História Please Don't Say You Love Me - Capítulo 5


Escrita por: ~ e ~A-little-Foxy

Postado
Categorias Originais
Visualizações 34
Palavras 5.656
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), FemmeSlash, Festa, Ficção Adolescente, Hentai, Lemon, Orange, Romance e Novela, Violência, Yaoi (Gay), Yuri (Lésbica)
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Drogas, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Sexo
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Olá, desculpem a demora, boa leitura!

Capítulo 5 - Capítulo V


Nathan

Uma noite mal dormida, toda vez que fechava os olhos lembrava daquele momento, da piscina, do beijo. Estava com os olhos fechados, tentava dormir, mas agora já não dava, o despertador soou, suspirei em rendição, seria um dia difícil. Caminhei até o banheiro e me despi, regulei a temperatura do chuveiro para frio, talvez assim eu acordasse, abri o registro sentindo a água gelada tocar minha cabeça, escorrendo pelas minhas costas e em minhas pernas, permaneci parado até me acostumar com a temperatura, então lavei meus cabelos e ensaboei o corpo, eu esfregava minha pele como se aquilo fosse retirar o sono e as lembranças da noite anterior, deixei que a água levasse o sabão para o ralo e dei adeus para o que ia junto, fechei o registro secando meu corpo, mas deixando os cabelos molhados.

Vesti uma blusa preta com uma estampa colorida, coloquei uma camisa branca de abotoar por cima, porém aberta, uma calça preta e uma bota cano alto. Peguei meu celular e os fones colocando-os no bolso, coloquei a mochila nas costas com apenas uma alça, senti o aparelho vibrar, olhei para a tela e sorri ao ver a foto do Tyler fazendo careta, ele estava dando língua e seus olhos voltados para cima, como se tentasse revirar os olhos, estraguei mais ainda a foto quando coloquei estrelas sobre a cabeça dele, li o nome Ty Morgan, desnecessário graças a foto, atendi colocando o celular no ouvido.

- Onde você está? – ouvi um barulho distante, parecia um motor.

- Em casa – respondi.

- Estou aqui fora. – encerrou a chamada.

Peguei as chaves e guardei o celular novamente, abri a porta e vi o moreno dentro do carro, tranquei a porta e senti o ar gélido da manhã, junto a algumas gotas de água que escorriam de meus cabelos ainda molhados para minhas bochechas, limpei com as costas da mão enquanto caminhava em direção ao carro, sentei no banco do passageiro, o mais velho estava com uma jaqueta de couro preto e por baixo uma blusa também preta, mas com uma estampa de um lobo uivando da cor branca, puxado para o cinza, uma calça jeans azul escuro.

- Um frio desse e você com os cabelos molhados! – falou acelerando o carro.

- Bom dia mamãe! – debochei do comentário dele.

Encostei minha testa no vidro fechado, fechei meus olhos sentido a vibração do carro passando sobre o asfalto, percebia cada mudança de aceleração, até mesmo a diferença de temperatura do interior do veiculo para o exterior através da janela fria, escutava o chiado que o vento fazia ao ser cortado pelo veiculo.

- Nath? – o moreno me chamou pelo apelido, demonstrando preocupação, evidente também em sua voz.

- Hum – murmurei.

- Tenho uma boa notícia – olhei empolgado para ele, que sorriu. Vamos sair hoje à noite.

- Aonde vamos? – minha voz saiu mais aguda por conta da empolgação. – E a Maggie? – acho que não é uma boa ideia sair sozinho com o Tyler.

- Naquela boate nova e ela disse que tinha compromisso, antes mesmo que eu pudesse falar para onde vamos. – suspirou – Você ainda vai, não é?

- Claro – sair com o Tyler sem a Maggie, acho que não vai prestar. – Mas melhor você se comportar! – exigi.

- Como assim? – perguntou assim que entramos na rua do colégio.

- Não bebe tanto e não fica dando encima de mim! – falei enquanto entravamos no estacionamento.

Tivemos que procurar um lugar vazio, pois o local tinha mais carros do que os dias anteriores, achamos uma vaga quase oculta, era apertada, mas o Ty é um bom motorista, não que vá dizer isso em voz alta. Ainda estava cedo, caminhamos juntos pelo corredor até chegar na sala quase vazia, largou a mochila no seu lugar, digamos oficial, e sentou-se no lugar da Maggie, de lado para poder conversar comigo.

- O que rolou na casa daquele mané? – palavras inesperadas, encarei o mais velho sentindo minhas bochechas queimarem, era vergonha. – Reponde logo!

Primeiro ele ficou desfilando só de toalha, depois caímos na piscina, nos beijamos, ou melhor, eu o beijei e levei um empurrão, então saí correndo para casa todo molhado, deveria ter chamado um taxi, mas eu estava desesperado. – pensei.

- Nada! – falei rápido. – Só fizemos o trabalho e fui pra casa. – o moreno fez uma cara de desacreditado.

- Sua irmã já voltou? – me senti sendo interrogado.

- Não. – senti sua mão quente e macia sobre a minha, olhei para o que ele estava fazendo e fitei seu rosto, mas ele olhava para nossas mãos juntas e então nossos olhares se encontraram.

- Vaza do meu lugar! – olhamos para onde vinha a voz e lá estava a ruiva, seus cabelos presos em um coque desarrumado, seu semblante estava sério, o moreno simplesmente correu, talvez estivesse certo em agilizar a fuga. A garota jogou sua mochila sobre a mesa fazendo um estrondo ecoar pela sala, sentou e descançou a cabeça sobre suas coisas.

Olhei para o Tyler em busca de explicação, porém  ambos não fazíamos ideia do porquê da Maggie estar assim encarei suas costas, ela parecia usar uma blusa verde esmeralda de alças que subiam em seus ombros. Os alunos começaram a encher a sala e um barulho de conversa paralela começou. O alarme tocou e sem perder tempo uma professora entrou, disse que sua matéria era de física, então começou a falar, eu apenas escutei de olhos fechados.

Uma coisa leve e macia tocou acertou minha testa, abri os olhos à procura do que seria, encontrei uma bolinha de papel no chão, olhei para o Tyler que dizia um: “Pega” gesticulando com a boca, fiz como pedido e desamassei a bolinha, estava escrito: “Pergunta o que ela tem”, o sinal tocou e a professora saiu apressada, respirei fundo esticando minha mão para tocar as costas da garota.

- Façam duplas! – a voz grave do professor me fez dar um pulo de susto, olhei para ver o dono da voz e era o professor de química.

Sem contestar a sala começou a se organizar em dupla enquanto o Tyler e eu decidíamos: Quem arriscaria a vida?

- Algum problema? – olhei para o professor, meu coração falhou uma batida, ele se dirigia a mim.

- Não – olhei para onde eu deveria ir, ao lado da Maggie, mas o moreno já estava lá, olhava para mim sorrindo vitorioso, então lancei um olhar mortal e ele ficou sério. – Na verdade, estou só.

- Faça com o Nolan. – procurei o garoto com os olhos e para minha surpresa ele estava bem perto, arrastei minha mesa até estar ao lado da dele. – Com base no que escrevi na aula anterior, façam essa atividade, não importa se sabem ou não, apenas façam! – ordenou passando uma folha para cada dupla.

O ruivo recebeu a folha e começou a ler as questões não me deixando ver por conta da distância, fitei seu rosto,, seus olhos verdes percorriam a folha de um lado à outro, sua testa franzida , claramente ele não estava entendendo nada.

Tomei a folha dele, que me lançou um olhar irritado, o ignorei lendo a primeira questão e já assinalando a alternativa que tinha certeza de estar certa. Aproveitei minha insônia para lera as anotações do colégio, principalmente a de química, matéria que eu odeio por não entender bem.

Boa parte das questões eram teóricas, apenas a ultima que me deixou confuso, então larguei ela em branco. Soltei a folha e a caneta sobre a mesa, forcei-me a esquecer da presença do ruivo, cruzei meus braços sobre a mesa e apoiei meu queixo, fitei as costas da garota à minha frente, seu casaco cor de rosa e listras brancas combinava com seu jeito meigo.

- Como você entende isso? – perguntou pegando a folha e analisando as respostas.

- Por que eu estudo! – respondi friamente.

Peguei o papel de uma forma bruta das mãos do garoto, levante e comecei a caminhar em direção a mesa do professor espiei o progresso de algumas duplas que eu passava do lado, quando cheguei perto o suficiente da mesa, estiquei meu braço entregando a folha e sem perder tempo ele começou a analisar as respostas, permaneci parado tentando decifrar suas expressões faciais, mas este logo percebeu e lançou um olhar sério cima da folha, aquilo foi suficiente para me fazer voltar, dessa vez olhei para meus amigos, vi que era a Maggie quem fazia, garota esperta – sorri com esse pensamento – porém seu rosto ainda era de raiva, apressei o passo voltando para ao meu lugar.

Peguei meu caderno e comecei a rabiscar desenho abstratos,, senti que os olhos do ruivo estavam sobre mim, constantemente eu o olhava e ele apenas disfarçava, isso se repetiu várias vezes.

- O que tu quer? – falei baixo para apenas ele ouvir.

- Tu é muito nervoso moleque – murmurou – a paciência condiz com seu tamanho – riu.

- Olha aqui seu idiota – gritei sem me importar com a sala – já estou de saco cheio desses deboches com meu tamanho! – levantei fazendo a caneta voar, minhas bochechas queimavam, assim como meu peito, notei vários olhares em mim.

Não pensei duas vezes e saí correndo da sala, o único lugar que me veio à mente fora o banheiro, para minha sorte não havia ninguém, parei diante ao espelho e meu rosto estava vermelho, conseguia ver uma veia pulsando em meu pescoço, fiz uma concha com as mãos e joguei água no rosto, respirei fundo e comecei a senti a raiva passar, achei melhor não voltar para a sala, pensei no jardim, talvez eu me acalmasse lá.

 

(...)

 

O refeitório estava cheio, muitas caras novas, provavelmente os alunos não tinham vindo nos primeiros dias de aula – nem parece, já que temos trabalho marcado. Estamos sentados saboreando algo que parece ser purê – só parece, por quê não tem gosto. Estávamos tentando adivinhar do que era aquilo e torcíamos para não passarmos mão depois.

- Pra mim deu! – fiz cara de nojo e empurrei o prato com metade daquela coisa pra longe. – Quem serve isso num colégio?

Fizeram da minha pergunta retórica, apenas riram, o humor da Maggie já estava melhor, confesso que também estou mais calmo, passar uma aula no jardim é relaxante, ficaria lá por mais tempo se não fosse a fome. O Tyler não fez perguntas nem nada do tipo sobre o ocorrido e foi bom, não queria falar daquilo. Fitei a Maggie que estava pensativa olhando para o prato e passando o garfo, talvez não tivesse nem consciência do que estava fazia, voltei minha atenção para o moreno que havia comido tudo, ele olhou para mim, vendo que eu não ia mais comer, fez uma cara de pidão e eu assenti entendendo o que ele queria, em um movimento rápido puxou o prato e começou a comer. Como ele consegue?

Pigarrei chamando a atenção da ruiva e apontei com a cabeça para o moreno e ela sorriu bobamente.

- Quer o meu também? – a garota perguntou vendo que o maior já acabava.

- Se eu comer mais eu explodo! – murmurou nos fazendo rir.

- Vamos sair daqui? – a ruiva falou num tom sério olhando alguma coisa atrás de mim, o Tyler olhou na mesma direção e concordou, sem perder tempo eles me puxaram para fora do refeitório não me deixando ver o que era.

Em poucos instantes estávamos na sala, faltavam alguns minutos para o alarme tocar, só havia uma pessoa ali, lendo e com fones notei que tudo estava arrumado em filas, diferente de quando eu saí correndo, sentei devido lugar e o Tyler trouxe sua cadeira para perto de mim e da ruiva, que sentara de frente para mim.

- O que tu tinha mais cedo? – perguntei fitando a garota.

- Coisas de mulher! – respondeu olhando em meus olhos e logo entendi. Cólica. Eu acho...

- Ahh – expressei demonstrando que entendi.

- Não entendi! – rimos com a confissão do moreno. As vezes ele é lerdo.

- Então, que compromisso é esse que ti impede de sair conosco? – perguntei, me lembrando do que o Tyler disse.

- Tenho que receber uns parentes chatos em casa. – respirou dando se por vencida. Para onde vocês vão?

- Naquela boate nova... Sweet kiss. – o moreno respondeu.

- Poxa, queria ir. – falou cabisbaixa. – Aproveitem o encontro! – riu baixo. – Quem melhor para me deixar constrangido senão a Maggie?

- Encontro – o moreno e eu falamos em uníssono fazendo a garota explodir em gargalhadas.

O sinal tocou e em poucos segundos a sala estava cheia, dessa vez todos estavam calados. Ao contrario do que pensei poucos me olhavam e eu estava agradecendo por isso. O professor entrou acompanhado do ruivo, ambos estavam sorrindo, notei que o garoto é mais alto que o acompanhante, se afastaram e o professor tomou uma postura séria, o ruivo se jogou na cadeira fazendo um ruído agudo. O professor pegou o apto pendurado no pescoço pondo na boca, tomou fôlego e o assoprou, aquele barulho ensurdecedor durou alguns eternos segundos fazendo poucos conversadores se calaram.

Foquei toda minha atenção naquela figura de cabelos escuros com alguns fios brancos, olhos castanhos e algumas rugas em seu rosto, sua fisionomia nem tanto trabalhada e nem tanto largada, usava uma camisa azul escuro com um bolso no peito contendo algumas canetas, calça também azul com uma linha vertical branca dos lados das pernas, um tecido aparentemente leve e confortável e tênis de corrida cinza com detalhes em branco.

- Me chamem de Daves, sou o professor de Educação Física e treinado do time de lacrosse, e vou selecionar alguns meninos para substituir os que saíram ano passado. Para felicidade ou infelicidade de alguns, mas não ligo! – engoli um seco. – Vamos para a quadra externa, farei um “teste” – fez aspas com as mãos e sorriu de uma forma macabra – Andem!! – ordenou.

Levantamos seguindo o professor que nos levava a área externa do prédio, é um lugar extenso, um gramado natural que segue por todo o campo, a arquibancada de madeira e metal parecia preservada, sua posição dava visão privilegiada de todo o campo e também de um bosque do outro lado.

 Alguns sentaram enquanto outros ficaram em pé conversando e mais uma vez o barulho irritante daquele maldito apto quase estourou meus tímpanos, fizemos uma fila ombro-a-ombro, as garotas ficaram sentadas nos observando. Acabei ficando numa das extremidades da fila, o Tyler ao meu lado, sua agitação indicava ansiedade, o moreno tinha o sonho de entrar no time de lacrosse e finamente ele tem sua oportunidade.

O senhor grisalho parava na frente de cada garoto da fila e os analisava, os que não eram escolhidos sentavam na arquibancada e os outros ficavam à frente olhando cada movimento do treinador julgando quem merecia e quem não ingressar no time. Óbvio que eu não gostaria de estar ali, ou jogar lacrosse, definitivamente não é meu sonho, dei um meio sorriso ao perceber que a maioria estava sendo dispensada, ou por serem baixos, infelizmente não tanto quanto eu, ou não esbanjavam músculos.

Analisei os três em minha frente, um moreno com cabelos cacheados, pele clara e alto, vestia uma camiseta azul e amarelo, dando para ver parte de seu peitoral trabalhado, bermuda de corrida cinza e um tênis todo azul, a sua esquerda estava o Christopher, uma calça azul, coturno mostarda e uma blusa branca e ao seu lado livre um garoto mais baixo que os dois, cabelos claros em um corte militar, os olhos de cores distintas, um azul e outro castanho claro, pele clara com algumas sardas nas bochechas, usava uma camisa polo verde, que começava clara nos ombros e ficava mais escura na barra da blusa, uma bermuda azul clara e coturno azul escuro.

Quando me dei conta o Sr. Daves estava analisando o Tyler com um olhar crítico sobre ele, deixando o moreno tenso, o treinador pensou bastante enquanto analisava o garoto, fez um sinal de aprovação com a cabeça e apontou para onde o moreno deveria ir.

Sorri quando o Tyler saiu dando pulinhos de alegria e fazendo sua dancinha da vitória de forma desengonçada. Percebi algo impedir minha visão do moreno, olhei para cima encarado o treinador, seu olhar como se pensasse seriamente, revirei os olhos. Um sorriso de canto foi esboçado por breves segundos, se abaixou o suficiente até estarmos na mesma altura , aproximou seu rosto do meu com um olhar intimidador, fiz o mesmo, tentei passar a ideia de que aquilo não me afetava. Levantou-se dando alguns passos para trás com um sorriso largo. Agora ele me assustou!

- Parabéns! – arregalei os olhos surpresa.

Caminhei até estar ao lado do Tyler, seu olhar também era de surpresa, Não sei no que este velho caduca estava pensando.

- Coitado, vai ser esmagado! – olhei para o garoto de camiseta e ele fez um gesto de como se esmagasse algo imaginário com as mãos, senti um arrepio na espinha.

- Quero que os cinco deem dez voltas no campo! – virou se olhando para a arquibancada. – O resto vai escrever sobre o lacrosse.

Tentando convencer o treinador a diminuir a quantidade de voltas, mas ele ameaçou dobrar a meta caso insistíssemos. As três primeiras voltas foram fáceis, o resto foi bem difícil, meus pés começaram a doer, meu corpo parecia pesar uma tonelada e meu coração queria fugir do meu peito, para completar ele nos fez correr mais, praticamente até acabar as duas ultimas aulas, somente com algumas pausas para descansar. O som do sinal foi um grande alivio, sentar na arquibancada e relaxar foi uma sensação cem vezes melhor, os outros estavam na mesma situação e fizeram o mesmo, alguns sentaram no gramado, outros deitaram.

- Nathan!

- Oi – respondi sem nem mesmo saber quem era.

- Toma – peguei um papel e então olhei para quem me entregara, era a Lilly, ela estava usando uma saia rosa, uma blusa preta justa e sapatilhas. – Estava em meu quarto e presumi que fosse seu, por quê tem seu nome.

- Ah!! É o trabalho de historia, Obrigado. – falei ofegante.

- Essa aqui é a Ashley. – puxou uma garota tímida que se escondia atrás dela. A garota com a mesma altura da morena, olhos verdes lindos, pele clara, seus cabelos lisos estavam amarrados, e a cor do seu cabelo se destacava, um degrade do rosa ao roxo. Usava um cropped branco com um decote em V, uma saia preta e uma bota de salto preta.

 - Oi, só não me levanto por que não sinto minhas pernas. – cumprimentei beijando a mão dela.

-É... é – gaguejou. – Vou dar uma festa sexta, quer ir? – falou receosa. – Pode levar seus amigos...

- É o aniversário dela! – a morena completou e foi cutucada pela outra garota, tentaram desfaçar e eu ri.

- Eu vou. – afirmei depois de uma pequena pausa. – Você quer algo de presente?

- Não! – respondeu rápido e balançando a cabeça negando, porém muito rápido, parecendo mais um tremelique.

- Quer sim...- gritou ao receber uma cotovelada da outra garota que ruborizava.

- Tchau! – a menina se despediu puxando a morena que nem conseguiu dizer nada.

Me levantei com dificuldade, chamei o Tyler e a Maggie, eles concordaram em ir embora, minhas pernas estavam muito doloridas. Acabei descobrindo que a corrida era outro teste, que quem desistisse  seria cortado do time, o que deveria ter sido me contado no inicio. Só corri por que queria mostrar que não sou tão fraco quanto acham e um pouco por medo do que o treinador poderia fazer comigo.

 

(...)

 

Acordei depois de ser sacudido e levar alguns tapas na cara, assim que cheguei do colégio tomei banho e deitei no sofá para descansar, mas acabei dormindo.

- Você comeu? – como eu senti saudades dessa voz doce da Mayah.

- Você voltou! – gritei de felicidade, levantei e abracei a minha irmã, que retribuiu me esmagando. – Não. – respondi sua pergunta.

- Vamos comer, acabei de chegar e trouxe comida. – me conduziu para a cozinha e nos sentamos à mesa. – Como está sendo no colégio?

- Divertido até! – falei enquanto ela abria o vazo de sala pra e me entregava outro. – Eu, o Tyler e a Maggie somos da mesma sala. – me encarou surpresa. – Tem um ruivo bonito e idiota na turma e ele e o Tyler não se dão bem por algum motivo, e pra fechar com chave de ouro, entrei no time de lacrosse, por livre e espontânea pressão. – comecei a comer meu strogonoff, minha comida preferida.

- Vocês na mesma sala? Você jogando lacrosse? – suspirou. – Aliás nem vou perguntar, já tenho muita coisa para processar.

- Como foi seu projeto?

- No inicio foi complicado, pesquisamos tudo sore roupas, demoramos o dia e a noite toda, depois as ideias surgiram, passamos um tempo organizando tudo e finalmente montamos o que queríamos, ficou perfeito. As 36 horas sem dormir valeram a pena! – espreguiçou-se de cansaço.

- Você devia descansar, está parecendo um zumbi! – falei o que era verdade, seus cabelos estavam apontando para todos os lados, olheiras bem evidentes e sua roupa amassada.

- Vou dormir, por favor não me acorda! – assenti, levantamos ao mesmo tempo, beijei sua bochecha e esperei até ela chegar até as escadas.

- Vou sair de noite e chegar tarde. – gritei e ela fez um gesto de “ok” com a mão, limpei a mesa e voltei para o sofá, mexi no celular até cochilar novamente.

 

(...)

 

Acordei uma hora antes da que havia marcado com o Tyler, subi as escadas e caminhei com cuidado para não fazer barulho, tomei um banho demorado expulsando a preguiça e o cansaço do meu corpo, vesti uma roupa simples, uma camisa polo azul marinho, uma calça jeans e coturnos, me analisei no espelho o azul da blusa combinando com o azul dos meus olhos mesmo sendo bem mais claros.

Peguei meu celular colocando na câmera, apontei para meu reflexo no espelho, fiz uma pose básica e tirei a foto, ficou legal, como o espelho é do meu tamanho, a imagem mostrava todo o meu visual, enviei para a Maggie. Peguei minha carteira e coloquei no bolso fazendo o mesmo com o celular, atravessei o corredor calmamente e desci as escadas, tropecei em alguns degraus, pois estava tudo escuro, saí da casa e fiquei esperando o moreno chegar, o que não demorou muito.

 Entrei no carro e fiquei nauseado com o perfume forte que o Tyler estava usando, abri o vidro, permitindo que o ar limpasse o carro daquele cheiro, tornando-o um pouco mais tolerável.

- Você esta bonito! – dei partida no carro.

- E você tomou um banho de perfume. – torci o nariz, analisei o que o garoto vestia, até que não estava nada mau, uma camisa de abotoar branca, uma calça preta um pouco apertada e coturno preto. – Você também está bonito!

Alguma música tocava no rádio e o moreno cantarolava, mas ele se empolgava no refrão e o cantarolar suave se tornava um berro desafinado me fazendo rir até a barriga doer, a melodia trocou para uma nova e o Tyler parou com os gritos.

A boate fica um pouco longe, passamos por algumas ruas escuras e sem movimento de carros ou pessoas, no inicio de uma das avenidas que passamos a lâmpada do poste estava piscando, já em outra só funcionavam os postes do inicio, meio e fim da rua, tudo isso parecia um cenário de filme de terror, seria um lugar perfeito para cenas macabras.

Chegamos a um lugar mais receptivo, bonito e movimentado, não percebi que estava tenso até relaxar o corpo, o rádio havia sido desligo e o silêncio reinava no interior do veiculo, o que estava estranhamente incômodo.

- Já estamos chegando? – perguntei.

- Já!

Viramos à direita em uma rua um pouco mais quieta que as anteriores, haviam poucas casas e logo percebi o por quê, de fora já se ouvia o som da música alta, a fachada da boate é simples, uma grande placa de led piscava formando uma boca cor de rosa, sobre os lábios o nome “Sweet Kiss” em azul bebe e uma seta que apontava para baixo, indicando o local.

Paramos a alguns metros do lugar, no centro uma grande porta dupla pintada com um vermelho brilhante que refletia as cores da placa, aos lados dela estavam dois seguranças, um rapaz alto e careca de pele escura e bem musculoso, o outro também alto e careca, mas de pele clara, ambos de terno, ainda na área externa á direita da porta estavam alguns furos na parede e sobre eles o nome “bilheteria”  e uma fila um pouco grande de pessoas ansiosas para comprar suas entradas, caminhei até a fila, mas fui puxados em direção a porta pelo moreno, que balançava os ingressos na minha frente, um dos seguranças nos fez parar com um simples gesto da mão e os nos revistaram em busca de armas ou drogas, pegaram as entradas e nos deram duas pulseiras laranjas fluorescente, que dizia “Vip”, fomos liberados para entrar.

- Onde arrumou isso? – perguntei balançando o braço com a pulseira na frente do moreno.

- Comprei – sorriu passando a mão no cabelo os ajeitando.

- Não precisava – murmurei.

Passamos a porta externa entrando em um corredor pequeno e escuro, e no final mais uma porta dupla dessa vez um preto fosco, a música já ficava mais alta, empurramos cada qual uma banda e entramos no grande salão com algumas pessoas, uma música eletrônica tocava e aquele aglomerado se movia no ritmo, cada individuo com sua forma de dançar, no fundo um palco com o DJ e sua mesa complexa, do lado esquerdo um enorme balcão de madeira com bancos na frente e atrás prateleiras com inúmeros tipos de bebidas e três rapazes as misturando e formando novos tipos, ao lado direito uma escada que levava a parte de cima, onde poderia ver a pista do alto, com poltronas, água, comidas e bebidas mais finas, sobre a escada uma placa verde escrito “Área vip” , do lado da escada estavam disponíveis alguns sofás vermelhos.

- Como disse a Maggie... – sorriu pegando minha mão e me puxando para a pista. – É um encontro.

Fomos para o centro das pessoas, onde as diversas luzes intermitentes  e velozes enfeitavam o lugar, ficamos um de frente para o outro e começamos a dançar, um pouco tímidos, mas logo se soltando, era uma música bastante agitada e por causa da quantidade de pessoas nós nos aproximamos mais, tínhamos que tomar cuidado para não esbarrar em ninguém, nem um no outro.

A música trocou para outra agitada, entretanto mais lenta que a ultima e eu a conhecia, comecei a dançar assim como havia aprendido, de forma ritmada e certa, o moreno tentava me imitar, mas errava ou não me acompanhava, desistiu e apenas sorria da minha performance.

E mais uma vez mudou, a música começou calma em uma batida sensual e eu apenas deixei meu corpo se mover conforme o ritmo, fechei meus olhos e levei as mãos à cabeça, minha cintura se movia para frente e para trás, desci minhas mãos passando pelo meu corpo, a cada batida da  música eu fazia algo que nem eu mesmo sabia o que era, logo a música ficou agitada e meus movimentos em perfeita sincronia com o ritmo, mesmo estando rápida não deixava de ser sensual e empolgante, senti alguém segurando em minha cintura e me acompanhando, parecia estar fazendo a mesma coisa, não me importei nem abri os olhos para saber quem era, apenas curti o momento até a música acabar, deixando um silêncio total no lugar, abri os olhos curioso e havia uma espaço em circula vazio ao meu redor, ainda sentia as mãos em minha cintura, então olhei para trás e vi a Lilly, seus olhos ainda estavam fechados, seu rosto começou a ficar vermelho quando ela abriu os olhos, em sinal evidente de vergonha.

Logo outra musica tocou e as pessoas voltaram a dançar, procurei o moreno com os olhos, mas ele havia sumido, puxei a morena para fora da pista, levando-a para o lugar mais tranquilo que encontrei, a garota estava usando um vestido verde esmeralda apertado que realçava suas curvas perfeitas, um decote que mostrava parte de seus seios, uma fenda na altura da perna, permitindo mostra-la enquanto andava.

- Você está linda! – me aproximei para garantir que a garota escutasse em meio ao barulho.

- E você dança bem! – ruborizei.

- Quer alguma bebida? – perguntei apontando para o bar.

- Não, se o Christopher ver ele vai acabar com a festa – revirou os olhos.

- Ele veio? – falei surpreso. – Você viu o Tyler? – a garota revirou os olhos.

- Sim e não. – pensou fazendo uma cara de terror. – Precisamos evitar que os dois se encontrem.

Assenti e a garota se virou saindo a procura do irmão, senti alguma coisa cutucando meu ombro então me virei e o moreno estava segurando duas bebidas uma em cada mão, me deu uma e tomou um gole da outra, fiz o mesmo e senti um gosto doce e logo um forte de álcool, mas era bom, agradeci.

- Quem era aquela menina? – perguntou apontando para a direção que a garota fora.

- Ninguém. Vamos subir! – saí puxando o garoto.

A parte de cima é muito diferente, é mais sofisticado, desde as cadeiras até as bebidas, nos sentamos em um sofá um pouco distante, analisei o bar próximo à escada e as bebidas disponíveis, ao lado estava uma pequena bancada com alimentos variados e aparentemente saborosos, havia uma certa aglomeração próxima à esses dois lugares.

Olhei para o moreno e notei que ele já estava com outra bebida, tomei o copo da sua mão e bebi um gole, senti um desconforto, pois estava muito mais forte do que a anterior, fiz uma careta e o garoto riu, o Tyler é muito fraco para bebidas alcoólicas, então bebi o resto em um só gole.

- Isso era meu! – falou olhando para dentro do copo procurando pelo liquido.

Meus olhos encontraram com o de um rapaz, sentado numas das cadeiras em frente ao bar, de aparência jovial e bem vestido, ele levou a bebida à boca e mesmo assim não cortou o contato visual, chamou o garçom e disse algo em seu ouvido, ambos me olharam e o servente assentiu, pegou algumas coisas e caminho até mim.

- Cortesia do cavalheiro do bar. – entregou-me o copo e logo voltou para onde vinha.

Acenei para o home em forma de agradecimento, este mudou seu olhar para o garoto ao meu lado e eu fiz o mesmo, seus olhos expressavam raiva e sua mandíbula estava travada,  seus punhos cerrados e olhar fixo no rapaz. Isso não é bom sinal!

O Tyler levantou indo em direção ao homem que não entendeu nada, uma discussão se iniciou entre os dois, ambos estavam em pé, prontos para se atracarem, as pessoas só olhavam e ninguém tentava intervir, levantei indo em direção aos dois, empurrei o moreno em direção ao lugar onde estávamos.

- Que porra foi essa Tyler? – gritei frustrado.

Fui ignorado pelo maior que saiu descendo as escadas, voltei ao rapaz que estava no bar e me desculpei pela atitude do moreno, devolvi a bebida e fui procurar o garoto que havia desaparecido em meio as pessoas.

Caminhei em direção ao balcão do bar, parei ao lado de um homem de camisa xadrez vermelho e cinza, olhei de relance e ele parecia bêbado, ignorei, estava disposto a encher a cara também.

- Me dá a bebida mais forte que tem! – pedi ao barman que logo foi preparar o drink.

- Você não é muito jovem para beber? – o homem ao meu lado perguntou e eu o olhei irritado, mas não viu por estar de cabeça baixa, sua voz embolada deixou claro seu estado de embriagues.

- E você não é mito velho para embebedar? – seus olhos verdes me encararm e eu o reconheci. – Professor?

- Humrum. Estou comemorando, tenho direito de ficar bêbado. – sua voz estava totalmente diferente.

- Qual o motivo? – perguntei recebendo minha bebida.

- Meu divorcio! – tentou sorrir, mas quase caiu do banco. – Encontrei meu marido na cama com minha melhor amiga. Aquela vadia!

- Nossa! – nunca imaginaria que ele fosse gay. – Qual seu nome?

- William... Grey... Eu acho! – respondeu pausadamente e com a voz embolada.

- Já chamei um taxi para você. – o homem avisou e o professor tentou andar, mas quase caiu, ele mal se aguentava em pé, tive que ajuda-lo.

Nos dirigimos para fora da boate, aguardando o taxi, do outro lado da rua havia um banco, sentamos depois de quase cairmos duas vezes, ficamos esperando.

- Seus olhos são lindos! – o professor me encarava fixamente e se aproximava. Iguais do meu ex marido. – falou ficando perto o suficiente para que eu sentisse seu hálito de cachaça.

- Você precisa superar isso... – nosso lábios se tocaram, tentei me desvencilhar mas ele me envolveu com seus braços me impedindo de escapar, mordi seu lábio com força e ele me soltou.

- Desculpa, não sei o que me deu!

- Vamos o taxi chegou! – o ajudei a levantar e entramos no carro.

 

(...)

 

Preferi ajudar o mais velho a entrar na casa dele, já que ele não acertava nem por a chave na fechadura, dispensei o taxi e entramos, o mais velho saiu correndo em direção ao banheiro e eu o segui, evitando que o mesmo caísse, quando chegou se ajoelhou em frente a vaso sanitário e vomitou, apenas fiquei observando-o da porta, quando ele terminou o ajudei a se despir até ficar apenas com a roupa intima e sai do cômodo, não demorou muito até ele sair com uma toalha enrolada na cintura e entrar em um quarto fechando a porta, esquecendo-se da minha presença e me deixando só.

Não me liguei muito para a decoração do lugar, apenas me joguei no sofá, já era tarde e eu não sabia o caminho para voltar para casa, apenas mandei uma mensagem para a Maggie, ocultando os fatos ocorridos, claro. Eram umas duas horas da madrugada quando peguei no sono.

 


Notas Finais


Gostaram? deixem nos comentários, favoritem, digam se tem algo errado, obrigado, até mais.
Um beijo da Bexy >.>
Um abraço do Foxy ^^


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