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História Pilhéria. - Capítulo 1


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Notas do Autor


Olá.
Ao contrário do que o título pode sugerir, essa não é uma fic de comédia.
O nome esta relacionado as conversas randômicas que deram origem a história e não ao conteúdo em si.
Então, fiquem a vontade para procurar algo que esteja mais ajustado ao seu gosto.
Aos que continuarem agradeço.
Beijos e mais recadinhos no final.

Capítulo 1 - Parece que os neuróticos se atraem.


Fanfic / Fanfiction Pilhéria. - Capítulo 1 - Parece que os neuróticos se atraem.

Definitivamente aquela não era uma visita inédita, muito pelo contrário. Até onde conseguia recordar, aquela presença tinha se tornado mais assídua em sua vida nos últimos meses. O que fugia ao enredo era a quebra da rotina, afinal, Shaka era um homem de hábitos e como tal não costumava romper seus rituais a troco de nada, ou quase nada. 

Tendo isso posto e ciente de que só conseguiria as respostas que viessem espontaneamente de seu convidado, Shura aguardava há alguns minutos olhando a elegante figura que sentada em seu sofá, esquadrinhava sem o mínimo pudor a sala do apartamento em busca de algo que pudesse julgar imperfeito. 

Sorriu internamente, contendo o erguer de lábios, mantendo a face séria, ao ver o visitando empinar o nariz e finalmente focar a atenção nele. 

Parece que não encontrou nada fora do lugar. — Pensou enquanto admitia a si mesmo que se agradava do temperamento do outro. 

Encostou em uma das paredes da sala no momento em que Shaka jogou os longos fios loiros para trás em um gesto amplo e quase desafiador. Um tanto sexy diga-se de passagem, mesmo que tivesse a certeza que o outro não o fazia com o intuito de seduzir e exatamente por isso acabava produzindo esse efeito. Sempre julgou a naturalidade mais interessante. 

— Vai me dizer a que devo a honra da sua presença? 

— Por acaso não posso te visitar? 

— Sempre que quiser. Mas esse não costuma ser seu modus operandi. No geral, você avisa antes de fazer qualquer visita.

— Por acaso estou atrapalhando? — fez menção de levantar. — Posso voltar em outro momento. 

— De forma alguma. — desencostou da parede caminhando até o sofá pegando a long neck de cerveja que estava em cima da mesa de centro. — Você nunca me atrapalha Shaka. Só fiquei surpreso por ter aparecido sem avisar.  

— Entendi… — coçou a ponta do nariz encarando o anfitrião com seriedade.  — Eu poderia inventar uma desculpa qualquer, mas uma das bases disso aqui... — apontou de Shura para si mesmo. — É a sinceridade então… — respirou fundo. — Arrumei minha casa, organizei cada coisa que estava fora do lugar e até mesmo o que não estava, acendi diversos incensos, ouvi mantra, comecei e parei uns três livros, tentei brincar com o Shiva, mas não consegui me concentrar em nada por mais de três minutos. E tudo isso… — desviou o olhar . — Porque não conseguia parar de pensar ou remoer… — suspirou cansado. — Saga e eu terminamos.

— Sinto muito, Shaka. — Shura falou em um tom baixo, tentando esconder a face surpresa da melhor forma possível. 

No geral a máscara de seriedade era eficiente nessas horas, mas que diabos, ele era humano e conter a euforia que aquela notícia trazia estava sendo um trabalho oneroso. 

— Normalmente eu estaria bem… ou levaria as coisas de outra forma. Mas… — soltou um novo suspiro recostando no sofá. 

— Talvez seja alguma conjunção dos astros. — Shura falou bebendo um gole da cerveja.

— E por acaso você acredita nisso? — questionou erguendo umas das sobrancelhas. 

— Não, mas você acredita. — deu de ombros. — E eu já disse que estou aberto a aprender coisas novas. — não pôde deixar de pensar no que exatamente estava interessado em aprender. Bebeu mais um gole e continuou. —  Além disso, não julgo,  já que remoer eventos é minha especialidade. Esses dias, inclusive, estava lamentando uma situação de quando eu tinha oito anos de idade. 

— Qual situação? — Shaka ajeitou-se no sofá, pegou a long neck da mão de Shura e deu um gole. — Ainda prefiro vinho. — falou fazendo uma leve careta. 

— Posso abrir uma garrafa. — sugeriu vendo o loiro beber mais um pouco e torcer o nariz.

— Tem mais disso aqui?— sacudiu a long neck.

— Aos montes. — sorriu de lado .

— Então vai servir. Você tinha oito anos e aí?

— Jura que quer ouvir essa história? Não é nada interessante, só vergonha alheia mesmo. 

— Shura… eu bati na porta da sua casa às onze horas da noite, em uma sexta feira, só porque estava enlouquecendo comigo mesmo. Lógico que eu quero saber da sua vergonha pueril. 

— Bom… Eu era muito diferente do que sou hoje. — franziu o cenho como se tentasse lembrar de algo. — Lógico que muita coisa muda da infância para a idade adulta, mas algumas pessoas mantém alguma essência do comportamento, eu… só mudei muito mesmo. Quando criança eu era expansivo, brincalhão, risonho, extrovertido, enfim, eu era… o Milo digamos assim. — Shura riu sendo seguido por Shaka. 

— Difícil de imaginar você assim. 

— Pois é… então, levando em conta que eu era o Milo e resplandecia como o sol na terra, fui convidado para uma festa de aniversário por uma vizinha mais velha. Ela havia convidado todas as crianças do prédio para o aniversário do sobrinho. A questão é que eu não morava naquele prédio, mas sim no da frente. Resumindo, cheguei em casa, disse que tinha sido convidado, minha mãe questionou sobre levar presente e tentou me explicar que foi um convite por mera educação, afinal eu estava perto quando ela chamou as outras crianças. Eu não ouvi. Apenas… — soltou um riso nasalado. — Teimei que tinha que ir. Era uma noite quente, vesti uma camisa de manga comprida com capuz e aqueles bolsos canguru que insisti para a minha mãe comprar só porque tinha um M bordado. 

— M? 

— É… de Miguel. — revirou os olhos.

— Sempre esqueço esse detalhe. Até imagino você e Ângelo com seus codinomes. — sorriu malicioso, seu cérebro fazendo alguma alusão a “nomes de guerra”. 

— Ao contrário do Cabrón, Shura é meu primeiro nome. O Ângelo só gosta de sustentar o apelido trevoso. 

— Sei… nunca vi você se apresentando como Miguel. 

— Hábito, acho. Continuo?

— Por favor. — fez um gesto com as mãos. — Acabou essa garrafa aqui. 

Shura levantou do sofá e antes de chegar a cozinha parou. 

— Trago uma pra você? 

— Não… divide a sua comigo… Isso se você não se incomodar. A bebida vai acabar esquentando se eu beber sozinho. 

— Não me incomodo. 

Chegou na cozinha, abriu a geladeira pegando mais uma garrafa e encostou por alguns segundos na bancada. Certamente contar histórias ridículas da infância não era a melhor arma de sedução, ainda mais levando em consideração que o seu alvo de desejo parecia abalado com o fim do relacionamento. 

Além disso, não podia deixar de registrar o quão incomum era a cena que protagonizavam. Sem dúvida alguma não era do feitio de Shaka dividir garrafas de bebida, em uma ótica quase adolescente, enquanto ouvia seu relato com um sorriso divertido e não se furtou de notar, um olhar brilhante e sinceramente encantado. 

De sua parte, Shura estava acostumado aos desmandes alcoólicos, só não estava habituado a dividi-los com o atual convidado, muito menos depois que percebeu o quão interessado estava nele.

Não era inseguro e por mais sério que fosse não costumava procrastinar suas decisões, mas da última vez que tinha conferido Shaka era comprometido, e também não fazia muito tempo que havia encerrado as intermináveis idas e vindas com o Cabrón de mierda. Justiça seja feita, continuava amigo de Ângelo e até mesmo via com bons olhos o novo relacionamento dele. Algumas coisas só não eram para ser, ao menos não necessariamente no momento em que se deseja.

Estalou os dedos, mordeu o lábio inferior, respirou fundo e voltou para a sala assim que concretizou seu ritual de auto controle. Shaka havia prendido o cabelo em um coque frouxo e parecia mais a vontade. 

— Aqui. — entregou a ele a garrafa observando-o dar um gole e fazer mais uma vez uma mini careta. — No final das contas eu fui para a festa que estava marcada para às 18:00. Cheguei em ponto. Sempre fui pontual. Não tinha ninguém lá a não ser a moça que havia me convidado. A festa não tinha começado e eu fiquei andando atrás dela, oferecendo ajuda. — passou a mão na nuca nitidamente sem jeito. — Não preciso nem dizer que ela ficou constrangida, sem saber ao certo como agir. No fim, acabei em uma festa na qual eu não conhecia ninguém e precisava explicar para todos como tinha ido parar ali. Em algum momento comecei a ficar muito desconfortável, mas aguentei até o parabéns. — Shaka riu balançando a cabeça, sendo acompanhado por Shura. — Depois peguei um pedaço de bolo para a minha mãe e enchi os bolsos da minha blusa de docinhos. Quando cheguei em casa minha velha não sabia se ficava horrorizada com o meu saque, ou grata pelos doces. E foi isso.— Finalizou dando um sorriso simples, pegando a garrafa da mão de Shaka. — Fiquei por uma semana remoendo um evento que tem mais de vinte anos, altamente justificado pela minha idade e que provavelmente apenas eu lembro. Então… não te julgo por estar abalado pelo fim do seu relacionamento e continuar remoendo isso. 

— Saga diria que somos dois neuróticos.

— Longe de mim ofender seu namorado… ou ex namorado, mas ele está longe de ser um poço de sanidade. Além disso, parece que os neuróticos se atraem. — Bebeu a cerveja entregando a garrafa a Shaka. — Você está bem?

— Como disse, no geral eu deveria estar. Fui eu que terminei. O relacionamento estava insustentável e estamos melhor separados, isso sem sombra de dúvida. Sendo sincero, não é exatamente isso que me incomoda, mas o que falamos um para o outro no final. Chegamos a um ponto em que já não conseguíamos enxergar as qualidades e exaltávamos os defeitos. Nisso eu me tornei o arquétipo mal fadado do virginiano: o metódico exacerbado, que desprezava qualquer coisa que julgasse supérfluo, insensível, arrogante e assexuado. 

— Assexuado? — Shura questionou não escondendo a surpresa. 

— De tudo que eu falei você só focou nisso? — revirou os olhos dando um gole na cerveja.

— Não. Só fiquei surpreso. Não imaginei…

— Shura, eu trepo! E muito bem por sinal! Saga não tinha do que reclamar nesse quesito, ele mesmo dizia isso quando não estava sendo controlado pelo espírito maléfico que residia naquele mente bipolar. Mas chegou um ponto em que as coisas estavam tão ruins, que eu não queria apenas cumprir uma obrigação. Sexo não deveria ser assim… Mas eu transo, ao contrário do que o senso comum diz. — bufou irritado antes de beber um gole da cerveja. 

— Olha… — Shura mapeou o corpo de Shaka de uma forma nada discreta. — Seria no mínimo um desperdício se você não transasse… quero dizer… — fez um gesto vago com as mãos.

— Vamos… O que exatamente você quer dizer? 

— Exatamente o que eu disse. Seria um desperdício se você não transasse. — Encarou-o com seriedade. 

Olharam-se por algum tempo medindo um ao outro.

Shaka notou o rosto geralmente sério que nesse momento ostentava um raro sorriso malicioso, os lábios bem marcados e os expressivos olhos verdes que o encaravam em um pedido mudo desde que havia entrado naquela casa. E exatamente desde aquele momento, não sabia se tinha mais forças, ou sequer vontade de continuar negando aquele pedido. 

Jamais diria a Shura, ao menos não estava em seus planos para essa noite, porém o que mais o incomodou em toda a história de seu término foi a sensação de alívio que sentiu e a percepção de que finalmente poderia passar mais tempo com o Espanhol de orbes esmeraldinas. 

No fundo sabia que toda a agonia que sentia e que fazia com que não conseguisse se concentrar, era apenas um pretexto para estar ali, um argumento fracamente elaborado. Parece que ao contrário do que diziam, ele era capaz de tomar decisões que não fossem perfeitamente acuradas, mesmo que depois tivesse que arcar com o julgamento de sua própria mente.

Riu internamente imaginando a cara do ex, ou dos amigos caso pudessem ler seus pensamentos.

— Eu tinha um… como dizem os jovens? Um crush em você assim que nós conhecemos. — Shaka falou de forma simples desviando o olhar. 

— Bom… Pode apostar que era recíproco. — Respondeu encostando no sofá. Pegou a garrafa e terminou o conteúdo em um único gole.

— Era? 

— Você quer saber se ainda tenho por algum motivo específico, ou apenas curiosidade momentânea? — Colocou a garrafa vazia na mesa de centro olhando-o.

— Minha curiosidade nunca é momentânea. Além disso, passei a remoer a possibilidade de você acreditar que eu não transo. 

— Entra no mesmo senso comum que acredita que eu não sinto nada e só vivo para trabalhar. Podíamos apenas… Romper estereótipos? 

— Você acha que conseguiríamos?

— E porque não? — sorriu malicioso. — Basta você querer. 

— Não sei o que ainda te faz pensar que eu não quero...

Continua.

 


Notas Finais


Olá, de novo.
Não era essa a fic de aniversário, mas ela acabou surgindo das conversas aleatórias com a @SeleneDelRey, sendo assim, meu amorzinho, essa é para você.
Como sempre eu deveria aprender algo com o Shaka e ser uma pessoa mais organizada que pensa na história com começo, meio, fim e quantidade de capítulos, mas não sou. E na real, estou de boas com isso.
Então, o que deveria ter um capítulo, talvez tenha dois. Oooooou, talvez seja apenas esse capítulo mesmo e o resto deixamos para a imaginação. Não sei.
Só sei que dona Selene é a responsável pelos meus devaneios e por uma série de coisas que não caberiam nesse espacinho. Além de uma paciência épica, ao menos comigo. E só para deixar registrado, me agrado muito do seu jeito. Rsrsrs. Acho que dá para tirar algo de bom de quase tudo, e você é uma das coisas boas que tirei desse mundo maluquete de fanfic.
Bom... é isso.
Beijocas para vocês e um especial para @SeleneDelRey.
Caso alguém leia, saiba que fico sempre muito feliz por você estar dedicando seu tempo comigo. Caso contrário seguimos a vida.


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