História Plantão da Manhã - Capítulo 39


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Categorias Naruto
Personagens Ino Yamanaka, Kabuto, Karin, Mangetsu Houzuki, Orochimaru, Sakura Haruno, Sasori, Sasuke Uchiha, Suigetsu Hozuki, Tsunade Senju
Tags Drama Médico, Hospital, Kabukarin, Mansaku, Medicina, Médico, Plantão Da Madrugada, Sasosaku, Sasusaku, Suikarin
Visualizações 481
Palavras 2.609
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Ecchi, Famí­lia, Ficção, Hentai, Literatura Feminina, Romance e Novela, Saga, Shoujo (Romântico), Universo Alternativo
Avisos: Álcool, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Finalmente estou de volta, depois de um século sem atualizações.
Digo à vocês, minha vida em terras lusitanas não têm sido fácil. Como não posso trabalhar como psicólogo aqui, pois preciso cursar mais dois semestres de adaptação de matérias, tive que encontrar um emprego regular. Passei a trabalhar numa cafeteria e há dias que cumpro 14/16 horas. Têm sido um suplício, mas é passageiro - como tudo nessa vida.
Espero de coração que curtam este capítulo. Eu estava com muita saudade de poder voltar aqui e deixar algo dessa saga que tanto amo. Aliás, há um spin-off postado algumas semanas atrás que eu já havia mencionado anteriormente. É uma narrativa do Sasori sobre um trecho ocorrido no treinamento deles para médicos de combate. Deixarei o link de "Plantão de Guerra" nas notas finais.
Muito obrigada por todo o apoio e compreensão s2

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Capítulo 39 - A vida é curta e a espera é longa


 

Uma tempestade. Se tivesse que definir Sakura no momento que a vi saltar da cama e partir pra cima de Mangetsu com toda fúria, seria essa a comparação. 

Estava com o aspecto selvagem, de uma forma um tanto diferente. A primeira coisa que consegui perceber foi o cabelo curto, pouco acima dos ombros. Não tinham mais a capacidade de ocultar seu rosto, que naquele momento parecia carregar mistérios além do que estavam em meu alcance.

— EU TE ODEIO, MANGETSU! — Avançou contra ele com todo o peso do corpo, quase o derrubando com o impacto. Porém, com mais força do que ela conseguiu prever, o cirurgião plástico a segurou com um dos braços ao redor da cintura e a ergueu no ar, como uma criança birrenta que não para de se debater. — ME COLOCA NO CHÃO, HOZUKI! EU VOU CHAMAR A POLÍCIA!

— Nós já não estamos em uma base militar? — Ele riu, achando mais graça do que qualquer coisa. — Ora, se recomponha. Não é como se eu tivesse trazido o Uchiha aqui sem que você não soubesse.

— Eu não imaginei que… — Estava desarmada, sem argumentos.

E eu, naquilo tudo? Estava completamente sem reação, numa espécie de incompreensão entorpecente de uma ignorância constrangedora. Era óbvio, Sakura não estava em plenitude de suas capacidades e algo era grande demais nisso tudo para ser ignorado em tal ponto. Afinal, Mangetsu não teria feito aquela viagem imensa à toa.

— Olha, eu vou deixar vocês terem a bendita conversa e vou ver se encontro algum lugar para passarmos à noite.

— E como vamos voltar pra casa? — Olhei para Mangetsu, me lembrando da hilux estacionada nos fundos da casa de swing há quilômetros de distância.

— Tudo vai depender dessa senhorita aqui. — Olhou para Sakura antes de deixá-la por os pés no chão. — Você, menina, terá tempo para me matar depois. Agora, ocupe-se em fazer o que havíamos combinado.

Antes de virar as costas, Mangetsu me lançou um olhar estranho, que àquela altura eu não compreendia bem o que poderia significar. Seus olhos púrpuros esboçavam as primeiras linhas de expressão vindas da idade, mas tinha o espírito rejuvenescido e gentil como o de uma criança.

— Até mais. — Saiu pela porta, nos deixando com o som de seus sapatos a se distanciar.

E, então, o maldito silêncio.

Uma manta desagradável de escuridão, composta por tudo o que havíamos enfiado goela abaixo. Um milhão de coisas para dizer, mas nenhuma delas adequadas para começar a falar.

— É… — Pigarreei. — Você cortou o cabelo.

— É, eu cortei. — Suas palavras soaram agressivas, mas seus olhos me mostravam o quão assustada e acuada estava. Aquilo não ajudava em nada.

Dava para ouvir o pouso de helicópteros por perto, sirenes de alerta e gritos ritmados, carregados de um incentivo velado de esperança e motivação. Mas não era para isso que eu estava ali. 

— O que está acontecendo? — A encarei. Sinceramente, adiar aquilo não faria bem para ninguém.

— O que está acontecendo, Sasuke? — O riso saiu com as nuances de deboche que Sakura sabia delinear bem quando tentava disfarçar a própria frustração. — Com você, nada.

— Se não tivesse nada ao meu respeito, com certeza eu não estaria aqui. — Arqueei a sobrancelha e respirei fundo. — E, aparentemente, é algo que ainda não sei.

— Sasuke, você perdeu o direito de saber qualquer coisa depois daquele show que você deu no aeroporto. Você acha que eu não sei? Além de ser um completo babaca comigo o dia todo, partiu pra cima do Mangetsu sem motivo algum.

Bingo! Mesmo sem saber, ela acabou dando a chave de entrada para a conversa. Era uma característica dela, deixar as brechas de uma frase carregadas de emoção.

— É, eu fui um tremendo de um idiota com todo mundo. — Admiti.

— É, foi mesmo. — Seus braços permaneciam cruzados.

— Acredite, eu aprendi mais nestas últimas semanas do que em toda a minha vida. — Continuei. — Sobre você, os sentimentos dos meus amigos e, principalmente, sobre mim mesmo.

— Isso não muda tudo o que aconteceu.

— E eu sei que não, Sakura. Nem é minha intenção. Aprendi demais nesse meio tempo ao ponto até de valorizar o ápice crucial daquilo tudo. O que eu não posso é ficar me lamentando, lambendo minhas próprias feridas, sem tomar uma atitude quanto ao que ainda me machuca...

Os braços de Sakura, antes cruzados contra o corpo, soltaram-se ao seu redor. Rompia-se uma barreira.

— … E o que ainda me machuca é ter deixado você partir daquele jeito e as palavras que eu disse ao invés das que deveria ter sido capaz de dizer, mas que exigiam de mim uma maturidade que ainda não havia atingido. — Puxei ar para os meus pulmões, querendo acalmar dentro de mim a tormenta que se formava.

Eu havia imaginado, assim como antes, tudo aquilo. Estar na frente dela e confrontar a mim mesmo em uma exposição íntima de meus sentimentos dolorosos. Ali eu suava frio e as mãos tremiam de uma forma perigosa, caso estivesse em uma cirurgia. Logo eu, tão habituado aos altos níveis de estresse e risco, me sentia como uma criatura frágil e vulnerável.

— Eu não vim para pedir desculpas, mas planejava suplicar perdão em outra circunstância. Quando me deparei com a verdade na minha cara, ver você partindo, não consegui deixar de reviver a mim mesmo no…

— Eu tive um abortamento. — Me cortou num repente e eu não tive capacidade de processar aquela informação. 

Congelei, meus olhos vidrados cravaram-se na mulher que me observava em profunda dor. As lágrimas nasciam em suas orbes, roubando qualquer vestígio de cor que pudesse ali morar. Ali, Sakura caía por terra e tudo vinha até minha compreensão. 

Tudo formava um sentido.

— Você… — Fui até ela, a amparando em meus braços. — Sakura, não…

— Eu não ia contar pra você. Não agora. — A voz estava embargada e suas lágrimas caíam com tanta consistência que era impossível não me molhar. 

Chegaria o momento em que eu não saberia diferenciar o choro dela do meu.

— … Eu ia voltar para casa, largar isso tudo pra trás, mas depois decidi me isolar no loft de campo da minha mãe… Cheguei num ponto que nem sabia mais o que iria fazer, completamente desnorteada. 

— E por que não iria me dizer, Sakura? — Eu não compreendia. Eu também era parte daquilo.

— Por causa de tudo, Sasuke! Eu sabia que em algum momento nós iríamos ter uma conversa, mas não tinha como voltar atrás. — Fungou, buscando se estabilizar. — Eu vim pra cá, comecei o treinamento, me embrenhei em trincheira… Mas eu não sabia, Sasuke. Eu juro pra você que não sabia…

— Eu sei que você não sabia, Sakura. — A abracei, tentando absorver aquilo tudo. Eu, que jamais havia levantado a possibilidade, poderia ter sido pai e aquilo doía mais do que eu poderia imaginar.

Como eu não sabia que queria aquilo? Como ainda era capaz de descobrir algo mais sobre mim mesmo, dessa magnitude?

— Não há um suporte de medicina obstétrica adequado aqui, mas foi o suficiente para confirmar o quadro gestacional. Tive uma conversa com a Karin por vídeo-chamada, mas ela ficou presa no hospital por causa de uma emergência. 

— O que você acha que podemos fazer? — Engoli em seco, buscando alguma luz naquilo tudo.

— N-nós? — Suas mãos agarraram as mangas da minha camisa. Eu não conseguia reconhecer o tom em sua voz. — Sasuke, ainda há um “nós”? Pelo amor de tudo o que existe, o que você está vendo que eu não consigo enxergar?

Ah, Sakura… Se aquela mulher fosse capaz de enxergar meus pensamentos, jamais duvidaria do que dizia meu coração.

— Sakura, em mim, jamais deixou de existir “nós”. Eu fui um idiota, fechei coisas da minha vida pessoal e acabei por exigir de você uma compreensão sem embasamento, quando tudo o que você sempre fez foi ser sincera e aberta comigo. E agora, vendo tudo o que você precisou passar sozinha, me fez perceber o quão diferente eu e você somos em relação aos meus pais.

— Mas, Sasuke…

— Sakura, por favor, me perdoe. Não somente por esconder algo importante sobre meu passado, mas por não tê-la enxergado como mulher. Nada neste mundo se compara ao amor que sinto por você e o quão forte ele grita em meu peito. — Tudo o que eu pensava vinha ao mundo. — Então, se eu não puder tê-la pelo resto da minha vida, respeitarei as consequências do erro que cometi. Lamentarei até meu último suspiro, mas o universo sabe o quão a amo e amarei até o fim. 

— Sasuke, onde você quer chegar com isso? — Senti seu corpo de afastar do meu. Agradeci aos céus por poder ter a visão perfeita e poder olhá-la em sua imaculada existência.

— Case-se comigo, Sakura. Seja a minha esposa, mãe dos meus filhos e dona de tudo o que irei construir no futuro.

 

(...)

 

Naquele início de noite, entrei no que poderia ser perfeitamente definido como inferno na terra. Fazia um calor infernal, mosquitos e pernilongos zumbiam em sua dança no ar úmido que deixava nossas peles grudadas de suor. Subindo uma escada escura, cheguei naquele maldito hostel mofado, enfurnado nos fundos de uma antiga sede de treinamento. 

Era o lugar de gosto mais duvidoso que eu já havia posto os pés em toda a vida. Não tinha qualquer sinal de luz solar e os quartos eram separados por um corredor estreito, com uma recepção minúscula - de onde um homem mal educado nos respondia com impaciência. Aparentemente não falava nosso idioma muito bem ou não compreendia o sotaque carregado de Mangetsu.

— Mangetsu, que merda de lugar é esse? — Olhei para os lados, enquanto íamos para o quarto número oito. Um hóspede transitava semi-nu, sem qualquer pudor. 

— Era o único hostel nessa cidade, se é que podemos chamar disso. — Estava tão insatisfeito quanto eu. — Pra conseguir hospedagem decente, só na área urbana. O campo de treinamento é um tanto distante para poder ir andando.

Não tinha como discordar. Naquelas condições, ter um teto já era o suficiente. Mangetsu estava cansado depois de dirigir por metade de um dia e ainda por cima se “exercitar” ao seu próprio jeito. Já eu… Bem, havia muito cansaço psicológico e emocional para lidar.

Entramos no quarto minúsculo e o cheiro de mofo também era uma realidade ali. As paredes eram verde musgo, a única cama de casal parecia bem desgastada e a tomada do televisor de tubo emitia alguns ruídos preocupantes. 

— Pelo menos os lençóis estão limpos. — Meu amigo se sentou na cama e tirou os sapatos, arfando de satisfação e alívio. — A comida já está vindo.

— Comida? — Àquela altura eu já estava convencido de que iríamos passar a noite de estômago vazio. 

— Tem um aplicativo de entrega de comida e, ao contrário do uber, funciona aqui. Espero que não se incomode em comer um hamburguer com o nome de cheese avc. Achei que seria uma ironia divertida fazer um neurocirurgião comer isso.

— Eu não sei como ainda consigo achar graça dessas coisas que você faz. — Encontrei forças para sorrir. 

Eu não tinha dúvidas, ele era meu melhor amigo. 

Havíamos caminhado por três quilômetros até o hostel e eu não tinha encontrado uma forma de dizer à ele tudo o que tinha acontecido naquela enfermaria. Ele estava preocupado, não tinha como disfarçar, mas respeitava meu silêncio.

Me mantive um pouco introspectivo por certo tempo. Ele foi para o banho, eu recebi a comida - ignorando a fala afetada do anfitrião do hostel, reclamando de alguma coisa sobre estrangeiros folgados - e o esperei para me banhar e enfim comer. A água sob minhas costas trouxe uma onda de alívio e revigoramento que eu precisava. Quando retornei ao quarto, Mangetsu estava sem camisa e me aguardava para comer.

— Pensei que já tinha começado a comer. — Sorri.

— Não seria bons modos de um cavalheiro, mesmo em tal lugar. — Riu, me dando espaço na cama. 

Abrimos a embalagem pesada do lanche e eu entendi o motivo do nome da refeição. Era um hambúrguer gigante que deveria pesar uns quatro quilos. Queijo cheddar escorria em abundância, bacon flutuando no molho, carne fumegando, batata palha, ovos e fritas, mais queijo e uma quantidade generosa de calabresa. Jamais me esquecerei do quão impressionado fiquei, principalmente por termos conseguido comê-lo de uma vez, como dois desvairados.

Já com a barriga cheia e completamente desconfortável com a sensação de estufamento, rolei para a cama e chutei o Hozuki na panturrilha, para me dar espaço.

— Vai querer que eu te abrace? — Começou a rir. — Já aviso, sou um tanto espaçoso na cama.

— Por isso que a sua é uma king size? — Barriga cheia me deixa de ótimo humor.

— Não, não… Isso é por outros motivos! 

Me embrulhei nos lençóis e olhei para o teto, pensativo. Tinha muito para elaborar e eu duvidava muito de conseguir sozinho. 

Aliás, eu precisava de mais alguma prova de que não iria chegar à lugar nenhum confiando somente em mim mesmo?

— Eu a pedi em casamento. — Cruzei as mãos sob o peito e permaneci encarando o teto. 

— Tá falando sério? — Mangetsu surgiu no meu campo visual com o cabelo todo na cara. Parecia um labrador aguardando para o dono jogar a bolinha. — O que ela disse? Como foi isso?

Fechei os olhos e suspirei, me lembrando de tudo.

— Ela disse um monte de coisas…

— Pode começar a contar.

— Bem…

A imagem de Sakura se materializou em minha mente e eu quase pude sentir seu cheiro mais uma vez. Estava boquiaberta, com uma expressão que misturava fúria e desnorteamento.

— Ela disse “Sasuke, você está fazendo isso por causa do bebê que perdemos? Não é assim que a banda toca e você é um homem racional. Isso não muda minhas escolhas e quem eu sou… — Tomei ar, tentando ser o mais fiel às palavras dela. — … Não sei se está claro, mas eu jamais desistiria dos meus sonhos e minha carreira por causa de um homem. Mesmo você sendo a pessoa que eu amo, o grande amor da minha vida sou eu mesma!”

— Caralho, típico dela! — Ele comentou com seriedade.

— Então eu disse que ela estava certa e que eu respeitava a força que ela tinha. Afinal, essa é uma das coisas que me fez cair apaixonado por aquela mulher. Ela é independente e forte, Mangetsu. Coloca seus objetivos e sonhos em primeiro lugar, porque sabe que a vida é uma só e precisa ser construída. Mesmo assim, não passa por cima de ninguém. 

— Ela dá a mão para ajudar para que todos ao redor consigam o mesmo. — Mangetsu completou meu raciocínio. — É, a Sakura é assim…

— Então ela começou a chorar, depois ficou brava comigo, dizendo “Você está sendo impulsivo mais uma vez, como foi no aeroporto…” — Revirei os olhos e mordi o canto do lábio. — Parecia que tudo o que eu dizia não tinha qualquer efeito naquela mulher.

— Tá, mas e aí… — Os olhos do meu amigo estavam imensos. — Depois você fala do quebra pau. O que ela respondeu?

— O que ela respondeu? — O riso anasalado saiu sem força. — Mangetsu, ela aceitou.

Sakura seria a minha esposa.


Notas Finais




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