História Pinãs Coladas - Capítulo 2


Escrita por:

Postado
Categorias EXO
Personagens Byun Baek-hyun (Baekhyun), Do Kyung-soo (D.O), Kim Jong-in (Kai), Park Chan-yeol (Chanyeol)
Tags Baeksoo, Chankai, Drama, Humor, Pwp, Traição
Visualizações 103
Palavras 3.521
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Lemon, Romance e Novela, Universo Alternativo
Avisos: Adultério, Homossexualidade, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


2 MESES DEPOIS I'M HERE AGAIN.

Eu demorei pra cacete e nem voltei com um giga capítulo.

Sinto muitíssimo pela demora, final de período é essa loucura mesmo então eu vim pelo menos dizer que não desisti da história. Acabei dividindo esse capítulo porque eu ia acabar atropelando muitos acontecimentos para chegar na minha parte favorita (hehehe) e o desenvolvimento não iria ficar de um jeito bacana e natural para vocês leitores.

Ele não está betado ainda, então por todo e qualquer erro me desculpem com antecedência. Para os duvidosos venho aqui ressaltar que a fanfic é CHANKAI mesmo, não sintam medo de ler. Eu espero que gostem como assim como eu.

Capítulo 2 - De Uma Canção Favorita







Jongin segurava a câmera entre suas mãos com tanta firmeza que temia quebrar o aparelho caríssimo em suas mãos. Ele se recordava bem em como tinha parado naquela situação. Toda o inferno se dera início quando o casal de noivos tinham se colocado como os dois mais insuportáveis clientes de toda a sua vida. Mal começara a mostrar os portfólios e a noiva perguntou se o material da revelação tinha aquela qualidade. Então, Jongin respirou fundo e respondeu, com a maior educação, que aquele material era apenas o que se tinha de ponta. Teria sido ingenuidade acreditar que os mandos e desmandos iriam parar ali, afinal, a noiva e o submisso noivo colocaram defeito na ambientação, nas posturas corporais nas quais os flashs eram dedicados e até mesmo da equipe selecionada para tirar as fotos no dia. 

ー Vocês podem reclamar de tudo, mas não vou permitir que humilhe os meus funcionários. ー Jongin respondeu com um sorriso perigoso. 

O noivo o observou.

ー Não iremos recomendar a sua empresa. ー Devolveu ele.

ー Posso viver com isso. 

Jongin viveria muito bem com ou sem aquele vexame. Os noivos tinham até suas condições mas nenhum dos dois tinha tanta influência para fazer com que a imagem do estúdio fosse prejudicada, nem mesmo contatos influentes. Na realidade, Jongin duvidava que eles tivessem amigos. Mesmo assim, iria se certificar. 

Na noite do evento, descobriu, para sua enorme surpresa que haviam sim muitas pessoas, mesmo que não fossem exatamente amigos dos noivos (Jongin tinha ouvido um ou outro boato de confusões promovidas pelos pombinhos) e ele já estava cansado de ir de um lado para o outro tendo que se submeter as sugestões ー constantes ー deles. Não bastava apenas ter perdido o apreço por tirar fotos dos enlaces matrimoniais. 

Até considerava um homem de relativa paciência, mas até mesmo a paciência tinha limites. O salão de festas estava abarrotado e Jongin estava quase a beira da apoplexia. 

ー  Conte até cem, chefe. ー O seu estagiário mais eficiente, Oh Sehun, tentou sugerir.

ー Para reprimir todo o meu ódio eu teria que criar novas medidas, por que as existentes não bastariam.ー Jongin deu um grunhido. ー Só quero que toda essa merda termine de uma vez.

Oh Sehun jurou a si mesmo que não faria o que estava prendendo a tanto tempo. Mas quando o peito tremeu pelo esforço, não conseguiu aguentar e caiu na gargalhada. Jongin o observou surpreso, percebendo que o adolescente parecia ainda mais jovem quando sorria, e aquilo trazia um pouco de frescor para aquele momento desconfortável. 

    O senhor é engraçado. ー O outro disse ainda soltando risadinhas. 

ー Você está rindo de mim. ー Jongin disse para si mesmo, sem acreditar.

ー Bem, não foi minha intenção mas… ー Sehun tentou se redimir, se atrapalhando nas próprias palavras.

ー Está tudo bem, eu não me importo. ー Tratou de corrigir o mal entendido. 

Depois de um breve momento, uma ideia passou pela sua cabeça.

ー Quer ficar com as câmeras por um momento? ー Sugeriu.

O quê? ー Os olhos do jovem saltaram das orbes.

ー Já ficou com ela ou não? ー Jongin insistiu com delicadeza.

Quase riu diante da palidez dele.

ー Bem, algumas vezes.

ー Ótimo, a direção está em suas mãos. Confio em você.

Sehun abriu e fechou a boca antes de se pronunciar.

ー Tem certeza? 

Jongin sorriu para ele, pondo uma mão em seu ombro.

ー Garoto, se eu ficar nesse ambiente por um segundo, tenho medo de atirar os noivos pela janela.

ー Ah…, o senhor não se sente bem mesmo. ー Ele sussurrou.

ー Além disso, você é um talento, e em algum momento precisa praticar, e eu asseguro que o momento é agora. Só uni o útil ao agradável.

Sehun inflou o peito.

ー Darei o meu melhor.

Jongin o observou de uma forma estranhamente paternal. 

ー Estou certo disso.

Sem esperar mais um segundo, segurou uma das taças de champanhe que eram distribuídas pelos garçons e se retirou do salão de festas puxando o colarinho da blusa. Ela parecia incomodá-lo incrivelmente no pescoço. As longas portas de vidro que enfeitavam as laterais do salão davam saída para o exuberante jardim, composto de pinheiros muito bem aparados e ornamentação de arranjos belíssimos, além de bancos cimentados, feitos especialmente para quem se sentisse com vontade de tomar um ar. Mas Jongin conhecia muito bem aquele lugar, pois era um lugar requintado e solicitado para festas de casamento. E ele tinha escolhido a dedo e pensado nesses mínimos detalhes, pois aquele fora o espaço da sua própria festa de casamento, há anos atrás. Maldita ironia. O fluxo de sensações o atingiram como um raio. Por isso, deu um longo gole na sua bebida favorita, tentando aliviar o comichão dolorido em seu coração. Claro que o casal intragável o incomodava, mas o fato do seu compromisso ser ali era o que mais o deixava fora de si. Entretanto, tinha sido sincero em não se preocupar com a qualidade das fotos, com Sehun dirigindo a equipe. Aliás, não confiaria em outra pessoa para aquela função, mesmo com a pouca experiência do garoto.

E seus pensamentos migraram novamente para o dia de seu casamento. 

O vento noturno balançou seus cabelos com suavidade, fazendo Jongin fechar os olhos e mergulhar nas suas lembranças especiais. Se permitindo viver um pouquinho no passado. Se recordava vividamente de ter todos os amigos na festa, seus pais, a mãe de Chanyeol e em como o clima inteiro vibrava alegria. Não era apenas a  sua própria alegria, mas sentia que isso emanava de todos aqueles que tinham acompanhado a história dos dois. Escutou novamente as risadas, aproveitou mais uma vez os abraços de parabenização e… dançou com Chanyeol, como nunca antes. A valsa dos dois era o que tinha mais gostado durante toda aquela noite, pois ele mesmo não tinha planejado, entretanto, mesmo assim o marido tomou a sua mão enquanto todos dançavam e o girou pelo salão inteiro como se ambos fossem um único peão, sem se preocuparem em serem… desgovernados e desprovidos de qualquer noção de graça. O seu coração nunca tinha batido tão rápido, parecia que iria explodir e se romper de tanto que se sentia realizado. Jongin abriu os olhos, quebrando a própria recordação. O seu celular vibrando em seu bolso o desconcentrou. Não se decidia se era bom ou ruim que isso tivesse acontecido. 

Observou a notificação e se surpreendeu. 


O que está tomando tanto o tempo da minha única companhia nesse aplicativo? 

Sr. Holmes.


Jongin mordeu os lábios. Tinha esquecido completamente dele, para ser franco. 

Fazia pouco mais que duas semanas desde que tinha instalado o Letter em seu celular, e, mesmo assim, não tinha se sentido muito cativado pelo aplicativo em si. Os grupos formados eram de fato compatíveis com sua personalidade e justamente por isso tinha ficado… entediado. Ele também não tinha muito tempo para socializar com os outros perfis. E nem os outros perfis pareciam interessados em iniciar uma conversa com ele. Exceto um. O Sr. Holmes, como assim era seu nome virtual, também era um novato assim como o próprio Jongin e isso tinha facilitado um vínculo. As conversas entre eles o distraiam o suficiente para tornar as coisas menos chatas, afinal, a pessoa por trás daquele perfil era muito divertida. Talvez tenha sido esse o motivo de ser o único contato com quem conversava ao longo do dia. Mesmo assim, ainda considerava seriamente desinstalar o Letter.


Trabalho.

E eu dúvido que eu seja sua única companhia.

Pretence.


Respondeu com sinceridade. O homem apresentava ser uma excelente companhia que outras pessoas adorariam aproveitar. Pessoas que estivessem mais dispostas que Jongin.


Humm, talvez você esteja certo mas continua sendo minha companhia preferida.

Sr, Holmes.


A réplica retornou sem demora e sentiu uma risada se formando no fundo da sua garganta.


Se não me engano, disse isso para o Glances, não muitos minutos atrás.

Pretence.


Digitou com agilidade, curioso para saber o que o outro iria dizer. Galanteador barato, pensou.


Você me pegou! 

Sr. Holmes.

Mas que surpresa a minha saber que você ainda lê as mensagens dos grupos, imaginei que tinha desistido. 

Sr. Holmes.


Era verdade. Droga.


O que tem a dizer em sua defesa?

Sr. Holmes.


Você me pegou!?

Pretence.


E ainda dúvida ser minha companhia favorita tsc tsc. 

Sr. Holmes.


Jongin se deu conta que sorria enquanto refletia no que iria dizer.


Quais os progressos na busca da Pessoa?

Pretence.


Aquela era uma história curiosa de Sr. Holmes. Ele acreditava fielmente que iria encontrar a sua pessoa ideal naquele aplicativo porque tinha sonhado conversar com ela através do Letter. E com toda a criatividade compartilhada daquelas duas mentes brilhantes, a pessoa do tal sonho passou a ser chamada por eles de Pessoa. Jongin não acreditava muito naquilo, mas Sr. Holmes insistia ter sido um sonho profético. Então, quem seria ele para impedir as loucuras de um louco. 


Desanimadores, mas não vou desistir. Uma hora ela aparece.

Sr. Holmes.


Com certeza.

Pretence.


Tentou animá-lo, porque se importava. Mesmo que as chances de Sr. Holmes encontrar a Pessoa fossem compatíveis a ele mesmo dançar com os peixes e enguias no rio Tâmisa. Jongin franziu o cenho. Ele se importava? Bem, imaginava que sim, não era um desgraçado sem coração. 


Pelo menos eu tenho algo a mais para pensar hoje.

Sr. Holmes.


E o quê seria?

Pretence.


Você falou algo além dos tradicionais “Estou sem tempo.” “Sinto muito, mas estou ocupado.” e não podemos esquecer do “Mais tarde eu falo”, deixando pra me responder no dia seguinte. 

Sr. Holmes.


Não imaginava que você podia ser sarcástico

Pretence.


Para a sua surpresa, meu anjo, eu tenho muitas habilidades. Talvez em um dia desses você queira testar.

Sr. Holmes.


Eu dispenso.

Pretence.


Certo, agora eu tenho uma escala assombrosa do quanto você deve estar entediado no trabalho por estar falando comigo por mais de três minutos sem me ignorar completamente.

Sr. Holmes. 


Jongin abafou a risada pondo a mão em sua boca.


Eu sou assim tão previsível?

Pretence.


Bem. É sim. 

Sr. Holmes.


E mesmo assim sou sua companhia favorita?

Pretence.


Claro.

Sr. Holmes.


ー Ele é um doido. Um doido varrido. ー Disse em voz alta.


Eu não estou entediado, na verdade eu estava irritado, por isso dei uma pausa para refletir mas você atrapalhou esse momento

Pretence.


Que honra.  

Sr. Holmes. 


Você também me irrita.

Pretence.


QUE HONRA.

Sr, Holmes.


E eu quero te estrangular.

Prentence.


KKKKKKKKKKKKK

Sr. Holmes.

Por favor, pare. Eu não aguento rir tanto.

Sr. Holmes.


Pretence


Não seja rancoroso. Vou aproveitar a oportunidade única e lhe perguntar algo muito importante.

Sr. Holmes. 


Pode perguntar.

Pretence.

Você gosta de Pinã Colada?

Sr, Holmes.


É minha bebida favorita, alguns pontinhos acima de champanhe.

Pretence.

Mas como isso poderia ser muito importante.

Pretence.


Querido Pretence, agora estou sendo requisitado para ajudar a humanidade, amanhã nos falamos mais. 

Sr, Holmes.


Já? Jongin poderia passar mais uma hora inteira conversando e não se cansaria.


Você não me respondeu.

Pretence.


Digamos que agora eu tenho um motivo extra para não te deixar em paz :)

Sr. Holmes.


ー Maluco.ー  Jongin gargalhou, se sentindo meio maluco também.



***


ー Jongin, seja mais racional. ー Junmeyon disse exasperado assim que abriu a porta do escritório, sem acreditar no que o amigo tinha feito. ー O Sehun é quase uma criança e entregar a direção inteira nas mãos deles foi arriscado demais. E se desse tudo errado? Você pensou nisso?

Jongin o olhou, levantando a visão de cima da papelada de protocolos que tinha que assinar.

ー Boa tarde, Junmyeon. ー Disse com tom neutro. ー Sehun não é uma criança. Ele é um rapaz, que por acaso é melhor do que muitos funcionários formados da equipe e que precisava de experiência.

ー Não poderia ter sido em outro momento?ー Ele insistiu. ー Em um test-drive?

Jongin mal reconheceu as palavras do outro.

ー Em algum momento do nosso trabalho existiu algum test-drive? ー Indagou com seriedade.

ー Não. ー Respondeu a contra gosto.

O empresário suspirou fundo, largando a caneta de lado e recostando-se na cadeira tentando entender o comportamento atípico de uma pessoa controlada como Kim Junmyeon. Indicou a cadeira em sua frente, observando o amigo sentar-se nela, com o rosto ainda vermelho.

ー Sehun foi meu estagiário por quase um ano, e eu jamais iria colocá-lo em uma situação que pudesse colocá-lo em risco. Você deveria saber disso mais do que qualquer outra pessoa. ー Jongin disse pausadamente. ーE a noiva que eu tive o desprazer de prestar serviços veio olhar as fotos comigo hoje mesmo, tive que me virar para apresentar tudo na hora. E eu garanto, que as fotos do Sehun foram as únicas coisas que ela realmente gostou. Talvez eu deva colocá-lo no meu lugar, afinal.

ー Deus, não. 

Jongin riu da expressão do outro.

ー Eu não sabia que se preocupava tanto com ele. 

ー Nem eu. ー Junmyeon murmurou com os pensamentos perdidos, levantando da cadeira e indo em direção a porta.

ー Fique tranquilo, Sehun não é mais uma criança.

Junmyeon o olhou de uma forma sombria.

ー Isso definitivamente não me tranquiliza. ー Confessou fechando a porta atrás de si.

Só então Jongin entendeu.



***


Ele colocou todos os papéis arrumados em suas respectivas pastas, segurando a vontade de levantar as mãos pro céu e agradecer por ter terminado tudo a tempo. Aquele serviço tinha sido terminado com sucesso. Seus olhos buscaram, naturalmente, o relógio. Faltava mais ou menos meia hora para que desse o horário do seu almoço, e, enquanto isso, não tinha nada para fazer.

Por isso, buscou o celular em seu bolso e conferiu as notificações. Ali estava a mensagem que buscava ver uma parte do dia. 


Bom dia.

Sr. Holmes.


Jongin viu que aquela tinha sido uma notificação logo no início do dia.


É tão triste saber que o dia está lindo e você não pode ser perturbado nesse minuto. 

Sr. Holmes.


A última já havia sido mandada quase quatro horas depois.


Bom dia, acho que posso ser perturbado agora

Pretence.


Naquele dia, em particular, se sentia bastante estranho e ao mesmo tempo… bem.


Finalmente resolveu aparecer. 

Sr. Holmes.


Isso é uma reprovação?

Pretence.



Sim.

Sr. Holmes.


Meu mundo não gira ao seu redor.

Pretence. 


KKKKKKKKKK, calma. Acordou estressado?

Sr. Holmes.



Desculpe por isso.

Pretence.

Na verdade, hoje é um dos poucos dias que não acordei estressado.

Pretence.


Por que o estresse dos outros dias?

Sr. Holmes.


De certo, a probabilidade de desabafar um pouquinho não faria mal, é claro, já que nunca ficaria cara a cara com quem quer que fosse o Sr. Holmes. A perspectiva - deveria - mas não lhe agradava.


Coisas familiares, sabe?

Pretence.

Na verdade, eu sei muito bem como funciona.

Sr. Holmes.


Jongin tinha certeza que não. 


Mas quando isso acontece eu gosto de me proporcionar pequenos presentes. 

Sr. Holmes.


Como o que?

Pretence.


Quem tem que dizer isso é você, querido Pretence. Por acaso, tem algo que gostaria de fazer e que não faz há muito tempo? Não espere as pessoas te darem presente, se presenteie e aproveite sua própria companhia. 

Sr. Holmes.


Jongin ficou comovido com aquelas palavras, pois não lembrava como era gostar da própria companhia. 


Então acho que irei almoçar uma bela fatia de bolo de chocolate.

Pretence.


Isso não é saudável.

Sr. Holmes.


Eu sei que não é saudável, mas é que acho que esse pode ser o meu presente do dia.

Pretence.

Não achava que era também um filósofo.

Pretence.


A resposta demorou um pouco mais para chegar, por isso decidiu ajustar sua bolsa e ir cumprir o que tinha se comprometido a fazer. 

Aquela era a melhor confeitaria da cidade para ele, pensou ao ver que o pequeno estabelecimento ainda tinha a mesma cor pink nas paredes, embora estivesse descascando a pintura, ou ainda que a disposição das mesas se mantivesse igual. Tudo ali tinha sido quase intocado, e o ar de nostalgia encheu seu peito. Amava ir ali quando ainda era só um fotógrafo, sem grandes aspirações na vida a não ser conseguir se bancar por mais um mês.

Ao comer a fatia do bolo de chocolate sentia como relembrar os velhos tempos e aquilo lhe dava um ânimo extra. Como não tinha pensado naquilo antes? Se dar pequenos presentes? Aproveitar a própria companhia. Talvez, tivesse mergulhado demais na autopiedade. E ele não precisava daquilo. 

Naquele tempo, tudo parecia ser mais fácil. Deveria ser simples agora também.

Jongin empurrou o prato sujo com os restos do bolo e pôs as mãos na barriga, satisfeito. Em seguida, lembrou que deveria fazer algo importante, por isso, pegou o celular.


Eu sou incrível, sei disso. 

Sr. Holmes.


Obrigado pelo toque. Parece algo pequeno mas fez uma diferença enorme. 

Pretence.

Sou muito agradecido pela sua ajuda.

Pretence.


Pois vou aproveitar e dizer que você não está sozinho.

Sr. Holmes.

Lembre disso.

Sr. Holmes.


Você tem razão.

Pretence.

Nesse contexto.

Pretence.

KKKKKKKKKKKKKKKKK

Sr. Holmes.


Jongin se pegou sorrindo largo. Ele não se sentia sozinho. Claro que a companhia de Sr. Holmes tinha sido importante ali, mas lembrou-se de Baekhyun, que sempre se importou com seu bem estar e se mostrava disposto a lhe animar em todos os momentos. Se ele fosse sincero consigo mesmo, não teria tanta paciência quanto o Baek. Além dele, Junmyeon também era um excelente amigo com sua excentricidade e suas reclamações acuradas. 

Faltava apenas ser um amigo para si próprio.

E eu vou ser. 



***


Jongin aproveitava da música que saia do altofalante do seu celular; mal lembrava a última vez que tinha colocado uma música em seu ambiente de trabalho. Percebeu, então, que aquele método fazia seus músculos relaxarem um pouco mais e a mente também se tornava mais limpa. Por isso, tomou um susto quando o toque do celular rompeu o ar. O homem apenas atendeu o celular sem dar importância para checar o contato. 

ー Kim Jongin falando. 

Amor?

O estômago de Jongin apertou em reconhecimento.

Todo o seu corpo reconheceu o timbre rouco. 

Tapou a boca completamente surpreso, emitindo um ruído abafado. 

Amor, você está me escutando?

Pigarreou buscando a própria voz.

ーEstou sim. ー Respondeu atropelado, respirou fundo e continuou um pouco mais calmo, dando voz ao principal questionamento que permeava seus pensamentos. ー Por quê me ligou?

Chanyeol fungou do outro lado da linha. 

ー Existe um motivo para eu ligar para o meu marido além de sentir falta dele? 

Jongin sentiu como se tivesse levado um soco repentino.

Levando em consideração que você não me liga por mais de cinco meses, acredito que existe sim um motivo.

 Chanyeol continuou diante do silêncio do marido. 

ー Queria saber como você estava.

ー Eu estou bem, obrigado pelo cuidado. ー Disse  sem jeito. ー Está tudo bem com você?

ー Ah que bom, estou bem também. 

Jongin mordeu a pontinha do dedão, esperando que ele continuasse. Tinha que ter uma continuação. 

Amor, mais uma coisa…

ー Sim, querido.

Estava certo.

ー Vou chegar mais tarde hoje, não me espere acordado, não quero que se canse.

ー Tudo bem. 

Afinal, aquilo vinha acontecendo com frequência o bastante para se acostumar.

ー Um beijo. 

ー Beijo. ー Devolveu sem emoção. 

Suspirou fundo dando de ombros. Pelo menos ele ligara para avisar. 

Jongin observou a contra gosto como seu corpo tinha reagido a voz do marido; seu coração estava acelerado e a pele sensível a qualquer estímulo, como se estivesse esperando para ser tocada. Droga. Ele daria tudo por uma boa noite de sexo. Aquela seria uma noite que teria que se satisfazer sozinho. De novo


O que anda fazendo agora, caro Pretence?

Sr. Holmes. 


A mensagem apareceu na tela do seu celular. Aquele era um péssimo momento.


Pensando.

Pretence.

Em

Sr. Holmes.


Não vou te falar.

Pretence.


Você é cruel. Eu deveria te abandonar. 

Sr. Holmes.


E por que ainda não fez isso? Teve quatro meses, desde que conversamos para você desistir.

Pretence.


Porque eu estava pensando se você não queria fugir comigo antes.

Sr. Holmes. 


Jongin leu e releu a mensagem para tentar ter certeza de que não era uma pegadinha da sua mente.


Você enlouqueceu de vez.

Pretence.

Fugir no meu caso não adiantaria nada, sem contar que eu não te conheço

Pretence.


Poderia não adiantar mas pelo menos seria divertido. Já foi ver as dunas no Cabo

Sr. Holmes. 

E para seu conhecimento eu sou muito bonito.

Sr. Holmes. 


Nunca fui ver essas dunas.

Pretence.

Para de ser louco, e fazer essas propostas absurdas. Eu não vou aceitar.

Pretence.


Nem se eu te pagar um drink? Uma Pinã Colada?

Sr. Holmes.


Jongin sorriu.


Talvez eu aceitasse.

Pretence.


Bom saber.

Sr. Holmes.


Jongin deixou o celular de lado e respirou fundo, chocado.

SANTO DEUS. 

Era impressão sua ou ele tinha acabado de flertar por mensagens com outro cara? Logo com o Sr. Holmes. Uma das suas melhores companhias. Jongin se sentiu tonto, de repente. Ele tinha que chegar em casa logo. O mais rápido possível, e se satisfazer com igual urgência. 

E sabia muito bem que nada apagaria o deslize que tinha cometido tanto com o marido quanto com o Sr. Holmes. Jongin sentia que lentamente perdia o fio do controle da sua vida.

  





Notas Finais


Então é isso por enquanto. Tem muitas coisas pra acontecer ainda, eu espero que acompanhem até lá. E então, o que estão achando até aqui?


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...