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História Phases - Capítulo 4


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Capítulo 4 - Chapter Four


Estou com uma enorme dor de cabeça só de ouvir a mesma música por três horas! Três horas sentado, vendo o mesmo erro se repetir várias vezes. No momento estou encarando tediosamente Janne falhar na quarta transição de Chopin Op. 9 No. 2. Se ela não fosse uma peça principal da minha apresentação, eu já teria a descartado, porém, aqui estou eu! Com meus ouvidos sangrando encarando a albina com calos nos dedos, após horas da mesma música.

Talvez ela precise de um empurrão para melhorar. Suspiro fundo e a olho de soslaio mais uma vez. Ela parece irritada, entretanto, luta para manter a calma para realizar com precisão as notas. Eu posso ter pego pesado com ela, colocando-a para tocar uma das sintonias mais difíceis de Chopin, contudo, eu preciso a deixá la em outro patamar, só assim ela vai conseguir melhorar. E pelo jeito, ela não conseguir sem um gatilho, e pensando nisso, me levanto da cadeira e vou em direção a porta.

- Aonde você vai?!

- Preciso ouvir outra coisa que não seja… essa coisa que você chama de música!

Com a raiva nítida em sua face, pega uma pedaço de papel e joga na minha cabeça. Fecho a porta da sala e vou em direção ao auditório da faculdade. Só uma pessoa pode me ajudar com Janne, bem, talvez seja porque ela seja melhor que Janne. Abro a porta do auditório e o som da guitarra é presente juntamente com um voz calma e doce.

Ao ouvir aquele som, meus ouvidos gritam de alegria por escutar alguma coisa não errante! Ando vagarosamente até o palco, enquanto observo Fly dedilhando as cordas da guitarra e minha irmã, cantar a música de sua apresentação. Assim que ambos me percebem, sou acolhido com sorrisos. Os dois descem do palco e vem em minha direção.

- O que devemos a sua ilustre presença criatura que infelizmente chamo de irmão?

- Você me ama, isso sim idiota!

Ela ri e me dá um abraço apertado, enquanto observo Fly colocar seu instrumento em cima da cadeira. Me afasto de seu abraço e coloco minhas mãos em seus pequenos ombros.

- Preciso de sua ajuda Luna.

Ela se vira e senta em uma cadeira próxima a nós.

- Depende, eu ganho alguma coisa com isso?

- Sabia que você é uma oportunista?

- Meu tempo é ouro tá meu filho? Faço as coisas de graça não!

Me dou por vencido e sento ao seu lado, enquanto a mesma cruza os braços e me encara curiosamente.

- Sabe quem é Janne Capter?

- Uhm… Já ouvi falar bem dela, violinista né?

- É, ela toca bem, só que a música dela é parada.

- Ué, então ela não coloca sentimentos, é só isso!

Ela vira seu corpo em minha direção e arqueia uma de suas sobrancelhas.

- Não, ela só não valoriza o talento dela, ela meio que trata como um tanto faz!

- E aonde eu entro nesse bolo?

Me levanto animado da cadeira e fico em sua frente.

- Uma competição de violino!

- Não.

Ela se levanta e vai em direção ao palco.

- Porque??! Vai por favor! Você é a única que pode competir com ela! Por favorzinho! Eu imploro.

Pela primeira vez em toda a conversa, Fly mostra um sinal de vida com uma gargalhada extremamente alta. Ele ri por tanto tempo que começa a se contorcer com dor na barriga.

- Oh meu querido, tá vendo algum palhaço aqui?!

Ele recupera o fôlego para falar, porém se apoia em uma das cadeiras, se não, não se manteria de pé.

- É só que você deve ta na lama, pra rastejar por ajuda pra Luna! Viu Diaba, sabia que seu dia ia chegar, brilha estrela!

Por essas palavras, Fly conseguiu um olho roxo. Luna amarra seus cabelos em um coque alto, e vêm em minha direção.

- Okay! Eu aceito, PORÉM, um mês de refeição!

- O QUE?! Tá achando que dinheiro nasce em árvore?!

- Do que são feitas cédulas?

- Papel.

- Que vem?

- Da árvore.

- Então vê se cala a merda da sua boca e vai estudar mongol! Nem parece que é meu irmão, você só me traz vergonha!

Suspiro fundo e desvio meu olhar dela enquanto caminho até a saída.

- Também te amo Lucifer!

Corro em direção a saída rindo, enquanto Luna me xingava até os quatro ventos. Assim que saiu do cômodo, vou direto para sala de música, no qual sou recebido com uma albina completamente estressada. Volto pro lugar onde eu estava antes, e preparo meus ouvidos para o pior.

Para minha surpresa, Janne acerta com maestria todas as notas da primeira parte. Era como se Chopin estivesse finalmente sorrindo para ela. Na segunda parte, além de acertar ela brinca com as notas, me deixando orgulhoso. Com certeza a base era de Chopin, mas ela fez do segundo plano dela. Quando acabou, ela me procura com os olhos com uma espera de alguma reação minha. Suspiro fundo, e me levanto da cadeira indo em direção a ela.

- Depois de meus ouvidos sangrarem, você finalmente me apresentou algo decente, parabéns!

Ela me olha de soslaio e cruza os braços. Eu sorrio sarcasticamente com sua reação.

- Apesar de você ter acertado, depois de trezentas tentativas….Eu estive pensando. Talvez você não seja a pessoa certa para tocar comigo…

-O QUE?! M-Mas eu passei a tarde inteira tocando a mesma música, do jeito que você queria, e você simplesmente quer me trocar?!

Janne ficou branca. Mais branca do que já era, e olha que isso é difícil. Sua face parecia desesperada ao me ouvir dizer aquilo. Só a apenas uma chance dela chegar a perfeição. Músicos têm corações frágeis, eu preciso trincar um pouco o coração dela. Preciso desse sentimento que ela esconde de todos. Nem que isso pese para meu lado.

- Primeiro, não é do meu jeito, é o jeito certo de se tocar. Segundo, tem uma garota melhor que você e não tão problemática. Sem falar que ela tem uma personalidade mais favorável.

Ela abaixa a cabeça, deixando seus cabelo cobrirem seu rosto, me impedindo de ver sua reação. Quando eu fui me aproximar um pouco, uma gota cai no chão. Ela … Está chorando?! As gotas se intensificam e os gemidos entre lágrimas são mais presentes. Eu não trinquei, eu quebrei de vez.

-Eu.. E-eu sei que eu t-tenho problemas em relação aos sentimentos! Eu sei de t-tudo isso a tempos! Mm-as eu estou tentando, tentando melhorar, pra fazer uma apresentação com-m você, por que eu eu não quero que o peso caia sobre-e você… Eu-u sou capaz, p-por favor, não faça isso comigo! De novo-o não!

Meu peito pesa, minha garganta forma um nó ao vê-la num estado tão decadente. Eu normalmente não me importaria mais, é como se fosse um erro terrível se eu apenas ignorasse.  Me aproximo um pouco mais do seu corpo e com minha mão esquerda levanto suavemente seu queixo, me permitindo ver aquelas duas rubis de seus olhos, cobertas de lágrimas. Limpo suas lágrimas com meu polegar e junto seu corpo ao meu a abraçando.

- Eu… me desculpe, eu apenas descarreguei em você… Bem é sua peça.

Repouso meu olhar sobre sua face pálida e triste.

- Uma mulher não deve mostrar um lado tão frágil assim. Não devia cair em lágrimas por uma simples apresentação…

Olhando para aquela face angustiada, seus olhos ganharam um novo brilho, não era de suas lágrimas, era algo a mais. Sinto ela relaxar um pouco sobre minha mão.

- Mas é claro que compreendo sua agonia em querer se apresentar comigo, já que eu sou incrível! Qualquer um ficaria assim em minha presença.

Com a fala eu me distancio um pouco, fazendo uma pose e mexendo em meus óculos. Ela revira os olhos e ri colocando suas mãos em sua boca.

- Você realmente não têm jeito 

- Eu sou perfeito, o futuro símbolo da música

- Uhum… cuidado para não quebrar a cara com esse seu complexo de Deus…

Rio com seu comentário e à empurro fraco, com a mesma rindo com suas mãos em seu estômago. E por um segundo, naquele momento, eu vi o quão aquele sorriso era encantador. O quão a luz que saia da janela dava jus aquela cena, onde ressalta seus olhos finos com suas íris cintilantes vermelhas, e sua postura fina parecia de uma boneca de porcelana, juntamente com sua pele e cabelos albinos. E em um momento, eu agradeci por aquela visão.

Recupero meu ar, juntamente com minha postura e me apoio sobre o piano a encarando, enquanto ela se recuperava.

- Mas olha… se você quiser mesmo essa apresentação, me impressione.

Ela olha para mim, e cruza seus braços e arqueou sua sobrancelha dando um sorriso sapeca.

- Eu não vou fazer um poli dance para você, se é o que espera!

Me espanto e volta a rir, voltando meu rosto para o chão para raciocinar o que acabo de ouvir. Quando voltei a razão, volto meu olhar sobre ela.

- Estou claramente ofendido, não sou um pervertido!

- Jura? Eu apostaria tudo que você é desses caras

- Eu realmente tenho medo sobre sua visão de mim…

Ela move sua cabeça ao teto e suspira fundo, depois caminha sobre minha direção e se apoia ao piano ao meu lado.

- Como posso te impressionar? Claro, que seja relacionado a música! Não estou afim de transar com você para conseguir um bom pianista.

 A olho incrédulo com sua fala

- Depois eu que sou a péssima pessoa da sala! E eu já disse, eu não sou um pervertido!

- Todo pervertido fala isso.

- Ei!!

Ela revira os olhos e sorri.

- Mas agora falando sério, o que eu devo fazer?

- Está disposta a uma competição? Entre você e minha candidata?

Ela olha para a janela pensativa, enquanto morde seu lábio inferior. Por fim, desencostou do piano e fica em minha frente.

- Eu não gosto de perder

- Eu espero que não

Animada, pega seu violino e vai em direção a saída. antes de sair, já na porta, ela me olha.

- Não vou te decepcionar!

- Eu conto com isso

E por fim, ela sai fechando a porta, me deixando sozinho naquela sala. Me levanto e vou em direção a janela. Nevava leve, mas a brisa gelada era forte e parecia que rasgava o ar. Talvez, por um momento da minha vida, sinto uma coisa boa chegando. Algo bom o suficiente para me fazer encantar. Só espero que eu não esteja delirando uma ilusão. Eu… só preciso de algo bom.


 



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