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História Pétalas de Fogo - Capítulo 17


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Notas do Autor


Notas da Autora: A história se passa em um universo alternativo, não seguindo corretamente os costumes e acontecimentos históricos japoneses. Música: You belong to me - Eros Ramazzotti & Anastacia

Capítulo 17 - Capítulo XVII


Fanfic / Fanfiction Pétalas de Fogo - Capítulo 17 - Capítulo XVII

Pétalas de Fogo

Por Kath Klein

Capítulo XVII

'Não é questão de vingança, Syaoran. É questão de justiça. O pai dele merece isso. Você merece isso. Precisamos provar a sua inocência!' Falou antes de abraçá-lo forte, sentiu quando os braços dele a envolveram e queixo dele pousou no topo de sua cabeça. Sorriu de forma triste talvez imaginando tudo que ele poderia ter passado na prisão. Passou a mão pelas costas o rapaz sentindo as cicatrizes grossas e sentindo mais raiva se fosse possível dos seres humanos que são capazes de tanta barbaria. No fundo aquele homem que envolvia em seus braços era fruto da violência deste mundo hipócrita e mesquinho.

'Por que me contou tudo isso?' Perguntou com o rosto ainda colado no tórax do rapaz.

Adesso no, non voglio più difendermi (Agora não, não quero mais me defender)

Supererò dentro di me gli ostacoli (Superei dentro de mim os obstáculos)

I miei momenti più difficili (Os meus momentos mais difíceis)

Per te (Por você)

'Porque eu também não me importo mais que a senhora saiba que eu a amo.'

Sakura arregalou os olhos surpresa pelo que ouviu. Por alguns segundo imaginou que seus nervos completamente em frangalhos depois de tudo que descobriu estivessem lhe pregando uma peça. E de muito mau gosto.

Sentiu que Li a afastou de seu corpo e agora sentiu o frio que invadiu sua alma após perder o contato com a pele quente e cheirosa do marido. Fechou os olhos tentando ainda se imaginar nos braços deles e fazer com que aquela sensação gostosa permanecesse mais algum tempo em sua mente. 

Syaoran observou o rosto lindo a sua frente e sorriu. Amava sim aquela mulher. Não só pela beleza surreal que ela tinha, mas por aquele espírito indomável que habitava dentro daquele pequeno corpo. Levantou o rosto dela pelo queixo para que pudesse sentir novamente o gosto doce dos lábios carnudos. 

Sakura prontamente entreabriu os lábios permitindo não só que ele explorasse sua boca como ela também fazia o mesmo. Ela o adorava. Amava-o. Desejava-o mais que tudo na vida.

There is no reason (Não há razão)

There is no rhyme (Não há certo)

It's crystal clear (É claro como cristal)

I hear your voice (Eu ouço sua voz)

And all the darkness disappears (E toda a escuridão desaparece)

Everytime I look into your eyes (Todas as vezes que olho dentro dos seus olhos)

You make me love you (Você me faz te amar)

Questo inverno finirà (Este inverno vai acabar)

And I do truly love you (E eu amo você de verdade)

Fuori e dentro me (Fora e dentro de mim)

How you make me love you (Como você me fez te amar)

Con le sue difficoltà (Com as suas dificuldades)

I do truly love you (E eu amo você de verdade)

Abraçaram-se novamente mais desta vez com desespero para sentir um o corpo do outro. Sakura apertava as costas de Li com suas mãos, sentia toda quentura daquele corpo maravilhoso. Ele era tudo que ela desejava, forte, másculo, firme. Os músculos eram como feitos de aço e apenas a quentura e o formado lhe indicava que era humano. Deliciosamente humano.

Mordia de leve a língua dele, divertindo-se enquanto ele apertava seu seio, puxava levemente seu cabelo desfazendo por completo o elegante coque que prendia-os inicialmente.

I belong to you, you belong to me (Eu pertenço a você, você pertence a mim)

Forever (Para sempre)

'Eu te quero agora, senhora.' Ouviu ele dizendo entre as tentativas rápidas de buscar fôlego para continuar aquele ardente beijo.

Want you (Eu quero você)

Baby I want you (Querido, eu quero você)

And I thought that you should know (E eu queria que você soubesse)

That I believe (Que eu acredito)

You're the wind that's underneath my wings (Você é o vento que está sob as minhas asas)

I belong to you, you belong to me (Eu pertenço a você, você pertence a mim)

Ela o empurrou afastando-se dele e sorrindo de forma mais maliciosa possível. Syaoran tremeu fitando aquele brilho intenso esverdeado. Ela tentou abrir o maldito espartilho que tanto odiava, mas este era preso nas suas costas. Por algum momento sentiu-se frustrada. Era o tipo de espartilho que precisava de ajuda das amas para colocar e tirar. Suspirou irritada com aquilo, estava inflamada de desejo e aquela maldita peça lhe atrapalhava. Virou-se de costa para ele puxando os cabelos para frente.

'Corte-o!' Ordenou, naquele tom que ele amava ouvir e que só permitia que ela usasse.  

Li a abraçou por trás alcançando o ouvido da esposa. 'Tem certeza...'

'Tire isso de mim agora!' Não queria perder tempo. Não agora. Queria Syaoran agora e sem mais nenhum jogo de sedução ou coisa parecida. Simplesmente queria sentí-lo por completo.

O pirata tirou a adaga que sempre tinha dentro da bota e cortou os cordões que prendiam a peça feminina no corpo da esposa. Sentindo-se livre, ela voltou-se para ele abraçando-o de forma faminta. Eles tinham pressa para sentir as peles se tocando sem barreira de tecido algum entre elas. Li rasgava a roupa da esposa tentando desesperadamente livrá-la das camadas intermináveis de tecido que envolviam seu pequeno corpo. As bocas apenas se afastavam para ambos tomaram fôlego para recomeçarem novamente aquela dança interminável das línguas enquanto os corpos aos poucos livres se roçavam.

Ho camminato su pensieri ripidi (Caminhei por pensamentos íngremes)

You're my fantasy (Você é a minha fantasia)

Per solitudini e deserti aridi (Pela solidão e desertos áridos)

You're my gentle breeze (Você é a minha brisa suave)

Al ritmo della tua passione ora io vivrò (No ritmo da sua paixão agora eu viverei)

And I'll never let u go (E eu nunca vou deixar você partir)

l'amore attraverserò (O amor atravessará)

You're the piece that makes me whole (Você é o pedaço que me completa)

Le onde dei suoi attimi (As ondas dos seus momentos)

I can feel u in my soul (Eu posso sentir você na minha alma)

Profondi come oceani (Profundos como oceanos)

Finalmente Syaoran tinha Sakura nua a sua frente. Novamente ela afastou-se dele fitando-o nos olhos enquanto suas mãos brincavam na cintura da sua calça. Abriu o botão da calça e introduziu sua pequena mão dentro dela sentindo a virilidade do marido. Sorriu de puro êxtase o sentido enrijecido em sua mão.

Rapidamente livrou o esposo a peça de roupa que ainda tinha no corpo em nem um minuto desviando os olhos dos dele. Adorava observar os olhos âmbares enegrecendo aos poucos de desejo. Syaoran a puxou novamente para perto de si e ela sentiu a virilidade dele pulsar em suas coxas.

Syaoran a empurrou até a cama fazendo-a deitar. Segurou sua cintura fina com o braço, ajudando-a a posicionar-se no meio do leito. Beijou seus lábios, desceu até contornar todo o queixo da amada com beijos e mordidas. Inalou o perfume maravilhoso de seu pescoço, deslizando os lábios por ele e ouvindo quando a jovem gemeu mais alto. Ele sabia que ela adorava ser beijada no pescoço. No entanto queria mais, queria dar mais prazer se fosse possível para aquela mulher, e sabia como.

Numa doce agonia, desceu seus lábios até alcançar os seios pequenos e já rígidos, beijou-os e mordiscou-os sentindo o corpo pequeno tremer em seus braços. Adorou quando Sakura deixou sair de seus lábios seu nome verdadeiro entre os inúmeros gemidos que ela emitia.

Beijou o ventre passando a língua devagar pelo umbigo perfeito e bonitinho enquanto que de forma silenciosa e lenta com as mãos afastava as pernas da esposa. Sakura abriu os olhos fitando o candelabro acima da cama. O sol já iluminava muito pouco o quarto, virou o rosto e viu a sombra dos dois corpos nus na cama. Sentiu quando Syaoran beijou sua virilha e sorriu molinho já sabendo o que o esposo faria. Ao mesmo tempo que sentia a língua quente e úmida do marido entre suas pernas, sentiu o ventre formigar e as pernas tremerem de forma quase epiléptica. Agarrou-se nos lençol enquanto o corpo involuntariamente adéqua-se numa demonstração de prazer torturante. Não conseguia mais agüentar, quando deu por si estava gritando o nome do marido e implorava para que ele não parasse o que estava fazendo.

Vincerò per te le paure che io sento (Vencerei por você os medos que eu sinto)

Quanto bruciano dentro (quanto brotam dentro)

Le parole che non ho più detto sai (as palavras que não tinha dito mais saem)

Syaoran sentia o gosto da amada na boca. Beijava-o e lambia-o de forma ritmada maravilhado ao perceber cada reação dela. As pernas tremendo, a respiração ofegante como se ela tentasse respirar todo o ar do mundo, ouvir os gemidos, os gritos, os pedidos e o nome dele. Tudo isso fazia-o querer provar mais e mais de Sakura. Nunca quis dar tanto prazer a uma mulher como queria dar a ela, queria sentí-la desmanchar em suas mãos... em sua boca.

Não demorou muito para que a doce tremedeira nas pernas passasse para todo o corpo. Sakura virou o rosto fechando os olhos com força, parando de repente de ter forças para qualquer coisa saísse de seus lábios. Sentiu como se o seu corpo finalmente explodisse de tanto prazer. A gostosa agonia terminou dando lugar a um estado tal de relaxamento que ela nunca pensou um dia sentir. Inicialmente pensou que tinha morrido e que estivesse no céu, pois sentia muito pouco do corpo. Soltou um longo suspiro, pois seus pulmões gritavam por oxigênio que havia deixado de chegar até eles. Sentiu o corpo de Syaoran subindo arrastando-o no dela, mole e suado. Abriu um fraco sorriso extasiada ainda de prazer enquanto ele beijava seus olhos de forma delicada e leve.

Oh..

Want you (Quero-te)

Baby I want u (Querido, eu quero você)

And I thought that you should know (e eu queria que você soubesse)

That I believe (que eu acredito)

Aos poucos ela voltou a sentir seu corpo, sentiu os lábios macios do esposo beijando os seus suavemente e sorriu de pura felicidade. Vendo que a esposa despertava novamente para o prazer seguinte. Beijou-a profundamente enquanto a abraçava com força. Acariciaram-se mutuamente sentindo os corpos um do outro, não demorou muito para que Sakura abrisse novamente as pernas para que o amado marido posicionasse entre elas e suavemente sentisse ele a invadindo sua feminilidade. Sentindo todo o corpo de Sakura envolvê-lo num abraço carinhoso. Sua boca logo encontrou a dela, beijando-a enquanto seus quadris lentamente começavam a se mexer na mais antiga dança entre os casais apaixonados.

Lampi nel silenzio siamo noi yeah (Relâmpagos no silêncio: somos nós)

I belong to you, you belong to me (Eu pertenço a você, você pertence a mim)

Sakura rodou o corpo ficando por cima. Adorava aquela posição onde podia cavalgar no corpo do esposo e senti-lo mais fundo dentro dela. Adorava estar no controle, movimentava-se de forma egoísta onde procurava o máximo de seu prazer. Sentiu as mãos de Li sobre seus seios, levantou os braços enquanto suas pernas fortes proporcionavam o movimento perfeito para que sentisse o prazer que queria. Fechou os olhos apenas concentrada no ritmo constante. Sentiu quando Syaoran levantou o corpo sentando-se a sua frente ainda entre suas pernas. Ele a envolveu com os braços apertando-a forte entre eles e assim impedindo que ela se movimentasse. Sakura abraçou a cabeça dele enquanto o rosto amado estava encostado entre os seus seios. Finalmente ele tinha chegado ao seu limite de resistência. Ela sentiu quando o gozo dele invadiu seu corpo indicando que a valsa finalmente havia terminado. Suspirou fundo, enquanto deslizava suavemente os dedos entre os fios de cabelo suado do marido. Os corpos pareciam que tinham derretido naquele leito.

You're the wind that's underneath my wings (você é o vento que está sob as minhas asas)

I belong to you, you belong to me (eu pertenço a você, você pertence a mim)

Yeah hey yeah he

Syaoran afastou-se dela vagarosamente e levantou o rosto fitando-a. Sakura sorriu para ele de forma doce encostando levemente seus lábios no do esposo.

'Eu te amo.' Ela declarou novamente ainda com os lábios juntos.

'Eu também, minha senhora.' Ouviu a resposta sussurrada. 'Eu também a amo.'

Adesso io ti sento (Agora eu sinto você)

I will belong forever, to you (Eu vou sempre pertencer a você)

~*~*~KK~*~*~KK~*~*~KK~*~*~KK~*~*~

Sakura estava à frente da mesa montando um grandioso arranjo de flores. Meilyn e Rika estava no outro da mesa observando sua senhora que com suas mãos habilmente encaixava as rosas uma a uma formando assim o belo arranjo. A jovem dama franziu a testa observando sua obra.

'Já é o suficiente.' Fitou as duas a sua frente que ainda mantinham os olhos nas belas flores. 'Conseguiram entender como é o procedimento de montagem?' As duas responderam positivo com um gesto. 'Otimo! Agora quero que montem mais cinco ou seis exatamente iguais a este. Dois ficarão na mesa principal. Um na mesa da sala, dois na entrada. Um de cada lado no topo da escada principal da mansão. Ah sim... um sexto seria interessante acima do piano. E este eu quero que deixem no escritório. Acho que os senhores após o jantar virão para ele para conversarem sobre política... Entenderam?'

'Não se preocupe senhora. Faremos exatamente como ordenou.' Meylin respondeu prontamente.

'Taiki já começou a preparação da ceia?'

'Sim senhora. Já entregaram tudo que foi encomendado.'

'Perfeito.' Falou por fim antes de soltar um longo suspiro. Afastou-se das amas caminhando devagar pelo salão. Ainda não entendia o motivo daquela grandiosa recepção, mas Syaoran havia sido claro que não era para poupar esforços para que tudo saísse digno de uma coroação. Ela havia tentado de tudo para fazer o marido lhe dizer o que ele estava planejando, mas Li sempre se esquivava afirmando que ela já sabia muito e que seria mais seguro para a dama que permanecesse na ignorância por enquanto.

Soltou outro suspiro, contrariada. Ele sabia que seu maior defeito era a curiosidade, por causa dela quase morreu, mas também por causa dela pode se aproximar de forma tão intensa do esposo. Sorriu. E apesar de se recriminar por isso sabia que era um sorriso bobo de apaixonada. Syaoran disse que a amava e isso fazia com que o coraçãozinho da jovem batesse mais rápido apenas com a lembrança das juras de amor dele ao seu ouvido.

Caminhou até a janela onde avistou o marido conversando com o pai enquanto observavam a grande propriedade. Franziu a testa pensando que os dois agora andavam conversando muito e faziam questão de se falarem quando ela não estava perto. Não pareciam brigar ou discutir, muito pelo contrário. Pareciam estar acertando os últimos detalhes de um acordo. Um grande acordo.

Adivinhando que estava sendo observado, Syaoran voltou-se para trás e fitou a imagem da esposa pela janela. Levantou o braço acenando timidamente e sorrindo de leve. Ultimamente ele sorria bastante para ela, mesmo que de forma tímida e reprimida. Ela, no entanto retribuiu o cumprimento, acenando e abrindo um enorme sorriso. Fujitaka virou-se também para trás e sorriu ao ver a filha.

'Ela me parece verdadeiramente feliz agora.' Fujitaka comentou com Li sabendo que a filha não poderia ouvi-los pela distância.

'Adoro sua filha, senhor.' Ele respondeu.

O senhor bateu de leve no ombro do genro. 'Pelo seu bem, é bom que ela sempre esteja neste estado de graça.'

Li franziu a testa, recrutaria que não estava se entendendo com a esposa por causa do acordo que fizeram, mas achou melhor não prolongar aquela conversa. Os acertos finais com Fujitaka estavam claros e acordados então era melhor apenas ater-se aos assuntos imperiais com o sogro.

'Recebi esta manhã a declaração do Imperador. Após uma rápida cerimônia durante a recepção de hoje, o senhor já será considerado o Governador de Tomoeda. Espero que tenha convidado todos os políticos locais.'

'Todos confirmaram presença.'

'Excelente. Espero apenas que Hiiraguizawa tenha orgulho e não apareça hoje.' Comentou afastando-se de Li e caminhando em direção a casa. 'Vou descansar um pouco. Poupar forças e energias para as danças de hoje a noite.'

O pirata observou o senhor afastando-se em direção a mansão, pensando que era claro que Eriol apareceria e com a esposa. 'Eles são meus convidados de honra.'

Voltou-se para observar a imensidão de terras que faziam parte da sua propriedade. Elas iam até mais que seus olhos conseguiam enxergar. Realmente era uma propriedade valiosíssima e pensar que não havia nem pago tão caro por elas. Os herdeiros do pobre conde Klauss estavam com pressa em pegar o dinheiro vivo, dividir entre eles e é claro torrar em luxurias e prazeres passageiros. De repente sentiu quando um delicado braço enlaçou-se ao seu e a cabeça de Sakura inclinou apoiando-se no ombro dele. O perfume que emanava dela era delicioso, pensou para si.

'Está tudo quase pronto. Sob completo controle.' Ela falou referindo-se a organização da festa.

Ele sorriu de leve. 'Apenas eu não consigo estar sob controle quando se aproxima de mim, senhora.'

Sakura sorriu de forma marota. 'Mesmo?'

Ele afastou-se dela apenas para ficar a sua frente. Segurou o rosto amado entre suas mãos com o cuidado de quem segura uma flor rara e delicada. Abaixou o rosto para tocar os lábios doces da mulher que havia lhe salvado de sua solidão e angústia. Ele tinha pensado que nunca mais acreditaria que aquele sentimento chamado amor um dia pudesse finalmente florescer novamente dentro do seu peito.

O casal só não imaginava que estavam sendo observados por um par de olhos vermelhos como rubi que agora estavam inflamados tanto de inveja quanto de ódio.

~*~*~KK~*~*~KK~*~*~KK~*~*~KK~*~*~

Syaoran levou a taça de champanhe em sua mão até a boca, tomando um demorado gole do espumante. Realmente aquele momento era para comemorar sua vitória em cima de Eriol, e por que não em cima de toda aquela sociedade que quando era apenas o filho de um pescador tanto o humilhou esfregando-lhe na cara que não era um nobre. Como se isso fosse grande coisa.

Sorriu de forma debochada pensando que eram todos inúteis e idiotas. Parasitas da sociedade japonesa. A mansão estava lotada. Toda a nata da nobreza de Tomoeda e de algumas cidades vizinhas estavam agora reunidos em sua casa em sua homenagem para a sua "coroação". Não pôde negar que a sensação era tão boa quanto aquela do espumando descendo suavemente em sua garganta.

Seus olhos castanhos logo procuraram pela esposa que estava espetacularmente bela hoje em um vestido vinho de veludo. Realmente estava igual a uma rainha. Sua rainha. Em seus cabelos estava uma tiara de rubis e diamantes que ele havia lhe presenteado depois que se amaram a poucas horas atrás. No pescoço, outro belo colar com as preciosas e raras pedras. Estava simplesmente a mulher mais bela não só de Tomoeda como do Japão e Li arriscaria até que do mundo. Ela conversava tentando ser gentil com duas senhoras, reparou que ela havia ficado levemente corada, provavelmente haviam elogiado sua beleza. Observou que a esposa levou uma das mãos até a altura do ventre e falou algo para uma das senhoras que exclamou algo como "Que maravilha!" Sorriu deduzindo que estavam falando do filho que ela poderia estar levando no ventre.

Um filho... realmente seria uma dádiva que aquela bela dama estivesse com um filho seu no ventre. Havia desistido a muitos anos de ser pai. Na verdade, depois de ir para a prisão, um filho nunca mais havia sido pensado ou cogitado mais em sua vida de prisioneiro e depois de contraventor. Mas agora... agora talvez fosse certo ter um rebento. 

Seu pai sempre lhe disse que ele era sua continuação na terra, um filho dele seria a sua continuação também. Pena que provavelmente ele não pudesse sustentar o sobrenome Li. Os Li no Japão eram agora sinônimo de vergonha.

Quando um dos criados passou com outra bandeja do espumante trocou a sua taça vazia por outra cheia. Tomou outro longo e demorado gole ainda observando a esposa. Sakura afastou-se das senhoras e olhou para os lados como se procurasse algo, logo ela o fitou e abriu um daqueles belíssimos sorrisos que faziam o coração do rapaz fisgar de tanta felicidade. Talvez a felicidade viesse sempre acompanhada agora de dor para ele, pois sabia que aquilo poderia desaparecer a qualquer momento.

Sakura estava caminhando devagar em direção ao esposo quando ouviu Fujitaka tocando o sino de prata pedindo silêncio a todos. Li terminou a taça de champanhe que tinha nas mãos e largou o copo vazio num dos móveis da sala. Estava na hora de sua grande vitória. Conferiu rapidamente o relógio que estava num dos bolsos de seu alinhado terno e sorriu. Eriol já estaria chegando. Caminhou devagar até a esposa e pediu silenciosamente com um gesto para que ela enlaçasse seu braço ao dele. Reparou que a jovem parecia levemente surpresa com a atitude do pai e mais surpresa quando constatou que ele já deveria saber do que se tratava. Ela não era boba, sabia disto. O casal caminhou até o senhor que agora já tinha a atenção de todos os presentes.

'Gostaria de agradecer primeiramente a todos aqui presente. Estou muito feliz em estar aqui reunidos os nobres mais importantes não só de Tomoeda como de algumas importantes cidades vizinhas. Queridos amigos, muito obrigado pela presença de todos.'

Os criados eram rápidos e logo estavam distribuindo taça de champanhe para todos da festa. Sakura não conseguia prestar atenção a eles como deveria como anfitriã, estava curiosa para o discurso do pai. Inicialmente havia pensado que Li havia solicitado aquela recepção apenas para sustentar sua farsa, porém ela também sabia que o prazo dos três meses que ele havia lhe dado quando fizeram aquele acordo estava se finalizando. Isso representava que a vingança do rapaz já estava em seu ato final e agora ficava claro para ela que aquela festa deveria fazer parte do Gran Finale. 

Por mais que insistisse o marido não contava nada sobre seu plano de vingança contra Hiiraguizawa, a fez jurar que não se meteria nisso e que principalmente não denunciaria Eriol para as autoridades como gostaria de fazer. 

Era verdade que o esposo tinha sua razão de agir assim. Não havia a menor prova do crime realizado a quase duas décadas atrás. O melhor era deixar que ele cuidasse de tudo como estava planejado desde o início.

O problema é que agora diferente do início, ela não estava apenas interessada na mansão e na sua liberdade. Ela trocaria os dois e muito mais apenas para estar ao lado do homem que amava. Agora entendia o que realmente era um casamento. Era uma prisão sem muros. Sem grades. Sem cadeados. Mas ela sabia que estaria agora a vida inteira presa aquele sentimento e aquele homem que ela tinha seu braço enlaçado ao dele. Virou-se rapidamente para o esposo e o viu com o rosto ansioso. Sua intuição nunca havia lhe enganado. Quando entrou no galeão que levaria ela e o pai para Tomoeda sabia que aquela viagem seria muito mais do que apenas cumprir um protocolo imperial. E ao presenciar  aquele homem duelando com o pai, resultando nos dois se engalfinharam naquela torrencial tempestade no oceano sabia que sua vida nunca mais seria a mesma, apenas não sabia exatamente em que sentido. Havia momentos que preferia nunca ter o encontrado. Outros momentos achava que a vida lhe havia dado uma oportunidade de ouro para libertá-la do que mais odiava. Por fim havia momentos que simplesmente não queria nem cogitar que as coisas não tivessem acontecido pois não estaria sendo amada por Syaoran.

"Estúpida apaixonada..." Constatou para si mesma ainda tentando sustentar aquele sorriso vazio para os presentes.

Fujitaka voltou a falar sobre o império. Exaltando o Imperador com todo ardor do mais fiel de seus seguidores. Sakura não tinha opinião formada sobre o imperador, pois pouquíssimas vezes o viu e nunca trocou mais que um cumprimento com o senhor, mas seus filhos eram simplesmente insuportáveis.

Sentiu quando o esposo tremeu levemente, só não soube perceber se por ansiedade, medo ou por tentar conter uma risada. Desviou os olhos dos rostos que permaneciam voltados para o pai em seu discurso e avistou um casal entrando na casa. Não teve como permanecer sorrindo. Franziu a testa contendo a vontade de simplesmente correr até eles gritando que saíssem de sua casa. Achou que deu um passo à frente pois logo sentiu que o marido a prendeu com mais firmeza pelo braço que estava entrelaçado ao dele. Fitaram-se rapidamente e Sakura pode perceber que os olhos de Li havia um brilho fatal. Tremeu internamente.

Syaoran desviou os olhos da esposa sabendo que ela entendeu o recado de que era para permanecer ali ao lado dele. Observou Eriol e Tomoyo caminhando devagar para não chamar a atenção dos presentes. Um dos criados aproximou deles oferecendo o champanhe que prontamente foi aceito. Eriol não esperou o brinde e já tomou um longo gole da bebida com os olhos cravados nas três figuras centrais daquela festa. Tomoyo tentava sustentar um sorriso sem graça. Li sabia que apesar de todo o escândalo da falência, Eriol não deixaria de estar presente na recepção, pois isso seria como a sentença de morte perante a nobreza de Tomoeda. Era dar a certeza de que realmente estava falido e não apenas numa maré de má sorte nos negócios. Syaoran pensou que realmente o amigo de infância era completamente previsível.

Tomoyo tinha os olhos cravados em Sakura. Syaoran adoraria acreditar que aquele olhar de cobiça que a morena lançava para a esposa fosse de ciúmes por ela estar ali ao seu lado, mas sorriu tristemente deduzindo que com certeza seria na valiosa tiara que repousava divinamente entre os cabelos ruivos da nobre.

'E é por isso que eu gostaria de anunciar com enorme orgulho aos senhores, meus caros amigos, com a aprovação de nosso Imperador que o meu audacioso e bem sucedido genro, Yamato Urameshi, aqui ao meu lado com minha adorável filha, será o novo governador vitalício de Tomoeda com as bênçãos de Deus e do seu representante aqui na terra, nosso Imperador.' Fujitaka finalmente anunciou e inúmeras exclamações puderam ser ouvidas entre os presentes. Logo uma onda de aplausos estourou.

Sakura arregalou os olhos finalmente deixando de encarar Tomoyo para fitar o marido que abria um vitorioso sorriso. Voltou-se para o pai completamente surpresa pelo que ele acabava de anunciar. Sentiu o coração fisgar dentro do peito. 

Li afastou-se dela delicadamente e foi até o sogro que após um cumprimento rápido com o senhor pegou o pergaminho. Observou-o por alguns segundos satisfeito por ver que agora seu novo documento de identificação tinha abaixo o selo real. Yamato Urameshi havia nascido verdadeiramente para aquele mundo e Syaoran Li definitivamente não tinha nem mesmo mais a casca humana para provar sua existência. Com aquele papel nada nem ninguém poderia um dia provar algo contra ele. Enrolou o documento colocando-o dentro do bolso do palitó, pegou uma taça e voltou-se para os visitantes ainda sendo ovacionado com fervor pelos nobres.

Fitou rapidamente a esposa percebendo que ela tentava recuperar-se da surpresa e estranhando o pai não ter comentado com ela sobre sua decisão de indicá-lo para governador no lugar de Eriol. Levantou o rosto sorrindo abertamente e erguendo a taça para um brinde. Os aplausos cessaram e todos aguardavam ansiosos pelas palavras do agora governador do condado. A figura máxima de autoridade naquela terra abaixo apenas do Imperador do Japão.

Encarando Eriol que ainda o fitava, ergueu a taça. 'Quero fazer um brinde não a mim, mas a uma nova era em Tomoeda. Espero honrar todos os compromissos do Império nesta terra que agora considero definitivamente como minha casa. Estou muito feliz em receber tamanha responsabilidade. Um grande homem, o qual sempre considerei meu pai, me ensinou que grandes responsabilidades devem ser acompanhadas por grandes sacrifícios...'

'...e desapegos a prazeres.' Syaoran e Eriol repetiram juntos, porém o primeiro em alto e bom tom enquanto segundo apenas sussurrou não acreditando no que havia descoberto. Finalmente tudo agora fazia sentido. Quantas e quantas vezes ouviu esta frase da boca de seu pai. Tantas e tantas vezes o sermão era sempre este.

'Syaoran...' O nome do amigo saiu dos lábios do nobre, reparou quando Li entendeu seu nome e sorriu para ele fazendo um leve gesto na cabeça confirmando sua descoberta.

'Eriol! Como quer ser um grande homem se não passa de um grande moleque!' A voz do pai era clara e estridente no ouvido do jovem. 'Quando vai aprender de uma vez por todas que grandes responsabilidades devem ser acompanhadas por grandes sacrifícios e desapegos a prazeres da vida, a prazeres mundanos como mulheres e bebidas? Você nunca será como Syaoran...'

Eriol deixou a taça cair no chão levando as mãos até a cabeça horrorizado com sua descoberta e lembranças.

'Eriol! Por Deus! Você sabe que eu nunca seria capaz de matar vosso pai!' O jovem Syaoran gritava desesperado sendo segurado por dois guardas.

'Desculpe-me senhor Hiiraguizawa.' O delegado falou para o rapaz que estava ao seu lado. 'Já o levaremos para a prisão o quanto antes. Guardas!'

'Estava esperando Tomoyo! No farol! Não saí de lá a noite inteira esperando-a.' Syaoran gritou tentando livrar-se dos guardas que começavam a arrastá-lo.

O delegado foi até o rapaz e lhe deu um soco no estômago. 'Pare de gritar seu miserável! Além de matar o homem que sempre lhe estendeu a mão ainda quer sujar a honra de uma senhorita.'

Li sentiu gosto de sangue na boca pelo forte golpe, ainda mais que não pode se proteger pois estava com os braços presos pelos guardas que riam com gosto.

'Ela vai... ela vai esclarecer... tudo...' Falou com dificuldade tentando respirar.

'Já falamos com ela, seu lixo! Ela se mostrou horrorizada por você além de tudo que fez tentar envolvê-la e sujar sua inocência.' Um dos guardas esclareceu.

Li sentiu lágrimas saírem de seus olhos, Tomoyo não havia dito isso, estavam noivos, se casariam...'

Eriol se levantou do sofá e caminhou até o rapaz encarando-o nos olho. 'Nunca o perdoarei por ter roubado o meu lugar no coração de meu pai e depois por ter tirado-o de mim... por favor, levem este desgraçado daqui...'

Li abriu os olhos fitando o chão onde havia uma poça de seu sangue. Não acreditou nas palavras de seu amigo, levantou o rosto onde fitou a arma do crime no lenço entre as mãos do delegado. 'Confirma que esta arma era realmente de vosso pai? Ela foi encontrada nos pertences do rapaz.'

Eriol confirmou com um gesto. Afastou-se de Syaoran. 'Tire ele daqui!'

'Não!' Foi tudo que Syaoran gritou sendo finalmente arrastado pelos guardas.

Eriol fitou o chão a sua frente ouvindo Tomoyo chamá-lo e repreendê-lo por sua atitude perante todo os nobres. Ele tinha que se mostrar superior a decisão do Imperador e não mostrar-se digno de piedade. Ela ainda não tinha noção do que estava acontecendo. 

Eriol se levantou sentindo o estomago doer como se levasse um soco forte no local. Voltou a encarar Li que brindava de forma alegre com os outros nobres e tinha o braço na cintura fina de Sakura que após recuperada do susto tinha um belíssimo sorriso nos lábios.

'Não!’ Gritou chamando a atenção de todos. Um silêncio sepulcral instalou-se entre os convidados que voltaram-se para trás observando o rapaz com o rosto completamente transtornado.

Continua.


Notas Finais


Mil Desculpas! Sei que sumi... mas minha vida desde o final do ano passado está uma loucura. Então aproveitei este momento de quarentena e revisei o capítulo! Ainda estou trabalhando! Parar? Jamais! #StayHome #FiqueEmCasa


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