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História Phantasmagorical - Capítulo 8


Escrita por:


Notas do Autor


Quem é vivo sempre aparece né? 👀 KKKKKK

Quero pedir mil desculpas pelo atraso do capítulo. Minha intenção era postá-lo na segunda passada, mas por conta de umas questões pessoais não tava mto no ânimo pra escrever, aí não consegui terminar a tempo :/ acontece

Mas agr vou me esforçar pra postar novamente todas às segundas 🤗 vamo que vamo

Tenham uma boa leitura/.

Capítulo 8 - Embevecer


embevecer

verbo 

1. causar ou manifestar admiração profunda; enlevar(-se), extasiar(-se).

[•••] 

Para o azar de Jaehyun, eram bonecos. 

A casa mal-assombrada, mais uma atração do parque de diversões, era um clichê de filme de terror como qualquer outro. Corredores escudos, decoração bizarra, e monstros automáticos em cada canto da mobília falsa. Infelizmente para o Jung, o caminho para a saída não era indicado, o que tornava uma obrigação visitar todos os cômodos do brinquedo como um labirinto sinistro. Taeyong, acompanhando Jaehyun, ria alto a cada grito afetado que o coreano proferia pelos corredores escuros. 

— Por que está com tanto medo? Nem são atores. — debochou o Lee, no enquanto, entendia o desespero do outro. Na primeira vez em que visitara a atração, não estava muito diferente, mas depois de um tempo se acostumara com os sustos programados da casa. 

— Esse é o problema. — sussurrou o Jung, ignorando a expressão confusa que tomou o rosto do Lee. Era óbvio que ele tinha escutado, afinal, eram os únicos dentro da sinistra cozinha assombrada. Suspirando fundo para espantar o próprio medo, o Jung ditou: — Vamos logo achar o fim dessa desgraça. 

— É um grande ironia. — garantiu o Lee, encarando a expressão assustada no rosto mal-iluminado do outro. Novamente, teve que rir alto. — Um fantasma que tem medo de uma falsa casa assombrada. 

— Ainda sim é uma casa mal assombrada! Você não tem medo, não? 

— Acho que me acostumei com espíritos. — Taeyong provocou, sorrindo largamente com a expressão indignada do outro. O ignorando foda, apontou para a segunda saída da cozinha. — Ei, aquilo é uma noiva cadáver? 

Para o total surpresa do Jung, o Lee apenas correu rapidamente, deixando-o para trás na ampla cozinha sinistra. Jaehyun arregalou os olhos no mesmo instante, não acreditando na tamanha traição do outro coreano. 

— Espera! — ele gritou, seguindo rapidamente na direção que o rapaz havia saído. A porta se abriu para outro extenso corredor cheio de portas, o papel de parede em vermelho sangue, e quadros de uma família antiga que lhe davam arrepios. Mas, é claro, nada da figura de Taeyong. Jaehyun apenas riu nervosamente de sua própria desgraça. — Merda, agora eu me fodi muito. 

Sem outra opção, o Jung apenas cruzou em passos incertos pelo extenso corredor bizarro, pedindo a todos os deuses existentes que nenhum boneco infernal deixasse uma das portas e pulasse para o seu corpo. No meio do caminho, um alto baque inesperado fez com que saltasse em seu próprio lugar, e girando os calcanhares pelo susto, percebeu que a porta que havia cruzado havia estranhamente se fechado atrás de si. 

Bizarro. 

E mais bizarro ainda, fora o som assustadoramente alto de correntes raspando contra o chão, lenta e  perigosamente. O Jung franziu as sobrancelhas, procurando com seus olhos pelo extenso corredor de onde o som provinha, mas não havia nada por perto. 

Bizarro de novo. 

Entretanto, o rapaz nem teve mais tempo para procurar uma justificativa coerente, pois o som bizarro subitamente desapareceu, sendo substituído pelo som alto de uma das portas se abrindo. Dela, Taeyong apareceu, e tão rápido quanto apareceu, praticamente berrou: 

Bu!

O susto de Jaehyun fora tanto que, após soltar a nota mais aguda que suas cordas vocais conseguiam produzir, — mas se perguntassem, diria que o grito fora extremamente másculo, — o Jung sentiu suas próprias pernas vacilarem, o que levou a cair para frente em um baque audível. Detalhe: em cima de Taeyong. 

E em menos de uma semana, estavam protagonizando a mesma cena vergonhosa novamente. 

Jaehyun resmungou pelo dor da queda, mas logo se preocupou com o corpo abaixo do seu. Hesitantemente, levantou-se o suficiente para encará-lo, e quando os olhares se encontraram, sentiu novamente as sensações estranhas dominarem a boca de seu estômago, ainda mais forte do que da primeira vez, enlouquecendo seu coração com a proximidade. Taeyong, sentindo o peso do Jung sobre o seu, não estava muito diferente. Os olhos escuros do outro pareciam hipnotizá-lo, e possuíam uma energia tão diferente que dificilmente o lembrava de seu falecido amor. 

Era apenas Jaehyun. 

— Me desculpe! — pediu o Lee, franzindo as sobrancelhas e temendo alguma reação muito irritada do outro. Talvez tivesse ido longe demais com sua própria brincadeira. Entretanto, ao contrário do que esperava, o Jung apenas riu baixo. 

Duas vezes. Temos que parar com isso. — ele provocou, ainda sobre o corpo do outro. O Lee entendeu perfeitamente, e riu incrédulo, surpreso pela reação tranquila do outro. Engolindo em seco, o Jung pediu gentilmente: — Mas sério, pelo amor de Deus, não faça mais isso. Minha alma acabou de deixar o meu corpo. 

— Outra ironia, não acha? — provocou o Lee, divertindo-se com o franzir de sobrancelhas falsamente indignado do rapaz. 

E ali, deitados e de corpos colados no chão da sinistra casal mal-assombrada, com os olhares intensamente conectados e as sensações estranhas no estômago, ficaram presos no olhar um do outro, completamente congelados em seus lugares. Estavam muito perto, e bastava apenas uma iniciativa para que os lábios se conectassem...

[•••]

— Mas só rimos um do outro e nos levantamos do chão. — o Lee garantiu, observando a expressão do mais novo curvar-se em indignação. 

— O quê?! Não teve beijo?! — Mark reclamou, e sentado na cadeira à frente da mesa do Lee, trajando o uniforme dos funcionários de limpeza, estapeou a própria testa. — Que encontro ruim! 

Taeyong riu baixo, tentando de alguma forma esconder sua visível vergonha com a lembrança para focar-se no mais novo. Adorava as visitas discretas de Mark ao seu escritório, e por mais que não conhecesse o canadense há muito tempo, sentia-se confortável para lhe contar qualquer coisa, como se fossem amigos de longa data. 

— Mark, eu já te disse que não era um encontro. — garantiu o Lee, fingindo interesse nos documentos de sua mesa para que o garoto não reparasse no leve vermelho de suas bochechas. — Só estávamos nos ajudando. 

— Qual é, hyung! Vai me dizer que você não sentiu um clima? — questionou, arqueando suas sobrancelhas. Taeyong, ainda de cabeça baixa, tensionou seus músculos. — Queria beijá-lo, não queria? 

Talvez. — o Lee ditou seu próprio pensamento em voz alta, arregalando os olhos pelo descuido. — Quer dizer, não! — tentou se corrigir, mas ao encarar a expressão convencida de Mark, percebeu que seria inútil. Derrotado, confessou ao garoto: — É confuso demais. Mesmo se eu quisesse, seria errado. Ele é irmão de Jaehwan, eu nunca poderia...

— Certeza? — Mark o cortou, cruzando os braços contra o peito. — Hyung, tenho certeza que o seu falecido namorado barra noivo gostaria que você seguisse em frente. — garantiu o Lee mais novo, embora não estivesse tão certo de suas palavras. Precisava juntar seu hyung com Jaehyun de qualquer maneira. — E outra, você mesmo que disse que esse tal Jaehyun é diferente. Por que não investir?

Taeyong apenas negou com a cabeça. 

— Eu não sei! E outra, eu nem sei se ele se interessa por mim também. 



— Somos só amigos e nada mais. — finalizou Jaehyun, ignorando a expressão indignada de Donghyuck. Mais uma noite de trabalho no sex shop, e após muita insistência do outro Lee, Jaehyun teve de contar em detalhes seu suposto encontro com Taeyong. 

Donghyuck não pareceu satisfeito com os acontecimentos. 

— Me erra, Sunflower! — o Lee reclamou, curvando-se mais na frente do balcão de atendimentos do Jung. Indignado, protestou: — Está na cara que você está afim desse cara. Por que não beijou, idiota?! 

Jaehyun apenas riu baixo, tentando esconder o nervosismo que pareceu assolar seu corpo. Estava completamente perdido em seus próprios sentimentos, e preferia apenas ignorá-los. Taeyong estava se tornando um amigo e nada mais… 

Ao menos era o que esperava.

— Hyuck, eu não poderia. 

— Por que não?

Seria trair o meu irmão. 

— Assunto de adulto, você não entenderia. — provocou o Jung, estendendo a mão para bater breve e levemente contra a pele da bochecha de Donghyuck, como um mafioso de filme antigo. O Lee pareceu surpreso por um momento, mas riu baixo logo que o Jung se afastou. 

— Eu era, literalmente, inimigo do meu namorado, e hoje estou com ele. — o mais novo garantiu, batendo dramaticamente na madeira do balcão. — O que significa que vocês já estão meio caminho andado. É só agilizar as coisas! 

Talvez. — o Jung ditou seu próprio pensamento em voz alta, arregalando os olhos pelo descuido. Rapidamente, corrigiu-se: — Quer dizer, claro que não! Você está assistindo filmes clichês demais, garoto. A vida real não funciona assim. 

Donghyuck, outra vez, não pareceu convencido. Inclinando-se novamente pelo balcão, o Lee provocou em meio a um sorriso sacana: 

— Anote as minhas palavras, hyung: vocês ainda ficarão juntos!

Jaehyun só riu baixo, ignorando as sensações estranhas em seu estômago. Devia mesmo procurar um médico o quanto antes. 

— Nos seus sonhos, garoto. Nos seus sonhos. 

[•••] 

— O que você quer? — Doyoung resmungou, em um tom falsamente mal humorado assim que atendeu a chamada do japonês. A risada baixa e provocativa de Nakamoto soou do outro lado da linha. 

— Um bom dia para você também, querido. — ele brincou, já supondo a expressão debochada que o Kim devia estar assumindo em seu rosto. — Estava pensando em agendarmos aquele encontro. 

Doyoung cruzou pelos corredores agitados da empresa, assentindo gentilmente com a cabeça quando os demais funcionários curvavam-se respeitosamente na sua presença. Forçando um sorriso nos lábios para não parecer antipático demais, resmungou baixo contra o aparelho celular para que ninguém o ouvisse: 

— Achei que você tinha desistido da ideia! 

— E deixá-lo carente com a minha ausência? Claro que não. — garantiu o japonês, rindo novamente quando um suspiro cansado do Kim soou pela linha. Doyoung apressou-se e invadiu um dos elevadores de seu andar. As portas se fecharam, e o coreano apertou os botões do último andar do prédio comercial. — Então, que dia está disponível? 

— Amanhã à noite, talvez. — respondeu o Kim, tentando soar indiferente. Por dentro, podia sentir borboletas irritantes no estômago, mas é óbvio que nunca admitiria em voz alta. Ainda indiferente, completou: — Acho que posso pedir uma folga do escritório…

— Perfeito! Te busco na sua casa. — afirmou o rapaz, o que fez Doyoung arregalar os olhos levemente. Não esperava que o outro rapaz falasse realmente sério, mas já devia ter aprendido a não subestimar Nakamoto.

— Espera, onde você pretende… — a pergunta morreu de seus lábios assim que a chamada fora encerrada pelo japonês, quase no mesmo instante em que as portas do elevador se abriram para o andar desejado. — Desgraçado. — o Kim resmungou, sem conseguir conter o leve sorriso que já marcava seus lábios. Yuta era uma figura e tanto. 

Guardando o celular, guiou-se para o escritório de seu melhor amigo, apenas acenando gentilmente com a cabeça para a secretária. Alcançando as portas duplas de madeira, bateu delicadamente com os punhos antes de abrí-la, recebendo os olhos curiosos de Taeyong sobre si. 

— Alguém está de bom humor! — garantiu que o Lee, sorrindo largamente da expressão confusa que o Kim assumiu ao se aproximar de sua mesa. Acomodando-se na cadeira diante de si, ele indagou: 

— Por que acha? 

— Você bateu na porta. — Taeyong riu baixo, lembrando-se bem da mania do outro coreano em invadir sua sala sem aviso prévio. Deixando os documentos que assinava de lado, o Lee apoiou seus cotovelos sobre a mesa e estreitou seus olhos em uma mescla de curiosidade e desconfiança. — E aí, quais as novidades? 

Doyoung suspirou alto, levando os dedos para ajeitar as mechas negras de seu cabelo. 

— Estava marcando um encontro com o tal Nakamoto Yuta. 

— Não acredito. — Taeyong debochou, levando as duas mãos dramaticamente contra as bochechas. Doyoung só arqueou suas sobrancelhas. — Amigo, você vai finalmente desencalhar! 

— O quê? Não! — riu o Kim, tentando soar indignado, mas não podia esconder o claro nervosismo que marcava seu rosto. — Eu só aceitei o convite por educação, não quer dizer que estamos namorando! 

— Claro, claro. — riu o Lee, claramente não convencido. Voltando a atenção para seus papéis, ele confessou: — Mas acho que você devia investir. Ele parece um ser cara legal. 

Doyoung negou várias com a cabeça, embora a frase do melhor amigo estivesse martelando em sua cabeça. Não podia negar, Nakamoto era um cara realmente interessante, mas era orgulhoso demais para admitir sua própria derrota. Sim, ainda estava rancoroso com o tabuleiro, mesmo que o objeto nem tenha sido de muito uso. Ao tentar usá-lo com o Lee, nada aconteceu. 

— Nem todo mundo quer um relacionamento perfeito como você e Jaehwan tinham. — garantiu o Kim, sem perceber a expressão estranha que assumiu o rosto do amigo. Hesitante, Taeyong apenas disfarçou. — E aí, como estão as coisas com o irmão dele? 

Taeyong não sabia por onde começar. estava mais confuso e perdido do que antes. Em primeiro lugar, começara a se questionar se Jaehwan fora realmente uma boa influência. Realmente o amara de verdade, mas agora conseguia listar mais defeitos do que antes, e se perguntava se o Jung não estava certo, se o seu relacionamento era ou não problemático. E falando de Jaehyun, ele definitivamente era o segundo problema. O Lee não sabia como descrevê-lo, muito menos o que sentia por ele. 

O Jung estava se tornando um conhecido? Amigo? Companheiro? 

O que quer que fosse, não tinha nada haver com o fato de sua aparência ser a mesma do falecido irmão. Taeyong sabia que era outra coisa, mas o quê? 

— Acho que bem. — resumiu, ignorando a expressão de curiosidade o Kim. — Vamos sair novamente amanhã à noite, e antes que você me provoque, não é um encontro. Vou levá-lo para outro lugar que Jaehwan gostava. 

— Onde? 

Taeyong riu baixo, de alguma forma mais ansioso do que antes. 

— Tenho certeza que o Jung vai adorar. 

[•••]

E para a não surpresa do Lee, ele realmente estava certo. 

— É, gostei. — garantiu o Jung, apoiando as mãos na cintura para encarar a fachada do antigo estabelecimento, um sorriso animado marcava seus lábios. — Finalmente uma coisa para eu e meu irmão termos em comum! 

De todos os lugares que imaginara após a estranha visita ao parque de diversões, o novo local havia pegado Jung, no bom sentido, de surpresa. Os dois rapazes encaravam a entrada envidraçada e bem iluminada do que se parecia um antigo pub da cidade. 

— Não sei se isso é bom ou ruim. — o Lee debochou, sorrindo mínimo. — Vamos? 

Adentrando o estabelecimento, Jaehyun reparou nos detalhes do médio local. Assim como qualquer outro pub comum, possuía decoração mais puxada para um bar antigo: amadeirado, com iluminação amarelada, mesas pequenas e arredondadas, alguns tabuleiros de dardos e uma mesa de sinuca. Taeyong o guiou até o balcão do bar principal, onde um jovem rapaz de mechas castanhas e sorriso fácil trabalhava. 

— Hyung! — ele comemorou assim que seus olhos caíram sobre o Lee, apoiando o pano que passava sobre o balcão no ombro. — Quanto tem…— as palavras morreram de sua boca assim que finalmente visualizou Jaehyun ao lado do outro coreano. Seus olhos se arregalaram e sua boca abriu-se em espanto. Taeyong só pôde rir baixo da cena. 

— Oi. — disse o Lee, inclinando a cabeça na direção do outro rapaz. — É, eu sei, assustador. Conheça Jung Jaehyun, irmão gêmeo de Jaehwan. 

Jaehyun sorriu sem graça, curvando-se brevemente com a cabeça para comprimetá-lo. O outro rapaz pareceu recobrar-se de seu espanto, e agora seus olhos piscavam em uma cômica confusão. 

— Não sabia que o falecido Jeon tinha um irmão. — confessou ele, rindo soprado de sua própria incredulidade.

— Acredite em mim, nem ele sabia. — o Jung afirmou, o que embora fosse sério, soou como uma piada cômica para o rapaz desconhecido. 

Rindo, ele finalmente apresentou-se: 

— Sou Jungwoo, é um prazer conhecê-lo.— e sorrindo gentilmente para o Jung, focou sua atenção novamente no Lee. — O de sempre, então? 

— Claro. — Taeyong garantiu, rindo baixo da expressão claramente confusa de Jaehyun. O Lee adorava como o outro rapaz era sempre tão comicamente expressivo, muito diferente de seu falecido irmão. Após pagaram três garrafas médias de soju, guiaram-se para uma das mesas pequenas e arredondadas do estabelecimento, acomodando-se em suas cadeiras altas. Jaehyun piscou incrédulo quando Taeyong, sem ao menos esperá-lo, já enchia o próprio copo com a bebida alcoólica, tomando longos goles como se não fossem nada. 

— Por que está me olhando? — Taeyong indagou, sem entender a expressão estranha do Jung. 

— Não sabia que você bebia assim. — confessou ele, rindo do rosto indignado do Lee. — Me desculpe, é que você sempre me pareceu tão... certinho? 

— Tem muitas coisas que não sabe sobre mim. — Taeyong garantiu, comicamente ditando as palavras em um tom de mistério. Jung riu mais uma vez, servindo-se da bebida alcoólica em seu copo. 

— Então porque não me conta? Sou todo ouvidos. — Jaehyun provocou, lendo perfeitamente a clara hesitação do outro rapaz. — Eu já te contei sobre o meu passado, não contei? Acho que é justo que me conte também. 

— Eu sei, mas é que... — Taeyong suspirou, fugindo dos olhos estranhamente intensos do Jung sobre o seu rosto. Deu de ombros, encarando fixamente seu próprio copo. — Não tenho uma vida tão interessante assim. 

Entretanto, Jaehyun não pareceu convencido. 

— Eu estou interessado. — confessou, o que atraiu novamente a atenção de Taeyong para seu rosto. Sorrindo gentilmente, ele insistiu: — Vamos, me conte! 

Taeyong só pôde rir incrédulo e negar com a cabeça, entretanto, já podia sentir sua própria ansiedade insistir para que contasse as preocupações de sua cabeça. Não tinha problema, tinha? Só estava se abrindo com um novo colega sobre sua própria vida...

Só que esse colega era o irmão gêmeo de seu falecido noivo que, há pouco tempo, fingia ser um fantasma. Ignorando a própria razão de sua cabeça, Taeyong só desistiu. 

— Tudo bem, resumindo: família rica, pai importante, e um futuro decidido como CEO da nossa empresa. 

— Por que sua voz não soou tão animada? — indagou o Jung, estreitando os olhos em curiosidade para o outro Lee. Taeyong só suspirou, bebericando mais um gole de sua bebida. 

— Eu não sei, é só que às vezes não me sinto digno, sabe? Todo mundo sabe que eu só estou nesse cargo por conta do meu pai, e não porque eu realmente mereço. Sem contar que às vezes me pergunto se é isso mesmo que quero para o meu futuro. Sei lá, acho que estou um pouco perdido. 

— Complicado. — concordou o Jung, dando de ombros. — Mas só porque você teve um certo privilégio não quer dizer que você não seja bom. Se você fosse péssimo, a empresa nem andaria. Mas ela anda, não é? 

— Sim, mas eu…

— Tenho certeza de que está fazendo o máximo que pode. — o Jung logo o cortou, entregando-lhe um sorriso de encorajamento que o Lee definitivamente não estava acostumado a receber de ninguém. Com convicção, Jaehyun prosseguiu: — E se ainda está incerto do que quer, você é jovem e tem uma vida toda para decidir o que é realmente importante. Não se torture com tantas dúvidas. 

Taeyong sorriu, de certa forma mais do que surpreso pelas palavras do outro rapaz. O via de maneira tão despreocupada, ou até mesmo indiferente, que não esperava tamanhas palavras de incentivo. A cada segundo, se convencia mais de que ele era o total oposto do irmão. E o Lee não entendia porque estava gostando tanto. 

Coçando a garganta e ignorando o próprio pensamento curioso, o Lee provocou: 

— Desde quando você ficou tão bom com conselhos? 

Jaehyun riu baixo, porque já tinha a resposta perfeita na ponta da língua. 

— Tem muitas coisas que não sabe de mim. — ele garantiu, parafraseando a própria afirmação anterior do Lee. Taeyong riu da ousadia, erguendo seu copo animadamente no ar. Jaehyun o acompanhou, e os pequenos objetos de vidro bateram-se levemente. 

Touché. — riu o Lee, finalizando a bebida em um só gole. Enquanto enchia o pequeno recipiente com mais do líquido alcoólico, confessou em meio a um sorriso incrédulo. — Sinceramente, você é uma figura. 

— E bonitão. — pontuou o Jung, falsamente sério. 

E convencido. — o Lee corrigiu, encarando-o com sobrancelhas arqueadas. 

— E talvez um pouco convencido. — Jaehyun admitiu, bebericando mais de sua bebida e aprofundando-se em um novo diálogo com a agradável companhia que era Lee Taeyong. 

[•••] 

— Por que está vestindo terno? — a pergunta saiu dos lábios de Yuta no automático, que rindo soprado, não podia acreditar no que via. 

Assim como o combinado, se encontrava do lado de fora da ampla casa de Doyoung para buscá-lo até seu suposto encontro improvável. Na pequena varanda da casa, Yuta se encontrava com roupas casuais: calça jeans, jaqueta de couro escura e os cabelos longos propositalmente bagunçados. Entretanto, Nakamoto não podia acreditar na roupa de Doyoung, apoiado na batente da porta, usava: terno, gravata e cabelo penteado para trás, o típico visual de seu trabalho no escritório. 

— Nós vamos para um encontro…? — o Kim constatou o óbvio, sem entender a expressão cômica no rosto do japonês. 

— É, mas eu não vou te levar para nenhum restaurante caro. — Nakamoto garantiu, ignorando a expressão surpresa do coreano. Rindo, garantiu: — Não tenho nem roupa para isso! 

— E para onde vamos? — indagou o Kim, já impaciente. Apoiou as mãos na cintura como que indignado, o que arrancou mais um riso bonito dos lábios de Yuta. 

— Relaxa, pode confiar. — Yuta provocou, piscando sedutoramente para o outro. Doyoung fechou sua expressão, embora pudesse sentir as próprias bochechas corando. Antes que o Kim pudesse deixar a própria casa, Yuta o interrompeu. — É melhor tirar o paletó, te deixa formal demais. — Bufando, Doyoung o fez, apoiando o paletó em suas próprias mãos. Yuta levou a destra comicamente até o próprio queixo, como se estivesse o avaliando com mais atenção. Após um segundo de silêncio, constatou: — É, e a gravata também. 

Doyoung não podia acreditar na ousadia do Nakamoto, e rindo incrédulo, fez o que fora pedido, retornando até sua casa para deixar o paletó e a gravata sobre o sofá. Quando retornou para a entrada, finalmente trancou a porta e o encarou com as sobrancelhas arqueadas. 

— Satisfeito? 

— Muito. — garantiu o japonês, rindo enquanto o guiava até a sua moto. — Vamos?

Doyoung o seguiu, de certa forma inseguro em subir na moto de Nakamoto. Não por conta de seu costume com carros, mas pelo fato da proximidade em que ficariam durante todo o caminho. Ignorando seus próprios pensamentos, o Kim colocou o capacete e acomodou-se atrás de Yuta, hesitantemente rodeando seus braços na cintura do outro. Nakamoto riu baixo da forma como o Kim o abraçava, — como que com medo de intensificar o toque, — mas decidiu ignorar e dar partida em sua moto. Os dois rapazes guiaram-se pela noite da cidade, e em poucos minutos, chegaram ao local idealizado pelo japonês. Doyoung desceu e retirou o capacete, sem entender a paisagem que se formava diante de seus olhos. 

— Você me trouxe para um parque? — indagou, claramente confuso. Para irritá-lo, provocou: — O que vamos fazer, um piquenique? 

— Correção... — Yuta começou, e após apoiar seus capacetes no guidão, o japonês destravou e ergueu o banco de sua moto, surpreendo o Kim pelo compartimento secreto que possuía uma pequena cesta. Retirando-a, ele completou: — …um piquenique noturno.

Aquilo pegou Doyoung de surpresa, que mesmo confuso, decidiu ceder a ideia maluca do outro. Deixando a moto estacionada na calçada, os rapazes cruzaram o gramado da extensão do parque, enfim acomodando-se abaixo de uma árvore. Yuta estendeu a toalha de piquenique escondida na cesta, e ali acomodaram-se, rapidamente servindo-se da comida de Nakamoto preparara. Doyoung encarou a paisagem do parque, — que aquela hora da noite não possuía muitas presenças, — e confessou: 

— Nunca imaginei um encontro aqui. 

— Eu sei que você deve estar acostumado com restaurantes chiques, mas queria te levar para o meu mundo. — Yuta garantiu, sorrindo mínimo ao encarar o céu noturno do local.  — E eu acho que estar ao ar livre com esse céu estrelado é muito melhor do que estar em um restaurante fechado e barulhento. — Doyoung riu baixo, o que atraiu a atenção de Yuta. — O que foi? 

— Nada, é que eu acho muito engraçado. — o Kim admitiu, sem conseguir conter o pequeno sorriso de seus lábios. — Nós somos muito diferentes. Tipo, literalmente opostos. 

— Sei que é clichê, mas os opostos se…. — Yuta interrompeu-se, comicamente franzindo suas sobrancelhas como se estivesse em dúvida sobre a continuação do ditado. —...distraem? 

— Atraem. — Doyoung o corrigiu, mas ao receber o sorriso provocativo do outro em sua direção, entendeu na hora que a havia caído na sua provocação. 

— Então você admite que tem atração? 

Esse garoto...

— Coma o seu sanduíche antes que eu te faça engasgar com ele! — o Kim ameaçou, embora seu tom e o pequeno sorriso em seus lábios não passassem nenhuma credibilidade. Yuta riu, claramente satisfeito pela brincadeira. 

— Agressivo. Não vou negar, gosto. 

Após isso, conversaram sobre tudo e mais um pouco. Yuta revelara sobre o dia em que trancou Jaehyun, detalhe: de cueca, para fora do apartamento, o que arrancou boas risadas do Kim. Doyoung contou sobre a fatídica festa surpresa que recebera alguns anos antes, onde o Kim confundira seus convidados escondidos com ladrões, o que resultou em um inacreditável barraco em sua casa, e foi a vez de vez Yuta gargalhar como louco. Também contaram sobre seus filmes e músicas favoritas, sobre seus maiores medos, e também sobre o que esperavam do futuro e da vida. Embora opostos, pareciam se entender muito bem, e a conversa fluía como se fossem conhecidos de muito tempo. Após longos minutos, — honestamente, já haviam perdido a noção do tempo, — sentiram o que pareceu arruinar o pequeno encontro. 

— Isso foi… — Doyoung começou, limpando o próprio nariz agora molhado. — …uma gota de chuva? 

Para a infelicidade de ambos, o Kim estava realmente certo. O céu, antes limpo e pleno, se fechou em uma velocidade inacreditável, e não demorou para que grossas gotas de água caíssem junto de raios e trovões, os molhando por completo. 

— Ah, merda! — Yuta resmungou, levantando-se em um pulo com Doyoung. Os dois garotos ajeitaram tudo apressadamente na cesta outra vez, e enquanto se molhavam, Nakamoto debochou: — É, às vezes estar em um restaurante fechado também tem suas vantagens. — segurando a cesta em mãos, encarou os olhos do Kim com convicção. — Vamos logo antes de nos encharcarmos. 

— Para onde? — Doyoung indagou, o seguindo apressadamente para a moto estacionada na rua acima. Yuta guardou a cesta no compartimento do banco rapidamente, e para a surpresa do próprio Kim, retirou a jaqueta de couro que trajava para colocá-la nos ombros do corpo trêmulo pelo repentino frio de Doyoung. O Kim arregalou os olhos, surpreso pela proximidade de seus rostos. Yuta apenas riu, ignorando o próprio coração agitado para, ainda debaixo da chuva, ditar: 

— Para a minha casa. 

[•••] 

O pequeno encontro entre Jaehyun e Taeyong não podia estar melhor. Após muitas doses de soju, ambos já encontravam totalmente animados e desinibidos, um efeito claro do álcool em seus corpos. E por isso, quando a banda amadora chegou, posicionou-se no pequeno palco do pub, e começou a tocar uma versão acústica de Still Feel, da banda Half Alive, os dois rapazes sentiram-se livres para levantarem-se de sua mesa e cantar animadamente a canção em meio a passos de dança embolados.

A parte cômica? Ninguém mais estava fazendo aquilo. 

Embora rindo, as demais presenças do pub pareceram se contagiar com a animação estranha dos garotos, e lentamente passaram a se juntar a pequena comemoração da dupla. Mas é claro que nem Jaehyun nem Taeyong perceberam. Estavam focados demais em olhar um para o outro, dançar um com o outro, e cantar emboladamente, —assim como a canção dizia, — o quanto ainda se sentiam vivos. 

Jungwoo, na parte detrás do balcão, não podia acreditar da cena, e sorria largamente ao encará-los com curiosidade. Entretanto, Jungwoo não era o único que os vigiava.

— Vem cá, eles vão se beijar logo ou não? — Donghyuck reclamou, embora falsamente irritado, abaixando a revista que escondia seu rosto para encarar a dupla dinâmica que animava o pub. Mark, sentado ao seu lado e também escondendo o rosto com outra revista, riu baixo. 

— Relaxe. Eles ainda estão se conhecendo. 

— E daí? — o Lee debochou, arrancamdo um riso baixo de seu namorado. Dramático como sempre, o Lee revirou os olhos. — Sinceramente, esses jovens de hoje em dia. 

— Primeiro, você é mais novo que eles. — pontuou o canadense, recebendo um olhar indignado do coreano. — E outra, nem todo mundo é safado como você. 

— O que está insinuando, Mark Lee?! — questionou o garoto, as sobrancelhas arqueadas de forma dramaticamente ofendida. 

Mari riu mais uma vez. 

— Nada. Só devo te lembrar que foi você quem me beijou pela primeira vez, na nossa viagem de formatura. 

— É, mas não se esqueça que o beijo era tecnicamente falso porque estávamos fingindo um namoro! — protestou o coreano, lembrando-se vividamente de como começaram o seu envolvimento romântico. Aquela era uma história e tanto. 

— Falso, mas você gostou, não gostou? — Mark provocou, desviando-se da dupla dinâmica para encarar intensamente o rosto do namorado. Donghyuck queria rebater, mas sempre se sentia derrotado pelos olhos do outro Lee. 

— Me erra, garoto. — provocou, embora um visível sorriso não deixasse seus lábios. Era incrível o efeito que Mark tinha sobre si. 

Quando a música encerrou-se, Jaehyun e Taeyong apenas riram um do outro, as respirações cansadas pela própria comemoração cômica.

— Você é um excelente dançarino. — Jaehyun provocou, apontando diretamente para o rosto do outro. Ainda estava um pouco alterado demais para perceber que a atitude não era lá muito educada. — Já pensou em seguir carreira? 

Taeyong riu como se a a frase fosse a piada mais cômica do mundo. 

— Não, mas vou pensar na proposta. — ele garantiu, em um tom tão confiante que foi a vez de Jaehyun gargalhar. Enfim recuperando a própria respiração, o Lee confessou: — E você... até que não canta tão mal assim! 

— Meu filho, eu sou cantor profissional. — o Jung garantiu, apoiando as mãos na cintura em uma falsa indignação, o que fez os dois rirem novamente. Despedindo-se alegremente de Jungwoo, decidiram que era a hora de ir embora, mas assim que abriram as portas duplas do estabelecimento, foram surpreendidos pela chuva incessante do lado de fora. Estavam animados demais para não terem percebido antes. — Droga, está chovendo muito! O que vamos fazer agora? 

Os garotos se encaram em visível confusão, e embora meio anestesiados, sabiam que voltar no carro de Taeyong era um péssima ideia. 

— Minha casa é perto. — garantiu o Lee, dando de ombros. — Podemos deixar o meu carro aqui e correr até lá…? 

Jaehyun encarou novamente grossa a chuva, e embora não quisesse se molhar, era a melhor ideia que sua mente ainda alterada conseguia pensar. Se estivesse sóbrio, perceberia que o mais sensato era simplesmente chamar um táxi e cada um partir para sua moradia. Mas como não estava, apenas concordou, sorrindo largo enquanto guiava-se apressadamente na chuva para a casa de Lee Taeyong.


Notas Finais


É rapaz 👀 não sei de nada kskskks

Espero que estejam gostando do desenvolvimento dos casais, pq ainda tô meio insegura sobre isso skksks

ps: caso não conheçam a música Still Feel, recomendo demais pq é maravilhosa (principalmente a letra rs)

Até a próxima 🤗


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