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História Pó de chifre de unicórnio. - Capítulo 27


Escrita por: HPloveHG

Capítulo 27 - Revelações e Resoluções.



- Não? – perguntou Harry, em um suspiro ansioso. – Não tomará a poção?

Afastou-se um passo dela, para poder apreciar melhor seus olhos e seu rosto. Hermione tinha o semblante tranqüilo e decidido... e Harry sabia muito bem que ela rara vez mudava de opinião quando chegava a uma conclusão. Mas, embora seu coração estivesse desejando que ela não esquecesse nada, havia algo na decisão dela que o assustava um pouco. Acreditava que existiam tantas razões para não deixar de beber a poção, que isso se convertia em um obstáculo insuperável...

- Você disse a McGonagall? – perguntou nervoso, e ela assentiu com um sorriso. – E o que ela respondeu?

- Bom... – respondeu Hermione, alçando os ombros, dando a entender que a opinião da professora não lhe importava muito de toda forma. – Depois de ter uma conversa um tanto... embaraçosa... você devia ter me dito que a professora sabia o que temos feito, Harry! Quase morro de vergonha quando ela me disse...

- Eu sinto... esqueci. – murmurou ele.

- Não importa... ela se mostrou compreensiva. Falou comigo sobre a necessidade de usar a poção e os efeitos que terei para faze-lo. Ela crê que devo toma-la, mas que, ao final, é minha decisão. Disse que não pode me obrigar, e assegura que se não o faço, a maldição sempre viverá comigo: como um vírus ou algo assim...

- Disposta a atacar quando baixem suas defesas, não? – completou Harry, preocupado. Hermione não disse nada e ele continuou: - Na verdade, eu tampouco quero que sua memória seja o preço que tenhamos que pagar para tirar a maldição de cima de nós... Mas... não será pior se você não o faz?

- Pior? – exclamou Hermione, que começava a impacientar-se, como se a atitude de Harry a desconcertasse. – O que pode ser pior que esquecer tudo o que fizemos nos últimos quatro meses?

- Então... - resmungou ele, mas ela não o deixou falar.

- Não tem idéia do quanto isso me assusta, Harry? – perguntou ela, chateada. – Se eu tomar a poção seria como despertar no dia seguinte ao que você tomou a sua... a noite de nossa primeira vez. – a voz dela se suavizou ao dizer a última frase e girou seu rosto para o outro lado. Agregou, com voz triste: - Essa noite ficaria no esquecimento... e todas as demais. Eu esqueceria que você me ama... que você e eu temos sido algo mais que amigos... tudo o que temos vivido: o bom e o mau. E isso sem contar o que aprendi e estudei nas aulas desde Janeiro até hoje!

- Mas... – balbuciou Harry, temeroso. – E se a maldição retorna, Hermione? Se desta vez consegue vencer seus verdadeiros sentimentos? ... Eu perderia você, talvez para sempre... e isso eu não suportaria. Não outra vez.

Hermione mordeu-se o lábio inferior, visivelmente enojada. Suspirou ruidosamente ao tempo em que olhava algum ponto distante do Salão Comunal.

- Vá! – disse, depois de uns segundos. – De verdade achei que você se alegraria com a minha decisão. Mas vejo que...

De repente, o quadro da mulher gorda abriu-se, emitindo seu característico alarido, e Hermione interrompeu sua frase. Ambos olharam nessa direção, esperando que alguém entrasse, surpresos porque já passava muito da hora permitida por Filch para andar pelo Castelo. Mas passaram os segundos e ninguém entrou, e então o quadro fechou-se de novo com lentidão. Harry e Hermione olharam-se estranhados, sem entender o que havia ocorrido.

- Creio que será melhor que deixemos esta conversa para amanhã, Hermione. – sugeriu ele com suavidade, olhando, com suspeita, para a solitária Sala Comum.

- Bem! – espetou, e antes que Harry pudesse dizer outra coisa, ela deu meia volta e subiu com rapidez as escadas, afastando-se dele.

Harry olhou-a ir-se com a boca aberta, sem ter tido tempo sequer de despedir-se... menos ainda de dar-lhe outro beijo. Moveu a cabeça frustrado, tratando de compreender o que era que lhe havia dito que a fizera enfurecer-se tanto... Depois de tudo, tomar ou não a poção não era uma decisão fácil, implicava muitas coisas e era assunto dos dois. Ou não? Teria que falar com ela de manhã...

Girou seu corpo para dirigir-se para as escadas que levavam ao dormitório dos garotos, quando uma voz feminina lhe sussurrou, quase de modo imperceptível, justo a seu lado:

- Harry?... Podemos falar?

O garoto voltou-se sobressaltado, esperando ver Hermione, mas ela não estava... de fato, não estava ninguém... Mas, o que se passava ali? Quem...?

Então, alguém se despojou com brusquidão da Capa de Invisibilidade sob seu nariz, dando-lhe um susto enorme. Era Gina, e tinha uma expressão de grande sofrimento no rosto.

Você? – murmurou ele, olhando-a com ingente desprezo. – O que, diabos, você faz com a capa de meu pai?

- Eu a pedi a Luna!... Disse-lhe que você me mandou para pega-la e ela me acreditou... – explicou, enquanto dobrava a capa com cuidado e a devolvia a Harry, temerosa.

Ele a arrebatou com desgosto, realmente lhe indignava o fato de que ela a houvesse utilizado; seguramente para visitar Draco na enfermaria sem que Rony a visse...

- Bem! – soltou-lhe Harry, muito irritado. – Ao menos teve a decência de me devolve-la... Espero que lhe tenha sido de utilidade, já imagino para que a usou. E, por certo... você não merece uma amiga como Luna... Ela se equivoca ao confiar em você... – terminou de dizer com crueldade.

De repente, os olhos castanhos de Gina encheram-se de lágrimas... e isso, somado ao deplorável estado que apresentava, comoveu Harry sem poder evitá-lo... A garota tinha seus olhos inchados de chorar, e suas roupas estavam sujas, amassadas e manchadas de sangue. O rapaz sentiu náuseas somente de recordar que ele era o culpado por todo esse sangue derramado.

Querendo terminar o quanto antes com isso, deu as costas à ruiva e, com o propósito de partir para seu quarto, começou a caminhar... Apesar de toda a pena que Weasley lhe pudesse causar, não deixava de ser apenas uma traidora...

- Harry! – suplicou-lhe ela, sem levantar a voz. Seu tom era desespero puro. – Tenho que falar com você, por favor!

Harry não desejava escuta-la, mas de repente pensou em Rony. E na senhora Weasley... em toda a família dessa garota, e algo lhe disse que devia à ela uma última oportunidade: a de tentar explicar-se. Embora fosse somente pelo carinho que tinha a seus irmãos e pais... Deteve-se e girou sobre seus calcanhares... na escuridão do Salão Comunal, permaneceu plantado diante da lastimosa Gina, esperando o que ela tivesse que dizer.

Ela pareceu dar-se conta do ódio nos olhos de Harry, e quase sem poder crer que lhe dera um minuto para escuta-la, limpou seu rosto sulcado de lágrimas e sujeira, e sussurrou-lhe:

- Sei que o que vou pedir a você é difícil. Sei que você me odeia e eu o entendo, e não me importa que o faça. Há muito que o que você sente deixou de me importar, Harry. Assim teve que ser...

Harry suspirou chateado... não entendia o que era que a garota queria dizer. Se era tão egoísta para não pensar no dano que fizeram eles a Harry e Hermione, o que tinha que falar com ele?

- Entendo que não queira explicações de minha parte, Harry – continuou ela, num fio de voz. Parecia cheia de infelicidade e Harry, por mais que quis, não pode deixar de sentir compaixão. E isso o incomodou, pois ele queria odiá-la, não compreendê-la. Gina, depois de limpar o nariz, prosseguiu: - De forma que apenas lhe pedirei algo: preciso que me jure... que me prometa... que não dirá a ninguém o que me viu fazer no dia de hoje... Por favor.

Harry teve que reprimir uma gargalhada pelo temor de fazer barulho e acordar alguém... deveras essa garota era descarada!

- Creio que você não está em posição de me pedir que lhe jure nada. – disse-lhe com todo o desagrado de que foi capaz, apontando-a com seu dedo indicador. – Realmente, me assombra a sua ousadia. Depois que me dei conta de tudo o que nos esteve fazendo, a Hermione e a mim! Você e esse maldito sabiam de nossa maldição e aproveitaram-se disso para nos fazer a vida impossível!

- Sim, Harry, você tem razão, mas... ! - quis interrompe-lo, mas ele falou mais forte:

- Dessa malvada doninha não me estranha, tem sido nosso inimigo todo o tempo!... Mas, você, Ginevra? – olhou-a com infinito asco e incredulidade, desafogando toda a fúria que havia reprimido durante a tarde. – Você era nossa amiga. De Hermione e minha. Como nos pode trair assim?... Perdoe-me, mas não lhe entendo. E agora você vem e pretende que eu lhe...

- Então, você dirá a Rony? – gritou ela, furiosa. – E a meu pai? A todos?

Harry não lhe respondeu... de qualquer modo ele não se atreveria a fazê-lo. Mas não daria o gosto de dizer à ela, pois não o fazia para proteger Gina, mas sim para poupar a vergonha aos demais.

Gina respirava agitada, enquanto olhava nervosa para Harry, como se pensasse que ele seria capaz de contar à sua família o que fizera esse ano em Hogwarts... Suavizando seu tom de novo, voltou-lhe a rogar:

- Por favor Harry... apenas me escute. Necessito que me ajude a que minha família não saiba... pense em minha mãe, ela morreria de vergonha ao inteirar-se.

Harry não respondeu nada. Pensou que, pelo menos, restava algo de bondade na ruiva ao preocupar-se pelo bem-estar de Molly, de modo que decidiu aproveitar-se da situação para obter informação sobre as atividades de Malfoy.

- Está bem. – disse-lhe em um tom gelado. – Prometerei a você que não direi nada a ninguém, mas quero algo em troca...

- O que for, Harry! – exclamou ela esperançosa.

- Quero que me diga quais são as missões de Malfoy, Gina. As duas. Ou as que tenha. E quero que me confirme que ele é um Comensal da Morte. Porque ele o é, não é?

Gina permaneceu tão quieta que Harry acreditou que lhe havia lançado um feitiço paralisante, sem perceber... ela engoliu em seco e de novo olhou para o olhos verdes com desprezo, enquanto parecia contrapesar suas alternativas. Depois de uns minutos, nos quais Harry estava começando a pensar que não aceitaria, ela falou por fim, com tanta amargura na voz como se sentisse uma enorme repulsa por ela mesma e por Harry:

- Sim... Ele é. É um... Comensal. – disse com dor. – E sobre as missões... sei apenas de uma. A outra... ele nunca me disse.

- Mentirosa. – reclamou-lhe Harry com fúria. – Você mente para protegê-lo! Como pode faze-lo? Não compreende que a vida de alguém poderia estar em perigo?

- Claro que há vidas em perigo! – prorrompeu ela, com desdém, voltando a elevar a voz. – Por que, demônio, crê que aconteceu tudo isso, Harry Potter? Porque Draco e eu estávamos entediados e quisemos passar um bom tempo separando-os a Hermione e você?... Não! Tivemos que fazê-lo porque Draco está ameaçado de morte por Ele...! Se eu não separava você de Hermione, ele morreria... e eu não podia deixar de ajuda-lo, Harry! Porque o amo! Vê? Não teria feito você o mesmo se a vida de quem ama estivesse em risco?

Harry abriu um pouco a boca, mas não soube o que dizer... Realmente se perguntou. O que seria capaz de fazer para manter Hermione a salvo? Poderiam ter Draco e Gina uma justificativa?... E por que Voldemort se importava em separa-lo de sua namorada? Que tipo de missão era essa? Era uma cruel brincadeira de iniciação para Draco, ou o quê?

- Não, Gina... – murmurou, negando com a cabeça. – Isso não é desculpa. Sempre há modos... não sei, me ocorre que Draco poderia ter falado com Dumbledore... ele o protegeria sem duvidar. Não tinham que nos fazer isso...!

Gina deixou sair uma risada transtornada, enquanto tapava o rosto com as mãos, como se acreditasse que Harry era estúpido e não pudesse faze-lo entrar em razão.

- Ai, Harry... vejo que você não nos entenderá. Mas, bom... não era minha intenção que o fizesse. De qualquer forma já estará contente, não? Draco quase morre por sua culpa... – disse a ruiva, que parecia pretender ir, pois deu uns passos para trás, rumo às suas escadas.

- Espera, Gina! – chamou-a irritado, e ela se deteve. – Se o que você quer é que eu mantenha o segredo, explique-me porque, diabos, Malfoy tinha que nos separar, Hermione e a mim! Desde quando isso é questão de vida ou morte?

- Desde o momento que Ele se importou, Harry. – respondeu Gina, em um tom gélido. – Não sei por que, de forma que não me pergunte; mas o que sei é que Aquele-que-não-deve-ser-nomeado se interessa muito em que você não tenha par amoroso. Disse ele a Draco que evitasse a todo custo que você se apaixonasse. Que tivesse namorada ou alguém que parecesse ama-lo. Isso é o que sei.

Harry negou-se a crer nisso... era absurdo! O que significava? Que demônios importava a Voldemort que ele tivesse namorada ou não? Tinha que ser uma brincadeira de péssimo gosto jogada contra Draco, por parte de seu Senhor das Trevas... uma desculpa para mata-lo... Talvez Voldemort planeja assassinar Draco depois de tudo, pensou Harry com ódio... e o pior foi que a idéia não lhe desagradou... um Comensal da Morte a menos com o qual preocupar-se...

- Isso é uma tolice, Gina. Não acredito...

- Pois tolice ou não, essa era a missão. Evitar que você tivesse a seu amor verdadeiro. – respondeu ela, arrastando as últimas palavras, claramente esgotada emocionalmente.

Ocorreu a Harry, de repente, questiona-la de que modo puderam ela e Draco saber que Hermione e ele eram casal, ainda antes de todos os demais, quando se suponha que era um segredo e nem sequer Rony o sabia...

- Como souberam? – perguntou-lhe Harry e ela olhou-o interrogante. – Quero dizer, como souberam Draco e você que ela e eu...? Você sabia. Sabia o tipo de relação que Hermione e eu tínhamos. Você sabia, Gina... como...?

- Eu os descobri... uma noite. – disse ela rapidamente, e ruborizou-se com violência.

Harry também sentiu-se enrubescer ao dar-se conta do que falava ela, mas não pode evitar perguntar:

- Nos descobriu? O que, demônios, quer dizer...?

- Isso, que os vi! – soltou ela, exausta. – Vocês, par de descuidados, fazendo... suas coisas em pleno Salão Comunal! Foi numa noite em que eu descia para encontrar-me com Draco... Você e ela estavam aqui, tão emocionados que nem sequer se aperceberam de minha presença!

- Deus... – atinou a sussurrar Harry, enquanto olhava para o sofá da sala onde ele e Hermione haviam feito amor várias vezes... De fato, haviam sido negligentes. E isso lhes havia custado o preço de ser vistos pela pior pessoa possível de toda Hogwarts...

Ele e Gina ficaram em silêncio um momento... ela parecia a ponto de cair desmaiada, tal era seu aspecto de cansaço. Harry pensava rapidamente em tudo o que havia passado, em como as coisas haviam se complicado tanto em sua relação com Hermione... é que tudo sempre parecia ter estado contra si. Teriam paz algum dia?... duvidava.

- Harry? – chamou-o Gina impaciente. – Então... terei sua palavra? Que não dirá nada a ninguém?

Furioso, Harry olhou-a com renovado rancor...

- Claro! Assim você terá a liberdade de continuar sendo a amiguinha secreta de Draco, até que algum outro se inteire e então descubra a trama... ou talvez sua ambição seja chegar a ser Comensal ou...

- Cale-se! – gritou ela. – Você não sabe do que fala! Eu terminei com Draco... justo agora venho de lá. Por isso precisei de sua capa... – abaixou a voz até converte-la em um murmúrio pouco audível. – Disse-lhe que não posso continuar com esta vida, apesar de que o amo tanto...

- Não me interessa ouvir isso, Gina. – interrompeu ele, enojado e depreciativo. – Economize suas palavras... mas pode ficar tranqüila. Eu não direi nada a ninguém. Juro.

Ela olhou-o nos olhos desafiante, mas Harry pode distinguir uma ponta de agradecimento em seu duro olhar.

- Obrigado... e... de verdade, eu sinto. Sinto ter tentado enfeitiça-lo no banheiro, mas é que... estava entre a parede e a espada. Era você ou Draco, e eu... não sei o que estava pensando... Não queria que você o machucasse... De qualquer modo, eu devia saber que o nosso caso não duraria... – resmungou Gina a beira do pranto. – E agora que lhe disse "adeus"... me sinto tão vil por tudo o que fiz que...

E, para contrariedade de Harry, ela lançou-se para ele tão rápido que não pode evita-lo, e quando menos pensou, a tinha aferrada em seu pescoço enquanto derramava grossas lágrimas de desconsolo. E, como as desgraças nunca vêm sozinhas, para total horror do rapaz, descobriu Hermione contemplando a cena das escadas do dormitório, completamente boquiaberta.

- Por amor de Deus! Saia, Gina! – exclamou, enquanto a afastava para longe dele. Não, não outra vez...!, pensou aterrorizado.

Gina se retirou do rapaz e olhou para trás, encontrando-se com Hermione, que os olhava sem compreender... Harry sentiu um arrepio percorrer seu corpo, pois estava seguro de que a maldição a aprisionaria novamente.

- Maldita seja, Gina! Você fez de novo! – proferiu enfurecido, olhando-a... agora estava certo de que nada poderia consertar aquilo, e, claro, Gina ficaria feliz por tê-los separado ao final de tudo, e regressaria triunfante ao lado de Draco, anunciando-lhe que sua ridícula missão estava completa...

- Harry? – chamou-lhe Hermione atormentada. Parecia bastante decepcionada e o jovem se angustiou terrivelmente. – O que ocorre aqui?... Isto... – apontou para Gina. – Tem explicação?

- Hermione... – gaguejou ele, provando o sabor amargo do medo. – Claro que tem explicação!... O que se passa é que Gina me agradecia por... empresta-la a capa! – ocorreu a Harry dizer como último recurso, enquanto mostrava-lhe a prenda dobrada entre suas mãos.

- A capa? Mas se Luna a tinha faz um instante... a que horas você a emprestou? E para quê...? – Hermione tinha a aparência de lutar fortemente contra a vontade de golpear alguém. - E por isso ela o abraça!

Harry olhou, aflito, para Gina, reclamando-lhe apoio com os olhos. Mas sabia que era um pedido que entrava por um ouvido e saia pelo outro, pois a ruiva jamais o ajudaria. Já havia obtido o juramento de sua parte de que não contaria a ninguém... e estava seguro de que ela não moveria um dedo para evitar que Hermione pensasse mal deles.

Porém, se equivocava.

- Creio que teremos que pôr Hermione em dia, Harry... – disse lentamente, como se lhe doesse ou cansasse demasiado faze-lo, enquanto olhava fixamente para a garota de cabelo castanho. – Também ela tem direito à verdade.

O fato de que Hermione novamente esteve a ponto de duvidar do amor de Harry, ao ver este com Gina, somado ao terrível momento em que o garoto passara ao crer que perderia sua namorada para sempre... incitou Harry a tomar uma determinação.

Na solidão da madrugada, em seu quarto escuro... Harry pensou que isso não podia continuar assim. E chegou à conclusão de que, apesar de nessa noite tudo ter se salvado ao Gina dizer a verdade a Hermione, em qualquer outro momento de sua vida, em Hogwarts ou fora dali, com Gina ou com outra mulher... Harry sempre viveria com o temor de que Hermione tivesse qualquer motivo para desconfiar e cair sem remédio nas garras da maldição.

Não podia se arriscar a que isso acontecesse... não podia viver com essa pressão. E então, decidiu. Assim, perderia seu amor, mas ao menos teria sua amizade... Assim, perderia sua namorada, mas ao menos restaria o consolo de poder reconquista-la, pois teria de volta a verdadeira Hermione. Sem sentimentos negativos que a torturavam. Sem dúvidas. Com sua alma e coração autênticos.

Assim, ela perderia a lembrança de toda sua história juntos, nas brumas do esquecimento... e recuperaria seu verdadeiro ser. E Harry tentou convencer-se de que isso era o melhor, embora doesse profundamente.

Os dois dias seguintes foram tristes e monótonos, pois havia se aberto uma brecha na relação de Harry e Hermione que nenhum dos dois podia salvar. A situação era de uma amável frieza entre eles, como se houvessem perdido algo indispensável para prosseguir.

Hermione esta intranqüila e incomodada, e Harry acreditava saber porquê. Tinha a certeza de que ela ter visto Gina abraçando-o havia derrubado a confiança nele, a qual tanto esforço lhe havia custado instaurar. E apesar da ruiva ter confessado a Hermione toda a verdade de sua relação com Draco, e o que fizeram ambos para destruir o amor de Hermione para com Harry... parecia que nada já poderia ser igual.

Também havia se inteirado de que a famosa carta falsificada foi escrita pelo próprio Malfoy, com toda a intenção de que a morena descobrisse Harry com Gina nos vestiários do estádio. Isto serviu um pouco para apaziguar o ânimo da garota, pois confirmava que, de fato, Harry não foi o autor da mesma como ele lhe havia assegurado.

Por outro lado, Hermione se negara rotundamente a seguir discutindo com Harry o tema da poção. Dizia-lhe que sua decisão estava tomada e não daria volta atrás. E isto aborrecia Harry, já que ele pensava que era assunto que concernia aos dois e, portanto, opinava que ambos deviam sopesar as vantagens e desvantagens para decidir sobre isso.

Porém, Hermione não comungava com essa idéia, alegando de muito mau modo que era sua própria memória a que estava em jogo, não a de Harry, argumento que machucou o garoto... mas não pode rebater.

Portanto, passaram esses dias sumidos em um mutismo embaraçoso, imersos cada um em seus pensamentos. Harry não podia imaginar o que era que passava pela mente da garota, mas intuía que não era nada bom... de fato, estava quase certo de que seu coração estava sofrendo um duro embate entre a maldição e seus sentimentos reais... e que lutava contra ela em silêncio.

E então, Harry também tomou sua própria decisão... embora para leva-la a cabo tivesse que trair Hermione, fazendo o exato contrário de seus desejos.

A professora McGonagall inclinou seu rosto mas conservou seu olhar fixo na garota, que, sentada na sala da professora, soube manter um semblante austero e convincente. A mestra devia compreende-la... era sua escolha, ela mesma o dissera.

- É sua última palavra, senhorita Granger? – perguntou-lhe.

- Sim, professora. Estou seguro disso. – respondeu Hermione, mas um arrepio de temor percorreu-lhe as costas.

Na realidade, já não estava tão confiante que fosse a melhor solução. Nesse dia em especial sentia-se muito feliz, já que na hora da refeição discutira com Harry pela décima vez, sendo o tema de sua briga o mesmo que nos últimos três dias...

E o pior, infinitamente muito pior, era o que ela estava começando a sentir e pensar depois de cada intercâmbio de palavras com seu namorado... Embora não houvesse confessado a Harry, ela estava escutando cada vez com mais força aquela desagradável vozinha interior que recalcava cada defeito real ou fictício que o jovem tivesse. Palavras como indigno de confiança, mentiroso, malvado… colavam-se em seu cérebro constantemente, sem que ela pudesse deter.

E embora se negasse a aceita-las como verdades, a realidade era que não a deixavam viver em paz. Era como trazer uma pedrinha dentro do sapato... pequena e insignificante, mas a cada passo que dava picava-lhe e incomodava. Era a certeza de saber que está ali, e apesar de que tentava ignora-la, de alguma forma sempre chamava sua atenção.

Mas ela possuía a firme convicção de que poderia travar batalha e ganhar a guerra, sem a ajuda de poções que apagavam a memória. Somente de pensar nisso se assustava... A quem ocorreria que Hermione queria esquecer os melhores momentos de sua vida? Deixar que as belas cenas vividas com Harry se esfumassem de sua mente e coração, com se nunca houvessem existido? Nem que estivesse louca.

Depois de ter estado apaixonada por Harry por tanto tempo e ter sofrido em silêncio ao estar ele em perigo, e sem saber em, na realidade, ambos teriam uma manhã juntos... como permitiria que lhe tirassem o tesouro que essas memórias representavam? Sobre seu cadáver. Jamais o faria. Como saber sequer se ela e Harry sobreviveriam à guerra? Então, não seria melhor desfrutar com intensidade cada dia o presente e não esquecer o passado recém vivido?

De modo que se lhe custasse momentos de luta interna, não lhe importava. Sentia-se forte e acreditava firmemente que poderia ganhar. Apenas precisava de tempo e que não a obrigassem a tomar a poção. Portanto, disse à professora com a voz mais serena que pode:

- Espero que me compreenda, professora. Não posso dar-me ao luxo de esquecer tudo o que aprendia nas aulas dos últimos quatro meses... – nem o que Harry me ensinou em nossas aulas particulares, pensou com doçura, tentando evitar sorrir.

A professora suspirou exausta, pois há havia esgotado todos seus argumentos para tentar convencer a garota. De modo que, somente lhe restou agregar, em tom austero:

- De qualquer forma, a poção está preparada. O professor Snape me informou que estará pronta amanhã cedo... e, como se presume que o senhor Weasley a está esperando para sair da enfermaria, mandarei Luna Lovegood pega-la... e suponho que teremos que descarta-la. O importante é manter isto até o final.

- Obrigado por entender, professora. – disse Hermione, sinceramente comovida. – Você tem sido maravilhosa com Harry e comigo... por não nos castigar. Por tudo...

A professora sorriu calidamente para sua aluna favorita, enquanto se punha de pé e, rodeando sua mesa, aproximava-se dela. Suavemente, pôs uma mão sobre seu ombro e, sem deixar de sorrir-lhe com grande carinho, sussurrou-lhe:

- De nada Hermione. Porém, lhe pedirei um grande favor... se realmente ama Harry, não se renda jamais. Ele precisa de você e, num futuro, precisará mais que nunca. É importante que você esteja a seu lado quando o momento crucial chegue...

Hermione entendeu o que a professora tratou de dizer. Assentiu levemente sem deixar de olha-la nos olhos e compreendeu que em seus ombros descansava a responsabilidade da arma, que, ao fim, destruiria Voldemort... o amor que Harry poderia sentir.

Nessa noite, no Grande Salão, Harry e Hermione jantavam em silêncio, como ultimamente se lhes fizera um triste costume.

Harry sabia que ela vinha da visita a McGonagall, e não tinha idéia do que era que Hermione e a professora falavam nessas longas entrevistas mantidas em sua sala, pois a garota nunca lhe contava. E muitas vezes se ruborizou ao imagina-las conversando sobre o tema do namoro deles, e ansiava de verdade os temos em que isso seguia sendo um segredo...

Nos momentos em que pensava nisso, tinha vontade de meter-se debaixo do móvel mais próximo, pois era realmente humilhante que tanta gente soubesse algo tão íntimo, algo que nunca deviam saber... Rony, Gina, Malfoy... McGonagall e Dumbledore!... Snape suspeita indubitavelmente... Até Dobby sabe! Haverá alguém mais que eu não saiba?... Isto é vergonhoso, pensava continuamente.

E o mais estranho era o que aconteceria se conseguia levar seu plano a cabo. Perguntava-se como suportaria viver com as recordações dos momentos com Hermione, sabendo que ela os esqueceria... era bastante estranho na verdade. Sabia que não poderia dizer nada à ela, que teria que lutar para reconquista-la, que teriam que voltar a começar...

Seria bastante absurdo que ele desse a Hermione, ao despertar depois de beber a poção, a notícia: "Que tal Hermione? Sabe? Você perdeu a memória do que aconteceu nos últimos quatro meses, mas tenho que dizer que você e eu éramos namorados e fazíamos amor de uma forma estupenda..." Realmente não poderia ser assim. Decerto ela pensaria que Harry estava louco e se espantaria. E o último que queria era perder a oportunidade de reconquista-la.

Por Deus... espero que seu amor por mim, o que sentia na noite da enfermaria, continue aí depois da poção... por favor, por favor, que assim seja.

Hermione comia sem dizer palavra, olhando com tristeza seu prato. Acabava de contar a Harry que a poção estaria pronta para o outro dia na manhã, e que Luna a recolheria para continuar mantendo as aparências da maldição de Rony. Harry assentiu em silêncio, pensando no que faria essa noite com ela...

Direi adeus a você sem que se dê conta... Direi que a amo e que lutarei por você até o fim de meus dias. Que poderia reconquista-la uma e outra vez, pois se de algo estou seguro em minha vida é que se eu voltasse a nascer... sempre escolheria você.

- O que ocorre, Harry? – perguntou ela, ao notar que o rapaz a olhava.

- Hermione... – disse ele, perdendo-se em seus olhos cor mel. – Lembra a primeira vez que subimos na Torre de Astronomia. Você e eu?

Indubitavelmente algo brilhou no olhar de Hermione ao Harry mencionar isso... ela sorriu e o garoto esteve seguro de que ela recordava.

- Claro que sim... foi no primeiro ano. Nem sequer sabíamos que chamava como tal. Lembro que nos referíamos à ela como "a torre mais alta"... E a primeira vez que subimos foi na noite em que nos desfizemos de Norberto. – comentou Hermione, perdendo-se em suas lembranças. E agregou, rindo alegremente: - Como esquecer! Foi a primeira vez que estive a sós com você, e sob sua capa... éramos uns meninos! E Filch nos descobriu... Deus!... Nos retiraram cinquenta pontos a cada um! Foi espantoso...

Harry sorriu, também sentindo seu coração comover-se ante as palavras dela e a iminência do que ia acontecer.

- Gostaria de ir lá outra vez? – perguntou-lhe carinhosamente e Hermione fitou-o interrogante. – Você e eu, de novo, sob a capa... Mas claro, agora sem Norberto e sem Filch. Somente para recordar... velhos tempos... Gostaria?

Hermione demorou alguns segundos em responder. Girou seu corpo para ele, sem romper o contato de seus olhos com os de Harry, e, tomando-o pela mão com grande suavidade, sussurrou-lhe enquanto sorria com ternura:

- Me encantaria.





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