História Planetary Game I: Os Jogos - Capítulo 2


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Categorias Jogos Vorazes (The Hunger Games)
Personagens Personagens Originais
Tags Adaptação, Distopia, Ficção, Futurismo, Jogos Vorazes, Reality Show
Visualizações 28
Palavras 4.004
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Comédia, Crossover, Esporte, Famí­lia, Ficção, Ficção Científica, Luta, Romance e Novela, Saga, Survival, Suspense, Universo Alternativo
Avisos: Álcool, Heterossexualidade, Mutilação, Nudez, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


AGORA VAI!
Olá pessoas que já me acompanham, tudo bem? Eu sei, eu sei, vocês já devem estar enjoados de um capítulo dois, mas agora é oficial! A próxima atualização será o capítulo três (Até que enfim!)! Antes de me baterem, quero que saibam a razão de toda essa enrolação: a história original é totalmente diferente de agora, pois quando eu comecei a escrever, esta história era... Como eu posso dizer? Totalmente sem noção. Talvez ainda seja, mas antes era muuuuito pior!

Pois bem, começando as mudanças, aqui vai uma introdução aos personagens principais desta trama:

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Jonathan D. Tuner, atende também pelo apelido de Nathan, nascido em Curitiba em 23 de setembro de 2197, atualmente, tem 16 anos, filho de Elizabeth e Daniel Tuner; sendo que Elizabeth é um vencedora dos Jogos e Daniel perdeu o irmão, Guilherme, quando este foi morto nas semi-finais dos jogos. Atualmente, a família Tuner cuida de um restaurante badalado. Jonathan tem uma irmã caçula, Carla, quarto anos mais nova.

Sonha seguir carreira em algum ramo da medicina. Seu esporte favorito é corrida com obstáculos, apesar de ele arriscar algo no arco e flechas e defesa pessoal. Seu medo é definido em uma quase claustrofobia. Além desse medo, Jonathan tem um defeito relevante: ele é muito precipitando e diversas vezes faz as coisas sem pensar duas vezes.

Com 1,81m, Jonathan é mais alto que a maioria da sua turma, possui olhos castanhos, cabelos pretos, pele clara e ainda é canhoto. Teve duas namoradas e saiu com inúmeras garotas antes dos jogos, apesar de poucas pessoas saberem disso, sendo que ele terminou com a segunda dois dias antes dos jogos, motivado por um sentimento que vinha nascendo dentro dele nos últimos meses. Esse sentimento era por Daniele Byern, sua principal “adversária” do colégio.


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Daniele Byern, nascida em 30 de julho de 2197, 16 anos, nasceu em Curitiba, Paraná. Filha do meio de Helena e Christofer Byern. Christofer é vencedor dos jogos e Helena perdeu sua irmã mais velha, Natália, para os jogos junto de Guilherme Tuner. Daniele tem como irmãos Felipe (18 anos, o mais velho) e Erick (9 anos, o mais novo).


Daniele sonha seguir carreira com desenho e literatura, é uma esportista nata, que gosta de tudo um pouco, desde correr, nadar e esgrimar, futebol e basquete; seu maior medo é de grandes alturas. Daniele tem 1,63m, possui olhos verdes claros, pele clara, cabelos loiros escuros,lábios pequenos e avermelhados naturalmente,  sendo magra também. A garota é canhota, mas diversas vezes pode-se vê-la treinando para ser ambidestra. Tem diversas dificuldades em aprender novos idiomas, mas fala bem inglês e arrisca bastante no francês.


Teve apenas um namorado no passado, mas este se mudara para outro estado do país muito antes dos jogos, mas a garota já teve várias paixonites, uma delas por Jonathan Tuner, mas esse sentimento se foi quando ela fez uma amizade muito improvável com Fabian Walsher, um francês muito simpático, teimoso e azarado, cuja mãe foi a autora da morte da tia de Daniele dentros dos jogos. Depois de um ano discutindo, tornaram-se grandes amigos.


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*****
Fabian Walsher, nascido em Paris, França em 17 de março de 2197. Filho de Alice e Félix Walsher. Alice é vencedora dos jogos, venceu ao derrotar a tia de Daniele em arena dentro dos jogos nas semi-finais. Fabian tem apenas uma irmã caçula, Sarah Walsher, de quatro anos.

Fabian gosta de esgrima, esquiar, tem grande aptidão para paredões de escalada, mergulho, dentre outros esportes.
Medindo 1,72m, o rapaz possui cabelos castanhos ondulados curtos, olhos verdes escuros, alto e magro, destro, tem leves problemas com o ato de se socializar, sendo cauteloso com todos com quem fala e com o que fala, mas tudo isso meio que vai para o espaço quando ele decide o que quer, ou quando está convicto de algo -e foi assim que ele conseguiu a amizade de Daniele, ele decidiu que queria falar com ela e foi atrás de seu objetivo. É  um garoto agradável de conviver. Seu medo, que tem muito mais relação ao trauma que ele sofreu meses antes dos jogos, é de um dia acordar e não sentir mais o próprio corpo ou não seja mais capaz de fazer as próprias escolhas.
Já namorou três garotas e saiu com mais algumas mais, mas nenhuma apresentava as características que ele buscava numa garota, até que ele começou a imaginar que teria de ser mais ousado para conseguir achar o que ele queria. Foi aí que Daniele surgiu em sua vida, primeiro como amiga e depois para algo mais que isso. Claramente, o momento que ele desejava conhecer Daniele, não mais sendo por meio de uma tela e sim pessoalmente, não poderia ser pior.

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Conhecendo um pouco dos nossos personagens principais, vamos ao capítulo...

Espero, de coração que vocês gostem! ^^

Capítulo 2 - A Vida Antes dos Jogos


Fanfic / Fanfiction Planetary Game I: Os Jogos - Capítulo 2 - A Vida Antes dos Jogos

 

(PS:  Leiam as notas iniciais, é importante ^^)

 

“O tempo é o melhor remédio para curar as feridas, mas as cicatrizes hão de ficar para que possamos suportar futuras dores”.

Aulos Carvalho


 

Planeta Terra, outubro do ano de 2213 depois de Cristo.

Ano da 183° edição do Planetary Game.

 

Daniele Byern

 

O sol já estava alto no céu, meu corpo estava cansado e mesmo assim eu estava disposta a mais uma corrida, a mais importante do dia... Porque é a última que poderei correr legalmente este mês: Amanhã é o dia da seleção dos Jogos. Como muitos, estou aqui, no meu colégio para treinar, e olha que hoje não tinha aula, não sou obrigada a vir. Mas eu preciso vir. Quero estar preparada para o pior.

Eu tinha certeza de que meu irmão mais velho, Felipe, estava em algum lugar por aqui, só que dentro prédio escolar, lidando com atividades tecnológicas. Sua faixa etária é apenas dois anos a mais que a minha. Eu tenho 16 anos e ele, 18. O ensino médio no Brasil passou a contar com uma grade curricular de quatro anos ao invés de três algum tempo depois da chegada da OIP em nosso planeta. Muitas coisas boas e ruins mudaram também, mas havia algumas coisas que foram mantidas que simplesmente não fazem sentido para mim.

Manter o feriado de sete de setembro no Brasil, por exemplo. Ou o quatro de julho nos Estados Unidos. O Dia da Independência de cada país foi mantido, mas honestamente, eu não sei mais com que propósito. Nossos países podem ser tudo, mesmo independentes e com liberdade.

Voltando meus pensamentos para o agora, olho para as arquibancadas e vejo minhas amigas conversando distraídas, uma vez ou outra, eu as via observando a pista corrida, e eu sabia que era porque muitos dos garotos que iam disputar a corrida eram bonitos. Dizem elas, que só vêm aqui para conversar e olhar meus treinos. Ok, vou fingir que acredito nisso. Mas, até aí tudo bem, afinal, são garotas... No entanto, o que realmente me incomoda é a atitude delas quando pergunto qual seria a estratégia delas caso fossem escolhidas na seleção para os jogos.

"Não acredito que eles olhariam para mim na hora da seleção com tantas outras garotas. E mesmo que fosse eu, morreria e ponto. Agora pare com essa paranóia, você não vai ser escolhida!", diziam elas. Mas é incrível que elas se esquecem de que minha família não tem paz a algumas gerações por causa desses jogos… inclusive tenho a impressão de estar cercada de pessoas vinculadas aos jogos.

Um apito me tira de meus devaneios e a treinadora grita:

-Atenção! Todo mundo em suas marcas. Essa é a última corrida de vocês antes do Grande Dia. Lembrem-se do porque estão aqui!

Ando até minha posição e me alongo, aproveitando que a treinadora estava mexendo em um formulário. Olho distraidamente para os outros alunos que também correriam apenas para ter o que fazer enquanto espero, mas ao fazer isso, me deparo com um par  de olhos castanhos me observando. Era de um garoto, ele era meu colega desde o sétimo ano, a cinco anos. Eu o apelido de “o Adversário”, apesar de seu nome verdadeiro ser Jonathan Tuner, cuja família também tem histórico nos jogos, eu o chamo assim porque parece que ele compete contra mim em tudo, nossos treinadores e professores nos comparam muito, nossas notas foram muitas vezes as mesmas, nossos testes de aptidão tem poucas diferenças, nos treinos ele ganha de mim as vezes e eu em outras, como se revezássemos a vitória... E isso me incomoda, muito.

-O que foi?- Pergunto irritada, ele logo desvia o olhar, parecia constrangido.

-Nada.- Diz ele no mesmo tom e logo se posicionou em sua marca. Arqueei as sobrancelhas, ainda incomodada e me posicionei também. Ok, isso vai ser fácil.

A treinadora se certifica que todos estavam em suas devidas posições e quando tudo estava em ordem, após um momento de espera, ela diz:

-A corrida começa ao som do apito... -diz ela, pega o apito, levando-o aos lábios. - Preparar, e...!- O som do apito soa agudamente alto e sem cerimônias, meu corpo se move para frente adquirindo velocidade. São 4 voltas numa pista de 400 metros, coisa aparentemente fácil, mas infelizmente tenho um adversário à  altura. Na primeira volta uma garota à minha esquerda toma a liderança, sinto que comecei mal a corrida e corrijo imediatamente os erros que cometi. Logo, na segunda volta, a liderança era minha.

Sorri, não vou permitir que o Adversário ou qualquer pessoa tome a frente... Ah não! Ao fim da segunda volta vejo justamente meu Adversário me ultrapassar!

Hoje não, garoto! Reforço minhas pernas, tentando aumentar minha velocidade.

Consigo até retomar a liderança na metade da terceira volta, mas ao que parece o Adversário não estava disposto a facilitar as coisas para mim, pois na quarta volta praticamente correu ao meu lado. E a linha de chegada estava ali, bem adiante.

Olhei para o Adversário e percebi que ele se deu conta do mesmo. Era eu ou ele. Foquei na linha de chegada e obriguei minhas pernas chegarem ao limite. Mas eu não podia parar, não posso perder para ele de novo, pelo canto do olho vejo que ele faz o mesmo. Próximo a linha de chegada, fecho os olhos. “Vixe, seja o que Deus quiser!”, penso. Só reduzi minha velocidade assim que escuto o apito da treinadora.

Respirei fundou várias vezes, com o coração tão acelerado que parecia que ele sairia por minha boca, me curvando sobre os joelhos, com uma mão precisando meu abdômen dolorido, quando finalmente tive forças para endireitar o corpo, vi que Jonathan, meu Adversário estava também curvado sobre os joelhos à dois metros à minha frente. Droga, ele deve ter ganhado! Assim que todos recuperamos o fôlego, retornamos para junto da treinadora e demais alunos, a expectativa de saber quem venceu a corrida era tanta que até mesmo alguns dos alunos nas arquibancadas desceram de lá e vieram correndo para saber mais.

Assim, quando o último aluno passou pela linha chegada e a corrida foi finalmente encerrada, alguns dos alunos competidores se jogaram na grama com garrafinhas d’água, se recompondo. Por fim, todos olhamos para a professora com expectativa. Ela olhava para mim e para o Adversário como quem não sabe quem escolher. O que será que aconteceu?

-E então, professora... Quem ganhou?- Ofeguei, colocando a mão novamente sobre meu abdômen ainda muito dolorido.

-E- eu não sei! Acho que deu empate. -Disse ela, olhando para mim e para meu adversário. ‘Surpresa’ era uma palavra muito tênue para descrever o que pairou por todos os alunos neste momento, incluindo à mim mesma.

-Como assim, professora? -Perguntou Alexander, o assistente da professora. - Isso é possível?

-Parece que agora é. -Diz a professora.

Ela resolveu então conferir as câmeras de vigilância que servia para a segurança do colégio -ninguém nunca diz em voz alta, mas todos sabem que é também um espião da Organização Interplanetária- e todos ali foram juntos, ninguém ousou ficar para trás. Lá, vimos o vídeo várias vezes e, ainda assim, era inacreditável. Pela tela, vejo que não foi apenas eu que fechei os olhos no final da corrida. O Adversário me pareceu ter feito a mesma coisa.

-Mas como isso foi acontecer? -Perguntou Jonathan, boquiaberto. Assim como eu, a treinadora e meia dúzia de alunos, ele também se debruçava para ver melhor as imagens na tela do computador.  -Eu nunca vi algo assim...

-Parece que foi mesmo empate. -Concluiu a professora antes de se afastar da tela, levando todos nós juntos, antes de se voltar para todos e dizer, com uma voz neutra: –Bom, gente. Com isso encerramos os treinos para a competição deste ano e, quando a seleção começar, esperamos que nenhum de vocês tenham o rosto estampados no telão dos jogos amanhã. Boa sorte a todos e espero de todo o coração ver vocês todos aqui na semana que vem. Ah, sim, mas não se esqueçam que temos um trabalho de rugbi para a semana que vem, quem não for para os jogos deve entregar o trabalho sem atrasos! Estão dispensados...

E com isso, a turma se despersou. Alguns riram e outros fizeram caretas de desagrado para o que a professora acabou de dizer. Eu prefiro ficar em silêncio quanto à iisso. Alguns dos meus colegas foram direto para casa ou resolveram ficar e treinar mais um pouco, outros foram tomar uma ducha, e alguns, como eu preferiram apenas se trocar e ir embora.

Caminhei direto para o vestiário, buscando um pouco de paz. Eu não pretendo, de forma alguma, procurar por Felipe apenas para saber se meu irmãozinho já foi ou não embora. Da última vez que fiz isso, tive de aguentar vinte minutos do discurso enfurecido dele de que eu já sou grandinha o bastante para achar o caminho de casa, que eu não devia o perturbar quando estamos no território do colégio, que ele não tinha idade para ser visto com pirralhas do 2° anos e etc… ok, devo admitir que isso foi porque eu apareci, do nada e estragando tudo sem querer, quando ele estava senduzindo uma garota que ele gostava. Mas tirando isso, Felipe é um bom irmão mais velho, com direito à chatice e tudo mais.

E também, se eu estava com pressa, era também porque eu meio que estava fugindo de minhas amigas e de Jonathan. Mas, como diz o ditado: aquilo ao qual você resiste tende a persistir.

Antes que eu pudesse abrir a porta do vestiário e poder entrar, um braço forte entra no meu caminho, barrando minha passagem até a porta.

-Boa corrida. -Diz a voz do dono do braço, Jonathan Tuner, em pessoa. -Por um momento, achei que eu perderia para você…

-Ah, bem… -hesito, já que fui completamente pega de surpresa, tentando decidir se eu o encararia ou não. Jonathan mal fala comigo e quando fala... -Foi uma corrida realmente desafiadora, mas nada que eu não pudesse superar. -Digo, me permitindo olhá-lo e ainda dar um pequeno sorriso, querendo acabar já com essa conversa. Jonathan é inegavelmente bonito, entretanto, tinha os cabelos, pescoço e o rosto empapados de suor, tinha a respiração falha e ofegante, por conta da corrida. Eu sabia que eu não estou muito melhor, mas ainda assim, foi desagradável imaginar como seria receber um abraço dele nesse estado.

-Imagino que sim. -Diz ele, sorrindo.

Ah, Deus, o que ele quer desta vez?

-Eu estava pensando, se você não quer tirar a limpo essa corrida,  o que acha? -Ele diz, indo direto ao ponto. - Podemos marcar um dia para ir até o parque e correr, por uma determinada distância, só eu e você. Quem perder deve um prêmio ao outro.

-Por acaso você é do tipo que não aceita um empate, Jonathan? -Digo, arqueando uma sobrancelha em desafio.

-Não exatamente, mas isso tudo será levado na esportiva, não se preocupe-admite ele-, apenas quero testar de uma vez por todas quem de nós dois é o melhor. Simples assim. Eu não sei você, mas me incomoda muito esse nosso... Hã... Revezamento de vitórias.

-Achei que só eu tinha notado isso...

-De maneira alguma -Ri ele. finalmente dando um sinal, mesmo que mínimo, de emcabulamento,  mas sem acrescentar nada além disso. -E então, o que me diz? Você topa?

-Isso é só para tirar essa situação à limpo, nada mais, certo?

-Certo. -Ele me pareceu convicto.

-Quando, então? -Questiono. Talvez, se eu der à ele o que deseja logo, ele vá me deixar em paz.

-Isso é um sim? -Ele sorri, quase pude ver o ego grande dele se inflando. Não me abalei diante disso.

-Quando? -Insisto, sendo mais enfática e séria. Eu já não estava para brincadeiras bobas. -Diga logo, quando antes que eu mude de ideia.

-Hum… Fora esse sábado, no próximo? -Hesitou ele, agora sim sendo pego de surpresa. Ele coçou um ponto logo abaixo de seu queixo, atraindo minha atenção para aquele ponto. Vi que ele estava deixando sua barba de adolescente começasse a crescer, não que isso estragasse a cara dele. Além disso, ele ainda acrescenta, mais para si mesmo. -Isso se nós dois estivermos aqui ainda, é claro…

Jonathan também neusoses em relação aos jogos, então? Bom saber...

Mas, antes que eu dissesse algo à respeito à isso, vejo, por baixo do braço de Jonathan, que Judy, minha melhor amiga, vinha caminhando em nossa direção, ela ainda estava longe, mas quando nos viu, sua face já demonstrava surpresa e um sorriso bobo, denunciando o jorro de perguntas que estava se formando na mente dela naquele exato momento. Ah, não, suportar Jonathan já é difícil, mas juntando Judy na conversa não dá! Eu não vou suportar!

-Tudo bem, eu aceito. Agora, se me der licença... -Falo, subitamente com pressa, tento passar por baixo do braço dele, para entrar no vestiário feminino. Mas o cretino abaixou o braço rapidamente e se colocou na minha frente. Acabo colidindo com o peito dele. A camisa dele estava mais suada ainda. Eca! De imediato, dou um pulo para trás.

-Ei, por que a pressa agora? -Ri ele.

-Apenas saia da minha frente! -Digo, numa exclamação.

-Mas por quê?- Ele riu, possivelmente achando graça dessa situação.

-Eu não te devo satisfações, ok? -Digo, decidida em tirá-lo do meu caminho. -Agora, saia da minha frente!

-E se eu não quiser? -Diz ele, cruzando os braços na frente do corpo, dando a entender que não sairia dali de boa vontade. Tudo bem, plano B, então...

-Tudo bem, eu posso arrumar outra coisa para fazer... -Dou um sorriso e me viro para voltar a pista de corrida.

-Espere aí, eu estava brincando... -Jonathan diz, se apressando em alcançar rapidamente, deixando a porta do vestiário livre novamente. -Eu só queria te fazer uma outra pergunta…

Antes que ele continuasse o que tinha para falar, digo repentinamente:

-Diga amanhã! Até mais, Jonathan! -Me viro bruscamente e voltou correndo para o vestiário, entrando nele rapidamente, e apoiei meu corpo contra a porta. Não demorou um segundo para que Jonathan tentasse forçar entrada ali, gritando do lado de fora:

-Ei! Isso não vale! Daniele! Isso não se faz!

Fecho os olhos, cada vez que ele chama meu nome uma irritação sobe à minha cabeça, reforçando a força em meus pés e pernas para que eles não cedessem à pressão que ele fazia do lado de fora. Cansada disso, acabo dizendo, sem gritar, mas ainda em voz alta:

-Vá embora, Jonathan! Me deixa em paz, eu quero ficar sozinha!

-Por favor, Daniele! Me deixa falar com você!

-Amanhã você fala!

-Droga, garota, eu só queria fazer uma pergunta! -Sinto-o esmurrar a porta. Por um momento, achei que ele iria arrombar a porta com tudo.

-E eu só queria um pouco de paz!

-Daniele!

-Eu corro com você sábado que vem, mas eu preciso ficar sozinha agora. Nós consamos amanhã, Jonathan! -Sinto minha voz ficar mais autoritária, e assim, finalmente, parece que eu consegui o que eu queria.

-Tudo bem, mas... Amanhã pode ser tarde de mais... -Ouvi ele dizer, num tom mais baixo e controlado; depois veio o silêncio. Aos poucos, abro os meus olhos, a pressão para a porta fosse aberta cessou e pude notar que Jonathan havia desistido e saído dali.

Por um momento, pensei em espiar do lado de fora e ver se ele não estaria ali ainda,  mas me contive. Fosse o que fosse que ele queria me perguntar não deveria ser muito importante, afinal, se fosse o caso, ele não teria feito toda aquela brincadeira ridícula.

Olho para dentro do vestiário e vejo que me encontrava sozinha. Não havia mais ninguém ali.

Respiro fundo, antes de desgrudar minhas costas da porta e seguir em direção ao meu armário.

Sem muita demora, eu já havia substituído a regata suada por uma camisa pólo feminina e o shorts curto de corrida por uma jeans... Resolvi que só tomaria banho em casa. Me recordo de que no mês passado, dois garotos entraram no banheiro do vestiário feminino durante os treinos da manhã e quando algumas garotas foram tomar banho após uma manhã cansativa, tiveram um baita susto. Eu iria logo a seguir, mas por sorte, eu não tinha nem me despido quando os gritos de pânico e fúria começaram.

Ri com esse pensamento. Não adianta a OIP estender os jogos por mais dez anos, algumas manias humanas não mudam nunca. Então me dou conta de uma verdade horrível: Se os humanos, não mudam nunca, os jogos não terão mais fim!

“Estamos condenados a perecer nesses jogos para sempre", penso de repente com um gosto amargo na boca. Mas antes que eu entrasse em pânico com essa perspectiva, associando ao meu medo de ter meu nome escolhido na seleção, escuto a porta do vestiário se abrir finalmente e logo Judy se junta a mim, parando ao lado do meu armário, cruzando os braços e com um sorriso bobo no rosto que eu já havia visto muitas vezes antes. Ao tirar meu celular e fones de ouvido do armário, me preparei psicologicamente para o maremoto de perguntas que eu achei que viria.

-Dessa vez, eu tenho certeza, é amor. -Disse ela do nada.

-O quê? -Digo, me esforçando para parecer estar distraída, olhando para meu celular. Judy riu.

-Você e seu "adversário". Agora eu sei que é amor.

-Do que você está falando, Judy? -Digo passando a encará-la. Ela revira os olhos e cruza os braços.

-Você sabe do que eu estou falando. Não se faça de desentendida. Você e ele: notas iguais, igualmente rápidos, ágeis, inteligentes e destrutíveis. E agora isso! Eu vi vocês conversando na porta do vestiário e o que você fez com ele ao entrar aqui. Foi aí que ei consegui falaf com ele, antes que você me pergunte... -Dizia ela, contava nos dedos a cada item mencionado. -Mas, enfim. Tirando esse empate, vocês revezam as vitórias e se parece que se odeiam. Para mim, isso é amor.

-Pode ir parando! -Dou uma leve risada, para disfarçar minha irritação, ergo minha mão espalmada em direção à ela. Eu não queria encorajar tais brincadeiras, ainda mais quando eu tinha motivos pertinentes para ficar mais na minha. - Não é culpa minha ele ser um tremendo chato e de eu ter os mesmos resultados que ele, segundo que ele é mais forte e eu sou mais ágil. Terceiro, eu não o amo nem o odeio. Só estou mantendo distância dele.

-Por quê?

-Por quê...? -Essa é boa! Como se já não tivessemos tido essa conversa um milhão de vezes antes!- Ora Judy, a seleção dos competidores acontece amanhã, eu não quero arriscar.

-É muito improvável que você vá ser escolhida, e quer saber por quê? Você é uma em um bilhão. Pare com isso! Ninguém aqui vai ser escolhida, minha amiga.

-Que Deus te ouça, Ju.

Fecho meu armário e amarrando meus tênis falo:

-Mas eu não sei por que você vive insistindo nisso. Eu e o... o Adversário não temos nada em comum além dessas coincidências...

-Mas não é você que diz que coincidência não existe?

-Sim, mas abro uma exceção para isso. -Digo revirando os olhos.

-Quanta enrolação. Para mim, você tem medo de ficar perto dele, isso sim...

-Não viaja! Você sabe que eu já estou cercada de pessoas vinculadas aos jogos, não preciso de mais uma nessa lista.

-Ah, sim, seus avós, seu pai, sua tia por parte de mãe, e aquele seu amiguinho misterioso de um outro país do qual você nunca quis me contar nada a respeito. Tem isso também…

Meu rosto enrubeceu ao me lembrar do meu “amigo misterioso de outro país”,  a amizade mais improvável que não deveria existir. Afinal, é difícil esquecer que a mãe dele matou minha tia nas finais de uma edição passada dos jogos, tornando-se assim, mais um vencedora dos Jogos. Tivemos muitas conversas e longas discussões on-line a respeito disso, mas estranhamente, eu nunca quis deixar de ser amiga dele, ainda mais depois um acontecimento terrivel que aconteceu no país dele, um atentado, para ser mais especifica, alguns meses atrás. Estava em todos os jornais dentro e fora de nosso planeta, eu lembro disso como se fosse ontem porque nesse dia, eu quase o vi morrer nessa exata situação, de certa formar eu o ajudei à escapar com vida, e... Bom, ainda assim, a situação toda dos jogos é exatamente a razão principal do porque de esta ser uma amizade que deve ser guardada em segredo à sete chaves. Somente eu e meus irmãos, Felipe, o mais velho, e Erick, o caçula, sabem quem ele é de verdade. Para todos os demais, ele é apenas um amigo meu de outro país.

Mas fico em silêncio quanto à isso.

-Bom -ponderou Judy-, se quer mesmo saber, eu tinha quase certeza de que você devia gostar muito desse gringo de verdade, sendo que você só sabe dar um fora atrás do outro nos garotos que tentam se aproximar de você. Mas agora, eu já não sei de mais nada, agora que Jonathan já passou do ponto onde todos os últimos só empacaram…

-E que ponto seria esse? -Pergunto, mas eu não estava realmente interessada em saber.

-Ora, você aceitou sair com ele para ir ao parque, não é? Foi isso o que ele acabou de me dizer…

-O quê? Não! Eu topei um desafio de fazer uma corrida definitiva no parque, para saber quem de nós dois é mais veloz!

-Ah sim, foi exatamente isso que ele me disse. -Ri ela, marota. -Eu só queria te testar, Deni. -Bom, “Deni” é o apelido pelo qual a maioria das pessoas me chamam.

-Afe, vê se toma jeito, Judy! -Digo, mas não consigo ficar brava com ela por muito tempo. Acabei rindo, no fim jogo minha mochila nos ombros, pronta para ir. -Ok, depois dessa, tô indo embora mesmo.

-Ok, acho que vou com você até o portão.

Caminhamos até a saída do vestiário e no corredor, nós duas vemos meu Adversário no exato momento que ele chega ao portão de saída do colégio, com roupas mais sociais e secas. Ele não olha para trás antes ao ir embora, o que foi um enorme alívio para mim.

-Olha lá. Lá vai o seu amado adversário. - Judy deu uma leve risada. -Você perdeu a chance de falar novamente com o amor da sua vidinha.

Reviro os olhos novamente e deu um empurrão leve em Judy.

-Cala a boca, Judy! Por que você não vai atrás do teu namoradinho?

Judy parou de andar de repente e olhou para o chão, cabisbaixa. Sempre que isso acontece é porque ela brigou com Matheus, o namorado dela.

-Ah não, Ju, o que foi que aconteceu desta vez?

-Ah, sinceramente, eu não sei... Antes ele parecia estar tão feliz com nosso relacionamento, mas de uns dias para cá ele tem agido tão estranho - suspirou, continuando a falar num tom de voz mais baixo. -Eu não sei o que esta acontecendo, eu sei que não fiz nada de errado... E se... E se ele estiver com outra? -Ela me olhou apavorada, repentinamente, me segurou pelos ombros. -Meu Deus! Ah, droga! E se ele não gosta mais de mim e me deixar? O que eu faço?

-Se voluntarie para os jogos amanhã… -Digo, sem querer.

-Daniele!- Gritou ela furiosa, com os olhos marejados agora.

-Desculpe Judy, mas é você que dizia que se Matheus terminasse com você...

-Eu sei o que eu dizia, mas isso não quer dizer que eu faria de verdade caso ele realmente terminasse comigo!

-Calma Judy! Pode ser qualquer coisa! Ele pode estar apenas passando por algum problema, pode estar com medo de ser escolhido... Você nunca pensou nisso? Talvez ele tenha medo de ir e não sobreviver para voltar para você! Você nunca pensou nisso?- falei abraçando Judy.

-Não…- Fungou ela. - Quer dizer, sim. Mas eu simplesmente não consigo acreditar que isso vá acontecer!

-Mas eu acredito, Judy. -Escutamos uma voz masculina no amplo corredor atrás de nós.

 


Notas Finais


Vejo vocês no próximo capítulo (o cap. 3, aleluia!)! Comentem o que acharam, é importante para mim! Até mais ^^


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