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História Play Date, Yuta Nakamoto - Capítulo 3


Escrita por: e JAEHWALIPS


Capítulo 3 - Ciranda, Cirandinha, quando vamos nos encontrar?


VER O ROSTO DE RYUNA NOVAMENTE FOI UM CHOQUE. Os pelos de sua nuca se erriçaram de imediato. Seu peito vibrou agonizantemente em seu peito, dilacerando vestígios de sua segurança inabalável. Não sentia-se preparado: mentalmente, fisicamente e nem mesmo emocionalmente. O Nakamoto nunca fora um covarde — ao menos eram o que suas atitudes e pensamentos indicavam — mas, por que naquele momento, ele sentiu o genuíno desejo de sair daquele local e deixar seu passado, um detalhe importante dele para trás?

A sensação não passou despercebida ao rapaz. Decidiu que investigaria o sentido daquilo, brevemente. Embora, concluísse temporariamente que fosse o efeito do reencontro com sua melhor amiga de infância. Ainda que tivesse plena ciência de que a Takeda simbolizava muito mais do que a garota com quem dividiu seus brinquedos, desenhos e choros infantis.

Ryuna Takeda havia sido a primeira garota a estar consigo em toda sua vida. O motivo pelo qual ele se pegava um tanto receoso em interferir na vida emocional de outras pessoas tinha uma razão clara: ele sabia o quão danoso o amor unilateral poderia ser. Ao menos, se pegava refletindo como deveria ter sido decepcionante para sua antiga amiga. 

Yuta não soube diagnosticar o que sentiu, era incomum como uma doença rara. Tão incomum como o choque elétrico que percorreu suas veias no momento em que seus olhos se cruzaram. Não deixou de negligenciar uma minuciosa análise de seu rosto enquanto se encaravam, a tensão foi palpável.

A-Ah, então você é a enfermeira que eles tanto falam? — O Nakamoto precisou endireitar sua postura. Quase engoliu em seco, controlou seus instintos. 

A expressão dela era indecifrável, como de anos atrás. Não soube julgar o que ela achava da situação. Decidiu que deixaria sua personalidade lidar com a situação.

Se fosse depender da iniciativa de Ryuna: demoraria. Em tais condições, o ruivo não fazia a mínima ideia de quem a Takeda havia se tornado. Yuta não era idiota. Mudar e se transformar, como uma metamorfose ambulante fazia parte de todos nós — mesmo que ele dissesse que pouco havia se transformado — e, ao olhar para a Takeda, tinha certeza que era verdade.

— Faz um bom tempo, Ryuna — Se permitiu sorrir, um pouco mais receptivo. A ferida que estava se cicatrizando no delicado coração da morena ruiu. Preferia que Yuta tivesse se esquecido de tudo, inclusive de si mesma, seria menos doloroso. —, é uma surpresa te encontrar por aqui, ainda mais cursando área da saúde, pensei que queria se manter o mais longe possível da área da sua irmã. 

Uma onda de nostalgia a invadiu. Ryuna lembrou-se de quando falavam sobre o futuro debaixo do céu estrelado, com as ondas gélidas da praia em seus pés e um pacote de doces em mãos. Yuta tinha cada ideia mais maluca que a outra, o que a fazia rir alto e invejar a capacidade de divagar entre futuros alternativos. Parecia um próprio roteirista com direito a um Oscar. Pensava que Quentin Tarantino poderia ser desbancado por Nakamoto e sua imaginação. 

As palavras engasgadas em sua garganta a incentivavam em o tratar como um velho amigo, esse que compartilhou momentos tão especiais e preciosos. Tentando não se render pela atenção que era dedicada exclusivamente a ela. Adorava ver o rostinho entusiasmado de Yuta: ele ficava tão adorável.

Uhm, parece que está certo, é surpreendente — Não controlou o jeito que retrucou o que havia dito, soando um tanto vaga. Ela não o direcionou o contagioso sorriso que a anos Yuta a elogiava. Deixando-o sem graça. A Takeda, colocou a pequena mochila que carregava seus pertences, desviando a atenção do desconcertante japonês a sua frente.

— Foi bom o reencontrar, Nakamoto — Não, não pareceu nada agradável. Pareceu como um banho frio em um inverno rigoroso. Yuta não gostou de como ela o chamou: nada perto de seus antigos apelidos. Tudo bem, ele não esperava que Ryuna agisse como antes, como se estivesse tudo perfeito entre ambos e como se não tivessem passado sete anos separados. 

Era só...decepcionante para o ruivo. Nem mesmo teve tempo para pensar em suas próximas ações, vendo Ryuna deixar o cômodo. Deixando-o sozinho na enfermaria. Onde estava sua iniciativa habitual? Yuta permaneceu estático, revirando o passado em sua mente. 

Não reagindo muito bem, era conhecido por quem era próximo por ser especialmente bem resolvido — isso incluía qualquer tipo de relacionamento que tivesse — mas, ele sentiu-se perdido, sem direção alguma naquele momento. Naquela noite, ele não conseguiu dormir bem, muito menos estudar para os exames perdidos, pareceu um enigma que o incomodou. 

Se existia uma coisa que Yuta não poderia suportar eram mal relações: ela o odiava pela rejeição de anos atrás? ela o odiava por não ter chegado a tempo e ter a salvado? ela o odiava pelo tempo ter passado e ele nunca ter ido atrás dela?

Ainda que dissesse a si mesmo que não tinha arrependimentos, ele tinha um. Na ciranda que era sua vida, as canções pareciam repetir a intensidade do quanto procurava incessantemente o sentimento que uma vez o preencheu como uma tempestade, incapaz de entender como a memória perdida de Ryuna ainda exercia influência sobre suas ações. 

— Alguma coisa aconteceu? — Estranhando o comportamento do japonês, Jung Jaehyun, seu mais novo amigo depois da tempestade que havia passado se adaptando em Seoul, indagou.

O Nakamoto ergueu o olhar. Mal notando que havia parado no meio do campus. Parado, como se fosse um fantasma. Certo vazio tingia sua expressão. Ele respirou fundo: dando um jeito de escapar daquele mar de pensamentos e retornar a superfície com uma fala que iria  o distrair. 

— Você sabe que NaRi vai a um encontro, não é? — Era uma boa cartada, Yuta não deixou de franzir o cenho, aguardando a reação de Jaehyun.

A situação de Kim NaRi — sua nova amiga — na qual havia dado certa ''força'' para que ela entendesse e superasse seu medo latente de contato físico era interessante para o Nakamoto. Não entendia como tantos caras pareciam interessados nela. 

Pareceu quase natural se aproximar e dar uma auxiliada para que ela percebesse que deveria ser mais segura e superar certos limites, mesmo que tenha tido um embate com Jung Jaehyun — quem considerou no segundo em que os conheceu como o futuro namorado não assumido da morena — mas, se surpreendeu a perceber que o cara mais galinha do campus que conquistava metade das mulheres — até mesmo as casadas — era tão estúpido e burro quando se tratava de amor.

Quem Yuta poderia julgar? Ele achava desconhecer o sentimento. Não mentiria, já ansiou por anos se questionando o que era. 

— Uhm, fiquei sabendo — Jaehyun pareceu ponderar. —, com aquele...aquele cara, não é? 

— É, ela vai sair com o Xiaojun, não interfira se não for fazer algo realmente por ela — Ordenou, não havia sido um conselho. Tinha até um tom de voz autoritário e o Jung riu nasalado.

— O que quer dizer com isso?!

— Jaehyun, olha bem para mim...— Yuta respirou fundo. Não gostava de enrolação, não. Ele detestava o quão entrelaçado as coisas eram ao seu redor. —, eu não sou palhaço ou cego, sei que fica enganando a si mesmo mas vamos falar a verdade, se você não for tomar atitude nenhuma, é melhor se contentar em torcer por ela, não era isso que você fazia? incentivava ela a aproveitar? está andando para trás? Já deveria saber que as pessoas são previsíveis. 

— Você está certo, é só que...— Jaehyun começaria a falar, o fazendo o encarar descrente. —, você não acha aquele cara um pouco...

— Se for, ela precisa descobrir sozinha e entender o que é certo para ela, já interferimos demais na vida amorosa dela, não acha? — Bufou, impaciente. Sinceramente, Yuta já começava a se questionar o que teria ocorrido se não tivesse se metido na ''questão nari'' como apelidou.

As pessoas poderiam permanecer tanto tempo longe do amor por vontade própria? Pareceu uma pergunta digna de uma boa resposta. Era possível fugir daquele sentimento da mesma maneira que ele tentava o perseguir de bom agrado?

— Se der problema..— Jaehyun começaria suas suposições, interrompido.

— Quebro a cara dele junto de você — Completou Yuta. Pareceu o único jeito de acalmar o emocionado de seu amigo. Ele era cuidadoso ao extremo, o ruivo sabia disso.—, todo mundo passa por uma coisa dessas de vez em quando, pensando bem, é o primeiro amor dela, não é? o primeiro amor é sempre...

— Alguma coisa aconteceu com você, não é? — Unindo as sobrancelhas, Jaehyun analisou.

Por que agora parece que pensa? Yuta não conteve a ironia em sua mente. Sabia que em suas conversas, era ele que tentava dar um rumo no que o moreno poderia fazer. Jaehyun era tão desorientado no sentido emocional que chegava a ser cômico. 

— Nada que eu não seja capaz de lidar, é só uma coisa que surgiu — Sem dar crédito ou importância, Yuta deu de ombros. —, uma amiga antiga...não tenho certeza se ainda é amiga, vou dar um jeito de acertar isso. 

Jaehyun encarou por segundos. Não deixou de achar a situação estranha, não pouco, em demasia. Desde que conheceu Yuta, ele se apresentava como um livro-aberto. Se havia alguém em seu passado que ele parecia tão incomodado a ponto de o fazer agir de tal forma, era no mínimo uma situação intrigante aos olhos do Jung. 

— Já pensou que dependendo de como vocês pararam de se falar, ela talvez não queira falar com você? Quero dizer...— Percebendo o rumo que a fala de Jaehyun teria, foi cortado.

— Ela já fez isso uma vez, da última vez que nos vimos, sete anos atrás, não acho que as coisas estejam as mesmas, é o que eu espero — Engolindo o fiapo de incerteza, Yuta comentou. Parte de si, queria respeitar aquela fala de anos atrás. Só que, ele preferia escutar dos lábios dela que ainda teria que manter distância. —, uma pessoa não pode continuar com o mesmo sentimento por tanto tempo, não é?

Para Ryuna, poderia ter parecido que perder sua amizade havia sido fácil para o Nakamoto. Mal sabia que tornou-se uma árdua função em seus dias. Mais ainda, por ter sentido a princípio, culpa por ter a afetado mesmo que não tivesse controle. 

— Você é o primeiro amor dela? — Dessa vez, Jaehyun era sério. Possuía um tom de voz que chamou atenção do ruivo. Nunca o viu falar com tamanha seriedade, quase como se tivesse atingido um ponto fraco. —, pensei que você mais do que ninguém soubesse sobre o que dizem sobre o primeiro amor, Yuta. 

O primeiro amor é o único eterno, como uma marca traçada no coração. A forma mais pura de amor para quem a sente, amor era inexplicável na primeira vez. Atribulado até a superfície, causando dor latente ao partir-se. Inesquecível ao se tornar a memória primordial sobre relacionamentos e sobre quais viriam a seguir. 

— Uhm, parece que seu time precisa de você — Jaehyun chamou atenção de Yuta, indicando que ele deveria ir em direção ao seu time. De longe, Yuta notou o time reunido em suas posições, haviam chegado a divisão dos esportes. —, nos vemos depois.

Ocupando sua mente com o que mais era apaixonado, futebol, teve a tranquilidade de esvaziar sua mente. Ser capitão do time de futebol principal de elite era cansativo, não negaria. Entretanto, amava jogar mais do que tudo, seus parceiros de time tornaram-se amigos próximos, ainda que parte deles fosse consideravelmente mais novos. 

— Nós poderíamos pedir para Taeyong o número dela — Yuta fazia embaixadinhas. Brincando com a bola de futebol em seus pés. Soltou uma pequena risada quando escutou Hyunjin falar. —, Renjun não quer me passar.

O Nakamoto riu soprado. Concentrado demais em seus próprios movimentos, gostava de passar o pequeno intervalo treinando suas jogadas. Não deixando de rir com certos comentários de seu próprio time. Aproveitavam as sextas-feiras, sabiam que o treinador se ausentava.

— De quem? Posso conseguir para vocês — Yuta se ofereceu, ainda sem os encarar. Ao escutar certas risadinhas, ele franziu o cenho, voltando o olhar para o time. —, qual é o problema? tem medo de eu conquistar sua gatinha?

Chenle e Renjun que estavam sentados sobre o banco se entreolharam. Ambos chineses perceberam que Yuta estava brincando mas, brincar sobre aquilo parecia um tanto incômodo para eles, o japonês não era do tipo que fazia aquele tipo de coisa. Havia sido mais óbvio quando impediu uma aposta ridícula de Jackson e Wonho — um pugilista da academia — para que conquistassem uma garota.

— Nem se você quisesse, Ryuna é quase a rainha da luta daqui — Explicou Hueningkai em um tom um tanto assombroso. Yuta arqueou a sobrancelha, pensando não ter escutado direito. Apertou os próprios olhos, inconformado. — , ah! você não sabe quem é ela, não é? 

Dando uma olhada na direção indicada antes por Hyunjin, pode ver Ryuna acompanhada por Taeyong. Yuta não admitiria mas estava perplexo e curioso. Lee Taeyong não parecia dar brecha para ninguém: soube que foi um sacrifício para que Kim NaRi se aproximasse. Mas, ele até mesmo parecia rir quando conversava com a Takeda. 

— Rainha da Luta?...Na verdade, eu estudei com ela no fundamental e médio no Japão, faz muito tempo — Yuta comentou para a surpresa deles. Chenle e Renjun não deixaram de se entreolhar, supondo que o motivo do receio de Ryuna fosse o capitão. —, então ela é próxima do Lee?

Jackson assentiu.

— É a única que fala com ele, todo mundo sabe como é o temperamento do Taeyong, ele ignora todo mundo, já acharam que eles estava namorando, até ela sair com um cara o curso de letras...— Pareceu forçar a memória. Yuta arqueou a sobrancelha, não deixaria de rir. Sabia que Ryuna tinha uma quedinha pelos garotos que eram bons com as palavras. —, acho que era Jaemin ou era Jeno? 

— Foram os dois, ela ficou com os dois melhores amigos — Corrigiu Kai, recebendo um olhar de surpresa de Hyunjin pelo mais novo saber daquelas coisas. —, mas o melhor foi quando ela ganhou o apelido de rainha da luta mesmo sendo da área da saúde, o pessoal de artes marciais ficou chocado quando ela derrubou o Jaebum.

Im Jaebum era o melhor lutador de Taekwondo da Academia. Ainda que Ryuna não entendesse absolutamente nada da arte marcial, havia utilizado seus recursos em outros golpes. Pareceu quase um milagre para os alunos que alguém havia derrubado o moreno. Mas, ao saberem que ela era de uma família de atletas — muitos lutadores — pareceu claro que tinha um talento nato, mesmo que fosse do curso de enfermagem, o que causou um enorme rebuliço na época. 

— Ela se tornou intensa, então..— Divagou em suas palavras. A imagem de uma Ryuna dando um soco no meio da cara de um cara quase o fez rir, não era de se admirar que após o incidente traumático de sua vida ela desejasse se tornar um pouco mais forte. 

Rainha da Luta? Ele se lembrou de quando seu apelido ainda era cupido dos lábios vermelhos. Parecia mais fácil. Por mais errado que fosse, Ryuna adorava remediar os corações partidos ou os costurar de novo por pura diversão. Pareceu ser até mesmo justiça divina a Takeda sofrer no amor após se distrair tanto com as tribulações dos outros. Amor alheio não era um passatempo. Pessoas não poderiam brincar de ser Eros. 

— Intensa é pouco! Sendo assim, não podemos perder a oportunidade de chamar ela para exercer o papel de enfermeira em nosso time, o antro de esportes está selecionando e escalando os enfermeiros e o pessoal de jornalismo que vai começar a nos acompanhar nas viagens dos campeonatos e temos quase certeza que vai ser uma verdadeira batalha para ela ir para lá — Jackson se meteu. 

— Não conseguimos outra pessoa de lá? — Ponderando sobre a decisão, Yuta indagou. Envolver Ryuna no time parecia uma saída racional, ela era capacitada o suficiente. Só que, o ruivo prezava por um bom relacionamento no funcionamento do time, temia que sua pré-relação pudesse os prejudicar.

— O negócio Hyung, é que aparentemente, ela é amiga do Renjun e Chenle e meio que depois do incidente do Jackson, não são todos os enfermeiros que querem ficar no nosso time — Disse Shotaro, fazendo com que Yuta intercalasse o olhar entre os citados que assentiram.

O ''incidente Jackson'' havia sido uma fratura exposta que ocorreu durante um dos jogos. Ocorreu após uma briga entre os jogadores. Todos se lembravam do quão exaltado ficou Jackson que choramingava e parecia que morreria de dor. O Nakamoto nunca teve um dia tão estressante como capitão do time como aquele. Afinal, a responsabilidade recaiu sobre si.

— Se for desse jeito, irei conversar com ela, com sorte conseguimos convencer ela a entrar — Decidiu, puxando o ar. Yuta não fazia a mínima ideia de como a abordaria mas sabia que como líder do time seria seu dever. —, agora vamos voltar para o treino, nem pensem em ficar de enrolação.

Porcaria. Por que era tão difícil achar Ryuna Takeda? Parecia uma missão impossível digna de um filme de 007. Ela estava fugindo de si? Poderia ser uma resposta plausível. Ou, poderia ser sua imaginação. Yuta cogitou arriscar e questionar Taeyong — mesmo que recebesse um belo fora — como poderia entrar em contato com a japonesa. 

Bolou um plano bem simples quando encontrasse com ela: direto e sucinto. Deveria bastar. Sabia que Ryuna era impaciente por natureza, abominava rodeios. Assim, ao ver a quase-enfermeira descer pelas escadas com o jaleco branco. Tomou a reta, indo na direção da garota, que ficou sem saída alguma. Se a Takeda desse meia volta estaria mais que óbvio que ela fugia. Se permanecesse, Yuta arrancaria alguma constatação desnecessária.

— Por acaso você está me ignorando? — Cruzou os braços. Poderia ser até uma atitude intimidadora se fosse visto por outros. 

Para eles, era uma ação certeira. Ryuna até mesmo esperava aquela reação vinda do ex melhor amigo. Se existia um mísero problema o incomodando tinha a urgência de resolver. Ela só achava um absurdo como Yuta achava que o tempo era capaz de curar absolutamente tudo. A Takeda não se sentia nem mesmo perto de estar livre de todas suas antigas feridas ou reviver os sentimentos que bloqueou durante os anos.

O amor se tornou em uma sensação abafada e latente em seu peito. Não era como se quisesse estar ao lado de Yuta. Era muito além disso. Duvidava que alguém fosse capaz de a compreender no nível em que estava. Ryuna poderia condenar tudo que experienciou em seus curtos vinte e quatro anos mas jamais poderia condenar Yuta Nakamoto por existir ou ser uma das causas de seus mais intensos corações acelerados na adolescência. 

— O que? Só por que não fui atrás de você eu estou te ignorando? — Ryuna deixou uma risada soprada escapar. Não tinha o tom alegre e complacente que ele se recordava. —, Nakamoto, pode não parecer mas eu sou muito ocupada, o que você quer?

Certo, eu deveria ir direto ao ponto. Ele pensou. Poderia muito bem resolver os anseios de seu time primeiro. Tentaria não interferir na decisão da morena. Decerto, preferia que Chenle ou Renjun falassem com a Takeda. Contudo, era uma das tarefas mais importantes do Capitão. 

— O time de futebol quer te convidar para trabalhar como nossa enfermeira, todos os estudantes da área médica acabam escolhendo uma área para exercitar os conhecimentos por conta da bonificação no final do certificado, todos a elogiaram por ser uma das melhores então...— Tentando ser o mais profissional e menos pessoal possível, Yuta explicaria mas foi interrompido.

— Não, obrigada pela oportunidade, vocês são muito gentis mas eu decidi que não iria me envolver em nenhuma área dessas, não vou contar com bonificação alguma, estou muito ocupada — Ela se permitiu sorrir, mas era algo tão frívolo que o deixou mais uma vez impaciente.

De repente, as palavras de Jaehyun ecoaram sua cabeça o fazendo se sentir culpado. Ela ainda sentia o coração machucado por sua causa?

— Ryuna, isso é por causa..— Retomaria o assunto. Ryuna sabendo o rumo da conversa, teve de tomar uma atitude abrupta, o interrompendo. 

— Yuta, me desculpe, eu realmente não tenho tempo, mas sei que existem outras pessoas incríveis no meu setor, deveria pedir uma indicação para Yukhei, ele conhece quase todo mundo aqui dentro — Aconselhou, deixando a risada escapar os lábios, desviando o olhar. 

— Isso é por conta da última vez? Por isso está fugindo de mim? Por acaso você ainda..

— O tempo passou Yuta, eu não o conheço mais, é uma ação natural do tempo, estamos diferentes, o que aconteceu da última vez já passou, foi uma atitude que eu tomei na época com você, se passaram sete anos, não é? Não tenho problema nenhum com você — Garantiu, seu tom de voz seguro e o olhar que recebeu ao fitar as orbes cor de mel da Takeda foram o suficiente. 

Ciranda Cirandinha, por que ele continua a me castigar? Ryuna sentiu-se no primário novamente quando conheceu Yuta, que não perdeu tempo a convidando para mil e uma brincadeiras e a declarando sua parceira de dança, de coração, de tudo. 

— Então poderíamos ao menos tentar recomeçar nossa amizade? — Pediu, tinha um sorriso sem graça. Yuta molhou os próprios lábios. Desconhecendo os efeitos que ainda exercia sobre a menor. —, você realmente fez falta, Ryuna. 

Arrebatando seu doce coração. Ela sentiu-se sufocada. Pareceu presa a uma dança eterna, uma trilha que no final parecia destinada a ter seu coração machucado. O que havia feito de errado? Fugiu como pode, confessou seu amor e foi rejeitada. Tinha que ser castigada nesse ponto?

Percebendo a expectativa transbordar do ruivo, ela apertou a ponta do livro que detinha em mãos. Sabia que seria uma tarefa impossível se concentrar. 

— Me dê tempo, Yuta — Exigiu, fazendo com que ele aguardasse mais palavras. —, irei pensar sobre o lance do time e...sobre você. 

Desviou o olhar, sem dizer mais nada. Seguindo seu caminho que Yuta não fazia a menor ideia de onde era, o deixando para trás. Nenhuma sensação percorreu ele. Absolutamente nenhuma, nunca se sentiu tão em branco ou vazio como aquele segundo. Hostilidade não funcionaria com Ryuna, ela retribuiria na mesma moeda. 

Pensar sobre ele? Se existia vestígios como Jaehyun dissera, Yuta começava a se questionar por qual motivo ele não conseguia parar de pensar naquilo. Era culpa? Culpa por tudo que aconteceu? Não. Não era a primeira vez que uma garota se apaixonava por ele e não correspondia. Por que parecia tão diferente quando se tratava de Ryuna?

O termo infantilidade deveria ser rejeitado em sua mente, coração e alma quando tratavam-se de sentimentos. Yuta achava-se inteligente emocionalmente. Havia até mesmo ajudado Kim NaRi, sua amiga inexperiente. Estava de volta a estaca zero ao olhar novamente para Ryuna, quem mesmo se negando a crer havia sido o responsável por o dizer com uma clareza incrível de detalhes o que era o amor. 

Yuta Nakamoto não poderia se esquecer do dia em que Ryuna disse de modo tão claro que havia descoberto todos os quatro elementos secretos para fazer o coração de alguém ir a loucura. O japonês achou que era uma brincadeira, questionando quem havia sido capaz de roubar seu coração e lhe dar de bandeja o ingrediente final que causaria uma combustão em sua alma, perfurando-a por completo. 

Como de costume, Yuta Nakamoto se tornava mais uma vez um completo idiota inexperiente quando se tratava de Ryuna Takeda. Ele a queria por perto, até porque sabia que a situação não era tão unilateral assim. Não quando ela o deixou e ele precisou entender o rumo da própria dança que era seu coração. Ele suspeitava que sabia o que era amor quando ela sumiu de sua vista, suspeito que havia deixado a chance passar por seus dedos como um completo idiota, como uma criança que perde um brinquedo e chora sobre o leite derramado.

Quem ele queria enganar? No último momento ele poderia escutar uma canção infantil em sua mente cantarolando: ciranda cirandinha, quando vamos nos encontrar? já que, essa chance, eu jamais poderei deixar passar. Pobre Yuta, o mundo não era um conto de fadas, segundas chances não eram dádivas, eram milagres. 

 


Notas Finais


Capítulo focado no Yutinha meus amores, espero que tenham gostado!
Gostaria de saber se preferem o capítulo sendo focado na Ryuna ou gostam de quando o foco muda.
Aliás e esse Nayu todo perdido? Parece que vai ser complicado uma aproximação, não acham?

➢ esse capítulo ocorre antes do capítulo dezesseis de philophobia
➢ para aqueles que leem philophobia: entre hoje e amanhã irá ocorrer atualização!

LINK DE PHILOPHOBIA (NCT — UNIVERSO BASE)
https://www.spiritfanfiction.com/historia/philophobia-nct-21303538
LINK DA ONESHOT DO JOHNNY (NCT — UNIVERSO DE PHILOPHOBIA)
https://www.spiritfanfiction.com/historia/perfect-johnny-suh-21651765


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