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  3. Parte III

História Phantasy - Capítulo 3


Escrita por: carat_mar

Notas do Autor


O capítulo ficou meio grande, não me matem. Cês vão gostar!

Capítulo 3 - Parte III


Os ensaios para as apresentações de fim de ano estão cada vez mais intensos, cobrando nossa perfeição, mais longos, exigindo nossa energia até a última estrela aparecer no céu a noite, e quase na hora do Sol nascer novamente. Por isso, pela dedicação esplêndida do Seventeen, é que somos conhecidos por ser um grupo muito sincronizado. 

Paixão pelo que se faz é essencial para  trabalhar, e nós temos de sobra. Treze corpos suados e vermelhos estão jogados no chão da sala de ensaio, pois o MAMA é em três dias. 

– Vamos pedir uma pizza e ir para casa, querem? – Hansol pergunta esbaforido, o Boo deitado sobre a barriga dele. 

– Quero uma inteira só 'pra mim. – Afirmo minha fome do tamanho de um elefante. WonWoo riu ao meu lado, apertando os olhos e o narizinho fofo. 

– Então você paga a sua Mingyu, o resto a gente divide igualmente para os doze. Seremos justos!  – Jeonghan exige justiça com os gastos, tudo o que ele não tem. 

Impossível não rir da cara dele, até nossos staffs gargalharam da falsidade desse anjo cara de pau. 

Pedimos as pizzas e ficamos deitados esperando, acho que dali a gente só levantaria para ir embora, serão dias desgastantes de treino até a última cerimônia de premiação do ano. Eu não tinha forças para nada, fiquei apenas largado refletindo, quando vejo WonWoo rindo para o celular do meu lado. Cerro os olhos e cutuco o mais velho, que sem tirar o sorriso da cara me olha reluzente. 

– Porque essa expressão tão feliz no rosto? Vai rasgar a boca se não diminuir o sorriso. – Zombei dele. Mas o Jeon ficou sentado e me pediu para acompanhá-lo, logo eu levantando também. O jeito dele era suspeito, olhando para os lados e conferindo se ninguém estava próximo o suficiente para ver a tela de seu celular quando ele virou para mim. 

– 'Tô conversando com o Junhyung. – Colocou a mão na boca para falar. Esbugalhei os olhos e abri a boca. 

– Como assim, está falando com um dos gêmeos? Perdeu o juízo!? Ele vai descobrir quem somos e a gente vai se lascar. – Tomo o aparelho da mão dele. 

– Óbvio que eu sei que a gente não pode se revelar, eu não ia dar um mole desses e virar notícia de coluna de fofoca, 'né Gyu? – WonWoo revirou os olhos e bateu na minha perna, me culpando por chamá-lo de burro. – Eu disse que meu nome é Loonie e coloquei uma foto do Pikachu. 

– Isso é falsidade ideológica. – Segurei um risinho. 

– Só se eu criar um documento falso, eu não vou fazer isso. – Falou e dei de ombros. Então pego meu celular e vejo o contato dele, WonWoo realmente mudou sua foto para um anime. 

– Vai todo mundo te chamar de idiota por causa dessa foto. – Mostro o perfil dele mesmo. 

– 'Tô pouco me lixando! – O mais baixo sorri para sua tela, digitando todo bobinho para o contatinho. – Ele quis saber meu nome lá na boate, falei qualquer merda que veio na cabeça. Aí depois ele pediu meu número, mas fiz o contrário, peguei o dele e tive tempo de fazer minhas mudanças. 

– Foi inteligente da sua parte, mas ainda assim hyung. Tome cuidado. – Digo sério. 

Quem te viu, quem te vê, Jeon WonWoo! Precisei rir dele, um adolescente apaixonado. Vou torcer para ele não se meter em encrenca. Está tão feliz que me deixa tranquilo, depois de ver a confusão que a mente dele se tornou quando duvidou da própria sexualidade. 

– Junhyung disse que o Junhee quer o seu número. Posso dar? – O mais velho mexeu as sobrancelhas, insinuando algo entre nós dois. Novamente eu fico de olhos arregalados. 

– Quê? Não! 

– Porque? Você não curtiu ele por acaso? Poxa, o Junhyung disse que o irmão 'tá caidinho por você. Que estava sonhando com o meu amigo misterioso. – WonWoo falava como se contasse um conto de fadas, um romance de livro best seller. – Aí eu disse que seu nome era Min. 

Dessa vez minha estrutura toda desabou, fiquei branco como um fantasma e perdi a fala. Sei que eu gostei do garoto naquele dia, afinal eu já estava na seca há uns três ou quatro meses, porém, ficar agarrado em alguém não faz parte dos meus planos agora. 

Olho em volta e vejo se o povo está perto, ou eles me veriam surtar com o WonWoo. Faço o possível para manter a postura e ninguém perceber nada. 

– Você definitivamente perdeu a noção do que está fazendo, se eles descobrirem podem até chantagear nós dois ou divulgar por aí na internet. – Brigo. 

– Eles não vão saber, Mingyu. Você põe outra foto de perfil e pronto. – Gesticulou sobre o seu plano infalível. 

– Continuo achando arriscado, nem você devia ter feito isso. E outra, eu fiquei com o cara e foi só isso, a última coisa que eu preciso é de um namoradinho agora. – Debochei, principalmente quando o mais velho se acendeu todo para a notificação que ele recebeu. WonWoo me fuzilou com os olhos. 

– Você é um cara difícil. – Bufou. – Digo o que agora? Que você 'tá fazendo doce? 

Dou de ombros. Não ligo para o que ele vai falar, meu nome – falso ou não – caiu na rodinha sem minha autorização. WonWoo me olha irritado. 

– Poxa, Gyu. Faz dois dias que eu estou aqui, fazendo propaganda sobre você de graça… Conversa um pouquinho com o Junhee, aí você decide se vai 'pra frente ou não e dispensa ele. – O menor implorou, parecia já conhecer muito bem os irmãos. 

Ok, Junhee beijava muito bem, gostei de ficar com ele e realmente não disse meu nome para evitar complicações. Coisa que o Jeon não pensou. 

Mal lembro a última vez que estive com alguém, por isso aquele dia soou mais para uma libertação – principalmente depois da história com WonWoo – do que para curtição. Junhee me deu a sensação de que posso seguir em frente, mas com ficadas aqui e ali. Me apaixonar e sofrer de novo… Nem gosto de pensar. 

– Tudo bem, vou editar meu perfil e você manda para o Junhee. É melhor eu mesmo explicar para ele que eu não quero romance agora. – Falo sinceramente. 

WonWoo sorriu na minha frente. Eu preciso ser igual a ele, dizer a verdade para o rapaz antes que ele se magoe. 



[...] 



Que atire a primeira pedra quem nunca passou pano para si mesmo. Estou só no contatinho com Junhee. Tenho tremedeira toda vez que envio mensagem para ele e fico na espera de uma resposta, ansioso tanto para ver se ele gosta dos mesmos filmes, as mesmas coisas que eu, quanto para ver se ele me responde rápido. Se eu tiver retorno em menos de um minuto é porque ele fica com o celular perto o tempo todo, esperando minhas mensagens. Igual a mim. 

Sinto que tenho quinze anos de novo, durmo com celular embaixo do meu travesseiro soltando suspiros e risinhos encantados, até pareço aquele WonWoo que eu tanto briguei há quatro dias por pegar o contato de um estranho. É, virei um adolescente bobo, acordando e dormindo com mensagem do crush. Sempre que vejo uma notificação no nome do gêmeo a tremedeira acaba, mas o estômago reage como se tivesse engolido cem borboletas. 

É impossível dizer o que exatamente mudou para eu continuar falando com Junhee invés de dispensá-lo. Somos diferentes, mas um diferente parecido. Eu chorei vendo Procurando Nemo e Procurando Dory. Ele também, mas chorou de rir. Foram essas características que me prenderam nele. 

Ontem foi a apresentação do MAMA e ganhamos Artista do Ano pela primeira vez em nossos anos de Seventeen, foi muita felicidade. Mas graças à premiação eu quase não falei com Junhee ontem, então virei a madrugada conversando com ele. Passei a noite em claro. Estou completamente maluco, é isso. 

Dou um risinho besta quando leio a mensagem que chegou agora. 


Junhee: 

Curto EXO, STRAY KIDS e SEVENTEEN 

Td gostoso, vc ñ acha? 



Eu: 

Ashuashuashua

É! 


Preciso mostrar isso a WonWoo depois. Meu crush gosta da gente e alguns outros grupos, e nem desconfia com quem está falando. Junhee ficou uma hora me contando como seria o homem ideal para ele, juntou as características dos membros dos grupos que ele gosta e fez o par dos sonhos. 

Algo me diz que se eu me revelar vou me dar bem. O homem que ele deseja precisa ter a pele bronzeada como o Kai, e o olhar penetrante do Sehun do EXO. Bem, eu tenho a pele bem morena e um olhar sedutor, segundo as fãs. A beleza do Minho do Stray Kids, que eu acho que tenho por ser um visual. E por fim, a fofura e inteligência do Woozi e o inglês do Vernon e do Joshua. 

Eu ri um bocado disso, assim que eu me levantasse da cama ia correndo contar isso ao WonWoo. 

Depois ele me perguntou como seria meu homem ideal. Limitei a minha resposta a somente dizer que poderia ser um cara bonito como o tal de Jeon WonWoo do Seventeen. 


Junhee:

Vamos na boate hj? 

Quero te ver. 


Cem borboletas rodaram no meu estômago para brincar com minhas tripas, fazendo nascer aquela sensação de tontura e vômito ao mesmo tempo. O crush está me chamando para sair de noite e quer me ver! Respiro fundo e seguro a vontade de gritar de alegria ou acordaria meu colega de quarto, mas me cubro dos pés à cabeça e fico inquieto embaixo do lençol, festejando. 

Passei essa noite em claro e pelo visto ficarei outra noite sem dormir. 


Eu: 

Chama o seu irmão 

Vou chamar o Loonie



[...] 



– Qual é o segredo? Diz logo vocês dois, ou eu vou proibir de beijarem a minha filha. – As orelhas de Seungkwan estão a ponto de sair fumaça, tamanha é a raiva e a curiosidade de saber o que WonWoo e eu tanto cochichamos. 

O mais velho e eu nos entreolhamos na mesa de jantar e rimos fingindo desentendimento, estamos em um restaurante depois do Golden Disk Awards

Ainda é cedo para falar o que está rolando aos outros, tenho certeza que a reação deles ao descobrirem do nosso casinho secreto será complicada, são muitos os riscos que WonWoo e eu estamos nos expondo ao sair com dois caras, e isso afeta todos eles. Sem contar Melody, a bebezinha que vive em segredo por vir de um casal gay, nem posso sonhar em como ela ficaria se algo sobre alguns membros serem homossexuais vazasse. 

– Pura imaginação sua, não há nenhum segredo entre Mingyu e eu. – WonWoo se limitou a responder. 

– Só estamos fazendo piadinhas de alguns figurinos bizarros do GDA. – Completo com desdém e o mais velho concorda comigo de modo tão natural que até me assusto, porque a gente não combinou nada. 

– Mentirosos, isso é o que vocês são. Faz dias que estou percebendo esses sussurros no quarto, na cozinha, sempre que ninguém 'tá perto de vocês. Crente que me enganam! – Acho que desde que se tornou pai, o Boo tem sexto sentido. 

– Preciso confessar que também já vi. Ficam mostrando coisas no celular um para o outro. – Jeonghan corrobora. Faço a maior cara de cínico com a mão no peito. 

– Estão trocando nudes? – Hansol pergunta com um risinho. Eu e o outro encurralado da noite ficamos boquiabertos, principalmente depois que todos na mesa fazem um coro de "uuhhh". 

– Qualquer coisa vocês já vão pensando besteira! Deus me livre. – WonWoo se defende. 

Falando por mim, – não posso levantar testemunho de WonWoo – já pensei em pedir para Junhee. Na verdade, quase enviei um primeiro. Ele e eu estávamos fazendo "Verdade ou Consequência" uma madrugada dessas, e o gêmeo me pediu uma foto, por sinal nada reveladora, ele foi respeitoso, eu que fiquei assanhado e quis mandar. 

– A gente deve ter mostrado uma postagem ou outra um para o outro, coisas aleatórias, só isso. – Bebo um pouco de água ao recordar a merda que eu ia fazer. 

– É! Postagens de algumas Carats. – Novamente parece que o Jeon leu minha mente. 

Razão para desconfiar todos eles tinham, mas não entregamos assim de bandeja. 

Após o jantar voltamos para casa, só então peguei meu celular durante o dia inteiro e vi as mensagens de hoje de Junhee, todas comentando do GDA. Fiquei pensando como seria se ele soubesse de mim. Mesmo não sendo diretamente citado por ele quando me contou do seu tipo ideal, pode ser que goste de saber que sou Kim Mingyu. 

Junhee parece o típico cara que idealiza o príncipe encantado, daqueles que escolhe até a  cor dos olhos, mas no fundo quem o faz sorrir é o cara certo. Como aqueles filmes românticos, onde a mocinha percebe no final que seu melhor amigo é amor da vida dela. Quem estava ali o tempo todo, só ela não viu. 

Foram horas conversando sobre os homens mais gostosos da premiação, até me surpreendi por ter me visto na lista dele. Porém, senti ciúmes quando ele citou WonWoo. Os outros não, mas WonWoo estava mais perto dele do que ele imaginava. 

Horas depois da conversa eu dormi e acordei como se tivesse de ressaca, mas era só cansaço da premiação. Quase todos estavam assim também, exceto WonWoo deitado no sofá com a cara metida no celular. Essa hora do dia e ele já está incorporado no Loonie! 

Sento e tomo meu café calmamente, bem ao lado Hansol cuidava de Melody. 

– Pode ficar um pouco com ela, hyung? Vou lá em cima e já volto. – O pai da garota se volta para mim, pois vê que eu já estava terminando. 

– Claro. – Abro um sorriso e os braços para pegar a pequena. Sou recebido por duas mãozinhas gorduchas agarrando meu pescoço. – Saudade do tio Gyu, hein!? 

Imediatamente ouço a risadinha dela. Fico cinco minutos com ela até o Chwe voltar com um remedinho numa seringa. Todo dia de manhã ela toma vitaminas, tudo porque sua imunidade é baixa graças à falta de contato com outras pessoas e bactérias do ambiente lá fora. Melody até parece uma bonequinha de vidro. Linda, mas tão delicada que pode quebrar. 

Dá uma pena! Eu não sei se aguentaria ter uma filha para ela se transformar em um fantasma. 

– Mingyu! – Escuto meu nome lá da sala. Deixo minhas louças na pia e vou até o Jeon que me chama. – Marquei para irmos ao cinema com Junhyung e Junhee amanhã. Já faz tempo que estamos falando secretamente com eles, acho que está na hora da gente se ver de verdade, longe da boate. 

Naquela hora o meu sangue gelou como uma noite sombria e tempestuosa, o momento mais assustador da minha vida, eu diria. De um segundo para o outro WonWoo jogou todas as vidas do Seventeen para o alto. 

– Como assim marcou? Ficou maluco de vez!? – Pego o braço do mais velho e o puxo para o cantinho da sala. – Se eles descobrirem quem somos a casa vai cair, seu doido. 

– Mas Mingyu, uma hora vamos ter que revelar nossas identidades a eles, ou então que tipo de relacionamento é esse? – Falou o menor. 

– Eu penso sim em contar quem sou 'pro Junhee, mas ainda é cedo. Você está indo rápido demais, WonWoo. – Afirmo. 

– Para mim é o contrário, penso que é a hora certa de dizer. O Junhyung quer muito me ver, e eu também quero, nossas conversas estão cada vez mais íntimas, a gente se gosta mesmo. Tenho certeza que vai dar certo se eu contar. Você não sente o mesmo? 

– Sei lá… Mas não sabia que sua relação com Junhyung já estava tão forte. – Cruzei os braços e sorri, vendo o mais velho ficar com o rosto vermelhinho e abaixar o olhar com vergonha por estar apaixonado. 

– As coisas foram acontecendo naturalmente… – Deu de ombros e me olhou sério. – Vamos, Gyu! Quero muito ir, ver se a gente pode avançar. 

Aperto os olhos para pensar se deveria ou não fazer essa loucura com o Jeon e colocar tudo em risco. Eu gosto de Junhee, temos uma conexão muito boa e sentir isso com alguém depois de muito tempo sozinho, sofrendo e catando os pedaços do meu coração é maravilhoso. 

Olho para o menor a minha frente, em sua íris reflete um pouco do que também sinto: um frenesi intenso. O instante se tornou ainda mais alucinante quando o meu celular recebe uma mensagem dele, Junhee, perguntando se eu também queria ir ao cinema. Ao perceber, WonWoo ficou saltitando, implorando para eu aceitar e ir com ele. 

Respondo um SIM com carinha apaixonada, e corro com o Jeon para encontrar uma roupa. Dois doidos desvairados ansiosos para conhecer os crushes



[...]



Uma corrida descontrolada, dessas que ensurdece os tímpanos dos espectadores de um autódromo, acontecia dentro das minhas veias por causa do meu coração a mil por hora, deixando minha face rubra, deteriorando minhas unhas de tanto que comi. Tudo ia definhar em mim antes mesmo dos gêmeos chegarem e decidirem se vão apenas curtir nossa relação ou entregar para um site de fofocas. 

O engraçado, é que perto de WonWoo eu estou muito tranquilo. O mais velho checa as mensagens de dez em dez segundos com a chegada do horário marcado para o encontro e não tira os olhos da entrada do cinema, mesmo eu dizendo que isso dava bandeira. Todos já viram que "Mingyu e WonWoo" estão no cinema do shopping, mas não sabem que estamos esperando dois homens para um encontro às cegas. 

– Eles estão atrasados e não avisaram nada. – Foi a quinta vez que o Jeon olhou o celular em um minuto. 

– WonWoo, são quatro e dois, a gente combinou quatro horas, porque você já está enlouquecendo? – Tento acalmar o outro, mesmo eu estando quase igual. Eu não pegava o celular, mas esticava o pescoço para ver o dele. Enfim, a hipocrisia. 

– Pode ter acontecido alguma coisa, não acha? – Roeu a unha. 

– Não. Vamos comprar um sorvete e relaxar. – Puxo o menor pela mão. Comer ia aliviar a tensão, pelo menos a minha. 

Algumas pessoas dizem que comida resolve tudo, e pior que é verdade. Ficamos comendo nosso gelado de flocos e depois tentamos escolher um filme, mesmo que a gente fosse mudar de opção com a chegada dos outros dois, e começamos a discutir sobre romance, ação ou comédia. 

– Duvido você assistir um filme de terror! – Jeon me cutucou com o braço e riu debochado. Tinha que colocar meu cagaço no meio! Mas se enganou se achava que eu daria um 'piti, porque dei uma colherada no sorvete e respondi convencido. 

– Valendo cinquenta pratas eu assisto. – Levanto o queixo para falar com orgulho. O mais velho riu. 

– Pois eu dobro sua aposta e posso afirmar que você não vai assistir. – Ele estendeu a mão para mim, querendo fechar a aposta. Foi muita audácia, mas eu aceitei. 

Apertamos a mão e sinto o celular vibrar no bolso. O Jeon percebeu e logo se exaltou, imaginando ser os gêmeos chegando. Mas a decepção veio em seguida. 

– WonWoo, Junhee tá dizendo que eles não vão poder vir. – Franzi o cenho, totalmente confuso depois de ler a mensagem e acabar com o ânimo do mais velho também. 

– O que? Por quê? Ele disse alguma coisa? – Do meu lado, Jeon enfiou a cara para ver meu celular. – O carro dele enguiçou! Nossa, que decepcionante. 

WonWoo cruzou os braços irritado, embora a maior parte dele estivesse triste, vi por trás da cortina de lágrimas que encheram seus olhos e ele tentou esconder piscando na tentativa delas não caírem. Preciso confessar que também senti aquilo, mas chorar em público estava fora de cogitação. Talvez seja por isso que ele também se segurou. 

– Vou dizer para ele que está tudo bem, quer voltar para casa? – Pergunto cabisbaixo. 

– Por mim tanto faz. – O Jeon pegou o celular. – Junhyung pediu desculpas para mim também, falou que podemos assistir um filme só nós dois, se a gente quiser. – O mais velho deu de ombros. 

Nós dois nos encaramos, o ânimo já tinha ido para o ralo depois de falarmos com os gêmeos, porém, ainda estava muito cedo para retornar para casa. 

– Então vamos ficar, a gente já está aqui mesmo. – Sugiro. 

– Não sei, fiquei meio desanimado agora. Vamos só comprar um lanche e ir para casa. 

– Para com isso! Não precisamos deles para ter uma tarde divertida, e eu não me produzi todo só para vir e voltar. Merecemos esse break, vai! – Dou uma cotovelada nele. 

Na mesma hora a expressão de WonWoo muda e ele solta uma risada, uma risada que sempre me encantou sinceramente, não pela sonoridade de sua voz rouca, e sim pelo jeito que seu nariz enruga. 

– Podemos assistir qualquer coisa, lanchamos e depois a gente volta. – Dou a ideia. – E outra lição que você precisa aprender, já que descobriu sua sexualidade há pouco tempo, não dependemos de macho nenhum. Na verdade, nem uma mulher deveria também. 

Dessa vez ouvi uma gargalhada daquelas, em seguida tendo meu braço agarrado por ele e sendo puxado para dentro do cinema, rumo à bilheteria. 

– Você venceu, eu topo. Mas se vamos ficar aqui e assistir um filme, vai ser de terror. Lembra? 

Fodeu! Aceitei a aposta crente que iríamos mudar de filme quando os rapazes chegassem, agora vou ter que assistir um filme de terror. 



[...]



Se arrependimento matasse… Eu não estaria morto, pois não me arrependi de ter feito aquela aposta com o WonWoo, mesmo eu tendo perdido cem pilas por passar o filme inteiro com a mão no rosto. A questão é: estou morrendo de medo de dormir sozinho e agora o mais velho vai dormir no meu quarto comigo. O coitadinho está se sentindo culpado e disse que me fará companhia. Não recusei, é óbvio. 

– A luz pode ficar acesa? – Pergunto quando o Jeon está tirando os chinelos para ir deitar comigo. 

– Claro. 

– Não! E apaga logo isso. – O Jeon havia dito que sim, mas Jun, meu colega de quarto, ordenou o contrário. 

– Poxa, Jun! O pobrezinho 'tá se tremendo de medo, deixa a luz ficar acesa até ele dormir, vai. Depois eu apago. – WonWoo tenta barganhar e me defender. 

– Você que não devia ter assistido filme de terror com ele! Sabe que ele é um frouxo. – Jun foi objetivo, jogando a culpa no moreno. 

– Acho que o Junhui passou o dia grudado no Jeonghan, para estar áspero desse jeito. – Zombei, fazendo o menino em pé rir. 

O chinês apenas se virou e foi dormir. E enquanto isso, WonWoo apagou a luz e foi deitar do meu lado, quase grudado em mim pela cama ser pequena. 

Okay, isso pode ser estranho se parar para pensar um pouco. Eu e WonWoo dormindo juntos, o cara por quem já fui apaixonado, coladinho em mim. Mas a cena era bem diferente. Eu coberto dos pés à cabeça, só os olhinhos de fora, com medo do escuro e de alguma assombração. 

Uma risada fofa, bem baixinha, é soprada perto do meu ouvido. É WonWoo, o único capaz de me enxergar na escuridão. 

– Desse tamanho e todo borrado. Você é hilário, Mingyu. – Ele sussurrou. 

– Já estou te dando cem pratas, não custa nada me fazer companhia e também ficar caladinho. Sem piadinhas. – Faço bico. 

– Tudo bem. Vamos dormir. – WonWoo puxou o cobertor e se cobriu. – Boa noite. 

Eu dormi bem, ao contrário do que se possa imaginar, foi uma sensação muito gostosa sentir o calor e o perfume do mais velho do meu lado. Nenhuma assombração invadiu meus sonhos, o mais velho apagou primeiro do que eu, e fiquei lá olhando para ele. 

De manhã, tudo parecia normal. Exceto pela bronca que levamos por ir ao cinema e ver um filme de terror, algo que claramente me faria mal. E depois tivemos que continuar aturando as brincadeiras de Hansol e Seungkwan, o casal que não tira da cabeça que nós estamos tendo alguma coisa. Dormir com WonWoo foi uma bela de uma provocação. Coitadinhos! Não sabem que a verdade é que estamos saindo com um par de gêmeos, cada um saindo com um. 

Acordei hoje com a intenção de deixar Junhee no vácuo por umas horas, só para ele ver um pouquinho como foi ruim ficar esperando por ele ontem. O furo dele e do irmão quebraram toda a minha expectativa, e mesmo ainda não tendo comentado com WonWoo sobre o assunto, provavelmente está com o mesmo sentimento que eu. Já recebi várias mensagens do gêmeo hoje e estou ignorando até agora. 

Tomei meu café, fiquei um pouco com Seungkwan, Hansol e Melody, depois almoçamos e sequer dei um trisco no celular. A pequena filha do Seventeen deu seus primeiros passos, a casa está uma animação só! A cada dia, cada segundo, ela cresce e a casa fica pequena para ela. 

O fim do dia se aproxima. E se eu evitei pegar meu celular durante o dia, WonWoo não saiu do dele um minuto e vi seu humor transitar de triste e raivoso para feliz e bobinho. Seja lá o que Junhyung disse para se desculpar, o Jeon aceitou, mas não tão rápido assim, a cara zangada do mais velho só saiu agora pela tarde. Junhyung precisou suar para conseguir perdão. 



[...]



– Eu não estou sendo trouxa! Só gosto do Junhyung e vou dar uma chance dele se redimir. – WonWoo esbraveja para mim, pois graças à música alta da boate é preciso gritar. 

– Devia ter esperado mais uns dias pelo menos, 'pra eles verem que a gente não vai ficar dando mole. Eles furam com a gente e dois dias depois você me faz vir 'pra boate de novo. – Reviro os olhos dentro da minha máscara preta. E dessa vez WonWoo estava com uma branca. 

– A gente não está dando mole! – Gritou. – Vamos falar sério com eles, dizer que não vamos tolerar sermos feitos de trouxa. 

Jeon WonWoo falando isso chega a ser irônico. Eu sei que também tenho meus encantos por Junhee, porém, o mais velho está tão boiolinha pelo seu companheiro que Deus me livre. 

É claro, todas as minhas forças e crenças sempre mudam quando vejo os gêmeos. O Jeon pelo menos tem coragem de admitir que sente, eu nego, nego, e nego… Até me entregar completamente. Oh eu de boiolinha também! Lá vinham eles, um com uma máscara azul e outro verde, o que me confundiu em ver quem era quem. Do meu lado o menor me olha com a mesma confusão que eu, mas então o de verde vem agarrando minha cintura e o de azul o WonWoo. 

Ótimo! Problema resolvido. É muito fácil ser trouxa de um cara que mesmo não comparecendo quando deve, desperta meu lado mais primitivo. Querendo ou não, eu ficava tão bobinho quanto WonWoo perto de Junhee. 

Como de costume vamos para uma mesa nos fundos. Sempre escolhemos um lugar afastado para evitar olhares em cima da gente. E do jeito que a gente ficava, com certeza os curiosos iam perder a vista sobre nós. Junhee, de máscara verde,  sentou no meu colo como um Leão faminto, e eu era o cervo devorado por seu beijo. Porém, eu gostava dessa brincadeira de ser uma presa indefesa embaixo do gêmeo. 

– Desculpa por eu não ter cumprido o combinado. Precisei ficar trabalhando. – Falou no meu ouvido, respirando em acesso para me provocar com o hálito quente perto da minha nuca. 

– Já até esqueci. – Sorri de canto, imediatamente atacando os lábios dele. 

Eu sou um cara que sempre sabe o que falar, dificilmente uso poucas palavras e frases monossilábicas, até me arrisco a dizer que tenho um dom para comunicação, porém, nesse momento eu passo minhas palavras para os lábios de Junhee, um jeito que arrepia até minha alma para aceitar suas desculpas. Corpo, alma e libido. 

Ponho as mãos na base das costas do mascarado verde e a ponta dos meus dígitos adentram a camisa alheia. Foi tão saliente que assustou o gêmeo fazendo-o se chocar contra mim. Peço para ele fazer silêncio, eu não o machucaria e nem faria nada que ele desaprove, primeiro eu quero curtir e sentir sua língua quente. 

Junhee estava carregado de culpa, não que eu vá tirar proveito ou algo do tipo, vou apenas deixá-lo fazer o que pensa ser necessário para eu desculpar seu erro. E isso não é tirar proveito, senhor Mingyu? Talvez. Um pouco. Sim. 

Do lado oposto da mesa, WonWoo e o de máscara azul estão no mesmo clima, tão intenso e excitante só de olhar. Talvez mais entregues do que nós! Junhyung, no colo do Jeon, esfrega a bunda sobre seu pênis provavelmente duro e molhado, porque só de ver o meu ficou igual. Observo a cena a frente enquanto Junhee chupa o meu pescoço. Mordo os lábios, porém, foi por ver causa da pegação lá no outro lado como se fosse um tipo de pornô ao vivo. É estranho pensar que é meu amigo, e por isso mesmo se torna mais excitante. 

Quando os bombeiros chegarem para perguntar quem começou o incêndio na boate, eu responderia que foi WonWoo e Junhyung que atearam fogo. A boca entreaberta do Jeon durante os beijos me fazia imaginar os seus gemidos, aquela voz grossa clamando para o quase namorado se esfregar com força para ele gozar ali mesmo, na frente da boate. E o mascarado azul, perguntando sedutoramente se ele estava gostando. 

Certo, minha cabeça e o meio das pernas perderam o controle. Encaro o meu gêmeo, segurando com força seus cabelos e mantendo sua cabeça imóvel, eu queria devorar sua boca conforme o ritmo dos meus batimentos aumentam. Meu corpo inteiro suava, pedia por mais, e Junhee se mexeu e riu no meu rosto, compreendendo o que estava acontecendo naturalmente ali. De soslaio ele viu o irmão e WonWoo. Riu cheio de cinismo. 

Ouvir aquele risinho ferveu minha cabeça, mas não tanto quanto no instante em que o mascarado verde se pôs a rebolar em cima de mim, ainda mais provocante do que o outro porque sua bunda era mil vezes maior. Como eu sabia? Óbvio que reparei. 

Hummm… – Solto o som do meu prazer. Santa culpa, fazendo minha noite se tornar um deleite.  

Minhas mãos seguram o quadril do gêmeo indicando o ponto certo do meio das minhas pernas para ele rebolar. Meu ponto de atrito com ele estava rígido e latejante, um pouco surpreso também, a gente nunca fez esse tipo de coisa aqui no clube. Mas cá entre nós, está maravilhoso. 

Conforme eu recebia o carinho da bunda de Junhee, o pênis dele encostava na minha barriga com a proximidade e o movimento. Nasceu em mim uma vontade tremenda de colocar a mão em sua calça e fazê-lo gozar, e assim poder ouvir os seus gemidos no meu rosto. 

– Min! – Ele segurou meu queixo, impedindo que eu continuasse devorando seus lábios. – Vamos lá para cima? 

– Lá 'pra cima? Desculpe, acho que não entendi, como lá em cima? – A gente tinha que falar bem alto. Vendo minha cara de dúvida, Junhee umedece os lábios vermelhos e inchados, mostrando seu braço com a pulseira VIP. 

Pisco várias vezes. Acho que este era o momento mais louco que já vivi, a gente estava a ponto de transar num local cheio de gente e meu amigo há poucos metros de mim, na mesma situação. Melhor que isto, nossos pares hoje tinham passe para as salas individuais do segundo andar. 

– Porque só agora você me diz que está de VIP? – Dou um beijão nele e o tiro do meu colo para levantar. 

O outro casal também estava levantando. Em sincronia, WonWoo e eu nos olhamos, o mais velho com uma cara como se perguntasse porque estávamos indo para lá, se no primeiro dia na boate o mandei ficar longe de homens com pulseira. Só mexo os ombros, afinal os gêmeos não eram totalmente desconhecidos. O mais velho sorriu. 

Subimos rumo ao segundo andar, lugar dos pervertidos e sortudos da boate LGBTQIA . Provavelmente meus princípios estão martelando minha mente, mas a música alta não permite. Acredite, hoje eu estou muito afim de foder. Seguindo Junhyung, WonWoo devia estar alucinado com a possibilidade da sua primeira vez com um homem. Só de olhar para ele eu percebia. 

O segundo andar era feito de salas individuais e alguns seguranças espalhados pelo corredor. Entramos na nossa sala, é a primeira vez que vejo uma e fico chocado. É todo preto, com uma luz bem fraca, para dar o clima erótico espelhos rodam as quatro paredes e o som da música lá embaixo entra aqui por caixinhas presas do teto. Um frigobar no cantinho logo chama a atenção pelas inúmeras bebidas. Um sofá enorme ocupava a maior parede, de frente para a porta, todo em couro preto estava ali para os VIPs fazerem festa, e a gente ia mesmo. Por último, uma mesa no centro e uma poltrona no canto perto da porta. 

O gêmeo que estava comigo foi logo pegar uma cerveja, enquanto isso eu tirei meu casaco e o joguei na mesinha para depois ficar a vontade no sofá. Sofá este, que já tinha WonWoo e Junhyung se pegando na outra ponta. Precisei rir, logo mais eles estariam transando. 

Junhee vem com duas cervejas, mas dá uma para o irmão, eu tendo que beber da dele mesmo. 

– Já tirou o casaco? Gostei. – Sussurrou no meu ouvido enquanto eu dei um longo gole na bebida. 

– E você, vai tirar o que? 

A resposta não veio, pelo menos verbalmente, porque ele desabotoou minha camisa toda e começou a beijar meu peitoral. É, daqui a pouco a gente estaria transando, tão rápido quanto o outro casal. Jogo a cabeça para trás e aprecio a bebida e as carícias maléficas do mascarado verde. 

Já faz tempo que eu não transo com ninguém, na verdade Junhee era o meu primeiro caso em alguns meses. Mesmo aparentando tranquilidade, por dentro eu estava querendo muito uma noite com alguém. Por isso deixo Junhee brincar como quiser com o meu corpo, ele está muito necessitado de toque e calor humano, enquanto eu vou bebendo e olhando de canto o outro casal. 

A música que tocava na boate era Flesh, Simon Curtis. Uma letra inspiradora que descrevia exatamente como eu me sentia, meu sangue pulsando depressa nas veias como uma bomba relógio, a contagem regressiva era o tempo que faltava para eu pegar Junhee de vez e saciar meus desejos. 

Com outra garrafa de cerveja nas mãos, me dei o luxo de deixar escorrer um pouco do líquido pelo meu pescoço no intuito do gêmeo lamber. Assim como a canção de Simon Curtis, meu apetite pedia que alguém me devorasse com força e me fizesse gritar. A boca doce e quente do mascarado verde ativou cada palavra sórdida que eu conhecia em minha mente, ah Junhee foi excelente. 

– Sabe Min... pensei que fosse... mais esperto. – Falou pausadamente, traçando uma linha de chupão até o meu queixo. – Achei que você fosse notar a diferença. – Riu e colou nossas testas. 

– De que diferença você está falando? – Questiono. Ao lado, o mascarado azul também interrompe o beijo com WonWoo e ri. 

– Eu disse que nenhum deles ia perceber. – Falou na frente do WonWoo. Nós dois ficamos confusos, encarando os gêmeos e seu estranho enigma para cima da gente. 

– Trocamos de lugar e vocês nem perceberam que estavam com o gêmeo errado. – O de verde disse. 

– Quê? Você é o Junhyung? – WonWoo encarou o menino no meu colo, o que estava há poucos segundos lambendo a cerveja do meu abdômen. E o de máscara verde confirmou. 

– Não ficou zangado, ficou? – O de máscara azul, que agora eu sei que é o Junhee de verdade, deu um selinho no Jeon. 

Pergunto se uma parte de mim ficou incomodada vendo Junhee, meu ficante, beijar WonWoo na cara dura. Quer dizer, se o fato dele ficar a noite inteira se esfregando no meu amigo não me afetava. Afetava? Será que eu fiquei enciumado? 

WonWoo e eu nos olhamos meio desorientados, sem crer que poderíamos ter sido tão ridiculamente enganados assim. Os dois realmente eram tão parecidos? Talvez o fator complicador tenha sido a máscara e a luz quase inexistente da boate. 

– Porque fizeram isso? Por acaso não estavam gostando da gente e resolveram trocar!? – Pergunto. 

– Imagina! É só uma brincadeira. – Junhyung diz no meu colo. – Costumamos fazer isso com nossos namorados, só para divertir um pouco. 

– Coisa de gêmeos. – Junhee diz com naturalidade, aparentemente eles sempre faziam essa troca de identidades. – Tudo bem 'pra vocês? A gente nunca falou que tínhamos exclusividade, não é mesmo!? 

A resposta para as minhas perguntas pessoais e a de Junhee eram negativas. Não, nenhuma parte de mim foi afetada pela leve traição. Melhor, uma parte foi, mas foi a excitação. 

– Tem razão. – Eu estava prestes a responder, mas WonWoo leu minha mente e se antecipou. E tendo dito, beijou o mascarado azul com avidez. 

Bem na minha frente, Junhyung sorri de canto mordiscando o lábio. Agarro sua cintura e inicio um beijo lascivo, como em Flesh eu queria cravar os dentes e sentir a carne dele para dominar o jogo. Eles querem trocar de lugar, então vamos brincar com esse perigo. 

O perigo tinha gosto de cerveja misturado com menta, esse era o sabor do pescoço de Junhyung quando o suguei ouvindo seu gemido. Para completar os sons da luxúria, WonWoo também gemia ao meu lado sendo atacado por Junhee. Paro e simplesmente fico admirando o meu Hyung naquele estado tão obsceno. 

Os gêmeos tinham razão, por mais que fosse imundo, minha cabeça estava descarrilhando como um trem desgovernado, meus pensamentos ficaram fora de controle ao ver a cena de troca de casal. 

– Viu? É legal. – Junhyung disse e se aproximou do meu rosto, colocou a boca rente no meu ouvido e respirou bem devagar, mordendo o lóbulo da minha orelha. Dei um gole na minha cerveja, e naquele momento ouvi algo inusitado. – Beija ele. – Disse segurando meu queixo, me virando para WonWoo. Simultaneamente, Junhee no colo do Jeon também sussurra no ouvido dele, e vira seu rosto para mim. 

Alguns segundos se passaram até eu entender o que eles estavam pedindo, nem precisava escutar direito o que Junhee disse a WonWoo para eu saber, bastava ver o seu espanto. Mesmo de máscara, nós dois expressamos o mesmo sentimento: confusão. 

Eu viro para o gêmeo do meu colo, incrédulo com o pedido repentino, e rapidamente viro para WonWoo de novo, sem saber como reagir. 

– Beija o seu amigo. – Junhee é quem me pede dessa vez, uma autoridade tão forte na voz como se pudesse mandar num exército inteiro. 

Perco duas batidas no peito, o tempo necessário para que um de nós se aproximasse e conseguisse roubar os lábios do outro. Com certeza o meu juízo deve ter escorregado junto com a cerveja na minha barriga, eu só fixei nos lábios vermelhos e convidativos de WonWoo, entreabertos para respirar, e sucumbi ao pedido dos irmãos. 

Rezei, mesmo bêbado, para não me arrepender depois de beijá-lo. Sei lá se Deus vai dar corda para um bêbado e quanto mais um gay agarrando o melhor amigo, mas pedi de qualquer jeito. A boca de Jeon WonWoo era tão macia e prazerosa de beijar, dei um beijo calmo sentindo cada músculo envolvido e pequenos gemidos dele na minha boca. 

Um estalo separou nosso ósculo, e ainda cara a cara com ele vi a surpresa em sua face. Porém, também havia satisfação pelo que acabamos de fazer. 

Os gêmeos riram no colo de cada um, achei que fosse voltar tudo ao normal a partir de agora, e estava redondamente enganado. Junhyung encarou bem fundo nos meus olhos, seu ar de superioridade me deixou como um rato na gaiola, à mercê dele. Sua única atitude foi apontar WonWoo com a cabeça. Não pensei duas vezes. Muito menos o mais velho. Seguramos um na nuca do outro e reiniciamos o beijo. 

Quanto aos gêmeos, ficaram nos mesmos lugares, assistindo o beijo. O ato era tão estranho quanto nossos parceiros pedindo para que o fizéssemos. Errado e bom, duas palavras que soam contraditórias. 

Pequenos beijos de Junhyung são depositados no meu peito enquanto beijo WonWoo. Ou devo dizer Loonie? Talvez seja isso, Loonie e Min se beijando, e não WonWoo e Mingyu. Por mais que eu me perca, para os gêmeos está certo. 

– Continuem. – Um deles, que não consegui distinguir, disse. 

Ambos saíram de cima de nós, dando espaço para eu me aproximar de WonWoo e passar o braço em volta dele. Nossas pernas se entrelaçaram, assim como as línguas. Estava tudo bem para nós dois a gente se beijar. 

De encontro ao corpo do mais velho sinto ambos suando frio, como se fosse gelo e fogo se esbarrando casualmente e descobrindo uma nova combinação. Quente e frio, não sei quem é quem, a velocidade que nossos músculos bucais se mexiam era grande e profunda confundindo nossas respirações, impedindo que um de nós tivesse controle total do ato, quando na verdade parecia uma disputa. Ora eu devorava sua essência, ora ele. 

No meio da luta, lentamente a mão de WonWoo pousa em minha coxa e aperta a região me provocando em um nível extremo, me dando sensações novas da cabeça aos pés. Todos os meus sentidos ficaram aguçados ao ter o mais velho perto de maneira bem íntima, quebrando toda privacidade que tentamos ter um com o outro. Conseguia ouvir os gemidos dele mesclados com o som do nosso beijo. Minutos atrás eu tentava imaginar como eles eram, de qual forma aquela voz grossa e sedutora poderia proferir coisas sujas e pervertidas para outro homem. 

Eu sou a causa de seus gemidos e os ouço de pertinho. Conforme sugo os lábios do mais velho, acaricio sua nuca para receber mais gemidos de aprovação. Porém, aquela máscara infeliz atrapalha de ver o rosto de WonWoo e poder olhar nos olhos dele e identificar cada sentimento ou pensamento que ele poderia ter diante deste beijo. 

Há meses eu não tinha uma aventura sexual satisfatória causando muita frustração física e mental no meu ser, e quando a noite começou a esquentar eu só queria dissipar todo esse desgosto de um jeito novo. Eu queria que alguém me desse algo novo, que Junhee fosse essa fonte de iluminação e agrado, ou mesmo Junhyung naquela troca maluca. O que estou tendo não beira a novidade, e sim o impossível. 

– Gyu… – A voz grossa e ofegante de WonWoo gemeu meu nome real, provavelmente porque ele estava tão absorto quanto eu a ponto de esquecer nosso disfarce. Impossível. Impossível daquilo acontecer em outra realidade, mas ele subiu a mão da minha coxa para perto da virilha sem medo do contato, sem pensar que somos amigos e colegas de grupo. 

Sou puro deleite e surpresa por tamanha ousadia vindo do mais velho, isso significa que ele independe de medo ou qualquer outro sentimento ruim que vá interromper nossa ocasião. Guiado por todas as atitudes de Jeon WonWoo, desço os beijos pelo seu pescoço, sem dó nem piedade, cravando os dentes em sua pele branquinha e macia. 

Oohh! – Lamuriou encolhendo um pouco o ombro. Maltrato sua derme bem devagar para ouvir cada uivo do menor nos meus braços e lábios. 

– Isso não é estranho, é? – Pergunto entre risinhos intercalados com beijos na clavícula dele. 

– É diferente e gostoso, estranho não... Ooh!  – Rosnou fincando as unhas em minha coxa. – É um pouco de maldade também. – Riu estridente. 

O corpo dele samba nos meus braços enquanto eu castigo uma de suas partes mais chamativas. Era doce vê-lo desarmado pela primeira vez desde sua saída do armário. Doce, e como ele mesmo disse, maldade. 

Perdido na beleza de WonWoo embaixo da minha boca, acabei nem sentindo um dos gêmeos sentando atrás do mais velho e o puxando para si. Para ser sincero já nem lembrava quem era! Ele colocou o Jeon deitado de costas sobre seu peito e sussurrou em seu ouvido. Só naquele instante eu me dou conta de que os irmãos não estão fazendo nada. 

Seja lá o que ele disse para WonWoo, disse e se levantou indo sentar na mesinha de centro na frente do sofá. O outro gêmeo estava o tempo todo sentado na poltrona do outro lado da sala. Já WonWoo, este se levantou indo no pequeno frigobar e trazendo uma cerveja. Mas antes de tudo, ele tomou um longo gole como se tomasse coragem. E acredite, ele tomou. 

O líquido gelado e espumante da garrafa veio de encontro ao meu corpo. WonWoo se pôs no meu colo, uma perna de cada lado, abriu mais a minha camisa e jogou a cerveja por todo meu abdômen. Eu estava morrendo de calor lá dentro e o líquido deu alívio de primeira, mas a temperatura só estava começando a aumentar. A ordem era me lambuzar e me lamber. 

Fecho os olhos e jogo a cabeça para trás, o jogo virou e foi difícil crer no que acontecia. Eu tremia ao sentir a língua quente do menor sobre minha pele, com seus dentes mordiscando os pontos com mais carne. A música de Simon Curtis ecoou na minha cabeça mesmo já tendo acabado, eu me entregaria para ele, seria seu banquete principal e não teria medo de sangrar um pouquinho. 

A máscara branca que o Jeon escolheu para hoje devia ser trocada. Sua boca era habilidosa, ele sabia e quando abri os olhos seu olhar está fixo em mim para acompanhar minha reação. Ele me provocava e não perdia nada, via e se vangloriava por ser tão bom mesmo com a inexperiência. Sua máscara deveria ser vermelha. 

Hey! Shhh… Vem cá. – Novamente não reparo no gêmeo chegando perto, dessa vez de mim. Ele pega o meu queixo e vira para eu olhá-lo. – Chupa ele. 

Assim. Simples e objetivo. Ele me pediu. 

Arregalo os olhos com a revelação. O outro garoto puxa WonWoo de cima de mim, vai para o outro canto do sofá com ele, e começa a abrir a calça dele enquanto lhe segreda no ouvido. Eu me pergunto se ele está confessando que sou eu quem vai fazer o boquete. 

Juro que tento, mas nada me faz compreender o que exatamente está acontecendo aqui, talvez seja muita bebida. Ou muita, muita alucinação minha. 

O garoto abre totalmente a calça de WonWoo e põe a mão nela. 

– Vai. – Ouço a ordem no meu ouvido. 

Olho para a minha frente, vendo o outro induzindo WonWoo a se masturbar, uma cena que vai ficar sempre na memória. O homem por quem já fui apaixonado se tocando e me olhando na espera de que eu fosse lá fazer aquilo para ele. 

Coloco-me de joelhos no chão, na frente de WonWoo, e ponho seu pênis na boca o fazendo grunhir grosseiramente. 

Ele estava quente e duro, muito duro. Engulo tudo, que por sinal era um grande volume que já devia estar o incomodando, e passo a língua na sua glande molhadinha. Sem querer – ou talvez meus desejos mais secretos pedissem por isso e eu tinha medo de admitir – provoquei aquela fera que antes bebia cerveja da minha barriga. Vou até o seu talo com os lábios e subo várias vezes liberando o som da minha saliva. 

Tenho os meus cabelos drasticamente violentados por suas mãos que os seguraram com determinação para me empurrar mais. WonWoo estava fodendo a minha boca, foi a vez dele me maltratar. Conforme minha boca era invadida, a dele soltava grunhidos involuntários enquanto também respirava por ela. 

Amanhã vou sentir as consequências na garganta, mas isso não me impede de chupá-lo com ímpeto para vê-lo gozar em sua primeira relação sexual com um homem. Engulo seu membro até o final e depois tiro, subindo e descendo devagarzinho sentindo cada uma de suas veias pulsando e seu pré-gozo me ajudando a lubrificá-lo. 

É no momento em que quase o tiro da boca e estou chupando sua glande que miro em sua face, rubra e suada, a expressão me pedindo que por favor eu acabasse logo. O corpo do mais velho tremia, a maior parte de sua força estava focada no abdômen quando vez ou outra ele se contraia para conter a eletricidade que percorria em seu baixo ventre. Eu via o quanto estava sendo difícil para ele aguentar firme. 

Subo e desço com seu pênis na boca, rodeando a língua por sua extensão e demorando mais na pontinha que já escorria certo líquido. WonWoo estava quase lá, e para agilizar chupo só metade de seu membro e o restante masturbo com a mão. Os gemidos do mais velho ficam altos demais e arrastados a ponto de alguém do lado de fora conseguir ouvir mesmo com a música, o que provavelmente seria normal a julgar pelo lugar que estamos. 

O quadril do menor se movimenta para cima me fodendo com pressão. Aperto os dentes com os lábios e sugo seu membro até ele encher minha boca de sêmem. WonWoo respirou aliviado a primeira vez a noite inteira, e como se me agradecesse pelo serviço acariciou minha nuca, como o bom menino que eu era sorri de volta. 

É loucura, tudo isso é loucura. Tanto o Jeon quanto eu estamos fisicamente e mentalmente esgotados. 

– Grande trabalho. – Me acordando para a realidade, um dos gêmeos me abraça também de joelhos no chão e me beija, lambendo os resquícios do Jeon nos meus lábios. Quando ele me solta o encaro fixamente, tentando entender aquela loucura. 

Junhee e Junhyung sequer moveram um dedo durante aquele show todo, WonWoo e eu éramos quem se divertia dentro da sala particular, como eles sentiriam prazer em não fazer nada? A conclusão veio logo depois, misturada com um choque tremendo que levaria anos para sair do meu rosto. 

Cada um tem sua fantasia, às vezes umas são bem simples, só uma brincadeirinha na cama com chicote ou uma venda, até mesmo roupa de policial ou bombeiro sexy podem apimentar uma relação, ou satisfazer um dos lados. Aqui a história era outra muito diferente. 

– Come ele. – O gêmeo segurou meu rosto, apertando as bochechas, me virando para a direção de WonWoo. 

O segundo irmão estava ainda sentado na poltrona, com a mão dentro da calça se masturbando. Alterno o olhar entre WonWoo e aquele que me deu uma ordem. Perdi meu último neurônio naquela hora. 

Mais uma vez olho para o menor esparramado no sofá. Nós dois parecíamos confusos, sem saber onde nossos personagens se perderam no meio daquela boate a ponto da gente esquecer que somos amigos e colegas de grupo há anos. Contudo, eles estavam tão desaparecidos que o único pensamento que tivemos na hora que os olhares se encontraram foi uma catástrofe. 

Umedeço os lábios e me levanto do chão, indo para o sofá já abrindo a calça e separando as pernas de WonWoo. 



Notas Finais


Gente, deixa eu sonhar com o Seventeen levando Artista do Ano no MAMA! É proibido, não né? Kkkk'

Prevejo muitos delírios com esse final de capítulo e surtos me xingando nos comentários. 😬 Mas eu sou culpada, falo mesmo. Quem tá ansioso para saber que merda foi essa que os irmãos aprontaram e o que vai acontecer com eles? Gente, confesso que tive essa ideia muito do nada e só quis colocar. Kkkkk Me falem sobre a reação de vocês nos comentários.

O próximo capítulo possivelmente será o último, a menos que eu decida dividir se ele ficar muito grande. Eu ainda não terminei. Por isso até peço desculpas se eu demorar mais um pouquinho para postar de novo, tô tentando fazer algo bom e com qualidade, não quero simplesmente entregar um final pra vocês. É isso. Beijos!! 😘


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