, quebrado, morto, a única diferença entre o pesadelo e a realidade era a cor da armadura.

— Eu quero acordar agora, Camus… Eu quero acordar…

A armadura em seu pesadelo era negra.


Notas Finais


Eu tinha planos para uma outra one-shot, porém, a ideia ficou tão complexa que ela estava virando uma long-fic. Então eu deixei essa fic de lado, só que eu ainda tava no espírito de fazer algo dramático, então lembrei do quão difícil deve ter sido pro Milo lutar contra o Camus e vice-versa na Saga de Hades. E eu poderia ter escrito sobre isso (talvez escreva se bater inspiração), mas decidi voltar mais para trás, para o tempo em que a Saga das Doze Casas tinha acabado de acabar.
A gente sabe o que aconteceu tempos depois na Saga de Poseidon, sabemos que os mortos foram enterrados, mas ninguém sabe como foi encontrar os corpos. É um tema mórbido, eu sei, mas minha intenção não era tratar da morbidade, era tratar dos sentimentos.
E eu quis explorar os sentimentos do Milo com a pergunta: "E se, de alguma forma, ele soubesse que os companheiros iriam morrer?".
Acho que fui um pouco cruel, mas eu gosto de explorar esses lados.

Bem, espero que tenham gostado =)


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