História Phoebe Caulfield e o Juramento dos Renegados - Interativa - Capítulo 2


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Palavras 6.295
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Comédia, Crossover, Drama (Tragédia), Famí­lia, Fantasia, Ficção, Ficção Adolescente, LGBT, Luta, Mistério, Musical (Songfic), Romance e Novela, Saga, Sobrenatural, Suspense, Universo Alternativo, Violência, Yaoi (Gay), Yuri (Lésbica)
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Pansexualidade, Spoilers, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Aqui vamos nós com o primeiro/segundo capítulo oficial na fic, para não deixar vocês só na tentação até as vagas fecharem. Lembrando, as vagas acabam mês que vem, e ainda estão abertas para reservas.

➡️Luca Hollestele agora interpreta Phoebe Caulfield
🎶 Trilha Sonora do Capítulo: Sing to me Sleep - Alan Walker

Capítulo 2 - Sou Feita de Refém por uma Luz Divina


Phoebe – Sou feita refém por uma luz divina.

PHOEBE, A INCENDIÁRIA.

Bom, bom. Sutil, porém direto e explicativo, mais um apelido a ser adicionado na enorme lista de nomenclaturas que já foram impostas a mim nesse orfanato.

É morbidamente estranho como crianças órfãs tem um dedo extremamente verde para aprontar maldades com outras crianças órfãs. Vamos citar uma coletânea dos melhores apelidos maldosos. Vamos ver: "Phoebe, a órfã", "Phoebe, a estranha", "Phoebe, o retorno da solidão" e até mesmo "Phoebe, a pior Phoebe de todas as Phoebe's". Mas acho que "Phoebe, a Incendiária" se aplica bem, se encaixou perfeitamente bem ao meu novo histórico recente, chegou aos meus ouvidos alguns segundos após eu, acidentalmente, incendiar todo meu orfanato e quase carbonizar todos que estavam lá dentro, inclusive eu mesma.

Qual é, pessoal! A culpa não foi completamente minha, também tivemos a galinha mutante devoradora de olhos, e o monstro leão cuspidor de fogo! Eles tiveram uma leve porcentagem de culpa nisso tudo, mas isso explica que a culpa não é completamente minha.

Foi divertido para uma segunda-feira.

Posso até explicar o que houve, mas veja isso colocando sua conta em risco. A qualquer momento, se você se sentir tocado pela história, ou se identificar ao extremo com ela, cuidado, você pode ser um de nós, e segundos depois já deve ter um monstro na sua porta (provavelmente, sobre ela, pois eles não costumam bater). Mas eu assinei alguns papeis por ai, com um tal escritor dizendo que eu não me responsabilizo, e toda a responsabilidade vai direto pro seu parente de sangue de ouro.

Mas enfim, vamos voltar um pouco no tempo para eu explicar o capítulo um de como minha vida infernal, se tornou uma camada inferior do inferno, acredite, já estive lá pessoalmente. Temos logo: Sou feita de refém por um halo divino. (Se uma pessoa disser que brilha a ponto de cegar os inimigos, tome cuidado, nunca se sabe quando ela está falando sério)

Começamos assim: Prazer, sou Phoebe "insira um sobrenome aqui". Já que sou órfã abandonada bebê no belíssimo (cof, cof, sarcasmo) orfanato clandestino "Milagre & Destino", localizado nos confins do Brooklyn, nunca recebi sobrenome, na verdade, nunca sequer fui propriamente batizada com o primeiro. Deixada numa cesta na porta enrolada em uma manta com o nome "Phoebe" bordado.

E é isso, sem identidade, sem certidão de nascimento, nem um cartão bonitinho de Krypton, apenas eu. A órfã defeituosa com problemas de Déficit de Atenção e Hiperatividade, sem contar uma bela Dislexia apenas para estender a ficha médica que me impedia de ser adotada. E isso já faz 15 anos, e a única coisa que posso fazer é fingir possuir um sobrenome.

Como escola aqui só seria vista no dia que porcos voarem, eu "consegui" (na verdade, eu roubei da biblioteca municipal, por eles não deixarem você ter um cartão de aluguel se não tiver dados base como RG ou certidão de nascimento) um livro pelo qual me apaixonei, "O Apanhador no Campo de Centeio" me deu uma xará, Phoebe Caulfield, e me apaixonei por sua história que desde então, finjo que meu sobrenome é Caulfield para escapar desse mundo sombrio que vivo.

Como já dito, moro no clandestino, falido, pobre, e caindo aos pedaços, Orfanato Milagre & Destino, que fica escondido em um bairro mais falido no Brooklyn, e o nome não é lá muito com sentido. Afinal, o "Milagre" seria você algum dia ser adotado, e o "Destino" era você ser chutado e virar morador de rua assim que completasse 18 anos, afinal, só teríamos acesso á algum tipo de ensino no dia em que pedras falassem comigo.

Na verdade isso aconteceu também, então vamos reformular na edição.

E diferente de muitos orfanatos, éramos clandestinos, ou seja, nada de pensão do governo. E caso você pense em algo do tipo: "Oh, mas crianças órfãs devem ser mais alegres e agradecidas ao mundo e a tudo que tem, carinhosas demonstrando o amor que nunca receberam com os outros, na esperança de serem adotadas"

Não.

Apenas não. 'Nananinanão'. Errou feio! Errou rude!

Se você acha que aqui é Disney, acho que ela fica meio longe do Brooklyn. Aqui não temos muita esperança sobrando, afinal, ninguém nunca vinha aqui, nossa média era de 0 á 0,9 de visitantes por mês, e nem sempre eles adotavam, e quando adotavam, levavam apenas bebês ou crianças menores, e depois de certa idade, ninguém mais era adotado, e logo que faziam 18, eram jogados no mundo. Praticamente a cada centena de crianças, doze eram adotadas por ano.

Isso crianças, ninguém, eu digo, literalmente NINGUÉM adotava adolescentes. Nunca vi ninguém com mais de 9 anos sair pelas portas adotada. E com o tempo, os adolescentes começaram a sentir mágoa dos adultos e dos pequenos, e acabamos descontando uns nos outros. Tradução: brigas, tretas, destruição, mau e discórdia, isso em um dia bom.

E a "Gerência" do Orfanato não tinha muitos fundos financeiros. Por causa da falta de reparos, não era incomum você achar o lugar um nojo à primeira vista, cheio de mofo e tétano a cada passo. Paredes tão rachadas que podia ver os tijolos atrás dela, pinturas furadas, encanamentos estourados, pó de gesso sujando todo o lugar. E não era tão incomum um ou dois blocos de cimento e tijolos, se descolarem do teto e acertar o chão, mas o pior era quando acertava alguém, ai sim, o problema era sério.

A vida aqui não é fácil. Muito menos, suportável. Não somos crianças, somos sobreviventes de ações inconsequentes de pais irresponsáveis.

Agora eu estava deitada em minha "cama", que era na verdade a armação de metal de uma cama coberta de retalhos de tecidos para serem usados como lençol. Fronhas recheadas de jornal amassado eram os travesseiros, e se sentisse frio, nada de cobertas, apenas a própria criatividade. Tentava me concentrar para ler a edição com menos mofo de "O Apanhador no Campo de Centeio" que eu posso, ou não, ter roubado pela 3º vez da biblioteca municipal. (Graças a mim, todo mês eles precisam repor os exemplares)

Estava tentando focar em meu livro, mas o barulho que vinha do quarto vizinho era o suficiente para me deixar surda. Pablo e Arthur eram horríveis quando brigavam, eu conseguia ouvir coisas sendo quebradas através da fina parede de gesso que nos separava. E se você leu bem acima, parabéns, sabe que eu sou disléxica. E se você não sabe o que é isso, é bem simples: inglês para mim é como tentar ler uma mistura de hindu, mandarim, português e hieróglifos egípcios. As letras saltam da página, fazem uma festa, e grudam novamente pior que uma sopa de letrinhas.

Já era difícil ler quando concentrada, com esse barulho ultrapassava o limite do impossível. Desisti de tentar ler quando o barulho aumentou ainda mais, e fechei o livro com força. Levantei da cama, praguejando pela dor nas costas, graças as armações de metal e me dirigi para frente de meu espelho. Ele era, na verdade, um daqueles espelhos de criança, um espelho de mão das princesas da Disney que eu tinha achado no lixo, que eu havia grudado na parede com fita adesiva.

Eu tinha longos cabelos ruivos, bolsas roxas pela falta de sono se formaram abaixo de meus olhos avelã. Eu estava bagunçada e cansada, mas acabei desviando o olhar para o reflexo atrás de mim. Do outro lado do cômodo, uma cama ainda pior que a minha, sem nenhum forro, só a armação enferrujada com algumas hastes quebras e caídas ao chão. Ao encarar, meu coração apertou profundamente.

Era a cama de Ian, meu antigo colega de quarto.

Antes que você, a caro leitor, pense besteira entre um menino e uma menina dentro de um quarto, sem supervisão adulta. Nunca aconteceu absolutamente nada entre nós dois, principalmente por sermos como irmãos, e o orfanato proibir relacionamentos entre os moradores –nada que impedisse muitos. Nós só dividíamos quarto porque o setor de meninas estava lotado, e o único quarto que sobrava era esse, no setor de meninos, e confie em mim, eles são nojentos.

Mas a verdade é que ele é meu ex-colega de quarto, desde algumas semanas na verdade. Ele fugiu, o que não é muito incomum por aqui, estava cansado de forçar a vida aqui e foi tentar por ele mesmo mundo afora. Ele até me chamou para ir com ele, mas eu fui idiota o suficiente para não aceitar, aqui é uma vida difícil, mas é a única que eu conheço. Então tivemos uma despedida dura e ele sumiu do mapa á quase cinco meses.

Ele, na verdade, foi o único amigo que eu já fiz na vida. Entrou no orfanato com 7 anos, após os pais terem morrido em um trágico acidente de carro, e ele não tinha parentes para ficar, não quis papo com ninguém quando chegou, então eu decidi tentar explicar para ele como as coisas funcionavam aqui, e antes que eu notasse, nos tornamos inseparáveis, não lembro de nenhum momento da minha vida sem ele.

E desde que ele foi embora, as coisas ficaram ainda mais difíceis por aqui, comigo sozinha. E uma coisa me machucava bastante, era que, até agora, ninguém havia percebido que ele havia fugido. Quase como se ele fosse insignificante, o que podia ser para eles, mas para mim, jamais.

Voltei a encarar meu reflexo no espelho, e penteei calmamente meus cabelos, uma forma relaxante e que me acalmava, amarrei tudo em um rabo de cavalo e o joguei para trás. Olhei para minhas roupas, sujas como sempre por não termos lavanderia, não passavam de um jeans surrado e uma camisa atacada por traças que eu escondia com um casaco usado que fora doado. Revirei os olhos ao ver o estado de uma das minhas únicas roupas, e me joguei de novo na cama.

Pensei em pegar o livro novamente e insistir em tentar lê-lo, mas quando pensei que o barulho no quarto vizinho havia encerrado, ele voltou com o triplo de força. Nisso me estressei de vez, joguei o livro em um canto, e levantei da cama em passos duros, saindo de meu quarto. Me dirigi ao quarto vizinho, entrando sem nem sequer bater, afinal, a porta estava no chão. (Como, diabos, eles arrancaram essa porta?!)

Ao entrar no quarto, o desastre estava ainda maior. As armações das camas em cantos opostos, colocadas de lado para agirem como barricadas. Lençóis e as finas e velhas cortinas estavam mais rasgados que o normal, espalhados pelo chão, permitindo que o sol da tarde invadisse o quarto. Jornal que rechearia os travesseiros estavam nos menores cortes possíveis jogados no chão, e um pirralho de 14 anos de cada lado, atrás das próprias barricadas atirando meias sujas e roupa íntima usada um no outro.

-O que vocês estão fazendo?! - Eu gritei perplexa com a bagunça para eles, que ainda brigavam atirando sapatos um na cara do outro.

-Sai daqui, Phoebe! - Gritou Arthur para mim, mas no momento em que ele voltou sua atenção a mim, Pablo acertou seu rosto com um tênis. -AI!

-Você mereceu! - Afirmou Pablo se preparando para atirar o outro pé do tênis, mas Arthur atirou uma cueca em seu rosto, e sinto informar que ela estava tão suja, que eu quase via uma fumaça verde saindo de cima dela como um desenho animado. -ECA!

-"Você mereceu!" - Arthur imitou Pablo como uma criancinha de cinco anos. Então eles voltaram a atiram objetos um no outro.

-Vocês querem parar! Quantos anos acham que têm?! - Eu gritei furiosa para eles, mas eles apenas me ignoraram e continuaram a arremessar coisas. -PAREM COM ISSO! - E com isso finalmente chamei sua atenção, após esmurrar com tanta força a parede de gesso desbotado, que uma rachadura se formou, e minha mão ardeu como o inferno, meus ossos entortaram, e eu me arrependi de instantâneo, mas mantive meu semblante sério, fazendo eles largarem as bombas de meia suja e me olharem.

Vocês querem fazer o favor de ficarem quietos?! - Eu berrei nervosa, sentindo uma grande enxaqueca chegando. -Querem aprontar, não destruam o prédio, façam isso lá fora! - Ao falar isso, eles apenas trocaram olhares e começaram a rir, e uma veia quase estourou na minha testa. -Posso saber qual é a graça?

-Só porque você está aqui a mais tempo, você acha que manda na gente? Você não é nossa mãe, só é insuportável demais para te adotarem! - Disse Arthur, irônico como sempre, prosseguindo a risada, fazendo minha respiração travar no caminho do pulmão. -Se me lembro bem, a sua te largou na porta, não é? - O fluxo de meu sangue se inverteu com tais palavras ácidas, e uma fúria avassaladora me atingiu.

-Ah, qualé' Arthur. Não precisa exagerar. - Disse Pablo, mas o mesmo também não parava de rir quando eu cerrava o punho. -'Tá pegando pesado.

-É apenas a verdade, não é Phoebezinha. - Eu odiava esse apelido, ele sabia que eu odiava esse apelido, e usava apenas para me provocar. Deixei meu olhar baixo enquanto eles riam, e me segurei o máximo possível, o que já é difícil pra quem tem hiperatividade, mas apenas abri um sorriso cínico.

-Verdade, eu fui deixada para trás, e ninguém veio tentar me adotar. - Comecei dando um sorriso cínico para eles, que se entreolharam confusos com o rumo da conversa. -Mas os que tentaram adotar você, sempre desistiam, não é? Já foram quantos lares que você foi expulso? Cinco? Seis? - Sei que estava pegando pesado, mas ele que começou, e ver seu ouvido quase soltar fumaça de fúria fez valer a pena.

Me virei para sair, mas antes que eu desse qualquer passo, senti uma força contra minhas costas e eu cai de cara no chão. Quando consegui me virar para cima novamente, Arthur estava sobre mim, me batendo e me arranhando como uma criança de 7 anos faria. Me protegi com os braços e tentei me soltar, mas o imbecil era pesado demais.

Ele berrava como uma criança furiosa, que teve seu brinquedo favorito tomado, em pura birra. Isso já estava chamando tanta atenção pelo barulho, que vários meninos saíram de seus quartos e começaram a encarar a cena do chilique, mas nenhum fazia nada para me ajudar. Os arranhões e tapas já estavam machucando pra valer, mas ainda não conseguia me largar.

-SAI. DE CIMA. DE MIM! - Eu gritei enquanto ele me dava murros e socos.

-Quem é que é problemático agora, sua molenga?! - Ele continuava seu piti, mas eu ainda não conseguia me largar enquanto ele soltava xingamentos imaturos. Mas já estava ficando sem a paciência que me restava, e uma fúria começava a me atingir.

-EU DISSE PARA SAIR! - Ditei as palavras furiosas, e juntei as forças que eu tinha para puxar minhas pernas e escapar de seu embalo. Ainda no chão, flexionei as pernas e chutei sua barriga com o máximo de força que eu tinha.

Acho que eu tinha força demais, e não sabia, por que ele foi atirado na parede mais próxima, ao lado da porta de seu quarto. Um barulho assustador de sua cabeça atingindo o gesso chegou aos meu ouvidos, e vi ele cair sentado, desnorteado. Ele levantou a cabeça, ainda zonzo, e imediatamente massageou a parte atingida da cabeça. Ele pareceu lembrar que a culpada era eu, estava pronto para me atacar novamente, mas um som estranho foi ouvido antes.

Crack

Atrás dele, o amassado que sua cabeça fez do gesso velho, criou uma fissura que foi subindo, e subindo pela parede. Quando finalmente chegou ao teto, a rachadura se dividiu, mas se encontrou novamente depois, formando um círculo torto, e antes que eu notasse, e gesso se desprendeu do teto e atingiu direto a cabeça de Arthur.

Minha mente deu pane, e eu só voltei a raciocinar quando vi Pablo correr de encontro para o corpo inerte de Arthur no chão. Ele o virou, e foi ai que vi o corte horrendo na testa, feito pelo sólido pedaço de gesso. Sangue escorria pelo enorme machucado, e se misturava com o pó de giz do gesso, formando uma massa assustadora.

Não estava pensando direito, mas apenas vi o olhar de todos no corredor se virarem para mim. Vi todos começarem a sussurrar entre si, recuarem passos assustados. Vi um único garoto descer as escadas correndo para chamar ajuda, mas o olhar sobre mim me fez sentir uma formiguinha em meio de gigantes.

-Monstra! - Minha atenção foi chamada quando vi Pablo apontar diretamente para mim, com o rosto marejado pelas lágrimas de medo. Seu dedo tremia enquanto apontava na minha direção, e acabei recuando dois passos em reflexo. -Sua monstra, a culpa é sua!

Minha culpa...?

Como eu poderia ter feito aquilo, de qualquer modo? Isso era impossível!

Não era...?

[...]

-Ele vai ficar bem? - Sentada em uma cadeira na assustadora sala do diretor, me encolhia cada vez mais, me relembrando das imagens.

Do outro lado da mesa-escrivaninha que nos separava, estava Victor, o diretor do orfanato, me encarando com feições sérias. Ele era, literalmente, o único adulto aqui além das cozinheiras, era a "gerência" que eu havia falado. Ele era pálido, alto, cabelos grisalhos e olhos afiados, magrelo e ossudo, e até hoje ainda não entendia porque ele preferiu gerenciar um orfanato, seria melhor como Conde Drácula do teatro, ou no mínimo, um velho coveiro de cemitério.

-Foi levado ao hospital. - A voz de Victor era rouca, gralhada e rachada. Parecia a voz de um narrador de filme de terror, ou a voz de quem fala em um microfone com defeito. -Teve uma concussão, foi grave, mas vai sobreviver. - Seu rosto era sem emoção como uma estátua, mas apenas pelo modo como ele me encarava, eu já queria me esconder no porão. -Mas além do problema de não termos verba suficiente para pagar seu tratamento, temos um maior.

-Qual? - Não pude analisar se era uma pergunta retórica ou não, mas respondi de cabeça baixa quando ele levantou de sua cadeira, e começou a andar ao redor do escritório, me deixando nervosa quando ele parou atrás de mim, agarrando cada lado da cadeira.

-Como isso aconteceu? - Seu tom era sério e acusativo, com toda certeza ele não acreditou em nada do que havia dito, e com sua presença na minha nuca, me deixava apavorada.

-Eu já contei: Os meninos estavam brigando, quando eu tentei pedir silêncio, Arthur avançou em mim. - Respondi, o mais calma possível, encarando meu sapatos velhos para evitar contato visual.

-Isso eu já estou ciente. Quero saber como o garoto ficou com um buraco do tamanho de uma pedra na cabeça...

-Eu disse, um pedaço do teto descolou e acertou ele! - Eu já estava me estressando com tanta desconfiança e acabei elevando o tom, me recolhendo logo depois.

-Mas como um pedaço do teto descolou magicamente e acertou a cabeça do garoto? O que aconteceu no meio tempo da briga e da ambulância ter de ser chamada? - Vi seu punho apertar a cadeira atrás de mim, com seu tom apavorante reverberando.

-Você já viu o estado das coisas por aqui? Não é a primeira vez que isso acontece! - Eu, já enfurecida, levantei da cadeira num salto e o encarei nervosa. -O que eu quero saber é por que está me acusando como se a culpa fosse minha?

-Humph... - Ele resmungou. Nesse momento, me arrependi do tom de voz, e imaginei se ele não pularia na minha garganta e sugaria meu sangue. Eu já estava ansiosa com a situação, se já não bastasse ser chamada ali, coisa que só acontecia em ocasiões severas, tinha certeza que a boca grande do Pablo estava lá embaixo fofocando "Monstra! Monstra!" Para todos.

Victor simplesmente caminhou para trás de sua mesa, e sentou-se no seu lugar novamente. Me deixando de pé, plantada e sem resposta, fiquei o encarando esperando alguma resposta quando ele passou a escrever algo em um formulário.

-Eu já posso ir? Por favor? - Supliquei a ele, olhando profundamente em seus olhos. Ele olhou para mim com cara de nojo, mas então fez o gesto abanando o vento.

-Dê o fora daqui. - Ele pigarreou e fez gesto para que eu saísse. Me apressei e saí o mais rápido possível, e fechei a porta atrás de mim. Porém, antes de fechar a porta ouvi ele murmurar. -Cheiro pútrido.

Nossa, será que eu estava tão fedida assim? A culpa não é minha, só temos direito á um banho por dia, e esse é antes do jantar, que por sinal, eu estava perdendo. Passei tempo demais na sala que acabei perdendo a hora.

Desci as escadas correndo, e entrei no nosso "refeitório", que nada mais era que uma enorme cozinha/sala de jantar. Nosso orfanato era, na verdade, uma pousada que fora abandonada já faz vários anos, acho que havia sido fechada pela segurança sanitária quando os donos, como Victor, invadiram e transformaram em um orfanato clandestino.

Assim que atravessei as portas, meu passo travou quando todos, todos mesmo, deixaram de lado o que faziam e viraram seus olhares diretamente para mim. "Phoebe, a Monstra", esse apelido acabou viralizando no orfanato após o incidente.

Pelo visto, a fofoca já havia sido plantada. Maldito boca-grande do Pablo, já deve ter contado até para as baratas do banheiro. Vi todos aqueles olhares sobre mim, ouvi cochichos e sussurros também, e outros simplesmente riam da minha cara de forma discreta. Tentei ignorar os olhares e andei em direção ao nosso self-service particular, ou como chamávamos, Surpresa Verde, pois a surpresa ou era fungo, ou bolor.

 Eram várias panelas e travessas espalhadas sobre duas mesas de plástico forradas por um pano, meu medo era de estarem bambas demais e acabassem virando sobre mim, isso finalizaria a maravilha do meu dia. Peguei um prato, e adicionei o mínimo para sobreviver e sai de perto mais rápido antes que a algo ali criasse pernas.

O segundo ponto alto do meu dia foi quando todas as mesas foram, misteriosamente, ocupadas imediatamente. As mesas ali eram de plástico, como mesa de bar de rua, a maioria quebrada ou imunda. Quando achava alguma que não estava lotada, assim que eu me aproximava, faziam de tudo para ocupar o lugar o mais rápido possível, como se eu carregasse Ebola pelo traseiro.

Como todos estavam fazendo o mesmo, evitando que eu me sentasse, atravessei a porta do refeitório para os fundos, no exato momento que a porta fechou atrás de mim, ouvi comemorações. Andei por um corredor estreito cheio de pias e panelas enferrujadas, quando finalmente sai quintal dos fundos. O lugar antigamente era um belo jardim, onde os hóspedes costumavam tomar sol ou banho de piscina.

Agora a piscina, vazia e cheia de pichações, estava em péssimo estado, cheia de rachaduras onde plantas brotavam, e tampada por uma grade de ferro enferrujado. O jardim havia morrido, o chão agora era terra seca e apenas alguns tufos de grama áspera espalhados. Agora era um pequeno quintal, rodeado e trancado por portões de grade com placas de "NÃO ULTAPASSE", "PARE" ou "RECICLE JÁ!".

Pelo menos ainda nos importávamos com a reciclagem.

Os portões nos proibiam de escapar para um pequeno bosque, era ali que tínhamos a nossa "recreação" uma vez por semana. Me sentei na terra, apoiada em um tronco seco de árvore e encarei o céu. Já era noite, o céu estava estrelado e a lua estava em seu ápice brilhando, uma vista bem incomum em Nova Iorque. Aquele era o único lugar bonito nesse inferno. Encarei a comida, e me arrependi quando tive certeza que vi algo se mexer ali.

Engolindo o nojo, coloquei o prato de lado, abracei meus joelhos, e comecei a chorar escondendo meu rosto ali.

-Por que ninguém me quer...? - O choro começou fraco, mas logo já havia encharcado minha camisa com lágrimas que caíam sem parar. Abracei minhas pernas com mais força, e continuei soluçando entre o choro. -O que eu fiz para me abandonarem aqui?!

Meu pais. Eu não costumava pensar neles, na verdade evitava ao máximo sequer imaginar o assunto, mas quando ele vinha á tona, era reflexão inigualável. Mas essa é a verdade, eles me abandonaram aqui sem nunca se importarem comigo. Nem para ao menos me dar um sobrenome de verdade, ou no mínimo, dizer a data do meu aniversário. E no final, todos eram iguais, ninguém queria a mim, eu era sempre a criança problemática cujo todos mantinham distância.

O único que eu tinha era o Ian, e também ela, mas ambos se foram também.

Slept, slept, slept.

Fui tirada de meus pensamentos por esse barulho. Levantei meu rosto e olhei para o lado, onde estava a bandeja, um pequeno cachorro vira-lata marrom, meio sujo, e machucado estava comendo meu jantar. Levei minha mão para trás de sua orelha e comecei uma carícia ali, me deixei sorrir novamente quando ele se esfregou na minha mão de volta.

-Oi, Sam. Andou brigando de novo?

Ele apenas me olhou no olhos, e deixou a cabeça tombar para o lado em dúvida de quem diz "Você está bem?". Pode parecer bobo conversar com o cachorro da rua, mas Sam é sobrevivente igual a mim. Eu e Ian o achamos machucado na rua de baixo quando tínhamos uns 8 anos, desde então, ele sempre volta.

-Não estou nada bem, Sam. - Limpei as lágrimas com as costas das mãos, e o peguei no colo. Ele se deitou em meu colo e aceitou o carinho, quase ronronando como um gato. -As coisas estão feias pro meu lado. Todos eles estão bravos comigo e não consigo entender o porquê? Eu não fiz nada.

-Au. - Ele respondeu com um latido fraco, e apoiei meu queixo em sua cabecinha.

-Pois é, né? Não entendo porque estão me culpando, eu só me defendi, o pedaço do teto acertar o Arthur não foi culpa minha, foi desse prédio caindo aos pedaços. -

Comecei um longo diálogo enquanto mantinha o cafuné em sua cabeça com calma. Fiquei conversando com o cachorro (sim, isso é patético) até as luzes da cozinha se apagarem, e o refeitório ficar silencioso. Isso significava que já devia ser mais de 20h, e todos já deviam estar em seus quartos, mas eu não queria subir ainda.

Quase 21h...

Depois do acidente o dia pareceu passar voando. Eu prosseguia me abrindo e desabafando com meu cachorro de estimação, para ver o tamanho da minha capacidade social. Fiquei quieta, e apenas encarando o céu estrelado por um momento, quando vi uma estrela cadente passar pelo céu, riscando-o com sua luz. Pode parecer idiota e infantil, mas seria isso mesmo a minha chance de pedir uma vida melhor? Eu apenas fechei os olhos, e orei com forças e disse:

-Eu quero saber quem eu sou. Por favor. - Eu pedi e logo a estrela sumiu de vista, rezei mais algumas vezes para que aquilo se tornasse realidade, até que acabei adormecendo na copa da árvore.

[...]

Eu não entendi de cara. Estava confuso, e irritantemente brilhante no início.

Mas eu realmente estava sonhando, pelo menos esperava que fosse um sonho. Apenas olhava para meus pés, e vi que estavam cobertos por uma fina camada de neblina que surgia do chão, e que minhas roupas não eram mais as mesmas. Uma toga branca substituíra meus jeans surrados, braceletes dourados estavam pelos meus braços, e meus cabelos haviam sido colocados em uma trança que caía pelos ombros. E isso era tudo que eu conseguia ver, uma luz forte emanava de qualquer lugar, e impedia de ver se realmente havia um teto ou paredes, poderia estar ao ar livre e não notaria pela tamanha luz.

Eu estava em um sonho de princesa da Disney agora?

-Onde eu estou? - Perguntei encarando meu redor, mas no meu primeiro passo, quase tombei de cara no chão.

Isso eram saltos? Eu odiava saltos! Eu já era uma pessoa desequilibrada, um passo fora do meu centro de gravidade, e a terra me puxava como um imã, simplesmente era impossível para mim. Mas no silêncio absurdo no espaço, comecei a dar passos os mais lentos e cautelosos possíveis, andando pelo local que parecia uma estrada de nuvens.

Tentei apreciar a bela visão, mas como dito, meu centro de gravidade era fraco, e logo já estava de cara com o chão.

-Ai... - Murmurei de cara em algo duro, por sorte, aquilo era tão realístico que fiquei com medo de despencar de uma nuvem para o céu aberto.

-Levante-se, minha criança! - Uma voz firme e forte se pronunciou. Porém estava impossível de ser diferenciada de se eu conhecia ou não, com a voz parecendo uma voz robótica daqueles programas de proteção á testemunha. Ao ouvir a voz poderosa e máscula, levantei o mais rápido possível e me equilibrei nos saltos, mas o que eu vi era mais inusitado que minha capacidade de andar de saltos.

Era luz. Pura luz cegante formava uma espécie de silhueta de um grande corpo. Não tinha rosto, olhos, nariz, ou roupas. Era, literalmente, como olhar dentro de uma lanterna acesa. O que estava me dando uma dor de cabeça, porque se não me concentrasse direito, a luz-corpo se misturava com o vazio branco do quarto, e desaparecia até meus olhos se acostumarem novamente.

-Quem é você? - Recuando com cuidado para não repetir o tombo de salto, eu perguntei em tom assustado para o grande halo.

A luz tremulou, acho que isso deveria ser um suspiro aliviado, ela se aproximou flutuando e estendeu seus braços luminosos. Os mesmos se aproximam de meu rosto, com calma e sem hostilidade, mas por instinto, recuei de seu toque. Assim que fiz isso, a figura desistiu e recuou.

-Compreendo sua confusão, mas preciso que preste o máximo de atenção... - A figura falou calma, e levou os braços luminosos para parte de trás do corpo, em uma postura séria. -Eu sou sua família, sua verdadeira família.

-O quê?! - Em uma coisa a figura acertou, eu estava confusa, mas a luz apenas tremulou e continuou com sua voz robótica.

-Quando você rezou para mim, finalmente me ajudaram e eu pude encontra-lá com clareza. - A voz falou, e lentamente começou a flutuar em minha volta, me pastorando em círculos enquanto me examinava, e eu me encolhia cada vez que sua presença se aproximava. -Pensei que havia te perdido há muito tempo, mas finalmente a encontrei, Phoebe.

-Me encontrou? Eu estava perdida? Como assim?! Eu não estou entendendo nada!

-Você me chamou, podemos dizer que eu represento uma estrela bem grande por ai. - A voz reverberou, e a resposta me atingiu como uma luva.

-Espere, isso foi o pedido para a estrela? É piada, né? - Eu perguntei, mas a voz apenas me "encarou" (não tinha rosto para encarar) em silêncio. -Só posso estar sonhando, alguém me acorde!

-Não é um sonho... - A voz agitou o braço, e luz se desprendeu e formou uma espécie de refletor no ar. Algo como um enorme projetor holográfico mágico. E lá, eu via nitidamente meu corpo dormindo encostado no tronco, serenamente enquanto o tempo passava ao redor. -Estamos apenas projetando nossas mentes em um plano além da realidade, estamos em vários lugares ao mesmo tempo. Isso indica que é você mesma, qualquer outra pessoa teria a mente obliterada caso tentasse. - Ela agitou os braços e a projeção desapareceu. -Porém, sinto lhe informar, mas você corre perigo!

-Eu? Corro perigo? - Eu já estava deixando de lado o quesito de ser um sonho, as coisas estavam ficando realistas demais, e eu não tenho criatividade suficiente para sonhar tudo isso.

-Sim, minha criança. Você é mais especial do que imagina, mas seus poderes vão além de sua compreensão. Além da nossa compreensão, o que a torna perigosa para todos. - A voz falou com calma, agora ela sussurrava com sua voz bizarra a minha frente.

-"Nós"? Mais de um? Quem são vocês?! E porque isso me torna perigosa?! - Eu perguntei já nervosa com a situação que se formava ali.

-Não temos muito tempo. Eles percebem minha ausência. - Ela falou nervosa olhando para trás como se esperasse que alguém aparecesse ali. -Você precisa sair de tal local, quando você rezou para mim, muitos outros ouviram, agora a bênção não possui mais poder total. Irão te achar!

Engoli o seco, seja o que fosse, o modo que aquilo falou não me pareceu que seria algo simpático.

-Quem vai me achar? Quem é você?! - Eu já estava furiosa com a situação, onde um desafio ás leis da física ambulante aparece na minha frente e começa a contar histórias sem sentido.

-Desculpas pela falta de detalhes. Você merece respostas, eu sei. Mas agora, precisa se proteger! - A figura se pronunciou e então um tremor invadiu a sala. Um tremor forte abalou as estruturas do lugar, tive que me segurar bastante para não cair, mas encarei o halo ambulante, e tenho certeza, que se tivesse feições, estariam preocupadas.

-O que foi isso?

-Meu pai. Ele suspeita de nós. - A voz falou nervosa olhando para onde deveria ter um teto, assustada. Ela se virou para mim e apontou seu braço iluminado para meu rosto. -Ele não pode descobrir, você estaria condenada. Lhe proporcionarei uma viagem segura, nos meus domínios vigiarei seu caminho. Precisa partir para Long Island, para o Acampamento Meio-Sangue! A Névoa a protegerá!

-Viagem para um Acampamento em Long Island? Vai me mandar para uma Colônia de Férias?! Como acha que eu vou chegar lá? O que essa "Neblina" faz?! - Então o tremor se tornou mais forte, e vinham em pausas padronizadas, como se um enorme gigante desse pisadas no solo, e fiquei com medo que fosse isso mesmo. -Quem é você?!

-Não confie em ninguém! - A voz robótica falou uma última vez, então estendeu a palma da mão e um enorme vento veio forte contra meu peito, o que me arremessou ao chão e me arrastou para longe, onde a imagem se dissipava. -Fique longe dos céus. E fique com os deuses minha criança!

Então a imagem se desfez em fumaça. Parecia estranho, mas acho que aquela presença familiar...

Acho que acabei de falar com meu pai.

[...]

Em um salto, eu acordei.

Sugando ar para os pulmões, com coração á mil e suando frio, me senti acordando de um pesadelo. Sam acordou assustado com meu salto repentino. Olhei para os lados tentando encontrar algo ou alguém, mas nem sinal da existência do halo. Estava frio, o céu começava a retumbar trovões, mas sequer havia sinal de chuva á caminho, o que era bizarro. Devo ter cochilado por horas, me sentindo gelada pelo ambiente, mas me levantei e lembrei do que a voz disse.

-"Vá para Long Island", "Para o Acampamento Meio-Sangue" - Eu falei as coisas que a voz disse em minha mente. Agora a ideia do sonho já desaparecia, nenhum sonho me causaria uma sensação daquelas. -Como aquilo espera que eu vá até Long Island?!

Assim que falei isso, uma estranha bola de luz branca apareceu na minha frente do meu rosto, me assustando na hora. Tinha o tamanho de uma bola de ping-pong, flutuou até a minha mão, que instintivamente, estendi, e ao tocar, um calor passou pelo meu corpo. Ficou pairando lá por alguns segundo, até que se fixou á minha mão em forma de uma seta brilhante.

Olhei incrédula para minha nova tatuagem, e olhei mais incrédula ainda quando ela começou a girar de um lado para outro, como uma agulha de bússola indicando o caminho.

-Foi real... - A seta parou finalmente, apontando para os fundos do orfanato, no bosque que dizíamos assombrado. Encarei a grade, e um pequeno arame solto em um dos cantos poderia ser minha saída, pequeno como uma toca era como Sam entrava no orfanato, mas eu passaria por ali.

"Vá, antes que eles te achem!", ouvi a voz robótica martelar em minha cabeça. E meu dia ultrapassou os limites de bizarrice.

Sem pensar duas vezes, eu entrei no orfanato e subi para meu quarto, não me importando em fazer barulho. Estava tão desesperada que entrei em meu quarto quase arrombando a porta, e aos meus pés, me seguiu Sam sem entender o que acontecia. Pequei a única mochila que eu tinha, uma velha e surrada cheia de buracos e coloquei tudo o que eu tinha dentro. Arremessei roupas, livros, o pouco dinheiro que havia conseguido economizar quando achava na rua uma moeda ou duas, e tudo o que eu tinha lá dentro, mas eram tão poucos itens que até sobrou espaço. 

-Au? - Latiu Sam, pulando em cima da minha cama e me olhando sem entender.

-Shiu, precisamos sair daqui! - Eu falei para ele, então joguei a mochila em meus ombros com velocidade, mas quando me preparei para virar, vi os olhos carinhosos de Sam olhando para mim e o abanar de seu rabo. Me chamem de louca, mas ele era a única família que me restava, então o peguei nos braços e me dirigi para sair. Mas no momento em que eu me virei para a porta do meu quarto, eu recuei alguns passos pelo susto deixando um baixo grito de surpresa escapar de meus lábios.

-Vai a algum lugar, senhorita Phoebe? - Perguntou o senhor Victor. Ele estava parado bem ali na porta me encarando com seus olhos sem vida. As suas mãos estavam nos bolsos de seu caro terno preto que ele sempre usava, parecia o mais malvado mordomo de todos.

Eu me assustei com a sua voz, e como todas as luzes da casa estavam desligadas, eu não conseguia ver quase nada, mas quando um trovão retumbou o céu, iluminou rapidamente o quarto, e eu juro, eu tenho certeza absoluta.

Os olhos deles estavam vermelhos brilhantes.



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