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História Piscar de olhos - Capítulo 22


Escrita por: e XeroxHelmans


Capítulo 22 - E Scorpius amava Alvo


Fanfic / Fanfiction Piscar de olhos - Capítulo 22 - E Scorpius amava Alvo

O ANIVERSÁRIO DE ALVO FORA UM DOS MOMENTOS MAIS MELANCÓLICOS DE SUA VIDA. Marcado por seu estado incontestável de tristeza, estava após um estressante e trágico ano voltando para a sua casa; estar novamente no expresso de Hogwarts trouxera ao garoto uma profunda sensação de ambivalência. Ao olhar para a janela, do vagão que estava sentado, observou a paisagem que mudava conforme o movimentar do trem. Ainda assim, não se sentia exatamente reflexivo; estava em algo semelhante a um estado de paralisia mental — sequer conseguia raciocinar com êxito. Olhou para o caderno em suas mãos: fazia meses que não o tocava. Simplesmente pelo seu desinteresse, não tivera mais tempo de continuar com a sua paixão, as palavras. Mais especificamente, aquele era o seu caderno de poesias. Abriu-o e sentiu a pena em sua mão; aquela edição não precisava ser recarregada constantemente com tinta. Parecia que a modernidade chegava a passos lentos no mundo bruxo. Ele começou a escrever palavras que surgiam assustadoramente sem nenhuma dificuldade:

Semelhante aos lírios do campo,
teu olhar delírio me causava.
As margaridas, ora empalidecidas, não instantânea alegria me trazem.
O céu parece brilhar menos sem você aqui.

Que bobagem! Se questionava do seu talento, afinal. Não que duvidasse de sua capacidade; entretanto, parecia faltar algo. Algo especial. Reformulando, parecia faltar alguém. É, estava profundamente magoado. Sentia, sem a menor sombra de dúvidas, uma falta de Scorpius. Rasgou a página; pôs-se, destrambelhado, a olhar para a janela, novamente. Enquanto isso, uma lágrima caia sobre o seu rosto. Quase que na mesma velocidade que a lágrima caía, molhando seu rosto e amargurando seu coração, lembrou-se dos acontecimentos dos últimos dias. Suas memórias eram confusas e embaralhadas, entretanto, conseguia se lembrar de algo em específico: uma vez, havia lido num livro que durante situações de estresse físico ou emocional, as pessoas costumam, comumente, perder sua noção do tempo. Ligando um pouco essa frase à sua realidade, imaginou que aquilo ocorrera com o pai de Scorpius, Draco Malfoy. Talvez, ao saber da morte de seu filho, o que foram apenas alguns minutos, ou segundos, lhe pareceram horas. Ah! Era quase como uma infernal e agonizante eternidade. Alvo não sabia ao certo quanto tempo Draco havia levado para chegar a Hogwarts. E, ainda mais, Draco sabia muito menos quanto tempo havia se passado desde que recebera àquela mensagem urgente, exigindo sua presença na escola o mais rápido possível. Alvo continuou a lembrar-se: o homem tropeçou, entre gritos, chamando seu filho. Vociferou-se; Harry Potter chegou estupefato, e tentou acompanhar tudo com os olhos. Minerva McGonagall tentava controlar a situação, falhando miseravelmente.

— Saia da minha frente, Potter — ordenou — McGonagall, onde está ele? Onde está meu filho?

— Draco… — ela disse, tentando o acalmar.  

Uma sensação de profundo medo havia encharcado Draco. Um pressentimento estranho, a princípio. Algo difícil de explicar, algo semelhante a um aperto no peito. Ele não está mais entre nós, ouviu. Draco caiu, de joelhos, como se tivesse sido atingido em cheio por uma adaga que perfurava suas costas. O relativo silêncio fúnebre prosseguiu, por alguns momentos. Os ruídos se tornaram mais altos que provavelmente eram: o som das gotas d'água caindo, lá fora, com um tenebroso chuviscar. Uma ampulheta e o tique-taque de um relógio na parede. Todos esses sons pareciam formar uma sinfonia profana, causando uma agonia infindável no homem.

— Onde ele está?

— Draco, se acalme. — pediu, pacientemente a professora McGonagall. 

— Me acalmar? Me acalmar? — Ele gritou, enfurecido. — Como você pode pedir isso? Meu filho está morto e você mais do que ninguém deveria entender como é perder alguém.

Alvo sequer havia reparado quando seu pai gritou, em contra resposta a Draco. Você não precisa descontar na Minerva, porra! O homem mais velho disse. Tal-qualmente, Alvo não entendera quando Draco esmurrou o peitoral de Harry, e este respondeu-lhe com um murro no seu queixo. Eu entendo que você esteja chateado! Harry afirmou. Draco o socou novamente: os dois embarcaram numa luta corporal. Minerva deu um grito, os repreendendo. De súbito, Alvo — que apenas observava em terceira pessoa — notou que Minerva era capaz de fazer uma estranha magia paralisante sem varinha: estendeu seu punho e o apertou, de repente, tanto Harry quanto Draco estavam imóveis.

Alvo suspirou, desvencilhando sua atenção de suas lembranças. Maldição, tentou fechar os olhos; a única coisa que se deparava quando fazia isso eram as recordações dolorosas do funeral de seu melhor amigo e também seu amor.

Ah, era óbvio que existia amor! Tudo bem, eles tinham onze anos e não sabiam o significado da palavra amor. Embora isso fosse incontestável e que os dois fossem imaturos demais para lidar com sentimentos, o amor existia. Apenas não sabiam como chamar aquilo, mas existia.

Ele não percebeu quando mergulhou num sono atordoante, agarrado em seu caderno.

[...]

— Sabe, com toda essa situação esse aniversário deve estar especialmente difícil para o Alvo. — Comentou Ted.

— Eu imagino. — James disse, fazendo um cafuné no cabelo azul de Teddy. — Ele não deveria estar passando por isso.

— Ninguém deveria perder alguém. —  Ted sorriu melancólico.

Eles ficaram em silêncio por um tempo. James chegou mais perto de Ted Lupin; ele baixou os olhos para James.

— Estou a fim de te dar um beijo na boca. — Ted comentou olhando para alguma mancha invisível no chão.

— Não faça isso.

— Está com medo que algum de seus amiguinhos chegue aqui e pense que você gosta de homem?

— Neste exato momento eu não quero chamar atenção.

— Certo, talvez algum dos gêmeos Scamander esteja disponível. — Ted provocou o moreno, que se remexeu.

James esperou alguns minutos antes de encarar o rapaz de cabelos azuis.

— Você estava a fim de me beijar na boca, não?

Ted olhou para ele, surpreso.

— Era para implicar com você.

James se ergueu na ponta dos pés, puxou o rosto de Ted para perto do seu e lhe deu um belo beijo que durou alguns minutos até eles perderem o fôlego.

— Você é completamente maluco — exclamou Teddy.

[...]

Finalmente chegar até a estação 9¾, onde tudo começara, trouxe uma sensação esquisita de impotência para Alvo; atravessou a parede, roboticamente, e avistou o seu pai. Após toda a confusão que se envolveu, rever o pai era uma sensação confusa de felicidade e ao mesmo tempo melancolia, dadas às circunstâncias.

O garoto não disse sequer uma palavra quando entrou no carro; Harry tentou parabenizá-lo e estendeu uma caixinha contendo um presente de aniversário. Alvo pegou-a, examinou por alguns instantes, mas por fim bufou e deixou-a num canto. Harry perguntou sobre como tinha sido o ano: horrível. Depois de um tempo, tentou ligar uma música — Alvo bufou novamente —, e o patriarca da família desligou o som.

Harry perguntou para ninguém em específico como estava indo o seu afilhado, Ted. Por um estranho motivo, James corou até a raiz dos cabelos. Aquelas férias seriam demasiadas longas, concluiu Alvo vagamente.


Ao chegar em sua casa, Alvo olhou melancólico a moradia. Ela não trazia a impressão descer uma casa luxuosa, e realmente não era. Nem um pouco exuberante, em comparação com a mansão do sr. Malfoy. Uma casa simples, até. Entretanto, ideal para pessoas como Harry Potter e Ginevra Weasley morarem. Alvo entrou; disse um olá, sem emoção para a sua mãe. A ruiva tentou lhe dar um abraço, que Alvo aceitou; ela estava totalmente perdida em relação ao que fazer com o seu filho. Ela deveria lhe dar apoio emocional, certo, mas como fazer isso sem soar invasiva? James estava arrumando seus malões, despachando seus objetos e coisas pessoais.

 Alvo subiu as escadas e entrou no seu quarto, onde encontrou Lily com uma decoração que era de certo modo fofo e estranho; escrito em papel higiênico haviam as inscrições, feitas em diferentes cores de caneta: "seja bem-vindo, Alvo". Ele sorriu, quando Lily mostrou um bolo de chocolate — queimado, mas isso era insignificante no momento.

— Eu mesma fiz. — pontuou, abraçando o irmão. 

Lily, em sua atual conjectura de irmã mais nova pouco sabia do que realmente havia ocorrido: apenas tinha sido noticiada de fragmentos da realidade, o que lhe causou uma indignação. Eles achavam que ela era uma completa tapada? Não, não. De forma alguma: pessoalmente se responsabilizou de descobrir a verdade. Meias-verdades eram cansativas e, arriscava em dizer, mentiras inacabadas. 

Tudo bem que tivesse ainda dez anos, mas não era nenhuma tola! Eles achavam que ela ficaria eternamente no escuro? Não, não senhor. Sabendo finalmente de todos os ocorridos, ocupou-se em planejar algo decente para receber seu irmão. Mesmo que um papel higiênico servindo como uma fita não fosse o mais convencional, ela julgava que estava adequado, muito bem, obrigado.

Alvo, por outro lado, tentava dissimular sua tristeza, falhando miseravelmente. Ainda mortificado pelas coisas que vira, ele não disse uma só palavras sobre o ocorrido. Exceto talvez para dois aurores que coordenaram uma investigação casual, não sentia prazer em conversar sobre aquele trágico acidente.

Ele não tinha força emocional para lidar com isso. Ele sentia-se triste demais, chocado demais, machucado demais. Tudo aquilo era muito para ele poder processar, pra ser franco. Neste ano, ocilara entre profunda felicidade e depressão extrema. Além das outras sensações, como amor, sentimento eufórico, desconfiança, medo, raiva. Raiva esta, principalmente fruto de ter sido traído por alguém que confiara: Delphi Diggory não só matara Scorpius, como também uma parte de si e aquilo era uma ferida aberta.

Mas ela teve o fim que mereceu. Pelo menos, era isso o que Alvo entendera; os rumores eram inconsisos, mas ao que conseguia se concluir era que a mulher fora presa em Azkaban e aguardaria um julgamento onde seria obviamente criminalizada. Sob o efeito da poção da verdade, confessou ter assassinado em movimentos friamente calculados Scorpius Malfoy; mentira que era sobrinha de Amos Diggory — era, na verdade, uma semente de Lorde Voldemort com alguma comensal desprezível. Isto, sem a menor sombra de dúvidas, chocou a todos. Meu Deus, pudera! Queria então, a tal Delphi, trazer lorde das trevas de volta? Assim sendo, o ministério da magia decidiu ocultar a informação da mídia. Fora revelado, então, que a malfeitora relacionada ao assassinato de Scorpius Malfoy era filha de dois comensais que buscava por vingança. Aliás, também foi comprovado que a ministra Hermione Granger só a permitira como alta-inspetora por estar sobre a maldição imperius.

Enfim, sentado no carpete vermelho carmim de seu quarto, comia um pedaço do bolo de chocolate queimado de Lily. Ela disse:

— É verdade que você gosta de meninos? — perguntou. 

Aquilo foi o ápice que Alvo conseguira aguentar. Logo em seguida, lágrimas começaram a escorrer por suas bochechas quase bronzeadas. Para à merda isso de que meninos não deveriam chorar.

Por algum tempo, Lily se questionou se Alvo se sentia mal em gostar de garotos. Que bobagem, pensou. 

— Eu não vejo nada demais nisso — prosseguiu.

— Não é isso. — Alvo ponderou. — Eu acho que preciso de um tempo, saca?

— Tudo bem, Al. — compreensiva, Lily se levantou. — É uma pena que não é possível voltar no tempo, não é?

— Sim, é uma pena. — Alvo concordou.


Notas Finais


o que acharam do poema do Alvo? perdão por esses capítulos meios tristes, prometo que esses já estão chegando no fim… já já o scorpius dá o ar da graça


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