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História PINK - ji.kook - Capítulo 1


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Notas do Autor


Ala, a louca de novo

Capítulo 1 - Desconhecido abusado


Nós, quando crianças, sonhamos com o nosso futuro, fantasiamos uma vida adulta onde se é rico e se mora em uma casa grande com empregados. 

Onde nós cursamos algo grandioso como medicina ou, sei lá, engenharia e somos reconhecidos por nosso grandioso trabalho, fazendo aquilo que gostamos. Mas então nós crescemos, entramos no ensino médio e não sabemos o que fazer da nossa própria vida.

Em pleno último ano escolar eu estou tão atolado em atividades que mal vejo o tapete em que estou sentado de tantos cadernos e livros espalhados por ele. E veja bem, é uma noite de sexta-feira. Não que eu seja o tipo de pessoa que adora sair, beber e beijar bocas, longe de mim. Mas tirar a cara dos livros de vez em quando não mata ninguém. Claro que pedir uma pizza e comer sozinho enquanto se ouve Justin Bieber também é uma ótima opção.

Mas eu preciso focar nos estudos, não só porque faltei durante os últimos três dias por causa de uma crise de renite alérgica em que toda a minha cara ficou vermelha, como também porque esse é um ano decisivo e tenho quase certeza que não sou o único pensando assim. Os alunos do último ano da Yonkai estão divididos entre estudar como loucos para o vestibular e em deixar tudo na mão do universo e curtir o resto de sua juventude antes de vida universitária. Não julgo. Dos meus amigos, acredito que eu seja o mais preocupado com o vestibular mesmo que ainda não tenha encontrado algo que me chame a atenção para uma futura carreira, os outros estão focados nos estudos tanto quanto na vida alheia dos estudantes da Yonkai, e com "outros" eu me refiro a...

─ Cê já tá sabendo do aluno novo, amigo do Namjoon? ─ Esse, que entrou no meu quarto sem ter a mínima decência de bater na porta é Kim Taehyung, meu primo e também a pessoa mais avoada e estilosa que eu conheço. O que não anula ele entrar no quarto dos outros sem bater.

─ Não, não tô sabendo. E eu podia estar pelado, sabia? ─ eu disse, jogando uma das almofadas da cama no seu rosto e vendo ele fazer uma careta enquanto dizia "como se eu já não tivesse visto"

Taehyung se aproximou de mim com a almofada nas mãos e se sentou em posição de índio em minha cama, fez sua melhor cara empolgada e disparou:

─ Ele chegou na quarta-feira e olha, já tem todas as garotas aos seus pés. Não vou negar, ele é bem bonito. Eu pegava. ─ Fechou a fala com um olhar sonhador e suspirou dramaticamente. Veja bem, Tae é o tipo de cara que se piscar pra alguém, a pessoa se apaixona. 

É a beleza minha gente.

─ Vai na fé. 

Não me leve a mal, eu realmente estou interessado no assunto, mas o cansaço tá me vencendo, sabe? Estudar cansa. Cansa tanto que eu desisti e me deitei junto a ele na cama, o que Taehyung levou como um ato positivo para que continuasse falando. Sério, desde que me entendo por gente ele é sempre animado com qualquer assunto, se você deixar, ele fala até sobre formigas, mesmo que seu assunto preferido seja Yeontan, seu cachorrinho que foi adotado à alguns anos. E esse ânimo todo é uma de suas melhores qualidades.

─ Então, Namjoon disse que ele morava em Busan e que veio pra cá porque se desentendeu com a família. Eles se conhecem a muito tempo e acho até que a gente já deve ter ouvido o Jonnie falar sobre ele e não prestamos atenção. ─ É um ponto bem válido, depois que Namjoon virou cunhado de Taehyung ele passou a andar sempre com a gente, mas as vezes nós simplesmente não conseguimos acompanhar tudo o que fala. Não de propósito claro. ─ Você tem que ver. ─ Continuou ─, parece que o cara é de outro mundo, a gente precisa conhecer ele.

Ele parecia tão animado enquanto falava que eu podia jurar que já era o novo crush de Taehyung, embora eu saiba que é necessário ter um nível bem alto no quesito "interessante" para se estar nesse cargo de crush de Kim Taehyung, porque como eu disse, ele é o cara. Não que eu esteja desmerecendo alguém e principalmente o aluno novo que eu não conheço, apenas sei que meu priminho é um homem difícil de ser fisgado.

─ Como é o nome dele? ─ Perguntei, afinal, eu queria saber pelo menos o básico para prestar atenção nas fofocas do dia seguinte pelos corredores.

Park Jimin. E ele é da sua sala.



Ora, ora, se não temos um Jeon Jungkook batendo na porta da sala de aula, atrasado, só na cara e na coragem. Maldita atividade enorme de matemática! Não acredito que fui dormir de madrugada resolvendo essa porcaria pra no outro dia me atrasar justo na aula pra entregar ela. Eu mereço.

Quando o Professor Hyuk abriu a porta, sua típica carranca me fez dar uma risada nervosa do tipo "rir pra não chorar", seus braços cruzaram sob o peito e ele arrumou os óculos no rosto antes de me olhar com desdém e abrir a boca falando alto propositalmente, como sempre fazia quando alguém se atrasava.

─ Parece que alguém perdeu a hora, não foi, Sr. Jeon!? ─ Sua voz soou com arrogância e eu quis me encolher enquanto segurava forte as alças da mochila.

─ Me perdoe, professor... ─ Minha voz saiu tão baixa que eu jurava de pé junto que ninguém ouviu, nem mesmo ele. Logo depois ele se afastou me deixando entrar e ainda pude ouvir um resmungo sobre eu ser um irresponsável.

Poxa Deus, custava me fazer com um sono mais leve.

Depois de toda a vergonha eu nem tive coragem de olhar pra turma e só andei em direção a minha cadeira que ficava na fileira da janela, sendo ironicamente na frente do professor devido a linda miopia que vive comigo desde pequeno. Mesmo que eu use lentes de contato na maior parte do tempo, prefiro sentar o mais próximo possível.

Professor Hyuk continuou a falar, de vez em quando me dando umas olhadas desconfiadas mesmo vendo que eu estava corrigindo a porcaria do exercício. Esse cara vai pegar no meu pé até quando eu sair daqui, tenho certeza.

No meio da aula, o celular vibrou no meu bolso. O tirei com todo cuidado e li pela barra de notificação antes que aquele velho me pegasse.

• Você tem uma nova mensagem de Tata •

| E aí? O que achou da nova estrela da Yonkai ?

Meu Deus, o quê?

─ Senhor Jeon. ─ Ouvi o professor me chamar e rapidamente olhei. Será que que fui pego? ─ Como esteve doente na última semana, cabe a mim lhe informar, temos um aluno novo na turma, espero que se dê bem com o senhor Park. 

Ah.

Pude ouvir um burburinho pela sala e franzi o cenho. Aluno novo gente, e daí?

Então uma bolinha de papel parou em minha mesa e eu a olhei confuso, não estávamos em avaliação para ninguém querer minhas respostas. A desdobrei e pude ver um Hangul escrito em caneta preta.

" Se atrasa sempre, Sr. Jeon? 

Por: Sr. Park "

Agora pronto.

Eu tentei, realmente tentei continuar prestando atenção naquela voz de locutor de rádio que soava da boca daquele homem na minha frente, mas a minha perna balançava tão forte que eu podia ouvir na minha cabeça o barulho que ela fazia. Veja bem, eu sou movido por curiosidade e realmente queria saber porque bulhufas esse cara resolveu tacar esse negócio em mim, assim, de graça, sendo que provavelmente a gente não vai se falar mais do que um "me empresta uma caneta?" "Aqui." "obrigada".

Me virei minimamente, como quem não quer nada, com a intenção de matar ao menos um por cento daquilo que me corroía e então eu o vi pela primeira vez, o analisando de cima para baixo.

Ele usava um converse vermelho e mantinha as pernas abertas, uma calça jeans de lavagem clara e com grandes rasgos nos joelhos marcavam o torneamento de suas coxas, seus braços estavam relaxadamente deixados entre o meio de suas pernas e pude notar que o grande moletom preto possuía algumas frases coloridas aos quais eu não identifiquei e que as mangas cobriam os seus dedos inquietos. Subi mais minha visão notando que a roupa de cima parecia larga para ele, mas o deixava com um ar despojado e quando finalmente olhei para seu rosto...

Uau.

Park Jimin possuía uma beleza diferenciada.

Seu rosto bem definido e marcado era dono de bochechas um tanto grandinhas e de um nariz fino e delicado, o que de certo forma não condizia com seus lábios cheinhos e rosados que formavam um sorriso presunçoso, seus olhos, puxadinhos e castanhos, concentrados. Uma combinação que não deveria ser bonita mas que parece combinar perfeitamente com ele. E então me dei conta de uma coisa.

Seus cabelos vibravam em um rosa bagunçado.

Me pergunto como não o notei quando entrei, isso com certeza o diferencia de todos dos outros dentro desta sala, já que a maioria possui cabelos escuros e/ou loiros com química.

Talvez eu deva ter ficado algum tempo processando como um ser humano é capaz de combinar tão bem com uma cor de cabelo e em como mesmo com miopia eu podia notar que já era um cor de rosa desbotado, levando em conta que ele me olhou. Me olhou tão certeiro que eu quase tive um susto, desviando o olhar logo em seguida, podendo ouvir alguém soltar um risinho baixo do fundo da sala.

Olha a audácia.



Quando o sinal para o intervalo da manhã tocou eu dei graças ao universo já que por sair atrasado não tive tempo de comer nada decente e cá entre nós, maçã não segura ninguém.

Juntei todo o material e guardei uma nota mental ─ que provavelmente eu iria esquecer ─ para dar uma revisada nos assuntos que perdi da semana passada e assim que terminei saí da sala em direção ao refeitório tentando enxergar algum dos meus amigos em meio àquele amontoado de gente faminta. Falhei miseravelmente.

Cansado e com fome, apenas comprei uma coisa qualquer e procurei um lugar vago para sentar. Uma hora ou outra eles iriam aparecer de qualquer jeito. 

Acabei achando um lugar meio vazio ao lado do refeitório e me sentei lá pelo chão mesmo, em um colégio cheio de adolescentes, as vezes é raro achar um lugar "calmo".

Do meu cantinho eu observava as pessoas passarem com seus lanche e rirem com seus amigos. Tudo estava tranquilo, até mesmo agradável, se não fosse aquele cheiro insuportável.

─ Cê não tem vergonha de fumar aqui, não? ─ Eu disse, puto. 

Um pouco distante de onde eu sentei, uma coluna de concreto segurava a cobertura do colégio e também tampava a minha visão, infelizmente a fumaça de cigarro do ser humano atrás do pilar não era tampada por ela e digamos que eu prefiro não morrer de tuberculose por ser fumante passivo.

─ Não estou fazendo nada de errado pra ter vergonha. ─ A pessoa, cujo identifiquei como um garoto pela voz, me respondeu ainda no mesmo lugar. Revirei os olhos.

Olhe moço, tá errado sim.

─ Você poderia, por favor, fumar em outro lugar? A fumaça me incomoda. ─ Tentei mais uma vez.

Dessa vez a pessoa riu e enquanto mais um pouco de fumaça batia na minha cara, eu pude ver quem era e não sei se engasguei mais com a fumaça ou com o nervosismo. Vai que a pessoa me bate?

─ Por que não respondeu o meu bilhetinho? ─ Vejam só, se o futuro tuberculoso não é o que me acertou com uma bola de papel.

Vale ser ressaltado que ele é dono de uma voz fina e calma, totalmente o contrário da sua expressão presunçosa.

─ Não te conheço e sinceramente, só te olhei por pura curiosidade. ─ Me arrumei, encostando-me na parede. Ele se aproximou, ainda com o cigarro em mãos.

─ Não gosto de ser ignorado. 

Quase o Christian Grey.

Pena que eu não sou a Anastácia.

─ Problema seu, Park. Poderia, por favor, não fumar aqui agora? 

Ele franziu o cenho, como se procurasse o erro. Cínico.

─ Não estou fazendo nada de errado. ─ repetiu.

O garoto deu um tragada, soltou a fumaça devagar e continuou a me olhar como se pudesse ver toda a minha alma de tão profundo que seus olhos pareciam. O esfumado de maquiagem ao redor de seus olhos deixava tudo ainda pior.

─ Está fazendo a si mesmo. E a mim, tecnicamente. 

─ Depende do ponto de vista. ─ E então deu de ombros e saiu, dando mais uma tragada e deixando que a fumaça fosse levada pelo vento.

Me lembrei da mensagem de mais cedo.

• Chat com Tata • 

| E aí? O que achou da nova estrela da Yonkai ?

Um idiota abusado. |






Notas Finais


Então é isso


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