História Plot Twist - Capítulo 11


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Categorias Orphan Black
Personagens Cosima Niehaus, Dra. Delphine Cormier, Felix "Fee" Dawkins, Personagens Originais
Tags Cophine, Evelyne Brochu, Masbro, Orphan Black, Tatiana Maslany
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Palavras 7.181
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Drama (Tragédia), Musical (Songfic), Romance e Novela, Universo Alternativo
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 11 - Depois da Tempestade


Evelyne tentava entender os caminhos da vida enquanto se banhava. A água morna que caia em sua pele a ajudou a repassar mentalmente cada momento que viveu nos últimos dias, começando pela manhã em que esbarrou com Tatiana na rua e acabaram por dividir uma corrida de taxi, até a manhã em que se encontrava, no qual a própria Tatiana saíra por sua porta sem olhar para trás, menos de duas horas atrás, após uma discussão boba...

“Boba? ” Evelyne procurou entender o lado da garota, se colocar no lugar dela. “Como eu teria reagido se soubesse que a garota que estou gostando me falasse, depois de uma noite maravilhosa, que iria partir? E que não seria era uma partida do tipo ‘não se preocupe, eu volto mais tarde! ’... Significava uma despedida. ”

Uma despedida cujo um possível novo reencontro demoraria a acontecer.

A francesa começou a sentir culpa enquanto enxugava o molhado de seu corpo e vestia novamente o roupão, estendendo em seguida a toalha molhada no box do seu chuveiro.  Compreendeu um pouco o lado de Tatiana, pois ela também teria ficado magoada se fosse o inverso, se a morena quem tivesse anunciado que iria viajar a trabalho, sem perspectivas de retornar em breve. Evelyne teria se chateado igual ou mais do que a outra, pois o gostar que estava sentindo por Tatiana trilhava um caminho diferente...

Evelyne divagava... Sempre se despediu das pessoas que gostava, estava muito acostumada com isso na verdade, uma vez que no ambiente no qual decidiu seguir sua vida, pessoas iam e vinham em grande velocidade, ao passo que outras permaneciam, mas cada uma perseguindo seus sonhos da melhor forma possível. Assim como ela. E agora era a sua vez. “Finalmente! ”

Repreendeu-se pelo pensamento, ao mesmo tempo em que deu uma risada seca, pois deveria estar comemorando. Se sua oportunidade chegara, era devido ao trabalho que vinha realizando desde suas primeiras atuações na França, em pequenos teatros comunitários nos arredores do local onde morava e estudada, cujo pagamento pela sua performance, assim como de seus colegas de palco, se resumia a poucos trocados de quem os contratava, divididos em partes iguais, e elogios daqueles que os assistiram de olhos vidrados.

- Não posso sentir culpa por algo que eu almejava e conquistei – ela afirmava para si, enquanto recolhia as taças de vinho usadas por ela e Tatiana na noite anterior, assim como a caixa com o pouco que sobrara da pizza. Deixou os objetos em cima da pia da cozinha e pegou uma chaleira para ferver água – Apesar de eu ter esquecido que iria receber a porra de uma ligação que iria mudar minha vida, sempre fui sincera com Tatiana. Quando ela perguntou o que eu fazia da vida, eu respondi que era atriz! Ela deveria estar preparada para algo assim!

E outra vez Evelyne se repreendeu. Não poderia cobrar nada de Tatiana. Não poderia pedir para ela estar preparada para situações do gênero, circunstâncias que provavelmente nunca passaram pela cabeça garota.

“Eu gosto dela, mas não somos nada uma da outra”. O pensamento incomodou Evelyne. Ela queria ser algo para Tatiana. Sabia que as coisas estavam acontecendo muito rapidamente, mas Tatiana lhe fazia bem, isso era uma certeza. “Então, porque afastar alguém me faz feliz?”

Ela esboçou um sorriso e provou um pouco do café preto que deveria ter sido feito por Tat, mas que acabou sendo preparado pela própria francesa em meio à avalanche de pensamentos... “Mas será que eu deixo ela bem e feliz? Tenho duvidas depois dessa manhã...”.

A loira ponderou se deveria ter contato a notícia de outra forma para Tatiana... Mas não teria havido como. Tatiana a viu conversar com Dave ao telefone, e mesmo de costas para ela, Evelyne sabia que a morena tinha reparado em sua mudança corporal e facial, foi algo bem nítido até para a própria francesa, que muitas vezes se gabava por conseguir esconder seus sentimentos rapidamente quando necessário.

- Ter citado a última “tarefa” que Matt me passou também não ajudou em nada... – Eve balançou a cabeça, censurando-se. Deveria ter omitido esse detalhe, provavelmente pouparia metade de todo o desgaste. Contudo, as palavras lhe escapuliram e quando se deu conta, já era tarde.

Ela precisava ajeitar a situação antes que fosse bem mais que tarde demais. Tinha decidido dar um tempo para Tatiana, para que ela também colocasse as ideias no lugar, apesar de não saber se a morena queria ou não esse tempo...

“Será que ela imaginou que eu sairia correndo atrás dela, de roupão, pela rua? ”. Evelyne passou uma das mãos pelo rosto, rindo. “Será que Tatiana é do tipo que gosta que corram atrás dela pela rua? ”

Evelyne pegou novamente seu celular e sem demorar ligou para Tatiana, cujo número estava em suas últimas ligações, mas para sua surpresa, ou indignação, não foi atendida. A ligação foi diretamente para a caixa postal.

- Sério mesmo? – Ela falou olhando para o aparelho, e tocou novamente no visor para repetir o chamado. Sem sucesso. O fez pela terceira vez e nada.

Com um suspiro resignado, abriu suas mensagens e escreveu os seguintes dizeres para Tatiana: “Hey... Eu te liguei. Três vezes. Você está me ignorando mesmo ou seu celular está sem bateria? ”

Depois de enviar aquelas palavras, resolveu dizer mais algumas: “Estou aqui caso queira conversar. ” Pensou se deveria escrever mais, avisando que ficaria em casa resolvendo os assuntos da viagem, mas achou melhor não. Eve enviou a mensagem e posou o celular na bancada, e definiu que se Tatiana não lhe respondesse até o fim da noite, iria até a casa dela.

Foi até seu closet e pegou seu notebook, assim como uma bolsa. Ao retornar para a sala, pegou seu celular de cima da bancada e colocou os aparelhos na mesa de centro, e enquanto esperava o computador ligar, abriu sua bolsa, retirando de dentro dela sua vida: documentos de identidade e passaporte, cartões de banco, contrato de aluguel do apartamento, sua agenda pessoal com os contatos de quem ela precisaria falar antes da viagem. Apesar da tecnologia ajudar, Evelyne ainda gostava de ter algumas informações anotadas no bom e velho papel. “Telefones pifam”, ela brincava, mas com uma ponta de verdade nas palavras.

Evelyne conectou-se a internet e acessou sua conta de e-mail. E lá estavam os e-mails enviados por Dave, como ele tinha dito. Os abriu e analisou os conteúdos: neles estavam todas as principais informações que precisava saber a respeito do trabalho que iria realizar, mas sem grandes revelações, pois estas só seriam ditas após os contratos serem assinados. E por falar em contratos, uma cópia destes lhe foi enviada, para que Evelyne os lesse e já tomasse ciência das cláusulas, assim como as prováveis consequências se ela quebrasse o acordo. A loira abriu o documento do contrato e passou os olhos rapidamente no texto e... Eram muitas páginas. Mas não reclamaria, leria tudo com atenção nos próximos dias. Sem querer, seus olhos focaram na parte que tratava da remuneração. Outra vez arregalou suas órbitas ambares com o valor que receberia. Não saberia dizer se aquilo era muito ou pouco, mas o fato era que ela nunca conseguiu juntar uma quantia como aquela, e o que uma vez possuiu, já fora gasto, sendo assim, Evelyne estava se sentindo como se tivesse quase ganhado na loteria. Foi impossível não sorrir e sentir orgulho de si própria.

O outro e-mail de Dave tratava de assuntos referentes a viagem. Pelo que Evelyne entendeu, sua passagem de avião já estava comprada, cabendo a ela somente a tarefa de retirar sua passagem no guichê da companhia aérea do aeroporto, no dia e hora marcada, e embarcar rumo a uma nova aventura.

Um frio delicioso percorreu sua espinha. Cinco dias... Evelyne se conectou ao Skype, precisava avisar sua mãe das boas novas. Se ela estivesse online aquela hora. Também pegou seu contrato de aluguel e começou a lê-lo, a procura do parágrafo que dizia respeito a entrega do imóvel para o locatário. Provavelmente teria que comparecer na imobiliária para acertar os tramites finais, assim como precisaria ir também ao banco para encerrar a conta bancária que abrira no Canadá. E necessitaria de mais malas de viagem para despachar seus pertences, assim como talvez precisaria se desfazer de alguns objetos pessoais que provavelmente não fariam sentido ela levar para a França.

- Será que vou pagar excesso de bagagem?

***

Uma constatação terrível assolou Tatiana no instante em que entrou em seu quarto. Seu celular fez o barulho de um leve bip de lembrete, e quando olhou o visor do aparelho, seus ombros caíram desanimados com a mensagem que digitara para si no dia anterior: “eu sei que você está rindo à toa nos braços da francesa, mas levante agora, porque seu turno hoje na livraria é a tarde! ”

“Porcaria de turnos! ”, a morena pensou. “Não bastava tudo que ocorrera pela manhã, ainda terei que trabalhar? ”

Ela deixou seu corpo cair na cama e ali ficou contemplando o teto branco de seu cômodo... As palavras de Jordan a invadiram e ficou a pensar sobre elas. Queria muito dar o braço a torcer, mas a garota deu razão ao rapaz... Não havia culpados na discussão, apesar de que, agora analisando um pouco melhor o modo como Evelyne falara, Tatiana achou que a loira foi um pouco egoísta em suas atitudes...

“Será que ela ao menos pensou em como eu me sentiria, antes de confirmar que iria mesmo embora? Ela nem hesitou... ”

Tatiana se recordou das reações de Evelyne, em como ela ficou desconcertada com a situação, ansiosa, seu semblante tentando pensar rapidamente no que fazer, encontrar alguma solução, “... enquanto eu agia feito uma boba. ”

Colocando as mãos em seu rosto, a garota sentiu-se envergonhada por sua atitude. Não deveria ter agido daquele modo, já não era mais uma criança. Deveria ter tido um comportamento mais adulto, engolindo sua frustração e conversado com Evelyne. “Ela tentou conversar, e eu... Eu fugi de novo! ”.

- Porra, não é possível que eu esteja me tornando uma pessoa que corre de conflitos e situações que exijam um... posicionamento... imediato meu...

A constatação a assustou. Tatiana nunca imaginou que suas decisões poderiam estar levando-a para esse caminho. Lembrou-se de quando era mais nova, dos dias em que idealizava como seria sua vida aos 20 anos. Imaginava-se uma mulher independente, dona do próprio nariz, forte, cercada de amigos e felicidade, decidida sobre o que fazer da sua vida, cursando a faculdade dos sonhos, qualquer que fosse a profissão escolhida, adquirindo um ótimo emprego assim que formada e com um amor a tiracolo.

Como estava errada... Podia até ter conquistado certa independência, mas diversas vezes sentia que essa era uma falsa verdade, e que a qualquer momento tudo poderia desmoronar. Se pudesse imaginar, nunca teria desejado crescer. A inocente ignorância infantil é uma benção, pena que só descobrimos isso nos momentos em que mal nos recordamos de como era ser criança. Tatiana não alcançara nem metade dos seus sonhos e ali, deitada em sua cama, sentia que a cada passo que dava no tabuleiro, qualquer que fosse o rolar de dados errado, a faria retornar duas casas.

E quem estava avançando nesse Jogo da Vida era a mulher pelo qual estava apaixonada. Tudo que Tatiana ambicionava em seu íntimo estava transbordando em Evelyne. Por breves segundos perguntou-se se estava sentindo inveja da loira, mas negou o sentimento, afinal, o que estava experimentando era a mais pura frustração pelas próprias escolhas, que estavam deixando-a estagnada e impedia que ela encontrasse o estopim que a faria deslanchar pelo jogo.

- Você não atende o telefone? – A voz de Jordan a fez ter um sobressalto.

- Oi?

- O pessoal da livraria tentou te ligar agorinha, disseram que deu caixa postal.

- Me diga que eles falaram para eu tirar o dia de folga – a garota disse esperançosa.

- Sonhe, ainda é de graça. Eles pediram para você se apressar. Estão com dois a menos nessa tarde.

- E você está em casa por que... – Tatiana sentava-se na cama, com um olhar reprovador para o amigo – Não me diga que você é um desses dois que não foram trabalhar?

- Hoje é minha folga mesmo, esqueceu?

- Ah é? – A morena franziu o cenho enquanto tirava seu tênis e meias, que tinha calçado no taxi a caminho de casa – Nunca lembro das suas folgas, você vive trocando.

- Eu troco menos que você – ele se defendeu – Eu pedi a tarde de hoje, pois irei encontrar o Oliver.

Tatiana olhou para Jordan séria enquanto despia sua blusa e a jogava em cima da cama.

- Vou pegar minhas coisas. E devolver as dele, claro – explicou.

- Sem recaídas. – Tatiana pediu.

- Sem recaídas – ele confirmou – Agora vai, não quero o chefe me enchendo as paciências te procurando.

A garota deu uma leve risada e foi para o banheiro, terminando de se despir e entrando debaixo do chuveiro. Continuou a refletir sobre sua vida enquanto se ensaboava, e foi impossível não pensar que aquele banho deveria ter sido tomando no apartamento de Evelyne, e porque não com a própria lhe acompanhando? Tudo que planejou fazer com a francesa pela manhã tinha ido pelo ralo...

“Será que é tarde demais? ”

A garota esperava que não. Sentia que era seu dever conversar com Evelyne e pedir-lhe desculpas pelo ocorrido. Recordou-se das palavras dela “Isso não significa que não podemos ficar juntas”... Tatiana suspirou. Será que poderiam? Agora mais calma e analisando o que a loira dissera, um fio de esperança brilhava novamente dentro da morena, mas ela não queria criar expectativas demais. Para seu próprio bem, não deveria.

Terminado o banho, se enrolou em sua toalha e correu para o quarto, mas não sem escutar Jordan cantando outra vez.

- You were everything, everything that I wanted. We were meant to be, supposed to be, but we lost it. And all of the memories, so close to me, just fade away... All this time you were pretending, so much for my happy ending!

- Sério mesmo Jordan?! – Tatiana disse alto para o amigo escutar – Sacanagem escutar Avril agora.

- A culpa é da MTV querida, não minha. Estou só seguindo a playlist! It's nice to know that you were there...

Tatiana balançou a cabeça e deixou Jordan e sua apresentação sozinhos. Seria melhor evitar músicas do tipo. Correu para o seu guarda-roupas e pegou as “primeiras” peças que encontrou, se arrumando para sair o mais rápido que possível.

Ao retornar para a sala, pegou sua mochila e tirou de dentro dela as trocas de roupa que tinha levado para o apartamento de Evelyne, deixando somente o que costumava levar para o trabalho. Quando pegou seu celular para ver o horário, lembrou que esquecera de colocá-lo para carregar enquanto se banhava, não restando opção a não ser deixa-lo carregando quando finalmente chegasse no trabalho. Pegou suas chaves, caminhou até a porta e antes de sair de casa, Jordan comentou como quem não quer nada.

- Liga para ela mais tarde...

***

Uma tempestade atípica se apossou de toda cidade de Vancouver no final daquela tarde. As grossas gotas castigavam a pequena varanda de Evelyne, que acompanhava o noticiário daquele início de noite, cuja edição especial abordava as consequências da forte chuva, que ocasionou um transito infernal, dificuldade na rede de telefonia e internet, e todas as consequências possíveis e imagináveis advindas de um temporal.

Simultaneamente, estava conversando com sua mãe via Skype. A Sra. Brochu, uma bela mulher que não aparentava a idade que possuía exibia, mesmo que pela tela do computador, o mesmo sorriso da filha. Era dona de uma pele clara e traços delicados, e a única coisa que a diferenciava da filha, era seu cabelo liso. Os cachos de Evelyne eram uma das poucas heranças genéticas que herdou de seu pai.

Evelyne claramente se tornaria sua mãe no futuro, e esta não conseguia esconder a felicidade após ouvir as ótimas notícias da filha, já lhe informando que cancelaria algumas aulas particulares de suas alunas de violoncelo, afim de preparar a casa para sua chega, além de passar todo tempo possível ao lado dela, antes da primeira e única filha começar a trabalhar.

Evelyne contou todos os detalhes que tinha conhecimento a respeito da nova empreitada e assim ficaram conversando durante algumas horas, até o momento em que a Sra. Brochu, uma ótima observadora, diga-se de passagem, soltou a seguinte pergunta pela pequena tela:  

- Qual é o nome dela, fille?

- Pardon? – Evelyne entendera a pergunta. Ainda não tinha contado nada sobre Tatiana para sua mãe. Sempre esperava algum tempo antes de anunciar para sua mãe, principalmente, algum tipo de envolvimento com alguém.

- O nome da moça que está deixando você com um ar diferente e olhos brilhantes – Os olhos da mulher estavam atentos aos trejeitos da filha.

Evelyne sorriu de jeito acanhado, passando a mão em seus cachos e a gargalhada que a Sra. Brochu soltou do outro lado foi a confirmação de que acertara sobre a existência de uma garota.

- Ela se chama Tatiana. – Evelyne respondeu, seus lábios projetando um sorriso maior.

- E como ela é? – Perguntou a mãe interessada.

- Morena, olhos esverdeados...

- Você gosta de uma morena com olhos claros... – a mãe da loira afirmou com um movimento de cabeça.

- Eu gosto de quem me faz bem, maman! Não importa a aparência...

- Sim, claro, concordo... Mas não se esqueça que eu te criei, então eu sei de coisas que você acha que sabe – Aquelas afirmações que as mães fazem e que nos deixam sem palavras – Continue... – a Sra. Brochu pediu.

- Então... – Evelyne continuou como se não tivesse sido interrompida – Ela é baixinha, sou quase dois palmos mais alta do que ela – disse rindo – Tem um jeito fofo e amigo, inteligente...  E é dona do sorriso mais lindo do mundo.

- E ela sabe que você vai voltar pra França?

- Sabe sim, maman... – a loira respondeu baixando um pouco os olhos.

- E a reação dela...

- Não foi muito boa – Eve admitiu – Eu também ficaria chateada, se gostasse de alguém e tudo isso acontecesse.

- Você gosta mesmo dela? – A pergunta fez Evelyne pensar o porquê das mães sempre fazem perguntas diretas.

- Gosto.

- Então conversem. Para tudo se tem jeito, ma chérie. – Seu tom de voz foi tranquilizador, como se nada no mundo pudesse dar errado.

- Irei sim – Evelyne concordou com a cabeça.

- Agora eu preciso ir, já é tarde aqui – disse a Sra. Brochu – Amanhã tenho alguns assuntos para resolver e tenho que começar a arrumar a casa para o seu retorno!

- Quantas mil caixas e tralhas você colocou em meu quarto? – Evelyne perguntou.

- Algumas... – a mulher fez uma expressão brincalhona - Bonne nuit, chérie.

Evelyne revirou os olhos, fingindo que estava indignada pelo fato de seu antigo quarto ter sido transformado em depósito.

- Se cuide, está bem, maman? – Evelyne disse.

- Você também. Mande notícias no decorrer dos dias. Je t'aime.

- Je t'aime.

Assim que desligaram, Evelyne encostou em seu sofá, apoiando os pés na mesa de centro. A chuva continuava a cair forte lá fora. Pensou em Tatiana. A garota não retornara sua ligação. Tinha dito que iria até o apartamento dela se não tivesse notícias até o final da noite, e este final estava bem próximo.

“Será que aconteceu alguma coisa? Ou será que ela viu minhas mensagens e me ignorou? Ou essa chuva está impedindo ela de se comunicar comigo? ”

Seus pensamentos foram interrompidos com o som de chamada do Skype apitando. Eve afastou seus joelhos para olhar a tela, e foi surpreendida pela foto de Tatiana lhe chamando. Ambas tinham trocado seus respectivos contatos dias atrás, mas aquela seria a primeira vez que conversariam por chamada de vídeo. A francesa endireitou o corpo e tomou um breve folego, aceitando a ligação de Tatiana.

Segundos depois pode vê-la em seu quarto. Eve, pela posição de Tatiana, deduziu que a garota estava sentada em sua cama, encostada na parede e com o computador no colo. Sorriram timidamente uma para a outra.

- Hey... – as duas falaram ao mesmo tempo.

- Tudo bem? – outra vez, suas vozes saíram em uníssono. E uma imaginando que a outra lhe daria a palavra para responder, disseram ao mesmo tempo – Sim, e você?

Elas riram com a breve sincronia e Tatiana foi mais rápida a tomar a palavra.

- De novo: Tudo bem aí?

- Sim, sim... E você? – Evelyne devolveu.

- Caminhando... Eu tomei essa chuva toda... Consegui uma carona para casa, mas não adiantou muito.

- Sério? Trabalhou hoje?

- Uhum... E eu vi suas mensagens, só que as vi super tarde. Meu celular descarregou, não consegui carregar aqui em casa e quando cheguei ao trabalho, todas as tomadas existentes estavam ocupadas, e ninguém tinha uma maldita extensão para facilitar a vida – Tatiana explicou, gesticulando com impaciência com uma das mãos. – Quando eu finalmente consegui, a chuva deixou o sinal um caos.

- Eu vi pela televisão... Por um momento eu pensei que não queria falar comigo. – A loira crispou os lábios.

- É... Por um momento eu não queria mesmo – Tatiana revelou, baixando os olhos – E quando tentei, foi impossibilitada. Mas aqui estou...

As garotas ficaram se olhando pela tela do computador em silencio, cada uma em sua respectiva casa. Sentiam que uma barreira estava em construção naquele instante e se não dissolvessem o pesado clima que se formava entre elas, mesmo estando em locais diferentes, talvez fosse difícil reaver uma reconciliação.

- Me desculpe – começou Tatiana.

- Je sui desolé – disse Evelyne.

Elas esboçaram um leve sorriso, e a morena fez um sinal com sua mão, pedindo a palavra.

- Me desculpe pelo modo que agi mais cedo... Às vezes eu não consigo esconder algumas frustrações, e acabo falando coisas que não quero... Claro que isso não justifica nada, afinal, você tem sua vida, e ela vem de muito antes de eu aparecer, e eu não posso te dizer o que deve ou não fazer com ela... Enfim, me desculpa.

Tatiana passou as mãos pelo cabelo, cujos fios estavam soltos e um pouco úmidos, provavelmente reflexo da chuva que pegou no caminho de casa.

- Eu também te peço desculpas, Tat – Evelyne soltou um leve suspiro – Eu acho fui um pouco egoísta. Você pode não acreditar, mas após a ligação, eu fiquei dividida entre a alegria de ter finalmente conseguido minha chance, e você... Eu sentia que ia te magoar, e então você me perguntou o que houve e eu não poderia mentir. – Nesse ponto, a mania que Evelyne possuía de gesticular se iniciou, e como sempre ela não percebia esse ato – Eu fui sincera com você, sempre procurei ser. E eu tenho que ir.

- Eu sei disso, Eve. Você sempre foi segura em suas escolhas, e eu admiro isso. Você simplesmente não pode deixar tudo de lado por uma garota canadense boba que nem eu. – A morena deu de ombros, mas seus olhos ainda estavam tristes.

- Hey... Tatiana... Se tem uma coisa que você não é, é ser uma garota boba. – a loira disse ao se aproximar mais da mesa de centro, ficando mais perto do computador.

- Eu sou sim. Boba, insegura, infantil. Que ainda não sabe o que fazer da vida.

- Metade do mundo tem dúvidas sobre o que fazer da vida, e isso não é nenhum crime. – Evelyne foi precisa. – Algumas se resolvem mais rápido do que outras. Cada uma tem seu tempo.

- Tenho medo do meu tempo nunca chegar. – Tatiana admitiu, surpresa consigo mesma por tê-lo feito – Eu sempre sonhei muitas coisas sabe? E ver você realizando seus sonhos, me fez enxergar que estou ficando para trás. 

- Eu achei que ficaria para trás quando sofri meu acidente. Mas consegui encontrar uma nova paixão. Eu sei que você irá encontrar a sua, Tatiana. Acredito que se isso ainda não ocorreu, é porque algo de muito especial vai acontecer com você.

As palavras de Evelyne fizeram com que Tatiana se sentisse mais leve. Ela maneou sua cabeça, e voltou a olhar para a imagem em movimento da francesa.

- Só espero que não demore...

- Você sabe que essas coisas acontecem quando menos se espera, não é? – Evelyne sorriu de modo compreensivo – A pressa é a inimiga de muitas coisas, não só da perfeição.

- Momento de sabedoria, com Evelyne Brochu – Tatiana brincou, arrancando uma gargalhada da outra.

Quando o riso cessou, Tatiana continuou.

- E gosto de fazer você sorrir.

- Eu também gosto de ter meus sorrisos arrancados por você. Assim como eu também gosto de te fazer rir. Seu sorriso é lindo... Quando eu não sabia seu nome, eu te chamava de morena do sorriso bonito.

- Sério? – Tatiana corou levemente.

- Oui!

- Bem, eu sempre te chamei de francesa. E mesmo depois que contou que nasceu aqui, sempre será a francesa para mim.

- Você pode me chamar do que quiser...

Elas ficaram se encarando por alguns segundos... Sabiam que poderiam ficar daquele modo por muito tempo, agora que estavam resolvendo suas pendências. É claro que muito ainda tinha que ser conversado, mas aqueles pequenos passos estavam de bom tamanho para ambas.

- Você imaginava tudo isso? – Tatiana a questionou.

- Seja mais especifica. – A outra pediu.

- Você e eu... – Tatiana fez um movimento com as mãos indicando as duas.

- Gostei do seu jeito desde o dia do taxi, mas naquele momento não eu não tinha como saber.

- Aí você veio e me jogou aquela cantada na livraria.

- Admita, foi sensacional. – A francesa disse com sorriso presunçoso, piscando para Tatiana.

- Foi. – Tatiana rendeu-se - Foi o tipo de abordagem que eu usaria. Vou retribuir. Aguarde-me.

- Não vejo a hora.

A morena sorriu outra vez e abriu a boca para dizer algo, mas recuou. Evelyne percebeu certa ansiedade, e falou:

- Você quer me perguntar algo.

- Quero.

- Vá em frente...

- Aquilo que me disse... Sobre o seu professor, o Matt...

- Sabia que me perguntaria dele – o comentário de Evelyne fez Tatiana continuar.

- Ele realmente falou para você se apaixonar?

- Sim – ela fez um sinal afirmativo com a cabeça, jogando alguns cachos que caíram com o movimento para trás – Hum... Matt foi o professor mais louco e brilhante que já tive, e eu só tenho a agradecer tudo o que ele me ensinou – a loira falava sob os olhos atentos de Tatiana do outro lado – Cada professor de artes cênicas tem suas técnicas, e Matt tinha as dele, algumas eram brilhantes, outras totalmente sem sentido. De todo modo, tudo tinha um motivo e nós, como alunos, éramos constantemente observados, tanto que diversas vezes tínhamos que desenvolver exercícios sozinhos, fossem eles durante as aulas, como no modo “lição de casa”, sabe? – Ela fez as aspas no ar.

Tatiana fez um movimento afirmativo com a cabeça, sinalizando que estava prestando atenção. A francesa continuou.

- Matt disse, quando comentou que eu deveria me apaixonar, que tal ato iria me fazer muito bem, que seria um algo a mais na minha vida. Ele inclusive disse que não precisava ser nada sério, a não ser que eu quisesse, porém eu não vim para o Canadá com esse intuito – ela explicou – Sai algumas vezes, mas nada demais – contou fazendo um movimento com uma das mãos, referindo que o assunto não importava – E não estar com alguém nunca me fez falta alguma.

- O que você disse para o Matt, depois do que ele falou?

- Eu ri da cara dele. Foi a primeira vez que eu não o estava levando a sério... – Evelyne baixou os olhos, mas logo os levantou e deu um leve riso – Mas o cara é tão filho da puta, que ele estava certo.

Ao ouvir aquelas palavras, Tatiana sentiu seu coração dar um salto. “Ela está tentando me dizer algo? ”, pensou de Evelyne.

- Coincidentemente eu vi você na livraria momentos depois e pensei “por que não? ”. Eu já tinha visto você antes, e o mínimo que poderia acontecer era não dar certo e cada uma seguir seu rumo.

- E o máximo que poderia acontecer? – Tatiana estava interessada nas próximas palavras dela.

- O máximo ainda não aconteceu. Mas estar com você me faz muito bem, Tatiana.

Tatiana sorriu, provocando em Evelyne o mesmo efeito. Nada disseram, não era necessário. Sendo assim, só ficaram a se olhar por longos minutos, enquanto lá fora era visível que todos os deuses e santos combinarão o despejar das águas em sincronia para aquela noite.

Até que algo interessante aconteceu.

Durante a intensa troca de olhares, às garotas sentiram, ao mesmo tempo, um fenômeno que não saberiam explicar naquele instante. Similar a uma onda invisível, a sensação percorreu seus corpos numa velocidade impressionante, preenchendo cada pedacinho delas, deixando um rastro que aqueceu de forma deliciosa seus sentimentos que, mesmo em estágios iniciais, estavam tomando forma uma pela outra. Se este auge durou cinco segundos, foi muito, mas foi o suficiente para que Tatiana e Evelyne perdessem o fôlego.

- Você sentiu? – Evelyne disse, recuperando o fôlego.

- Sim... Uau! O que foi isso? – a morena visivelmente tinha a respiração ofegante.

- Não faço ideia, mon petit, mas eu adorei e... Tatiana?

Evelyne olhou com atenção para a imagem de Tatiana em seu notebook, percebendo que a imagem dela da garota estava congelada. Mal teve tempo de pensar e sua conexão com a morena caiu completamente.

- Merde!

Rapidamente ela procurou restabelecer a conexão e enquanto o fazia, seu celular apitou. Era uma mensagem de Tatiana, que dizia:

“Caiu aqui para mim também. Nem sei se a mensagem irá chegar. Estou tentando conectar de novo”.

Alguns minutos se passaram e quando Evelyne voltou a ficar online, imediatamente clicou no contato de Tatiana, mas ela não estava mais ali. Pegou seu celular e enviou uma nova mensagem para a garota:

“Você conseguiu?”

Aguardou, mas a resposta não veio. Abriu suas últimas ligações e ligou para ela, todavia, a chamada foi para caixa postal.

- Ahh Tatiana! Vou mudar seu contato para Tatiana Caixa Postal Maslany!

Sabia que a garota não tinha telefone fixo em seu apartamento, e lembrou-se de Tatiana contando que a internet que ela e Jordan possuíam vinha de um outro sistema, que agora Evelyne não se lembraria qual era. Ela se levantou do sofá e foi até a janela da sacada. Tinha substituído o roupão de mais cedo por uma camiseta e shorts e observando a noite, tentou decifrar o que sentiu enquanto estava perdida nos olhos verdes de Tatiana, mas pela primeira vez, não conseguia encontrar palavras que pudessem explicar o que acontecia dentro de si...

A francesa queria fumar um cigarro, mas se abrisse a sacada, iria alagar o apartamento e não seria uma boa ideia fumar com tudo fechado, ainda mais que nos próximos dias iria devolver o imóvel. Sabia que o bairro em que morava era bem procurado para locação, e se um novo locatário fosse visita-la enquanto estivesse arrumando as malas, isso poderia causar certo desconforto, caso o cheiro de tabaco e nicotina não tivessem se dissipado a tempo.

Abandonou a ideia quando mirou na geladeira e lembrou que nas profundezas do freezer, existia um pote de sorvete. Em dois passos, Evelyne chegou a sua pequena cozinha e pegou uma colher da gaveta. Abriu a geladeira e logo estava com o pequeno pote de Haagen Dazs, sabor chocolate, em suas mãos. Não sentiu culpa alguma em curar a ansiedade com doces. Quem nunca?

Algumas colheradas de sorvete depois e aguardando Tatiana dar algum sinal de vida, a campainha do apartamento de Eve foi tocada. Imaginando ser algum de seus vizinhos de andar, a loira abriu a porta sem perguntar quem era e levou um susto ao ver a figura totalmente encharcada de Tatiana em sua frente.

- Como você entrou? – Evelyne perguntou sem pensar. Ela olhou a morena de cima abaixo e então se deu conta que Tatiana estava criando uma poça d’agua na entrada e a puxou para dentro, fechando a porta em seguida.

- Alguém do prédio tinha acabado de entrar, aí eu aproveitei a carona. Por isso eu não toquei o interfone – Tatiana explicou.

- Eu tentei te ligar...

- Esse temporal deixou tudo um caos lá na região...

- E você simplesmente veio para cá – Evelyne abriu um sorriso bobo.

- Tanto que uma toalha cairia muito bem – a garota solicitou, mostrando o seu estado, tirando dos bolsos as chaves de seu apartamento, carteira e um celular, que milagrosamente apitou – Ah, aqui você funciona, descarado! – Ela pegou o aparelho e viu a mensagem, que era a que Evelyne tinha lhe enviado. A olhou com um sorriso de lado – Consegui sim...  

A francesa foi até seu quarto e pegou uma toalha seca em uma prateleira do seu closet. Quando retornou, viu que Tatiana estava em seu banheiro, cuja porta ficou aberta. Ela já havia retirado os tênis e meia, e quando Evelyne apareceu, a garota crispou os lábios olhando para ela.

- Me ajuda? – Ela pediu com a voz um pouco baixa.

Não foi preciso dizer duas vezes.

Evelyne levou suas mãos até a barra da blusa de Tatiana e levantou o pano, que se desgrudava da pele úmida da outra até sair totalmente de seu corpo. Tatiana abriu sua calça jeans e a tirou, abaixando um pouco seu tronco até se ver totalmente livre dela. Somente com sua roupa debaixo, a morena observou os movimentos de Evelyne, que pegou a toalha seca e a abriu, e com a gentileza que se esperaria da francesa, esta começou a passar o pano pelo cabelo molhado de Tat, procurando tirar o excesso de água dos fios.

A garota sorriu e Eve retribuiu. As mãos da loira, protegidas pela toalha, desceram pelo pescoço de Tatiana e em seguida se direcionaram para seus ombros. A morena percebeu que os movimentos de Evelyne estavam lentos, próximo à altura de seu colo e ela gostou muito de ver quando a loira mordeu seus lábios e engoliu em seco.

- Evelyne?

Os olhos cor de âmbar, agora desejosos, encontraram os de Tatiana.

- Me beija logo, Tatiana. – A francesa exigiu com a voz rouca.

Tatiana levou suas mãos até o quadril de Evelyne, o apertou e a puxou para si. A garota ficou na ponta dos pés e se aproximou de Eve, que livrou suas mãos da toalha e segurou o rosto da outra, trazendo-a para seus lábios. Tatiana puxou a boca de Evelyne com seus dentes e a loira sorriu maliciosa enquanto seu lábio era puxado...

Evelyne encostou o corpo de Tatiana no azulejo do banheiro e deslizou suas mãos cobiçosas pela lateral do corpo dela, passando por suas coxas, e numa rapidez que surpreendeu a morena, Evelyne a pegou pelas coxas e a suspendeu, lhe trazendo para seu colo, o que levou Tat a colocar suas pernas ao redor do quadril da loira, as prendendo com força. Olhando Evelyne de cima, foi a vez de Tatiana segurar em seu rosto e assim fazer seus lábios se encontrarem.

Diferentemente dos outros beijos que trocaram, aquele possuía urgência, assim como todos os passos que deram em seguida, como se tudo fosse evaporar se não estivessem unidas. Evelyne levou Tatiana até seu quarto e assim que caíram na cama, a morena não esperou mais nenhum seguindo para despir a francesa, retirando rapidamente a camiseta e shorts que ela vestia. Sua boca desceu pelo pescoço de Evelyne e suas mãos trataram de retirar o sutiã que a outra usava... Eve trouxe o rosto da morena para perto do seu e voltou a beijar-lhe, sua língua buscando espaço na boca de Tat, que deixava ser explorada desse modo, inebriando seus sentidos... As mãos da morena tomaram posse dos seios de Evelyne, que sentiu seu tronco ser empurrado até o colchão, permitindo que Tatiana tivesse a liberdade que precisava para distribuir beijos por toda a extensão daquela pele branca, com diversas pintinhas espalhadas...

E assim ela o fez. Os lábios e língua de Tatiana passearam por Evelyne de forma lenta e apressada, aguçando todos os sentidos da francesa, que se arrepiava constantemente e suspirava prazerosamente... Tatiana retornou para os pequenos seios de Eve e voltou a suga-los, gemendo baixinho quando escutou a mulher fazer o mesmo... Evelyne enroscava suas mãos pelo cabelo de Tatiana, instigando-a a continuar... Com uma das mãos, Tatiana começou a abaixar a calcinha de Evelyne e a loira a ajudou, afastando suas pernas para Tat, que em seguida deixou sua mão ir em direção a virilha de Eve... As duas se olharam e novamente se beijaram, ao mesmo tempo em que Tatiana introduzia, delicadamente, seus dedos indicador e médio no sexo de Eve, que estava inevitavelmente úmida devido a quantidade de carinhos e provocações que vinha recebendo...

Evelyne enlaçou suas pernas nas de Tatiana, que continuava a movimentar seus ágeis dedos na intimidade da loira, que ofegava nos lábios da morena... A garota, bem devagar, começou a passar seu polegar no clitóris de Eve, que gemeu de modo mais audível, impulsionando Tatiana a continuar... Assim permaneceram, ambos os corpos em sincronia desejosa e apaixonada, respirações arfantes, peles unidas pelo suor de seus poros...

Não demorou muito mais para que Evelyne alcançasse seu ápice e quando o fez, Tatiana chegou bem próximo do rosto dela, olhando com excitação a mulher em seus braços ir até as estrelas e retornar segundos depois... O corpo de Evelyne amoleceu e ela fechou os olhos, respirando profundamente. Tatiana beijava toda a face desta com carinho, ao passo que retirava seus dedos de dentro dela com cuidado.

Evelyne exibiu um riso torto e satisfeito, abrindo seus olhos devagar... Tatiana ainda estava em cima de seu corpo quando começou a cantarolar numa voz calma e ritmada...

- One thing I've left to do... discover me, discovering you... – a morena desceu sua boca e continuou - Your skin like porcelain... One pair of candy lips and your bubblegum tongue...

Estava no caminho da curva dos seios de Evelyne quando a francesa a virou na cama, ficando por cima de Tatiana e a prendendo com seus joelhos. Ela jogou seus cachos para trás usando uma das mãos e continuou.

- Your body is a wonderland, Tatiana...

Usando suas mãos, Evelyne abriu o sutiã de Tatiana, cujo fecho era na parte da frente. A loira afastou a peça e não demorou a passar sua língua pelos bicos de Tat, que logo ficaram enrijecidos com o toque... Evelyne os sugava e apertava com vigor... A morena não reclamava, mas sim arqueava seu tronco, como sinal que queria mais da francesa...

Satisfazendo-a, Evelyne continuava a agradar todos os pontos erógenos de Tatiana, deixando a mulher arrepiada e sem folego por diversas vezes e quando ela se deu conta, Evelyne já havia retirado sua calcinha... Tat apoiou seus braços na cama e levantou seu dorso a tempo de observar Evelyne mordendo e umedecendo os lábios com a ponta de sua língua e olhando o sexo da morena com olhos sedentos... Evelyne levantou seus olhos e viu que Tatiana a observava maliciosa, e esta, sem pudor algum, falou baixinho para a francesa:

- Sem as mãos...

Obedecendo Tatiana, Evelyne fez uso das mãos somente para afastar um pouco mais as pernas da morena... Em seguida, ela iniciou uma série de beijos lentos pelas partes internas das coxas da outra, se aproximando cada vez mais da intimidade de Tatiana... A mulher ansiava pelo toque de Evelyne, e sentia que a francesa a estava provocando, e Tatiana definitivamente não aguentaria essas provocações por muito tempo.... Evelyne notara a ânsia da garota e começou a depositar beijos em toda extensão do sexo de Tatiana, que ofegou de modo mais profundo que antes, e sem mais delongas, a loira deleitou-se com sua língua na intimidade daquela mulher, cujo corpo ela considerava mesmo uma maravilha...

Tatiana atingiu seu clímax enquanto a boca de Evelyne ainda estava em si... Ela recobrava sua consciência ao sentir a língua da outra subir por todo seu corpo, até chegar em sua boca e provando do próprio sabor, misturado ao gosto dos beijos de Evelyne, encaixaram-se num abraço afetuoso e assim permaneceram até o dia amanhecer.

***

Raios de sol invadiam o quarto de Evelyne, assim como os primeiros sons da manhã. Ao longe era possível ouvir os primeiros carros em movimento, as primeiras vozes das pessoas que passavam. Latidos, pios, miados estavam entre as sonoridades. Seria impossível imaginar que uma tempestade anormal atingira a cidade no dia anterior.

Tatiana acordou sorrindo. Literalmente sentiu seus lábios formarem um sorriso quando despertou e ao se virar, também teve sua primeira visão. Seus olhos focaram os fios dourados, cacheados e bagunçados da mulher ao seu lado. A morena levantou um pouco seu corpo e observou Evelyne de bruços, em seu mais sereno sono. Permaneciam nuas e as recordações da noite anterior fez seu baixo ventre se contrair deliciosamente.

"Se isso é a famosa bonança, seja bem-vinda amiga", ela pensou. Sentiu vontade de agarrar aquele pecado francês e fundi-la em seu corpo, ao mesmo tempo em que só queria admirar tal beleza ao alcance de suas mãos e lábios. 

Sorriu igual criança travessa e com a ponta do dedo indicador, começou a passa-lo delicadamente pelas costas de sua bela adormecida, traçando linhas imaginarias pelas pintinhas que ali estavam distribuídas, desenhando constelações fictícias. Tatiana se aproximou e depositou um beijo no pescoço da amada.

Amada? A palavra em muito lhe agradava, ela não negaria se fosse questionada. Contudo, a linha tênue entre a felicidade do ganho e o medo da perda estava ali, recebendo seus beijos. Tratou de expulsar tais pensamentos e desceu seus lábios pela pele clara de Evelyne, beijando com mais ternura em determinados pontos, seguindo o até o final da sua lombar. Depositou um outro beijo numa das nádegas, e a sentiu se mexer. Levantou os olhos quando ouviu a voz dengosa de Evelyne.

- Como faz para acordar assim todos os dias? 

A loira se virou com preguiça e Tatiana observava cada movimento. A morena beijou demoradamente o ventre da outra e continuou a nada árdua tarefa de beijar e tocar todo aquele corpo.  Percorreu o caminho até chegar entre os seios de Evelyne, que ganharam uma leve passada da sua língua, e assim voltou para o início de sua empreitada, o pescoço esguio de Eve. O suspiro prazeroso da francesa a deixou arrepiada. 

- É só você não ir embora - Tatiana respondeu à pergunta, a olhando com olhos pidões.

Evelyne sorriu ternamente e com as costas de sua mão, acariciou o rosto de Tatiana. A morena percebeu que mulher estava pensando em algo, pois começou a ficar com uma expressão esperançosa.

- Um beijo pelos seus pensamentos – Tatiana ofereceu junto com uma piscadela.

Uma das mãos de Evelyne foi até a nunca de Tatiana e a puxou para sua boca, deixando nos lábios da outra um beijo gostoso, seguido de um sussurro:

- Vem comigo para França.

 


Notas Finais


;)

Avril Lavigne - My Happy Ending - https://www.youtube.com/watch?v=s8QYxmpuyxg
John Mayer - Your Body's a Wonderland - https://www.youtube.com/watch?v=N5EnGwXV_Pg


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