História Pesadelo em Kwalliso - Capítulo 6


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Categorias EXO
Personagens Baekhyun, Chanyeol, Chen, D.O, Kai, Personagens Originais, Sehun, Xiumin
Tags Angst, Aviso De Gatilho, Aviso Tw, Baekbiassed, Baekhyun, Baekyeol, Chanbaek, Chanyeol, Coreia Do Norte, Coréia Do Sul, Crítica Social, Drama, Guerra, Kwalliso, Lgbt, Memórias, Pesadelo, Pesadelo Em Kwalliso, Universo Alternativo, War
Visualizações 75
Palavras 3.469
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Bishounen, Drama (Tragédia), Ficção, Lemon, Romance e Novela, Shonen-Ai, Shoujo (Romântico), Universo Alternativo, Violência, Yaoi (Gay)
Avisos: Adultério, Bissexualidade, Estupro, Homossexualidade, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Olá pessoas. Novo capítulo.
Tudo bem com vocês?
Olha, pra justificar o que falei sobre Richard Wagner, deixarei um link do vídeo do Nerdologia no final.
E para a música do capítulo, indico: Beethoven | Piano Sonata No. 8 in C minor "Pathétique" | Daniel Barenboim
O Link está no final. Nem gosto de Beethoven, né? Magina. kk
Não falei dele no capítulo quatro, mas ele é o compositor precursor do movimento chamado Romantismo, na música. Ele foi um dos maiores, se não o maior, responsável por essa mudança de uma "era musical" para outra. Pensem nas eras do K-pop, um grupo fazia tal estilo, foi mudando, sendo mais livre pra decidir e mudar ainda mais e acabou inovando a indústria do pop coreano. É basicamente o que ele fez na música clássica. Espero que gostem da escolha, acredito que combina com o capítulo e espero que entendam os momentos de tensão e "delicadeza" que o capítulo e a música combinam entre si ~nunca vou indicar uma música que não combine.
Enfim, espero que gostem desse capítulo, tem muita coisa pra acontecer a fic.

Boa leitura.

Capítulo 6 - Seis


Pesadelo em Kwalliso

 

Seis

 

Coréia Unificada, Incheon

Dezembro de 2032

 

Kyungsoo foi levado à solitária para se acalmar e não agitar os demais prisioneiros. Observei os cadetes o levarem ao local ordenado, um deles sendo Jongin, que parecia abalado por alguma coisa.

Recebi a informação da baixa de um soldado de seu destacamento, poderia ser o motivo para aquele comportamento desatento que demonstrava, ao menos era o que eu pensava.

Como ele fora recrutado dentre os sul coreanos capturados e treinado para integrar nosso exército, era claro que estar do outro lado o afetaria e perder companheiros, que anteriormente eram inimigos e passaram a ser aliados, que davam a vida pela conquista, também contribuiria para a instabilidade emocional.

Toda e qualquer pessoa que lutava por uma causa, mesmo que de forma pacífica, poderia ver os seus amigos serem massacrados; quiçá por uma ideologia, por uma violência infundada ao defenderem uma causa com a qual o agressor não concorda ou então pela lei de ação e reação, como nas batalhas armadas. Eu pensava que já havia sofrido todos esses tipos de perdas.

A minha mãe era uma mulher maravilhosa, comigo apenas. Fazia vista grossa para algumas coisas dentro de nossa casa, como os assédios do meu pai para com as empregadas e o incentivo dele dirigido a mim, para que eu fizesse o mesmo. Eu me recusava, alegando necessitar gastar horas estudando para conseguir boas notas e, consequentemente, um bom cargo no futuro, coisa que, de fato, aconteceu.

Resumidamente, eu perdi minha mãe para a cultura familiar do meu próprio país, para as regras da moral e dos bons costumes que todas as mulheres eram obrigadas a seguir - e homens também, embora fosse algo que muitos ignoravam quando não havia ninguém para julgar e vigiar seus atos; além disso, homens não eram punidos, dependendo do que faziam..

A vi brigar e apanhar do meu pai diversas vezes e quando as coisas começavam a piorar, a babá sempre me encontrava e me levava para longe do cômodo onde eles discutiam. Então, com o tempo, ela passou a não discutir mais, desistir de se impor e obedecer, como boa submissa.

Pela lei de ação e reação, perdi um de meus melhores amigos, Wu Yifan, soldado brilhante, em batalha enquanto invadíamos a Coréia do Sul.

Sob fogo cruzado, ele tentava dar cobertura por ser um dos melhores atiradores do batalhão no qual eu atuava. Estávamos avançando em direção à Incheon, quando caímos numa emboscada e alguns ficaram para trás; por estarem feridos serviriam de distração, garantindo a continuidade da conquista.

Ouvi um grito próximo a mim e paralisei por saber que pertencia a ele. Me virei para verificar e o socorrer porque eu jamais o deixaria. Foi naquele momento levei o tiro de raspão no ombro, havia partido de um soldado inimigo, que fora abatido por Yifan logo em seguida. Mesmo caído, ele ainda era formidável, ainda conseguia mirar, mesmo numa posição desfavorável como aquela, atingido na perna.

- Você precisa ir! - Ele exigiu quando me abaixei ao lado dele, em meio à relva alta, analisando o ferimento que não parava de sangrar.

Havia estilhaços ao redor, o que apenas piorava a situação de seu membro inferior.

- Não podemos deixar vocês. - Respondi, vendo soldados caídos ainda atirando como podiam, usando a própria vegetação para se esconderem.

- Cadete Park!! - Berrou o comandante.

- Anda, vai, está menos ferido que eu… Sabe que sou um peso morto pro destacamento. Vai embora, porra! - Insistiu Yifan, me empurrando.

Seu ato me fez cair de lado e o olhei sentindo meu coração pesar e doer. Ele sabia que iria morrer.

Com mais um empurrão e xingamentos por parte de Yifan, fui agachado, o mais rápido possível para perto dos companheiros ainda sãos e salvos; nos protegemos atrás de um extenso tronco de árvore caído, apenas procurando uma maneira de afastar os inimigos.

O comandante pediu reforço para a outra parte da tropa nos cobrir enquanto deveríamos escapar do tiroteio. Basicamente bateríamos em retirada para não haver mais baixas e eu, sinceramente, esperava que pudéssemos resgatar os feridos, mas não adiantaria de nada a minha pequena esperança.

Quando olhei para trás, contrariando as ordens de meu comandante, senti meu peito apertar ao ver meu melhor amigo ser atacado, alvejado à queima roupa. Eu não me lembro da última vez que chorei além dessa.

No mesmo instante em que minhas emoções transbordavam por meus olhos, ele estava olhando para mim e fui puxado por um colega do destacamento, o que evitou que eu levasse outro tiro, dessa vez, em cheio e não haveria mais Yifan para me salvar.

Foi, até aquele momento, a morte mais dolorosa para mim. Ainda mais pelo fato de ter de entregar seus pertences do acampamento à sua mãe quando retornei à Pyongyang para a despedida daquele que era meu melhor amigo e irmão de farda, um companheiro sem precedentes em minha vida.

Eu sinceramente entendia, em parte, como Jongin se sentia, por também haver perdido pessoas queridas na guerra e até cheguei a amaldiçoar aquele jogo político que brincava com tantas almas - em pensamentos, para não ser punido por isso.

A maior diferença entre cadete Kim e eu era que ele fizemos o caminho inverso um do outro; ele, antes, era um oprimido e se tornou um opressor. Ele já sabia o que era e porque estava ali e que a chegada de certo prisioneiro era o começo de seu fim. Eu apenas achava que sabia qual era o meu lugar naquilo tudo.

Não se conhecia muito de seu passado, até aquele momento, apenas sabia que viera de uma família de comerciantes que fugiu graças ao altruísmo do filho em ficar para retardar as tropas. Fora capturado junto a um grupo de nove pessoas, dentre as quais cinco foram mortas ao tentarem escapar do campo de trabalho, aquele mesmo ao qual ele havia acabado de entregar um grupo de quinze novos prisioneiros.

Ali ele foi treinado, instruído e estava a nosso serviço. Kim Jongin era uma prova de que era possível doutrinar uma pessoa a lutar pelas causas que acreditamos, ao menos era o que pensávamos.

Baekhyun, de onde estava, aparentemente tentava observar o que acontecia. Por seu olhar que se arregalou, creio que ele conhecia o prisioneiro que fora levado à solitária. Recebeu uma coronhada no braço para que continuasse com seu serviço e, apesar de aquele ato do cadete me incomodar, o que mais me afetava eram suas expressões pelo ocorrido; o que me deixava menos preocupado era que, ao menos, ele parecia estar mais saudável.

Apesar da magreza por comer apenas a ração que fornecíamos aos prisioneiros, a palidez havia deixado sua face para dar lugar a uma pele mais corada, apesar dos fracos raios de sol. Constatar que sua saúde havia melhorado me fez sentir mais leve. Eu não saberia dizer, mas acredito que fosse culpa aquilo que pesava em meu coração, mas ela pareceu diminuir por eu ter, indiretamente, lhe fornecido roupas mais quentes.

Eu havia feito um bem a ele, mesmo sem entender ou estar seguro da razão dos meus atos.

 

��

 

O prazo havia sido finalizado e consegui alguns nomes para integrarem nossos serviços de decodificação.

E ao final da triagem, estava com apenas duas pastas sobre minha mesa. Subtenente Kim me encarava, entre incrédulo e raivoso pois, além de uma mulher, Kim Taeyeon, que abriria para nós uma mensagem que apreendemos criptografada, um dos escolhidos para a função de decodificação e tradução da mensagem era Byun Baekhyun, o sociólogo ativista LGBT que havia me enfrentado assim que chegou à kwalliso.

- Só pode estar louco! Não é possível que queira colocar o garoto que te enfrentou à frente disso. - Rermungava o Subtenente. - Uma mulher que entende de computação já não é algo transgressor o suficiente pra você?

Ele estava de pé à frente da minha mesa, enquanto eu fazia o possível para me manter calmo ao preencher as fichas dos dois prisioneiros que fariam serviços de tamanha importância para nós.

Não havia o que fazer. Eles eram os únicos capacitados que tínhamos à mão na nossa ala. Taeyeon já tinha passagens pela polícia por invadir um arquivo da inteligência coreana mais de uma vez, poderia facilmente descriptografar a mensagem e com Baekhyun como tradutor, o trabalho seria feito em pouco tempo - além dos outros selecionados em outra ala, que fariam o mesmo serviço com outras interceptações -, sem termos que exigir que tragam alguém de Pyongyang para fazer tal coisa e também sem corrermos o risco de enviar a mensagem e ela ser recuperada pelas tropas inimigas.

- Tem ideia melhor? Tem como trazer outros soldados especialistas ou entregar as informações em segurança na capital? Não, não tem. Estou certo? - Pausei a fala o fitando sério. - Foi o que pensei. - Respondi, o contrariando perceptivelmente e fechando a pasta de Baekhyun com brusquidão. - Entregarei as fichas de ambos. Vem comigo? - Perguntei me levantando, o esperando perto da porta com a sobrancelha erguida.

Sargento Lee voltava com cópias das funções que seriam delegadas aos prisioneiros. Seriam entregues junto às pastas com dados de cada um e as fichas para serem protocoladas pelo Capitão Oh.

Agradeci e fui na frente, sendo seguido pelo “fiel escudeiro” Sargento Lee e pelo Subtenente Kim, que estava com as feições mais mal humoradas que havia visto até então.

Se pudesse, faria Sargento Lee subir de cargo, substituindo a promoção de Kim. Deixaria o Sub no mesmo cargo ou o rebaixaria para ser sargento novamente; estava detestando tê-lo tão próximo de mim. Era como se ele apenas estivesse esperando um deslize meu para me derrubar e substituir e sei que falo muito isso, no entanto tem uma razão: a tal sensação estava a cada dia mais forte, junto à meu incômodo e raiva crescentes por ele e sua postura.

Talvez eu tivesse pego implicância por saber que ele queria subir de cargo? Por saber que queria, um dia, estar onde estou? Sim, mas eu aprendi a confiar na minha desconfiança.

Andamos pelo corredor sendo cumprimentados pelos nossos subordinados e cumprimentando nossos superiores, como de costume e como mandava o protocolo. Ao chegar à sala do Capitão Oh Sehun, bati na porta e esperei a ordem para entrar.

Antes que eu pudesse tocar a maçaneta, ouvi a porta da sala ser destrancada e estranhei ao ver uma prisioneira sair de lá.

Cabeça baixa e passos rápidos para a escadaria do prédio. Pelo jeito e por não haver sequer um cabo a escoltando, imaginei que suas andanças à sala do meu superior fossem frequentes e, possivelmente, ordenadas por ele.

Entramos e o encontramos ao telefone, aparentemente, recebendo informações.

Desligou praticamente batendo o aparelho e suspirou antes de nos encarar.

- Encontraram o que pedi?

- Sim. Aqui estão  dois prisioneiros da minha ala que são capazes decodificar e traduzir a mensagem.

Coloquei a pasta com os documentos e fichas sobre sua mesa, ainda de pé à frente do móvel. O observei abrir e analisar os dados ali contidos, esperando por uma explosão de sua parte como havia feito o Subtenente Kim.

- Registro 2909, Byun Baekhyun… ? Aquele que te desafiou?

- Ele mesmo. Mas apenas ele e Kim Taeyeon são capazes disso, ela era da equipe de inteligência da segurança nacional, contratada depois de provar a capacidade invadindo sistemas.

- E como conseguimos capturá-la? - Perguntou ele sem tirar os olhos das folhas.

- No sexto cerco à Seul, mas ela não tinha utilidade… Até agora.

Ele suspirou. Desviou o olhar das pastas para nós com expressão de desagrado.

- Se não há mais ninguém capaz no momento, recrutem a ambos porque temos pressa. A ligação que recebi pedia resultados urgentemente a respeito da mensagem. Mas, veja bem... fiquem atentos com eles. Sendo da ala de homossexuais, não quero que se repita aquele incidente.

Capitão Oh assinou o que era necessário e carimbou em seguida, entregando tudo de volta a mim. Parecia satisfeito.

- Mas, senhor, ele?! - Exclamou indignado, finalmente explodindo e expondo o que pensava. - Isso vai gerar nos prisioneiros a impressão de importância… Na verdade, isso pode acabar gerando até uma rebelião…

- Cale a boca! - Capitão Oh interrompeu o subtenente. Bateu na mesa quando se pôs de pé. - Não desacate seus superiores ou passará uma semana na solitária! Por acaso está com medo desses ratos tentarem nos atacar? O que eles podem contra nós? Estão fracos e desarmados… Covarde! Se é necessário recrutar prisioneiros para o trabalho enquanto a capital não se preocupa com nossos recursos e não envia reforço, sim! Recrutaremos prisioneiros! - Deu uma pausa e suspirou, desviando os olhos de nós e voltando a nos encarar em seguida. - Os tragam para começarmos logo o trabalho. Agora saiam daqui, especialmente você, subtenente - apontou ao Kim -, antes que eu lhe tire sua patente por esquecer seu lugar.

Apreciei aquele momento e fui o primeiro a bater continência e sair da sala, seguido por Sargento Lee e só depois, o subtenente conseguiu sair de seu lugar com passos tortos pela repreensão. Minha vontade foi rir da expressão que fazia. Depois daquilo, eu acreditava que ele não tentasse provocar a Sehun ou a mim, nunca mais. Restava esperar para saber.

 

Ao sair do prédio, ainda com os documentos em mãos, fui até a parte da oficina onde estava a prisioneira. Dei ao oficial da costura o número de registro de Taeyeon, 2053, e em seguida ele a trouxe para nós e pedi que ele nos escoltasse junto a ela até onde Baekhyun estava.

Quando o avistei, ainda de longe, notei cansaço; talvez a atividade nova durante sua prisão o fizesse bem, o tirasse daquele trabalho árduo que era montar, desmontar, limpar ou forjar peças e munições, sob aquele frio que piorava a cada dia.

Por algum motivo, que ainda não conhecia, eu havia ficado preocupado consigo e admirado com seu currículo. Ele havia feito pouca coisa tendo apenas vinte e cinco anos, tanto quanto eu aos meus vinte e oito, completados recentemente, no final de novembro. Ele era mais do que um prisioneiro e um rosto com belos traços entre os demais, era mais do que um homossexual registrado no cruel sistema do kwalliso.

Eu estava começando a me questionar sobre isso, questionar o que cada um ali havia sido antes de se tornar apenas um número. Questionei-me o que ele fora realmente porque eu sabia apenas o superficial, o que estava num papel e foi quando notei meu próprio interesse em conhecer um alguém com quem eu deveria manter uma relação hierárquica baseada no medo.

Por esse motivo, eu mesmo temi, senti minhas mãos tremendo e meu coração acelerando e fazendo meu corpo aquecer-se abaixo do uniforme de grossos tecidos, talvez por vergonha dessa minha vontade; a respiração ligeiramente mais rápida contra minhas costelas. Eu tive medo do que estava pensando e do que sentia. Sabia que deveria manter o máximo de controle comigo mesmo.

Subtenente Kim Minseok era uma ameaça e ele poderia muito bem me reportar e fazer-me perder tudo que havia conquistado, mesmo que fosse às custas de sangue inocente e honrado.

Me perguntei o que Kris faria se eu pudesse contar-lhe o que estava acontecendo.

Me aproximei do prisioneiro 2909 e os cabos próximos batiam continência conforme passávamos por eles.

Parei exatamente em frente à Baekhyun e quando percebeu o coturno de um oficial à frente de onde ele estava sentado, ergueu as costas lentamente, os olhos percorrendo toda a extensão do meu corpo até chegar a meu rosto. Por sua expressão, ele parecia sentir algo misto de confusão, alívio e ainda assim um certo temor.

- Precisa de alguma coisa, senhor? - A cabo que estava ali ao lado dele perguntou após bater continência.

- Só acompanhe o prisioneiro dois nove zero nove até o prédio central conosco.

Ela aquiesceu e o fez levantar e largar as peças. Ela parecia ter mais cuidado e retidão do que os demais cabos que apertavam os prisioneiros ou os empurravam por nada, talvez porque, como aprendíamos, deveríamos guardar força e energia para quando fosse realmente necessário; na hora de escoltar prisioneiros, só seria necessário o uso de força bruta apenas se eles resistissem, coisa que, quem estava lá havia mais tempo, não fazia mais.

 

Ao chegarmos aos prédio, ordenei ao sargento e ao subtenente que providenciassem tudo que fosse necessário para que os prisioneiros efetuassem seus trabalhos e Sargento Lee garantiu que já havia uma sala equipada com computadores da mais alta qualidade, conseguidos no último cerco à Seul. Seria ali onde Kim Taeyeon deveria nos fornecer as decodificações das mensagens.

Ambos foram colocados sentados e estavam com os ombros sendo segurados pelos cabos que nos acompanharam.

- Vou explicar o que devem fazer - comecei, parando à frente deles -: a prisioneira dois zero cinco três decodificará as mensagens que interceptamos e o prisioneiro dois nove zero nove irá traduzi-las para nós. - Disse, olhado de um para outro. - Não há internet instalada nesta área do prédio, portanto, não há como enviar mensagens ou vazar qualquer coisa que descubram ou ouçam aqui dentro.

- O que te faz pensar que eu faria isso, que eu trairia meu país? - Perguntou Taeyeon, ríspida.

- Eu sei os motivos de suas passagens na polícia, que era da inteligência sul coreana e também sei o motivo de estar na minha ala. Sei de sua sexualidade, sei que há oficiais que gostam de “brincar” com mulheres independente do que elas sejam e sei que aqui dentro há estudos médicos em andamento e que vocês, homossexuais ou qualquer seja a nomenclatura, são os primeiros a serem recrutados para tais programas afim de serem estudados por sua… preferência, digamos. - Percebi seu rosto ficar vermelho de raiva e, se não fosse a forte mão do cabo a mantê-la sentada, tenho certeza que avançaria em mim.

- Ainda não respondeu a pergunta dela. - Provocou-me Baekhyun, com sua face impassível, embora eu pudesse ver frustração em seus olhos.

- Quem faz perguntas aqui sou eu… - respondi sério e taciturno; não estava em jogo a conduta de ambos, apenas suas utilidades. - No entanto, apenas preciso explicar as razões pelas quais devem obedecer… se colaborarem, posso permitir que continuem servindo sem medo de serem pegos pelos médicos do campo e também, quem sabe, podem até mesmo evitar torturas por alguma desobediência e se alimentar melhor.

- Isso não é um preço caro demais? - Perguntou Sargento Lee, falando baixinho ao estar próximo a mim, de costas aos prisioneiros.

- Apenas para dois… não é algo que não possamos contornar com o capitão, ele precisa dessas informações urgentemente e eles precisam sobreviver aqui dentro. - Respondi de igual maneira.

Encarei os prisioneiros e eles engoliram em seco ao me fitar.

- E então, o que vai ser? - Perguntou o subtenente.

- Eu não vou fazer isso. - Afirmou Taeyeon.

- Tudo bem - suspirei -, levem-na e convençam a senhorita Kim a cooperar.

Ao dizer isso, o subtenente juntamente ao cabo, que acompanhou a prisioneira, a levantaram, a arrastando corredor afora, para que fosse levada ao hospital onde funcionavam também todos os métodos de “convencimento” que possuíamos. Kim Taeyeon gritava para que a libertassem, mas tudo que eu pude fazer foi fechar os olhos e me concentrar em convencer Baekhyun.

Não que eu quisesse ferir Taeyeon, no entanto, precisava da informação, meu pescoço, e os dos sargento e subtenente, estavam em vista.

Com aqueles questionamentos de mais cedo ainda na cabeça, pretendia realmente aliviar as coisas para ela caso cooperasse, mas não foi possível e como um oficial em guerra, tenho que agir de maneira firme; se ela não me respeitasse e não fizesse parte daquilo, eu não poderia recompensá-la ou melhorar suas condições durante seu tempo de prisão.

Olhei para Baekhyun assim que os gritos dela se fizeram distantes, talvez já estivesse no final das escadas, no térreo.

Ele me encarou e eu não saberia dizer o que havia naquele olhar.

- E você, o que pretende?

- Eu faço. - Respondeu, rápido e firme.e percebi que aquilo em seu olhar era determinação.

Sorri e ri soprado.

Foi mais fácil, talvez com o exemplo da colega… ou o que ofereci havia sido suficiente para comprá-lo por um tempo, era certo que as condições no campo eram de subsistência e qualquer um feito de escravo ali faria o possível para conseguir algo melhor, talvez uma certa redenção pela via errada, pela via mais fácil, deixando de resistir.

E naquele momento, pensei que ele poderia ser convertido como Jongin, porém algo em mim tentava dizer que não era aquele seu propósito, que não queria se juntar à nós, mas eu teria tempo para descobrir.


Notas Finais


Nerdologia - Valkirias (onde os ideais raciais e antissemitas de Richard Wagner são citados): https://www.youtube.com/watch?v=mBJsQ1cKoyQ
.
Link da música: https://www.youtube.com/watch?v=cg9KQ610biU
Espero que tenham gostado e comentem, é muito importante pra mim. <3
Beijinhos e até o próximo capítulo.


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