História Pluméria - Capítulo 6


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Categorias Histórias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Assassinato, Drama, Incesto, Romance, Tragedia
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Palavras 971
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Drama (Tragédia), Famí­lia, Festa, Ficção, Ficção Adolescente, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Suspense, Terror e Horror, Violência
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Drogas, Estupro, Heterossexualidade, Homossexualidade, Incesto, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 6 - Desculpas


Ao acordar pela manhã, Hanna estava determinada a conversar com Jack, ela precisava falar o que ficara entalado em sua garganta por 4 anos.

Os braços estavam roxos e o rosto ainda com a marca de 5 dedos. Hanna tinha medo, mas precisava ter aquela conversa, ou iria implodir.

Sorrateiramente, tomando cuidado para não ser vista pelos pais, Hanna foi até o quarto do irmão. Entrou sem bater, ele já estava acordado. Em pé, de costas para Hanna, com nada mais do que uma toalha na cintura, o soldado sussurrou com a voz rouca para a garota:

- É feio entrar no quarto alheio sem bater.

- Olha quem fala - Hanna desdenhou do irmão.

- O que veio fazer aqui, Hanna? - ele perguntou ainda de costas, os músculos tensionadas como se a garota lhe causasse dor física.

- Sabe o que todas as crianças adotadas têm em comum? - Hanna perguntou ao irmão, ela sabia exatamente como dizer o que queria dizer, mas isso não o tornava fácil.

- Onde quer chegar, Hanna? - Jack se virou para a garota.

- Elas vêm de lares instáveis. - continuou, ignorando a pergunta do irmão. - Grande parte desses lares são abusivos. Então todas as crianças adotadas têm um passado, em grande parte das vezes um passado negro.

- Hanna - ele hesitou -, qual é o ponto?

- Eu tenho um passado negro, Jack. - Hanna sussurrou se aproximando do soldado. - Há coisas sobre o meu passado que nunca disse a ninguém, coisas que me marcaram de formas que você nem pode imaginar.

- Hanna - ele engoliu em seco, buscava desesperadamente as palavras certas para dizer, mas sua mente estava em branco, ele não conseguia pensar em nada.

- Quando eu cheguei aqui, já tinha passado por 6 lares adotivos, esse foi o meu sétimo. Alguns desses lares foram verdadeiramente horríveis. Mas esse não é o ponto.

- E qual é? - Jack perguntou pela terceira vez na manhã.

- O ponto, é que eu estava quebrada, ainda estou, mas eu estava ainda mais frágil naquela época, me agarrava desesperadamente a qualquer migalha de amor que qualquer um ousasse me oferecer - ela continuou andando na direção dele, enquanto chorava. - E você me ofereceu isso, foi gentil comigo, então, quando me beijou e quis dormir comigo, eu permiti. Mas foi um erro, do começo ao fim, um terrível engano. Eu não queria transar, nem com você ou com qualquer outro. Enquanto você me tocava, eu só conseguia pensar nele, e o nojo que sentia de mim mesma era tão intenso…

- Pare - Jack implorou.

- Eu era uma garota, Jack. - Hanna se controlou ao máximo para não falar alto. - Uma garota desesperada por amor, você me destruiu, quando foi embora, você me destruiu.

- Pare - dessa vez era uma ordem.

- Eu pensei que não poderia ficar mais morta do que já me sentia - Hanna o ignorou, estava a 15 centímetros do soldado, olhava em seus olhos enquanto dizia tudo o que estava preso dentro de si. Ele a encarava, como se cada palavra fosse uma chibatada, e cada uma doesse mais do que a anterior. - mas eu estava enganada. Ele me tirou muita coisa, mas você tirou tudo o que me restava, partiu meu coração. E isso dói tanto que eu não consigo respirar, você me transformou em uma vadia manipuladora que machuca todos a sua volta.

- Quem é ele, Hanna? - foi tudo o que Jack se limitou a dizer.

- Você não quer saber.

- Quem é ele? - o soldado repetiu.

- Todos pensam que meu pai matou a minha mãe, mas minha mãe morreu em um acidente de carro.

- Hanna…

- Ele - sussurrou -, é o meu pai biológico.

Hanna se virou e deu as costas ao irmão. Ela não esperava falar sobre aquilo, nunca havia falado sobre aquilo com ninguém. Apenas 4 pessoas em todo o mundo sabiam o que havia acontecido, e ela não queria que mais ninguém soubesse. Então por que havia dito à ele? Ela não sabia, não entendia a si mesma.

- Hanna - Jack a chamou -, espere.

Hanna parou, ainda de costas, à porta. Ela esperou o irmão dizer, queria que ele dissesse algo, mas ao mesmo tempo não queria que ele falasse nada.

- Estou esperando - ela disse.

- Eu me apaixonei por você - O coração de Hanna parou de bater e acelerou ao mesmo tempo com aquela simples frase, era tudo o que ela queria ter ouvido 3 anos antes. - Quando você chegou aqui, eu me apaixonei por você, mas você era só uma garota, e eu não confiava em mim mesmo perto de você. Eu sei que já disse isso, mas acho que deveria dizer novamente. Acontece - ele olhou para o teto - que eu não sou mais o mesmo homem, aquele homem que te amou, ele não existe mais, a guerra muda as pessoas. Eu sinto muito, Hanna, sinto muito pelo que fiz há três anos e sinto muito pelo que fiz ontem. O que eu fiz foi horrível, me aproveitei de você, duas vezes. Eu sinto muito.

Hanna se virou para o irmão.

- Todos sentimos muito. Fazemos coisas horríveis para pessoas boas, e depois pedimos desculpas. Mas desculpas não mudam nada, não apagam o que você fez. - Hanna mordeu o lábio tentando conter um soluço e continuou: - Por isso não vou te perdoar, eu não sou santa Jack, mas cansei de me culpar por tudo. Pelo menos isso tem que ser culpa de outra pessoa.

Naquela manhã Hanna chorou tudo o que não havia chorado em anos, chorou até ter que se maquiar e ir para a escola. A garota chorou pela mãe, chorou pela família adotiva, chorou por Jessie e por si mesma, mas acima de tudo chorou pela criança que um dia fora, pela criança que 1 pessoa havia sido capaz de destruir.



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