História Plantão da Madrugada - Capítulo 8


Escrita por: ß

Postado
Categorias Naruto
Personagens Karin, Orochimaru, Sakura Haruno, Sasuke Uchiha, Suigetsu Hozuki, Tsunade Senju
Tags Grey's Anatomy, Hospital, Karin, Medicina, Naruto, Romance, Sasusaku, Suigetsu, Suika, Suikarin
Visualizações 85
Palavras 1.990
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Ecchi, Hentai, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Universo Alternativo
Avisos: Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Nudez, Sexo
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 8 - Eu estava quieta, mas meu coração te implorava pra ficar


Fanfic / Fanfiction Plantão da Madrugada - Capítulo 8 - Eu estava quieta, mas meu coração te implorava pra ficar

Tentei não pensar demais no frio em minha barriga toda vez que eu tentava encontrar significado nas palavras que Suigetsu havia dito e simplesmente virei de costas para ele e fechei os olhos, tendo para mim o curto espaço de tempo até o nosso destino.

Não demorou muito - ou eu simplesmente devo ter caído no sono - para chegarmos em uma base militar de aterrissagem totalmente caótica. Olhei para os lados tentando me orientar, mas tudo o que eu vi era Suigetsu me mirando, sério.

— Você precisa comer alguma coisa. — Ele disse, sua voz um pouco carregada. Com a delicadeza de um rinoceronte, enfiou um saco nas minhas fuças. — Toma, pedi pra comissária de bordo algo para você comer.

— Meu Deus, Hozuki! — Peguei o saco da mão dele e esfreguei a ponta do meu nariz recém atingido. — Obrigada.

Abri o saco e de dentro tirei uma embalagem de isopor cheia com uma espécie de bife e salada, e um copo com tampa do que eu agradeci aos céus por ser café. Aproveitei o tempo entre a aterrissagem e a permissão de desembarque para comer o mais rápido que pude.

— Era o que eu temia… — Ouvi Suigetsu suspirar ao meu lado.

— Qual o problema? — Falei de boca cheia.

— Olha a situação da chuva lá fora. — Ele se recostou no banco para que eu pudesse ver através da minúscula janela. Assim como em Konoha, o aguaceiro também estava forte.

— Isso só vai piorar a situação do nosso trabalho, que já não é das melhores.

A comissária de bordo anunciou o desembarque, mas esperamos até o último médico descer para que eu pudesse terminar de comer. Naquele momento de extrema satisfação e barriga cheia, eu agradeci aos céus pelo Hozuki ter tido um momento de iluminação divina em pensar em algo que nem eu mesma havia me ligado.

Suigetsu e eu pegamos nossas bolsas e descemos, acelerando passo para alcançarmos nossos colegas. A chuva caía pesada contra nossos ombros e meus óculos já começavam a embaçar por causa da minha respiração contra o frio. Me senti grata por estar protegida com a roupa impermeável que me mantinha quentinha.

— Olhando para o céu, quase não dá pra imaginar que é quase quatro da manhã. — Escutei Naruto comentar.

Realmente não havia nenhuma premissa de alvorada.Tudo o que tínhamos era a escuridão de um céu avermelhado e a chuva que dele despencava contra nossas cabeças.

Não foi preciso esperar para irmos de encontro à tragédia. Um caminhão de transporte militar nos carregou até lá e em menos de dez minutos já estávamos em pleno terreno do desastre aéreo.

E que desastre…

Senti meu coração acelerar ao não conseguir mensurar de imediato o que meus olhos estavam vendo.  Ali estava eu, de frente à um avião enterrado no que restou de um prédio de quatro andares parcialmente destruído. Fiquei impressionada com a quantidade de poeira que teimava a se fazer presente apesar das lágrimas do céu.

Por todo lado haviam pessoas machucadas sentadas no meio fio, outras tantas deitadas pedindo socorro, lençóis e lonas cobrindo o que eu sabia serem corpos...

— Karin…? — Senti uma mão me puxar com cuidado pelo antebraço e a voz estranhamente agradável aos meus ouvidos me chamar.

Me voltei para Suigetsu e me dei conta de que estava vendo apenas um recorte de toda a realidade que estava bem ali. Do outro lado, onde deveria estar a cauda do avião, um mercado e outro estabelecimento - que eu julguei ser o complexo militar - não estavam em situação melhor que o pronto socorro.

Mas o pior ainda estava por vir. Ah, sim… nós vamos chegar lá.

Percebi muitos médicos que não conhecia já em ação, provavelmente vindos de outras cidades, assim como nós. Imediatamente nos juntamos à eles e começarmos o nosso trabalho.

— Você consegue me entender? — Me ajoelhei de frente à um homem de meia idade que estava sentado no meio fio. O senhor me olhou por segundos que se pareceram horas.

— Minha mulher… Minha mulher grávida e minha criança...

O senhor agarrou a manga do meu macacão, em choque.

— Senhor, por favor, tente se acalmar. — Suigetsu se ajoelhou ao meu lado e eu o vi envolvendo o braço do paciente com um gesto genuíno de carinho. Sem qualquer resistência ele se deixou ter a mão envolvida pelas do Hozuki, que a manteve segura todo o tempo. — O senhor sabe onde sua esposa está? Qual o seu nome?

— Não senhor. — Ele fungou, lutando contra as lágrimas que teimavam em romper as barreiras de sua linha d'água. — Meu nome é Yugio Takahebi.

— Olha, Sr. Takahebi… — Suigetsu afastou os cabelos platinados que estavam teimando em escorrer na direção de seus olhos. — Eu sou o Dr. Suigetsu e ela é a Dra. Karin. Nós precisamos cuidar de você primeiro para te deixar no jeito para procurar por elas, entendido?

— Entendido, doutor. — Percebi um sorriso tímido no canto dos lábios de Yugio. Eu não tinha dúvidas de que Suigetsu havia conseguido acalmá-lo.

Prossegui o exame, conferindo  e perguntando os mínimos detalhes do que ele se lembrava. Excluindo a possibilidade de trauma e o Hozuki tendo chegado ao mesmo resultado que eu, direcionamos Yugio até a tenda de recuperação montada a poucos metros de distância dali.

— Obrigado, doutores. Muito obrigado.

— Fique tranquilo, senhor Yugio. — Sorri para ele. — A equipe de resgate irá encontrar a sua família. — Disse em minha despedida. Do fundo do meu coração desejei que fossem encontrados, principalmente com vida.

 

[...]

 

O Hozuki e eu seguimos com a triagem e os procedimentos sem cessar. Havia um alívio compartilhado quando pegávamos pacientes que estavam relativamente bem. Mas, da mesma forma em que nosso sentimento era similar, doía com tamanha intensidade quando tínhamos a dura constatação de que alguns deles não iriam suportar.

Não, não é porque somos médicos que nos acostumamos com a morte. Não nos transformamos em robôs só porque precisamos manter a cabeça no lugar em momentos como o que estávamos vivendo. Sabemos que a morte é um processo natural da existência humana, mas passar por isso é uma relação de sentimentos complexos e grande empatia.

Empatia essa que parecia pesar mais em Suigetsu.

Doeu em meu peito quando o auxiliei na triagem de um garotinho com um corte na cabeça, que ao princípio do atendimento estava respondendo bem. Porém, em questão de segundos, pendeu seu corpinho para frente, batendo com tudo contra o peito de Suigetsu. Deus do céu, acho que jamais serei capaz de me esquecer do Hozuki levantando aquela criança nos braços e sair correndo até uma ambulância, só para se frustrar ainda mais ao não receber resposta à tentativa de ressuscitação que ele insistiu em fazer repetidas vezes.

— Hozuki, não há mais nada que você possa fazer por ele… — Eu toquei em seu ombro, falando da forma mais suave que eu conseguia. Já havia ministrado o limite de adrenalina via intravenosa que podíamos.

— Se afasta. Me deixa tentar mais uma vez. — Me ignorou.

— Suigetsu, temos outros pacientes precisando de nós.

— Só mais uma vez. — Ele disse sem me olhar nos olhos.  Tive a impressão de que ele, na verdade, falava consigo mesmo. Suas mãos alvas levantaram as pás do desfibrilador, se preparando para mais um choque.— Um, dois, três… Vamos, reaja! Um, dois, três…

— Não há nada que você possa fazer, doutor. — O paramédico da ambulância disse, sério.

Suigetsu suspirou, vencido pela constatação do que já estava óbvio desde o momento em que ele correu com aquele menino nos braços.

— Você está bem, Suigetsu? — Me preocupei.

— Hora da morte… — Ele olhou para o relógio de pulso, ignorando mais uma vez a minha pergunta. — Quatro e quarenta e cinco. Vamos seguir, Dra. Uzumaki. Não se preocupe comigo.

Vivi um misto de emoções conflitantes quando o vi descer daquela ambulância e seguir na minha frente, voltando para o ponto dos atendimentos. Senti uma vontade imensa de socá-lo pela petulância em me dar as costas e falar comigo como se não me conhecesse. Porém, também quis incontrolavelmente abraçá-lo e dizer que aquilo iria passar. Me contentei em correr em seu encalço, colocando minha cabeça e sentimentos no lugar.

Passados mais e mais atendimentos, estávamos indo prestar socorro à uma mulher com a perna ferida quando, do nada, ouvi um clamor estridente e desesperado em meio ao barulho que nos cercava.

— Suigetsu, está ouvindo isso? — Me virei para ele, atenta.

— Isso o q…

Mais uma vez o grito, dessa vez um claro “Por favor, ajuda” infantil.

— Esse grito!

Corremos em direção aos gritos, torcendo para que quem fosse que estivesse pedindo ajuda não desistisse de chamar. Estava difícil localizá-lo, mas, por causa de uma boa jogada do destino, chegamos até a origem do pedido de ajuda.

— Ajude a minha mamãe!

Quase sem conseguir respirar direito, chegamos até uma garotinha de uns sete ou no máximo oito anos, que chorava em plenos pulmões ao lado de uma lacuna de destroços do que seria o parte do pronto atendimento. Ela estava completamente coberta de fuligem e sujeira.

— Garotinha, qual o seu nome? — Me aproximei com o máximo de cuidado que consegui, tentando não assustá-la. — Meu nome é Karin. Tia Karin.

— Minha mamãe… — Ela chorava. — Vocês precisam ajudar minha mamãe.

— Onde está a sua mãe, querida?

— Lá embaixo… — Ela apontou o dedinho para a lacuna entre a lateral do prédio e os destroços de concreto.

Meu coração congelou.

— Com quem mais você estava, querida? — Perguntei, preocupada.

— Com meu papai e minha mamãe. — Soluçou. Sua voz se tornava embargada toda vez que tentava elaborar uma frase maior. Olhei para Suigetsu. Ele parecia estar pensando a mesma coisa que eu.

— Eu sou o Tio Suigetsu. — O Hozuki se ajoelhou para ficar no nível dos olhos da garotinha. — Qual o nome do seu papai, querida.

— Yugio.

Puta que pariu...

Suigetsu pegou um cobertor térmico de sua bolsa, envolveu a garotinha e a colocou no colo, a embalando nos braços.

— Precisamos entrar, Suigetsu. — Olhei para ele, séria.

Sinceramente, eu acho que não tinha noção da loucura do que eu havia dito.

— Mulher, você sabe que ninguém em sã consciência iria nos autorizar a entrar lá embaixo, né?  

— Tem uma mulher grávida lá embaixo, Hozuki. Eu não posso ficar de braços cruzados aqui.

O Hozuki e eu trocamos um breve olhar silencioso, mas que dizia muita coisa. Naquele momento eu soube que poderia contar com ele para qualquer loucura.

— Eu vou levá-la para a tenda de triagem. Não faça nada até eu chegar.

Prendi meu olhar ao de Suigetsu uma última vez, até ele se virar e correr com a garotinha em seus braços. Aproveitei o tempo para conferir minha bolsa de resgate e me equipar com uma lanterna de cabeça e encaixar uma lente de segurança por cima dos meus óculos. Menos de dois minutos depois o Hozuki chegou, ofegante da corrida que havia feito até mim.

— O que você acha que está fazendo? — Ouvi Suigetsu reclamar — Nem em sonhos que eu deixaria você entrar primeiro, mulher. — Com uma agilidade invejável ele tirou minha lanterna de cabeça e ignorou todos os meus protestos. — Você fica aqui enquanto eu verifico se é seguro lá embaixo. Se eu não voltar em dez minutos chame alguém do resgate.

Fiquei sem reação alguma quando ele segurou minha mão e deu um aperto forte, se despedindo de uma forma tenra. Tive que fazer um esforço colossal para soltar sua mão. Foi ainda mais difícil vê-lo se debruçar por sobre a fenda e pouco a pouco se arrastar para dentro dela, até finalmente sumir.

 



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