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História Planeta X AE X-12. - Capítulo 1


Escrita por: e CityLightx


Notas do Autor


Estória escrita por @seungwanpoems / CityLightx;
Capa feita por @xnerbby / CityLightx.

Capítulo 1 - I. As alienígenas do Planeta X AE X-12.


Mais um dia se encerrava e eu já me sentia cansada por saber que no dia seguinte tudo seria praticamente a mesma coisa: acordar cedo com o barulho irritante do meu despertador digital, me arrumar com aquele uniforme cinza sem-graça, escutar minha madrasta reclamar do meu pai enquanto ela dirige o carro para me deixar na escola, ficar com a cara enfiada nos livros e, por fim, tentar fugir dos garotos da escola durante a saída.

Isso mesmo, tentar fugir.

E infelizmente a tentativa de hoje não deu certo.

“Ah, porra!” Praticamente gemi quando senti minha boca queimando por conta do algodão molhado de álcool. Quando a dor se tornou suportável, me permiti colocar os óculos de grau para observar o estrago que tinham feito desta vez. Eu estava com dois cortes no lábio inferior, um hematoma médio perto de minha mandíbula e um pequeno corte no supercílio. Até que não estava tão ruim para uma surra em plena terça-feira. “Esses filhos da puta...” Murmurei com raiva ao lembrar de Jaebeom me segurando pelo colarinho do uniforme enquanto os outros rapazes vasculhavam minha mochila procurando notas de wons para provavelmente comprarem soju escondido com o Senhor Jinsoo, do bar da esquina.

Eu detestava o fato de terem me assumido lésbica — na verdade, praticamente me bicudaram do armário na primeira e única festa que fui do terceiro ano do ensino médio — para toda a escola, o que fez com que as minhas colegas de turma se afastassem automaticamente de mim (com exceção de Moonbyul, que por mais que fosse lésbica e namorasse com uma universitária de Yonsei, não chegou a ser descoberta pelos outros e tampouco foi exposta na escola) e que os rapazes, em especial os valentões da escola, se achassem no direito de me bater por ser “nojenta”. Sem contar que tudo isso começou quando pegaram meu caderno de desenhos, pois eu sempre gostei de fazer desenhos femininos, por assim dizer (para não dizer que a maioria são desenhos eróticos).

Quero dizer, eu já pensei várias e várias vezes em ir até a diretoria reclamar para o Diretor Choi o que está acontecendo, mas por ser uma escola de elite — e por mais que meu pai e minha madrasta tivessem um negócio muito lucrativo, a minha família não tinha tanto dinheiro quanto a de Jaebeom — eu automaticamente seria ignorada e dedurada. E sinceramente? Eu não estava afim de levar mais uma surra na escola por ser X9.

Desisti de encarar meu reflexo no espelho do banheiro e resolvi tomar um longo banho de banheira, de preferência com água morna para relaxar meus músculos. Portanto, tirei aquele uniforme cinza o mais rápido possível e prendi meus cabelos em um coque frouxo, colocando a roupa suja dentro do cesto que mais tarde iria direto para a lavanderia e meus óculos sobre o espaço vago da pia. Chequei a água com minhas mãos e ao constatar que estava na temperatura perfeita, me permiti entrar e deslizar sobre a grande banheira recém-instalada no banheiro do meu quarto.

Eu até pensei que esta terça-feira poderia ser diferente, mas quando percebi as luzes piscando sem parar, algo digno de um filme de terror, meu descanso foi para o ralo. A luz piscou por mais seis vezes e se apagou.

“Que belo dia de merda!” Fui irônica e por já estar acostumada a passar por uma situação ruim atrás da outra, joguei minha cabeça para trás para descansar na almofada acoplada a banheira enquanto a luz não voltava. “Huh?” Franzi o cenho quando senti que o banheiro estava mais quente que o normal e que a banheira parecia ter diminuído. E antes mesmo que eu pudesse sentar novamente para poder pegar meu celular e ligar a lanterna, a luz se acendeu e me deparei com quatro pares de olhos castanhos e brilhantes me encarando. “Agora só me faltava essa... ficar doida!” Sussurrei, pensando que estava vendo coisas.

“Oi, Seulgi!” A menor das quatro — que estavam completamente nuas — se pronunciou e quando a maior delas cutucou minha bochecha com o indicador, eu finalmente percebi que aquilo não era coisa da minha cabeça...

Eu gritei.

E então tudo ficou escuro.

 

[...]

 

“Fique quieta, 136199.” Escutei fracamente uma voz autoritária. “E você, 136108, pare de mexer no armário dela!”

“Mas 134340, as roupas dela parecem ser tão confortáveis! E eu estou com frio por conta desse ar condicionado.” A segunda voz reclamou.

Senti uma pontada em minha cabeça e pressionei os olhos. Eu não lembrava que a voz do meu pai e de minha madrasta tinham ficado tão diferentes assim. E afinal, o que eles estavam fazendo no quarto sendo que deveriam estar em Seul participando de uma feira de exposição de empresas?

“Ei, ei! Vejam só! Ela está acordando!” Agora uma terceira voz se fez presente.

“Fale mais baixo, 90482.” A primeira voz voltou a falar em um tom nada amigável.

Quando finalmente abri meus olhos, precisei de um tempo para me adaptar com a claridade do lugar. Com o tempo, após sentar em minha cama, percebi que estava em meu quarto e até aí tudo bem, mas quando me dei conta que haviam quatro mulheres completamente sem roupa me encarando atentamente, me desesperei novamente.

“Quem são vocês?” Perguntei sem sair debaixo do meu cobertor de Star Wars, como se ele fosse capaz de me proteger das quatro estranhas. “E por que vocês estão peladas?!” Minha voz saiu falha e senti meu rosto corar.

“Oras, não finja que você não gosta do que vê...” A mais baixa das quatro revirou os olhos e eu fiquei encarando os desenhos do meu cobertor, com uma vergonha inexplicável.

“Ai, meu Deus...” Murmurrei. “Se isso for uma pegadinha daqueles imbecis... Se bem que eu nunca vi você na escola, mas... Vindo deles, nada me surpreende.”

“Yah! Você está falando de Jaebeom?” A de cabelos curtos perguntou.

“Eu sabia!” Pulei e fiquei em pé na cama, ainda com meu cobertor envolvendo meu corpo. “Eu sabia que isso era uma brincadeira idiota dele!” Quando a maior cruzou os braços debaixo dos seios — fazendo com que eles ficassem mais volumosos — e me encarou com o cenho franzido, desviei o olhar novamente e voltei a sentar na cama. “Cara, o que ele quer dessa vez? Ele já levou todo meu dinheiro da semana! Além disso, ele é rico! O que é o meu dinheiro do lanche e do ônibus perto do cartão de crédito dele?”

“Calma aí...” A maior perguntou, parecendo pensar. “Você acha que nós somos amigas de Jaebeom?” Disse em um tom ofendido. “Mas nem fodendo! Eu odeio o que aquele idiota faz com você.”

“136108!” A dona da voz autoritária voltou a se pronunciar. “Tenha modos!” Ralhou e a maior deu de ombros. Ela ajeitou os cabelos soltos e suspirou. “Mas que falta de educação da nossa parte...” Se aproximou de mim e eu tive que me controlar para não encarar seu corpo nu. “Eu sou 134340. E essas são 136199.” Apontou para a do meio, que vasculhava minha mochila. “90482.” Apontou para a de cabelos curtos que mexia em meus livros. “E 136108.” Apontou para a maior de todas, que ainda me encarava com um olhar ofendido. “E nós somos do planeta X Æ A-12.”

Quando a que se apresentou como 134340 terminou de falar, comecei a rir. Aquilo era absurdo! Jaebeom e seus amigos idiotas finalmente tinham se superado! Aquilo se enquadrava em que? Invasão de propriedade privada? Eu também poderia alegar que fiquei refém de quatro mulheres? Elas estão nuas, então isso seria uma espécie de atentado ao pudor ou de assédio?

“Eu detesto quando você faz isso...” A menor, 136199, se aproximou com meu caderno de desenhos nas mãos, folheando página por página de forma curiosa. “Ela não vai acreditar em nós nunca, 134340.”

134340 suspirou derrotada: “Você tem razão. Talvez eu devesse pedir para que 15760 aparecesse?”

“Ela se assustaria com o tamanho do 15760. Além disso, nós estamos fugindo dele, do papai e da mamãe, sua idiota.” 90482 finalmente se pronunciou. “E se mostrássemos a ela a nossa nave?”

Me atentei: “Nave? Como assim ‘nave’? De que merda vocês estão falando?! E aliás, como vocês conseguem falar a minha língua?!”

136108 riu: “Nós sabemos milhares de dialetos e línguas, bobinha. Mas sempre estaremos dispostas a conhecer mais uma, se é que você me entende.” Piscou para mim e deu um sorrisinho sacana. Quando entendi sobre o que ela se referia, senti meu rosto esquentar. “Pelo desespero dela, eu até que acho que apresentar nossa nave seria uma boa ideia, 134340...”

134340 se deu por convencida: “Tudo bem. Então vamos para a nave.” E estalou os dedos.

Meu quarto pareceu se comprimir e se expandir várias vezes, além de que senti uma grande ânsia de vômito quando tive a sensação de algo semelhante a um soco no estômago me atingir fortemente. O ar fugiu de meus pulmões e antes mesmo que eu pensasse em pedir socorro, todas aquelas sensações ruins sumiram e tudo voltou a ficar claro.

Ainda desorientada e com falta de ar, levei um tempo para perceber que não estava em meu quarto. Eu estava na suposta ‘nave’ que elas tanto falavam e agora as quatro não estavam mais nuas, pois usavam uma roupa azul muito semelhante com a dos personagens do Quarteto Fantástico nos HQs, mudando apenas os números em branco que estavam estampados próximo ao peito.

“Ta-da!” 134340 abriu os braços e sorriu, como se estivesse me mostrando algo surreal. E, bem, de fato era algo surreal: a suposta ‘nave’ parecia mais uma sala de jogos típica de casa de rico do que uma nave (ao menos o que eu entendo por ‘nave’, com base em todos os filmes de ficção científica e documentários da NASA que já tinha assistido em todos os meus dezessete anos de vida).

“Certo... Eu preciso dormir. Isso é só um sonho doido. Eu definitivamente preciso de uma boa noite de sono!” Fiquei repetindo baixinho para mim mesma várias e várias vezes.

“Eu acho que ela vai desmaiar.”

“Desmaiar? Eu tenho pra mim que ela vai surtar.”

“Eu acho que seria bom levá-la de volta para ca...”

É.

Não teve outra.

Eu simplesmente desmaiei.

De novo.

 

[...]

 

E mais uma vez o meu dia praticamente se repetia: acordei cedo e com uma dor de cabeça insuportável por causa do barulho irritante do meu despertador digital, tomei um longo banho gelado, me arrumei com aquele uniforme cinza ridículo e desci para comer alguma coisa antes de ir para a parada de ônibus. A única diferença da minha rotina, seria que hoje eu não precisaria escutar minha madrasta reclamar do meu pai enquanto ela dirige o carro para me deixar na escola, já que os dois estavam viajando à negócios e sabe-se lá quando retornariam.

A casa estava perfeitamente normal e suspirei aliviada por tudo aquilo não ter passado de um sonho maluco (ou quem sabe não tinha sido um delírio já que eu não andava mentalmente saudável, mas eu preferia acreditar na primeira opção). Quero dizer, eu realmente pensei que tinha sido um sonho até eu me deparar com as quatro sentadas a mesa da cozinha, usando minhas roupas largas de ficar em casa enquanto comiam cereal de chocolate com leite nas tigelas de porcelana da minha madrasta.

“Puta que pariu, cara.” Disse incrédula e as quatro finalmente notaram a minha presença.

“Seulgi! Bom dia, querida!” A de cabelos curtos, que usava o avental azul claro do meu pai, sorriu amorosamente para mim.

“Nós fizemos o seu café da manhã.” A de voz autoritária, que estranhamente usava óculo de grau, apontou para a panela tampada sobre o fogão.

“Eu não entendo muito sobre a culinária da terra, mas pesquisei e vi que vocês costumam comer arroz frito no café da manhã.” A maior de todas respondeu, enfiando mais uma colher de cereal de chocolate na boca. “Isso aqui é muito bom. Como se chama?”

“Cereal.” Respondi incrédula. Eu ainda estava sonhando?

“Você tem aula hoje.” A do meio respondeu. “Então é bom se apressar e comer logo.”

Eu estava em choque e o meu corpo parecia responder no modo automático. Me sentei a mesa e a que usava óculos logo se levantou e foi até um dos armários pegar pratos e talheres, enquanto a de avental pegou a panela para me servir com o arroz frito.

Quando terminaram de me servir, fui surpreendida por dois beijos, um em cada lado do rosto: “Tenha uma boa refeição!” E se sentaram novamente.

Eu comecei a tossir, de vergonha e de nervoso: “Então...” Peguei o garfo e comecei a cutucar o camarão do meu arroz. A comida estava muito cheirosa e aparentava estar apetitosa, mas eu estava sem um pingo de fome. “Tudo aquilo que aconteceu ontem foi real?”

“Claro que sim, boba!” A de cabelos curtos sorriu para mim.

“Mas se vocês são...” Eu não sabia se chamá-las de ‘alienígenas’ ou ‘ETs’ seria ofensivo. “De outro planeta, o que vocês vieram fazer aqui? Digo, por que vocês estão na minha casa? E por que vocês são iguais a qualquer outro ser humano?” E dei a primeira garfada na comida, que estava, de fato, deliciosa.

Era bem melhor do que comer pão de pasta de feijão preta da loja de conveniência que eu sempre tinha no armário da cozinha.

“Porque nós vamos casar com você!” E eu me engasguei.

Senti tapinhas nas minhas costas e quando consegui respirar, praticamente gritei: “O que?! Mas a gente nem se conhece!”

“Errado, Seulgi.” A maior se pronunciou. “Você não nos conhece. Mas te conhecemos bem até demais!”

“Vocês são algum tipo de stalker intergalático?” Ri nervosa.

“A nossa tia é sua professora.” A maior voltou a falar. “O nome que ela atende por aqui é Taeyeon. Você deve conhecê-la. Além disso, vocês que são iguais a nós, bobinha! Nós somos da mesma raça, mas devido a uma variação genética, a capacidade mental e o sistema reprodutor de vocês é inferior ao nossa. Bem, há exceções, mas isso não importa agora.”

“Espera aí... A minha professora de matemática é tia de vocês? Ela é um ET?”

Ela fez uma careta: “Esse nome que vocês nos dão não me agrada nem um pouco.”

“Certo, certo... Desculpe.” Meu apetite parecia ter ido embora, então fiquei apenas encarando minha refeição. “Tudo isso ainda é muito confuso para mim, então como posso ter certeza de que não estou sonhando ou ficando doida? Além disso, o nome de vocês é cheio de números, isso é muito complicado. Se a tia de vocês tem um nome terrestre, vocês também podem, certo?” Falei sem parar.

As quatro pareceram pensar e logo a menor se pronunciou: “Bem, se trocarmos os caracteres do nosso alfabeto pelo de vocês... O meu nome fica Wendy.” 90482 afirmou.

“O meu fica Joohyun.” A de óculos de grau, ou 134340, disse.

“Acho que o meu fica como Yerim, mas vou preferir que me chamem de Yeri.” 136199, que era a do meio, confirmou.

“Mmmh... Sooyoung. Até que não é tão feio assim.” E, por fim, 136108, que era a maior, disse.

“Certo...” Gravei os nomes rapidamente, pois agora estava mais fácil. Apontei para cada uma e repeti: “Wendy, Joohyun, Yeri e Sooyoung. Mas e o sobrenome?”

“Pode ser Kang, já que vamos casar com você.” Yeri disse sem se importar se seu me engasgaria ou não. “Aliás, você vai se atrasar para a aula, Gigi. A 136108, digo... a Sooyoung vai te levar.”

“Ah, tudo bem, eu acho.” Disse, ainda estranhando toda aquela situação. “Mas você sabe dirigir carro?”

Sooyoung riu e mostrou as chaves do carro da minha madrasta: “Eu piloto uma nave, bobinha. Você acha mesmo que eu não saberia dirigir um carro?”

“Certo...” Me levantei, passando as mãos pelo meu uniforme sem-graça e deixando minha refeição quase inteira sobre a mesa. Eu espero que elas não fiquem chateadas por causa disso, mas eu realmente tinha perdido a fome. “Então... Vamos?”

“Boa aula, querida!” Wendy se aproximou de mim e ficou na pontinha dos pés, deixando um casto beijo em meus lábios, me pegando de surpresa. “O que você quer para o almoço? Pode escolher qualquer coisa que eu e a Joohyun vamos preparar para você!”

“Ah!” Conti um grito quando Joohyun abraçou meu braço direito e repetiu o mesmo gesto que Wendy. “Eu... E-Eu... Bem, acho que pode ser samgyeopsal?” Disse incerta e nervosa, mas duas concordaram com um sorriso no rosto.

Sooyoung, que estava impaciente por me esperar na porta de entrada da casa — e eu nem sei como ela trocou minhas roupas de ficar em casa pelas minhas roupas de esporte de forma tão rápida, mas de certa forma as minhas roupas lhe caíram muito bem e ela ficava estranhamente bonita, parecendo até mesmo uma modelo da Adidas ou coisa do tipo — e Joohyun chamou a atenção de Yeri: “Yeri! Venha se despedir de Seulgi.”

Acanhada, ela se levantou e veio até mim e também me beijou, mas seu selinho durou mais tempo do que o de Wendy e Joohyun: “Boa aula.”

Meu cérebro estava a mil e eu apenas me despedi das três com um aceno, me virando para Sooyoung e seguindo a mesma até o carro. Eu estava tão aérea com tudo o que acabou de acontecer que nem percebi quando chegamos no portão da escola. Eu apenas peguei minha mochila, tirei o cinto, desci do carro e fui andando em direção ao portão, agradecendo por não ter chegado atrasada (uma vez que seu eu chegasse fora do horário, a coordenadora não pensaria duas vezes antes de ligar para o meu pai).

“Ei!” Parei de andar quando escutei a voz de Sooyoung. Ela desceu do carro e se aproximou de mim. “Eu esqueci de me despedir de você, idiota.” Riu e colocou meu rosto entre suas grandes mãos, aproximando seus lábios dos meus. Diferente de Yeri, Wendy e Joohyun, Sooyoung realmente me beijou. Movimentou seus lábios sobre os meus com tanta vontade e delicadeza, que eu suspirei triste quando ela cortou o contato. “Boa aula, Gigi!” E se despediu de mim, com um sorriso largo e os olhos formando dois riscos.

E quando ela entrou no carro e deu partida, eu senti meu coração falhar ao menos duas batidas.

Mas que merda estava acontecendo?

 

[...]

 

“Cara, que beijo digno de cinema foi aquele que você deu em frente a escola?” Eu mal sentei em minha cadeira e Moonbyul já me bombardeou de perguntas. “Você não me disse que estava namorando! Quem é ela? Cara, e aquele carrão? Por acaso ela é algum tipo de Sugar Mommy? O seu pai sabe disso? Quantos anos ela tem?”

“Yah! Moonbyul!” Coloquei minhas mãos na boca da minha amiga. Ela estava falando alto demais e as outras meninas da sala já estavam começando a prestar atenção na nossa conversa. “Eu posso te explicar depois? Nem eu estou entendendo o que está acontecendo... A minha cabeça parece que vai explodir!”

“Tudo bem, tudo bem.” Moonbyul tirou o palito do seu pirulito da boca e o jogou dentro do seu estojo escolar, juntando-o com outras dezenas de palitinhos que ali estavam. Antes que ela pudesse perguntar mais alguma coisa, a professora de matemática, Taeyeon, adentrou a sala de aula e os demais alunos ficaram quietos.

Não consegui prestar atenção na aula, pois toda vez que eu olhava para Taeyeon, me lembrava que ela era tia das minhas... noivas? Eu encarava a professora atentamente, tentando encontrar algo como dentes afiados, olhos brilhantes e até mesmo uma cauda, mas me contentei com que Sooyoung disse sobre sermos completamente iguais. Voltei a realidade quando as duas aulas seguidas acabaram e me senti uma completa idiota por não ter copiado nada do quadro, resultando assim em ter que tirar foto do caderno de Moonbyul e sofrer para entender aquela caligrafia desengonçada.

Enquanto eu focava a câmera do celular para o caderno de Moonbyul, a mesma me cutucou repetidas vezes e quando virei para lhe falar um belo palavrão, percebi que ela estava chamando minha atenção para o fato de que a Professora Taeyeon estava bem em minha frente, me encarando com um sorriso divertido.

Pensei que ela me daria uma bronca por estar distraída em sua aula ou até mesmo por não ter copiado o que ela tinha escrito no quadro, mas foi totalmente diferente: “Olá, Seulgi. Acredito que você esteja com muitas dúvidas, correto?” Para quem estava de fora, podia interpretar aquilo como uma reclamação, mas eu entendi perfeitamente o que ela quis dizer. Concordei meio incerta com a cabeça e Taeyeon riu: “Venha, vamos até a sala dos professores conversar um pouco.”

Me levantei, esquecendo totalmente de tirar foto do caderno de Moonbyul. Eu quis rir da cara que minha amiga fez, pois ela com certeza pensaria que a Professora Taeyeon fosse brigar comigo. Eu apenas me certifiquei de guardar meu celular no bolso da calça de educação física e segui a Professora. Ficamos em silêncio durante o caminho todo — na verdade apenas eu permaneci quieta, pois Taeyeon era cumprimentada e cumprimentava os demais Professores e alunos que passavam por ela — até a sala dos professores. Quando chegamos lá, ela se certificou de que estávamos sozinhas para trancar a porta.

“Então, Seulgi...” Taeyeon começou, deixando seu crachá e sua pequena agenda sobre a mesa. “Como tia daquelas quatro pestinhas, sei que elas devem ter te assustado e não devem ter te explicado muita coisa. Então como única representante legal  delas neste planeta, me vejo na obrigação de te explicar algumas coisas.”

Me remexi na cadeira de rodinhas, pensando por onde começar.

“Mmmh... Bem, a Sooyoung disse que nós somos iguais a vocês, mas ela não explicou muita coisa. De que planeta vocês vem? E por que ela elas apareceram completamente nuas no meu quarto? E que história é essa de casamento?”

Taeyeon riu, mas não tardou em começar a explicar: “Bem, existem várias raças em vários planetas. Nem todos são iguais à nós, mas isso não vem ao caso agora. A questão é que há muitos anos, devido uma mutação genética, vimos a nossa espécie ameaçada por conta de que estavam nascendo mais humanos inferiores, que chamamos de Tipo B, do que superiores, que chamamos de Tipo A.” Ela colocou a mão no queixo, como se estivesse pensando. “Como eu posso te explicar isso... Bem, para vocês, nós somos ‘alienígenas’, certo? Mas para nós, vocês são a mesma coisa. Consegue entender?” Concordei com a cabeça. “Então, como estavam nascendo muitos do Tipo B e o Tipo A estava em menor quantidade, nossos ancestrais viram o nosso conhecimento sendo ameaçado pela ignorância do Tipo B. Então criamos uma espécie de clã, aonde estudamos arduamente até conseguir desenvolver tecnologia suficiente para fugir.”

“Certo, isso explica a origem de vocês...” Afirmei. “Mas e as minhas outras perguntas?”

“Calma.” Taeyeon riu da minha pressa. “Sobre elas terem aparecido nuas... Eu tenho certeza que foi alguma ideia maluca de Yerim. Ela adora provocar os outros, principalmente quem ela gosta. Mas não se preocupe, no nosso planeta a nudez é algo normal, então diferente de quem mora aqui, não sentimos vergonha do nosso corpo. Mas também usamos roupas, assim como vocês.” Explicou e lembrei do traje de Quarteto Fantástico que elas apareceram usando na ‘nave’.

“E essa história de casamento? É isso que me deixa mais assustada.”

“Você conhece a lenda japonesa sobre o fio vermelho do destino?” Concordei com a cabeça. “É muito raro de acontecer entre Tipo A e Tipo B, mas é mais raro ainda acontecer entre Tipo A e Tipo AB. Porém me surpreende que tenham sido quatro Tipo A com um Tipo A+.” Franzi o cenho, claramente confusa.

“Mas o que é Tipo A+?”

“Nós temos o Tipo AB, que é quando nasce um filho de alguém do Tipo A com alguém do Tipo B que possui uma das nossas características. Geralmente são pessoas extremamente inteligentes que vocês denominaram como Síndrome de Asperger. Filhos de Tipo A com Tipo B que nascem com características Tipo B, continuam sendo chamados de Tipo B. Agora tem você, que é filha de Tipo A com Tipo B e nasceu Tipo A+, com todas as características do Tipo A. Você possui a mesmas condições mentais e reprodutivas que alguém do Tipo A. Basicamente, você é uma de nós, embora tenha sido criada na Terra.”

“Isso quer dizer que meu pai é Tipo A?”

“Não, Seulgi.” Começou cautelosa e senti o clima ficar mais tenso. “O seu pai é Tipo B e a sua mãe era Tipo A. Mas por conta de complicações na gravidez, além de que a tecnologia de vocês não era, e ainda não é desenvolvida o suficiente, para ser sincera,  sua mãe não resistiu.”

“Ah...” Suspirei. Era realmente o que o meu pai tinha me dito. Bem, talvez omitindo alguns detalhes como o fato de que ela era ‘alienígena’, pois acredito que ele saiba sobre isso, é claro. “Certo... Agora volte a me explicar sobre essa história de casamento.”

“Então... Essa situação de fio vermelho do destino não é algo que eu consigo entender totalmente, mas vocês cinco nasceram para ficar juntas por toda eternidade. E é basicamente isto.”

“Mas como eu vou casar com quatro mulheres que eu mal conheço?!”

“Vocês se conhecem, Seulgi. Pessoalmente só agora, creio eu. Porém você sempre apareceu nos sonhos delas, assim como elas devem ter aparecido de alguma forma inconsciente para você. Em sonhos ou em pensamentos, coisa do tipo.” Explicou e a minha mente deu um estalo.

Eu sempre desenhei Wendy, Joohyun, Sooyoung e Yeri. E talvez fosse por isso que Yeri estava com meu caderno de desenhos em mão na noite anterior. Quero dizer, muitas vezes não chegava a desenhá-las com rosto, mas o esboço de meus desenhos eram praticamente idênticos às minhas noivas: o cabelo curto de Wendy, os óculos de Joohyun, os olhos divertidos de Sooyoung e o sorriso tímido e Yeri.

“Foi a mesma coisa com a minha esposa. Mas não se preocupe, em poucos dias você vai sentir como se vocês fossem conhecidas ou almas gêmeas de vidas passadas e logo você vai querer casar com elas. Eu até vim morar aqui por causa dela...” Taeyeon continuou falando e desta vez retirou uma foto de sua agenda, sorrindo para a imagem. “E até ter filhos!”

“Filhos?!” Perguntei assustada. A ideia de casamento, que antes estava começando a me parecer boa, simplesmente evaporou de minha cabeça.

Taeyeon virou uma fotografia para mim e eu observei a imagem atentamente: era a minha professora com sua esposa e uma criança de aproximadamente cinco anos.

“Outra diferença que temos, além da inteligência, é o nosso sistema reprodutor. Mulheres podem engravidar mulheres, assim como homens podem engravidar homens. Isso também não é muito da minha competência, já que me entendo muito mais com números, mas a nossa mutação nos permite fazer isso sem causar mais alterações físicas, genéticas ou cromossômicas. Eu só te desejo muita sorte e energia para lidar com aquelas quatro mulheres, Seulgi.” E ela riu em alto e bom tom.

“Ah...” Me senti envergonhada com toda essa situação.

Eu não tinha mais perguntas e precisava voltar para a próxima aula — que com certeza já estava no fim, mas Taeyeon escreveu e assinou um bilhete para que eu entregasse a Professora Seohyun, de inglês, para que ela não me repreendesse pelo atraso —, então Taeyeon me liberou e caminhei pelos largos corredores pensando em como os meus dezessete anos de vida tinham virado de  cabeça para baixo em menos de 24 horas.

Agora só tinha um problema.

Um grande problema.

Como eu lidaria com quatro mulheres ao mesmo tempo sendo que eu era virgem?!

 

[...]

 

E ao fim das aulas, por incrível que pareça, Jaebeom e sua gangue não me procuraram. Mas também não quis abusar da sorte, então apenas guardei minhas coisas o mais rápido possível dentro da mochila, me despedi de Moonbyul e fui correndo para o portão da escola afim de chegar logo na parada de ônibus. Mas antes que eu pisasse na calçada, ouvi uma buzina familiar e tratei de virar o rosto para me deparar com Yeri no carro da minha madrasta.

Era até engraçado vê-la dirigindo um carro tão grande quanto aquele, mas preferi guardar esse pensamento para mim.

“Oi, Gigi!” Me cumprimentou sorridente. “Vamos para casa?” Agradecida por não ter que ficar em pé naquele sol, assenti e entrei no carro. Assim que passei o cinto pelo meu corpo, me virei para perguntar como estavam as coisas na minha casa e fiquei surpresa ao sentir seus lábios se chocando contra os meus. E novamente uma sensação boa me invadiu quando senti a maciez dos lábios de Yeri contra os meus.

Quando ela deu partida no carro, soltei o ar que eu nem tinha percebido que estava segurando. Yeri parecia mais contente do que mais cedo e eu estranhamente estava me sentindo da mesma forma, principalmente quando percebi que ela havia tomado banho e agora estava exalando um cheiro cítrico, além de estar usando minhas roupas.

“Então... Sabe aqueles garotos que viviam te importunando?” Perguntou como quem não queria nada. “Não precisa se preocupar. Eu e a Sooyoung demos um jeito neles. Pode ficar tranquila pelo resto da sua vida.” E riu como se fosse uma vilã de desenho animado.

“O que vocês fizeram com ele?” Perguntei receosa.

Ela deu de ombros: “Apenas o que eu e as meninas queríamos fazer há muito tempo. Nós não gostamos de sonhar com você apanhando, Gigi. A Joohyun e a Wendy choram toda vez que sonham com isso.”

“Ah... Obrigada, eu acho.”

“Nós queríamos ter vindo antes, você sabia? Mas nós praticamente precisamos fugir do papai. Ele nem te conhece e tem ciúmes de você. Já pensou ter que entregar as quatro filhas dele para alguém daqui?” Disse como quem não queria nada e eu tremi só de imaginar como seriam os meus sogros, em especial o meu sogro.

“E se ele vir atrás de vocês? Ele não ficaria com raiva de mim?”

Yeri riu: “Serão quatro contra um, Gigi!”

Eu não respondi mais nada, apenas voltei a prestar atenção na estrada e Yeri começou a cantarolar as músicas da rádio. A volta até que foi rápida e finalmente notei o quanto Yeri dirigia bem, de fato. Digo, eu estava tão absorta em meus pensamentos durante a ida com Sooyoung, que mal percebi quando cheguei na frente do colégio. Quando Yeri estacionou na garagem de casa, de ré, diga-se de passagem, eu não pensei que iria me deparar com a casa limpa e um cheiro delicioso de samgyeopsal exalando no ambiente.

“Joohyun é fanática por limpeza, Wendy adora cozinhar e Sooyoung gosta de arrumar as coisas. É como se fosse uma mania.” Yeri explicou, colocando as chaves sobre o rack da TV. Agora que estava em pé, percebi o quanto ela parecia sumir em minhas roupas, de tão largas. “Espero que você não se importe com isso, por mais que você já saiba que elas não ligam para uma reposta contrária.” Riu.

Deixei minha mochila sobre o sofá e segui para a cozinha. Precisei me segurar para não ficar somente de calça de educação física e sutiã, já que agora eu estava com companhia em casa e não seria nada legal ficar andando seminua por aí. Por mais que Taeyeon tivesse me explicado que eles, digo, nós não ligássemos para a nudez, passei dezessete anos vivendo na terra e por isso continuaria sentindo vergonha, uma vez que eu continuaria morando aqui.

Quero dizer, ao menos eu espero continuar morando aqui.

Quando me sentei a mesa, observando quão feliz Wendy estava terminando de cozinhar, resolvi perguntar a Yeri:  “Se Wendy cozinha, Joohyun limpa e Sooyoung organiza, qual é a sua mania?” Aproveitei para nos servir com a água da jarra que estava sobre a mesa, já que o dia estava bem quente.

Quando levei o copo à boca para beber a água gelada, Yeri me encarou com um sorriso travesso nos lábios. Aproveitando que estava sentada ao meu lado, esticou seu corpo e aproximou seus lábios para sussurrar em meu ouvido: “Eu posso te mostrar mais tarde, Gigi. Antes de você ir dormir. Tenho certeza que você vai gostar, sabia?”

Eu não preciso dizer que cuspi toda a minha água quando entendi o que ela quis dizer com aquilo, certo?

Certo.

 

[...]

 

Passei a tarde inteira terminando de fazer minhas atividades, já que eu sempre fui uma aluna compromissada, que quando a noite chegou, eu só queria tomar um relaxante banho de banheira para poder ter uma noite de sono tranquila. Yeri e Sooyoung simplesmente capotaram em minha cama depois de passarem a tarde maratonando desenhos que não existiam em seu planeta enquanto Wendy resolveu conhecer o supermercado e Joohyun decidiu passar minhas roupas. Eu até que estranhei quando entrei na lavanderia para colocar meu uniforme sujo e a encontrei cheirando os amaciantes, mas não julgo porque às vezes eu costumava fazer o mesmo.

Comecei a subir as escadas já tirando a minha roupa, ficando só de calcinha e sutiã mesmo e carregando as peças nas mãos. Vi pelo canto dos olhos Yeri dormindo por cima de Sooyoung, então tratei de pegar minha toalha e entrar no banheiro. Eu só não esperava encontrar com Joohyun e Wendy na banheira brincando com os sais de banhos caríssimos que a minha madrasta comprava pela internet.

“Ah...” Eu senti meu rosto esquentar quando percebi as duas olhando me olhando das cabeças aos pés. “E-Eu não sabia que vocês duas estavam aqui! Eu posso voltar depois! Me desculpem!” Coloquei a mão na maçaneta e escutei a risada das duas. Escutei o barulho da água, como se alguém estivesse se mexendo na banheira, até que meu corpo travou quando as mãos quentes de Wendy tocaram meus braços

Wendy riu do meu desespero: “Você pode tomar banho conosco, querida. E não se preocupe, vamos tomar somente banho.” Praticamente soprou as palavras em meu ouvido.

Não percebi quando Joohyun também veio em minha direção, se agarrando em meu outro braço. Eu quase tive uma queda de pressão quando seus seios encostaram em meu braço: “Venha para a banheira. Vamos conversar um pouco, Bear.”

Eu me sentia como uma personagem de desenho animado, naquela típica cena aonde se tem o ano e o diabo em cada lado do seu ombro.

E então eu te pergunto: se você estivesse no meu lugar, diria não para essas duas?

Certamente que você aceitaria a proposta.

Então por que você acha que eu faria o contrário?

Tirei o restante de minhas roupas e entrei na banheira junto com Joohyun e Wendy. Joohyun perguntou se podia esfregar minhas costas e Wendy pediu para lavar meus cabelos. Não neguei, é óbvio. No início ainda estava me sentindo tímida por estar tomando banho com as duas, mas diferente de Yeri e Sooyoung, Wendy e Joohyun não ficavam tentando me beijar toda hora, então não demorei muito para me sentir confortável naquela situação. Não é como se eu não gostasse, mas simplesmente me pegava de surpresa e eu não sabia como agir.

Quando Wendy terminou de lavar meus cabelos, tratou de enrolar uma toalha em meus cabelos e se sentou de frente para mim enquanto eu tinha Joohyun dormindo com a cabeça encostada em minhas costas: “Você deve estar estranhando tudo isso, não é mesmo?” Riu com a própria pergunta.

Concordei com a cabeça: “Sim, mas eu não estou achando ruim.” Afirmei e ela me encarou com um sorriso terno. “Não me sinto estranha perto de vocês quatro.”

“Nem mesmo quando falamos sobre casamento?”

“Mmmh... Não. Até que já está começando a me parecer uma boa ideia.”

“Fico feliz por ouvir isso.” Ela sorriu de forma tão doce, que foi impossível não sorrir de volta.

O rosto de Wendy foi se aproximando do meu aos poucos até que finalmente nos beijamos.

Passamos longos minutos trocando carinhos até que Joohyun se remexeu em minhas costas.

Coçando os olhos, ela bocejou e disse em tom risonho: “Ah, eu não acredito que vocês vão começar sem mim.”

Wendy gargalhou e logo em seguida eu e Joohyun começamos a rir também. Nós não tocamos mais no assunto e saímos da banheira, escovando os dentes depois e procurando um pijama logo em seguida no meu armário para que pudéssemos dormir.

Embora a minha cama fosse de casal, o que é claramente ideal para duas pessoas, ter as quatro comigo não me pareceu desconfortável. Muito pelo contrário. Eu não me importava se iria acordar com o corpo dolorido ou se iria dormir pouco.

Pela primeira vez em anos, eu realmente estava me sentindo em casa.

“Mmmh... Afasta pra lá, Sooyoung...” Tive que segurar um gemido quando senti o pé de Yeri chutando minha costela.

E Sooyoung, que pareceu sentir que Yeri queria lhe chutar, revidou com outro chute em minha costela.

É, eu estava ferrada a partir do momento que aceitei casar com quatro alienígenas.

Mas até que eu estava gostando disso.

 

[...]

 

Acordar às oito da manhã de um sábado definitivamente não estava em meus planos.

A campainha continuou tocando e quando percebi que nenhuma das meninas se levantaria para atender a porta, me vi obrigada a levantar.

A situação era a seguinte: já tinha um pouco mais de um mês que eu e as meninas estávamos morando juntas. Por incrível que pareça, meu pai e minha madrasta não surtaram, embora tenham levado um tempo para processar toda a situação (e eu realmente espero não precisar mencionar o quanto foi horrível quando as quatro resolveram levar os dois para a ‘nave’).

Mas nada que a comida de Wendy, o chame de Sooyoung, a falsa inocência de Yerim e a maturidade de Joohyun não fosse o suficiente para convencê-los.

Como não encontrei meus chinelos, desci as escadas descalça e praticamente fui me arrastando até a porta, sem me importar se meu cabelo estava ou não todo bagunçado e minhas roupas amarrotadas, além do corpo dolorido por continuar dividindo uma cama de casal com as quatro.

“Já vai!” Gritei impaciente quando tocaram a campainha três vezes seguidas.

Procurei a chave da porta principal no molho de chaves do meu pai, e quando finalmente abri a porta, me deparei com um casal me encarando de forma curiosa.

“Pois não?” Perguntei confusa, estranhando o fato de que a mulher parecia extremamente contente em me ver.

“Bom dia.” O homem me cumprimentou polidamente e eu respondi logo em seguida. “Mmmh... Você deve ser Kang Seulgi, correto?”

“Isso mesmo, Senhor.” Concordei, mesmo com receio daquilo ser um sequestro.

“Ah, querido...” A mulher suspirou. “A nossa nora é tão linda quanto as nossas filhas descreveram.”

O meu corpo travou.

“O que?” Perguntei incerta sobre o que eu havia acabado de escutar. “Você disse nora?”

O homem riu: “Sinto que não nos apresentamos direito... Mas sou 2060, ou simplesmente Junmyeon, na língua de vocês.”

“E eu sou 136472, mas você pode me chamar de BoA.”

“Ou simplesmente nos chamar de sogros.”

Oh não.



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