História Photograph (Jikook) - HIATUS - Capítulo 1


Escrita por: e FOOLSCARPENTER

Postado
Categorias Bangtan Boys (BTS)
Personagens Jimin, Jungkook
Tags Drama, Jikook, Lgbt, Tragedia
Visualizações 242
Palavras 1.602
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Ficção Adolescente, Romance e Novela, Slash, Violência, Yaoi (Gay)
Avisos: Cross-dresser, Homossexualidade, Linguagem Imprópria, Pansexualidade, Tortura, Transsexualidade, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Olá gente!
Essa fanfic vem com uma temática nova para mim e eu espero que gostem do desenrolar dela, mas antes preciso explicar umas coisinhas.
O que eu estarei abordando nessa história é a vida de uma pessoa que se identifica com o gênero fluído, alguém que ora se identifica com o gênero masculino e hora com o feminino. Isso também afeta diretamente a forma como você deve chamá-la, é comum essas pessoas adotarem um apelido neutro, que nessa história será Andie, além de variar os ele/ela dependendo do dia.
Para deixar claro, o Jimin nessa fanfic pode se chamar de Andie, então não estranhem com esse nome, porque os dois são na verdade a mesma pessoa.
Outra observação importante, para quem espera por Vhope, eu vou começar a contar a história deles mais para frente, lá pelo capítulo 6.
Então sem mais delongas, vamos ao capítulo. ツ

Capítulo 1 - Andie.


Fanfic / Fanfiction Photograph (Jikook) - HIATUS - Capítulo 1 - Andie.

O barulho demasiadamente alto do despertador faz com que Andie quisesse dar um murro bem dado no maldito objetivo, mas infelizmente aquilo é um mal necessário, caso contrário perderia suas aulas na faculdade.

Se levantou ainda sentindo os efeitos do sono, que incluem os olhos anestesiados e uma imensa vontade de poder voltar para baixo daquelas cobertas tão quentes e aconchegantes.

Seu reflexo no espelho do banheiro se assemelhava com o de um zumbi, olheiras aparentes, lábios rachados por conta das baixas temperaturas e os cabelos bagunçados com fios se pendendo em todas as direções.

O mesmo tirou seu moletom excessivamente largo, jogando tudo no chão com raiva. Toda aquela falta de cuidados estava o irritando.

Sem se demorar mais encarando a sua própria versão acabada no espelho, pega o seu celular na escrivaninha, botando as faixas de Blue Neighbourhood no aleatório.

Desde que Andie descobriu sobre Troye Sivan, acabou se encantando por ele: sua personalidade doce, o carinho com os fãs e a sua coragem de assumir a sua sexualidade publicamente fizeram com que o mesmo se tornasse o seu maior ídolo e fonte de alegria. As suas músicas a acalmavam, como se abafassem a sua confusão interior.

Apesar de seu celular não ser dos melhores, ainda possui um reprodutor de música, que para ela já é o necessário. A música exerce um poder relaxante sobre si.

A água morna do chuveiro escorre por seus cabelos, lavando bem seus fios claros e retirando os pelos aparentes das pernas com uma lâmina de barbear.

O tempo não parecia estar ao seu favor: só restaram quarenta minutos antes de sair, que acabaram passando na velocidade da luz, mal dando tempo de ajeitar seus cabelos e fazer uma maquiagem leve.

— Andie, meu amor, a comida já está pronta. — Sua mãe a chama do outro cômodo. Como a casa é pequena, tendo pouco mais de trinta metros quadrados não demorou muito para o cheiro do pão na chapa chegar em suas narinas. Sem perder mais tempo, ela se apressou e em poucos segundos já estava em frente a mesa.

— Está linda. — Iris é a única a realmente tratar a filha com fluidez, lembrando sempre de mudar a desinência de gênero das palavras conforme Andie se comportava, e sempre a tratando pelo seu apelido.

O porquê dela querer que a chamem assim? Com a sua mudança de identidade constante, o seu antigo nome não cairia bem nos dias que ela se identificasse com o gênero feminino. Por necessidade, um apelido mais unissex e fácil de se lembrar foi criado.

Se há uma coisa que Andie admira muito em sua mãe é a sua força: por ir trabalhar todos os dias para conseguir pelo menos alguns trocados para as dar um teto onde possam dormir, mesmo que este fossem em um bairro violento de periferia.

— Obrigada. — A mesma passa a mão por seus fios curtos, que não iam muito além de seus ombros, agora alisados por uma escova e secador.

Seu café da manhã se resume basicamente por um pão com margarina torrado e um copo de leite, que a seu paladar sempre tem um gosto prazeroso.

Por volta de sete e meia ela sai de casa, com sua bolsa preta já gasta em um ombro e sua velha câmera polaroide no outro, esta havia sido um presente de sua mãe há alguns anos atrás. Mesmo que as pessoas dissessem que aquilo não passava de um objeto antigo e obsoleto, aquela pequena câmera possui um grande valor sentimental para ela.

Com certeza a mãe deveria ter trabalhado algumas horas extras atendendo telefonemas de clientes do seu banco para lhe dar a polaroid, que apesar de não ser o modelo mais moderno de câmera, ainda é um bem muito precioso para Andie.

Sem ter mais tempo a perder, a mesma se despediu com um beijo carinhoso na bochecha de sua mãe e foi para a faculdade.

Seu bairro infelizmente sempre sofreu muito com a violência. Esse é o lado ruim de ter que morar na periferia. Ser obrigada a ver vez ou outra alguém sendo baleado, outros sendo assaltados e ainda tem aqueles que só vão para a região vender drogas ou consumi-las. Onde a polícia estava para fazer o seu dever de manter a ordem na região? Talvez estivessem cuidando da segurança do presidente, que tampouco parecia se importar com bairros assim.

Um outro corpo se chocando fortemente em seu ombro fez com que Andie caísse no chão, voltando a realidade. Seus pertences acabaram se espalhando no chão: o celular, um cartão para a passagem de ônibus e alguns trocados.

A pessoa que a esbarrara, limitou-se a soltar um "garota estranha" e continuar andando.

A mesma se levantou do chão, ajeitando cuidadosamente a sua saia quadriculada com tons de preto desbotado e sua blusa igualmente negra.

Andando até o ponto de ônibus sentiu os costumeiros olhares tortos para si. Provavelmente já a haviam visto vestida com roupas masculinas e agora estranharam a sua mudança repentina de aparência. Como em um ato automático se afastam consideravelmente da garota.

Apesar de ela tentar manter uma máscara de indiferença no rosto, como se nada pudesse a abalar, aquilo a machuca, e muito. Essas ações eram como pequenos cortes de papéis, que a machucavam a cada dia mais.

Um nó se fez presente na sua garganta. Aquela velha sensação de sufocamento havia voltado. Mesmo que as pessoas não soubessem, uma ação pode gerar uma reação na mesma intensidade. Essa sensação de parecer estar tendo o seu peito esmagado é a reação. Uma rajada de vento acaba por a salvar de uma crise de tosse, a ajudando a puxar novamente o ar para seus pulmões.

                                                  (...)

Apesar de ter que enfrentar todos esses desafios para chegar até a faculdade, incluindo a viagem turbulenta com um motorista apressado que dirigiu aquele veículo como um louco, o ponto alto do seu dia ainda estaria por chegar.

— Vejam só se o veadinho não chegou. — Um semblante maldoso se forma no homem que vinha em sua direção.

O ponto alto do seu dia não se referia a faculdade e sim a uma pessoa: Evan, sempre fazendo esse tipo de piadas que zombavam de sua aparência, ora com as “roupas de mendigo”, nos dias que Andie se identificava com o gênero masculino, ora com os vestidos femininos.

Ela tentou sair dali dando passos largos, ignorando o comentário sem graça, mas acabou sendo puxada pelo pulso de um jeito nada gentil que a fez dar um baixo gemido de dor.

— Você deveria se envergonhar de sair vestido assim. — Um dos seus amigos praticamente cuspiu aquelas palavras na cara dela.

Tudo havia começado na primeira semana de aula, quando em um dia, Andie havia ido a primeira semana de aulas usando saias e vestidos, porém na outra resolveu botar um de seus moletons largos favoritos, deixando seus cabelos mais desgrenhados e não passando nenhum tipo de maquiagem. Até aí, as pessoas a sua volta só haviam começado a estranhar a sua mudança tão repentina, às vezes apontando para ela e cochichando algo, entretanto, o cenário começou a piorar quando Evan acidentalmente a viu trocando de roupas, por descuido da mesma que deixou a janela aberta.

No dia seguinte, a sua vida se tornou um verdadeiro inferno. Mal pisou o pé na faculdade e todos riam e apontavam para ela. Foi então que a mesma se deu conta de que ele provavelmente espalhara para todo o resto do campus sobre o seu sexo biológico. Como se não fosse tão humilhante ser taxada de estranha por todos, Evan se tornou mais agressivo, dando constante surras na outra, alegando que aquilo é uma espécie de ensinamento e também de punição por ser considerada anormal para a sociedade.

— Parece que não aprendeu a lição até hoje, não é mesmo? Sem problemas, eu sou um professor bem paciente. — Ele a encarou com o mesmo olhar cínico, desferindo uma série de socos no rosto da mesma, a fazendo cair no chão por tamanha força.

Por um momento, Andie cogitou a possibilidade de ser maior, mais forte, de poder se defender. Apanhar calada, pagar por algo que nunca cometeu não parece justo.

— Você não passa de uma anomalia, um monstro. — Algumas lágrimas começaram a cair por seu rosto, não só pela dor física de ter sua face latejando, como também pelas palavras humilhantes do homem.

Ela se sentia como se não tivesse o menor controle de sua vida, como se a mesma fosse apenas uma personagem secundária de sua própria história, não a protagonista.

Algumas pessoas rodeavam a cena, meros espectadores do espetáculo, uns faziam sons de entusiasmo enquanto outros somente observam atentamente, não demonstrando nenhum sinal de que se envolveriam no cenário. Na verdade, ninguém nunca havia movido sequer uma palha para ajudá-la ou pelo menos defendê-la.

Um movimento repentino entre a multidão que os rodeia captura sua atenção. Com bastante esforço, ela conseguiu ver precariamente pela sua visão periférica que alguém estava abrindo caminho entre os demais, para se aproximar mais da cena. A figura ergue então um celular, provavelmente filmando para depois postar em alguma rede social. E lá se foi a sua última esperança.

— Ei, o que estão fazendo? — Uma voz pergunta em um tom desafiador. Quem poderia ter tamanha coragem?

— Agora a bichinha também tem defensores? Que ridículo! — Nesse ponto, a garota já não conseguia entender muito bem o que se passava à sua volta, sua visão se tornou turva e o mundo começou a girar. O que restou foi apenas ouvir o ruído de pessoas gritando, corpos se movendo rápido demais e alguns sons indecifráveis foi tudo que ela escutou.

 

 



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