História Phobia - Capítulo 3


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Categorias Haikyuu!!
Personagens Asahi Azumane, Daichi Sawamura, Kei Tsukishima, Koushi Sugawara, Shouyou Hinata, Tadashi Yamaguchi, Tetsurou Kuroo, Tobio Kageyama, Yuu Nishinoya
Tags Daisuga, Fanficsotaconda, Haikyuu, Kagehina, Tsukkiyama
Visualizações 189
Palavras 2.297
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Ficção Adolescente, Fluffy, Lemon, LGBT, Romance e Novela, Yaoi (Gay)
Avisos: Homossexualidade, Insinuação de sexo, Sexo
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


TERMINEI MEU ARTIGO POUHHHA
Crianças não façam pós, vão ser youtubers, dá mais dinheiro e menos trabalho.

Até lá em baixo!

Capítulo 3 - Três.


Sugawara nunca entendeu exatamente de onde saiu toda a confiança que os membros mais novos da equipe depositavam em si. Nishinoya disse uma vez que Suga era a 2ª 'mãe' dos rapazes, e se por um lado ficou desconfortável ao ser comparado a uma garota - afinal, mesmo que levemente mais delicado que os outros brutamontes do vôlei,  Suga ainda é, inquestionavelmente, um rapaz - por outro, o vice capitão ficou extremamente feliz ao ser comparado a uma mãe, visto que esse provavelmente é o nível máximo da confiança que um ser humano pode atingir. E foi essa confiabilidade que levou o pobre e constrangido Hinata a procurar Sugawara após o treino. 

- Então... quer dizer que você tem medo de escuro - ao que Shouyou apenas concordou com a cabeça, tão envergonhado que só queria deitar e morrer - e você não acha melhor não ir ao acampamento. 

Sentiu que os problemas que as pessoas lhe segredavam estavam ficando cada vez mais complexos. Antes era um ou outro coração quebrado, daqui a pouco um Azumane chorão, mas depois de anos oferecendo consultas psicológicas gratuitas, foi a primeira vez que ouviu algo assim. Quando o pequeno ruivo o procurou logo no primeiro dia de treino questionando horários e duração da prática, achou que fosse algum toque de recolher, nunca imaginou que fosse algo tão sério ao ponto de fazer um idiota do vôlei como o pequeno pupilo Hinata, preferir não ir para o treinamento. 

- Não é bem isso Suga-senpai, eu quero muito ir para Tóquio e jogar com um monte de times fortes! O problema é, bem, dormir fora de casa acaba sendo um incomodo para mim e para as outras pessoas. 

Dito isto por experiência própria. Uma vez quando ainda era criança, concordou passar a noite na casa do amigo Izumi para jogar videogame em uma "noite dos meninos". Claro que Izumi e Kouji sabiam desse seu medo de escuro, afinal, quando Shouyou sentava-se no chão e desatava a chorar toda vez que tinha de cumprir algum castigo depois da aula até escurecer, quem você acha que ligava para seu pai vir buscá-lo? Se isto não é a função de um melhor amigo, o que seria? Bem, deixemos o passado no passado e vamos voltar à noite dos meninos, os garotos sabiam de Hinata e concordaram em ficar com tudo aceso, não reclamaram, mas o incomodo foi visível, principalmente no dia seguinte, onde as olheiras deixavam bem evidente à noite mal dormida. Melhor ainda foi quando a mãe de Izumi viu suas carinhas acabadas e, achando que os garotos passaram a noite toda jogando, tirou seu videogame por duas semanas. Os amigos não ficaram bravos nem nada, mas mesmo assim a situação foi ruim o suficiente para Shouyou nunca mais aceitar dormir fora de casa até agora.

Estava chateado com a situação, e isso era fato. Seu maior temor era que, ao não poder ir à Tóquio, o treinador Ukai tirasse sua vaga de titular, ou pior, que o expulsar do time. Hinata não imaginava morte pior do que sair do vôlei por uma coisinha assim. 

Talvez Nishinoya chamando Sugawara de "mãe" durante quase dois anos tivesse mexido com os neurônios do grisalho, porque ver a carinha chateada do novato lhe despertou uma extrema vontade de abraçar o outro, cuidar e proteger de todo o escuro do mundo. É, com certeza a culpa disso é do Noya, lembraria de acertar um saque na cabeça dele mais tarde.

- Olha, conhecendo o pessoal, eu sei que eles são do tipo que onde encostar dorme, e como a gente vai treinar o dia todo, vão estar muito cansados pra reclamar de qualquer coisa, então se eu disser que vou fazer o possível pra não deixar você no escuro, você vai?

Assistiu à luz voltar ao rostinho de Shouyou e logo abrir um grande sorriso, não se negou a sorrir também, mesmo que não soubesse direito o que faria para ajudar o pequeno, se falaria com Daichi ou não, prometeu a si mesmo que cuidaria muito bem do novo - e em sua opinião, o mais fofo - filhote corvo. Assim Hinata aceitou ir ao acampamento sobre a proteção de Sugawara.

O restante da semana se passou, e finalmente a manhã do acampamento chegou. Shouyou seria o primeiro a chegar. Seria se não tivesse topado com Kageyama na metade do caminho. Primeiro caminhavam um ao lado do outro, mas se um dava uma passada dois centímetros maior, o outro dava um passo quatro centimetros maior, e antes que dobrasse a esquina os dois cabeças de vento já estavam correndo. Chegaram ao mesmo tempo na porta do ginásio, e como nenhum dos dois tinha mais fôlego para discutir ficou declarado empate técnico. Aos poucos os demais membros do time chegaram, alguns bastante animados para pessoas que acordaram com o Sol, outros que pareciam mortos vivos ao se arrastarem pelos degraus do ônibus. Hinata passou uns bons minutos parado na porta decidindo em qual lugar iria se sentar queria ver o Sol durante a viagem. Ignorando os gritos de Kageyama que o chamava de imbecil repetidas vezes, escolheu se sentar na janela do penúltimo lugar da esquerda. Provavelmente a orientação geográfica do pequeno Shouyou é tão boa quanto suas notas de matemática, porque escolheu exatamente o lado oposto ao Sol, onde se sentou Kageyama. Até pensou em pedir para trocarem de lugar, mas convivendo com o levantador  nas ultimas semanas, estava ciente que isso só os fariam brigar e provavelmente acabaria com Shouyou sentado no mesmo lugar e um calo na cabeça. Pelo menos Tanaka se sentou ao seu lado, então poderiam se distrair ao longo da viagem. Nishinoya e Azumane se sentaram no banco logo atrás, então conversariam bastante até Tóquio.

Quando as portas se fecharam e o veículo deu partida, Hinata sentiu o estomago doer, antes achou que fosse pela corrida que transformou o café da manhã em um shake de sanduíche de atum no seu estomago. Não podia ser só isso, e a sensação ruim só cresceu conforme o ônibus se distanciava da escola, do bairro e logo da cidade. Em algum momento da viagem parou de prestar atenção na conversa totalmente sem noção de Tanaka e Noya e pousou os olhos no rapaz de cabelos pretos, sentado sozinho no banco do lado. Depois de semanas treinando juntos, não se pode dizer que viraram amigos. Inquestionavelmente se tornaram uma dupla sem igual em quadra, mas fora dela eram quase estranhos. Basicamente não conversavam entre si, e quando conversavam o dialogo se transformava magicamente em uma briga. Demorou alguns minutos na face relaxada do levantador e de como a luz direta do Sol batia nela. Uma cena muito bonita em sua opinião, já que é um tanto raro ver Kageyama sem sua costumeira carranca enfezada. Mesmo que lá no fundo, o rapaz ainda lhe causasse certo temor, passou o resto da viagem assistindo a luz amarelada do Sol da manhã refletida em seus cabelos escuros.

 

Depois de um primeiro dia inteiro de treinos, sua destra já estava quase da cor dos próprios fios laranja, sem falar da dormência nos músculos das mãos. "A sensação  mais GWAAA do mundo" segundo a escala Shoyou de sensações. Se jogar contra os membros do próprio time já era legal, jogar com os times de Tóquio fez seu coraçãozinho dar cambalhotas de emoção. Além de fantástico, o pequeno corvo fez mais amigos no primeiro dia do que conseguiria contar. O capitão do colégio Fukurōdani era simplesmente um dos cinco melhores aces do Japão e seu novo 2º maior ídolo, e seu levantador é muito bom também. Fez muitas amizades com o time da Nekoma, seu capitão também é um bloqueador fantástico, assim como Inuoka que foi a primeira pessoa que conseguiu bloquear seu rápido, ao qual Hinata jurou que não deixaria bloquear nem a metade no dia seguinte. Muito atrás dos dois bloqueadores estava Lev, o gigante meio russo com uma altura desnecessária. De todos os corvos foi o que mais interagiu com os gatos, além é claro, de Tanaka que achou um irmão gêmeo separado na maternidade e Suga que simpatizou bastante com o líbero da Nekoma. Daichi também pareceu bastante comunicativo com o capitão dos gatos, mas ninguém saberia dizer se era simpatia ou algo semelhante à guerra fria.

Além de todas as amizades novas já mencionadas, logo fez uma amizade inesperada com o levantador dos gatos, Kenma. Só o fato de o falso loiro manter um diálogo por mais de cinco minutos com Hinata já foi um espanto geral, principalmente por suas personalidades totalmente opostas. Mal sabiam eles que toda a conversa foi fundamentada pelo gosto em comum por LoL, mas ninguém precisava saber, e no fim do dia já pareciam amigos de longa data.

 

( * )

 

Afinal, Suga tinha razão, no fim do dia e depois de pagar todas as voltas de peixinho possíveis e imagináveis, os outros membros do time estavam exaustos, alguns pareciam que, a qualquer momento poderiam cair duros no chão. Não feliz o bastante, o capitão dos nekos ainda propôs que o time que pagasse mais penalidades faria a limpeza, duplas divididas para cada tarefa, restando a Kageyama e Hinata limpar a quadra.

Não foi de todo o ruim, antes que notassem já estavam treinando o rápido ao invés de guardar o equipamento. Mesmo que não fossem tão próximos ou que nenhum dos dois jamais admitisse, dentro da quadra a interação entre eles tornava-se bastante agradável, quando estavam só os dois, não precisava de palavras nem nada, só confiança pura e inocente. Hinata poderia confiar de olhos fechado que Kageyama traria abola até si, o e levantados poderia confiar que o ruivo estaria lá. Fazer o que você mais gosta com quem te inspire confiança, é tudo que alguém precisa para estar feliz nesse mundo.

Passaram um bom tempo só acertando a bola do outro lado da quadra, e amando um pouco mais o som delicioso, toda vez que a bola acertava com força o chão de madeira. Trocar sorrisos vitoriosos toda vez que o movimento saia perfeito seria o prazer secreto da dupla estranha da Karasuno. Infelizmente não poderiam ficar ali muito tempo, logo Daichi viria ver por que estavam demorando, e se tem uma coisa que ninguém faria nestes três dias de acampamento, seria deixar o capitão mais irritado, então trataram de deixar tudo tinindo, e quando Shouyou terminou de encerar o chão, mal sentia as próprias pernas, praticamente se arrastou até a sala de equipamentos para guardar o esfregão. Passou os dedos pelo interruptor e nada, de novo e nada, a sala continuava escura e sua cabecinha tão cansada que apertou e desapertou o botão pelo menos mais uma dúzia de vezes até entender que a luz queimou. 

Travou ali na porta, olhando para o interior escuro do quartinho. Só naquele dia, entrou ali pelo menos umas cinco vezes, então sabia que no canto direito haveria uma pilha de tatames quase maior que Shouyou; na parede oposta um carrinho cheio de bolas de vôlei e bem ao lado os suportes para as traves e a rede; atrás da porta os materiais de limpeza; em cima dos tatames, uma toalha de rosto que Bokuto esqueceu e em nenhuma das paredes, uma janela. A luz da lâmpada era a única coisa que dava luz naquele cômodo apertado e escuro, e agora com ela queimada, o garoto não soube o que fazer.

- Ta esperando o que pra guardar isso logo imbecil? - O levantador adentrou a sala escura com o esfregão e logo saiu - vai guardar isso ou não. 

Os pés congelados exatamente na risca que divide a assoalho da sala de equipamentos ao piso da quadra, muito medroso pra entrar e orgulhoso de mais pra sair correndo. O levantador parado atrás de si, provavelmente com fome, esperando o ruivo fazer alguma coisa pra irem jantar de uma vez. 

- Kageyama, você pode me ajudar?

Tentou manter a voz o mais firme possível.

- Ajudar com o que? É só guardar o esfregão. 

- Mas - engoliu o restinho do orgulho que ainda tinha - eu não quero entrar ali. Por favor...

- Por quê? Tem medo de escuro agora? - Ver o ruivo engolir o choro foi só o que Kageyama precisou pra notar que acertou em cheio, soltou uma gargalhada debochada - É sério? Cara, você está no ensino médio tem medo de escuro? Que ridículo. Também dorme com a luz acessa?

De novo não precisou de uma resposta, o menor tentava a todo custo esconder o rosto vermelho de quem está a ponto de se desmanchar, o que só acendeu a vontade do moreno de provocá-lo. 

- Tudo bem, eu te ajudo a entrar. 

Em um segundo estava na porta e em outro caído no chão da sala de equipamentos. Estava tão em choque que nem notou o levantador o empurrar.

- Agora você pode demorar quanto tempo quiser. 

Fechou a porta e ficou ali parado alguns segundos esperando os gritos. O mínimo que esperava de um cara barulhento como Hinata, é que saísse correndo e gritando consigo. Calmamente caminhou até a porta da quadra e saiu, esperando o momento em que um bebê chorão passaria correndo.

No momento em que a porta se fechou e tudo se tornou breu, Shouyou sentiu seus ossos virarem pedra. Encostou-se à pilha de tatames logo atrás de si e abraçou os joelhos, não se mexeu e quase não respirou. Se tiver algo ou alguém, se alguma coisa podia acontecer, não queria saber, tinha medo. O que mais o desesperou foi não saber se os olhos estavam abertos ou fechados, não tinha diferença nenhuma. Não conseguia gritar ou correr, então sentado no chão gelado e abraçando às próprias pernas, se deixou chorar baixinho. 

 


Notas Finais


Pois é, sei nem o que falar.
Deixo a caixa de comentários para vossos gritos, xingos e pedradas.
Beijinhos.


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