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História Pétalas de Amor - Capítulo 23


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Notas do Autor


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Capítulo 23 - Saudades


Fanfic / Fanfiction Pétalas de Amor - Capítulo 23 - Saudades

Pov Lauren 

Quinze de Janeiro de 2017

Hoje o dia amanheceu cinza, frio e com uma péssima notícia. O relógio marcava pouco mais de cinco da manhã quando recebi uma ligação da Camila desesperada, me contando que o pai dela havia acabado de falecer. No mesmo segundo pedi o endereço de onde ela estava e fui dar uma força para ela. 

E para piorar toda a situação, a mãe da Camila, aparentemente não está falando com ela. Elas trocaram poucas palavras durante todo o velório. E após o enterro, dona Sinuhe disse que iria para as casa com alguns parentes e que Camila não precisava a acompanhar. Eu não faço a mínima ideia porque ela está tratando a filha assim em um momento tão triste. Minha vontade era de chegar na Sinuhe e falar um monte de coisas, mas não é o momento propício.

Com isso, Alexa e eu viemos para o apartamento da Camila ficar um pouco com ela. As nossas amigas foram todas no velório e até se ofereceram para virem para cá também, mas pensando que a Camila não está muito no clima para interagir com várias pessoas, então, agradecemos as meninas e falamos que se a gente precisar, nós entraremos em contato com elas.

– Mila, você precisa comer alguma coisa. – Alexa diz assim que Camila chega na sala após terminar seu banho.

– Eu não estou com fome. – ela diz olhando para o chão. Ela está muito abatida, eu queria tirar essa dor dela, mas sei que é impossível.

– Eu vou fazer alguma coisa para você. – Alexa insiste.

– Não precisa. Eu acho que vou deitar um pouco.

– Mesmo assim eu vou fazer. Vai que você mude de ideia?! – Alexa diz se aproximando da Camila e a abraça.

– Obrigada. – Camila dá um beijo na bochecha da Alexa e segue para o quarto dela. Eu a sigo, enquanto Alexa se dirija até a cozinha.

– Quer ficar sozinha ou posso ficar do seu lado? – pergunto parada na porta do quarto.

– Fica aqui comigo. – Camila bate a mão na cama.

– Quer conversar?

– Eu quero o meu pai! – Camila diz enquanto tenta limpar as lágrimas que insistem em cair dos seus olhos.

– Isso é a única coisa que eu não consigo fazer por você agora. – digo segurando na mão dela. Ver ela assim estava me deixando destruída.

– Eu sei...  – Camila diz e suspira.

– Vem cá. – a puxo para um abraço apertado.

– Obrigada por estar aqui. – Camila diz enquanto faço carinho em suas costas. 

– Eu não poderia estar em qualquer outro lugar agora. – digo e Camila volta a chorar.  A aperto com meu abraço e seguro para não chorar com ela. 

– Desculpa. 

– Eu estou aqui com você para qualquer coisa. Se você quiser, chorar, gritar, eu estarei aqui do seu lado. – digo e em seguida ficamos em silêncio por algum tempo. Continuei fazendo carinho nas costas da Camila, sem nos soltarmos do abraço. 

– Será que a minha mãe vai aceitar me ver amanhã?

– Por que ela não aceitaria? Independentemente do que aconteceu entre vocês, ela é a sua mãe. Vocês vão se resolver. Talvez só seja melhor esperar as cabeças esfriarem um pouco. 

– A minha mãe ouviu meu pai e eu conversando a uns dois dias atrás sobre minha ex. Ela surtou. Meu pai tentou me defender, mas ela não conseguia ouvir mais nada. – Camila diz e suspira.

– Ela ainda vai perceber a burrice que ela está fazendo. – digo tentando não despejar tudo o que eu quero sobre a mãe dela. Eu tento ser imparcial, mas as vezes essa mulher me tira do sério.

– Quando meu pai passou mal e ela me ligou, ela disse que a culpa era toda minha. – Camila diz de olhos fechados.

– Ei... Olha para mim, por favor! Você sabe que não é verdade, né? – digo segurando seu rosto.

– Eu não queria que ele isso tivesse acontecido. Eu quero meu pai comigo. – Camila diz com os olhos cheios de lágrimas.

–  Eu sei. Mas a culpa não é sua. Aconteceu. Infelizmente, ninguém tem o controle dessas coisas.

– Tá doendo tanto. Saber que eu nunca mais vou poder abraçar ele, ouvir a voz... – a abraço mais forte e a deixo chorar, colocar suas angústias todas para fora. Eu queria saber o que falar nessas horas, mas nada parece suficiente. Se eu pudesse, pegaria parte da sua dor, só para ela se sentir um pouco melhor. 

– Licença... – Alexa bate na porta do quarto da Camila.

 – Pode entrar, Alexa!

– A Rosália te querendo subir. É pra deixar? – ela pergunta intercalando seu olhar entre Camila e eu. 

– Pode liberar.  – Camila responde.

– Vou avisar o porteiro.

– Quer ir para sala ou ficar aqui mesmo? – pergunto.

– Acho que é melhor lá na sala. Eu só vou jogar uma água no meu rosto. 

– Okay. – digo e sigo até a sala. Não demora muito e a Rosália bate na porta. Alexa a abre e elas se cumprimentam. Como nós duas não somos fã uma da outra, só trocamos um rápido aceno. Logo em seguida, Camila chega na sala e Rosália a abraça.

– Desculpa não vir antes. Eu só cheguei agora.

– Tudo bem.

– Meus sentimentos!

– Obrigada. – Camila responde e seus olhos enchem de água. 

– Aceita alguma coisa para beber, Rosália? – Alexa pergunta assim que elas desfazem o abraço.

– Não! Obrigada.

– Eu vou olhar as panelas! 

– Eu passei lá na sua mãe. Uma tia sua disse que você estava aqui. – Rosália diz e Camila faz uma expressão onde não dá para entender o que ela está pensando.

– Tem muita gente lá. Eu preferi vim para cá. – ela desconversa.

– Você tá precisando de alguma coisa?

– Não. As meninas já cuidaram de tudo. Mas obrigada pela preocupação! – Camila dá um sorriso fraco. O interfone toca mais uma vez e Alexa novamente o atende.

– Laur, sua mãe tá lá embaixo com a Pétala. 

– Deixa eu ir lá pegar  a minha cria. – Digo me levantando. As meninas continuam conversando enquanto saio do apartamento.

– Mamãe! – Pétala corre e abraça minhas pernas. A pego no colo e a encho de beijos.

– Princesa! Que saudade!

– Casa titia Mia aqui! – ela dá toda animada. Faz tempo que ela pede para vim aqui.

– Nós vamos dormir com a titia hoje. – conto e ela comemora.

– Eba!

 – Aqui as coisinhas dela. A leoa tá aí dentro. – Minha mãe diz me entregando a mochila da minha filha.

 – Obrigada, mãe!

– Não foi nada, filha. 

– Vamos mamãe. Ver a titia. – Pétala diz ansiosa.

– A gente já vai. Dá um beijo na vovó. – digo e a aproximo da minha mãe. Pétala dá um beijo na bochecha da avó. E dona Clara beija  a testa da minha pequena.

– Tchau vovó. Tchau!

– Você tá me trocando na cara dura, Pétala?! – Minha mãe brinca com a Pétala.

– Ela troca qualquer um pela Camila.

– Não é só ela... – Minha mãe diz me encarando.

– Mãe...

– A gente conversa sobre isso depois. Vai lá. Ela tá precisando de vocês.  – ela deixa um beijo em minha bochecha. 

– Obrigada mais uma vez!

– Vamos, mamãe! – Pétala diz impaciente.

– Quando a senhora chegar em casa, me manda mensagem.

– Seu pai e eu vamos sair hoje. Não temos hora para chegar em casa. 

– Se divirtam. E juízo!

– Digo o mesmo! – minha mãe diz e nos despedimos logo em seguida. Fico a olhando até ela entrar no carro.

– Mamãe... – Pétala diz colocando as mãozinhas em meu rosto, querendo chamar toda a minha atenção para ela.

– Meu Deus, Pétala! Já Vamos lá na sua tia. Calma, meu amor. – digo e ela sorri. Dentro do elevador, Pétala só sabia falar da tia. Que estava com saudades e que queria . Quando a porta do elevador abriu, demos de cara com a Rosália.  Aparentemente ela já estava de saída. 

– Oi, Pétala. – ela cumprimenta a minha filha.

– Oi! – Pétala responde e sorri sem mostrar os dentes. Ela não é muito fã da Rosália. 

– Já vai? – pergunto.

– É. Camila está com quem ela quer. – Ela diz e entra no elevador. Aproveito e sigo até o apartamento da Camila.

– TITIA MIA! Saudade, titia! – coloco a Pétala no chão e ela corre até  a Camila, que a pega no mesmo segundo.

– A Titia também estava morrendo de saudades. – Camila dá um beijo na bochecha da Pétala e minha pequena faz o mesmo na bochecha dela.

– Cadê o meu beijo, Pétala? – Alexa brinca com a Pétala, que deixa um beijo na bochecha dela.

– Linda!

– Bigada! 

– Ela praticamente expulsou a minha mãe para vim te ver o mais rápido possível. – Conto e Camila a aperta.

– Awn! É o meu amorzinho!

– Fofas! – digo e Camila senta no sofá com a Pétala em seu colo.

– O jantar tá quase pronto. Vou arrumar a mesa para a gente.

– Quer ajuda?

– Não. Tá de boa. 

– Tá tisti, titia Mia? – Pétala pergunta fazendo carinho no rosto  da Camila.

– Um pouquinho, princesa. 

– Qué um abraço?

– Eu quero! – Camila mal termina de responder e Pétala a abraça o mais forte que consegue.

– Vai ficá tudo bem. – é incrível como as crianças aprendem com as nossas ações. Sempre que  a Pétala tá triste, eu pergunto se eu posso ficar do lado dela, se posso abraçar... explico que todo mundo fica triste algumas vezes, mas que passa. E presenciar a Pétala repetir isso, me enche de orgulho. Ver ela se tornar um ser humano cheia de empatia pelo próximo é um prêmio!

– Eu te amo! – Pétala diz e Camila não consegue segurar as lágrimas.

– Eu também te amo, princesa.

– Eu fazer carinho você. 

– Obrigada, princesa.

X

Assim que a Alexa terminou de preparar nosso jantar, convencemos a Camila que ela precisa comer, nem que fosse só um pouquinho. E claro que com a Pétala ajudando, não foi tão difícil convencê-la. Após o jantar, nós reunimos no quarto da Camila para assistirmos Frozen. Pétala e Camila não se desgrudaram. E acabaram pegando no sono, abraçadas. Minha pequena até deixou a sua Nala de lado, o que eu nunca tinha visto antes.

– A Pétala sentiu muita falta da Camila, né?! – Alexa diz enquanto terminamos de arrumar a cozinha.

– Nós duas sentimos. – confesso.

– Vocês vão continuar afastadas? 

– Não faço a mínima ideia. – suspiro. 

– Tá servindo para alguma coisa essa idiotice de vocês duas?

– Não para mim. 

– Então por que vocês não se resolvem?

– A Camila quer assim. E pode ser que esteja sendo bom para ela. – Digo o óbvio.

– E papai Noel existe. – Alexa diz irônica.

– Eu não tô com cabeça para discutir agora, Alexa. 

– Eu não estava discutindo.

– Normani esqueceu a caneca dela aqui? – pergunto mudando de assunto.

– Ela esqueceu várias coisas. Camila tá colocando tudo em uma caixa para mandar para ela lá na casa da DJ. – como a Normani e a Dinah viviam dormindo uma na casa da outra, elas resolveram morar juntas antes do tão esperado dia de dizer sim.

– Já arrumou sua roupa para o casamento?

– Já. Tô contado os dias para essa festa. – Alexa diz e sorri.

– Pétala também está animada. Já contou para todo mundo que vai levar as alianças no casamento das tias.

– Ela vai ficar linda de daminha. 

– Eu sou suspeita para falar, mas vai mesmo.  – lembro do dia em que fomos escolher o vestido. Pétala amou todos. 

– Meu celular descarregou. Quantas horas são agora? – Alexa Pergunta.

– Dez e meia. Você vai dormir aqui?

– Não. Amanhã eu tenho um compromisso em outra cidade. Vou viajar muito cedo. E eu ainda preciso organizar umas coisas. Mas eu volto assim que eu resolver tudo.  – Alexa responde se levantando do sofá.

– Eu tenho gravação também. 

– Vai trabalhar o dia todo? Talvez uma das meninas possa ficar aqui com ela amanhã. 

– Não vai ser o dia todo. Mas amanhã a gente vê com as meninas. Vou ver como ela vai acordar primeiro. 

– Eu preciso ir agora. Mas qualquer coisa, você sabe, é só chamar!  - Alexa diz e eu a acompanho até a porta.

– Eu sei! Se cuida. – trocamos um rápido abraço. 

– Eu mando mensagem assim que chegar em casa é colocar meu celular para carregar, Laur. – Alexa diz e sorri. Eu sempre peço para as pessoas me mandarem mensagens quando chegam em casa. É espontâneo. Uma mania que ganhei depois do trágico dia do acidente da Barbara.

– Eu me preocupo. 

– Isso é bonitinho! – ela deixa um beijo em minha bochecha.

– Depois vamos marcar um dia para sairmos juntas? Estou com saudades das nossas comemorações. 

– Por favor! Vamos marcar! Estou necessitada. – Alexa diz e sorrimos uma para a outra.

– Te amo!

– Também te amo, gasparzinha.

– Não esquece de me avisar.

– Não vou esquecer. Tchau!

– Tchau!

Alexa se vai e depois de trancar  a porta, apago as luzes e vou para o quarto. Camila e Pétala dormiam abraçadas. E ver essa cena deixou o meu coração mais tranquilo.  Ainda é muito cedo em comparação ao meu horário de dormir nos outros dias, mas como o dia  de hoje foi longo, decido me juntar a elas e dormir também. Antes, dou um beijo na cabeça de cada uma e em seguida me ajeito na cama com elas. Depois, eu rezo. E peço para que o dia seguinte seja melhor do que o de hoje!


Notas Finais


Depois de trezentos anos, volto com um capítulo triste... mas prometo que as coisas estão se encaminhando para dar certo ;-)


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