História Plano B - Um plano de amor - Capítulo 22


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Categorias La Casa de Papel
Tags La Casa De Papel, Nairobi, Professor, Raquel Murillo, Sérgio Marquina
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Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Ficção, Romance e Novela

Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Olá a todxs!

Essa história está quase no final, por isso sejam pacientes e compreensivos com o nosso casal e não os abandonem. Peguem os lencinhos, porque vai rolar lágrimas.

Boa leitura!!!

Capítulo 22 - Reencontro


Madrid

POV Raquel

Os dias passavam eu me empenhava em seguir adiante, saber que ele estava morto era talvez a maior das minhas dores. A morte é o destino de todos, mas apesar dessa certeza quando ela acontece estamos sempre desprevenidos. Os primeiros dias foram os mais difíceis, sentia um imenso vazio dentro de mim e a noite quando eu fechava a porta do meu quarto eu chorava, pois ali dentro não precisava esconder a minha tristeza. Algumas vezes eu acordei assustada e transpirando, tinha pesadelos com ele, aquelas imagens das câmeras ficaram por dias na minha memória e minha mente cruel insistia em revê-las constantemente. Me perguntava se ele sentiu dor ou medo, por que tantas mentiras e por que quis perseguir a morte. São perguntas sem respostas. Ainda hoje eu continuo acordando às 6:25, que era a hora combinamos de conversar todos os dias, é meio automático, não sei, talvez no fundo eu ainda espere que o celular toque e eu possa ouvir a voz dele novamente.

Nesse mar de sentimentos confusos o que me dá força é o carinho da minha filha e da minha mãe, elas são tudo o que tenho de mais precioso e graças a elas eu tenho sobrevivido.

Quando completou um mês da morte dele eu tomei coragem de mexer nas lembranças que guardei numa caixinha dentro do guarda-roupa. Lá estavam os postais, o origami e o celular, era tudo restou dele. Também estava a chave que Thomas me deu, eu nem me lembrava dela, estava tão irritada quando ele me entregou que joguei ela dentro da caixa e não quis mais olhar.  Eu não sei dizer por que, mas naquele dia eu decidi que era hora de saber o que havia naquele cofre e saber pelo o que Sérgio tinha morrido.

****

Taormina

Dois dias depois eu desembarquei na Sicília e quando sai do aeroporto logo avistei a praia da cidade de Taormina. É uma cidade belíssima que conserva uma arquitetura que mistura o clássico com novo. Não me surpreende que Sérgio tenha escolhido essa cidade litorânea, ele gostava muito de praia, porque lembrava sua cidade natal, San Sebastian. Deixei minha mala no hotel e fui direto ao banco onde estava o cofre. Quando cheguei o gerente foi muito atencioso e pessoalmente me levou a sala dos cofres. Eu estava curiosa e minhas mãos suavam quando abri o cofre. Lá dentro havia três envelopes, os guardei na bolsa e deixei para ver o conteúdo no hotel.

Quando cheguei ao hotel eu pedi ao serviço de quarto o almoço, porque estava morrendo de fome, enquanto esperava a comida resolvi abrir os envelopes. Não passaram dois muitos e escutei um barulho na porta, pensando ser o almoço autorizei a entrada do funcionário. Quando levantei o rosto para vê-lo eu quase caí para trás, não acreditei no que meus olhos estavam vendo, eu só podia estar sonhando.

****

POV Sérgio

Depois de dias sem comunicação consegui conversar com Thomas ele me disse que a Raquel descobriu o nosso segredo e que estava irritada e triste, pois pensava que eu morri. Me senti culpado por fazê-la sofrer daquele jeito. Então quando ele me contou que ela comprou uma passagem para Sicília eu decidi que era hora de nos encontrarmos novamente.

Estava ansioso, meu estômago estava revirado, mal conseguia comer, precisava vê-la e contar toda a verdade. Quando ela desceu do táxi em frente ao hotel fiquei maravilhado quase precisei de um lenço para secar a minha baba. Ela estava com um vestido branco com detalhes floridos e usava óculos escuros. Sem dúvidas era a mulher mais linda e sexy que eu já conheci. Eu pretendia subir até o quarto, mas logo ela saiu do hotel, com certeza ia até o banco. Fiquei aguardando ela voltar em um café em frente ao hotel. Quando ela voltou imediatamente eu fui atrás. Aproveitei que o funcionário vinha trazendo o almoço e entrei no lugar dele no quarto. Bati na porta ela autorizou a minha entrada quando entrei ela estava sentada na cama com as pernas cruzadas, os cabelos longos e claros caído sobre o rosto, puxou uma mecha e a colocou atrás da orelha. Um gesto tão simples e característico dela que eu adorava ver. Quando ergueu a cabeça e meu olhou, pude notar o espanto nos olhos dela parecia que tinha visto um fantasma. Caminhei em sua direção e ela se levantou, caminhamos e no meio do quarto nos encontramos. Eram poucos metros, mas a sensação era que estávamos a milhas distância. Paramos um na frente do outro, eu sorria como um tolo e ela estava séria. Toquei no seu rosto e ela inclinou cabeça fechando os olhos, seu semblante aos poucos mudou e quando seus olhos se abriram novamente estavam cheios de lágrimas.

****

POV Raquel

Ele veio caminhando na minha direção sorrindo, com aquele sorriso que sempre derrubou as minhas defesas e que estava derrubando novamente. Não falou nada apenas tocou no meu rosto quando senti a mão quente dele sobre minha pele chorei, era uma sensação de alegria e dor. Ele estava vivo. Percebendo minha fragilidade e ele me abraçou forte, minhas pernas fraquejaram, estava tão atônita que me deixei cair naquele abraço caloroso do qual sentia tantas saudades.

“Eu senti tanto a sua falta meu amor”.

Ele me beijou afoito e entre lágrimas eu o correspondi.  

“Pensei que estava morto”.

“Raquel me perdoe, eu sinto muito”.

Ele me disse passando as mãos em meu rosto e eu fiquei em silêncio.

“O que foi Raquel você não está contente em me ver?”

“Estou muito feliz. Meu coração está explodindo aqui dentro”.

Coloquei a mão dele no meu peito para que sentisse como estava acelerado.

“Então porque esse olhar?”

“Sérgio as coisas não são tão simples. Você sumiu, foi baleado e agora está aqui. Eu não entendo nada”.

Respondi me afastando dele.

“Eu sei, mas eu vou te explicar tudo”.

“Porque não me contou que estava investigando o Alberto?”

“Porque era perigoso e eu não me perdoaria se algum mal te acontecesse. Eu pensei várias vezes em te contar, mas tudo foi ficando muito grande e eu não soube o que fazer”.

“Você não confia em mim, não é mesmo?”

“Eu confio cegamente em você Raquel. Eu não sabia como te contar, mas agora estamos aqui juntos novamente é o que importa”.

“Desculpa, mas eu não posso continuar com você depois de tantas mentiras”.

“O que você está dizendo Raquel?”

“Eu não posso continuar com alguém que mente para mim. Você mentiu quando nos conhecemos e mentiu agora novamente. Eu não quero viver com dúvidas, sem saber quando você está falando a verdade, quando não está metido num plano de assalto, de investigação ou sei lá o que. Se amanhã ou depois estará preso ou morto”.

“Eu sei que errei que te fiz sofrer e que nada do que eu diga vai mudar o passado, mas minhas intenções eram boas”.

“Os fins não justificam os meios Sérgio”.

“É isso, você quer terminar comigo? Quer jogar nosso amor pela janela?”

Ele me questionou com uma expressão desesperada.

“Você jogou o nosso amor pela janela com suas mentiras. Sérgio um relacionamento é feito de confiança e cumplicidade. Nenhum relacionamento pode sobreviver onde há a sombra da mentira”.

“Raquel...”

“Sérgio eu estou cansada de sofrer e chorar por você. Foi muito difícil encontrar forças para continuar. O melhor é cada um seguir o seu caminho”.

“Não diga isso, vamos conversar”.

“É melhor você ir embora”.

“Você não me ama mais?”

Ele me questionou segurando nos meus braços, me afastei e fiquei de costas para ele.

“Não torne as coisas mais difíceis do que elas são”.

“Me responde Raquel”.

Eu tentei evitar o olhar dele, mas ele se colocou na minha frente me obrigando a olhá-lo.

“Eu te amo e talvez eu te ame para sempre, mas na nossa história eu e você estamos em páginas diferentes e nunca vamos nos encontrar”.  

“Raquel…”

Com olhos cheios d’água ele me chamou pedindo para segurar as suas mãos. Me afastei e deixei ele sozinho no quarto sem olhar para trás.

****

POV Sérgio

Eu não acreditei que a Raquel está terminando comigo. Eu sabia que ela ficaria furiosa quando soubesse a verdade, mas nunca imaginei que teria coragem de desistir de nós dois. Eu agi errado, não deveria ter escondido as coisas dela, mas o que poderia fazer? Colocá-la em perigo e permitir que o maldito do Alberto fizesse alguma coisa contra ela? Jamais! Ela me deixou sozinho no quarto e foi para o banheiro, nem olhou no meu rosto, fiquei ali parado vendo ela se afastar. Senti como se o meu mundo estivesse se desfazendo em pedaços, como se o meu futuro escorresse pelos meus dedos e eu não pudesse fazer nada para evitar. Ela ainda disse que me amava que me amava e só me restou deixá-la ir. Talvez ela precise de tempo para aclarar as ideias e seus sentimentos. Sai do quarto e quando entrei no elevador soquei o espelho, fiz um pequeno corte na minha mão e chorei como um garoto. Como eu viveria sem ela? Como? Eu não tinha menor ideia de como continuar.

****

POV Raquel

Ele ficou parado me pedindo para segurar as suas mãos, tive que me afastar não suportaria olhar nos olhos dele e vê-lo dar as costas, então preferi eu mesmo fazer. Me tranquei no banheiro, sentei no chão com as costas apoiadas na porta e chorei. Senti uma dor imensa no meu peito que nunca eu vivi na minha vida. Abrir mão do que se ama era mais difícil de que lutar por ele. Eu estava dividida, o meu coração me pedia pra abraçá-lo e dizer que estava tudo bem, mas a minha cabeça dizia não, que ele vai mentir novamente. Mesmo o amando eu não podia seguir com tantas dúvidas. Eu sei que vou sofrer, que vou chorar, mas um dia as lágrimas vão secar. Ele será a minha melhor a lembrança.

****

Seis meses depois…

Palawan

Depois que toda a documentação de Axel ficou pronta Thomas voltou para Palawan. Ele e Nairóbi combinaram de viver juntos para que ela pudesse estar perto do menino. Como ele havia prometido os dois saíram para dançar para comemorar que ela havia recuperado o filho. Foram a um lugar muito popular e visitado, principalmente, por turistas, o local tinha dois andares e era conhecido por servir a melhor bebida e por tocar ritmos latinos. Os dois dançaram e beberam muito, quando chegaram a casa passava das cinco da manhã. Foram até o quarto de Axel que estava dormindo, ela arrumou a coberta e deu um beijo no menino, enquanto Thomas encostado na porta observava a cena. Depois fecharam a porta do quarto.

- Eu não tenho como te agradecer pelo está fazendo por mim.

- Eu sou bem flexível com os meus clientes.

- Flexível? Que interessante… - Nairóbi se aproximou de Thomas e lhe roubou um beijo o deixando desconcentrado.

- Por que fez isso? Eu já disse que…

Nairóbi colocou a mão em seus lábios. - Que não quer misturar as coisas, mas não se preocupe foi só um beijo.

- Nairóbi, eu não sou a melhor para melhor pessoa para namorar.

- Quem te disse que eu sou? - Os dois riram. - Olha, vamos aproveitar essa energia que está rolando, sem compromisso e ver no que vai dar.

- Tem certeza? Não quero te machucar.

- Eu não tenho medo. - Os dois se beijaram com paixão seguindo em direção ao quarto de Nairóbi.

****

Os dias foram passando, porém a sensação era que o tempo caminhava lentamente não seguia ordem do relógio. Sérgio voltou para Palawan e se agarrando a único fio de esperança esperou que Raquel reconsidera-se sua decisão. Todos os dias ele foi até o bar em frente ao coreto esperá-la, mas cada vez que volta para casa tinha menos certeza de que ela voltaria. Depois de seis meses seu otimismo foi dando lugar a um pessimismo frio e passou a acreditar que o amor dela havia virado cinza. Disposto a libertar-se dos fantasmas das lembranças dela ele decidiu ir embora de Palawan.

****

Madrid

Depois de meses Raquel ainda conservava o semblante sério e triste, a decisão de terminar com Sérgio foi dolorosa e mesmo não chorando mais ela sentia falta dele. Abriu um escritório de investigação particular, precisava de dinheiro, a aposentaria da polícia não dava para pagar todas as contas. Paula estava feliz se acostumando com as visitas quinzenais do pai. Sua mãe estava cada vez melhor com tratamento e eventualmente se esquecia de algo recente, ainda usava os post-it para anotar. O que não incomodava Raquel, era modo de sua mãe guardar as memórias. Vez o outra ela tocava no assunto, sobre Sérgio, ela sabia que a filha estava sofrendo, mesmo que se mostra-se forte, sabia que as vezes ela chorava escondida em seu quarto. Aquele homem era sem dúvidas alguém importante.

Certo dia arrumando as coisas no armário Raquel encontrou um caixa onde havia guardado tudo o que se referia a Sérgio. Ela até tentou destruir, mas em seguida se arrependeu, não teve coragem. Estava tudo lá bem guardado, os postais, o origami, o celular e os envelopes com as provas. Na loucura de apagar a lembrança de Sérgio, ela nem olhou os envelopes e acabou se esquecendo deles. Quando os abriu encontrou várias cópias de movimentações bancárias, uma lista como os nomes dos responsáveis pelas transações e fotos do Alberto conversando diferentes pessoas. Era verdade, Alberto e outros policiais da Polícia Científica estavam mesmo vendendo provas, as cifras em suas contas bancárias passavam de meio milhão. Raquel ficou impressionada com tudo o que viu, eram apenas cópias de 13 meses de investigação e com certeza eles já tinham ganhado muito mais e ainda continuavam a ganhar. Fiel a seus valores e princípios ela decidiu que era preciso fazer o certo e entregar essas provas as autoridades. Sem sombra de dúvidas agora Alberto seria enterrado para sempre na prisão. Lamentou pela sua filha que não merecia o pai que tinha, mas a verdade estava acima de tudo para Raquel. Colocou os documentos de volta nos envelopes e quando sacudiu para ajustá-los, um folha de papel caiu, estava dobrada em três partes, ela abriu era uma carta escrita à mão com a letra de Sérgio.

 


Notas Finais


Eu sei que estão sofrendo, eu também, mas confiem em mim e não me matem, please!!!


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