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História Plano de voo - Capítulo 20


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Capítulo 20 - Teorias


 

"Você reencarnou"

Embora tentasse se manter atento ao trajeto que fazia, as palavras antes ditas a si se mantinha gravadas na mente de Kirishima, mesmo que não as entendesse ainda.

Desviou de um galho, ajudando Tetsutetsu a também realizar o movimento já comumente realizado na mata fechada.

Não podia deixar o jovem de escamas prateadas no mórbido cemitério dragoniano, cercado por vestígios ósseos de sua já extinta espécie, pois sim, acreditava que fielmente na versão do híbrido sobre ser um dragão completo, motivo pelo qual também não podia leva-lo para vila.

Midoriya e Kaminari ainda pareciam ter suas dúvidas sobre a história do acinzentado.

 – Para onde exatamente estamos indo, Kirishima-kun? –  Midoriya perguntou um tanto preocupado pelo caminho tomado, embora soubesse que Kirishima provavelmente conhecia bem os caminhos pelos arredores do vilarejo.

– Para a saída da vila. – Kirishima respondeu.  – Esse é um caminho alternativo para não passarmos pelo centro.

 – Bota alternativo nisso. – Kaminari comentou, um tanto quanto aflito. – Então... Tetsutetsu. – Falou tentando esclarecer algumas coisas, embora aparentemente o outro não tivesse muito  em falar com nenhum outro além de Eijiro.  – Você diz ser um dragão e irmão de Red Riot.  – Começou cauteloso.

Tetsutetsu apenas o olhou de canto de olho, atento a possível pergunta que viria.

– Você não é meio jovem para ser irmão dele, quero dizer, ele morreu a uns vinte anos atrás e você tem o que? Uns dezenove?

Ouviu o som fraco de uma risada vinda do híbrido, surpreendendo não apenas Denki, mas os demais presentes.

– Vocês humanos tem mesmo essa necessidade de contar a idade? – Tetsutetsu perguntou, revirando o olhar. – Não consigo dizer quantos anos possuo, mas vinte não seria nem metade de meu tempo de vida. 

– Como pode então parecer ter meu físico?  – Kirishima perguntou confuso.  –  Por que parece tão jovem?

– Metabolismo lento. – Tetsu explicou.  – Na forma dragoniana o metabolismo é mais lento.

 – Demoram a envelhecer. –  Midoriya completou. – O senhor Bakugo falou que havia relatos de um dragão que viveu por mais de cem anos.

– Viveria mais se não fossem pelos humanos. – O híbrido informou voltando ao semblante sério.

As vezes se perguntava porque interagia com os mesmos. 

Estar caminhando junto a eles era uma ofensa ao sofrimento de seus antepassados. Mesmo assim não podia negar também estar curioso em alguns pontos.

– Desculpa, mas pra mim tá tudo muito confuso.  – Kaminari falou já estressado.

 Sempre fora julgado como não tão inteligente, mas aquilo era informação demais para até o mais esperto dos amigos digerir. 

– Se esteve vivo por tanto tempo, onde você estava? Por que resolveu aparecer justo agora, sobrevoando uma aldeia de caçadores? E o mais importante, por que chamou o Kirishima até aqui?

Perguntou sério, sem mais paciência ou forças para teorizar.

Dessa vez até Midoriya e Kirishima concordavam com tal surto por respostas.

 – Quanta coisa. – Tetsutetsu falou, sem saber por onde começar. – Estivesse escondido. Após a morte do meu irmão eu não podia arriscar. Por isso me escondi por anos dos humanos.

Ok, aquilo fazia sentido. 

Qualquer dragão em sã consciência faria o mesmo.

– Quanto ao chamado, não fui eu quem iniciou.  – Tetsutetsu falou, olhando diretamente para os olhos de Kirishima.  – Eu senti a presença do meu irmão se manifestar há cinco dias atrás, por isso sai do meu esconderijo e acabei sendo atingido ao sobrevoar sobre o vilarejo. Só o chamei depois disso. – Explicou. – Eu vim porque te ouvi, Eijirou. Foi você quem me chamou, não o contrário.

 

 

Kirishima piscava os olhos confusos, sendo encarado pelos amigos.

 – Cinco dias atrás.  – Kaminari se lembrou. – Foi no dia que Kirishima surtou e fugiu da vila pra salvar o Bakugou.

–  Já é a terceira vez que vocês citam esse tal Bakugou.  – Tetsutetsu notou. – Quem é esse?

– Namorado do Eijirou. – Kaminari respondeu direto, fazendo o rosto de Kirishima corar.  – Que foi, era segredo?

– Não rotulamos nada ainda. – Kirishima respondeu constrangido. – Mas isso não importa. O que o Bakugou tem a ver com isso? O cheiro dele tava impregnado no esqueleto do Red Riot.

 –  Eu não sei o que quer dizer, mas no dia que o Bakugou se machucou você surtou bonito, lembra? – Kaminari perguntou. – Parecia um animal selvagem e saiu correndo do vilarejo para salva-lo.

Kirishima piscou os olhos confuso.

Em tal dia seu corpo fora tomado por instintos primitivos. A verdade é que pouco lembrava de tudo aquilo.

–  Riot correndo para salvar um humano? – Tetsu perguntou confuso.  – Ele os odiava mais do que tudo.

– Mesmo assim poupou a família Bakugou, quando Kacchan era recém-nascido.  – Midoriya falou, citando várias teorias de forma incompreensível de tão rápida. – O cheiro do Kacchan estava na carcaça. Kirishima-kun sentiu sua intuição despertar pela primeira vez quando ele se feriu. – Falou, com o dedo nos lábios pensativo.  – Qual a ligação de tudo isso? O que estamos deixando passar?

– O sorriso. – Kirishima se pronunciou, sentindo os três corações dispararem.  – O primeiro sorriso do Bakugou foi para o Red Riot.

 – Ele te marcou. – Tetsutetsu falou boquiaberto. – Um humano te marcou. Não... não... impossível. – Falava, puxando o cabelo em desespero. – Você é o que? Burro? Como deixou isso acontecer?

Kaminari olhou de um para o outro, já revoltado sem entender nada.

 – Alguém pode por favor me explicar? Marcar? O que isso significa?

  – É quando dragão se encanta e promete lealdade eterna a outro. – Midoriya falou quase pálido. – É isso, certo?

– Espera.  – Kaminari pediu. – Isso significa...

 – Meu irmão, quando vivo, deve ter se encantado.  – Tetsutetsu olhava seriamente para Kirishima, mesmo ciente que o jovens híbrido não tinha culpa alguma naquilo. – Ele se deixou ser marcado pelo sorriso desse tal Bakugou. Por isso o cheiro dele ainda está preso a si, mesmo depois de morto.  – Falou, enquanto Kirishima ouvia a tudo, sentindo-se desnorteado.

– Eijirou... – Kaminari finalmente ligou os pontos.  – O dragão reencarnou em você para encontrar o Bakugou.  – Disse incrédulo.  – Foi por isso que você surtou e seus instintos surgiram quando ele se machucou.

Kirishima nada falou, apenas encarando a estrada que enfim haviam alcançado. Caminho que o levaria de volta a Bakugou, em sua vila.

Algo lhe dizia que as coisas de alguma forma mudariam, assim que se reencontrassem.

Tetsutetsu também olhou a estrada, receoso sobre o que sua presença junto aos humanos e a de Kirishima a partir de agora significaria.

– Sentir esse humano em perigo despertou seu espírito adormecido.  – Informou, de certa forma também curioso pra conhecer o famoso Bakugou.  – Acho que ele é o único que pode te ajudar.

 – Ajudar?

Tetsu se forçou a sorrir dando os primeiros passos pela estrada, ainda de forma desajeitada devido a falta de prática.

 – Não fomos feitos para andar por grandes distâncias. – Comentou. – Estou começando a achar que esse humano é a chave para retomar sua verdadeira forma. É ele quem irá ajudá-lo a voar.

 


Notas Finais


Por enquanto é isso ;)
Vou tentar não demorar tanto pra postar o próximo capítulo
Pode ter sido muita informação e estar confuso, mas as pouquinhos vou explicando melhor
Bjinhos


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