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História Plushy - Capítulo 1


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Notas do Autor


essa fanfic...

Capítulo 1 - Cama king size


 

Aquela era uma linda festa de formatura. Jaebum perdeu um bom tempo só olhando para os arranjos de flores em cima das mesas, para as cortinas limpas penduradas e para os lustres. A decoração estava maravilhosa e deslumbrante. Os convidados estavam muito animados e contagiantes. E estava sendo inigualável sentir aquela energia boa pairar no ar. Só havia uma coisa estranha acontecendo simultaneamente e Jaebum tentou ignorá-la desde o início da festança, quando optou por sentar-se junto ao namorado à mesa mais ao fundo e longe do palco onde estava a banda tocando. Pelo canto do olho, ele observou Jackson se remexer mais uma vez, como se houvesse alguma coisa pinicando suas coxas.

Jaebum quis ter perguntado antes a respeito, quando ainda estavam no carro, mas deduziu que se tratasse de ansiedade por causa do enorme sorriso que estampava o rosto de Jackson. Era normal quando ele se agitava e ria sozinho antes de participar de uma festa, mal aguentando a própria vontade de aproveitar as coisas boas prestes a acontecer. Contudo, o sorriso dele tinha se desvanecido em algum momento durante a caminhada da entrada até ali e, depois de vê-lo balançar a perna tantas vezes e não ter visto nenhuma providência — como se levantar e sair para dançar —, Jaebum se tornou preocupado. Jackson não era assim. Alguma coisa estava muito errada.

Sutilmente rodeou o braço no espaldar da cadeira que Jackson se sentava e sem desgrudar os olhos da festa, aproximou a boca da orelha do outro a fim de sussurrar:

— Está tudo bem com você?

A resposta de Jackson não era nada do que estava esperando: um longo e sofrido gemido, daqueles que arranhavam a garganta e que Jaebum só tinha escutado em momentos muito particulares.

Jaebum soltou o ar cuidadosamente pela boca e sentiu os ombros enrijecerem. Despretensiosamente desviou os olhos para baixo e enxergou atônito o volume presente entre as pernas do namorado. Por sorte havia a maldita mesa à frente deles ou qualquer um que tivesse dado atenção a eles teria percebido.

Puta que pariu — Jaebum praguejou baixinho, os olhos ligeiramente arregalados devido a surpresa.

Jackson, que tinha as unhas engalfinhando os cotovelos, inclinou-se para trás e depositou a cabeça no ombro do namorado, os olhos se fechando logo em seguida como se não mais os suportasse abertos. Jaebum pôde sentir a respiração descompassada dele em seu pescoço e também a superfície felpuda da gola do casaco que ele vestia. O que o fez lembrar...

— Você não está com calor? — Jaebum perguntou novamente e tentou a todo custo não transparecer o quanto estava se sentindo numa saia justa ao ter o namorado completamente excitado ao seu lado.

Muito — Jackson gemeu e puxou Jaebum para um beijo que o outro retribuiu sem qualquer reclamação. — Eu preciso ir ao banheiro — murmurou sobre os lábios úmidos de Jaebum, unindo toda a força que tinha para não arrastar as mãos nas calças a fim de se aliviar.

— Percebi — o outro retrucou ironicamente enquanto olhava para o caminho enorme que teriam de fazer até alcançarem o banheiro. — O que diabos deu em você?

— Não sei — ele disse sinceramente e mordeu o lábio para conter um suspiro.

— Que merda... — Jaebum se levantou e puxou o namorado junto, escondendo-o ao seu lado, deixando-o entre ele e a parede.

Quando eles conseguiram chegar à metade do caminho, Jaebum pensou em como seria constrangedor demais usar o banheiro logo no início de uma festa de formatura, quando todo mundo ainda estava sóbrio demais e poderia reconhecê-los e sair comentando no dia seguinte. Ao olhar para a paisagem através da janela, teve a ideia de usar os sanitários do salão desocupado que se situava no pavilhão adjacente. Ele então os guiou de volta à entrada, obrigando-os a atravessar o frio congelante daquela noite de inverno até seus passos começarem a ecoar no piso encerado do salão que não tinha sido alugado pela impossibilidade de manter os convidados aquecidos.

Ao alcançarem o banheiro, Jaebum ligou as luzes, girou a chave e os trancou — não que houvesse possibilidade de alguém aparecer, mas nunca era demais se prevenir. Jackson escolheu ele mesmo uma baia para entrar e de lá puxou Jaebum, atacando seus lábios assim que conseguiu colocar as mãos nele mais uma vez. Quando Jaebum ameaçou tirar suas roupas, ele o parou subitamente.

— Deixe — pediu suavemente, as pupilas dilatadas de desejo.

— Estes ternos são alugados, você está maluco? — Jaebum cochichou apressadamente.

— Nem vamos sujá-los, só vamos dar uma amassadinha de nada — contrapôs ao projetar o lábio inferior. — Eu sei que você vai ser cuidadoso por nós dois — insistiu ao selar carinhosamente a extensão visível do pescoço de seu namorado.

— Você me coloca em cada situação... — disse e prensou-o contra a parede. — Posso saber, pelo menos, o que te deixou tão excitado em tão pouco tempo?

Você nesse smoking ridículo e alugado — grunhiu impaciente ao embrenhar os dedos no colarinho dele com força desnecessária. Ele empurrou a ereção contra a coxa de Jaebum que tinha se metido entre suas pernas e deslizou contra a parede atrás de si, seu peito subindo e descendo com violência conforme buscava o próprio prazer. — Não aja como se não quisesse me pagar um boquete agora mesmo.

Jaebum riu despreocupadamente e segurou os pulsos de seu namorado no lugar. O beijou com calma, arrancando os suspiros que faziam suas costas arrepiarem. Ele amava escutar Jackson murmurar ininteligivelmente enquanto não fazia nada além de espremer-se junto a ele, incitando-o com movimentos provocativos. Ao finalmente abandonar os lábios vermelhos e convidativos, desceu os beijos para o queixo, sujando o caminho com saliva.

Sentiu os dedos de Jackson enfiarem-se nos cabelos de sua nuca quando desceu para sugar o pomo de adão e sorriu ao sentir sob a palma de sua mão o contorno do corpo vestido. Enquanto se demorava nas clavículas, desafivelou o cinto do namorado e afrouxou as calças o suficiente para descê-las um pouco.

Sem mais pretexto para ficar em pé, Jaebum chocou os joelhos contra o piso limpo e frio do banheiro, sua cabeça ficando próxima daquele volume obsceno saltando da roupa íntima vermelha tão chamativa quanto o próprio Jackson naquele quase silencioso desespero. Ao terminar de puxar a única peça que o separava de seu objetivo, Jaebum relanceou para cima e viu algo incomum: Jackson apoiar a cabeça na parede, inclinando-a contra o ombro e enfiando o nariz e a boca aberta na gola peluda do casaco. Ele parecia tão inebriado com seus olhos fechados e respiração pesada que Jaebum decidiu não reivindicar sua atenção, ocupando-se em fechar os lábios em torno da glande inchada, provando o líquido que ela vertia. Firmou uma das mãos na base do pênis ereto e circulou a língua pela ponta até engoli-lo, escutando o gemido de Jackson reverberar pelo banheiro vazio.

Jaebum encheu suas bochechas e sugou, subindo e descendo no ritmo que sabia que deixava Jackson maluco. Vez e outra abandonava o falo para conseguir respirar adequadamente e distribuía beijos pela extensão inchada, viajando as mãos livres pelas virilhas e coxas descobertas. Ao sentir os quadris de Jackson empurrarem impacientemente o membro em sua direção, compreendeu seu desejo e voltou a engoli-lo, aumentando a velocidade até arrancar dele o almejado alívio.

 

 

Pela manhã, Jaebum abriu os olhos e virou-se na cama, sua mão rapidamente tateando o imenso espaço vago ao seu lado. Ao constatar o óbvio, espreguiçou-se e bocejou, sua mente funcionando de maneira muito lenta para conseguir se irritar com o fato de que Jackson parecia ter adquirido uma alergia àquela cama.

Sem mais paciência para permanecer deitado, Jaebum se levantou e fez sua rotina no banheiro antes de seguir para a cozinha onde sabia que iria encontrar o namorado murmurando e dançando ao som de uma música favorita.

— Dormiu bem? — Jackson perguntou alegremente ao alcançar a pele exposta do braço de Jaebum com os lábios.

— Acho que sim — resmungou ao servir-se com café. Pensou em responder que aquela manhã teria sido melhor se Jackson tivesse ficado no maldito lugar dele na cama, no entanto, ele não estava com energia alguma para balbuciar qualquer sentença mais longa que três palavras. Ainda não. Talvez depois das dez.

— Nós ainda iremos à loja de departamentos comprar algumas coisas? — quis saber, completamente alheio ao mal humor de Jaebum por estar tão habituado a ele.

— Mais tarde... — murmurou e seguiu para a mesa a fim de morder alguns pedaços de pão. — Precisamos devolver os smokings também... Você sabe lavá-los?

— Não, mas podemos pesquisar na internet — disse e fez o caminho até Jaebum, sentando-se na perna dele e enlaçando seus braços no pescoço. Seu sorriso ia de orelha a orelha, como se tivesse acontecido algo fantástico com ele e ele estivesse louco para compartilhar. E é claro que o motivo de sua empolgação era por conseguirem ir às compras mais uma vez para poderem encher aquela casa com mais coisas deles. Na semana passada tinha sido o sofá, o divã, a cama e a televisão de quarenta e seis polegadas. Ele não via a hora de comprar outros itens, como jogos de cama, utensílios para cozinha e aqueles objetos de decoração que são completamente inúteis, mas que são adoráveis de se ter em cada cantinho de casa.

— Não vamos comprar nada que seja desnecessário — Jaebum alegou. — Vamos comprar só o que precisamos.

— Podemos comprar aqueles potes coloridos para fazer picolé de suco?

Jaebum, que tinha a mão presa à cintura de Jackson a fim de segurá-lo no lugar, riu soprado e balançou a cabeça, dizendo nem que sim nem que não.

 

 

Na loja de departamentos, Jaebum escolhia entre alguns rolos de papel de parede, pensando qual deles seria interessante colar na parede atrás da nova televisão. Ou, talvez, na parede atrás da cabeceira da cama. Também pensou na possibilidade de combinar a estampa com a cor das cortinas, pois odiava ter que olhar para catálogos com aqueles ambientes perfeitamente decorados e se deparar com a realidade de que era incapaz de fazer sua casa parecer com uma daquelas fotografias.

— Podíamos levar uns tapetes também, não acha? — Jackson disse, despertando Jaebum de seus devaneios. — Um na sala seria ótimo.

Jaebum concordou e virou-se para a seção com os tapetes, medindo-os mentalmente e tentando imaginar como ficariam estendidos no chão de sua casa. Gostou dos que tinham tonalidades escuras e com desenhos simples, mas aparentemente seu namorado tinha se interessado por um daqueles felpudos da linha de luxo e que ocupavam quase um cômodo inteiro de tão enormes. Ele passava a mão pela superfície macia, hipnotizado pela textura que corria sob a palma.

— Gostou desse aí? — Jaebum se aproximou e Jackson recolheu a mão num reflexo, como se tivesse levado choque. Jaebum o olhou intrigado. — O que houve?

— Nada — respondeu num riso. — Você só me pegou de surpresa.

Jaebum uniu as sobrancelhas e espiou ao redor para se certificar de que estavam sozinhos naquela seção. Exceto por uma senhora e sua filha do outro lado olhando as almofadas, apenas eles estavam ali.

— Você gostou desse? — tornou a perguntar, fingindo que não tinha presenciado aquele comportamento.

— Gostei, mas ele está muito caro. Não é boa ideia gastar tanto num tapete — ele respondeu com os olhos baixos. — Poderíamos escolher um mais simples. Quero dizer, um tapete nem é tão importante assim — chacoalhou a mão.

— Você tem certeza? Eu o achei até bonito — disse sinceramente. — Mas não dessa cor — referiu-se ao vermelho. — Vamos levar um cinza ou marrom...

— Não, Jaebum, você não disse que queria levar apenas o necessário? — Jackson agarrou seu braço. — O tapete não é necessário.

— Mas foi você que acabou de dar a ideia, meu amor — disse e riu ao acolher o namorado. — O que há de errado?

— Estou preocupado que não dê para comprar tudo o que queremos.

— Eu acredito que dá pra levar o tapete e as outras coisas. Tranquilamente.

Sugar daddy­ — cantarolou num deboche e sacudiu as sobrancelhas. — O que mais vai comprar pra mim, algumas joias? — piscou.

— Que tal só o tapete? — replicou e depositou um breve beijo na testa dele antes de puxar o tapete escolhido e enrolá-lo para fazê-lo caber no carrinho já cheio.

Jackson mordeu o lábio e algo na expressão dele fez Jaebum perceber que ele estava angustiado com alguma coisa.

— Você ainda está preocupado com o preço? — quis saber.

— Não, eu só...

Quando ele não terminou, Jaebum parou com a mão na cintura, aguardando.

— Nada. Estou bem. Perfeitamente bem — Jackson finalizou, enganchando o braço no espaço deixado pelo namorado e o obrigando a seguir para as próximas prateleiras.

 

 

Jaebum beija Jackson na boca mais uma vez e escorrega suas mãos pelas costas nuas e suadas, parando-as na base para circular os polegares nas sutis concavidade ali presentes. Eles beijam longa e lentamente, explorando o instante de calma e silêncio preenchido por suaves estalos molhados. Nas pausas em que Jackson recua minimamente para respirar fundo, ele ondula a pélvis e arfa à medida que roça sua ereção na de Jaebum na perfeita sincronia que faz sua pele inteira formigar.

Jackson está com os joelhos fundos no material acolchoado do divã novo e ele arfa ao sentir as pernas de Jaebum atrás dele o empurrando para frente e apertando-o ainda mais contra o corpo de seu namorado. Sente também mãos ameaçando infiltrar no cós de sua calça moletom e inspira demoradamente ao senti-las finalmente descendo por sua bunda.

Eles voltam a se beijar e desta vez mais profundamente, numa bagunça de dentes e línguas que faz Jackson pulsar com mais violência. Involuntariamente leva as mãos, antes pousadas sobre os ombros desnudos de Jaebum, para se apoiarem no encosto do móvel, esfregando os dedos abertos na superfície macia e convidativa do divã. Sua cabeça se ergue e ele abre a boca para gemer, sorrindo ao receber lábios em seu queixo, na coluna de seu pescoço e na clavícula.

— Você já percebeu que nós estamos transando só nesse divã? — Jaebum comentou ao arranhar as nádegas de Jackson, decidindo em pensamento por quanto tempo deveria provocar o namorado antes de chegar a fodê-lo de verdade. — Já foram três vezes só nesta última semana.

— E essa é a parte ruim de se namorar um cara que lida com números... Ele só sabe contar. Até mesmo na hora do sexo ele não para — Jackson disse levianamente e riu ao sentir unhas cravando em sua pele de maneira mais agressiva. — É você que perde tempo raciocinado essas coisas, Jaebum, não eu — argumentou ao subir e descer o corpo como numa respiração.

— E eu comprei aquela porra de cama king size para o quê? — Jaebum sequer arfou ao dizer, de tão farto que estava com aquela situação.

— Para dormir? — respondeu zombeteiro.

Contudo, Jaebum não estava com o humor ideal para escutar aquele tipo de resposta. E ele fez questão de evidenciar o quanto ao descer suas pernas e pousar os pés no chão, afastando Jackson de si e firmando as mãos na cintura dele para fazê-lo parar imediatamente o que fazia.

— Você sabe que eu não gosto quando me fazem comprar algo que não vai ser usado depois — disse categoricamente.

— Eu sei muito bem — assentiu cuidadosamente, com muito medo do rumo daquela conversa.

— Se há alguma coisa errada com a cama, você pode me dizer. Eu não vou ficar zangado se esse for o caso. Agora se você estiver fazendo por pirraça, Jackson Wang... vou fazer você me retornar cada centavo que eu gastei naquela cama.

— Eu não estou fazendo nada por pirraça... — replicou com um bico nos lábios. — Eu não estou fazendo nada demais.

— Então por que está agindo tão estranho em relação à nossa cama?

— E como é que estou agindo?

— Evitando-a. Quando eu acordo, você já está de pé. E eu esperei ansioso pela hora em que pudéssemos estreá-la, mas você prefere transar aqui na sala e eu não estou te entendendo mais...

— Caramba, você é mesmo um mestre em fazer tempestade num copo d’água — disse num riso ansioso. — O que há de errado em transarmos aqui na sala, afinal? Você não pareceu ser contra.

Jaebum respirou fundo e fechou os olhos alguns segundos para poder conter sua vontade de jogar Jackson pela janela. É claro que estava sendo ridículo por exigir que fizessem sexo na cama quando eles tinham tantos espaços disponíveis na casa, mas não era esse detalhe que vinha ao caso. Acontece que Jaebum tinha esperado tanto tempo para que tivesse a própria casa, o próprio canto e uma maldita cama para transar com seu namorado sem sofrer interrupções de ninguém — nem temer ouvidos curiosos — que quando conseguiu, ele se deparava com a misteriosa situação atual. Jackson corria da cama como um demônio fugia da cruz.

Por um tempo, Jaebum ignorou os sinais que via, pois achava inacreditável que seu namorado estivesse fazendo mesmo o que achava que estava vendo. Contudo, depois de alguns dias sem terem tocado a cama do jeito que tanto queria, ele sabia que havia algo estranho acontecendo.

— Eu não estou enxergando coisas — Jaebum disse após recobrar a calma.

— Ótimo, que bom que sua vista está em boas condições, mas será que agora podemos voltar a...

— Negativo — interrompeu-o ao afastar-se e levantar. — Agora eu vou para academia. Lugar para onde eu deveria ter ido há uma hora e que não fui por sua culpa.

Jackson exprimiu um muxoxo que quase fez com que Jaebum se arrependesse. Quase.

— Você poderia, pelo menos, terminar o que começou? — Jackson disse ao deitar no agora disponível espaço do divã, abrindo as pernas o bastante para mostrar o quanto estava à vontade.

— Tenho certeza de que você vai cuidar muito bem disso sozinho — retrucou e buscou os tênis de corrida no corredor. Também buscou pela regata jogada no chão e sentiu o olhar de seu namorado sobre si enquanto a vestia.

— Depois que você começou a malhar, seus braços ficaram tão fortes — Jackson disse ao inclinar a cabeça para trás. — Aposto que você tem força suficiente para me segurar no ar pra me foder.

— Você anda assistindo muita pornografia — disse e deu risada. Seus passos seguiram e pararam na extremidade do divã, suas pernas entrando no campo de visão de Jackson.

— E muito filme também. Me dá um beijo, homem-aranha — pediu ao sinalizar com as mãos, abrindo-as e fechando-as, chamando-o para se aproximar.

Jaebum se agachou e sorrindo beijou o namorado de ponta-cabeça.

 

 

Jaebum já tinha se preparado para não receber qualquer esclarecimento de Jackson a respeito da discussão que tiveram a respeito da cama, no entanto, isso não significava que ele deixaria o assunto de lado. Jaebum nunca deixava um assunto de lado. Não quando ele se sentia pleno de sua razão e precisava encontrar os argumentos que embasariam sua certeza. Se Jackson não estava à vontade para confessar o que havia de errado, então descobriria o motivo por outras vias.

E ele foi muito sutil em sua pesquisa, procurando de um jeito e de outro persuadir seu namorado a ficar na cama com ele. Eles dormiam abraçados, trocavam beijos e carícias, contudo, cada vez que a situação ameaçava ficar mais íntima, Jackson optava ou por encerrar brevemente ou inventar uma desculpa para não levar adiante. Chegava a ser bizarro como o próprio não se dava conta, tamanha era sua inocência na condução dos eventos. Era como se ele estivesse profundamente insatisfeito com algo e não soubesse o que era, preferindo evitar a descobrir o motivo que causava a sensação desconfortável.

Sem obter muito sucesso em suas tentativas de segurar o namorado onde o queria, Jaebum tentou rebobinar os acontecimentos desde a compra da cama. Nada de anormal parecia ter acontecido em suas rotinas de lá para cá, o que não o ajudou nem um pouco a pensar. Vagando de um cômodo para o outro, buscou algo que pudesse dar uma luz, mas nada fez o sentido necessário. De pé, na sala de estar, olhou para os sofás novos e mordeu o polegar levemente. Jackson também não parecia ter seu apetite sexual reduzido, o que descartava qualquer possibilidade de traição ou algo nessa linha de raciocínio. Ele só estava se comportando de forma aversiva com a cama — o que era absurdo, pois quem é que não gostaria de aproveitar uma cama daquele tamanho?

Talvez devesse perguntar para algum dos amigos dele para sondar se havia alguma coisa que não estava percebendo. Mas Jaebum logo afugentou a ideia, pois questionar uma pessoa de fora a respeito da vida sexual deles era longe do que considerava plausível. Não era algo que ele se imaginava fazendo e muito menos revelando a um desconhecido.

Sem mais opções para investigar, Jaebum saiu para trabalhar e decidiu ocupar a mente com outras coisas a fim de não se concentrar demais no seu novo problema a resolver. Quem sabe se se distraísse um pouco encontraria a resposta.

Quando voltou para casa, estranhou as luzes apagadas e a televisão ligada na sala. Despiu o casaco e o pendurou atrás da porta antes de seguir para pegar o controle e desligá-la, porém, a cena que viu foi o bastante para fazê-lo congelar no lugar: Jackson deitado e dormindo no sofá, agarrado ao casaco que ele usara durante a formatura que compareceram a algumas semanas atrás.

Jaebum uniu as sobrancelhas e espiou a porta aberta de seu quarto, suspirando frustrado ao discernir o contorno da cama desocupada. Ele não sabia se se zangava ou ficava resignado com aquela realidade. Decidiu deixar para lá por ora e sentou-se no espaço disponível do sofá, tomando cuidado para não acordar o namorado de seu sono tranquilo. Observou-o por um momento, ficando contente que Jackson estivesse ao menos descansando como merecia. Mas por que será que ele escolhia adormecer no bendito sofá em vez de uma cama de verdade?

Ao voltar a atenção para a televisão, Jaebum focou seu pensamento em um detalhe atípico: o casaco que Jackson segurava como se fosse um objeto valioso.

— Será possível...? — ele murmurou, suspeitando de algo que lhe ocorria. Ao reviver a cena na festa de formatura, quando Jackson se excitou por motivos inexplicáveis, o viu usando aquele casaco. Ele o viu... esfregando o rosto nele. — Você só pode estar brincando comigo... — debochou e arriscou puxar a peça devagar do aperto ferrenho de seu namorado, assistindo uma reação semelhante à de um cachorro que se recusa a largar um osso.

Jaebum passou a mão na superfície do sofá e sua expressão clareou conforme compreendia, suas perguntas sendo respondidas uma a uma.

— Então é isso... — concluiu ao se colocar de pé e calçar de volta os tênis.

Quando Jackson acordou, Jaebum estava na cozinha. O rapaz seguiu o cheiro de comida e caminhou sonolento até o namorado, sorrindo ao encontrá-lo sentado à mesinha que eles utilizavam para tomar café pela manhã.

— Dormiu bem? — Jaebum quis saber ao desviar os olhos do celular.

— Muito — assentiu e ocupou uma cadeira ao lado de Jaebum. — Você chegou faz tempo?

— Faz uma hora. Você está com fome?

— Sim.

Jaebum seguiu para o fogão e serviu um prato com a comida recém feita. O depositou à frente do namorado e ficou o observando comer.

— Você não vai jantar?

— Eu já jantei. Depois que você terminar, vamos assistir um filme.

— O que vamos ver? — perguntou ansioso.

O Cavaleiro das Trevas.

— De novo? — resmungou. — Não vimos esse há pouco tempo?

Jaebum escolheu ficar quieto, mas se fosse mais audacioso teria dito que não estava nem um pouco interessado em assistir ao filme.

Quando eles terminaram na cozinha, seguiram para a sala e pegaram o filme em andamento. Jaebum escolheu o lugar onde poderia esticar as pernas e obviamente puxou Jackson para que este deitasse contra seu peito numa posição confortável.

— Hoje você está carinhoso — Jackson comentou num risinho. — Fez comida e tudo mais e agora está me abraçando para assistir filme... até parece que não te conheço. Está querendo me agradar pra me levar pra cama... um vagabundo é o que você é...

— Está dando certo, não está? — retrucou e roçou o nariz no pescoço do namorado, provocando-lhe cócegas. — Não critique meus métodos se você não resiste a nenhum deles.

— Se você quisesse alguma coisa a mais, poderia ter falado logo — disse num tom falsamente emburrado.

— E você, princesa do jeito que é, iria de bom grado descer o vestido se eu apenas pedisse?

Indignado, Jackson virou-se para encarar seu namorado.

— Às vezes não consigo acreditar nas coisas que saem da sua boca...

— Hm... — Jaebum ronronou e pressionou os lábios na mandíbula do namorado, procurando conter o riso que coçava na garganta.

— Caramba... — Jackson balançou a cabeça em negativa e riu junto ao outro, não resistindo mais aquela boca tão longe da sua.

Eles trocaram alguns beijos, demorando-se entre um e outro. Suas mãos viajavam, sem muitas intenções, através e sobre as roupas, mantendo as carícias a um nível cálido. Jaebum, que já tinha algo em mente há certo tempo, prendeu as pernas de seu namorado entre as suas e usou uma das mãos para segurar a cintura dele contra a sua. Com a outra segurou o tecido felpudo da gola do casaco que o outro ainda usava e fez o que sua curiosidade estava o matando para fazer. A roçou sobre a pele do pescoço de Jackson, causando, sem dúvidas, a reação que estava esperando receber: um tímido gemido arfado, acusando justamente o quanto Jackson estava gostando daquilo.

Interrompendo o beijo, Jaebum afastou para lamber os lábios e empurrar os ombros de Jackson para que eles fossem de encontro ao estofado.

— Eu tenho uma surpresa pra você.

— É mesmo? — Jackson riu e suspirou involuntariamente quando Jaebum novamente esfregou o tecido macio sobre sua pele quente. — O que mais você tem para mim hoje?

Jaebum se desvencilhou dele.

— Primeiro você precisa tirar as roupas. Agora mesmo.

Jackson obedientemente removeu peça por peça até ficar inteiramente nu. Jaebum o assistiu se remexer contra o estofado, expectante pelo próximo movimento — e também por outros motivos que ele ainda achava difícil de acreditar.

— Vamos ver se já sou mesmo capaz de te aguentar — Jaebum brincou antes de colocar as pernas de Jackson em volta de seus quadris e levantá-lo. — Não vale espiar — exigiu ao tê-lo em seu colo e bem firme contra seu corpo.

Jackson fechou os olhos, embora não fosse preciso porque estava com as costas voltadas para o caminho que faziam até o quarto. Ele ria ansioso para conhecer sua surpresa, perguntando-se o que o outro estaria aprontando desta vez — ele simplesmente adorava quando Jaebum decidia surpreendê-lo.

Quando eles alcançaram o cômodo, Jaebum fez uma pausa para acender as luzes numa intensidade agradável — outro luxo que se permitiu ao adquirir a casa —, e estava prestes a zombar do quanto ainda precisava malhar para atingir o nível necessário para “foder Jackson no ar”, quando foi surpreendido pela exclamação de seu namorado quando este entrou em contato com a nova superfície da cama.

— O que é... o que... o que... — Jackson apalpou ao redor e seus olhos arregalados denunciaram tudo o que Jaebum desejava tanto saber. E sem conseguir conter seu orgulho, Jaebum abriu um sorriso convencido daqueles, beijando os lábios vermelhos de Jackson com rapidez antes de endireitar as costas a fim de observar de camarote aquela cena inédita. — O que é isso?

— Sinta você mesmo — ofereceu ao fazer um gesto expansivo.

Jackson empurrou-se para trás e sua respiração pesada se encarregou de dizer todas as palavras que ele foi incapaz de proferir naquele momento. Suas mãos agarraram o tecido felpudo que cobria toda a extensão da cama king size e seus dedos embrenharam-se aflitos, explorando cada centímetro daquela sensação macia e inconfundível. Suas pupilas dilataram e a sua boca aberta deixou escapar suspiros entrecortados, o fôlego preso na garganta como o de alguém que contempla algo maravilhoso demais para descrever.

Jaebum, estupefato, presenciou todas aquelas reações, mal acreditando na verdade de sua teoria.

— Você comprou pra mim? — Jackson disse rouco e Jaebum precisou segurar o grunhido que queria irromper sua garganta. Jackson estava excitado só por tocar aquele tecido. O maldito tecido estava causando todas aquelas sensações inexploradas em seu namorado absurdamente ingênuo.

— Sim, eu comprei. Você gostou? — perguntou suavemente, encantado demais para conseguir quebrar aquele momento.

— Adorei — disse num riso e com um brilho diferente nos olhos.

Sem aguentar ficar mais um segundo distante de Jackson, Jaebum, ainda vestido, subiu na cama, alcançando seu namorado para distribuir beijos em sua face, sua boca e pela carne branca e macia de seu pescoço. Jackson deitou e deslizou o próprio corpo pelo cobertor, gemendo sensível ao mero contato com a textura que lhe estimulava inexplicavelmente.

— Olhe só pra você... — Jaebum murmurou calidamente, distanciando-se o suficiente para ter a sua visão preenchida por seu namorado completamente vulnerável. — Nunca é difícil agradar você, não é? — disse e montou-o, usando as mãos para explorar o abdômen e senti-lo sob as palmas de suas mãos. Ao levar os dedos até a boca dele, Jackson os lambeu sem qualquer pudor e sem desgrudar o olhar um segundo sequer do de Jaebum que o assistia, vidrado.

Ao retirar os dedos do interior úmido da boca de Jackson, Jaebum os escorregou pela face rosada, fechando delicadamente a mão no pescoço arqueado para então percorrer o polegar no formato dele.

— Vira pra mim — Jaebum pediu e conduziu Jackson a deitar-se de bruços, contemplando quanto impacto o pequeno movimento causava. Jackson praticamente ganiu e arrastou-se sobre a superfície da cama, buscando por fricção. As mãos voltaram a mexer-se ininterruptamente, amontando o tecido entre os dedos e o puxando para que ele ficasse o mais próximo possível de seu corpo.

O próximo gemido reverberou pelo quarto assim que Jackson sentiu lábios roçando sua nuca e o caminho entre suas omoplatas. Jaebum pensou consigo mesmo que jamais tinha escutado o namorado gemer daquela maneira desesperada nas preliminares. Eles mal estavam se encostando e Jackson já parecia que iria atingir o orgasmo.

Para prevenir o término precoce, Jaebum moveu-se rapidamente para empurrar a coxa de Jackson para cima. Com os dedos encharcados de lubrificante que havia separado para a ocasião, ele penetrou o primeiro dedo, arrancando um choramingo de Jackson que afundava o rosto na cama. Quando o segundo dedo se juntou ao primeiro, Jackson arqueou as costas e Jaebum precisou segurá-lo no lugar. No terceiro, Jackson passou a implorar e a estremecer.

Para Jackson, estava difícil ignorar o membro que latejava, confinado entre o corpo e a superfície macia e aveludada. Sua vontade era de se libertar e findar sua agonia com as próprias mãos, porém, ele também não sabia sair daquela posição extremamente confortável e excitante, aprisionado que estava em seu cego desejo.

Quando sentiu a ereção de Jaebum roçando suas nádegas, Jackson arqueou ainda mais as costas e jogou um dos braços para trás, prendendo-o no pescoço de seu namorado e colando suas costas suadas no peito agora desnudo do outro. Sentiu sua perna ser erguida por ele e logo em seguida o pênis dele se alinhando em sua entrada, substituindo onde tinham estado os dedos dele.

Jaebum deslizou calmamente a princípio, enterrando-se ao máximo no interior apertado. Afundou o rosto na pele corada do pescoço de Jackson e respirou profundamente algumas vezes antes de se mover devagar, testando, murmurando docemente perto do ouvido de Jackson que revirava os olhos, bêbado com a mistura daquelas sensações.

Jackson impulsionou-se para trás antes de ceder à sua confusão e deixar que Jaebum fizesse todo o trabalho, pressionando-o e o permitindo friccionar cada centímetro de seu corpo na cama. Jaebum investiu e soprou seu hálito quente sobre o lóbulo da orelha, rindo ao sentir os dedos de seu namorado agarrem seu cabelo com força. Usou o braço livre para circundar a cintura dele e aí foi sua deixa para iniciar um ritmo constante, pontuado.

Jackson sentia sua saliva escorrer pelo canto de sua boca aberta e ele abandonou os cabelos de Jaebum para agarrar o próprio, seus gemidos aliando-se aos sons de pele com pele e se transformando nos únicos ruídos daquela noite. Ele era incapaz de decidir no que mais concentrava sua atenção, pois os estímulos vinham de tantos lugares que era desorientador: era Jaebum gemendo em seu ouvido; o corpo absurdamente quente dele contra o seu; as investidas que acertavam diretamente o ponto em seu interior que o fazia enxergar estrelas; e era aquele maldito edredom sobre a cama que produzia uma sensação louca em todo o seu organismo, como se estivessem injetando em cada poro uma substância afrodisíaca, excitando-o.

— Jaebum, eu preciso... — ele suplicou e o som de sua voz distorcido foi o suficiente para se dar conta de que também estava chorando. Chorando de puro êxtase.

Jaebum encorajou-o num sussurro rouco e isto bastou para fazer Jackson chegar ao limite, deixando-se escorrer e fazendo uma bagunça de si mesmo. Jaebum o abraçou ainda mais forte ao sentir-se esmagado, chegando ao seu próprio orgasmo logo em seguida, gemendo sobre a nuca molhada de Jackson.

Ficou quieto por um tempo, os dois respirando pesadamente. Quando Jackson fungou, Jaebum se moveu finalmente, de maneira delicada, removendo-se para acolher o namorado entre os braços e enxugar suas bochechas. Beijou-o carinhosamente e superficialmente, sem exigir esforço, e ficou assim, colado a ele e sentindo as batidas aceleradas de seu coração até elas se tornarem mais compassadas.

— Obrigado — Jackson disse depois de um tempinho, provavelmente se referindo ao “presente”.

— Não há de que, meu amor.

 

 

Na manhã seguinte, Jaebum não se zangou pela ausência de Jackson na cama, pois este estava enrolado na coberta nova, dormindo serenamente. Era uma cena tão bonita e engraçada que Jaebum precisou rir sozinho, aliviado e absurdamente contente em ter adivinhado os desejos ocultos e inconscientes de seu namorado imprevisível.

Um pouco mais tarde, quando Jackson acordou e eles decidiram que ali estava confortável demais para saírem, Jaebum explicou para seu namorado como tinha chegado a conclusão de que a solução para convencê-lo a permanecer na cama era comprar um cobertor peludo.

— Você estava esfregando seu casaco no pescoço naquele dia da formatura, o que foi bem estranho...

— Ah, meu Deus. Sério que eu estava fazendo isso?! – arregalou os olhos, ainda envolvido no casulo que tinha criado em torno de si usando o cobertor.

— É... e teve aquele dia com o tapete... — recordou-o. — Você só estava dormindo no sofá também... comecei a achar que você tinha alguma preferência por objetos que fossem felpudos — disse e riu descontraído, mas não estava obtendo muito êxito em tranquilizar Jackson que estava completamente desconcertado. — Meu amor, não há nada de errado em ter um fetiche e outro. Isso é bem normal, na verdade.

— Caramba, eu estou mesmo me esfregando nas coisas?

— Só nas felpudas.

Ah, vai se foder.

— Não gosto sem sua companhia.

Jackson parou e olhou entediado para Jaebum que tornou a rir.



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