História Pluméria - Capítulo 7


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Categorias Histórias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Assassinato, Drama, Incesto, Romance, Tragedia
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Palavras 1.039
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Drama (Tragédia), Famí­lia, Festa, Ficção, Ficção Adolescente, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Suspense, Terror e Horror, Violência
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Drogas, Estupro, Heterossexualidade, Homossexualidade, Incesto, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 7 - Delegacia


Naquele dia Hanna não foi à escola, ela mandou uma mensagem para Lizzie dizendo que estava doente e pegou um ônibus para o Distrito Policial.

O Distrito Policial ficava há 30 minutos do centro da cidade, e há 50 minutos da casa de Hanna.

Durante a viagem ela teve muito tempo para pensar sobre o que estava fazendo, depois da conversa com Jack ela soube que precisava fechar esse capítulo da sua vida. Era uma história mal resolvida, sobre a qual ninguém nunca havia falado com ela. Se ela fosse algum dia seguir em frente com a sua vida, aquele era o primeiro passo.

Ela desceu às 8h50 na porta do 15° Distrito Policial. Ela não se sentia bem, o coração estava acelerado e a respiração descompassada. Ela empurrou a porta de vidro do prédio de 3 andares e se deparou com uma recepção acolhedora.

Hanna caminhou até a mesa da recepção, onde uma mulher na casa dos 50 digitava furiosamente em um computador de última geração.

- O que deseja, querida? - ela perguntou, a voz doce como a de uma avó, ao notar que a garota parada como se esperasse algo.

- Eu queria informações sobre um prisioneiro. - ela disse.

- Garota. Não temos informações sobre prisioneiros. E mesmo se tivesse não poderia dizê-las a você.

- Por favor - Hanna implorou - Preciso falar com ele.

- Garota - ela suspirou - Volte para casa, para os seus pais.

- Senhora, o homem com quem quero falar, ele é meu pai biológico - pai, a palavra soava estranha na sua voz.

A mulher abriu e fechou a boca várias vezes.

- Tudo bem - por fim disse - Qual é o nome do detento? Vou ver o que consigo.

- William Maison.

Ela digitou durante alguns segundos no computador, respirou fundo e se virou para a garota.

- O detento William Maison foi condenado há 17 anos de prisão por pedofilia e estupro de vulnerável.

- Eu sei.

- Há 10 anos.

Ela havia juntado os pontos, Hanna sabia, era sempre o mesmo olhar. O olhar de pena. Sua mãe tinha olhado para ela daquela maneira quando a encontrou naquele dia, e todos os dias depois daquele. Tinham olhado para ela daquela forma quando sua mãe morreu. E olhado para ela daquela forma todos os anos seguintes, enquanto ela pulava de lar em lar adotivo. Nunca mudava, a inclinação da cabeça e até mesmo o silêncio incômodo eram os mesmos.

- Eu sei - repetiu.

- Deveria ir para casa, para a sua mãe, irmão ou seja lá quem te espera.

- Eu preciso falar com ele.

- Não pode, é menor de idade. Não pode visitar um estuprador de vulnerável sem a companhia de seu responsável legal.

- Então - Hanna piscou - Eu não posso vê-lo sem a companhia de meus pais adotivos?

- Sim.

- Obrigada - Hanna respondeu mecanicamente.

Ela se virou para sair da delegacia, o coração batendo forte e os ouvidos zunindo. Ela precisava falar com ele, precisava vê-lo, precisava perguntar porquê.

Lágrimas escorriam de seu rosto e soluços escapavam de sua garganta. Que cena lamentável não deveria ser. Uma garota chorando como se o mundo fosse acabar na recepção de uma delegacia.

Ela empurrou a porta de vidro para sair no mesmo instante que alguém ia entrar. Eles colidiram um com outro e Hanna caiu sentada, a bolsa se abrindo e espalhando livros e frascos de maquiagem no chão da delegacia.

- Desculpe - uma voz grave masculina disse.

Hanna nem sequer olhou para o homem, pegou um lenço da caixa que tinha caído, enxugou as lágrimas e começou a juntar item por item.

- Não precisa - disse quando o homem se ajoelhou para ajudá-la.

A verdade é que Hanna não se importava realmente. Não ligava se o pó ou o batom tivesse quebrado. E naquele momento nem mesmo se importava realmente com o livro favorito caído no chão.

A mente da garota - como sempre - estava a mil, e ela tinha problemas maiores do que maquiagem quebrada ou um livro amassado. Todas aquelas coisas podiam ser substituídas, mas seu coração não, sua felicidade muito menos.

Hanna colocou o último batom na bolsa. O homem se levantou e estendeu a mão para ajudá-la a levantar, a garota segurou na mão forte do homem e finalmente o encarou.

Pela terceira vez no dia, ela quis chorar.

- Deus do céu! - disse.

Alguns fios brancos agora se misturavam aos loiros, mas de resto, ele era exatamente igual ao que ela se lembrava.

Ela se levantou com a ajuda dele, atônita.

- Você está bem? - perguntou com as sobrancelhas franzidas.

É claro que ela não estava, mas por que ele saberia? Fazia tanto tempo, ele só tinha a visto uma vez, e ela era uma criança. Ele não tinha porquê se lembrar, mas ela se lembrava, se lembrava exatamente como ele se parecia com um arcanjo. A personificação perfeita de Miguel, exatamente como a bíblia o retratava.

- É claro que você não se lembra - ela balançou a cabeça.

- Desculpe? - ele disse ainda com as sobrancelhas franzidas.

- Meu nome é Hanna Margarizzi, mas há 10 anos era Hanna Maison.

Por um segundo ele continuou com o cenho franzido, mas então sua expressão passou de reconhecimento à surpresa num instante.

- Hanna… O que faz aqui?

- Vim tentar descobrir em que penitenciária ele está. - ela deu de ombros como se não fosse nada.

- E conseguiu? - ele perguntou.

- Não. Sou menor de idade não posso visitar um preso como ele sem meus responsáveis legais.

- Sua mãe sabe que está aqui?

Hanna olhou para baixo e ficou em silêncio por alguns instantes.

- Minha mãe morreu - ela disse -, 11 meses depois dele ser preso.

- Sinto muito - ele disse - Com quem está morando?

- Bem, fiquei seis anos no sistema, pulando de lar em lar adotivo. Daí fui adotada por um casal legal que tinha um filho.

- Fico feliz por você.

Hanna passou a mão pelo cabelo loiro, tão incomodada quanto Daniel com aquela conversa. A verdade é que ele havia visto o lado mais frágil de Hanna, mas não a conhecia, e ela não o conhecia, eram estranhos.

- Eu tenho que ir - ela disse após um longo silêncio.

Hanna saiu da delegacia sem esperar que ele dissesse algo e caminhou de volta para casa. Era uma longa caminhada, que levou toda a manhã.



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