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História Phoenix of Darkness - Capítulo 2


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Capítulo 2 - II - Destiny Decisions


Fanfic / Fanfiction Phoenix of Darkness - Capítulo 2 - II - Destiny Decisions

“É nos momentos de decisão que o seu destino é traçado.”

– Anthony Robbins.

 

II

 

– Agora diga-me, Erik. O que fará em seguida?

– Saberei o que fazer quando ela acordar, juntamente com o garoto.

Provavelmente levaria alguns dias para que a jovem acordasse, pois ela estava em um estado lastimável.

Antes que o Persa abrisse a boca novamente para falar algo o mordomo adentrou com tudo no escritório. Ofegante, apoiou-se na porta para recuperar o fôlego perdido.

– A garota... Ela... acordou! – disse em pausas, recuperando o fôlego.

Daroga olhou para o Fantasma, erguendo sua sobrancelha.

– Então, Erik? O que fará agora?

Pela primeira vez em tempos, o tal fantasma não sabia o que fazer.

 

━━━━━━━━ ✤ ━━━━━━━━ 

 

Erik respirou fundo e passou a mão pelos seus próprios cabelos. Não esperava que a garota acordasse tão cedo, no mínimo que despertasse no dia seguinte. Ele ficou ponderando bastante, não poderia aparecer nem para o garoto e muito menos para a moça que acabara de despertar. Eles poderiam criar uma gigantesca confusão e gritar para os quatro ventos que o Fantasma da Ópera ainda estava vivo.

– E então? Estamos esperando uma resposta, Erik – o Persa disse num tom impaciente.

O Fantasma espreitou os olhos e olhou para o seu “amigo” com uma fúria assassina. Não tinha gostado nenhum pouco da forma a qual o Persa falou. Ah, se seu olhar matasse o maldito Daroga já seria um homem morto há tempos.

– Vão ver como a garota está. Ficarei por aqui para que não me veja. – Foi tudo o que disse.

– Você traz um casal de jovens desacordados para a minha casa em um estado deplorável, na verdade, quase entre a vida e a morte e sequer pretende aparecer para eles? Assuma a responsabilidade por seus atos se for homem Erik.

– Não teste a minha paciência, Daroga – respondeu num tom nada amigável – Vão logo ver a garota.

O Persa bufou e rapidamente saiu do seu escritório na companhia de seu mordomo Darius. Sozinho no escritório do Xá Persa, Erik ficava questionando-se se assassinar Daroga antes que ele mesmo morresse “de amor” não era uma ideia tão má.

Mas, deixando agora de lado o “amigo” de longa data, a sua mente direcionou a sua atenção novamente para a moça que salvara. A sua voz ressonava ainda em sua cabeça, seu coração palpitava mais forte apenas em lembrar da cantiga majestosa da morena. Ah, que voz! Pensava Destler. O que não daria para ouvir apenas mais uma vez aquele canto maravilhoso?

Decidido, Erik saiu do escritório em que estava e foi em direção aos aposentos em que a morena se encontrava. Silencioso e cauteloso como um gato, o Fantasma ficou atrás da porta apenas à escuta da conversa que Daroga e o seu mordomo teriam com a tal donzela.

– Mademoiselle, por favor! Acalme-se. – O mordomo pediu gentilmente a garota.

– Quem são vocês? Onde estou e o que pretendem fazer comigo? Exijo uma explicação imediatamente! – Anabeth disse. Ela estava encolhida na cama e usava o lençol para proteger-se.

– Sou Darius, queremos apenas ajudá-la, senhorita. Agora, se puder se acalmar um pouco por obséquio...

Anabeth olhou para o mordomo de forma suspeita e depois para o outro homem que estava no quarto. Ambos estavam muito bem vestidos, entretanto as suas roupas eram um tanto estranhas, talvez fossem roupas de uma outra época? Afinal a moda mudava constantemente.

Em silêncio, a amorenada arregalou os olhos – mas apenas o seu olho direito estava visível, visto que as antigas bandagens e curativos do lado esquerdo do seu rosto foram trocados pelo médico que a consultou momentos atrás enquanto ainda estava desacordada – e, de forma rápida mirou o seu olhar para o dono da casa.

– Pierre! O que fizeram com ele? Onde está o meu Pierre?! – Perguntou desesperada.

Anabeth tremia de preocupação. E se aqueles dois homens tivessem feito algo com Pierre? A morena já pensava no pior que poderia ter acontecido com o albino.

– Refere-se ao menino que estava com a senhorita? Esse é o nome dele? – Anabeth assentiu com a cabeça – O garoto está bem, mademoiselle. Eu vos garanto. Ele encontra-se desacordado, mas bem. O menino está dormindo em outro quarto – Daroga respondeu calmamente.

– Quero vê-lo, eu suplico – pediu.

– Já disse que ele está bem, confie em nós, senhorita. Além do mais, seus pés estão muito machucados para que possa caminhar até o quarto ao lado. Peço mais uma vez, que se acalme e descanse um pouco. No estado em que se encontra não é bom que faça tanto esforço.

Anabeth suspirou pesadamente. Sabia que se quisesse mais respostas vindo daqueles dois teria que controlar o seu lado impulsivo e pensar com cuidado no que deveria dizer e fazer. Aqueles dois homens eram meros desconhecidos e não sabia do que eram capazes. Se eram homens de boa índole ou não.

– A senhorita e o garoto que a acompanhava foram encontrados desmaiados nas escadarias principais da Ópera de Paris e depois foram trazidos para cá. Lembra-se de algo enquanto vinha para cá? – Daroga perguntou. Seria péssimo se ela ou o albino que a acompanhava tivessem visto Erik.

– Durante o percurso para cá não recordo de nada, senhor. Recordo-me de muita pouca coisa do que ocorreu enquanto ainda estávamos lá nas escadarias.

– E do que se lembra exatamente? – O Persa questionou-a, queria saber até onde a moça se lembrava antes de ter desmaiado.

Arqueando uma das sobrancelhas, falou: – Perdoe a minha curiosidade, mas quem nos trouxe para cá?

Os dois homens ficaram calados por um tempo e se entreolharam. O jeito suspeito dos dois serviu apenas para alimentar ainda mais as dúvidas que tinha sobre aqueles dois homens.

– Quem você acha que a trouxe para cá? – O Persa perguntou.

Agora o silêncio vinha de Anabeth.

Um anjo – respondeu – um anjo trouxe-me para cá, juntamente com Pierre.

O Xá Persa arqueou as sobrancelhas, surpreso.

– Um anjo, senhorita? – O mordomo perguntou, curioso.

– Sim, um anjo. – Afirmou – O anjo que finalmente ouviu as minhas preces desesperadas, senhor. Um anjo que teve pena de duas pobres almas e que veio ao nosso socorro – Anabeth falava com um certo tom de carinho na voz, especialmente por se tratar de seu querido Anjo – embora que ainda a minha visão estivesse o tanto turva... eu o vi, senhor. Sei que o vi, tenho absoluta certeza disso. Sei que era o Anjo da Música que veio ao nosso encontro – abriu um pequeno sorriso enquanto falava aquelas coisas.

Daroga sentiu um frio na espinha. “Anjo da Música”, aquele pronome era usado por Erik tempos atrás para referir-se à Christine que era o anjo que havia surgido em sua vida há muito tempo atrás. Ela também se referia a ele dessa forma no passado não muito distante.

– Tem certeza que não foi apenas uma ilusão, senhorita? Quando estamos fracos é comum que a nossa mente nos pregue peças de mau gosto – o mordomo perguntou para Anabeth.

– Não. Ele estava lá, sei disso – afirmou novamente.

– Darius, vá preparar algo para a mademoiselle comer. Ela deve estar com fome.

– Sim, senhor – o mordomo respondeu e saiu do quarto, fechando a porta logo em seguida.

Foi só quando fechou a porta do quarto que o mordomo notou a presença do Fantasma. Ele teria gritado pelo susto que tomou, apenas não fez isso porque Erik fez um sinal silencioso com o dedo indicador ordenando ao empregado para que não desse nem mesmo um piu. Ainda em silêncio, Destler fez um gesto com a destra para que Darius se retirasse do corredor e que prosseguisse com os seus afazeres. O mordomo apenas concordou com um aceno rápido e logo direcionou-se à cozinha. Erik continuava a ouvir a conversa por trás da porta.

– Bem, talvez seja um pouco tarde para perguntar-lhe isso, mas qual é o seu nome minha cara? – O amigo do tal anjo perguntou.

– Anabeth. Chamo-me Anabeth Royére.

– Anabeth Royére – repetiu o nome completo da garota enquanto esfregava o seu polegar e o indicador em sua barba, parecia estar avaliando o nome da garota – é um belo nome, mademoiselle – admitiu, sorrindo – agora, se não a incomodar, gostaria de fazer-lhe mais algumas perguntas.

– E que quer que eu diga?

– Onde estão vossos pais e onde vive? O que fazia sentada nas escadarias da Ópera com aquele pobre menino em plenas vésperas de inverno?

Anabeth fechou os olhos com força e virou a cabeça para o lado. Não gostou nenhum pouco daquele senhor ter citado sobre seus pais, mas ela não o culpava. Ele não sabia nada sobre o passado da amorenada.

– Agradeço por ter acolhido Pierre e eu em vossa casa e peço desculpas pelos meus modos rudes, mas sem querer ser indelicada, não vejo forma alguma em que o senhor ganharia ouvindo a minha história. Por isso, não há necessidade alguma em saber mais sobre nós, especialmente sobre mim.

O Persa piscou os olhos algumas vezes. Não esperava por uma resposta daquele tipo vindo de uma moça. Ela realmente o deixou sem palavras por breves minutos.

– E quanto ao senhor, como se chama?

– Sou Daroga, minha jovem. Conhecido também como o Persa, mas pode me chamar apenas de Daroga, se assim preferir.

Anabeth arregalou os olhos. Tinha quase certeza que tinha escutado mal. Daroga? Ele realmente tinha falado Daroga? Questionou-se mentalmente. Não! Não era possível. Não tinha como ser. Certo? Deveria ser um sonho. Um sonho encantador, mas impossível de ser realizado.

Royére apertou a sua bochecha direita com força para ter certeza de que estava sonhando. Soltando baixinho um “Ai”, a morena parou de aperta a própria bochecha.

– Que dia é hoje?

– 27 de novembro, senhorita. Por que pergunta?

– O ano! Quero saber o ano! – A morena deu um pulo da cama e pouco se importou se seus pés machucados estavam doendo. Agarrou o Persa pela gola da camisa com força e o sacudiu bruscamente, assustando-o.

O Persa estava surpreso. Era incrível como alguém que era tão magro e que ainda se encontrava num estado tão lastimável conseguia ter tanta força e energia.

– 1871! Estamos em 1871! – disse assustado e só então foi libertado das mãos da garota.

Ela correu em direção à janela e abriu bruscamente as portas. Estando agora na sacada do quarto, Royére começou a tremer de frio quando a sua entrou em contato com a brisa gélida daquela noite. Estava nevando com violência, mesmo ainda sendo outono. A neve antecipou-se e estava atuando como uma intrusa naquela estação. O vento bagunçou os seus longuíssimos cabelos cacheados. Mesmo tendo o lado esquerdo de seu rosto enfaixado por bandagens e curativos era possível perceber o espanto evidente estampado na face da garota.

Com os olhos carregados de inquietação, Anabeth continuou a avaliar o cenário a sua frente. Era a rua de Rivoli. O único problema é que não era a rua que conhecia, ao menos não da forma que era na época em que vivia. Estava diferente, as construções eram antigas e não haviam edifícios modernos e muito menos havia a tão famosa Torre Eiffel.

– Como é possível? – perguntou a si mesma.

A morena passou as mãos pelos cabelos tentando encontrar alguma resposta aplausível, no mínimo racional para aquela situação em que estava metida.

– Mademoiselle Royére? Está tudo bem? – Daroga perguntou se aproximou da garota com cuidado. Ela não respondeu, estava quieta como uma estátua. Ele ajudou-a a retornar novamente para dentro e Anabeth sentou-se na cama – Está fazendo muito frio lá fora, recomendo que fique perto da lareira para que possa se aquecer – disse.

O Persa fechou as portas e em seguida as cortinas. Caminhou em direção a uma das poltronas acolchoadas que havia no quarto e sentou-se. Ficou encarando a garota em silêncio. Qual o motivo daquela reação vinda da garota depois de ter escutado o seu nome? Por que tamanha agitação com o ano em que estavam? Perguntas como essas começaram a preencher a cabeça do Xá Persa.

Aquilo não era brincadeira. A prova era o próprio cenário que tinha acabado de ver. Anabeth e Pierre continuavam na Cidades Luz, mas em um tempo completamente diferente e distante do seu. 147 anos para ser exato. Mas como eles tinham ido parar lá? E como poderia chamar de coincidência estar logo na casa do Xá Persa?

 Anabeth conhecia muito bem a obra “O Fantasma da Ópera” de Gaston Leroux. Tanto que foi o primeiro livro que leu. O escritor apresentava a história através de relatos e entrevistas que teve com os personagens e dessa forma ele tentava converse-lhe de que o Fantasma realmente existiu. O acidente do tal lustre na Ópera realmente tinha acontecido na vida real, assim como no livro, bastava pesquisar para saber.

Ainda tentando encontrar uma resposta para resposta para tudo aquilo as seguintes palavras vieram em sua mente: “Existe um anjo especial. Um anjo da música! Acredite! Um dia ele virá ao seu encontro e você irá ao encontro dele no momento em que mais estiverem necessitados um do outro. Você será a responsável por trazer a felicidade desse anjo. Nem mesmo a dor e o tempo serão capazes de separá-los um do outro”

Nem mesmo a dor e o tempo serão capazes de separá-los um do outro... – Anabeth repetiu a frase no sussurro extremamente baixo. Aquilo tinha sido dito há muito tempo pela primeira e única pessoa que mostrou um pouco de gentileza a amorenada em toda a sua vida.

Seu anjo realmente foi ao seu encontro! Só ele seria capaz de salvar Anabeth e Pierre da situação em que se encontravam: sem abrigo, sem comida, sendo perseguidos e completamente machucados. Ela abriu um pequeno sorriso. Anabeth sentiu que um peso gigantesco tivesse sumido de suas costas. Eles estavam livres e tudo aquilo era graças ao Anjo da Música.

Alguém bateu na porta do quarto e as duas pessoas que estavam ali presentes miraram a sua atenção para a mesma. A porta foi aberta. Era Darius. Ele havia retornado da cozinha e segurava uma badeja cheia de comida para a morena. Ele serviu a garota e Anabeth apenas olhava para a comida.

– Eu não posso aceitar, senhor. Os senhores já fizeram muito acolhendo Pierre e a mim. Como pagarei por tudo o que estão fazendo?

– Pagar? Vocês não precisam pagar por nada. Ora essa! Aceite isso como uma mera gentileza, senhorita Royére – Daroga respondeu calmamente – Agora coma. A senhorita está muito fraca e precisa recompor as forças.

Anabeth olhou novamente para a bandeja e a quantidade de comida que tinha ali era mais do que conseguiu comer naquela semana inteira. Eram poucas às vezes que alguém no circo dava algo para o casal de jovens comerem e, quando recebiam algo, Anabeth geralmente dava quase toda a sua comida para Pierre. Ele era uma criança de 12 anos. Estava em fase de crescimento e ele precisava mais do que ela.

– Eu não posso comer tudo isso. E também não estou com... – antes que terminasse a frase a sua barriga roncou alto o bastante fazendo com que todos ali presentes fossem capazes de escutar.

As bochechas de Anabeth começaram a queimar pela vergonha que sentia.

O Persa e o mordomo sorriram. Nem mesmo o próprio Fantasma que estava do lado de fora do quarto pôde deixar de não achar um pouco de graça da situação. Erik sorriu de lado e continuou prestando atenção na conversa.

– Creio que iria dizer que não estava com vontade de estragar a refeição, não? – Daroga disse sorrindo.

– Sim... Obrigada pela refeição – agradeceu e começou a tomar a sopa quente.

Aquela foi a refeição mais saborosa que a morena já tinha provado em toda a sua vida. Em pouco tempo tomou toda a sopa e começou a comer os pequenos pedaços de pão que foram cortados. Bebeu um pouco de água e por fim, saboreou com calma a fatia de torta que vinha como sobremesa.

A morena estava calada. Talvez pudesse dar um voto de confiança ao Persa, mesmo sabendo tudo o que ele fez ao Fantasma. Anabeth resolveu que iria contar a sua história ao Persa, entretanto, era mais do que óbvio que ela não iria falar que veio do futuro. Eles poderiam achar que ela era louca e a internariam em um manicômio. Aquilo era comum naquela época, especialmente com mulheres que pensavam demais.

Deveria ter cuidado e pensar bem no que falaria. Ela tinha que proteger Pierre. Ele era apenas uma criança e tudo o que Royére tinha.

– Caso ainda tenham interesse em minha história, recomendo que prestem atenção.

– Iremos ouvi-la atentamente, senhorita – Daroga disse.

Foi então que a morena começou a narrar toda a sua história aos dois ouvintes ali presentes – ou melhor dizendo, três ouvintes, se contarmos com o Fantasma.

━━━━━━━━ ✤ ━━━━━━━━ 

O silêncio e a tensão dominavam o escritório.

O Xá Persa olhou para o amigo. Erik estava inquieto. Ele estava pensando bastante no que deveria fazer agora que sabia toda a história da moça e do menino.

– O caso é mais sério do que pensava – o Persa admitiu – A moça é órfã e não tem nenhum parente. Cuida de uma criança e ainda estavam perseguidos! O que devemos fazer, Erik?

Erik levantou a vista e mirou seus olhos para o amigo. Ele respirou fundo e ajeitou a postura.

– Escreverei uma carta e quero que, pessoalmente, você entregue a madame Giry. Convença-a a dar um emprego para a garota na Ópera. Afinal, o propósito deles era ir para lá desde o início. – Falou – E mande seu mordomo comprar roupas e demais pertences para a garota e o menino. Arcarei com as despesas. Dinheiro não é problema.

O mascarado se levantou e foi até a escrivaninha. Sentiu-se na cadeira acolchoada e logo pegou o papel e a pena para que pudesse começar a escrever a tal carta para madame Giry. Em poucos minutos Destler terminou de escrever a carta e a revisou pela última vez. Satisfeito, dobrou o papel e o pôs dentro de um envelope. Entregou a carta ao Persa.

– Acha mesmo que irão aceitar aqueles dois na Ópera com aquela aparência, Erik? – O Persa indagou ao mascarado antes que ele saísse da sala.

O Fantasma parou. De costas para o amigo, ele continuou a ouvi-lo: – Você por acaso viu a pele do menino? Pensei que ele era um vampiro, Erik!

Destler olhou de soslaio para o Persa.

– Vampiro? Faça-me o favor, Daroga!

– Não foi você quem tomou um susto enquanto o médico o examinava. Os caninos dele são gigantescos e os olhos dele são vermelhos como de um demônio. E quando a moça, eu prefiro nem mesmo comentar. Você viu com os seus próprios olhos a situação em que ela se encontrava.

Erik cerrou os punhos com força.

– Faça o que lhe ordenei, caso contrário, partes do seu corpo serão encontrados às margens do rio Sena e essa será a notícia do dia seguinte nos jornais de toda Paris. Espero ter sido bem claro.

Daroga engoliu seco.

O mascarado pegou a sua capa preta e saiu do escritório sem olhar para trás. Bateu a porta com força e antes de sair da residência do Xá Persa, Erik resolveu dar uma última passada no quarto de Anabeth.

Entrou no quarto e aproximou-se da garota sem fazer ruído algum. Anabeth dormia tranquilamente. Com os seus olhos dourados ficou admirando-a. Estava curioso a respeito da moça como não esteve há tempos. Queria saber mais sobre ela. Queria mais da música da moça para poder embriagar-se e perder-se por completo na melodia suave que era a sua voz.

Ainda observando-a em silêncio, o mascarado teve uma surpresa quando a garota se pôs a cantar baixinho uma melodia parisiense de amor enquanto dormia. Sabia que existiam casos em que pessoas falavam dormindo, mas nunca teve a oportunidade presenciar o caso de alguém cantar enquanto dorme.

Fascinado pela voz da moça, Erik aproximou-se mais de Anabeth.

Cante – ordenou num sussurro – Cante para o seu anjo...

Irônico ou não, a morena continuou a cantar como foi mandado pelo Fantasma.

Erik estava hipnotizado pela garota, assim como da primeira vez que a ouviu cantando. Anabeth continuou cantando baixinho a melodia por mais um tempo até silenciar-se de vez.

O Fantasma nunca ouvira nada neste mundo de mais suave, de mais insidioso, de mais delicado na força, de mais forte na delicadeza, enfim, de mais irresistivelmente triunfante quanto aquela voz exuberante de Royére.

Satisfeito em ter conseguido a oportunidade de apreciar mais uma vez a voz da garota, Erik avaliou com bastante atenção Anabeth. Ela era bonita – ao menos era o que o lado exposto e intacto do seu rosto demonstrava. A cor de sua pele era igual a canela. Aquele tom de pele moreno faria qualquer moça branca parisiense ter inveja. Seus traços eram delicados. Seus longuíssimos cabelos cacheados e rebeldes espalhados por toda a extensão do travesseiro davam-lhe um aspecto angelical. A sua expressão tranquila enquanto dormia contribuía bastante para tal resultado. As orbes douradas do mascarado foram direcionadas para os lábios carnudos e rosados da moça. Aqueles lábios eram uma verdadeira tentação para o Fantasma.

Anabeth virou seu corpo para o outro lado da cama enquanto dormia e só então Erik resolveu se afastar da morena. Com toda a certeza ela ficaria melhor usando uma máscara do que todas aquelas bandagens e curativos no rosto. Já do lado de fora do quarto, Destler deu uma última olhada na garota que tanto chamou a sua atenção naquela noite. Havia ternura em seus olhos. Com um pequeno sorriso desenhado nos lábios, o mais alto fechou a porta sem fazer barulho algum. Não queria despertar a moça. Caminhou em direção à saída da casa do Xá Persa.

Do lado de fora, o mascarado foi até o estábulo em busca do seu belíssimo alazão negro. Aproximou-se do seu cavalo e pôs o pê na pedaleira da sela do cavalo e sentou-se. Cavalgando com calma, Erik olhou para a janela do quarto em que Anabeth estava.

Naquele momento o Fantasma da Ópera pensava no quanto o destino era imprevisível.

Naquela noite Erik havia resolvido sair de seu covil um ano após a catástrofe que causara por causa de Christine. Ele tinha apenas um único proposito a fazer: avisar ao Xá Persa que a sua hora de partir deste mundo finalmente chegara.

Ao menos era o que ele planejava, todavia, o destino lhe reservava outros planos.

Erik acabou salvando Anabeth e Pierre sem pensar nas consequências que seus atos trariam a ele. Estava pouco se importando com as advertências de Daroga e muito menos se ele tinha razão.

Anabeth Royére – disse o nome da moça enquanto olhava para a janela de seu quarto – Cantarás novamente para mim. Eu, o teu anjo. E só para mim!

Ele perdera Christine, mas o destino teve pena de sua pobre alma e lhe enviou um anjo para confortar seu coração e para encher seu mundo de escuridão com a mais bela e radiante das músicas. Até mesmo o Deus Apolo teria inveja de tamanho talento que Anabeth possuía.

Erik já tinha tomado a sua decisão. Christine pôde até mesmo ter escapado de sua vida ao lado de Raoul, mas com Anabeth seria diferente. Não a deixaria ir embora sob hipótese alguma.

Ela era o seu anjo que o livrou da morte e que reconfortou sua alma despedaçada com sua voz angelical.

Ela era sua. Apenas e unicamente sua. O destino havia decidido isso e ninguém iria mudar isso.

E então, o Fantasma da Ópera sumiu na noite a dentro pelas ruas parisienses.



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