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História Petit Moment - Capítulo 3


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Capítulo 3 - Não me toque!


 — Kaiba, seu nariz está sangrando...— Conforme falava o loiro estendeu sua mão na direção do mais velho, não sabia como ajudá-lo, mas aquilo foi um gesto que faria com qualquer um de seus amigos, mesmo Kaiba não sendo seu amigo. 

Antes que os dedos de Joey tocassem a pele alva de Seto, seu pulso foi agarrado de uma forma bruta e a jogada para o lado. Os olhos azulados o fuzilavam de cima a baixo, aquilo era sufocante.

— Não me toque, Wheeler! — Ordenou Kaiba que se afastou um pouco mais para poder limpar o sangue de seu rosto. Ele estava hostil, estava claro que não queria ajuda, mesmo que precisasse.  

— Mas… — Joey não teve tempo de terminar sua fala já que Kaiba o interrompeu da forma hostil de sempre. 

— Você se veste tão mal. 

— Hã? 

— Amanhã, depois que assinar o contrato, vamos comprar roupas novas para você. — O tom de Seto era arrastado, e tinha uma certa indignação em seu tom. Joey se questionava que ele estava mais sincero por conta dos remédios que havia tomado. 

Joey olhou para suas próprias roupas naquele momento, não tinha nada de errado com aquelas roupas, eram as mesmas roupas que havia usado nas finais do torneio de Kaiba. Não eram roupas novas, isso era verdade, mas eram roupas boas. Nem estavam tão desbotadas assim. 

— Minhas roupas são boas! — Declarou Joey que cruzava seus braços enquanto fazia um pequeno beicinho. 

Uma risada seca deixa os lábios de Kaiba.

— Você usou essas roupas nas finais da Batalha da Cidade, também usou quando duelamos contra aquele lunático do Datz, se não me engano estava com essas roupas quando fomos para o Egito. 

— São roupas boas! — Rebateu Wheeler em um tom mais alto e irritado, mas ele logo abaixou o tom ao perceber que Seto prestava mais atenção nele do que imaginava. — Como se lembrar do que vesti?  Ficava me encarando? 

— Cala a boca. — Seto deitou no sofá,  não pareceu se importar ou se preocupar com a opinião de Wheeler quando colocou seus pés apoiados nas pernas do loiro.  Seus olhos se fecharam de novo, ele deveria estar sentido dor de novo, por isso Joey preferiu não falar nada apenas deixou que Kaiba se apoiasse. 

O silêncio tomou conta do cômodo, era um silêncio que criava um conforto para Kaiba, mas um desconforto enorme para Joey - por isso ele se viu obrigado a quebrar o silêncio: 

— Kaiba.

—Hm? — Ele obviamente não queria conversar, mas seu corpo estava dolorido demais para se levantar e andar até seu quarto, teria que aguentar as conversas desnecessárias de Wheeler.

Joey se preparavam para fazer sua pergunta, mas percebeu que o rosto de Seto estava perdendo sua cor de novo, seus lábios aos poucos ficavam brancos e sua respiração estava mais alta e desregular. Por um momento não soube o que fazer sobre aquilo, mas precisava pensar rápido. 

— Kaiba? —Ao chamá-lo tomou a liberdade para estender sua mão, iria tentar tocar de novo no rosto de Kaiba, mas foi hostilizado de novo e recebeu um tapa para que se afastasse. Kaiba podia estar morrendo, mas não perdir sua postura rude e superior. — Por que você pode me beijar sem nenhum consentimento e eu não posso nem te tocar para ver se está morto?

Seto abriu seus olhos, seus olhos azulados estavam mais penetrantes que o normal, mas o brilho habitual não estava lá, era óbvio que Kaiba estava passando muito mal naquele momento.

— Pare de falar, minha cabeça vai explodir se continuar ouvindo sua voz!  

— Mas o que eu faço? — Conforme Joey falava podia ver uma careta se forma no rosto de Seto, como se ele realmente sentisse mais dor quando escutava a voz do outro, mas a única coisa que fez foi estender sua mão na direção da porta. 

— Chame o mordomo para levá-lo até seu quarto e me deixe em paz! — Disparou Seto que tentou chutar o menor para fora do sofá. 

— Mas não posso te deixa… — Outra frase que Joey não conseguiu terminar por conta da hostilidade de Kaiba. 

— Cale a boca e saia daqui! 

Depois que alguém é tão simpático só resta uma opção, sair. Como Kaiba disse, havia um mordomo aguardado ao lado de fora do cômodo e o guiou até um dos inúmeros quartos da mansão Kaiba. O quarto era maior que os dois quartos do seu apartamento juntos e a cama era gigantesca, mas Joey não conseguiu se focar em nada que estava ao seu redor. O som da tempestade ao lado de fora ajudava a aumentar sua ansiedade, seus pensamentos estavam voltados a Kaiba, se perguntava se ele ficaria bem sozinho naquele lugar.  Porém durantes esses pensamentos uma das frases do mais velho ocuparam sua mente. 

— Minhas roupas não são ruins. — Resmungou conforme tirava sua blusa e calça para poder deitar. — Ele que tem um estilo de playboy e acha que tudo tem que ser do jeito dele, aquele babaca… 

Se jogou sobre a grande cama e puxo as cobertas para cima de seu corpo, ficou se mexendo a todo momento. 

Não acredito que vou passar a noite pensando naquele idiota do Kaiba… — pensou Joey que percebeu desde que saiu de perto de Kaiba, não havia parado de pensar nele um só minuto.

 

[...] 


 

—Quem é tão cedo? — Perguntou Joey que puxava as cobertas para cima de seu rosto, como se isso ajudasse a abafar as batidas na porta de seu quarto.

— Senhor Wheeler. —Chamava uma voz atrás da porta que dava duas batidas antes de entrar no quarto, era o mordomo da mansão, por um momento Joey tinha esquecido onde estava. — Perdão acordá-lo, mas o Kaiba-sama solicita sua presença no escritório dele o mais breve possível. 

— Escritório? — Repetiu enquanto se sentava sobre a cama e coçou seus olhos, sua visão ainda estava meio embaçada devido a claridade e por ter acordado a pouco.

— Estarei ao lado de fora o esperando, para levar o senhor até lá. — Ao terminar de falar o mordomo se retirou para que o hóspede pudesse se trocar .

— Que horas são?— Essa pergunta foi para si mesmo, Esticou um pouco seu corpo para o lado e ficou mexendo em sua calça que estava jogada no chão, não demorou muito para encontrar seu celular e pode ver que o relógio marcava oito horas. Ele amaldiçoou todos internamente, uma das coisas que menos gostava era acordar cedo, ainda mais de uma noite de sono agitado. 

— Kaiba não estava morrendo ontem? — Se perguntava conforme vestia suas roupas com cuidado e passava sua mão pelos cabelos loiros e rebeldes. — Como ele pode estar acordado tão cedo? 

Ao terminar aquela sua breve arrumação seguiu em direção da suíte para poder usar o banheiro. Não demorou mais de dez minutos para sair e começar a acompanhar o mordomo na direção do escritório de Seto. Seus movimentos ainda eram lentos e sua expressão ainda era de sono. 

— Pode entrar, senhor. — Disse o mordomo que abria a porta para Joey, ele agradeceu de forma baixa conforme entrava e via a porta atrás de si ser fechada. Um calafrio subiu por sua espinha, mas ficou surpreso ao ver Seto Kaiba sentado atrás de sua mesa, mexendo em seu notebook, seu rosto estava com uma tonalidade normal e seus cabelos perfeitamente arrumados, na verdade ele por completo estava impecável, não teria como dizer que aquele cara estava jogado no sofá na noite anterior com seu rosto sujo de sangue. 

— Achei que seus cabelos não pudessem ficar pior. — Declarou Seto, que em nenhum momento ergueu seu rosto para Wheeler, apenas seguia digitando em seu notebook. 

Joey ia responder, mas viu que Seto parou por um momento para apontar para uma pilha de papéis que estavam ao seu lado. 

— O que é isso? — Perguntou conforme se aproximava da mesa para sentar na cadeira que tinha à frente da mesa. 

— Seu contrato. Pode ler quantas vezes quiser e se tiver qualquer dúvida pode perguntar, pedi para que trouxessem seu café, logo deve chegar. — O que assustava Joey e que em nenhum momento desde que entrou, Seto havia o olhado. 

— Oh… Obrigado. — Agradeceu um pouco sem jeito conforme pegava os papéis. 

Em toda sua vida Joey nunca havia assinado muitos contratos, apenas o do trabalho na oficina para ser mais exato, mas aquele contrato de Kaiba era um pouco assustador, mas muito convidativo. Começava que seu pagamento seria feito em dólar, o que já valorizava bastante as coisas e quando viu o valor que receberia Joey quase foi direto para página final para assinar, mas conseguiu se controlar.  

Estava focado demais que só percebeu que seu café foi posto à sua frente quando perguntaram sobre a quantidade de açúcar no café. Ele sorriu de uma forma singela dizendo que se virava, realmente não queria atrapalhar ou toma o tempo dos empregados de Kaiba.  Pegou a xícara e tomou um gole do café e seguiu lendo. 

Não era difícil de entender as cláusulas, mas tudo aquilo era uma forma jurídica de dizer  que Seto Kaiba era seu novo dono.  Praticamente Joey não poderia respirar sem pedir autorização do mais velho.  

Bem, se Yugi estivesse ali, com certeza ele aceitaria aquela proposta, era dinheiro o suficiente para ajudar em muitas coisas e rejeitar tudo isso por ter uma implicância besta com Kaiba… Bem, Joey sabia que se fizesse isso seria considerado infantil e praticamente já havia aceitado na noite passado, tinha passado ela inteira testando o novo disco de duelo. 

Um suspiro baixo deixou os lábios do loiro que apenas pegou a caneta a sua frente e assinou seu nome no lugar destinado.  

— Aqui. — Disse conforme entregava a papelada para Kaiba.  

— Ótimo. — Disse o maior que pegava o contrato e abria um sorriso de canto, parecia feliz por ter conseguido aquilo com facilidade. — Termine de comer e se encontre com Mokuba na sala, ele vai escolher seu novo corte de cabelo. — Joey percebeu que Kaiba se divertiu em falar aquilo, mas isso apenas fez Joey dar um pulo da cadeira e aumentar o tom da sua voz. 

— O que!? Um garoto de … — Joey parou e esperou Seto completar com a idade do irmão. 

— Dezesseis.

— Um garoto de dezesseis anos não vai escolher meu corte de cabelo! — Declarou o rapaz em um tom alto e afrontoso, o que não foi o bastante para fazer Seto olhá-lo, seguia com seus olhos azulados focados na tela de seu notebook e parecia não ter mais nada para falar, mas se não fizesse o loiro ficaria o enchendo o saco. 

— Não entendo essa sua necessidade de falar alto. —  O tom de Seto era neutro, mas chamava atenção de Joey, ele achava incrível como o mais velho havia mudado, mas ao mesmo tempo não havia mudado, ele apenas tentava ser mais simpático, mas não sempre. —  E Mokuba não vai estragar seus cabelos e ele não deve escolher nada muito chamativo como o corte de Yugi.  

—  Meu cabelo está bom, não precisa mexer nele e nem nas minhas roupas! 

Um suspiro alto deixou os lábios de Kaiba e a porta foi aberta atrás de Joey, o que chamou sua atenção. Mokuba entrou em passos apressados e parava de Joey perguntando se já estava pronto. 

— Talvez você tenha batido a cabeça nesse meio período de tempo e eu não reparei, mas estava no contrato. Sua aparência é importante e deve aceitar o que eu escolher para você! —  Teve uma certa ênfases na palavra “eu”, apenas deixando claro que Seto Kaiba era praticamente seu dono. 

Não tinha o que fazer, ele havia assinado o contrato. Ver os dois Kaibas parados a sua frente foi um pouco sufocante, como Kaiba era o presidente e Mokuba o vice-presidente, aqueles dois eram seus donos, podiam mexer nele e no seu deck por mero capricho, talvez aceitar aquele acordo não tenha sido a coisa mais esperta que Joey fez.

— Tsc… Certo, certo.  Apenas não alterem a cor do meu cabelo.  —  Finalizou Joey com um pequeno beicinho se formando em seus lábios. 

— Prometo. —  Falou Mokuba com um sorriso satisfeito e agarrou o braço de Wheeler.  

Seto observava os dois saírem de seu escritório e suspirou de uma forma aliviada, finalmente teria um tempo para se focar no trabalho e se os deuses quisessem aqueles dois ficariam fora pelo resto da manhã. 

 

[...]

 

— Por que? —  Questionava Joey que ainda estava mexendo em seus cabelos dourados, tentando se acostumar com o novo comprimento. Felizmente Mokuba não era uma pessoa excêntrica e apaixonada por estilos de cabelo diferentes, como seu amigo Yugi, seu cabelo estava mais semelhante a como estava na Ilha de Pegasus, praticamente ele só pediu para diminuir seu comprimento e deixar sua franja mais definida, mas não perdeu aquele jeito bagunçado, era um bagunçado arrumado - isso que Joey gostava de pensar pelo menos. 

— Porque Seto vai te matar se você fizer algo errado. —  Respondia Mokuba que ajeitava seu corpo no estofado de couro do carro.  O motorista particular estava a caminho do apartamento dos irmãos, Mokuba disse que provavelmente o irmão já teria saído da mansão - o garoto falou por cima de que a mansão trazia lembranças negativas por isso tinham um lugar apenas deles.  

— Eu não vou fazer nada errado. —  Comentou Joey que cruzava seus braços e desviava seu olhar para o lado de fora da janela.  

— Uhum, claro. —  Zombou Mokuba, aquele garoto era tão jovem, mas agia da mesma forma antipática que o irmão. Pelo menos não era um mini sociopata como Kaiba era aos seus 16 anos, Joey ainda conseguia de se lembrar de diversos momentos que sua vida e a vida de seus amigos estavam em perigo e Seto… Bom, Seto tava lá.  Também teve a vez que ele ameaçou se matar para ganhar um duelo. Joey agradecia e implorava mentalmente para que ele tivesse deixado aquela personalidade assustadora para trás. 

— Um festa beneficente não é uma festa com seus amigos. —  Declarava Mokuba que mantinha seus braços cruzados e olhava para o loiro. —  As pessoas esperam que Seto reconheça todas, você ainda não tem essa obrigação porque será apresentado ainda, mas logo terá. Cada pessoa que chegar em você, é sua obrigação cumprimentá-la pelo seu nome e claro, fazer uma pergunta pertinente a sua vida privada, para elas acreditarem que são importantes.  

— Calma…! —  Joey voltou seus olhos para o menor e estendeu suas mãos fazendo um sinal para que ele parasse de falar. —  Quantas pessoas vão nesses eventos? 

—  Hmm… Acredito que mais de mil convidados, mas varia muito de evento, lugar e país. —  Dizia Mokuba em seu tom calmo. 

—  Vocês querem que eu decorre o nome de mais de mil pessoas, o rosto delas e suas famílias? —  Joey quase gritou e foi então que ele percebeu que Kaiba estava certo -falava muitas vezes com um tom elevado demais, Mokuba por sua vez não se incomodava, na verdade achava divertido. 

—  Em partes, mas não se preocupe com isso agora. —  O garoto ainda tinha um sorriso amigável em seu rosto. —  Como é o primeiro duelista que Seto decidiu investir, meu irmão deve ficar ao seu lado o tempo interior o ajudando com essas coisas no começo, também o protegendo de pessoas mais atiradas. Talvez com o tempo ganhe um assistente pessoal.  

Aquelas palavras eram estranhas, na verdade foi a primeira vez que Joey se questionou de verdade o porque daquele investimento milionário em cima de si. 

—  Sou o primeiro que vocês patrocinam? 

— Sim. Meu irmão nunca se interessou por nenhum duelistas, apenas Yugi, mas Yugi se aposentou dos torneios para criar o jogo dele e Kaiba não sentia que ele precisava de ajuda. Mas você nunca percebeu? —  Mokuba deu uma risada baixa conforme se ajeitava melhor para encarar o loiro. — Meu irmão podia muito bem tê-lo ignorado todos esses anos, como ele faz com Tristan, Téa e Duke… O Duke é mais difícil de ignorar porque ele é o protegido de Pegasus, ele é o investimento da empresa de Pegasus… E agora do Yako. —  Mokuba revirou seus olhos conforme falava o nome do mais louco, ele também não tinha experiências boas com o mais velho e não queria nenhum tipo de contato, mas devido a empresa era obrigado a conviver.

Todavia, Joey percebia que o que Mokuba fazia o total sentido, todos esses anos Seto não o ignorou, ele foi ignorado pelo mais velho na ilha dos duelistas, mas na Batalha da Cidade as coisas mudaram, sento parecia prestar atenção… 

— O interesse dele em você aumentou quando derrotou Marik. —  Continuava Mokuba. 

—  Eu não o derrotei. 

—  Derrotou sim, você apenas desmaiou por causa dos truques dele. Mas se você tivesse conseguido fazer aquela última jogada, teria derrotado Marik e ficado em segundo lugar, sem contar que você era o único finalista que não tinham uma carta de deus egipcio, você quase venceu o cara que tinha o Dragão alado de Rá! —  Mokuba parecia empolgado conforme falava, Joey percebeu que talvez uma parte do interesse de Kaiba viesse do irmão. —  Tudo isso com um deck praticamente feito de pura sorte, isso foi uma completa loucura. Tem que ser muito confiante para usar um deck como o seu.

— Deck que Kaiba vai mudar. —  Comentou em um tom cabisbaixo. 

— Ele não faria isso, ele apenas vai ajudá-lo a ter cartas melhores e estruturar melhor, você pode acreditar 100% na sua sorte, mas Seto sabe que não pode contar com isso em todos os torneios. 

Conversar com Mokuba havia sido um tanto quanto esclarecedor. Joey nunca tinha visto as coisas dessa forma. 

— Você tem muito potencial, Joey. — Dizia o garoto com um largo sorriso. — Mas é como o Seto me disse uma vez, o Yugi te ofusca demais.  

Seto Kaiba havia realmente dito aquilo ou Mokuba estava inventado para fazê-lo agir da forma que os irmãos queriam? - esse questionamento tomou conta de sua cabeça até chegarem no apartamento. 

O motorista deixou os garotos na frente do prédio e Mokuba tomou a frente e pediu para que ele o seguisse. O loiro foi andando na direção do elevador e entrou logo depois do menor. 

Mokuba olhou para Joey de canto e deu uma risada baixa ao ver que o loiro parou um momento para se olhar no espelho. 

— Seto não vai reclamar de seu cabelo novo, mas suas roupas… Já não tenho mais tanta certeza. —  Brincou o garoto que saiu do elevador assim que ele parou no andar. 

—  Mas o que tem de errado nas minhas roupas? —  Rosnou Joey conforme saia de dentro do elevador e seguia para o lado de dentro do apartamento. 

Na sala principal, sobre o sofá, tinham algumas caixas e sacolas de lojas que Joey nunca nem tinha respirado perto por medo de ser cobrado, ele sabia que entrasse seria expulso. 

Seto estava com seu notebook sobre a bancada que dividia a cozinha da sala e ergueu seus olhos brevemente na direção do irmão e na direção de Joey. Ele ficou quase um minuto fitando e analisando o novo visual do loiro, mas ao fim voltou seu olhar para o notebook. 

—  Essas são as roupas novas? —  Perguntou Mokuba que se jogava no sofá para verificar o que tinha ali. 

Joey demorou um pouco para entender que aquilo tudo era dele, ainda parecia um gasto idiota e sem nenhum fim, mas pelo pouco que conhecia de Kaiba, sabia que as aparências contam muito para ele e nunca deixaria seu duelista andar por aí com um visual desleixado, as pessoas poderia fazer uma associação negativa a marca e até criarem boatos maldosos referente ao valor de seu contrato. Mas mesmo assim, aquelas coisas… Deveria custar mais que seu apartamento atual e outro ponto que martelava na cabeça de Joey era que ele não vestia naquelas marcas, - ele já havia visto por cima alguns desfiles e coleções por causa de Duke, - e tinha certeza de que nada faria seu estilo. 

— Lembram suas roupas, só que melhores. —  Brincou Mokuba que observava uma das jaquetas que retirava da caixa. 

—  Mas… Eu não uso essas coisas… —  Joey ficou um pouco surpreso ao ver que tinha uma jaqueta normal, sem muitos enfeites, algo que usaria em seu dia a dia. 

—  Agora usa. —  A voz de Seto tomou conta da sala, ele fechou a tampa do notebook conforme se aproximava e cruzava os braços. —  Você representa a minha marca, a minha empresa. —  O tom de Seto era tão autoritário naquele momento. —  Agora você é um funcionário da Kaiba Corp, um funcionário que será visto por todos, por isso aja como tal.

[...]


 

— Você passou a noite na casa do Kaiba? — Questionou Tristan em um tom estridente e claramente alterado, isso se devia a quantidade de álcool que havia consumido. Kaiba costumava reclamar de seu tom de voz alto, mas isso era porque não conhecia direito Tristan. —  E essas roupas?  

Joey cruzou seus braços e revirou seus olhos. Ele sabia que podia encontrar seus amigos com suas roupas normais, mas depois de passar uma tarde nenhum pouco agradável com os irmãos Kaiba -os dois colocando pressão em cima de si e falando o quanto ele deveria zelar pela sua aparência e aparecer como tal em qualquer lugar público. -Joey realmente não queria correr o risco de ser visto de qualquer jeito. 

Sua calça era um jeans mais escuro, e diferente do seu habitual era uma calça mais justa, muito semelhante  às que Seto e Yugi usavam, Sua blusa era preta e grudada em seu torso e por cima uma jaqueta college azul. 

— Não enche. —  Ordenou Joey que tinha um tom mais azedo e tomou um gole generoso de sua cerveja. 

Yugi havia ligado para Joey, quando estava estava no apartamento dos Kaiba, felizmente ele foi liberado e nem precisou dizer aonde ia. Passou em seu apartamento para deixar suas novas roupas e se trocar.
Aquela noite era uma pequena tradição que o pequeno grupo de amigos havia criado com o passar dos anos, se juntavam no apartamento de alguém pelo menos uma vez por mês, escolhiam uma comida aleatória e ficavam bebendo. Naquela noite, por culpa de Duke, a comida escolhida havia sido chinesa.

— Pelo menos vai aparecer bem vestido no casamento. —  Provocou Tristan, que acabou sendo empurrado por Joey. 

— Está tão mal-humorado, parece até seu daddy. — Duke era o mais provocativo do grupo, ele não tinha medo de fazer comentários mais agressivos, afinal, ele não era assim tão próximo.  —  Embora nunca te imaginei com alguém mais velho, o Kaiba tem o que? Trinta e dois?

— Acho que não. —  Continuou Tristan que deu mais um gole em sua bebida. —  A Mai era mais velha e Joey era apaixonado por ela. Acho que Seto e Mai tem a mesma idade. 

Joey tentava ignorar as provocações de seus amigos e apenas se focava na comida que estava a sua frente. Yugi percebia o clima tenso que Duke e Tristan estavam criando naquele momento e apenas tentou mudar o rumo da conversa. 

— Mas fico feliz por você, Joey. —  Declarava Yugi com um sorriso gentil estampado em seu rosto.  —  Você é o primeiro duelista a ser patrocinado pelo Kaiba. Eu sabia que um dia ele veria o seu potencial. 

—  Sim! Isso é uma parte incrível. —  Dizia Joey com um largo sorriso em seu rosto, mas não pode deixar de pensar no que tinha visto na noite anterior. —  Mas estou preocupado com Kaiba. Digo, ele parece muito doente, mas ele não admite em voz alta. 

Duke terminou de virar sua cerveja e apontou para Joey de uma forma tranquila:

— Yako ouviu boatos sobre a saúde de Kaiba, acho que se deve a preocupação excessiva. Desde que Pegasus faleceu as coisas ficaram estranhas, muitas informações vazaram da Industrial Illusions. —  Duke podia ter uma aparência tranquila, mas estava preocupado. Depois que Pegasus faleceu, Duke virou sócio de Yako Tenma, o filho mais velho de Pegasus, que agora era o novo presidente da empresa do pai.  

Joey escutava cada palavra, ele sabia de todas essas histórias por cima, mas conseguia imaginar que aquilo tudo afetasse Seto de uma forma negativa.  A morte de Pegasus ainda era uma coisa mais recente e mesmo que Kaiba odiasse admitir, ele era muito importante para os seus negócios. Mokuba não comentou muito sobre Yako, na verdade pareceu mostrar uma certa antipatia, isso não deveria ser muito bom já que Mokuba refletia muitos dos sentimentos do irmão mais velho.  

Conforme pensava em tudo aquilo não pode deixar de pensar no que tinha ocorrido na noite anterior.

Seto tentaria me beijar de novo? —  Pensou o rapaz que dava mais um gole em sua cerveja. —   Ele teria feito se não tivesse acontecido aquilo... 

— Está com as bochechas coradas, Wheeler —  Provocou Duke que estendeu sua mão para cutucá-lo. —  Deixa eu advinhar, está pensando em Kaiba. 

Joey voltou a realidade e deu um tapa forte na mão de Duke e lançou um olhar severo. 

—  Não seja idiota!  —  Bravejou, mas depois desse momento seu tom ficou mais vacilante, chegando a ter dificuldade para formar sua frase. —  Eu apenas estou bêbado! Nunca ficaria corado por causa de um babaca como o Kaiba. 

Duke e Tristan se entreolharam conforme o amigo falava e resolveram continuar as provocações, Yugi por sua vez percebeu que não conseguiria parar com aquela conversar. 

— Que bom que não se importa com ele, porque seu telefone está tocando e olha só… É ele. —  Tristan falava em um tom calmo conforme apontava para o celular que estava sobre a mesa. 

— Sexta às onze da noite. — Ressalta Duke. — Aposto que ele vai te convidar para experimentar roupas diferentes desta vez. 

Yugi revirou seus olhos e tomou um gole de sua cerveja, sabia que o amigo estava muito perto de agredir alguém ali, a única coisa que pensava era agradecer por não está na mira. Joey, realmente estava muito perto de socar alguém, mas seus olhos estavam voltado para seu celular, não tinha nenhuma ligação nem nada do gênero.  

Suas bochechas haviam ficado vermelhas de novo, ele tinha feito exatamente o que Duke e Tristan queriam. 

— Vão se foder.



 



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