História Plot Twist - Capítulo 27


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Categorias As Brumas de Avalon, Orphan Black
Personagens Cosima Niehaus, Dra. Delphine Cormier, Felix "Fee" Dawkins, Personagens Originais
Tags Cophine, Evelyne Brochu, Masbro, Medieval, Orphan Black, Tatiana Maslany
Visualizações 243
Palavras 7.524
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Crossover, Drama (Tragédia), LGBT, Musical (Songfic), Romance e Novela, Universo Alternativo
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


ois!
Apesar de não ter respondido os comentários, eu li todos eles! E espero que gostem de mais esse pedacinho <3

Capítulo 27 - Stirling


Fanfic / Fanfiction Plot Twist - Capítulo 27 - Stirling

Alguém balançou seu corpo com força, fazendo-a resmungar. Minutos se passaram, e novamente foi cutucada, mas desta vez, uma voz masculina falou alto em seu ouvido.

- Tatiana! Acorda!

Sentindo-se um zumbi em pleno apocalipse, Tatiana forçou seu corpo para fora da cama. Olhou para a janela e viu que as primeiras luzes da manhã se erguiam timidamente e mais do que nunca quis voltar a dormir.

- O que você estava fazendo para ter dormindo na minha cama? – Jordan a questionou de cara e cabelos amassados, vestindo somente uma cueca boxer.

- Eu não precisava ter essa visão logo cedo – a garota desviou os olhos do corpo do amigo. O quarto estava iluminado com as luzes dos abajures que existiam ao lado das camas.

- Desculpe não ter um corpo mais feminino para o seu agrado – ele brincou, ainda sonolento – Mas o que estava fazendo que dormiu na minha cama?

- Jordan, nem eu sei como eu dormi, para falar a verdade... – foi quando a garota notou que estava com as mesmas roupas da noite anterior.

- Eu quem bebo, e você que perde a noção do tempo e espaço?

- Eu também bebi ontem a noite – ela contou, tentando dar um jeito em seu cabelo bagunçado.

- Tat, você sabe que não pode exagerar. – O garoto a lembrou, pegando uma troca de roupas no closet.

- Ksenia não deixou que eu exagerasse demais.

- Ksenia? – Ele virou o rosto para olhá-la, interessado.

- Então... – e Tatiana passou os minutos seguintes narrando o que lhe aconteceu na noite anterior, incluindo todos os detalhes que se recordava, não escondendo do amigo que beijara Ksenia e levara um fora elegante desta.

Jordan deu risadas ao caminhar para o banheiro.

- Elegante essa moça Ksenia – falou enquanto se despia da cueca e entrava no box do chuveiro. – E concordo na parte de não recusar beijos.

- Lema da sua vida – Tatiana o provocou, encostando-se no batente da porta do banheiro, e mantendo os olhos no rosto do amigo que se banhava. – Não quero nem saber como olhá-la hoje, eu estava bêbada, não deveria...

- Olhe para ela do mesmo modo que está me olhando agora, de frente – Jordan respondeu – E digo o mesmo para com Cobie. Não se intimide.

- Não irei – ela garantiu, mas sentiu seu íntimo vacilar – No fundo, eu não estava tão preparada para vê-la com Evelyne.

- Quanto mais você pensar nisso, mais vai se martirizar... – ele fechou o registro e pegou uma toalha – Deixe isso para na hora que for gravar. O set vai ser um bom lugar para você externar os sentimentos.

- Quem diria, você me dando dicas de atuação...

- E aqui vai outra: tome um banho – disse ao passar pela amiga com a toalha enrolada no corpo.

- Eu não estou fedendo, Jordan – ela automaticamente começou a cheirar a própria camiseta.

- Não está, e se algum dia estiver eu vou falar na sua cara, mas nada como um banho e uma cara renovada para encarar as inimigas – disse com malicia.

- Cobie não é minha inimiga...

- Tem certeza, ma cherie? Enfim, se você quiser se atrasar para o seu primeiro dia, a culpa não vai ser minha. – E virou-se para começar a se trocar.

A morena teve que concordar na parte de que não seria nada bom se atrasar logo no primeiro dia de gravações, e começou a se despir, deixando suas mudas de roupas jogadas no chão e entrando no chuveiro segundos depois.

Enquanto se banhava, decidiu que não deixaria seus sentimentos em turbulência atrapalhassem o dia que se seguiria e caso encontrasse com Cobie e Evelyne no meio do caminho, o que com certeza aconteceria, pois Evelyne estaria nas gravações do dia, não abaixaria a cabeça. Seria superior, como uma pessoa sensata deve ser.

“Poderia dizer superior igual Morgana, mas ela também tem defeitos, como eu”, refletiu deixando a agua morna cair em seus ombros.

Após tomar banho e se aprontar, Tatiana e Jordan seguiram para tomar o café da manhã. Observaram a agitação nos corredores e o garoto comentou sabiamente:

- Espero que o hotel esteja todo reservado para nós, caso contrário, a cavalaria já tratou de acordar todos os outros hóspedes.

No térreo, seguiram para o restaurante, mas antes de continuarem o caminho Tatiana puxou Jordan pela mão, olhando atentamente para o pedaço da recepção que conseguia avistar.

- Jordan!

- Quê? – Ele se virou.

- Cobie...

- O que tem ela?

- Ela está indo embora...? – Não sabia se estava realmente indagando.

- E eu lá vou saber? – O rapaz começou a observar a cena que a amiga lhe mostrou com bastante interesse – Gente... Ele está mesmo indo!

E Tatiana pode ver, quando Cobie se afastava do balcão, que a mulher estava puxando uma mala de viagem de tamanho médio.

- Tatiana, você causou a discórdia – Jordan a olhou – Estou orgulhoso!

- Cala a boca! – A garota disse e deu-lhe um tapa no braço.

Contudo, tal expressão foi dita um pouco mais alto do que Tatiana pode prever e quando esta olhou novamente para Cobie, viu que a mulher a observava. Tatiana não pode identificar o que realmente se passava pelos olhos azuis de Cobie, mas somente a dureza que exibiam foi o suficiente para fazê-la engolir em seco e desejar se aproximar e proferir um pedido de desculpas.

Tatiana abriu a boca por alguns milímetros e sentiu Jordan, discretamente, lhe apertando a mão e a alertando para não fazer nenhuma besteira. A morena não desviou os olhos da mulher que estava próxima a porta de entrada, e depois de mais alguns segundos, Cobie virou o corpo e seguiu para fora do hotel.

- Elas não terminaram – Jordan falou.

- Eu também senti isso – Tatiana sentia-se estranha por dizer aquilo com tanta certeza – Ou ela teria se aproximado, não?

- Provavelmente. Orgulho ferido é um filho da puta. Orgulho este que a Srta. Smulders está mantendo firmemente.

- Jordan, você não deveria estar do meu lado? – Tatiana encarou o amigo.

- Estou reconhecendo o poder do oponente, Tatiana, que mal existe nisso?

- Já disse que ela não é minha oponente – repetiu a morena.

- Meu anjo, se a encarada que ela te deu agorinha não foi um desafio, então eu não sei o que foi...

Jordan virou o corpo e foi em direção ao restaurante. Tatiana o seguiu.

- Desafiada a o que, Jordan? – O tom da garota estava a um passo da ansiedade.

- Como você é lerda sem cafeína, misericórdia!

- Cara... Eu não quero disputar a Evelyne! Eu quero que ela venha para mim por vontade própria!

- Se esta é a sua estratégia, quem sou eu para mudá-la? - Jordan riu – Que os jogos comecem!

E correu antes que Tatiana lhe desse outro tapa.

***

- COMO ASSIM? – Evelyne exclamou ao telefone e sentiu a cabeça rodar quando se pôs de pé com violência.

- Vou retornar para Los Angeles – Cobie falava novamente – Inclusive, eu já preciso desligar, logo o avião vai decolar.

A francesa foi até a janela, cuja luz do sol invadia o quarto. “Merda, merda, merda! ”

- Inclusive, você está atrasada, Evelyne. – A voz feminina disse ao telefone – É melhor se apressar... – ela pausou por alguns segundos e Evelyne nunca iria saber a expressão que estava estampada na face da outra – Boa sorte nas filmagens e eu espero vê-la outra vez em breve. Na sua folga, quem sabe?

E desligou.

E o mundo de Evelyne só não girou mais ainda, pois bateram à sua porta e a chamaram com urgência.

- EVELYNE!

A mulher caminhou trôpega, abriu o portal e uma Clarice desesperada entrou, falando com muitas exclamações:

- Evelyne! Puta que a pariu! Eu não posso acreditar que você está atrasada! Logo hoje! E minha nossa pelos céus que cara é essa?

Clarice olhou para Evelyne e a surpresa em seu rosto era evidente.

- O que houve? – Correu para perto da francesa e tocou-lhe o rosto, como se averiguasse se não estava com febre.

- Eu não estou doente, Clarice – a loira respondeu fechando a porta.

- Tem certeza? – E arregalando os olhos e olhando o espaço, percebeu – Onde está Cobie?

Evelyne colocou uma das mãos no quadril e com a outra bagunçou um pouco mais seus cabelos já desgrenhados.

- Ela foi embora.

- Como assim ela foi embora?

- Foi embora, Clarice! Eu acordei e ela não estava mais aqui! – Exasperou-se com a amiga.

- Tá bem, ta bem, não precisa descontar em mim! – a ruiva fez sinal com as mãos pedindo calma.

- Desculpe – disse, baixando a cabeça em seguida – Era tudo que eu precisava para o dia de hoje...

- Tome uma ducha - Clarice mandou com uma voz enérgica – Eu separo uma roupa para você. E se apresse, você está realmente atrasada.

- Merde!

Em outra situação, Evelyne protestaria, contudo, o pouco de raciocínio que ainda possuía a fez correr para o banheiro, se despindo pelo caminho. Parou em frente a pia e pegou um elástico para prender os cachos em um coque, sabendo que a equipe de cabelo e maquiagem daria um jeito nela muito em breve.

Teve receio de se olhar no espelho, mas acabou por fazê-lo, e como já imaginava, ao observar sua imagem mais pálida e abatida que o normal, como se não tivesse dormido uma hora sequer, apesar de ter apagado quase que instantaneamente, arrependeu-se de ter tomado o calmante na noite anterior.

Tomou um dos banhos mais rápidos da sua vida e o mesmo aconteceu ao se vestir, ao mesmo tempo em que compartilhava com Clarice os fatos do dia anterior. A amiga escutava atentamente, sem emitir opiniões, enquanto ajudava Evelyne a se aprontar, e ao termino da apressada tarefa, a loira questionou:

- E você não vai falar nada? – Pegou roteiro, celular e o cronograma do dia, seguindo Clarice para fora do quarto e fechando-o ao passar.

- Eve, sinceramente, eu nem sei o que te falar agora... – disse a ruiva ao seguirem pelo corredor.

- Isso é uma novidade! Você sempre me alfineta com seus argumentos – falou quando as portas do elevador se fecharam atrás de si.

- Eu sei, mas agora a coisa está séria do que eu poderia sequer imaginar...  Eu não conheço Cobie tão intimamente quanto você, mas essa atitude dela...

- Sim? – Evelyne encorajou a amiga a falar, precisava desesperadamente de algum conselho ou o que quer que fosse.

- Foi, ao meu ver, ao mesmo tempo compreensível e infantil...

- Claro que foi infantil, Clarice, ela fugiu enquanto eu dormia! Que namorada faz isso? – Saíram do elevador e Evelyne fez menção de ir até o restaurante do hotel, mas foi puxada pelo braço por Clarice – O que, sem café da manhã?

- Ninguém mandou a senhorita tomar um calmante e entrar em coma. – E caminharam até a porta de entrada. – No camarim eu te levo alguma coisa para comer

- Obrigada, Clarice. Não sei o que seria da minha vida sem sua ajuda.

- Não seria muita coisa – a outra respondeu com um sorriso.

Evelyne sorriu verdadeiramente pela primeira vez depois do que lhe pareceu muito tempo.

- Mas você dizia “Que namorada faz isso? ”, não? – Clarice comentou, abrindo a porta de um carro que estava em uma pequena área reservada.

- Sim! Quem faz isso? Eu juro que estou me sentindo uma adolescente que acorda e se vê na cama sozinha! Como se a Cobie tivesse fugido da surdida para não encontrar meus pais!

- Bom dia senhoritas – uma voz masculina as saudou.

- Bom dia – ambas responderam, e Clarice tomou a palavra – Não que o castelo seja longe, mas como está o caminho até lá, Tom?

- Chegamos em no máximo dez minutos – Tom respondeu, colocando o veículo em movimento.

Clarice virou-se para Evelyne, e voltou a falar:

- Como eu disse, foi realmente uma atitude bem fora dos padrões dela fazer isso, mas é até um pouco compreensível, se formos ver o quadro geral.

- E esse quadro geral existe?

- Claro que sim. Ele sempre existe. É que você está inserida nele, mas quem está de fora que consegue discernir as coisas.

A expressão impaciente de Evelyne fez Clarice continuar.

- Raciocina comigo, Evelyne, pois você ainda deve estar lerda do remédio que tomou ontem – disse, fingindo não notar que a loira bufou – Cobie vem para passar dois dias com você, matar a saudade e tudo o mais, e quando ela chega, não tem a atenção que gostaria! Não pelo fato de hoje você estar prestes a ter uma maratona de cenas para gravar, mas sim porque sua atenção está toda voltada para outra pessoa! Se não é uma atitude para deixar alguém pistola, então eu não sei o que pode ser.

- De que lado você está, Clarice?

- De nenhum!

- Nem do meu? – A francesa ficou indignada.

- Quando o assunto é sua vida amorosa, eu nunca escolho lados definitivos.

Evelyne encostou a cabeça no banco e fechou os olhos.

- Mas a pergunta que não quer calar é: vocês terminaram?

A pergunta de Clarice pesou em Evelyne. Apesar de ter sido, lá no fundo do seu âmago, o primeiro questionamento que fez a si mesma após o telefonema de Cobie, antes mesmo de o pensamento ter ser formado em sua mente, aquela era a primeira vez que fora verbalizado concretamente.

- Eu não sei... – falou por fim – Eu acho que não, não sinto como se tivéssemos terminado...

- Aí está mais um tópico para você refletir – e abrindo a porta do carro, Clarice avisou – Chegamos vossa alteza. – Brincou.

Evelyne desceu do automóvel e ao olhar para trás, sentiu-se pequenina diante a magnitude da construção rochosa, que seria utilizada como pano de fundo para as cenas pertencentes à Camelot.

O Castelo de Stirling, de acordo com o que Evelyne havia pesquisado rapidamente algumas semanas atrás, estava situado em um monte íngreme de origem vulcânica e cercado de três lados por precipícios, o que lhe dava, estrategicamente, uma posição de dominação e forte defesa, devido ao fato de haver somente uma entrada acessível. A construção imponente fica às margens do Rio Forth, e foi por muitos anos palco de grandes eventos da história escocesas, principalmente de grandes sítios.

Ao caminhar por um dos acessos da fortaleza, a francesa pode notar um bom esquema de segurança, uma vez que observou alguns homens de terno dando informações a turistas desavisados à entrada.

- Eu ainda gostaria de saber como foi possível fechar esse castelo para nós gravarmos – comentou com Clarice, que seguia a seu lado.

- Então somos duas, pois creio que não foi fácil conseguir autorizações para filmar no segundo Castelo com maior visitação na Escócia!

Evelyne observava o local com extrema curiosidade, impressionada com sua arquitetura cinza devido às grossas rochas que compunham as altíssimas paredes, passarelas e arcos que davam passagem a locais ainda inexplorados por ela. Pelo pouco que seus olhos alcançavam, não avistou nenhuma área verde, mas sabia que existiam ao redor e em pontos bem específicos daquele local.

- Eve, os camarins são por aqui – Clarice a chamou.

A loira se virou e voltou a caminhar para onde Clarice estava. Não tinha reparado que parara de andar e dava voltas em seu próprio eixo.

- Parece uma criança. Eve!

- Como não se sentir uma criança num lugar desses! – Sorriu fascinada – Me diga que terei tempo para explorar tudo isso!

- Você terá tempo para explorar tudo isso – Clarice sorriu – Eu vim aqui ontem à noite, depois que eu acordei, fazer um pequeno reconhecimento – contou.

- Deveria ter me chamado! – E lembrou-se que depois que chegaram ao hotel, não tivera mais notícias de Clarice.

- Você estava ocupada com Cobie, eu não queria atrapalhar... – a ruiva falou, virando e caminhando por um novo corredor. – Mas agora vejo que não adiantou muita coisa, vocês se atrapalharam sozinhas. 

- Ah! Aí está a alfinetada que eu estava esperando – riu da própria desgraça - É possível se perder aqui... – a loira mudou de assunto, ainda com os olhos curiosos.

- É sim.

- Teremos acesso a tudo, certo?

- Eu creio que sim, Eve, mas Patty quem pode lhe confirmar quais serão os acessos permitidos.

- Se eu fosse Patty, ia querer filmar em todos os lugares que fossem possíveis!

Durante todo o caminho, seus olhos captavam o contraste entre o novo, o antigo, e todo o equipamento que seria utilizado para aquelas semanas de gravação. Chegou a cumprimentar pessoas que sabia que pertenciam a equipe técnica e não pode deixar de reconhecer que, na verdade, eram eles quem faziam o filme acontecer, eles quem realizavam o trabalho árduo, que era desde a elaboração do cronograma das filmagens até a montagem dos cenários, desde as instalações dos inúmeros equipamentos que seriam utilizados, até o momento das gravações propriamente ditas.

“Isso para dizer o mínimo! ” – Evelyne refletia.

Sabia que era somente um pontinho na equação que era a produção de um longa, que aquela teia era bem mais intrincada do que poderia parecer, e um deslize afetaria diversos departamentos. Não fazia ideia de há quantas semanas todas aquelas pessoas estavam trabalhando para deixar tudo perfeito, mas sentia orgulho delas, e um enorme sentimento de gratidão se espalhou por seu peito, fazendo com que a francesa respirasse fundo para não ceder às lágrimas.

- Bom dia, bom dia! Peço mil perdões pelo atraso! – Clarice falava, e quando Evelyne despertou do devaneio, viu que já haviam chegado à área dos camarins, e que havia passado por uma porta com seu nome.

- Minha culpa – a francesa tomou a palavra e cumprimentou as pessoas ali presentes.

Notou que tudo estava organizado e que estavam à sua espera.  Se adiantou para sentar na cadeira indicada por um dos maquiadores, mas antes deixando seus pertences em uma mesa lateral, que tinha, dentre muitos objetos, uma pequena caixa de som ligada, e dela saia a voz poderosa de Beyoncé com seu hit Love on Top. Conhecia a música e automaticamente pensou em quem não deveria. Ou deveria?

- Bom dia linda. – Um rapaz de cabelos raspados se aproximou, a despertando dos pensamentos – Marcelo – se apresentou, chegando perto da loira e lhe dando um abraço.

- Prazer, Marcelo. Evelyne. – Ela retribuiu o gesto com um sorriso.

- Podemos começar? – Ele abriu um sorriso galanteador.

- Claro, por favor, faça sua mágica! – E encostando-se na cadeira, ouvia o refrão que ficaria o dia todo passeando por seu cérebro.

 Baby, it's you, you're the one I love, you're the one I need, you're the only one I see, come on, baby, it's you, you're the one that gives your all, you're the one I can always call, when I need you make everything stop, finally, you put my love on top!

***

- Não te avisaram que não se pode entrar com celulares no set?

Uma voz masculina surpreendeu Tatiana, que estava enviando mensagens para seus familiares no Canadá. A garota sabia que detalhes da gravação e locações eram sigilosos, mas precisava contar aos seus pais e irmãos o quão incrível era o lugar em que estava.

- Bom dia para você também, Josh! – Tatiana disse ao rapaz, guardando seu aparelho no bolso.

Josh sorriu para a garota e lhe deu um abraço, se afastando em seguida.

- Chegou agora? – Ele perguntou. – E Jordan?

- Eu e Jordan chegamos quase agora, mas não faço ideia de ontem ele se meteu.

- Posso ousar e dizer que ele foi atrás do Dylan? – Sorriu brincalhão.

- Com toda a certeza! E eu não duvido que ele tenha feito isso mesmo – e com um suspiro, questionou – Preparado?

 - Não. E você?

- Preparadíssima – mentiu, e Josh percebeu que era brincadeira – Vou para os camarins. Vai ficar por aqui?

- Eu te acompanho. Já passou da hora de me vestir. – Ele respondeu, começando a caminhar ao lado de Tatiana.

- Você lembra o caminho?

- Lembro sim. Você não decorou?

- Posso ter problemas com direções em locais que nunca estive – ela explicou – Mas depois eu melhoro.

- Quem nunca, né? – Sorriu Josh.

Tatiana o seguiu, procurando gravar o caminho feito por eles. Mais cedo, quando chegou à locação com Jordan, foram levados até seus respectivos camarins por uma pessoa da produção, mas a garota ficou tão curiosa com o castelo que mal prestou atenção por onde andava. Sabia também que deveria ter ficado onde estava para se preparar, estudando mais um pouco do roteiro do dia que recebera anteriormente, mas seu senso de aventura falou mais alto, e saiu para explorar.

- Eu realmente preciso conhecer cada canto desse lugar – a morena comentou.

- E cantos aqui é o que não faltam! – Josh a respondeu – E como ficaremos um tempo razoável por aqui, boa parte dele esperando para gravar, pode ter certeza que você não será a única a fazer isso.

Tatiana não saberia explicar o motivo, mas imediatamente veio em sua mente imagens do que poderia ser feito em segredo naquele lugar, que era muito grande para ser vigiado a todo o momento, principalmente nos momentos em que as atenções estariam voltadas para alguma cena de importância para trama...

Sorriu internamente, mas logo sua atenção foi desviada para Jordan, que se aproximava seguido por Dylan.

- Vocês estavam juntos? – Tatiana perguntou.

- Sim - Jordan respondeu – Por quê?

Tatiana virou o rosto para Josh, que sorria e tinha uma expressão que dizia “eu disse”.

- O que vocês estão insinuando? – Dylan entrou na conversa – Oi Tat.

- Oi Dylan – ela disse de volta, segurando o leve riso – E não se preocupe com o Josh, vamos falar mesmo das suas roupas!

- Estão ótimas, não? – Jordan sorriu sugestivamente para Dylan.

- Eu sabia que vocês iam falar... – Dylan cobriu o rosto com as mãos, e era possível ver que estava ficando com vergonha.

- Estamos aqui para isso mesmo, Dylan. Eu sei que você fará a mesma coisa quando eu me vestir – Josh respondeu.

- Vai, dá uma voltinha para eu ver! – Tatiana pediu.

Dylan, que já tinha abaixado suas mãos, suspirou e deu uma volta em seu próprio eixo, deixando com que Tatiana analisasse suas vestimentas. Usando um dos trajes que pertenciam ao seu personagem Lancelote, Dylan vestia trajes considerados de festa para a época: camisa de manga longa mais ajustada próximo ao punho, na cor preta e calças da mesma tonalidade, e botas que iam até quase à altura das panturrilhas. O rapaz também usava uma peça da cor vermelha chamado tabardo, que se assemelhava a um colete, mas que chegava à altura dos joelhos e era aberto nas laterais e se dividia ao meio logo abaixo de um sinto de couro.

- Definitivamente muito galante o senhor está – zombou Josh.

- Você não vai ficar muito atrás – Dylan alertou o amigo. – E por qual motivo vocês não falam do Jordan? Ele está vestido praticamente igual a mim!

E era verdade. Jordan também já estava trajando as roupas do seu personagem, mas de cores voltadas para o cru e o marrom.

- É sempre mais divertido zombar de você, querido – Jordan falou tranquilamente e olhou para Tatiana – Jodie estava te procurando.

- Ops, alguém vai levar bronca da Jodie – Dylan a provocou.

Tatiana arregalou os olhos igual criança que fez algo de errado, e se apressou na direção em que vieram os amigos. Agora se recordava daquele espaço, e não demorou muito para encontrar o camarim que foi reservado para ela.

Ao entrar, deu de cara com Jodie, responsável pelo figurino, e esta exibia uma cara de poucos amigos. Também estavam no local mais três pessoas, e Tatiana soube que eram da equipe da maquiagem e cabelo, pelos apetrechos que estavam organizando. Mal teve tempo de observar o restante do espaço, que a voz de Jodie chamou sua atenção.

- Todos resolveram se atrasar hoje! – Ela exclamou - Você, Evelyne...

- Evelyne se atrasou? – A garota perguntou apressada demais. Torceu para ninguém ter notado.

- Sim, até ela!

Tatiana ficou surpresa, pois sabia que atrasos não eram do feitio da loira e imediatamente lhe veio à mente a imagem de Cobie deixando o hotel algumas horas mais cedo, o que a levou a pensar em Evelyne e no quanto ela deveria estar angustiada com aquela situação. “Ou extremamente puta”, ponderou com um movimento discreto de cabeça. Levou a mão ao bolso para pegar o seu celular e mandar uma mensagem para a francesa, coisa que ela deveria ter feito logo pela manhã, mas não o fez, e agora se arrependia disso, mas foi impedida pela figurinista.

- Não temos tempo para isso, querida – ela falou, pegando o celular da morena de suas mãos.

A mulher puxou Tatiana e a faz sentar em uma cadeira giratória de frente a um grande espelho com luzes a sua volta. Uma mesa com incontáveis itens de cabelo e maquiagem estavam a sua frente e quando menos esperou seu cabelo já começou a ser penteado. Tatiana notou que presas em uma lateral do espelho, estavam fotos suas, do dia em que realizou os testes de figurino, no qual ficou horas provando vestimentas e sendo fotografada com as mesmas. Jodie colocou o celular que tomou de sua mão em cima da bancada, e em menos de dois passos já estava ao lado de uma arara de roupas, conferindo o que estava ali.

Tatiana se deixou ser devidamente penteada e maquiada. O rapaz e a moça que lhe arrumavam, cujos nomes ela descobriu ser Afonso e Rita, conversavam com a morena amenidades enquanto trocavam de música a todo momento no celular, e uma dessas em especial ficou martelando em sua mente, mesmo quando outras eram cantadas pelos dois: Se tratava de uma música da cantora Pink, chamada Who Knew.

Não queria pensar na francesa, precisava se concentrar, entretanto, aquela canção se encaixou por muito tempo em sua vida anos atrás, mais especificamente quando ela e Evelyne se separaram. Quando superou, tinha prometido a si mesma que nunca mais iria associar pessoas a músicas, e deu certo até minutos atrás.

Remember when we were such fools, and so convinced and just too cool, Oh no, no no... I wish I could touch you again, I wish I could still call you friend... I'd give anything...

Quando o trabalho foi finalizado, olhou-se no espelho com atenção e a surpresa que sentiu ao ver seu reflexo foi visível: seu cabelo estava lindamente trançado e preso com singelas fitas e grampos, a maquiagem que lhe fora feita a deixava com um ar mais velho e experiente, e isso ficava evidente nas marcas de expressões que agora possuía.

- Deixe-me ver! – a voz de Jodie a fez virar a cadeira e pelos olhos aprovadores que viu, soube que tudo estava no caminho certo – Ótimo! Agora venha, hoje eu lhe ajudarei na troca.

Tatiana se levantou da cadeira e seguiu Jodie, ao mesmo tempo em que a equipe que lhe fez cabelo e maquiagem se retirou. A garota mal se despiu e logo já vestia uma faixa que lhe cobria os seios e em seguida um belo vestido em estilo medieval em uma cor voltada para o vinho, que cobria seus braços até os punhos e a barra ia até os pés. Apesar disso, o modelo lhe era cinturado e com um decote bem discreto e comportado para a época. Os sapatos que calçou eram baixos e confortáveis e um simples colar com pingente em formato de meia lua foi colocado em seu pescoço.

- Belíssima! – Jodie comentou satisfeita.

Ao se olhar no espelho, Tatiana sentiu-se linda. Claro que já havia provado a vestimenta, mas naquele instante, sentia algo diferente dentro de si, e não soube identificar exatamente do que se tratava, mas sabia que a cada dia, sensações novas lhe invadiam. Jodie percebeu que a morena ficou calada e disse gentilmente.

- Vou averiguar os outros. Mas não se atrase – e saiu.

Sozinha, a garota, que no espelho via a imagem de uma mulher mais velha, altiva e experiente, teve medo. Medo de como seria assim que colocasse os pés para fora do seu camarim, uma vez que assim que o fizesse tudo seria realmente para valer. Não que nada do que fizera nas últimas semanas tivesse sido uma brincadeira, mas daquele momento em diante não poderia haver falhas e subitamente a ansiedade lhe acometeu e a garota começou a andar de um lado para o outro pelo espaço.

Um calor subiu por seu pescoço e por mais que houvesse ar condicionado no cômodo, este não estava adiantando em nada. Sentiu que começou a suar frio e o coração bater em disparada. O vestido começou a lhe apertar e tudo o que mais queria era arrancá-lo de seu corpo. Com dificuldade, conseguiu desabotoar a parte detrás sozinha e o despiu pela metade, deixando seu corpo seminu, exceto pela faixa nos seios.

Contudo, o que Tatiana não notou enquanto tirava a vestimenta desesperadamente e procurava controlar a respiração, foi à entrada de uma pessoa em seu camarim, que a chamou pelo nome em tom de dúvida.

- Tatiana?   

Tatiana sabia a quem pertencia àquela voz e mais uma vez sentiu o rosto queimar, só que desta vez, foi de extremo embaraço. Com a face vermelha, ela se virou e encarou Evelyne.

- Há quanto tempo está aí? – Baixou os olhos após sua pergunta.

- Tempo suficiente para ver que você está tendo um pequeno ataque de pânico...

O tom de voz usado pela francesa não foi taxativo, muito menos de censura. Muito pelo contrário, ele foi mais compreensivo do que Tatiana poderia imaginar.

Evelyne se aproximou de Tatiana e delicadamente pegou suas mãos e a levou até um sofá de dois lugares que estava até então esquecido, e depois que a fez sentar, a loira abriu o pequeno frigobar que estava ali ao lado e pegou uma garrafa de água, abrindo-a e entregando a Tatiana, que segurou sem beber.

- Respira – Evelyne disse com a voz suave e sentou ao lado dela – Com calma, não precisa de pressa.

Tatiana fechou os olhos e respirou profundamente, soltando o ar em seguida. O fez pela segunda vez, e sentiu que a mão de Evelyne pousou em seu antebraço, e assim ela respirou novamente, seguindo esse ritmo por mais um tempo, até se sentir segura o suficiente para olhar para a mulher ao seu lado.

A francesa, que nada dizia e aguardava pacientemente a morena se recuperar, perguntou quando notou que respiração de Tatiana estava voltando a normalidade.

- Melhor?

Tatiana fez que sim, agora bebendo um pouco da água que estava segurando.

- Quer me contar o que desencadeou isso?

Outra vez ela baixou os olhos, não sabendo exatamente quais palavras usar, e após beber mais um gole d’água, respondeu:

- Estou com medo falhar com todos lá fora – admitiu.

- Esse é um medo compreensível, Tatiana, principalmente quando é um trabalho de estreia e dessa magnitude.

- Eu não deveria estar assim – a morena se repreendeu – Eu me preparei para esse momento! E agora, ao invés de estar lá fora, de cabeça erguida, estou aqui, hiperventilando!

Evelyne deu um leve riso.

- E você acha que eu não fiquei no mesmo modo, anos atrás?

Com esse comentário, Tatiana virou o rosto para a loira outra vez, mas perdeu a fala no meio do caminho. Agora que sua cabeça estava de volta ao lugar, reparou com mais atenção na figura de Evelyne que, assim como ela, estava caracterizada de acordo com sua personagem: seus cachos estavam presos em uma elaborada trança tripla e ali Tatiana soube, sem perguntar, que extensões foram aplicadas aos fios da francesa; o vestido era de um verde musgo com detalhes em dourado, cujo corte e tecidos eram um pouco melhores dos que Tatiana usava, e isso se devia ao fato de os trajes de Evelyne serem exclusivos de uma rainha. Ao redor do pescoço esguio da loira, um pingente de ouro em formato de cruz pendia.

- Você está linda – Tatiana conseguiu dizer após analisar cada pedaço que seus olhos conseguiram alcançar.

- Ah... Obrigada – a francesa respondeu, mas sentiu que suas bochechas coraram – Você também – retribuiu o elogio.

Tatiana deu uma risada fraca.

- Agora você exagerou!

- Porque diz isso?

- Olha o meu estado! – Tatiana colocou a garrafa de água de lado e se levantou, caminhando até o espelho, olhando atentamente sua face – Deus! E que maquiagem milagrosa é essa que não borrou?

O comentário fez Evelyne rir.

- Você ainda não viu nada – respondeu e levantou-se do sofá, se aproximando e parando ao lado da morena – Deixa eu te ajudar...

Evelyne pegou o pedaço do vestido de Tatiana que estava despido e o ergueu para a garota passar os braços pelas mangas deste, e após fazê-lo, colocou-se atrás dela, para abotoá-lo e enquanto realizava a simples tarefa, seus olhos pousaram na cicatriz que a morena exibia na lateral do corpo, resultado do transplante de anos atrás. Um aperto passou-lhe pelo peito e sem raciocinar muito claramente, a loira rouçou seus dedos na pequena marca, causando um breve sobressalto em Tatiana.

Rapidamente, a francesa afastou a mão e voltou a fechar o vestido da morena.

- Eu estava tão nervosa na primeira cena que gravei na vida, que tive que repeti-la umas sete vezes – Evelyne contou após fechar o último botão. – Fora a ansiedade antes.

- Se você está tentando fazer com que eu me sinta melhor, não está funcionando – Tatiana respirou fundo em seguida, ainda com a pele arrepiada com o toque que recebera.

Evelyne sorriu e nada disse. Contornou a morena e delicadamente ajeitou alguns fios do seu cabelo que saíram do lugar. Tatiana observava os movimentos da loira com atenção, subitamente cheia de perguntas.

- Dificilmente conseguimos tranquilidade no primeiro dia – Evelyne falou – E você tem todo o direito de ficar nervosa e cometer falhas. Não somos robôs.

- Robôs também têm falhas.

- Viu?! Quem dirá nós! – Evelyne passou suas mãos nos ombros da morena, ajeitando o caimento do tecido e quando ficou satisfeita, falou – Eu disse que você estava bonita.

- Obrigada - Tatiana revirou um pouco os olhos com o elogio.

- Não precisa agradecer. – Ela sorriu levemente.

- Como me achou? – Tatiana perguntou de uma vez.

- Me disseram que você estava aqui...

- Estava me procurando?

- Na verdade sim – Evelyne revelou, baixando ligeiramente o rosto.

- Por quê? – Tatiana não esperava por essa resposta. Não depois da noite anterior.

- Queria me desculpar por ontem... Pelas coisas que a Cobie lhe disse – respondeu com a voz um tanto quanto cabisbaixa.

- Você não tem que se desculpar, muito menos por ela. – a voz da morena foi dura.

- Mas eu sinto que tenho, ainda mais que ela foi embora...

- Eu a vi saindo hoje pela manhã – Tatiana respondeu em cima da fala da outra.

- Você viu? – A francesa arregalou os olhos.

- Vi. Eu e Jordan. Ela não estava com cara de muitos amigos, e pela sua reação...

- Ela saiu sem se despedir de mim – a loira contou.

- Sério? – Tatiana ficou impressionada com a informação – E qual foi o motivo de você ter se atrasado?

- Todo mundo sabe que eu me atrasei?

- Pelo visto sim!

Evelyne bufou e se afastou, e dessa vez foi ela quem começou a andar de um lado para o outro.

- Eu perdi a hora. Tomei um remédio para dormir ontem à noite e apaguei – confidenciou para Tatiana. – Quando eu acordei, ela não estava mais no quarto.

Tatiana não soube o que responder, contudo, colocou-se no lugar de Evelyne, e não ia gostar nadinha se a situação fosse com ela.

- Quando você a viu de manhã, ela disse algo? – Evelyne questionou a outra, ainda tentando entender a atitude de Cobie.

- Não... Mas ela me encarou de um jeito que, de acordo com Jordan, foi como se estivesse me desafiando.

A francesa balançou a cabeça negativamente, de olhos fechados.

- Oh mon Dieu...

- Eu sei que vocês brigaram por minha causa – afirmou Tatiana.

- Não foi sua culpa.

- Eu sei que não foi. A ciumenta foi você, nem sabe disfarçar... – e com um sorriso de lado, provocou – Imagina se eu a tivesse beijado Ksenia na sua frente...

- Como é? – Evelyne, que estava de costas, virou-se num átimo para Tatiana. – Você a beijou?

- Beijei!

- COMO ASSIM? – E quando Evelyne notou, já estava de frente para Tatiana, olhando-a de perto e sentia o que o próprio maxilar estava trincado. – Me explica isso direito... Agora!

Por sua vez, Tatiana achou os modos da francesa divertidíssimos.

- Evelyne, sabe a bola? Baixa ela um pouco, baixa...

Os olhos de Evelyne se fecharam e ela respirou fundo para buscar a calma que estava perdida em algum lugar dentro dela. Escutou Tatiana dar um leve riso, de quem estava gostando de controlar a situação.

- Antes de você e Ksenia entrarem no elevador, ela me disse que você tinha bebido... Foi ela quem te beijou? – A loira conseguiu perguntar.

- Não, Evelyne. Foi eu quem a beijou. E ela bem retribuiu...

A morena crispou os lábios para não rir quando Eve se afastou dela e apertou as mãos. Sabia que a loira passaria as mãos pelos cachos, mas se o fizesse, estragaria todo o penteado da personagem, e isso não ia deixar os cabeleireiros da equipe felizes. 

- Inclusive – Tatiana fez questão de continuar – Eu estava bem sóbria quando a beijei. E eu até tentei ir para a cama com ela, mas...

- Eu não acredito nisso! – A loira disse alto, interrompendo a outra.

- MAS Ksenia é uma mulher correta – continuou como se não tivesse sido interrompida – E por isso não fizemos nada. Ela sabe sobre nós e pulou fora.

- E o que você quer que eu faça com essa informação, Tatiana? – A loira foi grossa – Vá até Ksenia e a agradeça?

- Você fica hilária com ciúmes, sabia disso? – outra vez Tatiana atentou contra a sanidade da francesa.

- E você anda muito engraçadinha. Comeu palhacitos?  – Evelyne tentou argumentar, procurando se manter séria.

Tatiana deu risadas, sendo acompanhada em seguida.

- Foi só um beijo, Evelyne. E agora eu fico feliz que tenha sido somente isso. Ao contrário de VOCÊ, não aconteceu nada demais. – A morena enfatizou a palavra você, dando de ombros após falar.

- O que você quer dizer com isso?

- Tirando o fato da briga entre vocês, acha que me senti bem ao saber que você e Cobie ficaram transando a tarde toda?

Evelyne deu um sorriso fraco, balançando a cabeça e umedecendo seus lábios com a língua.

- Eu e Cobie... Nós não fizemos nada, Tatiana. – Respondeu.

- Como se eu fosse acreditar em você, francesa.

Ambas se olharam, e pelo que Tatiana pode ver nos olhos de Evelyne, soube imediatamente que a loira dizia a verdade. Não queria ter sentido o que sentiu, mas seu íntimo explodiu de felicidade, ao mesmo tempo em que se sentiu culpada, pois o motivo de ter tentado ir além com Ksenia foi o fato de ela querer esquecer o que achou que deduziu. Resolveu não contar isso para Evelyne, pelo menos naquele instante.

- Não me admira que ela tenha ficado puta. Além de você não saber esconder o ciúme que sente de mim, você brochou. – Tatiana riu do próprio sarcasmo.

- Isso não é engraçado, Tatiana – a outra fechou a cara.

- É sim, Eve... E se isso aconteceu é porque você está se apaixonando por mim novamente.

- Talvez eu nunca tenha deixado de ser apaixonada por você.

Tatiana paralisou após a fala de Evelyne e a garota sentiu-se a mesma garota de dez anos atrás, que acabara de levar uma cantada inesperada que a fez fugir tamanha a surpresa e como da outra vez, não esperava por tal resposta, mesmo tendo escancarado seus sentimentos para a francesa mais de uma vez desde que se reencontraram.

E como se estivesse lendo seus pensamentos, Evelyne disse com um sorriso um tanto tímido:

- Não tem para onde você fugir agora.

Voltando à realidade, a morena respondeu com a voz um tanto baixa, entretanto, querendo demonstrar firmeza:  

- Eu não irei mais fugir...

- Que bom. – A voz da loira foi de satisfação.

- Vocês... – Tatiana não queria perguntar aquilo, contudo, não iria conseguir segurar a pergunta por muito mais tempo – terminaram?

- Não. Ainda não...

- Ainda? Então você irá, certo? – Tatiana insistiu, dessa vez ela se aproximando da loira – Você acabou de me dizer que nunca deixou de ser apaixonada por mim!

Evelyne balançava a cabeça e recomeçou a andar de um lado para o outro.

- Eu não posso terminar com ela assim...

- Assim como, Evelyne? – A impaciência se fazia presente na voz de Tatiana, que estava a poucos centímetros da outra.

- Por telefone!

Tatiana estagnou por milésimos de segundo antes de anuir com a cabeça, procurando entender o lado de Evelyne.

- Eu não ficaria bem comigo mesma de terminar um relacionamento de três anos por telefone, Tatiana. Isso é algo que tem que ser feito pessoalmente...

Evelyne tentou buscar uma das mãos de Tatiana, mas a garota cruzou os braços, aguardando a francesa continuar.

- Eu terei que esperar até a minha folga...

- Que é daqui cerca de um mês – Tatiana respondeu por ela.

- Exatamente. Para eu fazer tudo como deve ser feito e não existir mais impedimentos, muito menos culpa de fazer algo que possa ser considerado errado.

Evelyne olhava Tatiana com expectativa, observando esta suspirar e tombar a cabeça para trás e encarar o teto. A francesa sentia o coração batendo depressa, e sabia que suas mãos suavam. Estava, definitivamente, decidindo os rumos da sua vida.

E o que estava deixando a francesa mais impressionada eram os meios como tudo se desenrolava: poucas horas antes estava acordando sozinha e completamente atordoada, após uma noite no qual colocara-se em uma encruzilhada e agora, mal saberia dizer como chegara até ali, no caminho que ela sempre soube que era o certo.

Ao voltar a olhar para Evelyne, Tatiana sabia exatamente o que fazer e o faria de propósito. Sabia que iria se arrepender, mas se ela teria que ficar no aguardo por mais um tempo, Evelyne também o faria.

- Ok – ela disse, dando passos lentos e ficando de frente para Evelyne. Levantou o rosto para fitar a mulher, que a olhava de volta com um brilho diferente nos olhos cor de âmbar.

- Ok? – A francesa sorriu em dúvida.

- Eu aguardo você se resolver com a Cobie – esclareceu Tatiana.

- Você... Você está falando sério, Tatiana? – Era claro que Evelyne custava a acreditar no que ouvia.

- Por qual motivo eu iria mentir nessa altura do campeonato?

A francesa abriu um sorriso enorme e sem pedir permissão, passou seus braços ao redor de Tatiana e puxou a mulher para si, acabando com qualquer distancia que poderia ainda existir entre elas.

Seus rostos se aproximaram, e Tatiana pode sentir o cheiro característico da mulher que lhe abraçava, o cheiro que ela nunca esqueceu. Evelyne, por sua vez, colocou uma das mãos no rosto da morena, quase como num ato de querer ter a certeza de que aquele momento estava realmente acontecendo, e não se tratava de nenhuma peça pregada por sua mente, que fantasiava cenas todas as noites após o fatídico beijo.

E por falar em beijo, Evelyne esboçava um levíssimo sorriso quando chegou próxima a boca de Tatiana, que afastou seus lábios antes da francesa os tocá-los.

- O que houve? – A loira perguntou, sem se afastar.

- Tem um porém....

- Eu sabia que estava tudo bom demais para ser verdade... – os braços de Evelyne soltaram Tatiana e seus ombros caíram desanimados.

- Eu aguardarei você se resolver com Cobie, mas até lá sem intimidades entre nós duas.

- Okay...? – Foi a vez de Evelyne cruzar os braços.

- Sem beijos, sem abraços, sem gracinhas. – A morena também cruzou os próprios braços, desafiadora. – Até você estar totalmente livre. Assim como eu.

- Combinado. – Evelyne respondeu com a voz mais tranquila do que esperava de si mesma – Mas eu tenho uma pergunta.

- Pode fazer.

Eve se aproximou novamente de Tatiana, mas ao invés de tocar seus lábios nos dela, seguiu caminho pelo maxilar da morena, roçando em sua pele. Tatiana se arrepiou no mesmo instante e a francesa ficou satisfeita, afinal, sentiu a tensão da mulher emanar de seu corpo e chegando ao pé do ouvido de Tatiana, sussurrou:

- Você vai conseguir manter essa proposta?

Tatiana engoliu em seco, sabendo que a partir de agora, tudo que fizessem seria simplesmente para provocar uma a outra e ver qual delas cederia primeiro. Ou não.

Tatiana mordeu seu lábio ao tempo em que Evelyne voltou a encara-la. Sorriu para a loira e se afastou, caminhando lentamente até a porta do camarim e a abrindo, mas antes de sair, virou seu rosto para a loira. Ambas se encararam de cima abaixo e antes de sair, a morena respondeu à pergunta que lhe fora feita:

- Observe e verá.

 Não haviam mais portas para sempre ultrapassadas.

 


Notas Finais




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