História Playtime is over - Capítulo 23


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Categorias Justin Bieber
Personagens Jaxon Bieber, Jazmyn Bieber, Jeremy Bieber, Justin Bieber, Personagens Originais
Tags Ação, Allex, Annasophia Robb, Aventura, Belieber, Bieber, Britt Robertson, Criminal, Faculdade, Fanfic, Ian Somerhalder, I'm Back Bitches, Jay, Joseph Morgan, Justin, Máfia, Mcqueen-, Romance, Taylor Warren, Val
Visualizações 65
Palavras 8.717
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Drama (Tragédia), Luta, Romance e Novela, Violência
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Drogas, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Here I go again on my on.....

E aí, meus amores estou aqui *todos aplaudem de pé e a plateia vai ao delírio*

Enfim

Aproveitem

Capítulo 23 - Here I go again


Fanfic / Fanfiction Playtime is over - Capítulo 23 - Here I go again

Pov's Allex

— Quem é? — eu pergunto, pensando em me aproximar. Antes mesmo que eu o fizesse, a porta do veículo abre. 

— Ele. — Adam resmunga. Quando meus olhos se fixam naquela cara loura e redonda, explodo:

— Mas que porra é que você veio fazer aqui?

— Eu acho que você não consegue ser gentil com si mesma nem quando tenta. 

— Como é? 

— Seu cabelo — ele dá um passo a frente — Você prende para se livrar, ou o solta para se esconder atrás dele. 

— É melhor calar o caralho da sua boca, Christian. O que porra você está fazendo aqui? 

— Estou apenas passando... — dá de ombros como quem não quer nada.

— Na minha rua, na minha porta, a essa hora? O que você realmente quer aqui, Christian Jacob Beadles? 

Meu tom de desprezo é nítido e isso o faz recuar. Bom. Ergo minha cabeça.

— Ainda bem que ocultou o último sobrenome, sabe que não gosto dele.

— Você está testando a minha paciência e desperdiçando meu tempo. Já viu o que tenho na mão? 

— A desert do Justin. Ele não soltava dessa arma e nem nos deixava trocar, mas então você chegou e apenas pegou.

— Isso soa como enrolação pura. Adam, você mandou fortalecer as entradas?

— Sim, senhora. — eu o olho porque esse é um dos nossos códigos — Tenho dois de confiança na porta e vários embaixo da janela.

Balanço minha cabeça, agradecendo. Ele está se referindo à Ava, sei disso. 

— Agora fala, Beadles, o que quer.

— Eu apenas passei para ver como você estava —arqueei minha sobrancelha em descrença total — Nós estávamos um pouco preocupados.

Espera um minuto, espera a porra de um minuto... Nós? 

— Eu disse que seria uma péssima ideia, eles estão nos recebendo com armas na mão! — Caitlin desce do carro. Ela aponta na minha direção, fala de mim, mas nunca me olha. Espero que seja remorso. 

Resolvo alfinetar:

— Olá, Cait. 

Seus olhos voam na minha direção, mas tão rapidamente quanto, encontram o chão.

— Allex.... Oi. 

— Por que não me olha? Não quer estar aqui? — pergunto Ninguém intuito de provocar, mas acho que a garota tem um parafuso a menos, já que rapidamente seus olhos brilham e ela avança na minha direção.

— Mas é claro que sim, eu senti sua falta, ami...

Levanto minha arma a fazendo parar. Entorto minha cabeça.

— Amiga? — isso me fez rir ironicamente — Você por acaso pensou na minha amizade quando enchia a minha cabeça, me empurrando para cima do Bieber? Você lembrou da minha amizade quando o esperou ansiosamente para dar a notícia todas as vezes que planejavam me matar? Vocês dois por acaso cogitaram a porra da minha amizade cada maldita vez que se reuniam nas minhas costas para falar mal e rir da idiota que vocês estavam enganando? Hein? 

— Me desculpe... — Caitlin estava chorosa. Meus lábios se curvaram.

— Eu vou te dar motivos para chorar, Cait, não se preocupe.

— Allex, qual é? Lealdade existe aqui. Nós éramos amigos do Justin, faziamos parte da gangue dele. Se o chefe diz que vamos fazer uma coisa, nós fazemos. São negócios. Eu sei... Nós sabemos que foi um erro, um grande e fodido erro, mas percebemos a tempo e falamos com o Justin que não queríamos mais. Nós gostavamos de você, era parte da gangue também, das nossas vidas, Allex, por favor, nós pedimos ao Justin e ao Ryan por você.

 — Claro, como se a minha vida fosse uma merda qualquer para vocês tirarem na sorte. — mudei o foco da minha arma — E eu disse, Caitlin, querida, eu disse que iria te dar motivos para chorar.

Destravei minha arma e mirei na cabeça de Christian. No momento em que meu dedo faz pressão no gatilho, um clarão seguido de uma alta buzina me distraem. Estou puta da vida e confusa pra caralho, então quando o maldito carro para na minha frente, reconheço ser um dos meus. 

— Mas que porra...?

— Ahhhh, cheeefee! Você viu o que eu fiz? 

— Porra, atrapalhou a minha chance de matar alguém! — eu grito realmente revoltada. 

Caitlin e Christian já estavam acelerando dentro do carro para bem longe. Penso em atirar nos pneus mas chamaria muita atenção do condomínio. Merda!

— Eu entreguei o carro já na sua rua, mas agora sinto que não deveria — James desce massageando as têmporas — Eu nem sei porque dei as chaves.

— Porque vocês vão foder, porra, por isso! — grito, irritada. — Você estava a agradando para conseguir uma foda. É isso que vocês fazem.

— Eu não vou... Nós não vamos... Vamos? — James está aparentemente confuso. 

Reviro os olhos deixando essa merda toda do lado de fora e adentro os portões da minha casa. Foda-se. Guardo a desert e me impeço de navegar nas memórias. Vou para o quarto da Ava, dispensando Kevin e o outro lá. Abro a porta a encontrando com os olhos acessos.

— Mamãe! — rapidamente ela está em mim, agarrada, me sufocando.

— Olá, Pup. Como está indo a sua noite?

— Eu ia beber água, mas Kevin não deixou. — comenta birrenta ao voltar para cama.

— Todos nós sabemos que você tem água no quarto e só iria descer para bisbilhotar.

— Verdade... Mas o que estava acontecendo que eu não poderia ver?

— Ah, nada demais. Só a Belinda dirigindo meio bêbada. 

— Eu queria poder ver isso. 

— Não, você não quer. Agora, durma.

— Tudo bem. Você vai deitar aqui comigo?

Suspiro, cogitando o assunto.

— Ok. Deixe-me só tomar um banho primeiro.

— Você pode cantar no processo?

— Por quê? Minha voz não é boa, Ava, isso só vai afastar seu sono. 

— Mas eu gosto de te ouvir e, para mim, a sua é a melhor voz do mundo. Junto com a do papai. Eu amava quando ele cantava para mim, ou contava história de vocês dois. 

— Nossas histórias não são apropriadas para ninguém, muito menos uma criança.

— Não é como se eu não entendesse, mas ele sempre se dedicava às partes românticas, tipo, os seus olhos e em como eles o hipnotizavam.

— Tudo bem, Ava, eu entendi.

— Você se lembra da vez que fizeram um dueto para que eu conseguisse dormir?

Aperto meus lábios e fecho os olhos, meio trêmula com a menção daquela noite.

— Eu lembro perfeitamente. Deixe-me tomar banho.

— Eu amo a sua voz, mamãe, e não a ouvi por anos. Temos que compensar todo esse tempo.

— Tudo bem. — me dou por vencida — O que você quer?

— Qualquer uma dessas músicas antigas suas que eu não conheço.

Eu a encarei feio, mas isso apenas a fez rir. Sorri um pouco e cantei a primeira coisa da minha mente:

 

I don't know where I'm going 

 

Franzi o cenho para mim mesma. Whitesnake? Ok, podemos trabalhar com isso. Caminhando para o chuveiro, eu prendo o cabelo e continuo: 

 

 

But I sure know where I've been

Hanging on the promises in songs of yesterday

And I've made up my mind

I ain't wasting no more time

Here I go again

Here I go again 

 

Entrei embaixo da água quente, então aumentei minha voz:

 

 

Though I keep searching for an answer

I never seem to find what I'm looking for

Lord, I pray you give me strength to carry on

'Cause I know what it means

To walk along the lonely street of dreams

Here I go again on my own

Going down the only road I've ever known

Like a drifter, I was born to walk alone

But I've made up my mine

I ain't wasting no more time

I'm just another heart in need of rescue

Waiting on love's sweet charity

And I'm gonna hold on for the rest of my days

'Cause I know what it means

To walk along the lonely street of dreams

 

Faço um batuque com as minhas mãos. Eu amo o ápice dessa música. 

 

And here I go again on my own

Going down the only road I've ever known

Like a drifter, I was born to walk alone

And I've made up my mind

I ain't wasting no more time

But here I go again

Here I go again

Here I go again

Here I go

'Cause I know what it means

To walk along the lonely street of dreams

And here I go again on my own

Going down the only road I've ever known

Like a drifter, I was born to walk alone

And I've made up my mind

I ain't wasting no more time

And here I go again on my own

Going down the only road I've ever knownp

Like a drifter, I was born to walk alone

'Cause I know what it means

To walk along the lonely street of dreams

 

Fechei a água e parei um pouco. Talvez essa tenha sido a música certa, já que aqui estou eu novamente totalmente por mim mesma. Acho que eu realmente nasci para ser sozinha. Vou para o quarto vendo que Ava está dormindo. Eu amo quando ela dorme, sério, melhor parte do dia porque ela fica cem por cento quieta e calada. Sorrio um pouco e procuro um roupão para me enrolar. Como estou sem sono, me dirijo à cozinha no intuito de fazer um chá de menta, mas assim que saio pela porta, pego James andando de fininho no corredor. 

— Ela dormiu. — dizemos juntos. Eu respiro, resolvendo perguntar :

— Então porque não dormiu com ela?

Ele riu. Então parou. 

— Oh, você estava falando sério sobre o lance do sexo? — seus polegares apontaram para a porta de Belinda. Seus cenho está franzido, mas minhas sobrancelhas estão levantadas, somado aos meus braços cruzados.

Sim, estou acusatória.

— Desembucha.

— Eu não vou transar com ela. Por que eu faria isso?

— É o que as pessoas fazem, James. Fodem, fingem que se importa, desaparecem. Caras, na maioria das vezes.

— Ok... Melhor eu ir andando. 

— É... Eu vou com você. Não conseguirei dormir de todo jeito. 

— E o que você vai fazer a essa hora?

— Me divertir. — respondo com um sorriso ligeiramente satisfeito.

Penso que James vai embora quando ele começa a me seguir até a porta, mas para minha total confusão, seus passos ainda são ouvidos por mim quando me viro em direção à garagem. No momento que estou na porta do quartinho da tortura, ele não se contém:

— Sério, Allex, a essa hora? Como isso pode ser divertido, pelo amor de Deus?

— Sendo, ué. — dou de ombros ao adentrar o local.

— Você nem ao menos sente pena por ele?

Essa pergunta me irrita. Ninguém sentiu pena de mim!

— Não é como se eu desligasse minhas emoções para fazer o meu trabalho. Eu sinto por ele. Deve haver uma família ou alguém que se importa com ele, mas o filho da puta estava na minha casa sabendo que isso poderia me prejudicar. Choro, oro por ele, mas eu não deixo que essa merda me amoleça, é muito pelo contrário, James, isso só me faz mais forte. É um trabalho, precisa ser feito, e ninguém melhor do que eu que tenho tudo a perder para fazê-lo. 

Com toda minha concentração apontei para a saída, mostrando o que eu queria. Quando ele finalmente se mexeu, segundos depois, me certifiquei de fechar a porta atrás dele. 

— Quer dizer que você ora e reza por mim?

Ouvir o prisioneiro me perguntar tal coisa me fez eu ri. Sério. 

— Você realmente acha que eu perco o meu tempo com isso? Ainda mais para um filho da puta como você? Claro que não! Apenas falei isso para que ele não se assuste mais.

— James... Você não quer assustá-lo. Por quê?

— Você não vai entrar na minha cabeça, sou melhor do que isso e melhor do que você — sorri de leve ao pegar uma arma de eletrochoque e a cadeira — Agora vou te dizer o que eu quero: Você abrindo a sua fodida boca para falar apenas coisas do meu interesse, como por exemplo: quem te mandou aqui?

O sorrisinho cínico alguns longos segundos depois era a certeza de que ele não iria responder, então sem dó ou piedade, mirei nas suas costelas, onde não tem músculos, gordura ou qualquer coisa que amenize, apenas pele e osso. Apertei o gatilho ali fazendo com que seu corpo sacuda na mesa. Que era de metal, um perfeito condutor de eletricidade. 

— Então... — foi a minha vez de sorrir cínica — Vai me responder ou o que? Eu posso fazer isso a noite toda. 

***

E durou a noite toda. Não a noite toda, claro, eu já cheguei da boate de madrugada. E também não que eu estivesse reclamando, ou algo do tipo. Estava precisando descontar a minha raiva do Christian e da Caitlin e não há jeito melhor do que esse. Bem, ao menos agora eu sei que um tal de Tyler o mandou para entregar o maldito pen drive com as minhas filmagens, e como eu peguei o cara antigo, ele deveria ficar espionando para ver se descobria algo. É ah, ele também foi responsável pelas mortes dos meus antigos prisioneiros. Até chorou algo de como foi difícil raspar as digitais dele e que nunca tinha feito isso antes. Urgh! Amadores.... 

Me dirijo ao banheiro para tomar outro banho e então finalmente dormir. O desgraçado realmente me deu uma canseira tão grande que até deitar para dormir eu quero. Talvez eu devesse pedir uns remédios para dormir ao James. Ou não. Ele vai querer bancar o psicólogo para o meu lado, e..... Caralho! Ava tem psicólogo hoje. Fora que eu ainda nem a levei para a consulta regular depois que ela teve crise alérgica. Caralho. Que tipo de mãe eu sou? 

Merda.

Me jogo na cama questionando não pela primeira vez a porra da minha existência na terra. Coloquei o celular para desapertar minutos antes do de Ava e virei para o lado, tentando relaxar. 

Cerca de poucas horas depois, a vibração tomando conta da cama me fez despertar. Tentei me esticar, porém meu corpo estava meio dolorido. Principalmente os braços. Uh... Talvez eu realmente precise daqueles remédios para dormir. Como eu tomei banho tem pouco tempo, me visto de algo que não seja roupa para dormir porém tão folgado quanto e me arrasto para o quarto de Ava, a sacudindo forte apenas para ver sua cara irritada.

— Qual é?! Ainda faltam cinco minutos, mamãe, porque não me deixou dormir?

— Cinco minutos não são nada, Avalanna. — respondo ao abrir as cortinas. 

— Para mim são. Cinco minutos! 

— Vamos lá, Pup. Hoje seu dia será cheio e quero que chegue a tempo da sua segunda aula. 

— O que está planejando?

— Consulta com psicóloga, check up por causa da sua proposital crise alérgica — ela bufa irritada e faz menção de me desrespeitar — E nem ouse revirar os olhos para mim enquanto eu falo com você, Avalanna Juliet. 

— Foi mal. — ela meio que faz um bico ao olhar para baixo.

— Ótimo. Agora se arrume, estarei na mesa te esperando. 

Saí do quarto dela fechando a porta e esmurrei a porta do quarto de Belinda apenas para acordá-la. Sei que deve estar de ressaca. Desci para a cozinha dando um beijo em Rose. Estou bem hoje. E isso a fez bem. Eu a ajudei com o café da manhã de Ava e comi um pedaço de melancia, não quero desmaiar de fome. Novamente. Ou passar a ter visões com mortos. Novamente.

— Bom dia — Nanan aparece primeiro. Ele enruga a testa, confuso — A que devo esse raríssimo bom humor matinal?

— Conto quando voltar — sorri para ele e subi as escadas atrás de Ava que estava demorando mais do que o normal. 

Ela é uma garota prática, como eu. Gosta de uns floreios e tals, mas nada que a faça demorar tanto. Já preparei o café da manhã, já comi e já conversei com Rose. O que porra ela pode estar fazendo que demore tanto? 

Penso em bater na porta do quarto, mas ouvi uma voz estranha falando num idioma diferente. Parece português. Eu entrei de vez, esperando alguém ali, mas só tinha Ava assistindo algo no notebook. Até cogitei gritar com ela, mas então eu a vi.

Era o programa de culinária da Patricia. Ela de algum jeito conseguiu o vídeo legendado em inglês e agora estava assistindo. Pattie estava mostrando uma tigela enorme de iogurte à câmera e provando também fazendo caras e bocas. Alguém levanta a mão na platéia e pergunta de onde veio a inspiração para criar um iogurte tão natural, saboroso e leve. Eu noto a mudança no seu semblante, mas logo ela se recupera ao sorrir forçada. Quero ver a resposta disso aí.

— "Uma namoradinha do meu filho estava doente então eu fiz para ver se ela comia algo. — engoliu a seco — Funcionou. "

— NAMORADINHA? — grito indignada — Eu era quase casada com o Justin! E eu não estava doente, eu estava me recuperando porque tinha acabado de doar o meu rim pra essa vagabunda velha! 

Ava pula da cadeira e se vira para mim com os olhos tão arregalados que poderiam cair no chão a qualquer momento. 

— Ma-ma...Mamãe? — meus olhos se movem para a tela do notebook atrás dela e Patrícia parece ainda estar em maus lençóis, tanto é que sorrindo forçado mais uma vez, ela chama os comerciais — O que você está fazendo aqui?

Ficando puta da vida como sempre!

— É a minha casa, Ava, o que você acha que estou fazendo? — questiono a ela. Mas então eu respiro para acalma-la: — Olha, eu não estou brava, se é o que está pensando. — e desvio da sua cara assustada para o computador — Não com você, ao menos.

— Ok... 

— Eu falo sério, Avalanna, não estou brava com você por querer ver a Patrícia. Estou com raiva dela por não valer a pena ser vista.

— Tudo bem, mamãe, eu vou tomar café.

— Hum.... Na verdade, não. Eu pensei melhor e vou mandar colher seu sangue para uns exames. Nunca se sabe. — ele me olha feio — Eu embalei um generoso lanche para quando acabar.

— Quando acabar eu já estarei morta de fome e sem sangue.

— Não seja tão dramática, você não vai morrer de fome por esperar mais meia horinha.

— Quem disse que não?

— Eu. Sou sua mãe e te proíbo de morrer. Está bem assim?

— Argh! 

— Ótimo. — peguei a mochila e fui saindo — Cate o resto das suas coisas. Estarei esperando no carro. 

Desci novamente as escadas indo para cozinha. Nathan como o bom animal que é ainda está devorando tudo o que tem na mesa. Coloquei os sanduíches e a caneca com vitamina de Ava, indo para a garagem. Tiro minha Ranger antes que Ava venha e por algum acaso ouça meu prisioneiro gritando ou gemendo. Paro o carro em frente à porta, esperando a madame. Quando ela finalmente aparece, faço sinal para Adam abrir os portões e assim acontece. Não demorou muito para chegarmos ao hospital e Ava se fazer de bicho morto. Como qualquer mãe faria, eu literalmente a arrastei pelo braço por todo saguão principal. Indo para os elevadores, acenei para algumas pessoas no caminho, todas aparentemente muito satisfeitas em me ver ali. 

Ainda não sei por que.

Fui direto para o andar três e pedi a coleta do sangue para testar todo tipo de coisa possível, e eles não brincaram em serviço. Enfiaram a agulha na garota e tiraram quase um litro de sangue. Minhas mãos estavam nas dela e a fiz se concentrar no meu rosto. Ava estava tensa e com razão, mas não mais do que eu porque, caralho, como eu odeio uma agulha. 

— Como vai a minha futura neurocirurgiã? — James brota na porta da sala — Sua mãe falou algo sobre estar tentada com veterinária, mas nós dois sabemos que você escolherá o caminho certo.

— Que no caso, é o que ele quer. — rebato implicante enquanto caminho para deixar minha assinatura, já que Ava é menor — James, eu vi sua cara tem tão pouco tempo. Tem como você parar de aparecer?

— Eu trabalho aqui, então é melhor você desaparecer.

— Vou te demitir então. — resmungo ao assinar, mas não tenho certeza se alguém ouve, já que os dois estão muito entretidos na própria conversa. Balancei a cabeça, vendo as assinaturas anteriores a maioria de Rose, algumas de Nathan ou Khalil. Jesus, o que seria da Ava sem eles? 

— Então.... Sobre ontem a noite...

James está atrás de mim e eu entorto minha cabeça para o lado. Não, nós não vamos falar sobre eu dançando, vamos falar sobre você saindo do quarto da Belinda.

— Não prefere falar sobre hoje de manhã?

— Wow, wow, wow, espera ai! — Ava se mete deixando James assutado. Meu palpite é que ele achou que ela estava longe o suficiente — Vocês estão tendo alguma coisa?

— Olha, o que eu normalmente tenho é muita raiva da cara do James — explico — Mas ao que especificamente você esta se referindo?

— Oh... Eu achei que vocês estavam tipo... Juntos. — ela dá para trás. Literalmente — Ou fazendo coisas juntos ao menos.

— Não mesmo. — faço careta.

— Não! Mas se tivéssemos você com certeza seria a primeira ao saber. — James diz e isso me faz enrugar a testa. Se tivéssemos?

— Ele está me tratando como criança. — Ava reclama olhando para mim e apontando para James. Eu também notei, principalmente pelo jeito que ele gesticulou com as mãos, tentando parecer desarmado e inofensivo.

— Mas você é criança. — James rebate.

— As vezes ela é bem adulta. — eu interfiro — Mas é, parece criança.

— Mãe, decida-se.

Dou de ombros sabendo o que ela quer e decidindo fazer ao contrário. Porque quero mesmo.

 — Bem, visto que eu tenho que cuidar de você, então é criança mesmo.

— E quando eu vou ser adulta?

— Depois do seu primeiro PhD. — sorri docemente a fazendo bufar irritada jogando os braços para cima.

— Tudo bem, tanto faz — ela sai andando — Eu vou apenas me levar para a próxima consulta. Isso claro, porque sou uma criança.

Me segurei para não rir na sua frente, mas quando ela virou as costas... Não só eu, mas James também riu da cara da coitada.

Meu Deus, eu amo esse ser humano.

— Ah, merda, ela esqueceu a comida! — bato na minha própria testa e olho para James: — Tenho que ir. 

— Tudo bem, vai lá.

Balanço a cabeça para ele e caminho em passos largos por ali. Aceno para várias pessoas, ignoro a maioria e sigo. Bato na porta sala e tiro os sanduíches e a garrafinha de Ava. Quando a porta é aberta por ela, a entrego tudo me desculpando.

— Está tudo bem, mamãe. Eu ainda não desmaiei de fome. 

Filhinha da puta.

— Allexandra? Que ótima surpresa. Por que não entra?

— Estou bem aqui fora, obrigada.

Sorrio falsa para ela e beijo a testa de Ava, caindo fora dali o mais rápido possível. Sobre o que vamos conversar? Como eu ainda não me matei depois de tudo o que passei? Ah, me poupe. Tenho outras pessoas para caçar e matar. 

Meu celular vibra no bolso e pego rapidamente. Não olho quem é, estou ocupada demais tentando fechar a mochila de Ava nas minhas costas. 

— Sim?

Allentina? — é a minha mãe. Rapidamente me endireito como se ela estivesse na minha frente. 

— Mamãe. Como você está?

— Estou bem, querida. Como você têm estado? E a minha netinha?

Eu realmente posso notar o sorriso e a sua voz mudar quando se refere à Ava. Sério, se eu soubesse que um neto iria amolecer minha mãe assim, teria dado um jeito de ter um filho antes.

— Ela está bem. Nós estamos no hospital em mais uma das consultas semanais com a psicóloga. Estou esperando, então a levarei para escola. 

— Isso é bom. Você soa diferente, algo aconteceu?

Soltei o ar fortemente e sentei em uma das cadeiras de espera.

— Mãe... Eu dancei. Ontem a noite. Eu dancei. 

É sério? Ai meu Deus, Allentina, essa é uma notícia esplêndida!

— Estou tão... Leve. Meu médico achou que foi um grande passo.

Entendo, meu bem, ele está certo. Eu lembro quando você entrou para o grupo de dança. As coisas só melhoraram desde então. 

— Eu sei. Eram bons tempos. Ava tem o balé e eu gosto de assisti-la. 

— Por que você não junta ao grupo? Sempre foi um dos meus sonhos de mãe vê-la no balé.

— Mas eu não colaborei. 

— Está tudo bem, querida, meu sonho está se realizando na Ava. 

— Ela ama o balé. E como estão as coisas aí? Em geral?

— Você quer saber de Mariah, não é?

— Na verdade, eu quero saber do Paul, coitado.

— Ele pediu o divórcio ontem. Mariah ficou tão brava, Allentina, quebrou a casa inteira.

— O quê? Mãe, você precisa levá-la ao psicólogo, e rápido. Ela está reprimindo tudo e colocando para fora do jeito errado. É bem fácil dela se machucar ou machucar alguém.

 — Ela já o fez. Avançou para cima do Paul dizendo que ele estava a trocando por você, acredita?

— Mariah está definitivamente louca, mamãe, você precisa usar a sua autoridade de mãe e arrastá-la para um médico. Ela está pior do que pensei. Isso já configura paranoia.

— Estou preocupada também, Allex, meu coração de mãe está tão dolorido

— E se o Paul não fosse o cara que é e também avançasse para cima dela? Caralho, parece que não pensa.

Estou com medo por ela, filha. — um barulho de porta é ouvido e a respiração da minha mãe também — Ela acordou. Preciso desligar, Allentina.

— Mãe, você e o Paul tem que se juntar para resolver isso, ok?

— Tudo bem. — diz apressada. 

— Tchau, mamãe, boa sorte.

Desliguei meu telefone permanecendo estagnada por alguns minutos. Ca-ra-lho. Caralho. Mariah só pode estar ficando louca, é a única explicação plausível para toda essa merda. 

— Muito bem, Ava, até a próxima consulta. Você gostaria de assinar seu nome lá? — é a psicóloga. Ela está com Avalanna na porta do consultório apontando para o balcão na recepção. Franzi o cenho quando ela veio na minha direção. 

— Eu gosto de fazê-la assinar — Dra. Emma Hawke comenta — Dá a sensação de controle sobre a própria vida. É importante.

— Eu suspeitei. — comento ainda desconfiada.

— Sabe, Allexandra, a Avalanna tem o desejo de se conhecer melhor, seu passado. Eu não posso fazer isso sem a autorização do maior responsável, mas... Ela quer uma regressão. Funciona basicamente como uma hipnose...

— Eu sei como funciona, eu fiz psicologia e a minha resposta é não.

— Mas...

— Sem "mas" ou "menos". Você não sabe como ela estava quando a encontrei, eu sei. — meu queixo tremeu. Uma visível amostra de como eu vacilo ao simplesmente lembrar disso — Eu sei o que eu vi e desejaria ter uma hipnose para esquecer. Foi a primeira vez na minha vida em que vi Justin Bieber chorar quando eu a trouxe para ser analisada aqui. Você não é louca, você se lembra. Mais do que isso, eu lembro, mesmo não querendo. Eu chorei por horas, chorei até perder as forças — meus olhos ardem e eu aperto os dentes, evitando desmoronar — Agora você vem com essa merda de fazê-la lembrar de todas as misérias que viveu? A minha resposta é não! E se você ousar sequer pensar nessa possibilidade novamente vou te processar, eu vou te caçar tanto que nunca mais atenderá um paciente na sua vida e mesmo depois de morta meus advogados ainda estarão atrás de você.

Um dos meus punhos estava fechado, a minha outra mão eu estava usando para apontar meu dedo na cara daquela doente mental ali. A mulher nem deveria estar sendo psicóloga.

— Mamãe? — Ava está ao meu lado. 

Respirei fundo varias e várias vezes. Estou apenas a um fio de perder minha cabeça. Me virei para ela:

— A minha resposta é não. E não há nada, Avalanna, absolutamente nada que você possa fazer ou dizer que vai mudar a minha opinião. — antes que ela possa abrir a boca, levantei minha mão, interrompendo — Não conteste. Só, por favor, vamos para o carro. Eu tenho que te levar para a escola. 

— Tudo bem, eu vou te dar esse tempo. — balancei a cabeça, agradecendo — Mas a luta não acabou ainda. Tchau, Dra. Emma, até semana que vem.

Uhh... Eu não teria tanta certeza disso.

Caminhei firmemente em direção à saída com Ava na minha frente. Eu não tirava os olhos dela por um segundo. Assim que chegamos no carro e me certifiquei dela estar com o cinto, dei a minha arrancada inicial. Corro como se estivesse num pega, como se valesse dinheiro ou como se eu dependesse disso. Preciso me concentrar em outra coisa, não posso surtar com minha filha do lado. Mesmo que seja culpa dela eu estar surtando.

No momento em que virei para o lado, Avalanna já estava batendo a porta do carro.

— Ei, ei ei! — grito, colocando metade do meu corpo para fora pela janela. Aceno com a mão para que ela volte. Suspiro quando se aproxima e, assim que a tenho só meu alcance, faço o sinal da cruz na sua testa, pedindo: — Sabedoria. 

Ava balança a cabeça e volta a caminhar para os portões da escola. Descanso minha cabeça no volante por alguns minutos até dirigir de volta para casa. Adam me encara quando desço do carro, então aceno com a mão, o chamando. Me arrasto para dentro de casa, querendo chorar, e vejo Joseph e Ian no sofá. Jesus, eles estão aqui? Nathan está vindo da cozinha com Khalil. Eu suspiro. Que merda vou fazer? Acenei para os preguiçosos do sofá e depois para os mortos de fome 

— Meninos, escritório. Precisamos tratar de negócios. 

Sorrio de leve para Ian e Joseph sofrendo de ressaca e segui para o meu buraco, me jogando na cadeira atrás da mesa. 

— O cara da garagem. Nome: Lionel Euler, função: entregar o pen drive com meus vídeos e manter os olhos abertos sobre qualquer coisa que eu venha a saber sobre quem me manteve presa. Nem ele mesmo sabe, mas o que ouvia deveria repassar. — soltei de vez e abaixei minha cabeça na mesa. Pesa. 

— É isso?

— Eu passei a madrugada torturando o cara, Khalil, mais do que você fez. Porém sinta-se à vontade — apontei na direção da garagem — É sua vez. 

— Tudo bem, pequena, o que mais aconteceu? — Nathan senta na mesa bem ao lado da minha cabeça. 

Eu viro para o lado e noto sua mão mexendo. Ele quer me tocar. Provavelmente acariciar meu cabelo. Fecho os meus olhos bem apertados para não chorar. Eu já dei um passo enorme ao dançar, porque não outro? Sem pensar muito eu arrasto minha cabeça pela mesa e a repouso na perna de Nathan. Posso notar que por um tempo ele não respira, então solta o ar. Bem levemente. E põe os dedos no meu cabelo, fazendo um leve afago. 

— É a Ava. Ela quer fazer regressão para lembrar de tudo o que passou. Dá para acreditar nessa merda? Que diabos pode se estar querendo com isso?

— Entender. Entender-se. 

— Não há o que entender, Khalil, há o que traumatizar! — exclamo. Me levanto da perna de Nathan, meio puta — Entendimento tenho eu, por isso não a deixo fazer essa merda, caramba! Como ela pode estar querendo lembrar de cada simples coisa que fizeram nela? É um pesadelo, pior, é uma realidade que te persegue, dia e noite. Não posso tocar nas pessoas sem ter nojo de mim mesma, não posso dormir na mesma cama que minha filha, eu não consigo deixar os outros tocarem em mim que logo me vem à mente aqueles porcos se ralando no meu corpo. Eu não posso nem foder, caralho! Por que em nome de Deus ou do diabo ela iria querer ter na cabeça, nas lembranças, nos pensamentos cada coisa horrenda que a fizeram passar?

Estou sem fôlego. Sei que minha cara está vermelha porque a sinto quente. Sei que quero chorar porque meus olhos ardem. Eu mato a maldita daquela psicóloga se ela ousar fazer a merda da regressão. 

— Eu não sei, pequena. Isso é algo que só Ava pode te responder. E talvez nem ela mesma saiba o porquê. 

— É uma criança, crianças tem curiosidade em tudo, principalmente no que diz respeito a elas. — Khalil dá de ombros — Claro que na qualidade de mãe, cabe a você decidir o que ela descobre, o quão longe ela pode ir. 

— Entendo. — fecho os meus olhos, encostando-me na cadeira, pensativa — Não quero essas coisas na cabeça dela. Há tanta descobertas boas, tanto o que estudar, namorar, sei lá. Nada do que ela lembrar vai ajudá-la, é muito pelo contrário. 

— Então... Vocês só precisam conversar. Sabe o quão esperta Ava é, pequena. Vocês vão se entender . 

Balanço minha cabeça em concordância apesar da minha expressão demonstrar ao contrário. Não está tudo bem. Eu literalmente posso sentir meus lábios virados para baixo.

— Tem outra coisa — me viro diretamente para Nathan: — Eu preciso abrir um novo hospital. Em Toronto. O quão ruim vai ser quando eu apresentar essa proposta aos investidores e sócios?

— Ruim para caralho. Você sabe o quanto isso vai custar para os cofres da empresa? Não há garantias de retorno financeiro, principalmente se existir um outro hospital tão bom quanto o seu na mesma região — joga as mãos para cima e balança cabeça num muito visível e sonoro "NÃO!" — De onde saiu essa ideia, afinal? 

— Mariah está meio cagada da cabeça, ela precisa de acompanhamento psicológico, ajuda, mas nunca vai aceitar a minha ou o meu dinheiro. Minha mãe eu acho que também não, então...

— E o que você pretendia? Que elas participassem de uma grande promoção e ganhasse todas as consultas grátis? — Khalil pergunta em tom de brincadeira.

— Era basicamente isso o que eu tinha em mente. — dei de ombros.

— Isso é o de menos, só fazer com que essa proposta ser aceita pelo conselho será uma vitória. 

— Nathan, obrigada por ser tão positivo. Por acaso você está indo para a empresa agora? — ele aponta para si mesmo e dá uma voltinha me mostrando o terno como se perguntasse "o que você acha?" — Ótimo.Tenho que matar logo esse dragão.

— E quem disse que estou do seu lado?

— Eu disse. É o suficiente. — sorri cínica. Ele nega:

— Eu tenho que preparar o plano para esse investimento parecer que vai dar certo. 

— E os seus amigos que estão aí fora? O que vou fazer com eles? — Adam pela primeira vez desde que entrou. Eu quase tinha me esquecido dele.

— Distraia-os. — dei de ombros sem me importar muito.

— Ah, não. Nem pensar. Eles estavam tentando me convencer de fazer um trio, então não, de jeito nenhum eu vou distraí-los ou sequer chegar perto.

Eu aperto meus lábios e chupo minhas bochechas tentando não rir. Por isso que ele se recusou. Eu nunca vi Adam se negar a fazer algo para mim. Nathan e Khalil também estavam se controlando para não rir. Sim, todos os meus amigos são escrotos assim.

— E seria uma ótima ideia você passar um tempo com os seus amigos que largaram tudo o que tinha para fazer apenas para vir te ver. 

— Você está falando deles ou de você mesmo? — sorrio de lado para Nathan. Ele levanta as sobrancelhas:

— Como é, garotinha?

— Pronto, chega vocês dois. Nathan vai para a empresa, bom trabalho. Allex vai para sala, se divirta e Adam pode voltar lá para a segurança, só por favor, caiam fora e me deixe trabalhar.

— Aaaaahh, não. Você vai ficar junto comigo, Khalil. É o único que vai estar em casa.

— Obrigada pela parte que me toca. — Adam resmunga de fundo. O encaro:

— Você quer ficar com eles? — aponto em direção a sala.

— Eu não estou na casa. — diz já abrindo a porta e saindo. Eu ri.

— Vou cair fora também — Nathan diz e se aproxima de mim — Tchau, pequena.

Ele avança no intuito de beijar minha testa, mas eu não raciocinei isso a tempo, só agi por impulso e obedeci meus reflexos ao pular para trás e erguer os pulsos. No momento em que vi a face de Nathan, os abaixei. Droga, porque não sou normal? Abri a boca para falar algo mas não sabia o que. Fechei os olhos, respirando fundo. No segundo em que os abri, ele já estava cruzando as portas.

— Nanan... — eu até tento, porém é tarde demais, ele não está mais ali e nem olha para trás. 

Passo as mãos no cabelo atordoada e soco a mesa, enraivada. Por sorte não uso a mesma mão que soquei o túmulo do meu pai, senão aí sim eu a quebraria.

— Tenha mais paciência com você mesma, querida — Khalil diz, complacente como sempre — Você apenas não está pronta ainda. 

— E quando é que eu vou estar, porra? Você vê o que eu faço? — apontei para onde Nathan acabou de sair.

— Allex, você não fez de propósito, é o que importa no final das contas. 

— Você é a porra de um ótimo pai, Khalil, tanto a sua filha quanto a minha tem uma tremenda sorte de você existir na vida delas. Me desculpe se eu nunca disse isso antes.

— Está tudo bem. Agora trate de pensar coisas assim sobre si mesma. 

Balancei minha cabeça, concordando. Eu não machuco as pessoas de propósito, mas elas não sabem disso a não ser que saibam inteiramente o que se passa comigo. É. É isso. Saí do escritório em passos largos em direção a sala onde Ian e Joseph estavam jogados agora no mesmo sofá. Eu paro na frente deles e respiro para pegar coragem:

— Eu fui sequestrada. Fizeram coisas horríveis comigo que não consigo superar. É por isso que sumi por tanto tempo. É por isso que estou mais fodida da cabeça e é por isso que sou uma completa estranha até com as pessoas que mais me conhecem.— solto o ar. Abro os olhos lentamente. 

Os dois estão embasbacados na minha frente. Ian congelou no lugar com o copo de suco em direção à boca. Joseph gagueja tentando perguntar "o quê?" e eu estou surpresa com a minha coragem. Khalil vem para a minha frente, acusatório. Me defendo:

— Eu tenho que falar a verdade, senão eles nunca vão saber que eu não os magoei de propósito. Apenas vão continuar achando que me tornei uma rica metida a dondoca. 

— Ma-m-Mas a gente sabe — Joseph diz e engole algo que o incomoda antes de continuar: — A gente sabe que você não faz por querer, que está tentando se defender. Sabemos disso, Allexandra. E respeitamos também. 

— Não sabíamos o que você tinha passado, mas dava para ver que não estava bem. Não queríamos insistir, preferimos esperar para não te pressionar. 

— Vocês são pessoas maravilhosas. Obrigada por existirem. — digo, ao olhar para os três e penso em Nathan, no que eu fiz com ele e em como não foi certo — Chega disso agora, temos uma manhã inteira, então, o que vocês querem fazer?

— Bem, o Iam estava com vergonha de pedir...

— Joseph!

— Mas a gente adoraria dar umas voltas nos seus carros. 

Eu ri. Mas parei. Porra. Preciso pensar em algo.

— Eu vou mandar o Kevin verificar se estão todos em boas condições de uso, enquanto isso vocês se arrumam para sairmos. — acenei já caminhando em direção à porta. 

Chamo Adam e Kevin enquanto marcho para a garagem. Os mando amarrar e amordaçar o prisioneiro não o deixando fazer nenhum barulho, e trancar a porta logo em seguida para evitar visitas inesperadas, tanto dos meus amigos quanto de alguém indesejado. 

Me afasto deles voltando para a casa, me sentindo estranha. Há meses eu venho me controlando, tentando evitar de levar as mãos às costelas e me apertar até não poder mais, ou fumar a cada dois minutos. Fecho meus punhos, me controlando mais um pouco e respiro fundo, esperando. 

— Você não vai abrir o cofre do seu pai? — Khalil aparece vindo do escritório. Não está comendo dessa vez.

— Você sabe... 

— Era dele, Allex, no passado. Desculpe, mas você tem que lidar com o fato de que agora tudo dele é seu. 

Apertei meus lábios, balançando a cabeça. Eu vou encontrar coragem para isso.

— Eu pago você? — pergunto aleatoriamente. Ele franze o cenho.

— De certa forma, sim. Não um salário fixo com carteira assinada que me garanta a aposentadoria, mas sim, você paga. Nathan e eu ganhamos milhões só de lucro com os nossos esquemas, herdados do seu pai. Fora a empresa. Por que a pergunta?

— Vocês trabalham e fazem dinheiro para mim, quero saber se são recompensados. A Belinda é paga porque eu me certifico, porque ela entrou quando eu já estava de volta, mas não vocês.

— Faríamos de graça, querida — ele sorri para mim — Além disso, moramos aqui com todas despesas pagas, então... — ele deu de ombros — Eu não estou muito acostumado com isso, mas eu vou te abraçar agora, ok?

Apesar de tudo, isso me faz rir quando estendi meus braços na direção dele. Khalil não está acostumado a pedir, o fato dele o fazer, significa que quer muito.

— Obrigada por me avisar. — digo com o queixo no seu ombro — A expressão de Nathan... Eu nunca vou esquecer, Khalil, parecia que eu tinha dado um tapa na cara dele. Não, foi pior.

Lentamente ele nos afasta, mantendo as mãos nos meus ombros.

— Eu nem sempre fui paciente, aprendi muito quando tive a Kyle. Talvez tudo o que Nathan precise é aprender. E você precisa aprender a ter paciência consigo mesma, além de respeitar seus próprios limites.

— Isso ao menos eu faço. Sabe de quantas transas eu já fugi? Antigamente tudo o que a pessoa precisava era abrir a boca ou sorrir para mim. O James mesmo? Se eu tivesse na minha antiga forma, com toda certeza já tinha experimentado aquele ali.

— Eu não acho que ele queira esse tipo de relação contigo, Allex, você o assusta pra caralho.

Eu ri.

— Eu também acho que não. Todas as vezes ele sempre foi muito respeitoso, sério e olha que é ele quem espeta a minha bunda com agulhas.

— Uhh, eu definitivamente passaria a mão na sua bunda. — Joseph aparece se jogando ao meu lado. Rose estava vindo para a sala, mas ao ouvir isso seus olhos se arregalaram tanto, que ela preferiu dar meia volta para a cozinha.

— Não, você passaria a mão na bunda de um cara, seu encubado.

— Okay, na de um cara sim, mas na sua também, ela é muito empinada. Alta inveja aqui. 

— Podemos ir ou as madames precisam de mais alguma coisa?

— Ai, acho que não, bruta. — Joseph me empurra e se levanta. Eu quero rir das idiotices dele, principalmente ao ver Ian jogar os braços para cima. 

Meu celular vibra no bolso e o pego, notando ser um número que eu nunca vi na vida. Ainda assim dou de ombros e resolvo atender, pode ser alguém da escola de Ava. 

— Alô? — pergunto, esperando uma resposta do outro lado da linha, mas nada vem. 

D-desculpe — alguém diz — Foi engano

Eu franzi o cenho, ouvindo alguém gritar um sonoro "Não" ao fundo. Estranho... Parecia a voz de...

A ligação é encerrada, porém mantenho o celular na minha orelha, tentando entender. 

— Khalil, onde está Belinda?

— No quarto de ressaca. Por quê?

Seguro o celular bem firme ao correr para as escadas. Avanço pelo quarto de Belinda e a arranco da cama.

— Mas o que.... Chefe?

Minha cabeça roda ali à procura do seu notebook, até que por fim eu o acho e jogo na direção dela. 

— Rastreia a última ligação que recebi. Eu quero saber de onde veio.

— O quê? Agora?

— É, agora, porra! — jogo o celular para ela — Alguém pode acabar morto. 

Minha expressão deve tê-la alertado, porque Belinda logo tratou de sentar-se e ligar o computador. Para mim parecia a porra de uma eternidade rodando para um lado e para outro no quarto.

— O que houve? — Khalil aparece na porta. 

— Onde estão os meninos? — pergunto olhando para trás dele.

— Na garagem, escolhendo os carros.

— Ótimo. Eles são sua responsabilidade. Vou resolver uma parada e encontro vocês depois, pode ser?

— Você precisa de ajuda?

— Não sei ainda, Khalil, mas qualquer coisa levo o Adam só por garantia, ok? 

— Sim, senhora. — responde sério. E eu realmente queria ter tempo para pensar nisso.

— Chefe? O celular pertence a Charlotte Richards, a ligação foi feita.... — ela para, franzindo o cenho.

— De onde, Belinda?

— Da boate onde estávamos ontem. É lá que o aparelho dela ainda está. Provável que ela também.

Ou seja, na minha boate. É tudo o que preciso para sair correndo. Eu sabia que aquele "não" era de Ashley. Passo por Khalil na sala e não vejo os meninos ao chegar nos jardins. Como minha Range eu usei mais cedo e deixei na entrada da garagem, a pego, conferindo minhas armas. Acelero para os portões, onde os seguranças abrem rapidamente, mas ainda assim, freio e abro a porta do carona. 

— Adam e Kevin, subam. 

Minha ordem é obedecida em segundos. Eu poderia levar mais seguranças, porém não são em todos que confio, ainda mais depois de descobrir que praticamente qualquer um pode se passar por meu segurança e sair ileso. É uma enorme falha.

— O que aconteceu? — Adam pergunta ao procurar mais armas no carro e verificar a sua. 

— Ainda vou descobrir. — respondo ao acelerar para o centro — Mas tem a ver com a boate e Ashley.

Uma olhadela rápida para Adam e vejo seu entendimento. Ele balança a cabeça e destrava a arma, olhando para trás:

— Prepare-se, Kevin.

Sem mais conversas eu continuo acelerando loucamente pelas ruas até chegar na da boate. Não me prendo a estacionar, apenas paro o carro na frente e desço, entrando com tudo no espaço. A princípio não vejo nada, mas um barulho lá em cima me alertou. Subi as escadas, vendo as meninas nos quartos, cada uma no seu. Quanto mais perto do escritório eu chegava, mais alto os gritos ficavam. Um dos quartos estava vazio, mas no seguinte Thiffany e Charlotte estavam abraçadas, chorando. Eu entrei ali. 

— O que aconteceu aqui? Charlotte, porque me ligou? — as duas estão tão assustadas. Os olhos arregalados, os lábios trêmulos, fora as lágrimas. Merda. — Você pode me dizer, ok? Vou providenciar para que fiquem bem.

— É-É... É o Troy. Ele n-não está num bom dia hoje. — ela começa, mas é Thiffany quem se levanta e tem a coragem:

— Ele fica nervoso quando não consegue chegar lá... Sabe? E odeia o fato de nós gostarmos mais da Ashley no comando, ele sempre desconta em nós ou nela. Hoje ele está com a Sabrina no escritório e eu acho que ele não conseguiu de novo porque estava batendo nela quando a Ash chegou. Por isso a Charlotte teve a ideia ter te ligar. Você está de volta, manda mais do que ele e... E é mulher também, parece se importar com a gente. 

Eu respiro fundo ao levantar a cabeça. Mas que droga! Eu quero cortar esse filho da puta em milhões de pedacinhos ou comê-lo vivo. Meus passos são pesados e enraivados ao sair daquele quarto, eu até acabo esbarrando em Kevin sem querer. Foda-se. A porta do meu escritório está trancada, então me afasto e atiro na fechadura, metendo o pé na mesma logo em seguida. A cena que vejo em seguida é tão fodidamente indescritível.

Tem uma garota nua toda encolhida no meio do espaço, Troy está de cueca com a mão no ar sobre Ashley, que está no chão, com a mão sobre um lado dos rostos. O sangue ferve em mim e eu largo minha arma no chão avançando sobre Troy. Um tiro seria muito fácil, eu quero algo mais doloroso. De primeira, trato de socar o maxilar com a minha mão direita, mais forte. Um chute bem dado entre suas pernas e outro no estômago quando ele se curva.

— Você não gosta de brigar? Não gosta de bater em mulher? — eu grito — Então vem, filho da puta, pode vir que eu estou louca para matar um hoje. 

Avanço na sua direção o cobrindo de socos. Tudo o que vejo está vermelho. Tudo o que vejo é a garota nua e trêmula atrás dele. Tudo o que vejo sou eu mesma no lugar dela. Puro ódio me consome, eu acabei por rangir os meus dentes, coisa que não faço. Ao ver o desgraçado está no chão, eu o pego pelos cabelos apenas para quebrar seu nariz com o pé. Seu grito me deixa mais instigada. 

Paro para respirar, olhando em volta. Kevin está cobrindo a garota com seu paletó e Adam está ajudando Ashley a levantar.

— Fisicamente, vocês estão bem? — pergunto olhando as duas e frisando o que quero dizer. Não tem como estar bem depois disso. 

— São ferimentos superficiais, não vamos precisar de um hospital. — Ash diz. Balancei a cabeça para ela e olhei novamente para o lixo gemendo ao chão.

— Eu juro que não entendo os caras broxas como você. Quero dizer, qual deve ser a lógica que passa pela sua cabeça? "Já que sou um arregão de merda e não consigo gozar, vou bater em tudo quanto é mulher para me sentir melhor." Você definitivamente é privado de um cérebro. Mas não tem problema, você ainda tem seu sistema nervoso central e hoje eu pretendo usá-lo bastante.

Peguei num dos seus braços e saí arrastando. Adam veio ao meu socorro, e pegou o outro, me ajudando. O arrastamos para fora do escritório até chegar nas escadas. Pedi para Adam soltar quando chegamos no topo delas e, solenemente o chutei, fazendo com que ele embolasse pelas escadas. Meu sorriso de satisfação não passou despercebido.

— Sabe... — Adam começou — A gente pode queimar ele, tipo, vivo. É uma morte bem dolorosa. 

— Meu pai que gostava. E, pensando bem, eu também adoro um churrasco ao ar livre. Mas por enquanto, tenho outra ideia. — olhei para ele e fui em direção aos quartos — Meninas! MENINAS! COMPAREÇAM NA PISTA AGORA! 

Com os meus gritos não foi difícil fazê-las sair. E também tem o fato de que sou eu quem está gritando. Aos poucos e meio assustadas, elas saíram dos quartos e eu as encaminhei para baixo. Quando estavam todas lá, desci também. Calmamente, eu perguntei:

— Quantas de vocês já apanharam daquele ali? — apontei para Troy no chão. Várias olharam para baixo, envergonhadas, com medo também — Eu queria avisar que será a última vez que o verão, a partir de hoje, ele é lixo descartado.

— Isso é de verdade? — Charlotte pergunta. É doloroso ver a esperança nos olhos dela porque me faz pensar no que ela passou.

— Sim, é verdade. Eu queria agradecer você, Charlotte por ter me ligado e dizer para todas vocês que se algo dessa gravidade se repetir novamente, não exitem em me procurar, ok? — elas balançam a cabeça — Você estava certa, Thiffany, eu me importo com vocês e a partir de hoje, macho nenhum vai mandar aqui. Ashley será a nova encarregada das boates e acima dela estou eu. Tudo o que vocês precisarem, estaremos aqui para ajudar. Fui clara?

— Sim, senhora. — ela responderam balançando a cabeça, entusiasmadas.

— Agora, por favor, quantas de vocês já apanharam daquele merda ali? — perguntei novamente apontando para Troy no chão ao pé das escadas. Uma visão incentivadora. Segundos depois, Sabrina levantou a mão, Ashley também. Na sequencia, todas as garotas que trabalham ali levantaram seus braços uma após outra. Eu quis chorar, mas mordi o meu lábio deixando a raiva falar mais alto — Então, meninas, ali está o Troy para vocês baterem nele, fazendo as mesmas coisas ou pior do que ele fez com vocês. É o meu pedido de desculpas. Por favor, batam a vontade, usem os punhos ou qualquer objeto que desejarem. Se quiserem posso amarra-lo também. A única coisa que quero, é que se satisfaçam, então... — elas olharam para o filho da puta no chão com os olhos arregalados ao ouvir minhas palavras — Me desculpem o estado em que estou entregando para vocês, eu não pude me controlar, mas está aí a disposição. Kevin, Adam, segurem-no.

Assim sendo, meus dois seguranças pegam o pedaço de lixo, o colocando em pé e segurando um em cada braço. 

— Posso fazer as honras? — Ashley pede. Tudo o que eu digo depois de sorrir, é: 

— Por favor.

 

 

Em primeiro lugar

Eu vou dizer tudo que está na minha cabeça

Estou irritado e cansado

Da maneira como as coisas têm andado

Do jeito como as coisas têm andado

Em segundo lugar

Não me diga o que acha que eu poderia me tornar

Sou eu que estou na vela

Sou o mestre do meu mar

O mestre do meu mar

Eu estava mal desde pequeno

Levando meu mau-humor às multidões

Escrevendo meus poemas para os poucos

Que olhavam para mim, levaram até mim

Me acudiram, me sentiram

Cantando de um coração partido pela dor

Pegando minha mensagem desde as veias

Falando minha lição de cor

Enxergando a beleza através da

Dor!

 


Notas Finais


Q q cês tão achando?

Tá mal editado eu tenho q sair pra levar minha mãe no hospital depois eu conserto tudo e arrumo pra vocês. Desculpem e comentem.

Bjubju


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