História Pieces of Souls (Fillie) - Capítulo 9


Escrita por:

Postado
Categorias Stranger Things
Tags Cadie, Fillie, Foah, Jillie
Visualizações 148
Palavras 6.620
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Drama (Tragédia), Hentai, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Universo Alternativo, Violência
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Heterossexualidade, Homossexualidade, Incesto, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Nunca é tarde para dizer que jillie acabou (e pensar que era pra esse capitulo sair naquele dia...)
Millie tu merece melhor, bem melhor my princess ❤

PERDÃO pela demora gente, eu tive uns problemas enquanto escrevia (como ter que reescrever tudo porque o wattpad apagou, maybe) but aqui estamos hajxksk
Comentem, por favor!
Boa leitura, até ❤❤❤

Capítulo 9 - Estágio avançado


Finn.

Cortar caminho pela rua do lado e sumir sempre é um bom jeito de enganar pessoas burras. Encontrei Jacob na frente de uma loja fechada, olhando para trás como um cachorro perdido vendo se eu chegava, pronto para dar no pé.

Cutuquei o ombro do loirão. Ele virou e eu peguei pela gola do suéter.

— O que você tá fazendo me espionando, Jacob?

— Eu? Espionando você? Ficou maluco ou andou usando drogas?

Dei um chacoalhão nele. Jacob tentou se soltar segurando meus pulsos, mas me mantive firme na tarefa de segura-lo. Pelo menos isso, não é, Finn? Da última vez você não foi exatamente bem contra ele.

Os dentes do Sartorius eram bem alinhados, nas só faziam ele ficar mais nojento quando sorria.

— Me solta.

— Não. Não sem antes te dar uma boa surra.

— Fala daquela surra na frente da sua casa? Foi uma vergonha. Ouvi boatos de que você quase quebrou um osso da costela, é verdade?

Trouxe ele para mais perto. Senti uma pontada, mas não de dor, e sim de pura raiva.

— Você sabe que pode ser preso.

— Pelo quê? Uma briguinha? Ter prestado queixa contra mim não vai dar em nada. Além do mais, meus pais podem pagar a fiança que for.

— Filho da pu... — fechei a boca e me controlei. Meus dedos já estavam sem circulação de tanto segurar na sua roupa. Jacob ainda mantinha um sorriso medonho no rosto. Meu sonho de consumo é quebrar todos aqueles dentes.

— Vai me agredir, Wolfhard? Está disposto a perder toda a razão? Não sabia que gente como você era valente. Pra mim seria mais como um bando de garotinhas indefesas.

Fechei os olhos e acho que jamais concentrei tanta energia dentro de mim. Gente como você. Ele realmente acha que eu sou gay. Que ainda estou com Noah só porque me viu com ele da última vez ou porque alguém boca aberta falou para ele. Eu iria amar despejar na cara dele tudo o que já fiz com Millie, a garota por quem ele é obcecado, mas não vou dá-lo esse gosto.

Preciso que Jacob acredite nessas mentiras. É essencial para que ele seja pego na hora certa.

— Não se esqueça de que você assediava a Millie. Praticamente a forçava a fazer algo que ela não queria.

— É óbvio que ela queria. Tua prima estava na minha, Finn. Por que a defende agora?

— Eu já te dei um soco no olho para aprender a respeitar mulheres. Acho que você não vai querer outro — agora quem abriu um sorriso fui eu. — Fique longe dela e longe de mim. Você cometeu crimes e é melhor ficar bem distante, e nem pense em me observar nas esquinas. Nos deixe em paz, se você não quer se meter em mais confusão.

Soltei-o em um empurrão. Jacob tomou o equilíbrio e limpou a gola do suéter onde minha mão estava, como se tivesse nojo. Quem precisa lavar as mãos com desinfetante sou eu.

— Eu não cometi crime nenhum, Finn. Você vai ver.

— Não fale asneiras, Jacob. Pode ser usado contra você mais tarde.

A expressão dele endureceu. O Sartorius foi embora o mais rápido que pôde. 

Passei a mão pelos cachos e chutei o ar. Droga. Tenho a sensação de que não poderia tê-lo deixado ir. Mas então por qual motivo outra parte de mim acha que é o melhor? Não sei se confio nos meus instintos ou se volto a correr atrás dele e chamo a polícia. 

Alguns minutos depois, quando me acalmei, parado na calçada com as pessoas e automóveis passando ao meu redor, notei que não havia mais nada que eu pudesse fazer. Minhas costas começaram a doer por conta do violão. 

Um trovão rugiu, não tão longe. O melhor por agora é chamar um táxi para voltar para casa. E foi o que fiz.

{...}

— Chegamos, senhor.

O motorista estacionou na frente de casa. Ainda estava claro, os dias estão bem mais longos por conta do verão, mesmo que seja tecnicamente noite pelo horário. Mas lá dentro já estava tudo aceso, desde as luzes da sala, da cozinha até o quarto de Millie. Além do mais, a sombra dela estava refletida na cortina. Ela estava fazendo alguns movimentos...

Ela estava dançando.

— Sua corrida totalizou quinze euros.

Eu estava sorrindo ao vê-la naquela leveza ritmados, mas logo parei e pensei melhor. Senti que precisava contar para alguém o que estou sentindo, o que é como um aperto no peito. Infelizmente, não sei se Millie cumpriria o papel nesse momento. Há outra pessoa que pode me ouvir além dela.

— Eu... Eu quero ir a outro lugar. — falei, saindo de perto da janela, encarando o taxista.

Ele deu um sorrisinho mínimo de lado e assentiu.

— Como quiser.

Nunca agradeci tanto pelo endereço de Winona ainda estar no meu bloco de notas. Num piscar de olhos eu já estava lá. Tinha pagado o motorista, pegado o violão, subido os degraus e tocado a campainha. Eu estava um pouco molhado por conta da garoa que começara a cair. Não vai demorar até que se torne uma chuva grossa.

Alguém abriu a porta, mas tive que olhar para cima, não para baixo.

— Te conheço, garoto?

Engoli em seco. Era um homem alto, barbudo e com as sobrancelhas franzidas num tom não muito amigável. Ou talvez só curioso.

— Hã... Eu acho que... Não?

— Claro que sim. Eu já te vi no colégio.

— Como... Ah. É verdade.

Era o David. O diretor. O vi e conversei com ele pela primeira vez quando Millie arranjou problemas depois de jogar queimada e eu fui resolver. Algumas vezes antes também, a troca de diretores foi meses antes de eu concluir o ensino médio. 

Mas, assim... David mora na casa da Winona ou eles...

— Finn! Que surpresa!

Winona apareceu atrás de David. O diretor deu espaço para ela ficar ao seu lado, sorrindo para mim como sempre. Era evidente a felicidade dela em me ver, já que não teremos mais consultas semanais. Percebi um sorriso brotar no meu rosto.

— Oi — falei, apontando para o Harbour em seguida. — Ele é seu...

— Ah, David... David é meu marido — Winona massageou o braço dele. Eu bem que imaginei. — Desculpa se ele te colocou um pouco de medo. David tem dessas.

— Sei bem.

David cerrou os olhos e me encarou. Sua boca trêmula indicava que não se passava de uma brincadeira.

— Estou de olho em você, Wolfhard. E na sua prima também.

— Ela está de férias, diretor. Não vai atirar uma bola na cara de ninguém hoje.

— Esse episódio foi terrível — a Ryder murmurou.

— Bem, eu tenho que ir. A reunião me chama — David virou e depositou um beijo na testa da psicóloga, que suspirou e exalou satisfação. — Até mais tarde. E não zoe a casa, garoto.

— Engraçado hein — gritei quando David já estava debaixo da garoa e entrando no carro. Ele riu para mim de lá de dentro e deu partida, sumindo pela rua à frente.

— O que veio fazer aqui, Finn? Aconteceu algo?

Virei meu corpo para Winona. Ela estava mais séria, porém não deixava de ser divertida. Eu nunca vim aqui antes, nunca achei que precisaria. Mas chegou a um ponto de que eu preciso me abrir por completo com ela. 

— Eu não sabia que meu ex-diretor era seu marido — dei passos para frente, as mãos nos bolsos, quase entrando no hall. — E nem que você era casada.

— O foco das consultas era você e sua prima e... Anda logo, Finn, entra.

Sorri, mesmo que tivesse sido empurrado pelo ombro. Entrei dentro da casa e ouvi a porta sendo fechada atrás de mim.

A casa de Winona Ryder é uma das típicas. Paredes em cor neutra, flores em vasos de vidro, tudo perfeitamente organizado. Chegando na sala senti cheiro de frutas e de café quente. Uma fumaça leve saía de duas xícaras no balcão, alguns metros à frente.

— Um café?

Assenti.

— Seria ótimo.

Winona passou na minha frente e foi para perto dos armários, pegar uma xícara para mim. Coloquei meu violão sobre o sofá e em seguida fui num dos bancos e me apoiei no balcão, esperando minha bebida da tarde. Havia uma janela próxima, mas eu não precisava olhar para saber que a chuva já estava mais forte. As águas na Irlanda são um tanto fortes e imprevisíveis.

— Aqui está. — a Ryder sentou na minha frente. — Quantos cubos de açúcar?

— Um só — respondi, vendo-a coloca-lo no meu café. Peguei uma colher e comecei a mexê-lo para dissipar o doce.

— Então, Finn, você não me respondeu.

Levei a xícara aos lábios e me demorei em uns três goles. Uma maneira de tomar tempo. Eu estava planejando o melhor jeito de começar a abordar o assunto. Na realidade, os assuntos.

Concluí que era melhor partir do começo. Da primeira coisa que não disse a minha psicóloga.

— Bem... Era para eu te contar umas coisas.

— Que coisas? — Winona também virou a xícara. Ela não está agindo de acordo com a profissão, mas sua expressão calma ainda prevalece.

Sua serenidade sempre irá me contagiar.

— Eu e Noah não estamos mais juntos. 

Os olhos dela ficaram alguns milímetros maiores.

— Por que vocês terminaram? Mas por...

— ...E eu não sou gay.

Winona simplesmente parou no tempo.

Ter que explicar tudo foi a parte mais complicada. O verdadeiro porquê do meu término com Noah, o motivo de ter escondido minha orientação dela. Apesar de ter tomado um belo choque, ela ouviu tudo com atenção. Me abriu espaço para falar.

E eu continuei.

Depois que contei sobre Millie — eu achei que ela iria nos crucificar, entretanto ela até abriu um sorrisinho quando comecei a falar sobre. Estranho. — e tudo o que temos feito, as palavras deslizaram mais fácies. Sobre minha família agora estar em harmonia, Beatrice e suas dicas altamente valiosas, a amizade com Noah, minhas horas tocando no restaurante. Óbvio que não era tudo um mar de rosas, e contei sobre a doença de Caleb e como aquilo nos devastou. Deixei Dacre e a perseguição com Jacob por último. Só faltava Winona pegar uma faca e sair por aí à procura do Sartorius.

E para terminar, o tópico que vem me incomodando muito: o medo que tenho em contatos íntimos e o que isso me afetou com Millie no nosso banho juntos.

A Ryder mordeu o canto interno da bochecha.

— Você tem isso sempre, Finn?

— Algumas vezes não. Mas eu tive com uma namorada no passado, com Noah e agora com a Millie — bufei, vendo meu reflexo no líquido marrom que deixei pela metade. — Eu não queria que isso me atrapalhasse de alguma forma com ela.

— Bem — Winona tamborilou os dedos sobre a mesa. — Você não teve nenhum trauma, não é? — neguei. — Então isso é inteiramente psicológico. Você mesmo se coloca essa barreira. Não tem outro jeito de você passar por cima disso a não ser...

— A não ser tentando — concluí.

Winona fez que sim, arrumando os fios castanhos atrás das orelhas.

— É. Sim. Mas vá com calma, até porque pelo que você me contou, Millie não tem muita experiência também e isso pode ser...

Fiquei surdo por alguns segundos. Todos os momentos mais quentes que cheguei a ter com Millie vieram em um flashback rápido: minha iniciativa na casa de Sadie; nossos quase beijos e enfim o primeiro; o cinema; o banho e por fim a nossa interrupção por causa de uma mísera câmera fotográfica.

Meu raciocínio foi de que já estamos num nível bem... Avançado. Millie bem disse que não tinha e nem queria um ritmo certo para ditar.

É hora de coisas novas.

— ...E na sua idade eu já era bem ativa e...

— Winona, eu amo você!

— O quê?

Saí do banco e dei a volta para abraçar a Ryder de lado. Ela, é claro, me correspondeu e até deu risada.

— O que foi, Finn?

— Vou ir com calma. E vou passar por cima do meu medo — eu disse, abrindo um sorriso. — Obrigado.

Ela deve ter pensado que era pelas coisas que disse e das quais eu não prestei nada de atenção. Mas ela também deve saber que sua simples presença me faz alguém mais feliz e pensativo. É como se todas as minhas engrenagens funcionassem.

— Eu também amo você, Finn. E, de nada. Eu vou estar sempre aqui.

Nos abraçamos de frente agora. Me senti alguém novo. Alguém que está disposto a passar por cima dos desafios. De uma hora para a outra? Talvez sim. A realidade é que nunca vou poder explicar o poder de Winona sobre mim. É como se fosse mágica. Tenho consciência de que preciso desabafar sobre tudo mais vezes e ficar leve desse jeito.

E, se tudo der certo, Millie vai começar a gostar mais do que posso fazer com ela. Só preciso esperar o momento certo.

{...}

Dias depois.

Millie.

— Cê vai mesmo deixar nossa vó comprar sozinha, Millie?

— Quer que eu faça o quê, Nick? O atendente vai rir da minha cara se eu pedir. 

— Mas é indicação médica e...

— Cala a boca, é melhor. Deixa ela comprar.

Na verdade, é mil vezes menos esquisito uma garota de dezessete anos comprar anticoncepcionais do que uma senhora de quase setenta anos. Não que essas coisas tenham idade, só que, tecnicamente, Beatrice não pode mais ter filhos, então...

Okay, eu admito que é tudo vergonha. Nick não para de zoar com a minha cara. Estou começando a achar que foi azar tê-lo encontrado na rua enquanto voltávamos para casa.

Estamos em uma farmácia e vovó acabou de pedir pílulas para o atendente. O ar cheira a limpeza, remédios e caixinhas de papelão. Há uma cartela sendo aberta em algum lugar. O ambiente é branco, quase azulado, e repleto de prateleiras. Um verdadeiro contraste com meu rosto, vermelho e um tanto envergonhado.

E não é só por conta da minha situação atual. Ir na ginecologista não foi uma das coisas mais confortáveis como primeiras experiências da minha vida até agora.

{...}

Uma hora antes.

— Boa tarde.

— Boa tarde.

Eu e Beatrice sentamos de frente para Natalia. A ginecologista estava com um sorriso amigável e simples no rosto. Para mim parecia mais com alguém tentando me comer. No pior sentido da palavra.

— Millie, é uma moça bonita — Natalia disse. — Ela é sua filha?

— Minha neta mais nova. Tenho mais dois netos — minha avó concluiu sorrindo. Me mantive quieta, passando os dedos pelo braço da cadeira.

— Quantos anos, Millie?

— Dezessete — respondi simplesmente.

— Vou precisar de algumas informações pessoais agora. Você se importa de responder? — a loira bateu a ponta da caneta na mesa. 

Engoli ar e mordi as bochechas por dentro. Beatrice me cutucou de leve perto do cotovelo, incentivando-me a continuar e concordar. E eu acabei assentindo mesmo.

— Tudo bem.

— Okay. Você já teve algum namorado ou... Ou então uma namorada.

— Um só — falei rápido.

Natalia já iria fazer outra pergunta para mim se vovó não tivesse ajeitado a postura.

— Na verdade são dois, doutora.

— Vó!

A ginecologista deu um sorrisinho de lado. Não sei por que tentei omitir isso, sendo que ela descobriria uma hora ou outra. Olhei para minhas pernas na cadeira para não precisar direcionar os olhos a nenhuma das duas. A impressão é de que já cheguei no meu máximo aqui.

— E você está junto de algum deles, agora?

— Sim.

— Como você o conheceu? Faz tempo ou...

— Eu não...

— Ela está com o primo — Beatrice me cortou. Eu sei que deveria evitar contato visual com as duas, mas agora foi impossível. Comecei a encarar minha avó sem piscar. — Não exatamente um namoro, mas chega perto. É meu neto do meio.

— Um ficante, então? Seu primo, Millie?

Minha gratidão pela vovó não me deixava ter dela uma raiva plena. E, além do mais, preciso parar de ter medo de uma médica. Ela só está fazendo o que é melhor para mim.

— Digamos que sim — eu disse, encostando na cadeira.

Natalia bateu os dedos sobre a mesa. A sala era branca e tinha alguns enfeites na lateral esquerda sobre a parede. Eram prateleiras com livros e algumas lâmpadas penduradas entre eles. A suavidade dos detalhes foi me acalmando mais, por incrível que pareça. Acho que não preciso odiar isso. Contudo, minhas pernas ainda balançavam de nervoso.

— Olha, Millie — Natalia voltou a falar. — Eu sei que é sua primeira consulta com uma ginecologista. Eu tive uma conversa por mensagem com sua avó alguns dias atrás.

Passei a olhar de uma para a outra sem parar, sendo que Beatrice sorria. Eu ouvi isso direito? É sério?

— Minha vó tem celular?

— Pelo visto ela te surpreende bastante — a doutora virou um pouco a cabeça, abrindo um sorriso como o de minha avó. — Mas, eu te juro, eu só sei do essencial. Sei que seus pais nunca tiveram uma conversa com você, e que você está com esse garoto, que ele é uma excelente pessoa e...

— Se você já sabe de tudo então por quê está me perguntando?

— Millie, querida — Beatrice se enclinou para meu lado. — Você precisa de uma relação segura com sua...

— E que eu saiba deveria ser no meu tempo. E sem a sua intromissão. Não é porque você me pegou em cima do Finn que pode responder por mim.

Se doeu dizer aquilo? Doeu. Por mais que eu entendesse o lado dela, quero minha privacidade. Ela nem sequer me deu o direito de escolher entre eu entrar sozinha ou acompanhada. Não preciso falar tudo de uma vez. Outras oportunidades virão.

— Bom... Se você não se importa, são necessários alguns exames, Millie. Sei também que você ainda não teve relações sexuais — Natalia voltou a falar, fazendo seu papel. Deixei minha avó de lado para prestar atenção na doutora. — Vou cuidar para fazer o melhor por você e que você não tenha problemas quanto a isso.

Balancei a cabeça, concordando.

— Tudo bem.

Nós duas levantamos. Beatrice seguiu de trás, sendo que eu estava no meio. Haviam duas portas, uma lateral e outra de frente para o pequeno corredor, sendo que Natalia abriu a da frente. Consegui ver por uma breve espiada a cadeira onde vou me sentar.

Não tem nada com o que se preocupar, Millie. É só porque você nunca esteve aqui antes. Tudo tem uma primeira vez e, se você quer ter a sua sem problemas, precisa passar por isso também.

— Você pode entrar nesse banheiro aqui, tirar suas roupas e colocar só o avental por cima — a ginecologista explicou.— Depois é só deitar na cadeira e relaxar. Te garanto que não vou fazer nada para te apavorar.

Dei um sorriso tão forçado que minha boca até doeu. Entrei dentro do banheiro com o coração disparado, ignorando o olhar da minha avó, e fechei a porta. O avental estava lá. Era rosa bebê.

Revirei os olhos. Deitar e abrir as pernas para alguém que conheço há menos de dez minutos deveria ser um pesadelo, e realmente é. Me encarei no espelho. Eu estava com cara de louca e apavorada.

Não tenho alternativa. 

Balancei a cabeça, afastando o peso da negatividade, e comecei a me despir.

{...}

— Eu distraio eles. Você pode subir atrás de mim.

— Pelo menos você parou de ser inútil — provoquei Nick. Ele me deu um empurrãozinho no ombro, miostrando a língua.

Já estávamos na frente de casa. Meu primo mais velho subiu os degraus e entrou, enquanto eu e minha avó ficamos do lado de fora. Me virei para subir as escadas, todavia, eu não consegui. É como se houvesse alguém me puxando para uma coisa mal-resolvida.

Minha avó passou um pouco por cima de mim. Mas não quer dizer que eu tenha que dar um gelo nela.

— Perdão, Millie. Eu não queria te constranger.

Virei a cabeça na direção dela. Cruzei os braços, a sacola com as pílulas batendo no meu quadril.

— Precisava de tudo aquilo, vó?

— Eu só queria garantir o seu bem.

— Eu sei mas... Eu não queria falar tudo de uma vez, sabe? Eu vou ter outras consultas. Ela vai ficar sabendo de tudo.

— Eu sei, Millie. Eu sei. É que...

— É que...?

— Sabe, mesmo que eu tivesse ficado anos longe com seu avô, eu vi vocês passarem quase toda a infância — ela ajeitou a blusa floral nos ombros, evitando meus olhos. — Eu só não queria que você passasse por algum problema.

Assenti, mudando meu peso de pé.

— Eu sei, vó.

— Eu ainda via você e seus primos como crianças. Ainda que Nick já fosse um adolescente quando eu e Peter nos mudamos para Toronto. E quando chegamos aqui vocês estavam tão diferentes... Vocês três se escondendo dos pais, Finn namorando um homem, você aquele traste... Eu tinha que fazer alguma coisa. Esse espírito de proteção ainda está bem presente dentro de mim.

Dei passos na direção dela e a abracei com força. Beatrice é daquelas pessoas que quer mudar o mundo ao seu redor e sabe como fazer isso. A base de tudo o que aconteceu nessa casa partiu dela. Se ela não tivesse me encorajado a aceitar Finn na minha vida e permiti-lo me conhecer, estaríamos hoje num completo inferno. Eu já disse que sou eternamente grata.

E também vou amá-la eternamente.

— Obrigada, vó. Por tudo.

— Desculpa se às vezes eu sou intrometida, é que...

— Você não gostou de me ver em cima do Finn, eu sei — falei rindo, passando a mão por suas costas.

— Não mesmo. Mas é o meu papel prezar pela segurança de vocês.

Ficamos um momento de mãos dadas, as duas, apenas sorrindo e apreciando uma à outra. Beatrice Wolfhard é especial. Jamais colocaria outra pessoa no lugar dela, ainda que um dia me conviesse. Eu estaria fazendo um mal a mim mesma. Eu não vejo minha vida sem ela.

Minha avó entrou primeiro em casa. Fui logo em seguida, com a sacola alinhada perfeitamente ao lado oposto do meu corpo. Meus pais me viram e me deram um aceno breve de mão. Até porque Nick estava os entretendo com alguma história, como prometido, então tive passe livre para o andar de cima. 

Fui pelo corredor até meu quarto abri a porta, fechando-a em segunda. Tomei um susto quando me deparei com Finn deitado na minha cama, espreguiçado e jogando uma bolinha para cima e para baixo.

— Finn?

Ele parou de jogar a pequena esfera e virou-se para mim, esboçando um sorriso.

— Oi, Millie.

— Quer me matar do coração?

Meu primo se arrastou pelo colchão e sentou na beirada, de frente para mim. Coloquei a mão no peito numa tentativa de acalmar minhas batidas e girei a chave na porta. Não quero que sejamos interrompidos outra vez.

Finn me olhou de cima a baixo. Seus olhos castanhos pararam na sacola branca na minha mão. Na verdade, no conteúdo dentro dela.

— Aonde você foi? Saiu com a vó e o Nick?

Virei o rosto, sentindo um calor repentino.

— Nenhum lugar importante.

— O que é isso aí dentro?

— Nada.

— Você comprou pílulas?

Dei a volta na cama e abri a segunda gaveta da minha cômoda, que continha lá dentro minhas peças íntimas. Coloquei as duas caixinhas num canto e joguei a sacola no lixo do banheiro. Finn ainda esperava uma resposta.

— Se você acha que é isso, o que eu posso fazer?

Ele sorriu, apertando os olhos.

Engatinhei pela cama até chegar em suas costas, abraçando-o por trás e depositando um beijo em seu pescoço. Eu não estava muito para discussões no momento. Vi os pelos de Finn levantarem-se em sua nuca.

— Você não deveria estar voltando para casa agora? — indaguei, passando a mão por seus cachos. A sensação é tão gostosa e macia...

— O dono fechou mais cedo. Noah me explicou o porquê mas eu nem dei muita bola. Eu preciso de um descanso, pelo menos — Finn deu um risinho, apoiando-se nos cotovelos. — Como foi na ginecologista?

— Um desastre — empurrei as palavras, molhando os lábios em seguida. — Mas não teve nada de mais. Abrir as pernas pra alguém desconhecido é bem estranho.

— Mas se fosse pra mim você não ficaria assim, não é?

Finn sabe muito bem a resposta. Eu até responderia e começaria uma provocação, se não houvesse algo estranho.

Finn vaga entre os picos de tímido e provocador, e agora este segundo lado está demais. Seus olhos não condizem tanto com isso. Me pergunto se tem alguma coisa errada ou que eu não fiquei sabendo.

— Está tudo bem, Finn?

Como se fosse um robô, ele assentiu.

— Estou. E você?

Não foi bem a retórica que eu estava esperando. Ergui uma sobrancelha.

— Sim, mas...

— Ótimo.

Finn subiu os dedos pelo meu pescoço e passou a palma por minha nuca. Sua mão estava quente. Ele sabe que eu adoro esses pequenos toques.

É óbvio que foi para me desarmar.

Não demorou até que nossas bocas estivessem coladas. Ditávamos um ritmo lento, um trabalho que só me fez deixar mole e disposta. Finn percebeu isso e impôs um pouco mais de insistência, passeando sua língua sobre a minha. Estava tudo calmo, sereno e... Eu não sei como ele foi parar em cima de mim.

Não apagamos as luzes, até porque a claridade ainda entrava pela janela do meu quarto. Finn passou as mãos pela minha cintura e a apertou, isso por baixo da minha blusa. Como ele chegou ali tão rápido? Prefiro não saber. O importante agora é sentir tudo ao extremo. Finn está fazendo esse trabalho bem.

Empurrei-o para o outro lado da cama. Sentei sobre seu quadril e soltamos um gemido em uníssono. Não quero nem pensar em como deve ser fazer isso sem roupas. Me abaixei e passei a beijar seu pescoço, ouvindo seus suspiros pesados. A mão dele foi até minha bunda e a apertou, me fazendo morder sua pele. Finn riu no meu ouvido, transmitindo uma onda de formigamento pelo meu corpo.

— Millie... Nossos pais...

— Eles não vão ouvir. E quem começou isso foi você — depositei um chupão perto da curva de seu pescoço. Finn me apertou com mais força. — Pensei que você queria.

— Já que é assim — ele sussurrou, levantando um pouco minha blusa. — Isso é tudo o que você consegue fazer?

Não tive como não estremecer com a frase.

Finn ficou por cima outra vez, mas não completamente. Ele se apoiou de lado e pousou a mão sobre minha barriga, à essa altura descoberta. Olhei-o sem entender.

— Você confia em mim?

Ah, não. Essa conversa me traz lembranças demais.

— Você sabe que sim, Finn, e...

— E as regras?

As sobrancelhas dele arquearam. Vi um breve e leve sorriso aparecer nos seus lábios.

— Finn...

— Eu sei que lembra. Agora só relaxa.

Não sei o motivo, mas me parece que ele não disse aquilo apenas para mim.

Olhei para baixo. Os dedos dele passaram pelo fim da minha barriga e me fizeram rir um pouco, se de cócegas ou de nervoso, não acho que eu vá saber. Vi Finn desabotoar minha calça e descer o zíper, dando um pouco de visão da minha calcinha. Um pouco do meu desespero interno deu as caras.

— Finn...

— Shh, Millie. Eu te disse pra relaxar.

Seu indicador subiu o elástico da última peça que me cobria. Finn passou a mão pela pele nua de lá. Se minha respiração já estava muito fora de coordenação, quando ele me tocou, agora meu coração parou de bater.

— Millie...

Eu havia fechado as pernas em um ato involuntário. Finn as abriu de novo e eu tentei deixá-las menos tensas para que não voltasse a acontecer. Seus dedos voltaram lá para dentro.

Dessa vez ele me tocou em cima do meu clitóris. Minha reação deu-o a resposta de que estava no caminho certo. Uma mão voou ao seu braço e a outra apertou o lençol do meu lado, bem como minha cabeça chocou contra o travesseiro. Consegui captar a imagem do meu primo sorrindo em vitória antes de fechar os olhos.

Os movimentos começaram extremamente lentos em cima do meu ponto, mas a pressão foi exata. Eu não sabia mais o que era respirar, e meus pulmões ficaram desesperados. Minha mente esvaziou em um puf, e tudo o que consegui processar foi o que ele estava fazendo acontecer entre minhas pernas.

Droga, só de pensar nessa situação é excitante demais. Eu não vou aguentar muito mais tempo.

Ficou um pouco mais rápido. Finn pegou um pouco da umidade de mais abaixo e voltou a me estimular. Aquilo foi como uma morte imediata, que me fez gemer um tanto alto, sem nem conseguir me conter. Finn aproximou-se do meu ouvido de novo.

— Mais baixo, Millie. Só pra mim.

Meu primo passou a me dar mais sensações. Ele me beijou rapidamente nos lábios e os passou ao meu pescoço, descendo até o ombro e fazendo o caminho inverso. Revirei os olhos, mesmo com as pálpebras fechadas.

Eu sabia que estava perto do limite. Passei a apertar o braço de Finn com mais força, igualmente com o lençol. O nome dele saiu da minha boca em forma de murmúrio repetidas vezes até eu sentir o começo do orgasmo, que teve tudo para ser forte.

Teria continuado se ele não tivesse parado.

Finn!

— Calma, Millie. — ouvi sua risada, acompanhada de um estalo com a língua.

Eu não esperava que ele voltasse, e foi exatamente o que ele fez. O meu limite chegou de uma vez só.

Finn teve que tapar minha boca com a mão livre. Ele não parou até que eu sentisse tudo, incluindo que eu parasse de me mexer sobre a cama. O que veio depois foi calmaria e eu, agora sim, posso dizer que relaxei por completo. Finn tirou a mão do meu rosto e eu ergui as pálpebras, vendo-o com os cachos pairando acima de mim.

— Bom?

Minha única reação foi concordar. Meu primo sorriu, feliz consigo mesmo.

— Que ótimo.

Nos beijamos de novo. Eu estava feliz, um pouco sem fôlego para beijar, mas ainda assim consegui dar o meu melhor. Encostamos nossas testas depois, ofegantes e sorridentes.

— Acho que eu deixei uma bela marca no seu braço.

Finn gargalhou, me dando um selinho rápido.

— Valeu a pena, Millie.

De novo, tive a impressão de que a frase não foi completamente voltada a mim.

Millie? Eu preciso da sua ajuda na cozinha!

A voz da minha mãe nos fez pular outra vez, como se já não bastasse com a nossa avó. As batidas na porta vieram sem seguida, nada amigáveis.

Você trancou a porta, filha? O que você está fazendo?

Quando me virei para Finn de novo ele já estava correndo para o banheiro. Ele fez um gesto em direção à porta para mim antes de se fechar lá dentro.

Millie?

— Oi, mãe! Já vou!

Girei na cama e coloquei meus chinelos, tentando arrumar o cabelo no melhor rabo de cavalo cheio de nós que já fiz. Destranquei a porta o mais rápido que pude e dei de cara com Kelly Wolfhard. Ela não estava num dos seus momentos mais felizes.

— O que você estava fazendo aí dentro, Millie? — ela cruzou os braços.

Baixei os olhos à procura de uma resposta. Eu não tinha muitas alternativas, então fui na que apareceu primeiro.

— Ah, eu acabei de chegar e fui tomar banho. Tenho dois primos nessa casa e, sabe como é, mãe, deixar a porta destrancada é meio perigoso.

Não sei se ela engoliu minha resposta, mas acima de tudo Kelly fez que sim. Desci com ela para ajudar com minha avó na cozinha, já que tia Mary não estava.

Durante a janta eu não parava de encarar Finn. Nossas pernas se encontravam por debaixo da mesa e ele retribuía meus olhares do modo mais intenso que eu poderia querer. Além disso, tudo em minha cabeça girava em torno de como eu posso retribui-lo.

Quero que seja logo. Os acontecimentos entre nós me fazem não querer mais esperar um segundo sequer.

{...}

Dia seguinte.

Sadie.

Encontrei Caleb na sala da própria casa. Ele estava passando os canais da TV com o controle, não aparentando interesse em nada. E ele não vai parar em nenhum por enquanto.

— Onde estão seus pais?

O McLaughlin me olhou assim que ouviu minha voz. Vi seus olhos brilharem ao me ver e provei do arrepio que isso me causou.

— Saíram. Estão falando que vou começar o tratamento amanhã.

— Certo.

Coloquei as mãos nos bolsos da jaqueta jeans e me aproximei. Caleb não parou de tentar achar algo útil para assistir. Ele não sabe o quanto estou me controlando para não prever cada fala, cada movimento, cada pequena coisa nos próximos minutos. Ainda que ele saiba, não quero que isso o interfira. Caleb deve pensar que logo mais vou ser capaz de ver o final da linha para ele e wue vou conta-lo de imediato.

O fato é que não quero machucá-lo. E nem a mim.

— Ainda é manhã. Era para você estar na aula de dança com a Millie.

— Eu faltei hoje. Não estava muito no pique.

Girei o corpo e sentei ao lado dele. Minha única opção foi ver Caleb passar de emissora em emissora, desde novelas, filmes de super-heróis até os noticiários mais sensacionalistas possíveis. Ele estava irritado e eu podia sentir.

Os últimos dias consistiram em tentar deixar Caleb para cima, transmiti-lo amizade e boas vibrações e especialmente fazê-lo confiar em mim novamente. Eu não sei por que ele simplesmente parou de me tratar como antes. Talvez para se privar do futuro inevitável que ele acha que terá.

— Você vai começar o tratamento, Caleb. A cirurgia, se você precisar, é segura. Você não tem motivos.

Vi o controle ser jogado no chão, em cima do tapete. Fechei os olhos e respirei fundo. Não veja os próximos passos, Sadie, não veja os próximos passos...

— Não tenho motivos? Sadie, eu tô com a porra de um tumor no meio do meu corpo que ta me consumindo a cada dia que minha família deixa passar em branco — Caleb meio que gritou, movendo-se no sofá. — Isso é não ter motivos?

Engoli em seco.

— Não foi o que eu quis dizer.

— Não foi? Então o que você quis dizer, me fala.

— Que além disso tudo, você tem seus amigos! Gaten, Finn, Noah, Millie...

— E por que você está se descartando dessa lista, Sadie?

— Porque... Porque...

Sei exatamente a resposta. Está na ponta da língua, mas Caleb não vai acreditar. Ele não acredita que alguém como eu, com as minhas habilidades, tenha algum tipo de sentimento. Me sinto prestes a fazer uma besteira.

Foi isso mesmo que ouvi de sua boca.

— Você não me considera, Sink. Você só queria que eu visse o que você previu dentro dessa sua cabeça para que eu sofresse. Você poderia muito bem ter me deixado morrer também, com o câncer num estádio avançado. Você poderia ter...

Agradeci à Deus quando Caleb calou a boca. Mas não a mim mesma. Porque eu o beijei.

Prefiro não ficar sabendo de como cheguei na boca dele tão rápido. Só sei que o segurei com todas as forças possíveis e, para minha completa surpresa, Caleb me retribuiu. Ele não relutou. Não me expulsou. Não gritou  comigo. Me peguei sorrindo igual a uma boba entre nossas bocas.

Às vezes é bom não saber onde a estrada termina.

— Eu gosto de você, Caleb.

Sua respiração ficou descompassada misturada à minha. Eu segurava em seus ombros, ele em meu rosto. Abri meus olhos e vi os dele, ainda mais brilhantes do que quando me viu entrar pela porta.

— Eu também, Sadie. Eu também.

Essa é a sensação mais tranquilizadora de toda a minha vida.

— Me desculpa.

— É claro que sim. Você só...

Quem não me deu mais direito de falar foi ele. Nós nos beijamos novamente, com mais força, mais vontade e também mais... Mais quentura. Não sei o que está ocorrendo dentro de mim.

Mas a sensação é muito, muito boa.

— Você é virgem, Sads?

Me separei um pouco. A pergunta me assustou e pegou desprevenida. O que Caleb quer com isso?

— Eu... — travei por um segundo. Eu não tinha motivos para ter medo dele, tinha? É só o Caleb. Eu o conheço bem. — É. Eu sou.

O McLaughlin assentiu. A mesma dúvida dele tomou conta de mim.

— E você?

— É. Também.

— Então...

— Eu ia sugerir que a gente tentasse. Tipo, agora.

Eu não poderia ter ficado mais atônita. Meu queixo despencou até atingir o piso.

— Caleb, eu...

— Se você não quiser, tudo bem. É que, sabe, eu não quero mais ter que esperar, fazer cortesias e... 

Entendi sua linha de raciocínio. Caleb quer aproveitar todas as oportunidades. Não deixar nada para depois ou para fazer em cima da hora. Tenho receio de que isso o deixe louco enquanto não se curar ou se convencer disso. Mas, e quanto à minha vontade? Eu admito que tenho. Uma garota de dezessete anos pensa nisso bastante. Eu não sou diferente.

Eu não sabia ainda se tinha tomado a decisão correta. Se era o que meu corpo ou meu coração queriam, mas... De qualquer maneira, eu o respondi:

— Eu confio em você, Caleb.

Um sorriso tímido foi compartilhado por nós dois naquela hora.

Caleb McLaughlin mudou minha manhã. O resto do meu dia, ou o resto da minha semana, que seja. De alguma maneira, agora, estavamos juntos. Não só por termos feito sexo e ter sido bom comparando às minhas expectativas, mas por estarmos mais conectados. Por eu saber que ele não vai me deixar e nem eu a ele. Estamos juntos nessa. Para sempre.

Ficarei ao lado dele até o último minuto.

{...}

Jacob.

— Eu sei que você quer mais, Dacre. Eu posso te dar isso.

— Me dar o quê? Você é só um pirralho sustentado pelos pais que quer roubar o dinheiro deles e agora está me chantageando.

— Um pirralho que tem muito dinheiro. Posso te enriquecer mais ainda em, assim, um estalar de dedos.

O riquinho negou. Ele balança a cabeça demais quando faz isso.

Não. Não vou manipular o Finn pela sua vontade de sei lá o quê. O garoto tem talento e eu quero investir nele sem causas externas. Isso só iria atrapalhar.

Esse cara é tão chato. Por que não se tornou juíz então, se é tão certinho assim e ligado ao caminho branquinho e limpo? Esse é o pior tipo de pessoa que pode existir.

— Tem certeza? — dei-o uma última chance.

— Absoluta.

Bem, o que eu posso fazer? Agora é a minha cartada final.

Claro que não segui e espionei Dacre à toa. Ele estava hoje de novo vendo Finn cantar, junto com o namorado do branquelo e um outro garoto que parece ter algum problema na arcada dentária. Isso tudo é tão ridículo. Finn não merece nada do que está conquistando. Ainda mais, se meu plano seguir completamente bem e sem falhas daqui em diante com Dacre, eu vou é estar fazendo um favor para aquele cantorzinho de merda.

Tirei da bolsa que estava no meu colo a maleta. Destravei-a e virei-a de frente para Dacre, dando meu melhor sorriso.

Seus olhos brilharam. Ah, o dinheiro...

— Duzentos mil euros. É pegar ou largar.

— Isso... Isso é de verdade? — ele perguntou, fascinado, quase subindo em cima da maleta.

— Por que eu mentiria? Pode tocar, averiguar, são notas legítimas.

E ele fez isso mesmo. Pegou uma de um bolo qualquer e colocou contra a luz, fazendo minha palavra valer.

Ele vai aceitar. Tem que aceitar.

— Você é rico mesmo, rapaz?

— Meus pais são proprietários de um grande negócio em Dublin — fiz como que estivesse ajeitando uma gravata. — Mas não vem ao caso. Então, aceita meus termos?

Dacre estava tão hipnotizado com a mina valiosa à sua frente que nem hesitou. Se eu não soubesse que o ponto fraco de qualquer pessoa é o dinheiro, eu diria que ele era diferente. Mas aprendi essa lição por mim mesmo.

E, enquanto essa lei universal permanecer, eu ganharei qualquer jogo.

— Me diga o que tenho que fazer. Não vou te decepcionar, Jacob.

Fechei a maleta e passei-a para ele por cima da mesa de sua sala de jantar.

— Ótimo.

Comecei a explicar. A esperança em meu peito era dilacerante. Todos os pontos perfeitamente ligados, perfeitamente planejados. Ainda que Finn tenha me seguido e talvez esteja desconfiado, ele é burro o suficiente para cair na de Dacre.

E, assim, Millie vai ser minha. Como sempre teve que ser.



Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...