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História Pleasure Comes From Pain - Capítulo 20


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Notas do Autor


😊❤❤

Capítulo 20 - Formatura


Alec estava de bruços na cama, o rosto contra o travesseiro enquanto estava chorando.

Chorava bastante ultimamente.

No começo prometera não deixar nem mais uma lágrima escapar por causa de Magnus, mas o esforço para não sentir o estava transformando em um zumbi constipado por sentimentos que não externava. Não suportou mais e chorou embaixo do chuveiro por aquela longa semana que passou sem chorar desde que decidiu deixar Magnus e agora sempre chorava.

Os amigos sabiam que havia acabado e Jace também, mas todos acreditavam que ele estava bem, pois fizera de tudo para que acreditassem que havia superado.

Tentava focar na escola, ainda mais agora, tão perto de, finalmente, sair do Ensino Médio. Todos achavam que ele só estava estudando de mais e por isso as olheiras, não que fosse por não querer dormir para não sonhar com olhos verde amarelados.

"Não deveria confiar tanto em mim, vou acabar te machucando", Magnus dissera uma vez. É, no fim, foi da maneira mais difícil que aprendeu a não confiar em tanto assim em alguém.

— Alec? — Ouviu a voz preocupada de Jace, próxima a si. Fora descoberto. Não sabia se se importava. — É por causa daquele desgraçado?

Alec levantou a cabeça do travesseiro apenas para assentir, antes de esconder o rosto molhado ali novamente.

Jace começou a afagar seus cabelos, sem dizer mais nada por bastante tempo, sentado na ponta da cama.

— Você quer conversar?

Sua resposta foi negar com a cabeça, ainda com o rosto enfiado ali.

Jace se deitou ao seu lado e Alec sentiu seus toques gentis o consolando por muito tempo.

Era bom não se sentir tão só passando por isso. Só não contara a ninguém por uma besteira: orgulho.

Se sentia humilhado pelo modo que tudo aconteceu e seria mais humilhante ainda se soubessem que estava chorando pelos cantos por causa de homem, ele sempre fora independente e, tentava ao menos parecer, auto-suficiente. Ninguém precisava saber que um amor não correspondido o destruira assim.

— Eu não acho que você queira ouvir isso. — Jace começou e Alec se ajeitou na cama, ficando de frente para ele, deitado de lado. — Mas ele só foi o primeiro e não vai ser o último. — Enxugou as lágrimas do irmão. — Eu sei que parece que o que você está sentindo é a pior dor do mundo, mas passa. E, sinto muito, mas não vai ser a última vez que vai se sentir assim.

— Mas eu não acho que vá conseguir gostar de alguém como dele. Não parece possível. — Admitiu, se lembrando de como cada sensação, desde o primeiro beijo deles, até a primeira vez que o outro permitiu que Alec fosse carinhoso com ele, parecia única e especial.

— Você nuca vai gostar de alguém como gosta dele. Sempre é diferente, porquê as pessoas são diferentes, sem contar que ele foi o primeiro para você. Não precisa comparar com quem vier depois.

Alec assentiu, secando as lágrimas mais uma vez, aproveitando que já não estavam mais se derramando.

— Você fala como se tivesse alguma propriedade para isso, mas eu não acho que seja o caso.

— Eu já me apaixonei antes! — Disse, se fazendo de ofendido, Alec quase riu, mas só quase mesmo. — Eu já gostei de garotas que não gostavam de mim e houveram outras que estavam apaixonadas e eu não estava interessado. Acontece. Acho que amor tem um pouquinho a ver com coincidência. Duas pessoas coincidentemente se interessam uma pela outra. — Jace riu sem humor. — Tudo sobre relacionamentos é complicado, desde achar uma pessoa que te faça se sentir um idiota feliz e gosta de você de volta até manter o relacionamento e o interesse. Acontece que isso não é a sua vida toda, é uma parte, substituível e dispensável.

Alec se deitou mais perto, apoiando a cabeça no ombro dele. Jace apenas continuou com o carinho em seus cabelos.

Aquela noite Alec conseguiu dormir razoávelmente bem e se sonhou não se lembrava. Melhor assim.

 

[...]

— Comendo sozinho? — Alec ouviu a voz familiar e apenas ergueu a cabeça para lançar um sorriso fraco para Sebastian.

Queria mesmo ficar sozinho, havia fugido dos amigos justamente por isso.

Sebastian se sentou ao seu lado e Alec apenas continuou comendo, ou melhor, beliscando a comida, não tinha fome.

— Diz o que aconteceu. — Incentivou afagando suas costas. Foi uma sensação estranha, sentiu um arrepio, não exatamente bom.

— Problemas com Magnus. — Disse simplesmente.

Sebastian assentiu, mas Alec levantou a cabeça e forçou seu melhor sorriso.

— Mas não se preocupe, já passou. Magnus é passado. —  Isso não parecia algo que seria uma verdade nem em um milhão de vidas, porém ele parecia ter acreditado.

Sebastian estava sendo gentil e tentava ser agradável por causa de sua situação, mas Alec realmente queria ficar sozinho.

O bom de não ter sido acatado é que conseguiu se distrair e não pensar nele.

Estava terminando de tomar seu suco quando notou uma mão acariciando sua coxa. Estava mesmo muito desligado para não ter notado antes. Podia ter se afastado, devia ter, mas ao invés disso, disse:

— Sério, se você continuar subindo com essa mão no meu corpo eu não me responsabilizo pelo que as minhas vão fazer no seu. — Lançou um olhar malicioso.

Sebastian podia levar como uma brincadeira, mas Alec estava falando sério, não gostava de estar só e, se ele estava mesmo interessado nele, seria mais fácil do que procurar outro para beijar. Se ele não o quisesse era só não levar a sério as palavras de Alec, não estava realmente forçando nada. Isso fazia de si o pior amigo de todos, mas ele decidiu ser egoísta.

— Eu realmente gostaria de descobrir. — Foi sua reposta e Alec aproximou a boca da dele, com aquele sorriso malicioso ainda ali.

Viu o outro morder os próprios lábios, olhando os seus fixamente. Então, o beijou e foi correspondido com a mesma intensidade.

Beijar nunca teve a ver com sentimentos para si e se forçou a não pensar em Magnus, não comparar, como Jace dissera. No fim foi o suficiente para ser um beijo... bem okay.

Quanto mais sua mente tentava fugir para lugares indesejados, mais intensificava aquele beijo.

Tocou Sebastian por cima da calça e ele gemeu contra seus lábios, um pouco assustado.

Era mais difícil pensar besteiras que não deveria enquanto tinha que se concentrar no beijo e nos movimentos ritmados no membro que enrijecia com seu contato.

Abandonou a boca dele, sorrindo para Sebastian com um sorriso ladino.

— Sabe o que me agrada mais? — Perguntou em seu ouvido, aindo movendo aquela mão boba de forma firme. — Saber que vou ser eu dominando seus pensamentos mais impuros enquanto você estiver resolvendo esse probleminha aqui. 

Apertou-o contra sua palma.

Beijou seu pescoço e se afastou.

Sebastian estava ofegante e com os lábios finos vermelhos.

— Alec, você não presta nem um pouco. — Disse com aquele olhar luxurioso lhe fitando.

— Nenhum pouquinho. — Tratou de concordar. — Espero que goze bastante pensando em tudo o que essa boquinha pode fazer com você. — Bateu o indicador contra os próprios lábios. Piscou um dos olhos, deixando um Sebastian duro e incrédulo para trás quando se afastou segurado sua bandeja, aproveitando para rebolar bastante, já que sabia para onde o outro estava olhando.

Não. Não estava feliz, ainda estava péssimo, mas ao menos estava vivendo alguma emoção. Voltara facilmente àquela antiga situação onde apenas se divertia em se sentir desejado, mas a excitação estava apenas nisso, pois ele não sentia atração por Sebastian. Estava no controle da situação e isso era um tédio.


***

 

Magnus estava sentado no sofá da sala, com uma garrafa de vinho na mão. Fora a bebida mais fraca que encontrou e como não queria ficar bêbado a escolheu, mas era inútil considerando que já havia bebido metade do conteúdo.

Estava pronto para dar mais um gole, mas ela foi tirada de sua mão por Catarina, que o olhava furiosa.

— Achei que tinha parado de beber assim. — Colocou a garrafa longe de seu alcance. — Achei que o amor por seus filhos fosse mais forte que isso.

Magnus se encolheu no sofá. Só queria poder se fundir com ele. Deu de ombros em resposta.

— Tudo isso por um garoto. — Comentou e ele se sentou ereto em um pulo.

— Não fala sobre o que você não sabe! — Vociferou, mas Catarina nunca se assustaria com sua postura hostil.

— Então vou falar sobre coisas que sei. — Ela não estava gritando como ele, apenas disse com firmeza: — Te vi se transformar em um bobo apaixonado por uns meses e, desde que Alec foi embora, estou vendo você se afundar como prometeu que não faria de novo. É tão difícil admitir que vocês eram muito mais do que um acordo? Que eram muito mais do que sexo descompromissado?

— Você não pode sair mudando as regras no meio do jogo. — Argumentou passando as mãos pelos cabelos, desconfortável.

— Isso não é a porra de um jogo, é a sua vida. — Estava praticamente sussurrando, as crianças estavam dormindo e, mesmo que no andar de cima, não queria correr o risco de que participassem disso.

— Você está exagerando. — Insistiu cruzando os braços.

— Eu não estou. Você sente saudades do garoto, Magnus... É evidente que sente.

— Eu não entendo, você deveria concordar que não posso prendê-lo a mim só para satisfazer minhas necessidades.

— Um amor recíproco é uma necessidade válida. — Suas palavras o atingiam como um tapa bem dado em seu rosto. Ele evitara tanto pensar no significado enorme dessa palavra pequena. Amor. Ela lhe atirava tudo o que ele tentava negar dentro de si, com se não fosse nada. — Dar tanto espaço quanto ele pediu te faz uma pessoa respeitosa e burra. Era só dar um tempo, vocês dois precisavam disso, mas desistir do garoto? Você realmente não sabe como relacionamentos funcionam.

— Exato. — Admitiu exasperado. — Eu não sei. Só sei que prefiro que ele esteja longe de mim se isso o fizer feliz e é o que ele quer.

Ela se aproximou, sentando-se perto. Pôs a mão sobre seu braço, fazendo uma carícia discreta ali. Ficaram em silêncio por bastante tempo, até Magnus se pronunciar, a voz baixa agora:

— Eu e Camille somos casados há uns seis anos. Sempre... Sempre vi essa coisa de fazermos um o outro feliz como uma obrigação, sabe? É o que casais fazem, fazem coisas um pelo outro e tudo mais, mas com Alec era tudo tão natural. Eu sentia prazer em vê-lo feliz, não fazia nada por que tinha que fazer.

— Bom, você tinha uma ideia bem distorcida sobre relacionamentos. — Comentou.

— Eu nunca soube como relacionamentos funcionam. — Riu sem humor. — Mas eu estava acostumado a isso. — Continuou, o olhar focado na parede à sua frente. — Só que Alec... Alec me deu muito mais do que eu pedi, muito mais do que eu estava acostumado receber e para mim, o que tínhamos pareceu o suficiente, eu juro que não notei como ele estava infeliz, só por que tê-lo ao meu lado era o suficiente para mim. — Encarou Catarina, ao seu lado. — Eu pensei na possibilidade de sermos algo mais, sem ficar hesitando e evitando, só deixar os sentimentos virem mesmo átona, mas então tinha minha vida complicada com Camille e as crianças. Não pareceu que valeria à pena e achei que se tentasse avançar eu o perderia.

— Irônico. Você o perdeu por não tentar. — O comentário fez Magnus a encarar irritado. — Desculpe. — Pediu segurando o riso e Magnus rolou os olhos levemente marejados. 

— Insensível. — Murmurou.

— Mas, Magnus, você ainda pode tentar. — Voltou ao assunto. — Se vocês se gostam não vejo por que não ficar juntos. Um relacionamento ruim passado e filhos para criar não te fazem insuficiente para ter alguém agora.

— Eu não me acho insuficiente, mas é exatamente o que eu fui para ele. Ele disse que eu faço mal e que se afastar era melhor. — Deu de ombros, mesmo que o descaso não fosse convincente nem de longe. — Quero que ele seja feliz.

— Você faz ele feliz, imbecil. — Deu um soco não tão forte em seu braço. Murmurou uma reclamação pela dor acariciando o braço, mas não estava surpreso pela brutalidade, Cat nunca teve muita paciência para drama, era até um milagre o fato de ela ter sido gentil até agora. — As pessoas se amam, se importam e cuidam uma da outra. Não se afastam em momentos difíceis e resolvem os problemas de uma forma inteligente e cautelosa, já que orgulho nenhum ter que estar acima do amor. É assim que relacionamentos funcionam. — Ela disse irritada, se pondo de pé. — E você precisa ir para a cama, trabalha cedo amanhã.

— Não me trate como um adolescente rebelde. — Reclamou se levantando também. — Muito menos como um dos seus garotos petulantes. — Arqueou a sobrancelha.

— Estou te tratando como uma criança irritante. — Corrigiu se permitindo sorrir. — E é por que você está agindo como uma.

— Eu vou dormir. — Prometeu suspirando. — Pode ir, eu sei que veio direto da clínica, deve estar exausta.

Ela acabou cedendo e o deixando, estava, de fato, morta.

Magnus tomou um banho demorado e depois foi para o quarto de seus filhos.

Abriu a porta devagar e ficou lá, por bastante tempo, observando-os dormir.

As respirações calmas, totalmente diferentes de quando os três diabinhos estavam acordados e agitados, infernizando a vida de todos.

Sorriu para as figuras adormecidas.

Cobriu devidamente cada um, dando um beijo na bochecha de todos, exatamente como fizera ao colocá-los para dormir. Respectivamente Medizie, Rapha e, por fim, o bebê Max em seu berço.

Quando saiu para ir tentar dormir não foi para seu quarto que ele foi, fez o que havia feito todas as noites em que se deitou em sua cama para tentar descansar e foi incapaz de encontrar paz: foi até o à esquerda do seu.

Haviam muitos papéis com desenhos e esboços na cômoda, com aquelas linhas inconfundíveis para si, conhecia perfeitamente aquele traço.

Sobre a cama havia o bichinho enorme de pelúcia que presenteara Alec. Aquele bicho parecia um cachorro, mas também lembrava um coala...

Nunca entraram em um consenso sobre a espécie dele.

Os lençóis haviam sido trocados, mas a fronha dos travesseiros ainda tinham o cheiro dele.

Se deitou ali, agarrado a um urso idiota enquanto sentia um vazio enorme da saudade.

Se perguntava se Catarina estaria certa. Ficar longe de Alec, além de machucar a si, não era o melhor para o garoto? Se fosse o caso deveria tomar alguma atitude ao invés de, simplesmente, sentar e esperar que um sentimento tão forte se esvaisse como apareceu: rápida e imperceptivelmente.


***

Sebastian estava sobre seu corpo, beijando seus lábios e segurando sua cintura.

Alec parecia um defunto deitado na própria cama.

Sebastian beijava bem e Alec comprovara isso várias vezes, acontece que em nenhuma delas isso o impediu de ficar entediado.

No começo até havia sido legal, só que Alec enjoara dele, mas não parecia que ele se contentaria com isso, não sem antes eles transarem.

Sebastian estava insistindo naquilo e até passava dos limites às vezes, como quando eles saíram juntos para beber e no fim Sebastian o estava agarrando e convidando para ir até um lugar mais reservado, invadindo suas roupas com as mãos, mesmo que Alec mal fosse capaz de ficar em pé sem ajuda. Não levou tão a sério o ocorrido, pois ele provavelmente estava bêbado também. No fim chamou Jace para buscá-lo e ele, que já não gostava de Sebastian, passou a ter uma imagem ainda pior por ele tê-lo levado a um lugar assim e o embebedado.

— Eu tô com fome. — Anunciou interrompendo o beijo. — Vamos para a cozinha?

— Você quer mesmo parar agora? — Sebastian parecia bastante decepcionado e até irritado. Alec assentiu.

Saiu de cima dele e se sentou na cama.

Alec fingiu não perceber que ele estava irritado com o fato de que nunca foram até o fim, já que sempre jogava um balde de água fria em tudo.

Foi até a cozinha e pegou da geladeira uma torta de maçã que havia preparado mais cedo, pôs sobre a mesa e cortou um pedaço para si.

Quando Sebastian apareceu, um tempo depois, já sem a ereção marcada nas calças, lhe ofereceu algo para comer, mas ele apenas negou e se sentou com ele.

— Isso tá' tão bom, como você pode não querer? — Queria ser tão bom assim para algo além de sobremesas e assim não precisariam pedir comida com tanta frequência.

— Não gosto, esqueceu? — Perguntou sem olhá-lo.

Alec se manteve em silêncio. Sebastian estava sendo muito grosso. Continuou apenas comendo enquanto o outro estava mais preocupado com o próprio celular.

— Você não deveria comer tanto assim. — Comentou Sebastian após bastante tempo em que compartilharam aquele silêncio. — Vai acabar engordando.

— Sério? — Olhou para baixo, para o próprio corpo. — Meu problema sempre foi o contrário, sempre fui magrelo de mais.

— Concordo que poderia ter mais carne nos lugares certos, mas para isso não deveria engordar, deveria malhar, ganhar uns músculos. Poderia começar a fazer academia.

Alec parou de comer para analisar melhor Sebastian. Ele não parecia estar brincando. Se perguntou se estava mesmo tão ruim assim. Bom, pensando bem até concordava com ele...

— Você me acha feio? — Perguntou baixinho. Era bem irritante conversar com alguém que não olhava em sua cara, apenas vidrado no celular.

— Não é isso. É que você tem um corpo meio... Feminino. Tem uma aparência delicada. E ainda tem sua personalidade.

— O que quer dizer?

— Ah, você sabe. Voce não é afeminado nem nada, mas às vezes até tem um pouco de jeitinho, entende? Chama atenção, é meio constrangedor.

Alec se lembrou de Magnus automaticamente. Não deveria, mas é que só aconteceu. Ele nunca reclamaria de como ele se comporta ou sobre sua personalidade. Além do mais era um homem de aparência séria e sempre estava maquiado e gostava de coisas brilhantes, nem mesmo era gay. Simplesmente quebrava estereótipos bobos agindo como queria.

Alec queria ser assim também. Se fosse seguro de si daquele jeito não teria simplesmente abaixado a cabeça e enfiado um pedaço quase inteiro de torta na boca para deixar aquilo de lado.

— Já conseguiu um terno? — O outro voltou a falar lhe chamando atenção. — Sabe, para a formatura.

— Ah. — Havia se esquecido completamente. — Vou arranjar ainda, preciso lembrar meu irmão para irmos.

Assentiu.

Alec foi até a pia lavar seu prato vazio.

— Nem parece que só falta uma semana para aquela merda acabar. — Comentou.

— Uma semana. — Repetiu meio débil.

Alec só queria saber o que faria com sua vida quando tudo acabasse. Foram anos estudando, ouvindo que deveria encontrar algo para fazer, pois a saída do Ensino Médio era a entrada para momentos decisivos. Agora aqui estava, tão perdido quanto quando entrou na escola. A diferença é que naquela época, se fizessem a famigerada pergunta: "o que você vai ser quando crescer?" conseguiria dar uma resposta, mesmo que idiota, agora nem isso.

Saiu de seus devaneios quando sentiu um beijo estalado contra seu pescoço.

— Vai ficar aí parado olhando para o nada? — Só então se deu conta da distração. Sebastian lhe entregou um pano de prato para que secasse as mãos.

— Quer ir para a sala ver filme? — Perguntou se virando de frente para ele. 

— Seu irmão já vai chegar e ele me odeia. — Bom, era bem verdade, Alec nem discutiu. — Acho que vou embora.

Alec apenas assentiu.

O levou até a porta e estava com a cabeça baixa quando o outro ia se despedir. Não queria beijá-lo. Ele selou os lábios em sua tempora antes de ir.

 

[...]

Jace estava ajudando Alec com o nó da gravata. Ele havia aprendido a fazer, mas pediu ajuda mesmo assim.

— Prontinho. — Sorriu para Alec lhe dando um tapinha no ombro.

Ele foi para a frente do espelho, suspirando baixinho. Estava nervoso por aquela noite.

— Você está ótimo. — Jace encorajou quase como se pudesse ler seus pensamentos, sabendo de suas inseguranças bobas. Ele estava atrás de si, ambos de frente à peça refletora. — Quando for sua vez de pegar o canudo, não seja o idiota que caí na frente de todos.

Alec riu e Jace o acompanhou.

Se virou para o irmão. Estava com roupas sociais também, só que mais simples.

— Quando eles vêm? — "Eles" eram sua família. Todos viriam, pois mesmo que Alec só quisesse convidar a irmã, não poderia fazê-lo sem que isso acarretasse a vinda dos pais também.

— Vão nos encontrar lá. — Explicou. — Vamos? Já está na hora.

Alec assentiu.

Jace os levou em seu carro até lá.

Ainda estava cedo, mas ele preferiu chegar cedo de mais a se atrasar.

Quando chegaram ao salão Simon já estava lá e ele logo se juntou a ele.

Jace ficou no lugar reservado a si e eles se afastaram juntos. Ficaram conversando sobre a própria aparência tão adulta naquelas roupas enquanto esperavam por Will.

Quando ele chegou se juntou a eles até a voz no microfone avisar que deveriam vestir a beca.  Aquilo era horrível.

Alec estava feliz por mal ter visto Sebastian, só o cumprimentou de longe e se manteve colado aos amigos, afinal, assim ele provavelmente não se aproximaria, já que não gostava deles e era recíproco. Andava o evitando há um tempinho.

Não demorou para estarem todos aos seus lugares e a cerimônia começar.

Alec estava feliz apesar de tudo: o nervosismo, as incertezas... Magnus.

Conseguira, era uma concretização importante e estava ao lado de seus amigos e família.

Viu os pais e Iz sentados com Jace e acenou para a irmã. Queria abraçá-la, mas no momento não podia.

Apenas depois de muitos discursos longos e tudo eles começaram a entregar os canudos.

Alec não caiu, graças aos céus, já Simon quase foi com a cara no chão, mas foi só um tropeço mesmo.

Mais pessoas falando e, finalmente, estavam jogando o capelo para o ar.

Alec foi rapidamente até a irmã e a abraçou, erguendo seu corpo no ar enquanto riam.

Menos animadamente cumprimentou os pais também.

Então a festa começou. As luzes estavam mais baixas e o som alto. Retirou aquelas roupas quentes e, junto a isso, o paletó escaldante.

Izzy o arrastou para dançar aquela valsa com ela. Estavam mais conversando do que de fato dançando. Tinham tanto para saber da vida um do outro, mensagens e chamadas de vídeos não eram o suficiente.

— Você está tão linda. — Disse, provavelmente pela milésima vez. Ela parecia tão... mulher.

— Eu sei. — Revirou os olhos.

Um tempo depois Jace o roubou da menina e começou a dançar consigo enquanto ela voltava para a mesa. Alec se encolheu um pouco, constrangido.

— As pessoas vão ficar olhando. — Avisou e Jace o fez girar antes de segurá-lo mais uma vez contra o próprio corpo.

Jace deu de ombros continuando a dançar consigo.

Alec acabou se soltando um pouquinho e até guiando o irmão naquela dança meio desajeitada.

Estavam rindo e rodopiando, mas o ritmo diminuiu e Jace parou, ficando sério.

Alec o olhou curioso e ao virar o rosto para trás, encarando o ponto que seu irmão tinha os olhos fixos encontrou Magnus.

Estava alucinado?

Magnus, vestido de preto, tinha umas estampas escuras e abstratas no blazer. Os cabelos espetados, os lábios deliciosos decorados com algum gloss sem cor, que apenas fazia sua boca, chamativa por si só, brilhar e despertar em Alec ainda mais vontade de agarrá-lo. O lápis de olho escuro sob os olhos.

Não foi capaz de dizer nada, não acreditaria que aquilo era real se Jace não houvesse dado a Magnus a mão que segurava e ele o tivesse tocado. Aquilo não era um sonho ou uma alucinação. Sonhos não têm aquele irreconhecível cheiro amadeirado, sonhos não têm um toque tão macio.

— Posso? — Perguntou, o convidando para dançar.

Tudo o que Alec fez foi assentir e permitiu que Magnus o segurasse, um pouco acima da cintura o puxando para perto, enquanto a outra mão estava entrelaçada à sua. Em algum momento Jace se afastara.

Magnus estava tão lindo.

Quando começaram a se mover pelo espaço ele apenas se permitiu ser guiado. Estava em algum espécie de paraíso que o enviaria de volta ao seu inferno pessoal.

Estava indo tão bem até agora e, lá se encontrava, a cabeça deitada contra o ombro de Magnus enquanto seu cheiro o inebriava.

Acontece que não queria estar em nenhum outro lugar do mundo, só queria estar entre aqueles braços que o apertavam e o envolviam tão perfeitamente bem, aquelas mãos macias que foram feitas para apertar sua cintura e entrelaçar os dedos nos seus...

A música acabou e os movimentos também. Se desvencilharam devagar. Não estar colado a aquele corpo quente o fazia sentir mal.

— Podemos conversar? — Magnus disse e ele assentiu um pouco catatônico.

O barulho estava muito alto, então ele caminhou pelo salão, esperando que o outro o estivesse seguindo.

Foi até o lado de fora do lugar, já que havia barulho de mais lá dentro. Algumas gotas finas de chuva molhavam a calçada quando saíram, mas Alec não se importou em ficar praticamente no meio da rua, simplesmente por que não queria ficar perto de mais de Magnus, precisava ser sensato e para isso precisava se concentrar, já que conversariam.

Magnus estava atrás de si quando olhou por cima do ombro. Se virou.

— Fala. — Incentivou quando o outro continuou em silêncio.

— Bom... — Acontece que Magnus não sabia o que dizer. Em sua mente era mais fácil, mas na realidade as palavras não pareciam capazes de formar uma frase coerente sequer. — Vamos para algum lugar coberto. Podemos ir até seu apartamento? — Estava enrolando, apenas. Mas não era mentira que não queria Alec naquela chuva, podia se resfriar.

— Não quero, Magnus. — Alec estava quase infartando. Magnus havia ido lhe ver, não que ele tivesse alguma ideia de como ele conseguira descobrir que esse era o dia de sua formatura. Aleatóriamente, aparecera, se enfiando de volta em sua vida. Acontece que agora Alec era tomado pela raiva. Não estava com paciência para enrolação. Não queria se iludir ou deixar levar. Estava com muita expectativa e medo, mas Magnus estava ali, parado como se tivessem todo o tempo do mundo. — Nunca foi seguro estar em um "lugar mais reservado" com você. — Fez aspas no ar com os dedos citando as palavras dele. Aquela confusão de sentimentos estava se convertendo em raiva. Aquela vontade de que doesse nele tanto quanto doía em si retomando. — Eu já disse o que sinto, não quero mais ficar assim. Você só me olha e meu corpo já pega fogo, mas seus beijos também aquecem meu coração. E dói tanto. Você não vai me levar a lugar nenhum. Chega de prometer que vou fazer o melhor para mim,  me respeitar e aí abrir as pernas para você dois segundos depois. Aqui fora não corro riscos.

Magnus suspirou com a resposta tão carregada de mágoa.

— Alec, eu nunca quis te machucar. — Começou. Retirou o próprio blazer e estendeu para Alec pegar, ele abraçava o próprio corpo e Magnus não tinha certeza de que era mesmo frio, mas ele estava só com a blusa branca e fina. — Eu não queria que você soubesse sobre Camille, minha esposa, por que ela só representa problema e se eu contasse sobre as crianças teria que falar dela. Eu não queria que você fizesse parte disso.

— Parte da sua vida, você quer dizer? — Havia vestido a blusa de Magnus e agradecia, já que um vento frio batia lá fora, mas Magnus lhe irritava, então merecia passar frio. — Eu não entendi o que você quer. Quer que eu te desculpe por você não gostar de mim?  — A esse ponto Alec só queria sua casa.

— Eu quero que me perdoe por te fazer sofrer... — Magnus hesitou, dando alguns passos pequenos. Alec não se afastou, pois naquele momento se deu conta de como ele parecia nervoso e ficou quieto. Era difícil para ele também. — Sofrer acreditando que você nunca foi nada para mim. Alexander... — Outra pausa, preenchida apenas por uma troca de olhares com bastante significado. Alec identificava muito dos próprios sentimentos ali: expectativa, carinho e dor. — Eu entendo se as coisas que você disse aquele dia tiverem sido ditas pelo momento, ou que você tenha superado isso.. 

— Eu te amo. — Repetiu e Magnus se interrompeu bruscamente, os olhos pequenos agora arregalados. — Foi o que eu disse. Parece até que é a coisa mais impronunciável do mundo para você. — Deu de ombros. — Eu amo você.

Magnus limpou a garganta nervoso. Alec quase sorriu ao vê-lo assim, não por maldade é só que... Magnus estava adoravelmente perdido.

— É recíproco. — Ele disse por fim. — Eu quero você, Alexander. Se você também quiser a gente podia tentar... 

— Tentar... Tipo namorar? — Seu coração estava esmurrando o peito apesar da postura aparentemente calma e meio indiferente.

— Sim. Namorar você é tudo o que eu mais quero. — Suspirou, parecendo se acalmar bastante. Ele deu um sorriso pequeno e hesitante para Alec, que cresceu quando o de olhos azuis retribuiu.

Magnus avançou alguns passos e estava próximo o suficiente para que os cabelos úmidos do topete desmanchado pingassem no rosto de Alec. A chuva estava fraca, mas estavam sob ela a tempo demais. Seus dedos tocaram a bochecha macia e rubra. Alec sentiu mais coisas do que poderia processar com o carinho.

— Se eu aceitar, o que vai mudar? — Perguntou por sua segurança. Não queria quebrar a cara assim, depois de ter tanta esperança.

— O que você quiser que mude, desde que eu possa ter você comigo. — Respondeu prontamente. — Você aceita?

Alec parecia pensativo, talvez hesitante.

Magnus suspirou.

— Olha me desculpa. Eu fui um idiota, deixei você pensar que não era importante e magoei você, mas... Eu sinto tanto. — Magnus mordeu o interior da bochecha, parecerendo um pouco desesperado.

— Eu ia te deixar sofrer mais um pouco antes de responder, mas tô me sentindo culpado. — Contou sorrindo e Magnus o encarou incrédulo. 

Com aquele sorrisinho sapeca que deixava Magnus ainda mais apaixonado decorando seus lábios, Alec o abracou, agarrando seu tronco e foi retribuído rapidamente.

— Eu quero namorar você. Quero muito! — O corpo de Magnus tremeu quando Alec riu contra ele.

Notou também que Magnus parecia mais magro do que se lembrava.

— Eu nunca mais quero ser responsável por te fazer chorar, amor. — Magnus disse, com a voz um pouco afetada pela força que Alec o apertava, mesmo que não houvesse reclamado.

— Ah, Magnus. — Estava com a voz trêmula. Alec riu quando afroxou o abraço para o encarar. — Estamos namorando há segundos e você falhou.

Magnus sorriu secando as lágrimas que molhavam o rosto de Alec.

— Aceito te fazer chorar de alegria.

— Com você eu também choro de tesão. — Magnus riu com suas palavras, colando suas testas.

— Tudo bem também.

Alec tomou os lábios do mais velho e ele o retribuiu com afinco.

Era uma mistura louca de saudade e alegria. Era tão bom que nem parecia real. Alec estava com medo de abrir os olhos e se encontrar sozinho, deitado em sua cama e com uma linha de baba na bochecha.

— Alexander. — Ele sussurrou ao finalizarem o beijo, enquanto sorria contra seus lábios.

Estavam com as testas coladas, apenas se olhando, mas afastaram ao ouvir alguém limpando a garganta.

Sebastian estava lá, com os braços cruzados, descrente.

— Quando me disseram que você estava aqui eu nem acreditei que seria tão cara de pau. — Ele disse para Magnus, com fúria estampada em sua íris.

— Sebastian, não é da sua conta. — Alec respondeu, para evitar um Magnus revoltado atacando o outro. — Deixa a gente.

— Alec, você não vai ouvir uma dúzia de baboseiras e cair de quatro por ele de novo, né? A primeira vez até pode ter sido inocência, mas repetir a merda? — Acontece que Magnus ao menos era sincero e se importava consigo. Tudo o que Sebastian fizera foi se aproveitar e o manipular. Alec sentia culpa, pois sentia que o usava, e o deixava fazer o que queria consigo, como se devesse algo a ele. Tinha uma vaga ciência disso agora e de que Sebastian não era realmente a vítima.

— Irônico você sempre dizer que sou um canalha aproveitador. — Magnus quem respondeu. Alec estava uns dois passas atrás dele agora. — Quando foi você que ficou cercando Alec nessa amizade fingida e ridícula, só para ficar igual um abutre esperando para atacar. Foi a primeira coisa que você fez, não? Quando a gente se afastou.

Sebastian sorriu encarando Alec.

— Bom, nós sabemos que não foi bem assim, certo, Alexander? — Seu olhar era malicioso e Alec abaixou a cabeça. Magnus parecia confiar tanto em si, mas ele havia se atirado ao primeiro que encontrou por pura carência. — Não era eu quem estava com um fogo do caralho.

— Ah, sim, você estava só sendo gentil e apoiando um amigo, eu imagino. — Magnus revirou os olhos. — Mas no fim, não vamos esquecer de focar na parte importante disso tudo: — Disse sério e os dois o encaravam sem nem ao menos piscar, esperando. — Vai se fuder.

Alec não queria ter rido, mas foi só o que conseguiu fazer naquele momento. Parecia sério de mais para Magnus falar assim.

Sebastian, por outro lado, estava lá, firme e amargo. Era uma situação ridícula. Ele realmente esperava que Alec fosse ouvir suas palavras e deixá-lo lhe levar? Talvez Alec estivesse sendo tão bobo ultimamente que essa possibilidade parecesse bem viável.

Magnus havia dito mais alguma coisa que Alec não prestou atenção e agora o puxava segurando sua mão, deixando Sebastian para trás.

— Você quer ir para casa? — Perguntou enquanto entravam no salão. — Ou ir se secar e ficar.

— Eu queria que me levasse para casa. — Confessou. — Queria deitar numa cama e te usar de travesseiro. — Suspirou. Magnus sorriu por suas palavras e expressão emburradinha. — Mas eu não posso largar minha família assim.

— Eu entendo. — Acariciou sua cintura. — Seus pais estão na cidade, né? — Alec assentiu, o olhando desconfiado.

— Como você sabe? E como sabia da minha formatura? — Aproveitou para sanar essa curiosidade.

— Eu aborreci bastante seu irmão perguntando de você. — Alec riu incrédulo com sua resposta. Magnus nem parecia constrangido em admitir. — Já que ainda tinha o número dele perguntei só se você estava bem e depois eu o importunava quase todos os dias. Acabou contando da formatura e vim.

— Não conseguiu pensar em nenhum momento mais calmo? — Não estava irritado, só achou engraçado apesar de ter forçado um tom aborrecido.

— Foi um surto de coragem! — Justificou arrancando mais risadas de Alec.

— Essa coragem veio do nada e foi mais rápido ainda, né? — Provocou. — Quando você chegou aqui até parecia que estava tendo um infarto e... Aí. — Magnus lhe deu um peteleco na testa para que se calasse. Alec acariciou o lugar atingido com os dedos enquanto o olhava com uma expressão traída. Ele tentou se redimir beijando suas bochechas, mas Alec fugiu de seus beijos. Se virou de costas e Magnus o abraçou, o colando ao seu tronco, distribuindo beijos por seu pescoço.

Na verdade não culpava Magnus pela dificuldade de falar sobre sentimentos. Magnus não dissera "eu te amo" de volta. "É recíproco" fora sua resposta. Aquilo não o aborreceu, se Magnus não conseguia se expressar claramente, tudo bem, nem teria ido até lá se não gostasse dele de fato. Seria paciente com ele, com o tempo ele conseguiria.

— Acho que estou interrompendo. — Alec viu Izzy se aproximar. Magnus já não estava mais com os lábios em sua pele. — É que você sumiu e me mandaram te procurar, mas você parece ótimo, né? — Apontou maliciosa e Alec se sentiu corar.

— Ela é minha irmã, Magnus. — Se apressou a dizer.

— Um prazer, querida. Isabelle, sim? — Ela assentiu lhe estendendo a mão. Eles se cumprimentaram. — Magnus, seu cunhado.

Isabelle riu com a apresentação bem direta.

— Estou feliz e surpresa. — Admitiu. — Meu irmão normalmente tem muito mal gosto, mas nessa caso... 

— Calada. — A interrompeu antes de ser mais constrangido na frente do namorado.

— Bom, espero vocês na mesa. — Se despediu para logo se afastar, os deixando sozinhos.

— Você vai comigo? — Perguntou se aconchegando contra ele.

— Eu deveria estar em outro lugar agora, bebê. — Explicou beijando seu ombro antes de fazê-lo se virar para si.

— Trabalho? — Questionou e Magnus negou, mas não complementou sua resposta. — Algo que não é da minha conta? — Arqueou a sobrancelha e o outro negou novamente com a cabeça.

— Eu tenho que levar as crianças para Camille e estou muitas horas atrasado. — Respondeu finalmente e Alec se deu conta de que ainda havia essa parte. Não pôde evitar a expressão tristonha ao ser arrancado de seu paraíso. — Essa parte da minha vida, te incomoda?

Alec assentiu.

— Você tem uma família. Uma esposa. — Admitiu. Óbvio que aquilo era incômodo.

— Nós já não somos mais nada há bastante tempo. Já não moramos juntos há quase um ano e, mesmo antes disso já havíamos deixado de ser um casal. — Explicou. — Camille é a mãe dos meus filhos, mas só isso.

Alec forçou um sorriso. Não iria implicar tanto assim enquanto ainda estavam tão felizes.

— Não faz essa carinha. — Magnus beijou a pontinha do seu nariz. — Depois eu te compenso.

Alec cruzou os braços, tentando segurar o sorriso, agora sincero.

— Eu vou cobrar. — Prometeu.

Se despediram com mais alguns beijos e Alec lhe devolveu seu blazer, antes de voltar à mesa de sua família.

Ninguém fez perguntas e imaginou que Izzy houvesse dado um jeito arranjando uma explicação qualquer.

Ao olhar envolta pôde ver Will conversando com Jem em um canto discreto. Podiam ficar juntos livremente agora. Simon estava com a própria família e, seu par, Raphael. Eles ficavam tão fofos juntos.

Alec suspirou pela própria situação. Era difícil acreditar, mas tudo aquilo era mesmo real...

 

 


Notas Finais


Gente, que cap pequenininho ksksksksks
Acho que foram SÓ 6k de palavras


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