História Photograph - Capítulo 9


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Categorias Arjen Robben, Bastian Schweinsteiger, Manuel Neuer, Mario Götze, Mats Hummels, Mesut Özil, Philipp Lahm, Robert Lewandowski, Thomas Müller, Toni Kroos, Xabi Alonso
Personagens Manuel Neuer, Personagens Originais, Robert Lewandowski
Tags Alemanha, Bayern, Bayern De Munique
Visualizações 182
Palavras 6.327
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Crossover, Esporte, Famí­lia, Hentai, Romance e Novela, Shoujo (Romântico)
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


F I N A L M E N T E!

Olha gente, que casal movido a manivela, mas agora que desecantou, o negócio vai para frente.
E (spoiler alert) se vocês vão ficar com um rançozin do Anthony nesse cap., vocês vão passar a querer a morte do Jeff nos próximos.

Boa leitura!

Capítulo 9 - O encontro


Sair da sua pseudo cama nunca foi tão difícil quanto naquele dia. Tinha tido uma noite de merda, mal dormido com a noite assolada em pesadelos. Antes mesmo de botar o pé para fora do amontoado de lençóis, Lia pediu para que o céu desabasse em sua cabeça.

A extremo contragosto levantou da cama improvisada e se arrastou até o banheiro, saindo de lá quase pronta para ir trabalhar. Se olhou no espelho, admirando a si mesmo: uma calça jeans dobrada nos tornozelos, um tênis branco e uma blusa branca, enquanto os cabelos caiam soltos. Odiava maquiagem, só usava quando era necessário, o que ela esperava que não fosse o caso, mas sempre a deixava em sua bolsa. Depois de anos, finalmente se amava. Teve um período pós faculdade conturbado, e não era um hábito comum para a morena “se analisar". Sorriu para o micro espelho pendurado em uma das paredes da sala, pegou a bolsa e saiu.

Ainda não havia decidido se morar perto do CT era uma vantagem. Tudo bem, ela não gastava nenhuma grana para ir até o serviço mas pelo o outro lado, era notório que vivia numa espelunca. Um prédio de dois andares. O de baixo pertencia a uma velhinha, simpática até, mas extremamente metódica, que havia proibido expressamente drogas, sexo e homens no andar de cima, coisa que Lia estava cumprindo com excelência. E no andar de cima, morava a brasileira - e vir do Brasil para a Alemanha não tinha sido uma tarefa fácil - o que implicou em deixar todos os móveis que tinha na casa de sua mãe e trazer apenas suas roupas e algumas outras coisas. No momento morava: ela, um colchão sobre alguns paletes improvisando uma cama, um frigobar, um microondas e seus pertences pessoais. Não era uma vida horrível, mas nem de longe era a melhor opção. Do tempo que já vivia na Alemanha, não tinha tido tempo para reclamar da casa que vivia, de se alimentar apenas de comidas semi prontas ou de limpar com decência a própria casa e provavelmente aquele acúmulo de pó ainda reativaria suas crises alérgicas

Chegou e como sempre, cumprimentou o porteiro e o segurança, Hans e Bruce, que sempre estavam ali e sempre a tratavam da forma mais educada possível. Em um dos campos, já podia ver o preparador físico desenvolvendo algum trabalho com o time principal e no outro, era feito o treino com os goleiros. Acenou para Pep e alguns médicos da comissão que estavam na área externa e entrou. Se dependesse do ânimo dela, passaria o dia inteiro enfiado na sala. Toda a felicidade de que ia ter a manhã sozinha trabalhando foi pelo ralo, ao encontrar Jeff em sua sala. Não havia superado o desentendimento dele, mas o homem seguia sendo seu chefe

- Bom dia Lia - cumprimentou de modo rude

- Bom dia - se limitou a responder, se pondo na mesa mais afastada da que ele estava - Algo que eu precisa te entregar hoje?

- Além de respeito, nada demais - Lia se limitou apenas a o encarar com cara de paisagem - O que aconteceu na Allianz, o jeito que você me acusou foi errado e poderia ter custado meu emprego. Vou conversar com a Isabele ...

- Não, você não vai - avisou em tom calmo - Eu falei com ela ontem a noite, e está tudo resolvido, mas você tem que ficar longe dela

- Você está louca - esbravejou, usando um tom alto totalmente oposto do modo que Lia falava com ele - Eu disse que não foi assédio e não foi, você que está querendo me tirar daqui e roubar meu emprego!

- Jeff… - Lia respirou fundo, mantendo a paciência - Eu sei o que eu vi ontem, e eu não quero discutir isso. Podemos trabalhar? - falou e ignorou uma possível resposta dele, colocando os fones de ouvido

A manhã se arrastou mais lenta do que Lia gostaria. Seus trabalhos estavam em dia, logo não tinha muito o que fazer, além do clima entre os dois estar péssimo e ela sentir a necessidade de vigiar o que ele fazia a cada minuto. Jeff seria um problema. Lia mal conseguia pensar na hipótese dele não ser chamado para seleção e ela for. Iria render uma boa briga a qual ela não sabia se estava disposta a enfrentar.

- Estou indo almoçar hoje, tenho uma reunião com Karl, vou demorar - ouviu Jeff dizer e esperou ele sair da sala para poder tirar os fones e bufar

Ainda eram 11h15, o que significava que teria um bom tempo de almoço e que demoraria um tempo até que os estagiários chegassem. Afastou o teclado do computador e seu caderno de anotações, colocando o celular para despertar dali uma hora e meia. Sacrificaria seu horário de almoço mas seria por uma boa causa. Tirou a blusa de frio que sempre carregava em sua bolsa e improvisou um travesseiro, levando apenas alguns minutos para dormir.

Acordou de modo assustada, com um barulho alto ao seu lado, que se resumia em Jeff sentando de modo nada delicado a própria cadeira e a encarando de modo sério. Ignorou a presença do homem, e checou o celular, 12h07. Já que fora acordada mais cedo do que o previsto, optou por almoçar. Esfregou a cara amassada de sono e ajeitou as roupas desalinhadas demais - foi uma soneca daquelas - pegou o celular e deixou a sala. Dizer que Lia foi andando até o refeitório seria um exagero, a morena estava num misto de arrastar e cambalear pelo corredor. Odiava o fato de que sonecas curtas a deixavam com mais sono do que ela já estava. O refeitório estava bem vazio, apenas alguns integrantes da equipe estavam por lá. Lia se pôs sentada em uma das mesas que conseguia enxergar a área externa, acompanhando o treino dos meninos

- Bom dia cara amassada, ou boa tarde? - ouviu Neuer brincar, se pondo sentado ao lado dela, o que gerou um leve susto - Não sou tão feio assim que precise assustar Lia

- Bom dia Manu - sorriu na direção dele, e apontou para própria comida -Servido?

- Não, obrigado - agradeceu - Mas esse purê parece estar realmente muito bom - a viu rolar os olhos e rir, de modo automático enchendo uma garfada e colocando na direção dele - Eu estava brincando, não quero não

- Se eu fosse uma pessoa má ..

- Olha o casalzinho! - os dois foram atraídos por Müller que berrou da porta do refeitório que dava para o corredor onde o grupo teria que passar para chegar ao vestiário

- Cala a boca - Lewandowski deu um tapa na cabeça do loiro, o tirando do rumo deles

- A gente nunca vai ter nenhum tipo de privacidade? - Manuel perguntou de modo retórico, a fazendo rir

- Não aqui no CT, nem em uma boate... - comentou de modo sugestivo

- Isso é um convite para irmos em outro lugar? - indagou e a viu corar

- Não… Sim - se corrigiu. Lia Herrera, te orienta mulher

- O que vai fazer hoje a noite?

- Infelizmente, não vai ser dormir - riu - Na verdade Andrea quer que eu vá na casa dela. Os pais dela foram viajar e ela vai fazer uma social lá

- Então a senhorita Herrera é uma mulher de festas? - Manuel comentou, a fazendo rir enquanto negava

- Eu não gosto muito. Só vou hoje porque ela tinha pedido antes mesmo de ter planejado a festa. Mas só vou ficar uns minutinhos mesmo, tenho que estar aqui amanhã cedo. Quer ir?

- Acho melhor não - respondeu, a encarando - Eu não sou muito fã de festas, só vou quando eles insistem. Mas…

- Mas… - o incentivou a continuar

- Podíamos sair depois de lá. Você disse que quer ficar só um pouco, poderia ficar só um pouco comigo depois também - deu ombros, a vendo sorrir tímida - O que acha?

- Por mim perfeito

- Eu te busco lá, só me fala onde é - avisou, ajeitando uma mecha do cabelo dela - Tenho que ir no vestiário agora, depois nos vemos - Lia sentiu ele a beijar na testa e sair de modo rápido

Enrolou no refeitório o máximo que podia, a fim de esperar ver o grupo de estagiários cruzar a porta. Assim que os viu, seguiu o grupo de modo animado até a sala deles, rezando para que Jeff não estivesse lá. Quando notou que sua prece havia sido atendida, bateu a porta em suas costas, atraindo a atenção do grupo

- Vai dizer que tirou as teias de aranha daí - Andrea comentou ao notar a cara de Lia

- Não, que horror. Tenho um encontro hoje, com o Neuer - falou de forma feliz, mas logo o sorriso foi substituído por uma cara de preocupação- Tenho um encontro hoje, com Neuer

- Chefinha, chefinha, vai dar certo - Daniel a tranquilizou, pegando ela pelo braço - Vai ver só, vai se sair super bem

- Toma isso aqui - Andrea entregou um cartão, que marcava o nome de uma depiladora - O que foi? Encontros após festas acabam no motel

- Nada a ver Lia, o Manu não é desses - Isa comentou ao ver a cara de apavoro da morena

- Mas, é sempre bom ter. Elas fazem a depilação brasileira, o que tira tudo - Andrea explicou, assobiando e imitando uma navalha próximo as partes íntimas

- Vocês me assustam às vezes - Lia pegou o cartão, vendo a localização - Eu nem sei o que vestir

- Isso a gente decide na minha casa hoje, às 19h30 - Isa decretou - Vai ser a melhor social

A casa de Andrea era grande. Maior do que Lia esperava. E estava cheia.

Os copos de bebida vermelho se espalhavam, e cada um fazia uma coisa. Uns beijavam, outros cantavam e outros dançavam. Ela, se limitou a pegar um copo de cerveja e se encostar próximo ao grupo que Isa - e o convidado que surpreendeu Lia - Alaba estavam. Eles discutiam de forma animada algo da faculdade que faziam, o que a deixou ligeiramente desconfortável em se pôr junto a roda

- Chefinha - assustou com Daniel brotando ao seu lado - Achei que não viesse de tão nervosa que estava hoje

- Ah, achei que iria ser meio mancada não vir - deu ombros, de modo simpático - E a Andrea, já falou com ela

- Conversamos em rapidinho… Aquele é o Alaba?

- Sim - riu da cara do mexicano - Ele e Isa ainda nem ficaram nem nada, mas segundo ela, viraram companheiros de “rolê” - fez aspas com a mão - E você e Andrea?

- Foi só uma noite - o viu suspirar, se encostando ao lado dela. Para ela podia ter sido só uma noite, mas para ele não e aquilo havia acabado de ficar claro - Nós ficamos aquele dia e tal, mas ela parece estar bem mais afim de curtir

- Vocês são jovens ainda, se for parar pra ver vocês mal tem vinte e um anos. A velha sou eu, já já tô com vinte e oito, um pulinho e já é trinta - reclamou, fazendo ele rir

- Nós somos jovens e tal, mas eu não consigo ser assim igual ela, de ficar comigo e com Deus e o mundo - Daniel fez uma careta, como se aquilo fosse a coisa mais estranha para ele - Mas olha chefinha, uma coisa posso te falar. Você tá quase com trinta mas tá com tudo em cima ein - pegou a mão dela,a fazendo rodar em seu próprio eixo. Lia vestia roupas simples, pelo menos no conceito de Isa, que era quem havia as escolhidos. Uma blusa cinza claro, uma saia preta e uma bota over cinza escuro. Lia nem ameaçou reclamar já que Isa havia envolvido até a própria mãe para ajudar na escolha do look

- Corpinho de trinta e disposição para festa de 80 - comentou, rindo junto a ele - Dan, não tem só a Andrea nessa festa, você tem que curtir também

- É, eu sei… - falou cabisbaixo - Mas e aí, você ainda tem um compromisso quando sair

- Sim - concordou, o encarando e deixando explícito o nervoso que estava - Onde que a gente vai essa hora da noite? Ele não quis me falar

- Ah tem vários lugares. Aqui em Munique, ainda mais por ser verão, as coisas não fecham. Pra você ter noção, escureceu a pouco mais de uma hora atrás e já passamos das onze da noite

- Essa cidade é estranha - deu um gole na cerveja notando que Daniel encarava Andrea, que estava no grupo mais a frente deles, dançando - Vai lá

- Mas chefinha…

- Vai lá Daniel -ordenou e não desfez a cara de brava até o ver sair. Aproveitou estar “sozinha” novamente e pegou o celular, já esperando mensagens de determinado alguém

Manuel Neuer: Heyy, como está a festa?

Lia Herrera: Ligeiramente tediosa. E olha que cheguei a pouco tempo

Manuel Neuer: Tempo o suficiente para já ir embora?

Lia Herrera: Tempo o suficiente para saber que estou velha para festas

Lia riu da própria mensagem e junto a ela mandou duas fotos. De Isa e Alaba, que haviam subido em uma mesa para dançar junto com outras pessoas e logo em seguida uma dela, fazendo cara de tédio e a legenda Velha demais para festas

Manuel Neuer: É aí que você se engana

Lia Herrera: Claro que não, eu acho que sou a única pessoa que passou dos vinte e cinco aqui

Manuel Neuer: A legenda deveria ser “linda demais (até mesmo com cara de quem tá no velório) para festas" ou “ linda demais para qualquer tipo de ambiente”

Lia sentiu as bochechas corarem ao ler a lista de elogios. Manuel estava se saindo um ótimo galanteador. Por mais brega que a palavra fosse.

Toda sua felicidade foi interrompida ao ver uma mão se apoiar ao lado dela, e olhos azuis familiares a encararem de perto

- Anthony! - surpresa, Lia deu dois passinhos para o lado, se afastando da proximidade que ele havia instaurado. Os olhos possuíam tonalidade vermelha e o fedor de bebida chegava até ela. Anthony estava bêbado

- Não esperava te ver aqui - ouviu falar de modo enrolado, colocando a bebida no degrau da escada acima deles - Ahhhhh… Você deve ser a chefe da Andrea. Ela tinha comentado mesmo - apontou para ela. Lia sabia que as chances daquilo não acabar muito bem eram altas, só conseguia pensar em uma solução - Com uma chefe dessas, até eu trabalhava - ele cutucou um dos amigos ao lado, rindo. Lia apenas riu de modo forçado, pegando o celular, tirando um print da localização e mandando

Lia Herrera: Espero que já esteja pronto. O endereço é esse. Tenta chegar rapidinho por favor

Manuel Neuer: Está tudo bem? Enfim, tô indo. Assim que eu chegar te mando mensagem

- Dá atenção para mim - o homem reclamou, batendo os dedos sob o celular já bloqueado de Lia

- Oi Anthony - tentou parecer simpática mas sua voz soou mais como cansada do que como feliz

- Porque aquele dia você virou o rosto? - perguntou, parando na frente dela, se distanciando dos que o acompanhavam

- Eu não estava afim - deu ombros, sentindo o celular vibrar sob sua mão. Ainda não tinha dado tempo dele chegar - Mas então, você e a Andrea se conhecem da onde

- Na verdade ela conhece meus amigos ali - apontou para os dois mais atrás dele - E eles me trouxeram

- Anthony, eu já tenho que ir. Pode me dar licença? - pediu de maneira educada

- Posso.. mas antes eu quero meu beijo - falou e Lia não conteve um revirar de olhos. Machos babacas a estressavam e ela já havia alçado sua cota de embuste quando estava com o ex

- Anthony, não! - esbravejou, e passou por baixo do braço dele, saindo em direção a porta, mas sendo impedida por algo segurando sua mão. O cara definitivamente não sabia quando tirar seu time de campo

- Bem que me falaram que você não presta, não passa de uma maria chuteira que fica rodando entre o time - debochou, rindo de Lia, que usou de todo autocontrole para não surtar e grudar na garganta dele.

Assim que ele a soltou, Lia viu os dois amigos dele pedirem para o próprio dar uma segurada, o que a permitiu sair da casa. Por mais que estivessem no verão e que Lia vestisse blusas de manga e botas que cobriam mais da metade da suas pernas, ela ainda conseguia bater os queixos com o frio. Agradeceu mentalmente o fato de nenhum dos amigos a terem visto saindo e a frente da casa de Andrea estar vazia. Lembrou de ter sentido o celular vibrar enquanto conversava com o Anthony, mas não havia checado

Manuel Neuer: Pelo o que me disse, é uma festa né? Me espera aí dentro, ficar na rua pode ser perigoso e te conhecendo, você vai ficar com frio

Por algum tipo de ironia do destino, assim que Lia terminou de ler a mensagem, viu um Audi preto parar a sua frente, ouvindo o barulho da porta destravar

Manuel Neuer: acho que cheguei, tem uma moça interessante aqui fora

Lia já havia dito que a sala de edição, o refeitório, talvez até mesmo o banheiro do CT fossem maiores do que a casa que ela morava. Mas nenhum dos lugares - incluindo a residência - eram tão confortáveis ou possuíam um cheiro tão bom quando o carro de Manuel. Cheiro esse que ela sabia não pertencer ao carro mas sim ao seu dono. Antes de pôr o cinto, se limitou ao cumprimentar com um beijo na bochecha, mesmo que - o cérebro de ambos - dizia que as bocas estavam no ângulo errado

- Você tá congelando Lia - Manuel comentou, pegando as duas mãos finas dela e apertando junto as suas - E olha que está fazendo vinte e cinco graus

- Eu venho de um país onde se for menor que trinta, já é motivo para usar jaqueta - avisou rindo, o vendo entregar um pano, que ela levou segundos até entender que era um suéter

- Eu desconfiei que você estaria congelando - avisou, a vendo por a blusa - Suas botas são legais

- São grandes, olha isso - se pôs de joelhos no banco - Onde já se viu, uma bota vir até aqui. Isso fica bonito na Beyoncé, não em mim, mas a Isa insistiu

- Realmente, acho que bonito não se encaixa muito. Poderia usar maravilhoso, sexy… - listou a vendo desviar o olhar. Manuel para de fazer cantada babaca

- Pra onde vamos? - desviou o assunto, se sentando e colocando o cinto

- Eu tinha um plano mas, acho que se pôr ele em prática você congela, vamos ao plano de emergência então - explicou dando partida no carro e saindo

- E qual era o primeiro plano? - perguntou curiosa, encarando ele enquanto o mesmo dirigia. Era certo ter atração por homens no volante?

- Segredo. Quem sabe a gente ainda coloque em prática

- Isso significa que vamos nos encontrar de novo? - cruzou os braços, o encarando. O suéter estava a uns bons números de diferença do corpo de Lia

- Em tese, a gente se vê quase todo dia. Mas, sim, vamos nos encontrar de novo - respondeu sorrindo - Ah, eu tinha que ter te perguntado um negócio e esqueci, era o Alaba naquela foto?

- Sim, você acredita? Acho que logo logo ele e a Isa vai acabar virando algo - respondeu empolgada, não o vendo pensar para responder que se dependesse dele, não seria só Isa e Alaba

- Eles formariam um belo casal até. Anna que gosta de bancar cupido no time, porque você não tenta roubar o lugar dela juntando eles dois - riu fraco, Lewandowska mataria ele se soubesse que estava a chamando de cupido. Como ela sempre dizia, estava apenas facilitando o que já era pra ser

- Sou péssima com isso

- Isso eu não sei - respondeu, estacionando o carro - Primeira parada

- hmm Café? - leu o letreiro com alguma dificuldade. Ela tomava seus cafés apenas no Starbucks por saber do que se tratava, mas aparentemente, era hora de conhecer coisas novas

- Exatamente. Vamos? - falou, descendo do carro, assim como ela - Você acabou de estragar meu momento cavalheiro abrindo a porta, sabia?

- Coitadinho - riu ao vê-lo reclamar ao seu lado - Em compensação pode abrir a porta ali pra mim

- Você só está pedindo porque não sabe se está escrito puxe ou empurre não é? -indagou a fazendo rir alto. Tudo bem, ela queria compensar o momento que havia tirado dele, mas seu principal objetivo era saber como ela abriria

- Só não te mato porque você é minha carona - resmungou, entrando no estabelecimento praticamente vazio

- Olha, deram sorte. Estava indo fechar já - um senhor comentou, provavelmente o dono da loja

- Eu realmente espero ter sorte hoje senhor Vayders - Neuer o cumprimentou com um aceno - Nós só viemos pegar alguma coisa para beber

- Faz muito tempo que não traz ninguém - o homem comentou sorrindo, se pondo atrás do balcão

- É uma amiga, do time - apontou para Lia, que a esse nível só sorria - Lia, esse é Eddie Vayders, e Eddie, essa é Lia Herrera

- Prazer em conhecê-la - ele se esgueirou pelo balcão, apertando a mão dela - Você está congelando!

- Ah, o que é calor para vocês, para mim ainda é frio - comentou com um riso fraco, analisando o menu pregado no teto

- Ela é brasileira, ainda não conhece a magia de Munique - Neuer comentou com ele, fingindo que Lia não estava ali

- Se ela não conheceu significa que você não está sendo um bom guia rapaz - Eddie deu dois leves tapinhas no ombro de Manuel, fazendo Lia rir alto - O que vão querer?

- O de sempre - Manu avisou, esperando Lia responder

- Um cappuccino, pequeno, sem chantilly - respondeu, e seus olhos se direcionaram para a vitrine de doces - Só isso

- Não é só isso não - Manuel riu, se aproximando dela - Qual você quer?

- Nenhum, tava só paquerando - mentiu. Ela estava mais curiosa por saber do que os doces eram do que para os comer, não que deixaria de fazer isso

- Eddie, por favor dois Schnecken - pediu ao vê-la encarar os últimos dois enrolados - Tudo para viagem

- Sim senhor - o homem falou, se virando para o preparo dos cafés

- Ei, eu disse que não queria nada - Lia reclamou, dando um leve tapa no braço dele

- E quem disse que é pra você? Eu ofereci e você não quis - deu ombros, a vendo ficar indignada. A abraçou de lado, ainda rindo - Ok, eu te dou um pedacinho

- Manuel… - ameaçou, o encarando, tendo que olhar para cima

- Um pedacinho proporcional a sua altura - respondeu e a viu ameaçar sair do lado dele, o obrigando a apertá-la ainda mais - Nós podemos entrar em um acordo

- Eu não quero nenhum acordo, quero um scehn, scnhek… isso aí que você pegou - tentou pronunciar, se enrolando, e além da risada de Manuel, conseguiu ouvir Eddie gargalhar

- Schnecken - Manuel proferiu de modo lento, a vendo repetir em tom baixo

- É tipo um pãozinho enrolado, esses dois são de nozes - Eddie explicou, colocando os dois copos e um saquinho com o doce sob o balcão - 15 euros - falou e viu os dois colocarem as notas sob o balcão

- Eu convidei, eu pago - Manuel insistiu, a vendo se manter firme

- Eu vou comer, eu pago - Lia o olhou séria, como quem o desafiasse

- Sério Lia, não estraga mais um momento cavalheiro - pediu rindo, a vendo negar

- Eu deixo você abrir a porta de novo, senhor cavalheiro - respondeu. A discussão dos dois fazia Eddie rir

- Você tem mão para abrir a porta Lia. Só abro se você deixar eu pagar - a provocou

- Se não quer ser cavalheiro, tudo bem, só não precisa ser o próprio cavalo Manuel! - riu, assim como os outros

- Eu tenho a solução perfeita - Eddie declarou, pegando o dinheiro dos dois - 7, 50 dos dois, 15 euros no fim - devolveu o troco enquanto Manuel pegava a comida disposta no balcão

- Obrigada Eddie - Lia agradeceu com um sorriso, acenando em despedida para o homem

- Até qualquer dia Vayders! - Manuel também se despediu - Poderia, por favor abrir a porta para mim?

- Ah, você tem mão para isso - Lia imitou a voz dele, saindo e fechando a porta na frente dele. Em poucos segundos, ela abriu, dando passagem para o goleiro - Viu como eu sou uma ótima pessoa?

- Você é maravilhosa Lia - disse em tom cínico. Não que fosse mentira, ela é

- Cuidado para não se apaixonar - avisou entrando no carro assim como ele. Manuel apenas riu do comentário dela, colocando a comida no banco de trás, rezando para que nada caísse - Qual a próxima parada?

- É aí que entra meu improviso - comentou para si mesmo - Vamos ver, tem um lugar legal aqui pertinho

- Então dirija, por favor

O trajeto até tal lugar foi extremamente rápido, para surpresa de Lia, pelo menos mais do que ela esperaria. Durante o percurso, Lia aproveitou para dramatizar mais sobre o mísero pedaço de Schnecken e ele mantinha a ideia de que só daria mediante a um acordo. Estacionou o carro ao lado de um campo aberto, pelo o que Lia leu, se chamava Englischer Garten. Havia várias pessoas no lugar mais a frente, e ela podia ouvir o barulho de música e risadas ao longe, por mais que não houvesse ninguém próximo do carro deles

- Temos duas opções: ficar aqui conversando e tomar nosso café ou ir para lá no meio do povo. É comum nessa época o pessoal vir aqui pra curtir - explicou, se ajeitando de maneira confortável, virado para ela

- Vamos ficar aqui mesmo, porque é onde está nosso café e também onde tá quentinho - Lia decretou, abraçando o próprio corpo

- Aqui o seu - Neuer entregou o copo dela - E como estava a festa lá?

- Ah, legalzinha até. Me senti meio deslocada - deu ombros, bebendo - Eu definitivamente tô velha para isso

- Exagerada - bebeu, vendo-a fazer o mesmo. Lia aproveitava as mangas que sobravam do suéter para cobrir as mãos e segurar o copo quente, os cabelos mesmo soltos estavam todos jogados para a parte de traz e ela estava meio sentada, meio ajoelhada. Adorável. - Você está linda Lia

- Ah.. obrigada - ela sorriu em direção a ele, desviando o olhar rapidamente - Você também, inclusive seu perfume é muito gostoso

- Perfume natural - se vangloriou, a fim de a deixar menos tímida que estava - Eu estou brincando. Posso te fazer uma pergunta?

- Até duas - parou de beber o café, se concentrando no que ele diria

- Como foi seu encontro com Anthony? - perguntou já se arrependendo ao ver o riso sem graça dela. Mais uma chance perdida para Manuel Neuer

- O Anthony é meio babaca, mas o encontro em si foi até bom, porque descobri que estou sendo cogitada para entrar na equipe do DFB - explicou, colocando o copo vazio do cappuccino no banco de trás, assim como ele havia feito

- Vai nos abandonar? - perguntou, pegando a mão livre dela, e mantendo junto a dele

- Não, pelo contrário, vocês vão ter que me aturar mais pois aí eu trabalharia no Bayern e na seleção - explicou, o vendo sorrir - Mas ainda não é certeza, e pra isso tirariam o Jeff, enfim, nada confirmado

- Mas tomara que dê certo, seria bom te ter lá também. Mas, porque disse que ele é um babaca? - perguntou curioso, a vendo encostar a cabeça no banco e brincar com os dedos dele que estavam presos aos dela

- Ele estava lá na festa hoje, eu nem sabia. Enfim, ele tinha tentado lá no CT e eu disse que não, ai na festa eu disse que não de novo mas depois ele falou umas coisas que não me agradaram - se limitou a responder, ajeitando-se no banco assim que notou estar esparramada demais. Ele até cogitou perguntar o que ele havia dito, mas não queria estragar o clima bom entre eles, optando deixar passar

- Ou seja, um babaca - Manuel complementou - Seria errado eu ficar feliz porque você acha isso dele?

- E porque você acharia? - Lia indagou sorrindo, o vendo se ajeitar no banco assim como ela havia feito

- Menos concorrência para mim - falou em um tom divertido, puxando a mão dela que ele segurava e a colocando sob o próprio ombro, como se fosse uma indireta, a qual Lia entendeu, e esperava, perfeitamente. Só com o movimento feito por ele, a distância entre os dois havia sido diminuída, deixando os rostos próximos. Se entreolharam, ambos não conseguindo evitar um sorriso, mesmo que leve

- Manuel Neuer, ficaria muito bravo se eu te beijasse aqui e agora? - repetiu a frase que ele havia usado com ela na boate em modo de sussurro. A resposta veio ao sentir os lábios dele nos seus

Manuel sentiu que podia entrar em combustão a qualquer segundo.

Sentiu os lábios de Lia contra os seus e ela gentilmente dar passagem para ele. O hálito doce dela se misturava ao seu enquanto as línguas se emaranhavam, como se uma boca necessitasse da outra, enquanto ele podia sentir as mãos finas dela se prenderem a sua nuca, o provocando arrepios. Ao ver que ela havia tomado um pequeno espaço para respirar, em um movimento a puxou, colocando-a sob seu colo e a fazendo dar um gritinho com um movimento

- Manuel! - advertiu ao ver ele rindo dela - Você me puxa assim do nada e ainda ri da minha cara?

- Foi muito bom seu grito histérico - riu alto dela, a imitando logo em seguida. Assim que parou, colocou as mãos em cima do pequeno pedaço desnudo da coxa dela. Se era difícil se conter com Lia estando no banco do lado, com ela em cima dele se tornava algo quase impossível. Acariciou a perna dela, e sentiu ela repetir o gesto porém nos cabelos dele, o fazendo fechar os olhos e aproveitar o momento - Você percebeu uma coisa?

- O que? - indagou, ainda se distraindo com os fios loiros e tentando recobrar a sanidade que havia perdido. Viu os olhos azuis a encararem, com um sorriso tímido

- Não fomos interrompidos, pela primeira vez - respondeu, a vendo rir fraco e o beijar novamente.

O modo lento como os lábios se moviam e a cada suspirar que Lia dava assim que sentia ele apertar sua cintura o fazia querê-la mais. Tomava todo o cuidado em não subir ou descer as mãos demais, as mantendo ou na cintura dela ou nas coxas próximas as botas. Era o primeiro dia deles juntos e ele definitivamente não queria passar uma impressão ruim. Deu mais dois ou três beijos rápidos antes de se separarem, sentindo ela morder levemente seu lábio inferior, os fazendo mergulhar em um novo beijo. Podiam ficar ali o dia inteiro. Pararam lentamente de se beijar, dessa vez sem Lia o morder, mas, com ela se escondendo na curva do pescoço dele, com o rosto entre as mãos

- O que foi? - perguntou ouvindo um riso leve dela, que apenas tirou as mãos para o encarar e depois cobriu o rosto novamente

- Estou com um pouquinho de vergonha - confessou, tirando as mãos do rosto e se pondo sentada

- Vergonha Lia? - perguntou rindo, a vendo assentir

- Ah Manu, vergonha sim - deu ombros, rindo de nervoso - Vamos ignorar isso ok?

- Você manda - deu um selinho rápido nela - O que vamos fazer então?

- Voltar a falar sobre Anthony babaca?

- Não - respondeu, a vendo ajeitar os cabelos, e logo ele substituiu as mãos dela, tomando a função de mexer nos fios escuros para si

- Comer o doce que eu não sei falar o nome? - sugeriu

- Schnecken - nomeou e a viu tentar sair de cima dele enquanto havia virado para pegar o saquinho - Onde pensa que vai?

- Ia sentar ali para comer - apontou para o banco

- Ahh, se quiser - falou calmo dando ombros - Mas eu prefiro você aqui - deslizou uma das mãos pela perna dela - Ah, verdade! Lembra do acordo para ganhar schnecken? A cláusula número um implica em você ficar exatamente aí - apontou para onde ela estava sentada - a outra cláusula já foi cumprida - sorriu de modo sugestivo

- Você é bobo Manuel - deu um leve tapa no ombro dele - Agora passa pra cá isso aí - pegou um dos doces na mão dele, dando uma mordida e sendo assistida por um esperançoso Manuel Neuer

- E aí?

- Isso é muito bom - respondeu já o mordendo novamente - Pena que é pequeno

- Eu até gosto de você Lia, mas não vou dividir o meu - avisou, comendo o próprio doce enquanto ela se distraía e melecava, com o restinho do schnecken - Quando você for em casa, eu faço para você

- Wow.. Devo ficar admirada por você ter dotes culinários ou por querer que um dia eu vá na sua casa? - questionou rindo, o vendo virar os olhos

- Você acha mesmo que depois de hoje eu vou sair do seu pé? - perguntou sorrindo, sendo encarado pelos olhos castanhos, que ficavam comprimidos perto do sorriso aberto dela - E eu cozinho muito bem

- Não tenho dúvidas disso - aprovou, o vendo terminar de comer, assim, dando um beijo rápido nele.

- Passou a vergonha toda? - perguntou, a puxando para mais um beijo, que durou pouco tempo -Dessa vez demoraram para interromper - comentou ao ouvir o celular de Lia tocar

- Eu tenho que atender - respondeu sorrindo, e dando um beijo rápido nele. Estava ficando viciada naquilo - Oi mãe...

Manuel aproveitou o momento para pensar no que havia acontecido ali.

Havia ficado com Lia.

Ela estava sentada - literalmente - em cima dele

Ele não queria que ela saísse dali tão cedo.

Era estranho pensar que há cerca de dois meses atrás nem sonharia quem era Lia Herrera, mas as coisas iam para um rumo diferente. Ele gostava dela, da risada e do jeito tímido, do sotaque, de tudo que já conhecia. Só precisava ir devagar e saber se aquilo poderia um dia virar algo. E era exatamente o que ele estava fazendo, da forma oposta. Viu seu olhar se cruzar ao dela, enquanto sentia a mão fina deslizar sobre os fios loiros dele. Tinha como não gostar de Lia?

- Era minha mãe - avisou assim que desligou - Eu sempre costumo ligar para ela a noite mas hoje não deu tempo

- Coitada Lia, deixando a mulher preocupada - fingiu brigar com ela, que apenas deu língua em resposta

- Manu… Já tá meio tarde - alertou, mostrando o horário para ele

- Você quer ir embora? -indagou e a viu assentir. Com cuidado, Lia saiu de cima dele, voltando a ocupar o banco de passageiros

- E outra coisa Manu. Eu tava pensando.. - começou de modo sério, fazendo ele sentir o coração apertar com receio - As coisas não vão ficar estranhas entre a gente?

- Claro que vão. Eu gosto de você Lia, muito - confessou, a encarando

- Eu gosto de você também- respondeu sorrindo - No CT podemos manter as coisas normais?

- Do jeito que você quiser Lia, você manda, em tudo - avisou, ligando o carro - Você sabe ir embora daqui para sua casa?

- Não - respondeu rindo da cara dele ao receber a informação - Você sabe ir daqui para o CT?

- Sei sim

O caminho foi quieto, calmo. Lia assistia ele dirigir, aproveitando a intimidade que tinham - que havia surgido naquela noite - para que ela se permitisse ora ou outra, mexer nos fios loiros ou na nuca dele. Após se perderem duas vezes, finalmente conseguiram chegar à frente do prédio, e Lia já se sentia de certo modo triste por ter que ir embora

- Acho que você fica por aqui, infelizmente - declarou, sorrindo de canto. Eu poderia derreter agora Lia pensou quando notou o gesto

- Ah, seu suéter - fez menção a tirar mas foi impedida

- Depois você me devolve Lia, você pode congelar até chegar no seu andar - avisou - Nos vemos amanhã?

- Teoricamente, nos vemos mais tarde - riu fraco - Boa noite Manu - desejou e ele se aproximou a beijando novamente, de modo rápido e delicado

- Boa noite Lia - falou assim que separaram, a vendo sorrir e descer do carro.

Lia mal soube como entrou em casa, ou como não havia tido uma câimbra em seu rosto de tanto que sorria, ou como não havia infartado.

Havia ficado com Manuel Neuer.

E não foram interrompidos.



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