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História Photograph - Capítulo 1


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Notas do Autor


Boa Leitura

Capítulo 1 - Capítulo Único


Fotos. Esse era o nosso passatempo favorito, esse foi o motivo que nos uniu e esse também foi o responsável pela nossa separação.

Era um dia ensolarado na estação da Primavera quando nos vimos pela primeira vez. Você era novata no ramo e um completo desastre, um desastre muito belo pelo que pude notar.

— Desculpa, desculpa, desculpa! — Pediu ao se esbarrar em mim enquanto eu trazia as fotos da última sessão.

— Eu que peço desculpas, deveria ter visto você, mas fiquei enrolada com a cara nas fotos. — Me abaixei pegando as fotos do chão.

— Me desculpa mesmo, eu sou tão desastrada. Eu não devia nem ter nascido se fosse pra nascer assim! — Me ajudou a pegar as fotos.

Nos levantamos e só então pude ver com quem me esbarrei.

— Não… — Por rápidos segundos, me senti encantada pelo seu rosto perfeito.

— Não? Ai meu deus! Ao menos você é sincera. Eu já devia ter morrido! — Com seu nervosismo, começou a rodar em círculos como se falasse isso pra si mesma.

— Ei! — Toquei sua bochecha a procura de acalmá-la — Não pense assim. Não eu quis dizer que você não é tão desastrada.

Abri um sorriso gentil. Ela parecia muito nervosa quanto a tudo. Provavelmente era o ar agitado do local que a incomodava. Melhor, ver o movimento e não fazer nada a agitava.

— Eu já estive no seu lugar. No meu primeiro dia eu derrubei a armação toda do estúdio. Me senti imperdoável também! — Parecia que eu estava vendo aquele momento de novo.

— Sério? E como fizeram as fotos? — Falar da minha primeira vez ali pareceu ajudá-la.

— Estava um lindo dia de sol. Fizemos um cenário natural. Saíram perfeitas! Foi o meu gatilho pra continuar no ramo — Porque lhe deixando a dica.

— Lisa! — Ouvi me chamarem.

— Estou indo! — Voltei a olhar pra moça em minha frente — Nos vemos por aí!

Segui meu caminho pra direção fotográfica. Por fim, acabei decidindo minha dúvida sobre as fotos. Eu queria algo mais natural e belo pra essa Primavera.

— Assistente Don! — Chamei o mesmo — Mudança de planos. Vamos refazer a sessão de fotos no Centro Florístico da Cidade!

Ele apenas assentiu avisando alto para os demais e logo começaram a arrumar as coisas para partirmos.



O cenário estava pronto. Na verdade não tinha muito o que arrumar, a natureza tinha seu brilho próprio então só precisávamos do nosso charme fotográfico para poder desfrutá-lo por completo.

— Que lindo! — Ouvi o sussurro da voz da garota de hoje mais cedo e me aproximei dela.

— Também gostou da paisagem? — Sorri olhando em volta também.

— Está simplesmente perfeita! Não faço ideia de quem ou porque mudou tão de repente, mas a escolha foi perfeita! — Seus olhos chegavam a brilhar ao falar e olhar pro ar puro que a paisagem transmitia.

Naquele segundo, eu havia notado que ela não sabia quem eu era. Ou então sabia e não conhecia minha identidade como maior parte da população.

— Senhorita Manoban — A modelo que faria as fotos novamente se aproximou.

— Ah, muito obrigada por vir Senhorita Kim! — Nos cumprimentamos com um aperto de mão.

— Você é a Fotógrafa Manoban? — Minha convidada pareceu realmente surpresa.

— Pode me chamar de Lisa e o seu é... — Me apresentei.

— Rosé! — Ela respondeu nervosa.

— Três minutos pra iniciar a sessão! — Um Staff gritou.

Segurei o riso e me retirei junto com a Senhorita Kim. Continuamos a sessão de fotos e a partir daquele dia, passei a ver frequentemente aquela novata que mal sabia o nome. 




365 dias depois


As horas haviam se tornado dias, os dias em meses até que esses meses completaram um ano.

Conviver com a Rosé havia se tornado mais confortável do que eu previa, eu podia confiar nela.

Quando terminou seus estudos, fiz questão de mantê-la como minha assistente já que o Don havia saído pra algo melhor.

Rosé era doce e meiga, uma companhia que eu gostava de ter por perto. Às vezes ela era divertida, se tornou mais ainda quando parou de me ver como a tal Fotógrafa Manoban e me viu como uma amiga também.

Apesar da personalidade floral, a Rosé ficava irritada facilmente e apesar de não falar, ficava vermelha e cerrava os punhos segurando as coisas pra si.

Me peguei algumas vezes tirando fotos da Rosé sem que ela percebesse. Passei a guardar essas fotos e deixar uma legenda no fundo delas.

Só percebi os meus sentimentos pela Rosé, quando tive que me ver sem ela.

— Verdade ou Desafio? — Kim, uma das jogadoras da roda, perguntou pra Rosé.

— Verdade! — Rosé dificilmente escolhia desafio.

— Ouvimos boatos de que está gostando de alguém. Quem é? — Houve risadas na roda.

— Eu gosto de você! — Rosé foi direta em sua resposta.

Os participantes fizeram barulho de surpresa. Percebi a timidez no rosto da modelo e senti meu coração se despedaçar ao ouvir isso.

— Vai dá namoro! Vai dá namoro! Vai dá namoro! — A galera começou a shippar o casal.

Ver a Rosé cair na gandaia e a Kim tão tímida deixava óbvio os sentimentos de uma pela outra.

A partir daquele dia, eu tinha uma certeza: a Rosé não era tão minha quanto pensava e eu não habitava em seu coração.

O jogo continuou até altas horas da noite. Depois, cada um foi pra sua casa, exceto eu que parei numa boate, sentada na cadeira do balcão. 

— O que a Senhorita deseja? — O barman perguntou enquanto enxugava um copo.

— Tem alguma bebida pra dor de cotovelo? É o que eu preciso hoje! — Ele me olhou confuso — Quero Dinamite Vermelha, aproveita e já deixa uma garrafa aqui.

O Barman olhou pra outro colega como se duvidasse se fazia ou não o que pedi. Por fim, apenas me serviu já que era seu trabalho.

Bebi até horas e mais horas, quando fiquei bêbada já era madrugada. Eu não fazia ideia de como eu ia chegar em casa, mas de qualquer jeito eu cheguei.



Minha cabeça estava a mil. Eu nunca tinha tomado um porre a ponto de realmente ter uma ressaca, mas pra tudo tinha uma primeira vez.

Sentei na cama e minha cabeça pareceu mais pesada ainda. Ouvi o som de uma câmera e então lembrei que eu não tinha vindo pra casa.

Virei-me bruscamente pro lado de onde ouvi o som suspeito e dei de cara com um serzinho louro com uma câmera na mão.

— Como você está aqui? — Eu podia estar de ressaca, mas lembrava muito bem de nunca ter falado meu endereço pra ninguém.

— Devia estar preocupada em como chegou aqui, não? — Ela ignorou minha pergunta.

Caminhou até a cozinha me deixando sozinha já que eu não podia avistar aquele lado por estar na cama.

Levantei e tive uma flash na memória no qual eu estava sendo colocada no chuveiro e depois sido trocada até mesmo a roupa íntima 

Corri pro espelho pouco afastado ao lado do meu guarda-roupa. Não foi só uma lembrança, eu tinha mesmo trocado de roupa.

Me esforcei pra ignorar a realidade de que a Rosé havia me visto nua, mas comecei a lembrar da noite anterior contra minha vontade.

— Ah, não! Eu não posso ser o tipo de bêbada que não lembra de nada no dia seguinte? — Passei as mãos pelos meus cabelos pra piorar minha volta de memória.

A frase "eu te amo" juntamente com um beijo roubado assumiu minha mente e corri pro banheiro me trancando.

— Não, não, não, não, não, não e não, eu não fiz essa loucura! — Me senti nervosa mudando de humor rapidamente.

Rodei de um lado pro outro querendo acreditar que eu estava ficando maluca.

— Eu não faria isso! Não mesmo! — Continuei negando pra mim mesma.

— Lisa, o café tá na mesa! — Gritou ainda na cozinha, mas deu pra ouvir do banheiro. — Se demorar invado!

Só de imaginar a cena fiquei completamente sem graça.

— J-Já vou!

Lavei meu rosto e fiz minha higiene matinal e encontrei a Rosé na cozinha.

— Tcharam! — Sorriu mostrando o café da manhã que preparou.

— Nossa…

Observei os pratos postos na mesa e eram minhas comidas favoritas.

— Como sabia? — Tirei meus olhos da mesa e voltei pra ela.

— Faz um ano que nos conhecemos. É fácil notar que você pede apenas isso em restaurantes — Ela deu de ombros e sentou na mesa.

Puxei uma cadeira e me acomodei. Tentei manter a calma e pedi a Deus em silêncio que ela não tocasse no assunto do meu eu bêbada.

Ela realmente não tocou, estava radiante, mais que o normal.


[...]


Os últimos dois dias a Rosé e a Kim tinham realmente se aproximado. Eu queria culpar a Kim por estar tirando a Rosé de mim, mas ela nem sequer sabia de nada.

— O que está acontecendo com você? — Choe, minha chefe, perguntou enquanto estávamos na sua sala.

— Me desculpe… — Pedi cabisbaixo.

Nesse período de 48 horas, eu tirei as fotos mais importantes da coleção e nenhuma delas ficaram boas. Eu estava desorientada.

— Não se desculpe. Isso não vai mudar o seu trabalho! Não vai fazer com que aquelas fotos fiquem boas! — Ela estava realmente irritada.

A revista pela qual eu estava tirando fotos trocou de agência.

— Estamos perdendo dinheiro por sua causa! Não é porque é minha sobrinha que vou aceitar isso!  — Aquela era minha maior ferida.

Eu queria dizer que eu estava trabalhando ali porque do meu talento, mas foi simplesmente por causa da minha tia.

Meus pais fizeram o favor de me abandonar e minha tia foi obrigada a me criar. Ela não teve filhos então me criou como uma.

Quando decidi fazer minha faculdade e me tornar a Manoban sem as pessoas souberem quem eu era, ela escondeu minha identidade até da imprensa e me deixou trabalhar no que mais amo.

— Eu realmente sinto muito… — Uma vontade de chorar mais forte que eu bateu e deixei uma lágrima cair ainda cabisbaixo.

— Não tem necessidade de chorar! — Sua expressão mudou.

— Eu não sei o que está acontecendo comigo! — Me deixei cair em meio a prantos.

— Não. Não chora Lisa! — Deu a volta na mesa e me abraçou ainda sentada — Isso é só uma fase está bem? Logo, logo você vai voltar a ser a estrelinha de antes.

— Estrelas como eu gostam de mulheres? — Ela se afastou com minha pergunta.

— Como? — Se encostou na mesa pra ver se eu falava sério.

— Não é normal, não é? — Me encolhi.

— Não… Quer dizer… Calma, isso foi uma surpresa! — Piscou algumas vezes absorvendo a informação.

— Viu? Esse é o problema. Pior que eu não sei o que fazer porque já gosta de outra… — Minha dor só aumentava.

— Lisa… — Se abaixou e segurou minhas mãos — Gostar de mulheres não é um problema.

— Eu não consigo nem tirar uma foto direito porque isso não sai da minha cabeça, como não é um problema?

— Fale com ela. Mesmo que ela goste de outra pessoa, fale dos sentimentos. Se abrir e ser clara quanto a eles, vão tirar esse peso de você. Se for rejeitada, bola pra frente, vai encontra alguém que te ame ainda! — Minha tia podia ser até durona, mas quando o assunto era pessoal, ela era uma mãe pra mim.

Falar com alguém sobre o turbilhão de sentimentos que me aconteceu foi um alívio e ter um apoio familiar me fez sentir que eu teria um colo pra chorar quando as coisas não dessem certo.

Me enchi de coragem e saí da sala decidida a falar com a Rosé quando houvesse uma boa oportunidade.




Nove meses depois


Pensei que as coisas seriam mais fáceis depois que eu falasse delas com alguém, mas venho me enrolando dias, semanas, meses… Até que uma hora chega anos.

Pra minha sorte, a Rosé e a Kim não entraram num relacionamento, mas ainda assim as duas haviam se aproximado.

— Há alguma possibilidade de ficarmos juntas? — A voz era da Kim.

Eu estava saindo do trabalho pelos corredores, parei assim que ouvi a conversa por acaso.

— Nunca diga nunca, não é esse o ditado? — Reconheceria aquela voz brincalhona em qualquer lugar.

Eu podia ter interpretado errado, mas elas estavam a um passo de deixarem de ser apenas apenas amigas.

— Vamos confirmar isso em breve então! — Foi a última frase da Kim.

Ouvi o dom de passos e saí correndo pelos corredores. Nunca agradeci tanto por estar de tênis e não fazer barulho enquanto corria.

Parei do lado de fora do estúdio, me recuperei e esperei as duas saírem, o que não demorou muito.

— Lisa? — Rosé pareceu surpresa em me ver.

— Oi — Sorri me fazendo inocente.

— O que faz aqui? — Kim pareceu evasiva demais.

— Estava esperando a Rosé! — Olhei pra Rosé e ela arqueou uma sobrancelha — Vamos dar uma volta?

— Eu adoraria! — Ela abriu um sorriso.

— Eu quero ir também! — Só a Kim para atrapalhar minha vibe mesmo.

— Você não tem que jantar com seus pais hoje? — Minha loirinha lembrou.

— Ah, a verdade! Fica pra próxima então! — Ela nos deixou a sós.

Ficamos observando sua partida até ela entrar num táxi e sair do nosso ponto de vista.

— Vamos? — Rosé voltou seu olhar pra mim.

Assenti e começamos a caminhar pelas calçadas. Estava anoitecendo então o pôr do sol estava perfeito.

— É alguma ocasião especial? — Rosé perguntou do nada.

Me senti completamente nervosa. Era e não era uma ocasião especial, ia depender da minha coragem e da resposta dela.

— O pôr do sol, hoje parece mais alaranjado — Esclareceu sua pergunta.

— Eu não sei — Soltei o ar que nem sabia que prendia.

Paramos à beira de uma praia. Tirei meus sapatos pra sentir a areia e logo fui acompanhada por ela. 

Sentamos naqueles mínimos grãos quando estávamos afastadas da estrada.

— É lindo, não é? — Podia não ter sido planejado, mas eu escolhi o dia perfeito.

— Você é mais! — Apoiou seus braços nas pernas e me encarou.

Me senti sem graça, virei o rosto ignorando o elogio.

— Até parece, eu e o sol não temos comparação — Passei a fazer desenhos na areia do nada só pra não olhar pra ela.

— Verdade. O sol ilumina o dia e você ilumina o "meu" dia. Com certeza não estão no mesmo patamar. — Pareceu fazer uma reflexão.

Parei e fiquei a observando. Eu iluminava o dia dela? A Rosé era minha luz do dia, mas nunca imaginei que ela me visse assim.

— O que você… — Não tive coragem de terminar a pergunta por medo da resposta ser "você é minha amiga".

— Não é óbvio? — Rosé foi esperta o suficiente pra entender o que eu ia perguntar.

— Não…?

— Eu gosto de você. Melhor, eu amo você. É por isso que eu trabalho com você. Adoro te ver todos os dias, seu sorriso ilumina meu dia. Você é meu sol, minha luz e eu estou simplesmente apaixonada por você! — Seus olhos tinham um brilho de admiração que eu jamais teria notado, não sabia se era apenas a última luz do sol, mas ela estava radiante.

— E a Kim? — Meu coração estava parecendo ter recebido uma dose de adrenalina de tão rápido que batia, mas ainda tinha dúvidas — Eu vi vocês conversando e...

— E entendeu errado. No jogo, foi zoação. Não sabia se você gostava de mim então… Eu menti. Quanto a minha aproximação da Kim, ela é quem mais conhece você e torce pela gente. Quer que a gente seja feliz mesmo que ela tenha o interesse de "me pegar" — Rimos com o final da sua frase.

— Então… Você gosta de mim? — Perguntei pra confirmar.

— Sim, amo!

— E eu gosto de você…?

— Isso é você quem vai me dizer.

— Se gostamos uma da outra podemos… Sair como um casal? Tipo, se conhecer e também… Oficializar? — Me senti tímida, mas tinha que perguntar.

— Eu adoraria espalhar pro mundo que Lalisa Manoban é minha namorada e que eu a amo muito! — Ela particularmente gritou pros céus.

— Eu adoraria dizer pro mundo que namoro a Roseanne Park! — Coloquei minhas mãos ao redor da boca pra gritar.

Ela enlaçou seus braços em meu pescoço e selou nossos lábios de forma despreparada.

Por rápidos segundos não tive reação, mas assim que me recuperei, puxei sua cintura a fazendo sentar em meu colo e desfrutei de algo que jamais poderia imaginar que seria tão bom; beijar a pessoa que amo.




Dois meses depois


— Minha comida favorita? — Rosé pegou o cartão e leu a pergunta.

— Fácil. G-U-I-S-A-D-O! — Soletrei, a Rosé adorava esse prato.

— Nossa, desisto! Em dois meses vocês se conhecem mais do que eu me conheço a vida toda! — A Kim desistiu.

A segunda sexta feira do mês nós jogávamos. Era tudo à base de pizza e soju enquanto a roleta girava.

Mês passado havíamos feito na casa da Kim, então a desse mês foi na minha casa e aqui estamos nós.

— Já tá tarde, vou escovar meus dentes para dormir! — Kim saiu da sala indo pro banheiro.

A Kim não era de dormir muito tarde — só quando ela estava ganhando, ela tinha uma súbita alegria e ficava muito ativa — seu máximo era às 1:00 tipo hoje.

Senti os olhos da Rosé em cima de mim, olhei pra ela pra ver se era impressão minha, não era.

— O que foi? — Olhei desconfiada meio de desdém.

— Você nunca me trouxe na sua casa! — Fez bico chateada — Já a Kim…

— Ih… Nem começa. A Kim é minha amiga desde o berço. A noite dos jogos é tradicional para nós duas. — Dei de ombros.

— Três. Agora é eu, você e ela! Todas as vezes que pedi pra você pra vir aqui você inventou uma desculpa, se não fosse pela Kim tenho certeza que não teria nem me chamado! — Cruzou os braços e sentou encostada no sofá.

— Oh, meu Deus! Meu neném tá com ciúmes ou é impressão minha?! — Cutuquei sua bochecha brincalhona.

— Não fala comigo! Estou chateada! — Manteve sua birra.

Revirei os olhos e vi a luz do banheiro ligada ainda. A Kim ainda estava lá.

— Eu queria que fosse especial… — Sussurrei abaixando a guarda.

— Está falando…

— Sim! — Respondi rápido demais.

Só a ideia dela falar aquilo em voz alta me deixava completamente sem graça.

— Eu também quero que seja! — Ela me passou sua confiança descruzando os braços — Está aqui não quer dizer que eu vá te forçar a nada. É tudo no seu tempo e eu valorizo isso igual você.

Ela segurou minha mãos e entrelacei nossos dedos, estávamos prestes a nos beijar quando ouvimos o som da porta do banheiro e nos afastamos imediatamente.

— Por que vocês duas estão parecendo uma pimenta madura? — Desviamos o olhar — Hum… Bando de sacadas, tavam fazendo o quê?

Coramos mais ainda.

— Enfim, continuem o que estavam fazendo, só não quero ouvir gemidos, ok? — A Kim estava mesmo tirando uma com a nossa cara.

— Kim! — Falamos seu nome em modo de protesto.

— Boa noite pombinhos! — Ela foi em direção ao quarto.

O clima havia ficado estranho entre eu e a Rosé depois da Rosé falar em "gemidos", então a gente foi cada uma pro seu quarto e logo dormimos.



O cheiro de ovos fritos invadiram minha narinas juntamente com o cheiro do bacon que havia acabado de sair do fogo.

— Que cheiro delicioso! — Disse entrando na cozinha.

— Senta aí e pega um prato! — A chefe da cozinha mandou e obedeci.

— A Rosé ainda está dormindo?

— Falando nela... — Acompanhei seu olhar, Rosé estava chegando.

— O cheiro tá ótimo! — Eu não fui a única que foi chamada pelo cheiro.

— Obrigada, obrigada! — Kim deu uma de convencida.

Rimos em conjunto e fizemos um café da manhã tranquilo cheio de conversas e fofocas alheias.

Quando terminamos, Kim teve que ir pro trabalho e a Rosé ficou por aqui arrumando a casa comigo.

Partimos pra um filme e depois jogamos nossos games favoritos no PlayStation.

Apesar do pavor de estar a sós com a Rosé, não foi tão ruim quanto imaginei. Ela nem sequer me tocou ou tentou algo inapropriado.

— Que droga, Lisa! — Reclamou após perder mais uma vez pra mim.

— Eu sou demais, não sou? — Me senti a rainha do game.

Ela levantou e desligou o PlayStation.

— Você é uma péssima perdedora! — Zombei dela em meio a risos, deixando o controle de lado.

— Investe nisso amor, tu tem talento! — Se jogou no sofá cansada.

— Você me chamou de quê? — A olhei arqueando uma sobrancelha.

— Amor. Por quê? — Seu olhar era desconfiado.

— É a primeira vez que chama de "Amor" — Me senti soft por alguns segundos.

— É falsidade! — Ela não tinha nem vergonha de mentir na minha cara.

Sentei em seu colo encostando minha testa na sua.

— Queria você que seu amor por fim fosse falso… — Sussurrei e senti sua respiração devido a pouca distância que estávamos.

Celei nossos lábios calmamente. Suas mãos rodearam a minha cintura e apertaram o local de forma provocante até se encontrarem nas minhas costas.

Meus dedos criaram uma trilha das suas bochechas até sua nuca acariciando o local subindo em seus cabelos os bagunçando.

Sua língua encontrou a minha que fez questão de manter o contato mesmo quando tentou se afastar.

Quando nos faltou fôlego para continuar, nos afastamos aos poucos, nós duas estávamos sorrindo uma pra outra.

— Vamos viajar juntas! — Soltou inesperadamente.

— Viajar? — Eu tentava entender o que ela queria dizer.

— Sim. Viajar juntas, passar o dia junto e voltar no dia seguinte! — A ideia parecia iluminar seu sorriso.

— Rosé… 

— Não precisa ser agora. Sei que tudo isso é muito recente pra você, então não quero te pedir nada assim — Ela sabia o que eu ia responder.

— Mesmo assim…

— Em um ano. Ao completarmos um ano de namoro vamos sair pra curtir esse dia! Prometo não te machucar. Dormiremos em quartos separados. — Ela parecia querer mesmo isso.

Eu não tinha muito tempo pra dedicar a Rosé. Gostava muito dela e em questão de passar mais tempo uma com a outra, sabia que ela dava mais importância pra isso do que eu. Enquanto eu contava as horas que a gente trabalhava junto, ela queria o tempo que a gente passava fora dele.

— No nosso aniversário! — Concordei.

Ela me abraçou animada que achei que quebraria alguma coisa no meu corpo.

— Obrigada, Lis!



Oito meses depois


Todo relacionamento tem seus altos e baixos. Diferente de quando imaginei ao iniciar meu namoro, acabei tendo meus "baixos" também com a Rosé.

— Onde você estava, Lisa? — A impaciência estava presente em sua voz.

— Desculpe, tivemos uma prorrogação na sessão de fotos. 

— Podia ter pelo menos mandado uma mensagem! — Começou a andar.

— Rosé, espera! — Fui atrás da mesma. — Eu estava sem bateria.

— Aproveita e vai pra casa colocar pra carregar! — Virou apenas para me dizer isso e novamente me deu as costas.

— Poxa, eu me esforcei pra vir aqui e você me manda ir embora? — Entrei em sua frente.

— Só percebeu agora? — Continuou irritada e cheia de cinismo.

— Rosé, qual foi? Eu estou morta de cansaço, vim aqui só pra ver você e insiste em me tratar mal? — Foi minha vez de ficar irritada.

— E você insiste em sempre me trocar pra ficar mais horas no trabalho. Como quer que eu me sinta? — Seus olhos ameaçaram jorrar lágrimas.

Quanto a isso eu teria que concordar com a Rosé. Fazia poucos mais de dois meses que eu havia revelado quem era a famosa "Manoban" e isso foi um foguete que me disparou não apenas nas redes sociais e qualquer outro de comunicação, mas também na rede internacional.

Desde minha revelação, eu andava ocupada com trabalho pra lá e pra cá a ponto de sempre atrasar, não aparecer ou desmarcar algum encontro que eu tinha com a Rosé.

— Me desculpe… — Foi minha vez de ficar emotiva.

Eu não queria fazer a Rosé se sentir "trocada" ou "menos importante" pra mim. Eu a amava muito e saber que fazia ela se sentir menor na minha vida era como acertar uma agulha no meu peito de forma devagar pra que fosse dolorosa.

— Não precisa chorar, poxa! — Rosé também ficava sensível ao me ver triste, mas era ela que chorava.

— Eu não queria fazer você se sentir mal… — Me lamentei realmente sentindo muito.

— Quando estiver muito cheia, eu não ligo de deixar pra mais tarde, apenas não me deixe por conta de outras coisas. Desse jeito, uma hora vai ter que escolher entre eu e o seu trabalho e eu odeio a ideia de estar no meio dele e atrapalhar você em algo — Ela chorava constantemente — eu não quero ser um pedaço que você carrega nem…

A calei com um beijo surpresa. Sabia que ela não esperava e que talvez não fosse o momento certo pra isso, mas me doía muito vê-la daquele jeito e a única coisa que eu queria poder fazer por ela, era isso.

— Você nunca estará entre eu e o meu trabalho. Você não é um problema Rosé. Desculpa mesmo se fiz você se sentir assim! — Acariciei sua bochecha.

— Eu desculpo então! — Enxugou suas lágrimas — Ainda podemos viajar juntas no nosso aniversário, não é? 

— É o que eu mais quero!



Um meses depois


Me vendo na minha situação atual, nunca imaginei que ela pudesse se tornar melhor do que já é.

Estávamos vendo o book de jóias no telão cujo eu havia feito as fotos. O Book era pra uma empresa multinacional que tinha uma filial em Seul, havia sido minha maior conquista fotográfica desde que comecei minha carreira.

— Estão perfeitas! — A Rosé pulou no meu pescoço me abraçando a ponto de doer.

— Calma, Rosé! — Dei dois tapinhas leve em sua cintura pra que me soltasse.

— Estou tão orgulhosa de você! — Se eu deixasse ela me abraçava de novo.

— Eu também. Nunca pensei que ficariam tão boas. Não estou acostumada a tirar fotos pra jóias, mas até eu amei! — Olhei novamente pras fotos que passavam no modo automático.

— Tenho certeza que vai encontrar desafios maiores e irá ultrapassar todas expectativas que já imaginou um dia! — Seu positivismo era tudo que eu precisava.

— Senhorita Manoban? — Ouvi meu nome ser citado e nós duas nos viramos. — Esse é o Oh Fan-Wo.

Um homem apresentou o outro ao seu lado.

— É um prazer finalmente conhecê-la, Senhorita Manoban! — O homem que fora apresentado disse estendendo uma mão pra mim.

— Hora de brilhar! — Rosé sussurrou pra mim e me deixou sozinha arrastando o acompanhante do tal Oh Fan-Wo.

— O prazer é todo meu! — Apertei sua mão aceitando o cumprimento do mesmo.

— Eu adorei o seu trabalho com o Book de Jóias, se pudesse levaria você pra fazer o nosso anual. — Se referiu ao telão.

— Espera, o senhor é dono da FW Gleam? — Só de falar o nome da Empresa eu já me sentia eufórica.

Ele sorriu com minha expressão de surpresa e assentiu.

— Fiz questão de ver o resultado com meu próprios olhos, o que valeu muito a pena!

Levei minha mão à boca sentindo um nervosismo súbito.

— E-eu… Estou falando com o dono do FW Gleam?! Ai meu deus! — Respirei fundo tentando conter meu fanatismo.

— Por favor, se acalme… — Seu rosto pareceu preocupado.

— É que… Eu sou muito, tipo muito sua fã! Eu adoro o design de vocês e as fotos são tão maravilhosas! — Parecia mentira pra mim.

Eu conhecia a FW Gleam desde pequena e meu maior sonho era um dia conhecer seu dono que nunca dava as caras para as câmeras e fotografar pra eles.

— Tenho certeza que elas seriam bem melhores se fosse você que as tirasse próximo ano! — Deu um sorriso sutil.

— Espera, é uma proposta? — Me dei conta do convite.

— Adorei as fotos do book e já venho acompanhando desde seu anonimato. Não perderia a chance de fazer o convite pessoalmente!

— Aceito! Claro que aceito! Posso saber como é que seria? — Eu estava animada, tava tudo bom demais.

— Daqui a um mês. O contrato iria exigir que você ficasse um ano na nossa Central pra participar de todas as estações. O contrato já deve ter sido enviado pro seu email pelo Min-Jae, meu secretário. — Olhou pro mesmo que estava com a Rosé.

Meu sorriso foi se desfazendo aos poucos, juntamente com minha animação.

A Rosé sorria e acenava com o Min-Jae. Se eu tivesse que ir daqui a um mês, seria no dia do nosso aniversário de namoro e passar um ano lá… Como ficaria eu e a Rosé? A Rosé está com a irmã mais nova com câncer, jamais iria ir pra tão longe dela e do jeito que ela era, relacionamento a distância seria impossível já que ela gosta de estar perto.

— Eu… Posso pensar? — Minha voz havia mudado completamente.

— Não gostou da proposta? — Era compreensível que ela achasse isso.

— Não, não é isso. É que… Deixar tudo e ir… Eu tenho coisas aqui… Tenho pessoas e eu…

— Não precisa decidir agora. — Ele pareceu entender o que eu quis dizer em relação a ter algo aqui —  Esse é o meu número, estarei aguardando sua resposta. Mês que vem terei que retornar. 

Com um aceno, ele saiu e foi atrás do Secretário. A Rosé veio correndo até mim.

— E então? — Ela estava animada. — O Min-Jae me disse que o Senhor FW veio aqui pra te chamar pra ser fotógrafa da Empresa! O que você respondeu?

Eu estava sem emoção. Era impossível dizer se eu estava feliz ou triste, então não podia culpar a Rosé por sua empolgação.

— É um contrato de um ano, eu teria que ir exatamente daqui a trinta dias. — Minha voz também não tinha sentimentos.

Vai a Rosé mudar seu astral da mesma forma que eu mudei quando fiquei sabendo.

— Mês que vem? No dia do nosso aniversário… — Ela pareceu reflexiva — E ficar um ano lá… Eu não posso ir…

Ela havia pensado o mesmo que eu. Eu havia prometido a Rosé que ela jamais ficaria entre eu e meu trabalho, mas era exatamente isso que estava acontecendo.

Teria que escolher entre a mulher que eu amo e a carreira que tanto desejei. Eu poderia mesmo escolher entre eles?



Alguns dias depois…


O clima entre eu e a Rosé tem sido estranho. Minha tia havia me dado minhas férias e eu estava passando eles com a Rosé.

Eu tinha uma bomba em mãos prestes a estourar, mas a Rosé estava bem demais pra não se importar com ela.

Já ouviu dizer que a pessoa vive os momentos com você como se fosse o último? Era isso que estava acontecendo comigo e com a Rosé.

Vivíamos tão intensamente cada momento que parecia o último que iríamos compartilhar uma com a outra.

— Amanhã é o dia! — A voz da Rosé quebrou o silêncio entre a gente.

— Nosso aniversário! Vai ser ótimo! — Tentei demonstrar o máximo de empolgação possível.

Ela sentou tirando sua cabeça do meu colo e me olhando diretamente nos olhos, depois negou com a cabeça.

— Não. É seu dia de ir tomar um novo rumo! — Ela transmitia uma tristeza e ao mesmo tempo uma energia positiva.

— Não, não é. Eu não vou. Eu não posso ir! — Saiu mais alto do que imaginei.

— Sim. Você pode e você vai. — Levantou e deixou que o vento batesse em seus cabelos como se quisesse tirá-los de seu couro cabeludo.

— Não vou deixar você, Rosé! — Levantei determinada.

Queria deixar claro que apesar de tudo, ela era o mais importante pra mim. Só queria ir a algum lugar se fosse com ela.

— Eu sei que não vai, eu que vou deixar você! — Virou sorrindo.

— Rosé… — Senti uma palpitação estranha. — O que quer dizer?

— Lisa, eu falei pra você. Eu iria odiar ter que ficar entre você e seu trabalho. Eu sei que você não escolheria sua carreira porque de mim, então sem mim, você pode escolher sua carreira! — O pior de tudo é que ela estava mesmo falando sério, estava em sua menina dos olhos.

— Não, não vou deixar que faça isso comigo! Não vou deixar que faça isso com a gente, Rosé! — Eu já me encontrava chorando.

— Não foi você quem escolheu, Lisa! Eu já estou partindo também. Eu também escolhi minha carreira invés de você, apenas não perca sua chance de fazer o mesmo! 

Um vento forte soprou e levando poeira. Eu queria seguir ela, mas meu corpo não parecia se mexer, eu estava tremendo.

Não podia acreditar que a Rosé havia mesmo terminado comigo. Ela escolheu mesmo sua carreira também?

Nunca achei que pudesse sentir uma dor tão forte que não fosse física e sim sentimental. A Rosé havia me deixado, isso estava mesmo acontecendo?


[...]


Liguei várias e várias vezes pra Rosé. Fui ao seu apartamento e me disseram que ela havia se mudado.

Pra piorar a situação, não contei mais nenhum dado da família dela. Eles haviam sumido, desaparecido, e não deixaram rastros.

Era quase meio dia quando me toquei: a Rosé não ia voltar. Ela estava sempre em segundo plano quando eu colocava meu trabalho na frente. Sempre deixei a Rosé pra depois, ela tinha razão em ter me deixado. Por mais que eu a amasse, nunca fui capaz de escolher ela, e ela sabia disso melhor do que ninguém.

Levantei rapidamente e olhei o endereço no meu email. Peguei apenas meu passaporte e o primeiro táxi que achei indo pro aeroporto.



Entrei correndo pelas portas do aeroporto. Parei ofegante na área de embarque.

— O vôo… Já… Saiu? — Perguntei pra moça, mas ela nem precisou responder.

Vai o avião decolar e uma imensa tristeza me invadiu. Pedi a oportunidade dos meus sonhos.

— Oh, Senhorita Manoban? — Reconheci a voz de imediato.

Abri um sorriso enorme quando me virei e vi que era o Senhor Fan-Wo e seu Secretário, Min-Jae.

— O que está fazendo? — Ele sabia a resposta, mas ainda assim pareceu confuso.

— Eu mudei de ideia, quero muito trabalhar pra FW Gleam! — Ele sorriu abertamente — Achei que tinha perdido o voo!

— Vamos em um jato particular. Fiquei na esperança que aceitasse minha proposta. — Ele parecia tão feliz quanto eu.

— Valeu a pena então! — Ambos rimos.



Anos depois…


Passei bons anos da minha vida me perguntando se eu devia ter ficado em Seul e persistido mais um pouco na Rosé, quem sabe eu não a encontraria?

Infelizmente ou não, parei de pensar em tal arrependimento quando fui convidada pro casamento dela.

Se eu esperava? Não, eu não esperava. Diferente de mim, a vida amorosa da Rosé não parou quando nos separamos.

Se dói? Claro que dói! Não me relacionei com mais ninguém porque eu fiquei "traumatizada" e sim porque nunca deixei de amar a Rosé.

Depois que parti para a França, nunca mais botei meus pés na Coréia. Tinha muito trabalho e adorava sair viajando pelo mundo nas minhas férias fazendo trabalhos extras já que meu único contrato era com a FW Foram.

Colocar meus pés novamente na minha Terra Natal era reconfortante, mas o motivo da minha volta me apavorada.

Há alguns anos, eu estava produzindo um Book Virtual que seria lançado como minha cápsula do Tempo no Museu de Fotógrafos Mundial.

Adivinha só o que eu queria nesse Book? Os melhores momentos da minha vida, melhor, o amor da minha vida. Não estava voltando apenas para ir ao seu casamento, mas sim pra poder vê-la partir, já estava na hora de deixar o passarinho voar, vim libertá-lo da minha gaiola.

Girei a maçaneta e entrei na minha casa. Apesar dos anos terem passado. Tudo estava do jeitinho que eu deixei.

Deixei minha mala no meu quarto e tirei todas as roupas do meu guarda-roupa, pra minha sorte, eu não havia engordado nem emagrecido uma grama sequer.

Coloquei a roupa na máquina de lavar, botei o som no último volume e iniciei minha faxina ao som de AYA da Mamamoo.

Havia uma caixinha pequena decorada na minha mesa de centro que eu desconhecia, mas apenas dei ombros e coloquei em minha mala.

A poeira fazia a farra em todos os móveis, mas eles ainda estavam em ótimo estado, nada que uma faxina não resolvesse.



Terminei tudo quase às duas da tarde. Queria descansar, mas minha tia preparou uma festa de boas vindas pra mim, seria grosseria não aparecer — não que ela merecesse que eu estivesse lá, mas ela também me ajudou muito e era minha tinha, eu tinha que comparecer.

— Lisa! — Minha tia apareceu alegre em me ver.

— Oi, tia! — Abracei-a sorrindo também.

— Como está linda! — Se afastou pra fazer uma análise do meu visual — Seu senso de moda só melhorou! 

— Obrigada, eu acho — Não sabia se era um elogio ou uma crítica ao meu gosto anterior.

Passamos pelo jardim e encontrei uns amigos do meu primeiro trabalho e alguns ex-colegas da escola.

Minha tia podia não ter tornado minha vida a mais fácil há alguns anos, mas ela se preocupava muito comigo e eu sabia que queria meu melhor!

Depois de música, bebidas, comida e muita dança, pude voltar pra casa e cair no sono quase que imediato, o dia havia sido mais longo do que eu tinha planejado, o que automaticamente o tornou mais cansativo.


[...]


A Cerimônia de Casamento estava pra ser na nova casa do casal. Havia um espaço aberto enorme, que ficou muito bem arrumado para a união do casal.

Tirei fotos das coisas mais simples e desinteressantes até as mais absurdas e intrigantes.

Talvez não fosse uma boa ideia levar a câmera que ganhei da Rosé para bater fotos, mas depois de tanto tempo, ela nem lembraria mais.

Ganhei a câmera no nosso mesversário de seis meses, eu havia dado de presente pra ela uma exposição de fotos nossa em seu quarto sem imaginar a recompensa.

A cerimônia havia sido simplesmente perfeita. Eu poderia aproveitar que estava ali pra rever alguns amigos, mas tinha um objetivo em mente.

A Rosé vestia vestido que até o meado das coxas era justo e dali para baixo era rodado de renda, um estilo único eu diria. Seu cabelo estava amarrado com um coque e o broche de sua família, suas unhas pintadas de branco e um gloss bem clarinho nos lábios.

Só tive a chance de ver as noivas já na festa de casamento. Estava tirando fotos da mesa de lembranças do casal num pequeno espaço arrumado, havia fotos delas pra todos os lados, sejam juntas ou separadas.

— Lalisa Manoban? — Uma voz animada me chamou.

— Olá, felicidades pra vocês! — Deixei meu mais belo sorriso transparecer em meus lábios.

— Ai, ainda não acredito que realmente veio! Sinto muito por ter sido como uma proposta profissional, mas pra mim foi a grande chance de te conhecer já que a Rosé não me deu bola quando pedi pra te conhecer! — Ela fez um bico fingindo estar chateada.

— Não seja inconveniente, Jisoo! — Pediu baixo meio sem graça, incomodada na verdade.

— Não. Tá tudo bem! Eu adorei conhecer você também, Jisoo! Enviarei as fotos amanhã de manhã. — Dei uma checada básica nas fotos.

— Essa câmera… — Olhei pra Rosé. — Não é nada!

Balançou sua cabeça para os lados tentando evitar seu sopro de sentimentos que tivemos com aquela máquina.

— Ela é ótima pra claridade! — Ficamos encarando uma a outra.

— Eu vou dar uma volta pra agradecer o comparecimento, volto depois — Jisoo deu um beijo rápido na Rosé e saiu.

Tentei tirar fotos aleatórias pra não prestar muita atenção no meu ex-amor, mas seus olhos não saíram de mim o que me obrigou a olhá-la.

— Como tem passado os últimos anos? — Criei uma conversa aleatória.

— Bem eu diria, fiz muitas coisas que eu queria no decorrer deles, e você? — Respondeu simplista e jogou de volta.

— Não vivi muito diferente. Trabalho pra FW Foram até hoje, tirei fotos trabalhando por fora e viajei pra muitos lugares que nem sequer imaginei que conseguiria ir um dia! — Essa parte da minha vida foi realmente uma realização.

— Então foi bom deixar o passarinho voar… — Ela tocou nas minhas dores.

— Talvez, voar sozinho é muito solitário! — Não deixei de transparecer minha tristeza.

— O vento nunca sopra duas vezes pro mesmo lado, mas o mundo sempre gira pra fazer você voltar — Sorriu simples.

— O meu girou muito devagar, chegou atrasado — Ri com meu comentário.

— Você que acha. Está bem mais radiante agora, ser você mesma te deu uma liberdade que você nunca imaginou que precisava — Seus olhos encontraram os meus.

— Está dizendo que eu seria mesmo mais feliz assim? — Fiquei um pouco mais apreensiva

— Estou dizendo que você se ama, agora pode amar alguém. Se colocar alguém no piloto do seu avião, você nunca vai decolar! — Virou sua taça.

Sua frase havia me feito rever algumas coisas que tinha acontecido na minha vida. Como minha tia controlava o meu "avião" e como eu coloquei a Rosé como piloto quando na verdade eu queria mesmo pilotar.

— Acho que entendi — Assenti.

— Seu presente foi pra isso.

— Que presente? — Eu não sabia de presente algum.

— Deixei na sua casa pra que olhasse quando voltasse! — Piscou e se retirou.

A observei saindo e me senti aliviada. Imaginei que meu reencontro com a Rosé fosse bem pior, mas não foi nem perto disso. Ajeitei minha câmera e tirei minha última foto do dia.

— Está pronto!


[...]


Liguei meu notebook e coloquei o pen drive que estava na caixinha que encontrei quando havia chegado em casa.

O Pen Drive estava nomeado "Lisa Manoban" e havia uma pasta escrito "O Avião". Dei um clique duplo para abrí-lo.

Havia um vídeo feito de fotos com uma cronologia do dia em que nos conhecemos até o dia que nos separamos com algumas legendas e falava coisas da minha história de acordo o ponto de vista da Rosé.

Houve uma quebra de tempo e depois várias fotos de coisas que eu havia feito nas minhas viagens e carreira profissional.

Não pude deixar de chorar em ver aquilo. A Rosé deixou que eu fosse piloto do meu avião enquanto eu achava que ela havia me derrubado.

Abri meu editor de vídeos e terminei meu book com a última fase da minha vida. Nomeei o Book de "Canário" e mandei pra avaliação do Museu.

— Possa ser que eu não tenha ficado com você, mas eu não me arrependo de nada…

Olhei pra capa do book e sorri. A Rosé tinha razão, agora eu me amava mais que tudo, tinha garra, eu tinha vivido e nem havia percebido. Em pensar que tudo isso começou, separou e terminou com fotos.


Notas Finais


Capa por @KaspbrakpYeah


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