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História Pit-a-Pat - Capítulo 47


Escrita por:


Notas do Autor


Cheguei faltando um minuto pro aniversário acabar? Sim, mas eu decidi HOJE mudar totalmente a estrutura desse extra, então perdoem a enrolada, mas pelo menos entreguei o presente e to satisfeita!

Esse aqui é um extra diferente do anterior. Ele tem um final aberto, pois eu tenho a intenção de fazer dele um Spin-off no final de PaP. Eu tive que omitir muita coisa aqui, já que muitos dos flashbacks de reencarnação desse extra se passam no ultimo arco, então não quero dar spoilers.

Quando PaP terminar vou dar para vocês o restante do Spin-off, mas de certa forma esse capítulo está terminado sim, começo e fim, só vou entregar depois um recheio bem apetitoso :v

Obrigada mais uma vez por toda a jornada a qual vocês me acompanharam. São 4 anos de história, de choros, de desespero e muito drama solangelo, porque o que não falta aqui é drama ruheurehurheu mas eu só tenho a agradecer, à dizer do fundo do meu coração que eu não seria nada sem vocês, essa história não seria nada sem cada um de vocês, e não importa o quanto digam que PaP é bom, ele só é o que é por conta de vocês, hoje e para sempre.

Vocês estão eternizados no meu coração, espero que saibam disso 💜

Boa leitura, espero que gostem!

Capítulo 47 - Extra - Aniversário: Valsa das Flores


Fanfic / Fanfiction Pit-a-Pat - Capítulo 47 - Extra - Aniversário: Valsa das Flores

 

♪♪  ♪♪   ♪♪ 

 

“Eu queria que você se interessasse por mim.” a voz ressoou baixa, intensificando-se pouco a pouco, ecoando em sua mente enevoada “Essa pessoa na sua frente, sem título, sem terras, sem nada além de uma pistola e um chapéu caindo aos pedaços. Essa pessoa que trata tudo como piada, que finge ser diplomata mas adora resolver os problemas nos punhos.”  uma risada vazia eclodiu, pontuando sua frase em frações dolorosas e amargas “Essa pessoa que se apaixona tolamente pelas pessoas erradas.”

A imagem tremeluziu, o rosto do homem desfocado em borrões preto e branco. Ouviu o puxar de ar em um fôlego doloroso, a feição do homem distorcendo-se em pinceladas grosseiras em uma tela vazia. 

“Não justifica, eu sei que não.” a figura mexeu-se, num gesto impulsivo e angustiante, os braços sobre os cabelos escuros e medianos “Eles ainda te machucaram por minha causa, você ainda se arriscou por um mentiroso enganador porque você vê algo em mim que eu não vejo mais.”

Algo dentro de Will se partia pouco a pouco, o diálogo intrínseco em seu peito doloroso. Queria responder, perguntar seu nome, conhecer seu rosto; desejava entender suas angústias e pesares, ser um confidente de tanta dor, mas não conseguia se mexer ou falar, era um espectador em sua própria mente.

“Essa parte da minha vida foi a única coisa que eu quis omitir, até mesmo sobre o --- eu falei… Eu…” a voz parou abruptamente, encolhendo-se em si própria. 

Precisava abraçá-lo, precisava fazer alguma coisa. Aquela imagem doía tanto, destruía seu peito, corroia seus pensamentos sem foco e perdidos em tanta angústia. Por que ele estava em agonia? Por que Will se sentia machucado, esfaqueado impiedosamente ao ouvir o quebrantar de sua voz rouca e suave? Quem era aquele que detinha de seu mais puro afeto?

Por favor, alguém o salve!


 

Subúrbio de Milão — 03:24 da manhã

 

Will despertou do sono, encarando o teto de seu apartamento com os olhos embaçados e cansados. Levou sua mão até seu rosto úmido pelas lágrimas ainda frescas que desciam por seus olhos inchados. Suspirou, virando-se na cama, escondendo o rosto no travesseiro em um vazio agudo e pesado. 

Queria acabar com aqueles sonhos, esquecê-los como a maioria de seus sonhos ao longo de sua vida, mas estes nunca iam embora. Eram uma coleção, um pacote presenteado à Will em fragmentos dolorosos e enevoados de alguém tão perdido em sua própria dor que se tornava difícil separar o sonho do real. 

A angústia em sua voz, o quebrantar de suas frases invadiram sua mente pouco a pouco, como se fizesse parte daquele diálogo, como se soubesse as respostas e o que seria dito depois; um filme antigo passando por seus olhos fechados. 

“Me desculpa.” a voz ecoou suplicante; tão quebrada, tão frágil. Algo dentro de Will se quebrou, irrompendo em água e dor por seu rosto rubro e sensível. 

Encolheu-se na cama, escondendo-se sob as cobertas grossas de uma madrugada fria do inverno italiano.


 

Centro de Milão — 06:10 da manhã

 

Seu corpo inteiro reclamava de dor ao despertar do sono. A meia luz que entrava pela janela indicava as únicas duas horas de sono que conseguiu ter antes do sol nascer. Recusava-se a olhar o relógio, ou pras benditas seis horas que acordava automaticamente todos os dias. 

Nico se virou na cama, afundando-se nos cobertores grossos e aconchegantes no calor enjaulado na cama. Suspirou profundamente, esticando o braço para o outro lado da cama de casal, em um gesto automático e aflito ao passar a palma pelo lençol gelado e vazio; que se manteve vazio pelas últimas duas décadas e meia. 

Sentiu-se despertar um pouco com o sentimento repentinamente angustiante em seu peito, forçando-o a afastar as memórias invasivas de sua mente sabotadora. Ele não estava ali e provavelmente nunca mais estaria. 

Virou-se para o outro lado, dando as costas para a cama, de frente para a porta aberta de seu quarto, a visão do parapeito do mezanino se tornando sua única companheira na cama repentinamente desconfortável. 

O barulho da porta da frente se abrindo e fechando chamou sua atenção. Por curiosidade, levantou o olhar para o relógio digital na mesa de cabeceira, indicando passar das seis. Franziu o cenho para o horário erguendo-se da cama. 

— Onde ele estava, voltando à essa hora? — resmungou Nico em baixo tom, ficando de pé e caminhando descalço pelo piso quente de madeira. 

Ouviu voz no andar de baixo, aguçando sua curiosidade. Era cedo demais para Jason ligar a televisão, se fosse o caso ouviria umas poucas e boas do violinista cansado da última apresentação noturna. Ao apontar no corredor do mezanino, identificou outra voz o fazendo parar no lugar, congelado. 

— …está em casa? — a voz sussurrou preocupada, o tom rouco delatando seu pouco interesse na pergunta. 

Jason soltou uma risada baixa, divertida. 

— Não, ele teve uma apresentação noturna ontem. Ele normalmente vira o dia no estúdio treinando e volta para casa às dez para dormir. — confirmou, o tom de sua voz decaindo, tornando-se grave e curioso: — Estamos sozinhos.

Nico ficou paralizado no mesmo ponto no batente, obscurecido na penumbra de seu quarto, no ângulo certo onde conseguia ver toda a sala de camarote, incluindo o sofá e os dois sentados nas almofadas largas, seus lábios se tocando sem temor. 

Sentiu sua garganta secar, uma raiva crescendo em seu peito, irradiando no furor em sua pele formigante. Inspirou profundamente antes de exalar, sua expressão austera no instante em que voltou para o quarto. Abriu o estojo do violino, retirando o instrumento e o levando até o mezanino. 

Saiu do quarto em passos leves parando em cima do casal ainda alheio à sua presença. Apoiou o violino em seu ombro direito, encostou o arco nas cordas e desceu com força, as notas agudas desconfortáveis aos ouvidos eclodindo pelas paredes, transformando-se em ecos ruidosos no ambiente silencioso e sufocante. 

O sol iluminava o ambiente, cobrindo-o com uma mortalha no meio do inverno frio. Jason se afastou da moça, como a praga infestada em seu corpo maculado. Nico retirou o arco das cordas, seus olhos gélidos e pesados sobre seu amante mais recente. 

Seu Imediato outrora tão fiel. 

Nico amaldiçoava o deus responsável por seu castigo tão cruel e ardil, por uma memória tão vasta e extensa de pessoas que não mais eram aquelas de séculos atrás; durante guerras nas águas e promessas de sangue duradouras. 

Isso fazia com que as traições pesarem duas vezes mais. 

 

♪♪  ♪♪   ♪♪ 

 

Seu celular só parou de vibrar no instante em que pisou no Illy Caffè na Via Monte Napoleone, no centro de Milão. Retirou as luvas grossas, enfiando-as no casaco de inverno. Avistou Percy antes mesmo de se aproximar da mesa. 

Era sempre uma batalha pessoal encontrar-se com o homem depois que recuperou suas memórias passadas, de eventos que desejou  terem sido filtrados de sua mente; evitando trazer traumas há muito vencidos em seu passado. Mas não, nenhuma memória foi deixada de lado. Nenhuma.

Se inclinou ao lado de Percy, soprando em seu ouvido. O homem se afastou, assustado. Nico alargou um sorriso soturno, sentando-se de frente para o amigo na mesa. 

— Pra que isso?!

— Bom dia. 

— Você é ridículo. — Percy bufou consternado, escondendo-se dentro de seu cachecol farto. Como um tópico californiano, era sensível ao frio europeu: — E cadê o Jason?

— Empacotando suas coisas. — respondeu solene, gesticulando para o garçom. 

Percy esperou que terminasse o pedido antes de questionar. 

— Como assim? Vocês terminaram? O que aconteceu?

Nico suspirou, massageando sua têmpora com certa violência. 

— Ele levou alguém para casa, achou que eu estava no estúdio sendo que avisaram ontem que estaria fechado até depois do almoço. Burro pra caralho. — resmungou irritado, apoiando o rosto em sua palma: — Mandei ele embora. 

— Bom, nunca gostei muito dele mesmo. — admitiu Percy dando de ombros, bebericando de seu mochaccino. 

— Bem que minha mãe me disse para nunca namorar outro violinista. A competição sempre invade a vida pessoal. 

— Acha que foi por rivalidade?

— Acho que ele nunca se interessou de verdade. — foi sua resposta rápida e seca. Seu expresso foi deixado na mesa antes dele continuar: — Mas estou bem com isso, não era nada realmente sério, afinal. 

— Aham, sei. — Percy se limitou a um olhar duvidoso antes tomar outro gole de sua bebida quente: — Ainda procurando aquela pessoa dos seus sonhos? — Percy perguntou, o sorriso suave em seu rosto deixou o ambiente entre eles mais agradável. Nico concordou, pensativo. 

— Sei que é bobagem, mas eu vejo ele, não é só um personagem na minha cabeça. Sei que ele existe, e está em algum lugar por aí. — explicou em baixo tom, expondo segredos preciosos demais para serem ditos em alta voz. 

Percy segurou sua mão por cima da mesa, um gesto amigável e sincero. Nico se esforçou ao máximo para não puxar sua mão para perto de seu corpo. Ele não é o Perseu.

— Eu acho bem romântico. Quando o encontrar apresenta pra mim.  — comentou divertido, voltando para seu café. Nico se ajeitou na cadeira, afastando-se um pouco do amigo, involuntariamente. 

— Então, como está a Annie?

— Ela está bem. O escritório cresceu bastante nos últimos meses com o projeto da galeria de Veneza. Ela vai ter que viajar para lá com frequência, mas parece bem contente. — respondeu Percy, um sorriso orgulhoso no rosto. 

Nico sorriu em resposta. 

— Fico feliz por ela.

— Ah, falando nisso, acharam um navio na costa de Malta e fui chamado para mergulhar e investigar! — a animação em sua voz era quase infantil, mas Nico compreendia a excitação do amigo, era o sonho de sua vida explorar o fundo dos mares atrás de tesouros escondidos; tal qual um pirata: — Um dia ainda vou conseguir permissão para mergulhar nas águas do Caribe, quem sabe achar algum navio pirata não descoberto?!

Seu telefone tocou no meio da conversa, forçando Percy a se levantar e atender. Nico mexeu a colher em seu café, pensativo. 

— Será que conto a localização do Argos II para ele, ou deixo por isso? 

— Estou com o Nico aqui no Illy Caffè, ele terminou com o namorado, ta meio pra baixo, mas tá fingindo que não. — falou Percy ao longe, mas Nico conseguia ouvir ele dali. 

Bufou, consternado. 

— Não, não vou contar. 

 

♪♪  ♪♪   ♪♪ 

 

Nico entrou no estúdio após o almoço, dando de cara com uma Piper transtornada. A amiga era a estilista da peça, coordenando o figurino dos dançarinos e garantindo que Nico entrasse no palco com o cabelo ao menos penteado. Ela parecia nervosa enquanto andava de um lado para o outro, os olhos correndo para o relógio na parede a todo instante enquanto os dançarinos ensaiavam na sala ao lado, monitorados pelo instrutor ao lado deles.

Se aproximou dela com curiosidade, chamando sua atenção com um pigarrear ruidoso. Piper virou o rosto para Nico em choque, segurando-o pelos braços. 

— O Jason saiu da orquestra! — exclamou a amiga em agonia. Nico piscou os olhos, confuso. 

— Ele fez o que--?!

— Ele saiu, pediu para ser retirado na apresentação de hoje, e talvez do restante da temporada. — explicou aflita, soltando-o de seu aperto violento: — Justo agora em nossa primeira apresentação do Quebra-Nozes? Uma peça nova? Como ele pode? Vocês brigaram?

Nico esfregou a nuca, sem saber como responder. Não poderia dizer que foi sua culpa, já que terminar com Jason era mais do que correto e Piper concordaria com ele se soubesse da história toda, mas nunca imaginou que isso o faria sair da orquestra. 

— Nós terminamos, Pips.

A estilista grunhiu, devastada. 

— Por isso que não gostamos quando colegas de trabalho namoram. Se dá certo é só flores e arco-íris, se dá errado é o tártaro na terra! — Piper parou no lugar, esfregando o rosto: — Bom, imagino que tenha tido um bom motivo, não foi sua culpa, só estou nervosa com os figurinos atrasados, a montagem no teatro teve um contratempo, e agora temos um violinista à menos. 

— Podemos dar conta sem ele, sabe disso, pelo menos até acharmos um substituto. — garantiu Nico apoiando sua mão no ombro da amiga: — Até lá, vou praticar mais uma vez com a orquestra. Já chegaram todos?

— Você sempre é o último. — Piper riu, um pouco mais animada: — Passa na minha sala depois que terminar, quero colocar aquele corset em você, vai ficar lindo com o fraque por cima. 

— Confio em você. — garantiu com um sorriso, beijando seu rosto com carinho antes de seguir para o terceiro andar do estúdio. 

Seria o último ensaio antes da apresentação e estavam com um instrumento a menos. Nico imaginava se tinha como começar ainda pior do que já estavam. 

 

♪♪  ♪♪   ♪♪ 

 

— Que concerto? — Will questionou ao entrar na sala dos médicos, sentando-se num dos sofás espalhados na sala. 

Lou Ellen sentou ao seu lado, uma ficha de paciente em sua mão. 

— Um concerto do Quebra-Nozes no Alla Scala hoje à noite. Parece que vai ter algum violinista famoso ou sei lá quem. Não sou a pessoa mais antenada em música clássica, mas parece uma boa mudança de ares. — respondeu a moça, abrindo a ficha enquanto lia rapidamente a folha de exames. 

— Realmente. — respondeu Will, não prestando muita atenção na conversa, sua cabeça ainda longe com o sonho daquela noite: — Mas se vai ter um violinista famoso, então não tem mais ingressos tão em cima da hora. Os lotes devem ter esgotado meses atrás. 

— É aí que você se engana! — exclamou a amiga, deixando a ficha na mesinha de centro. Will se virou para ela, curioso: — Cecil conseguiu para mim dois ingressos para o concerto. E como ele odeia música clássica ele sugeriu que fossemos juntos, você e eu. 

— Hoje? Meu Deus, Lou, tenho tanta coisa pra fazer. — resmungou em desgosto, esfregando a testa, aflito. 

— Todos temos, mas algumas horas de descontração nunca mataram ninguém! E eu prometi ao Austin que faria você descansar um pouco antes do final de semana. — a amiga comentou divertida, empurrando-o no ombro. Will sorriu. 

— Meu irmão está te dando missões impossíveis agora? 

— Nada é impossível pra mim. — garantiu Lou de forma arrogante, cruzando as pernas ao recostar no sofá: — O Concerto começa às 21, então se arrume logo pra me buscar em casa, não tenho carro. 

Will bufou, mas não recusou a carona para a amiga. Se levantou atrás de um pouco de café e seguiu para seu consultório no final do corredor da clínica particular. Era uma rotina cansativa com um dia na semana de folga, e às vezes esse dia único precisava ser sacrificado em prol da clínica.

Era uma clínica nova, aberta em conjunto entre Lou Ellen, Cecil e William quando saíram da Universidade. A clínica já tinha três anos de serviço, mas ainda era nova e com poucos funcionários para administrar. Ela cresceu rapidamente e se tornou raro para os três conseguirem se juntar em suas folgas com Cecil no escritório e Lou e Will no clínico. 

De toda forma, era um prazer ver os frutos de seu trabalho e esforços ganhando vida na sala de espera quase sempre lotada. Era um ganha-pão verdadeiramente tirado de seus esforços pessoais.

Sentou-se na cadeira em sua sala chamando o próximo paciente. Nicolas Artioli, era o nome. Por algum motivo, aquele nome sempre lhe embrulhava o estômago da forma mais desconfortável possível, relembrando memórias de sonhos distantes e amargos.

Sorriu forçado para o senhor de meia idade que se sentou à sua frente. Will apoiou os braços na mesa e questionou:

— Como posso ajudá-lo, senhor Artioli?


 

— Doutor Solace, ligação para você. — uma das recepcionistas o avisou, apontando para o telefone na parede do corredor de emergência. 

Will franziu o cenho, curioso. Ninguém ligava para ele na clínica, normalmente enviavam mensagens para que pudesse ler entre os intervalos de suas consultas. As únicas pessoas que poderiam ligar eram seus pais, e mesmo assim seria raro. Levantou-se da mesa pegando o telefone do gancho. 

— William Solace. 

“Will!” a voz de seu pai ecoou alegre do outro lado do telefone. Will sorriu largo. 

— Oi pai, aconteceu alguma coisa?

“Não posso mais ligar pro meu filho pra saber como ele está?” 

— Não em horário comercial. — Will zombou, encostando na parede ao lado do telefone.

“Ah, certo, tem razão, mas antes de irmos para assuntos sérios como você está? E os seus amigos?”

— Estamos todos bem. Cansados, precisando de umas férias, mas bem. A clínica cresceu bastante nos últimos tempos. — comentou Will orgulhoso, um sentimento de conquista se espalhando por seu peito. 

“Fico feliz em ouvir isso, Will. Sabia que conseguiriam dar conta da clínica, sempre soube.” comentou seu pai, o tom de voz brando e suave. Will sorriu satisfeito com a aprovação dele “Agora falaremos de negócios. Meu amigo, o Maestro Dandellion, acabou de perder um violinista de sua peça de teatro que estreia hoje, e ele me pediu para emprestar um de meus músicos para suporte.”

Will trocou o peso das pernas, ouvindo seu pai com desconfiança. 

“Eu estou em Paris, como você sabe, e não posso disponibilizar nenhum de meus músicos, o que me sobra você como escolha.”

Will riu, debochado. 

— Pai, eu não sou profissional como você. Eu sei tocar, mas aprender uma peça inteira em um único dia?

“Você consegue e sabe disso. Se tornou médico porque era seu sonho, e tenho muito orgulho de você, mas se tivesse seguido carreira musical teria sido grande. Com sua genialidade seria o destaque da década.” os elogios de seu pai não amenizavam seu desconforto. 

Will conhecia bem suas habilidades, ou sua memória eidética. Poderia decorar as partituras e tocá-las no mesmo dia, mas o ato de tocar era mais difícil de se aprimorar. Decorar? Sim. Tocar perfeitamente sem erro? Isso já estava fora de suas capacidades. 

— Eu fico feliz que tenha pensado em mim, mas não sei se consigo, não posso me comprometer com algo que não vou poder cumprir. Além disso, eu tenho o compromisso com a clínica, não posso dedicar minhas noites à música—

“Eu sei, William.” Apolo o interrompeu, suspirando do outro lado da linha: "Só apareça lá, sim? Tente. Se não conseguir, eles se viram sem o violinista, mas ao menos eu fiz minha parte. Avisarei o Maestro que você não toca há algum tempo, que pode recusar o papel no final do dia. Tudo bem assim?”

Aparentemente não havia como recusar o pedido de seu pai, não quando ele falava com tanta devoção daquele amigo. Will suspirou. 

— Ok, eu vou lá. Que horas?

“Agora seria bom.”

— Urgh, Pai. — Will resmungou, escondendo o rosto em sua mão. Ouviu Apolo rir alto se desculpando antes de avisar que enviaria o endereço no seu telefone e desligou a chamada. 

Tocar em uma orquestra profissional? Naquela mesma noite? Era provavelmente o dia mais conturbado de sua vida, e isso contando a Universidade. 

— Mary. — Will chamou uma das enfermeiras que passava no corredor: — Avise as recepcionistas que estou de saída, para que passem meus pacientes para a Lou ou o Ed, sim?

— Claro, Doutor Solace. 

— Ótimo. — exclamou ao entrar em sua sala novamente, praguejando baixo: — Ótimo.

 

♪♪  ♪♪   ♪♪ 

 

Nico terminou a última parte de seu solo antes de voltar o olhar para o Maestro na porta da sala, conversando nervosamente ao telefone. Ao seu lado, os outros violinistas iniciavam o próximo Ato, mantendo o ritmo da música enquanto os outros instrumentos eram introduzidos com no tempo certo. 

Respirou fundo, apoiando o violino em seu ombro mais uma vez, tocando sua parte. Correu o arco pelas cordas, deslizando com suavidade na cena tranquila e romântica da Valsa das Flores, sua parte favorita.

Inspirou, imerso na música, antes de ser interrompido pelo Maestro. 

— Temos um substituto para hoje, ou pelo menos veremos se ele acompanha a orquestra. — respondeu o homem de quarenta anos, com a expressão um pouco mais aliviada. 

— Para hoje? — Eloíse questionou ao fundo, seu violoncelo confortável em frente ao corpo: — Seria impossível ele decorar tudo em seis horas. 

— Pelo que o Solace me informou, ele tem uma memória magnífica. — garantiu o Maestro Dandellion.

— Solace? o Maestro Apolo Solace? —  questionou Drew em choque, ao mesmo tempo com um tom emocionado. 

Todos conheciam a fama de Apolo Solace e sua carreira musical, de Spalla na flauta e violino à posição de Maestro. Era o sonho de qualquer músico ser escalonado pelo homem, e se havia alguém chegando no estúdio indicado por ele com certeza era um dos melhores. 

Todos se animaram com a informação, aglomerando-se entre si em conversas paralelas e empolgadas. Nico se manteve afastado, olhos distantes na parede oposta à ele.

Apolo Solace, o maior mistério de sua vida desde que suas memórias retornaram. Seria ele a mesma pessoa, ou algum parente distante dos Solace? Havia alguém para herdar o sobrenome sem o Will ou Austin tendo filhos legítimos? Sabia que Will tinha uma tia em Viena na época em que viveu em Ravenna, quatro séculos atrás, mas até onde ouviu falar dela não era casada e sequer tinha filhos.

De toda forma, Nico era atormentado por esse sobrenome desde muito novo, desde a primeira vez que assistiu à um concerto do Apolo em Mônaco, aos quinze anos. Foi uma apresentação magnânima, e absurdamente agoniante. Tantas perguntas correram sua mente naquele concerto, muitas delas impossíveis de enunciar em vogais abertas e amplas. Terminou aquele dia entre choros copiosos em seu quarto e memórias dolorosas de sorrisos doces e toques ainda mais tenros. 

Nico se recordava de detalhes tão pessoais, de momentos tão intrínsecos em sua pele, de olhares sutis e sentir-se acolhido, mas não conseguia se lembrar de seu rosto ou de sua voz. Sonhava com ele todos os dias, mas era como um arquivo antigo e gasto, seu rosto distorcido pelo tempo de uma memória distante e cruel. 

Perdido em seu próprio tempo. 

Respirou fundo afastando as memórias. Se ele seria ou não o pai do Will não importava, ele descobriria um dia. Até lá precisava manter sua sanidade em ordem. 

— Di angelo! — o maestro se aproximou dele, indicando o corredor com a cabeça: — O rapaz novo logo vai chegar, preciso que você treine com ele no privado antes de trazer ele para as bestas. Vão devorá-lo vivo desse jeito. 

Nico voltou o olhar para o grupo de músicos ainda eufóricos com a ideia de trabalhar com um violinista indicado pelo Solace. Nico podia entender a apreensão do Maestro. 

— Preciso que ele consiga tocar o violino, não distribuir autógrafos.

— Sim, senhor. — Nico concordou guardando seu violino no estojo e fechando sua partitura: — Vou para a sala 2-C, tem uma acústica melhor que as outras. 

— Vou avisar a Kayla, pode ir. — O Maestro o dispensou enquanto voltava para os músicos, batendo palmas estrondosas: — Isso aqui não é mais a escola! Vocês são profissionais,  pelo amor de Deus! Voltem ao ensaio! 

Nico fechou a porta atrás dele, cortando o som completamente e entrando no corredor silencioso. Havia algumas pessoas indo e vindo pelo corredor com tecidos, caixas e diversas outras coisas que Nico não saberia como enumerar. O dia da primeira apresentação sempre era o mais agitado de todos, a ansiedade de seus colegas disparava à mil.

Em parte, Nico também se sentia ansioso nesses momentos, mas segurava o nervosismo para quando pisasse no palco sob centenas de olhares abrasivos. Era o momento onde se permitia estremecer ao olhar de estranhos, o sentimento de euforia e ansiedade misturados e confusos dentro de sua mente. 

Antes disso, preferia se focar no instrumento e no sentimento da música. 

Entrou na sala 2-C, mantendo-a fechada. Abriu sua partitura, retirou seu violino e treinou sua parte enquanto esperava o violinista chegar. Fechou os olhos para a música, as notas decoradas, o tempo perfeito, a partitura um mero enfeite à sua frente. Se deixou levar por ela, pelo desafio de suas notas altas, o suave das notas baixas, envolvendo-se na história contada em forma lírica. 

Dez, quinze minutos tocando sem parar, adaptando-se ao cenário musical, com o teatro se formando em sua mente, os dançarinos se encontrando à suas costas, guiados por sua música base como o Spalla que era.

Inclinou-se para trás, num arco suave e imerso, finalizando a última nota antes de afastar o arco do violino, respirando fundo na quietude de sua mente enevoada na calmaria do conto. 

Abriu os olhos outra vez, sentindo-se vigiado. Abaixou o violino voltando-se para a porta aberta, para o rapaz alto parado no batente de olhos arregalados; olhos de um azul celeste que Nico conhecia de cor, como parte de seu próprio corpo. 

Nico precisou segurar o violino firme em sua mão para não soltá-lo ao chão. Puxou o ar com força, abatido com a visão daquilo que buscava nos últimos anos em desespero tão claro e agonizante. 

— Ah, eu… Desculpe, não pude deixar de… eu só… — o rapaz enrolou-se nas palavras, desviando o olhar o mais rápido que pode, desconcertado. 

Nico engoliu o grunhido chocado que queria escapar de seus lábios ao ouvir sua voz tão melodiosa eclodindo em seus ouvidos. Sorriu como não sorria há anos, séculos. Foi como acordar de um sonho longo e eterno, despertando da névoa em sua mente, com memórias ganhando força, vida, rostos e vozes. 

Oh, como sentia falta de ouvi-lo.

 

“Quem é...?” sua voz saiu entrecortada em sua memória, a dor ilusória em sua lateral pontuando contra sua pele machucada.

“William Solace. Médico da região.” a resposta suave ecoou em sua memória, sua voz ganhando forças e firmando-se na imagem intrínseca de Will. Seus cachinhos escapando da fita em seu cabelo, sempre uma desordem.

 

Aproximou-se dele, a mão levemente esticada em sua direção. 

— Tudo bem, estive te esperando. — Há muito tempo, tanto tempo. 

Will voltou a encará-lo, fechando a porta atrás deles. 

— A moça da recepção me mandou vir até esta sala. Sou William Solace, violinista substituto, ou serei se conseguir memorizar a peça. — apresentou-se desengonçado, o sorriso doce pregado em seu rosto. 

Sempre prestativo, independente da era. 

Nico deixou o violino de lado, mexendo em seu cabelo de forma nervosa. Era surreal todo seu desconforto, as borboletas no estômago ou o formigamento em sua pele. Depois de tudo que passaram não eram estranhos;  não deveriam ser estranhos

— Nicollá di Angelo, o Spalla da orquestra. Muito prazer, William. — se introduziu ao antigo amante, estendendo-lhe a mão. 

Will estremeceu visivelmente, o sorriso se tornando forçado. 

— Estarei aos seus cuidados então. — garantiu se afastando de Nico e deixando seu estojo em uma das cadeiras: — Serei honesto, eu não pratico tem um tempo, e meu pai me ligou de Paris me pedindo para substituir alguém na peça. Então, posso não dar conta. 

Nico arqueou a sobrancelha. 

— Não acho que exista algo que não possa fazer. — comentou devagar, voltando-se para seu próprio violino abandonado em uma das cadeiras.

Will sorriu pequeno, mexendo em seu cabelo.

— Bom, veremos. 

Seu violino era belíssimo na coloração branca, com os detalhes pretos destacando-se. Apoiou o instrumento no ombro, dedilhando as cordas e ajustando a afinação. Nico voltou às partituras ao início, mantendo seus olhos em Will. 

Sabia que estava encarando, estava ciente de sua indiscrição, mas olhar era a única coisa que poderia fazer quando sua vontade era de abraçá-lo e nunca mais soltar. Todo o desastre do dia pareceu desaparecer, ofuscado na luz própria que William exalava em sua simples existência. 

— Certo, estou pronto. — Will avisou se aproximando da partitura de Nico: — Se importa?

— Vá em frente, conheço ela de cor. — garantiu Nico, correndo o arco pelas cordas numa última verificação: — Posso?

Will acenou em concordância e Nico começou a tocar, guiando-o pela partitura parte por parte; ato por ato. Foi um exercício árduo que perdurou por algumas horas isolados naquela sala, trocando dicas e conversas sobre o tempo na música e o nervosismo de se apresentar em um teatro imenso. 

De todas as coisas que viu durante as horas ao lado de Will, o que mais chamou a atenção de Nico foi a facilidade com a qual William memorizou a partitura. Era um detalhe dele que não se recordava, sua memória excepcional ao decorar livros e mais livros de medicina antiga sem nunca esquecer sequer um detalhe. 

Não imaginou que um detalhe tão pequeno fosse se tornar uma faísca de esperança para Nico de que, talvez, Will pudesse se lembrar. Não era incomum reencarnações se recordarem de suas vidas passadas, tal qual Nico fez e diversas pessoas famosas ao redor do globo. Muitas viviam vidas comuns, claro, mas havia aquelas que detinham de conhecimentos antigos, as completando como uma só. 

Nico sentia-se desta forma, completo e único com suas memórias de sua vida como Pirata, regozijando de experiências únicas e transcendentais. E por isso ele desejava, com todas as forças que Will pudesse ter o mesmo luxo, mas ainda que nunca se lembre de nada, Nico não se importava. 

Ele estava ao seu lado, e para Nico era o melhor que poderia pedir. 

— Não acho que precise te dizer mais nada, você tocou praticamente tudo. — afirmou Nico, a seriedade em seu tom tornava o ambiente mais sufocante: — Vamos até o Maestro para mostrar suas habilidades no violino. Não sei como vai ser no teatro, tocar com mais pessoas é questão de prática, mas é uma decisão sua, Will. 

O doutor concordou com a cabeça, assimilando as informações dadas ao longo do treino. Batucou a batida no estojo do violino enquanto respirava fundo, concentrado em sua própria mente. Nico se afastou um pouco sem querer incomodá-lo. Recolheu seu instrumento, deixando a partitura nas mãos de Will para que a usasse de guia caso precisasse. 

— Vamos? — sugeriu ao gesticular para a porta. Will abriu os olhos para ele, focado em seu rosto de forma intensa. 

Nico paralisou no lugar, a respiração enroscada em sua garganta. Manteve o contato visual por longos instantes, sentindo o ar pesar ao seu redor. Will ergueu-se da cadeira graciosamente, o olhar confuso e estranhamente calmo seguindo Nico até a porta. 

— Nico… Eu — Will umedeceu os lábios, a expressão angustiada em seu rosto. Nico tombou a cabeça para o lado, em dúvida: — Obrigado. 

Um sorriso forçado se formou em seus lábios. 

— Sempre, Will. — garantiu guiando-o corredor afora, o pulsar em seu peito se tornando intenso e desesperador. 

Nico não se importava de Will nunca se lembrar, mas por Deus, como ele desejava que se recordasse. 

Por favor.

 

♪♪  ♪♪   ♪♪ 

 

— Nervoso? 

Will se virou para Nico no batente da porta. Estava trajado de social com um corset vermelho por baixo. Seu sorriso nostálgico mais uma vez ocupou seu rosto, causando em Will a mesma pontada em sua cabeça. 

— Um pouco, nunca me apresentei antes. — confessou voltando a se encarar no espelho, jogando os cachos para trás em ondas bagunçadas que voltavam para o mesmo lugar. 

Will bufou irritado, se deixando levar pelo momento tenso. Ouviu a risada suave de Nico atrás dele, se aproximando do doutor. 

— Sente, eu arrumo. — gesticulou graciosamente para a cadeira, num ato puramente solidário. Will se questionava como alguém poderia ser gracioso em tudo que fazia, desde o andar à respirar. 

Era surreal. 

— C-claro. — Will pigarreou sentando-se na cadeira. 

Nico passou os dedos por seus cabelos, massageando o couro levemente antes de ajeitar os cachos para trás. Seus dedos corriam leves pelos fios, desembaraçando e acariciando, induzindo-o a uma calmaria arrebatadora. 

Suspirou confortável, imerso em sensações cálidas.

 

Foi puxado pelo braço, sendo forçado a deitar em seu colo. Arregalou os olhos, assustado, observando olhos caramelo que riam de sua reação exagerada. Will sentiu vontade de rir da mesma forma ampla. Seus cabelos negros estavam pendendo para baixo, o deixando ainda mais belo do que antes; uma pintura em tela viva. 

“Aproveite a viagem. Vamos levar uma meia hora, talvez uma hora para chegar onde quero. Descanse.” pediu acariciando seus cabelos delicadamente. Sentiu os dedos correndo por seus cabelos, delicados, calmantes, amorosos.

Sentiu-se respirar fundo, erguendo sua mão até seu rosto, passando os dedos por sua bochecha com afeto. Ele sorriu fechando os olhos e segurando sua mão no lugar, um sentimento quente envolvendo-o naquele gesto tão íntimo. 

 

Despertou de súbito, observando Nico pelo espelho que havia terminado seu cabelo, um sorriso gentil em seu rosto desestruturando-o completamente. A mesma coisa havia acontecido na sala, no instante em que o viu tocando o violino, os olhos fechados e os cabelos longos balançando nos movimentos gentis de seu corpo. Algo ardeu em seu peito, implodiu em chamas e fogo, correndo por suas veias como uma peste em seu ápice. 

Sua mente foi enevoada de memórias, de vozes e risos; os toques em sua mão, os sussurros em seu ouvido, o sorriso gentil e belo, convidativo em seu mais puro ser. Nunca depositou um rosto naquele cujas noites de sono foram tomadas, mas quando o viu mais cedo soube quem era o responsável por sua insônia mais dolorosa. 

Queria questionar se estava bem, se aqueles sonhos eram meramente fantasiosos ou premonições, desejava poder tocá-lo, mas algo em seu corpo gritava para nunca o fazer, para não machucá-lo.

Mas seu nome, no instante em que o ouviu foi quando soube que era real. Que tudo aquilo, de alguma forma, se tornou concreto em um mundo de sonhos abstratos. “Nicollá di Angelo, o Spalla da orquestra. Muito prazer, William”

 

“Nico”

“O que?” perguntou Will encarando-o com curiosidade.

“Meu nome. É Nico.” respondeu ao observar a janela do quarto, deitado numa cama branca e imaculada. Will somente concordou antes de se afastar.


 

Segurou a mão de Nico no lugar, inspirando profundamente. Nico pareceu congelar, seus olhos caramelo pregados nos seus, devorando-o com tudo que tinha, com sentimentos que Will mal conseguia descrever. 

— Dez minutos para começarmos, todos os músicos se dirijam ao fosso. — Kayla gritou enquanto passava por eles: — Nico, venha comigo, por favor.

— Certo, um momento. 

Se afastaram com dificuldades, numa separação dolorosa. 

— Nico, precisamos…

— Eu sei. Depois.

Will concordou com isso se deixando ser guiado pelos outros músicos até o fosso da orquestra. Estremecia com o nervosismo que sentia ao pisar do lado de fora da coxia, olhares de centenas de pessoas sob sua cabeça, mas decidiu que iria conseguir. 

Era  uma peça de três horas, ele podia fazer isso. 

E rezava para estar certo.

 

♪♪  ♪♪   ♪♪ 

 

Ao final do espetáculo, quando todos já haviam deixado o Teatro, Nico o esperava do lado de fora em frente à praça. Estava encostado em sua moto enquanto tragava o cigarro em seus lábios. Will torceu o lábio, contrariado. 

— Isso faz mal, Nico. 

— Eu sei. — garantiu ele com um sorriso ladino no rosto. 

Will rolou os olhos, mantendo-se no silêncio que perdurou por longos segundos intermitentes. Nico somente o encarava, como se esperasse algo de sua parte.

— Então… Não sei bem como começar essa conversa totalmente insana, porque é definitivamente inexplicável que eu te conheça e ao mesmo tempo não faça a menor ideia de quem você seja. — Will explodiu em palavras nervosas. Nico ergueu suas mãos para acalmá-lo, mas Will continuou: — É como se eu conhecesse suas manias, tivesse o direito de questioná-las e abordá-las, mas no final, quando quero dar um nome a você ou ao que sei me encontro sem respostas. Mesmo agora que te encontrei pareço incapaz de associá-lo ao que venho sonhando por anos, ainda que eu saiba que estão conectados! São a mesma pessoa? Uma assombração ardilosa? Por Deus, eu não sei de mais nada.

Nico arregalou os olhos, chocado com sua sinceridade. Will o encarou nos olhos, visivelmente afetado por toda a situação.

— Eu não te conheço, Nico, mas gostaria de conhecer. Eu preciso. — terminou ofegante, esfregando os cabelos ainda presos, soltando alguns de seus cachos sobre seus olhos: — Faz sentido? Você me entende?

O violinista se aproximou do doutor, o sorriso gentil retornando ao seu rosto oliva. Ergueu seus dedos de encontro com os cachos soltos em sua testa, resvalando sua pele com sutileza. Will estremeceu com o gesto delicado.

— Faz total sentido, Will. — Nico sussurrou baixo, tão baixo, como um segredo exposto: — Você é alguém que eu me arrependeria se deixasse ir, porque eu também preciso te conhecer. Me permite?

Will sorriu aliviado, como um peso deixando seus ombros tensos e nervosos depois de toda a conversa e as palavras soltas e sem sentido que depositou em Nico. Iria conversar melhor com ele, explicar seus sonhos em momentos mais pessoais e sigilosos, mas por enquanto aquilo bastava, tinha que bastar. Eram respostas para perguntas antigas demais, longas demais.

Sua mente gritava para que aceitasse seu pedido, como um sussurro ardente em sua cabeça, palavras que não precisavam que fossem sussurradas para sentir que deveria dizê-las. 

— Sempre.

 


Notas Finais


Mds eu to besta porque saiu algo até que bom? reuhruehrue eu amo reencarnação, e vocês?

As cenas em italico (que sao trechos de PaP) estão alteradas para se adaptarem ao que eles veem na cena, ao mesmo tempo em que colocam o peso de conhecerem um ao outro intimamente para fazerem comentários sobre o cenário.

Will confuso, não falando coisa com coisa, mas Nico entendendo tudinho. O que acharam? É um beta do Spin-off, o que vocês podem esperar dele, porque terá alterações SIM. Acho que vão gostar à longo prazo, mas quero saber o agora, é uma ideia boa pro spin-off? Eu saciei um tico da falta de romance de vocês pelos últimos longos e sangrentos capítulos?

Enfim, quero dizer que odeio itálico quando tenho que postar aqui no spirit, mas fazer o que né reuhruehreure

De toda forma, o presente é de vocês, e quando PaP acabar vão ter tantos mimos que vocês vão se cansar de mim ruehrueheurheu esse é um deles. Feliz aniversário pra nós 💜 Daqui em diante só vamos ter capítulos oficiais, bora encerrar logo esse Arco do Ducado e entrar no Ultimo?

Ain, ansiosa estou.

Beijinhos~


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