História Poderes - Capítulo 20


Escrita por:

Postado
Categorias Histórias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Amizade, Amor, Aventura, Coragem, Escolar, Magia, Mistério, Poderes, Preconceito, Romance
Visualizações 7
Palavras 2.175
Terminada Não
LIVRE PARA TODOS OS PÚBLICOS
Gêneros: Aventura, Fantasia, Ficção, Ficção Adolescente, Luta, Magia, Mistério, Romance e Novela, Saga
Avisos: Heterossexualidade
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 20 - A causa progressista


Fanfic / Fanfiction Poderes - Capítulo 20 - A causa progressista

Devo admitir que o palácio primordial era muito melhor ao lado do Leonardo, agora eu não precisava me ocupar de nenhum trabalho e passava quase que o dia todo ao lado do Leo, só nos afastávamos para dormir. Ele havia pedido para o Vicent para que eu não precisasse usar mais as roupas de serviçal, ele acatou. Agora eu era quase uma convidada, exceto pelo fato de que os donos do palácio me odiavam, as colaboradoras passaram a me olhar torto e o único que falava comigo era o Leonardo.  

Eu ganhei, também, um quarto só pra mim, era simples, mas bem melhor do que o que eu tenho na primeira divisão. A cada dia que passava eu ficava mais grata por ter o Leonardo comigo. 

Duas semanas após termos vindo para o palácio, o professor Schoemberger chegou para uma visita de final de semana, aparentemente, aquilo era rotineiro. Fiquei muito feliz em saber que ele estava por perto. Após o almoço resolvi visita-lo para conversar um pouco, pois já estava entediada da solidão e de conversar somente com o Leonardo. 

-Jasmim! - Ele disse surpreso ao abrir a porta de seu quarto de visitas. - É muito bom revê-la. 

-Eu digo o mesmo. - Eu disse com um sorriso amigável. 

-Por favor, entre. - Ele disse saindo da frente para que eu pudesse entrar. - Espero que estejam te tratando bem. 

-O Leonardo está. 

-Excelente, ele é um bom rapaz. - Ele disse sentando-se comigo nas poltronas próximas a janela que estava aberta. - Como tem passado? 

-Bom..., digamos que as coisas não ficam fáceis quando todos sabem a minha procedência 

-Imagino. -Ele disse me olhando com um misto de pena e curiosidade. - Mas não perca as esperanças, tenho certeza que voltará para casa muito em breve. 

-Devo admitir que sentirei um pouco de falta. 

-Imagino que de alguém em especifico- Ele disse olhando pra mim como se soubesse o mais tênue dos meus segredos. 

-Sim, sentirei muita falta do Leonardo.- Ele sorriu vitorioso. - Da Rafaela, do Diego, foram bons amigos, mesmo sabendo quem eu sou. Quero dizer,..., o Diego ainda não sabe, mas ele parece ser o menos preconceituoso. Também, sentirei falta do senhor. - Ele se surpreendeu com minhas palavras. - é de fato um professor extraordinário e excêntrico 

-Excêntrico? - Ele perguntou confuso 

-Nunca vi ninguém com tanta curiosidade para temas proibidos-  Ele riu. 

-Eu não chamaria isso de excêntrico. - Ele contestou. - Chamaria de uma pessoa com extrema curiosidade. Excêntrico, na minha opinião, é o professor Lookan. - Nós dois rimos. 

-Acho que também sofro desse mal. - Comecei a dizer. - Extrema curiosidade. 

-E o que move sua curiosidade? 

-Ultimamente, o Ricardo Stay e todo esse mistério. Ele se foi antes mesmo que eu tivesse nascido, mas não consigo explicar por que chama tanto minha atenção. 

-é realmente um caso muito curioso. - Ele disse agora olhando pela janela. - O Ricardo em sua juventude, era muito curioso também, e inquieto. Ele detestava as obrigações impostas pelo pai. Adorava sair e conhecer todos os lugares que podia, era um espirito livre. Não havia um só lugar da primeira divisão inteira que ele não conhecesse. 

-Jura? -Eu disse impressionada pela nova informação dele. - Talvez seja por isso, ele é um espirito livre e não queria se aborrecer com as obrigações do poder que tinha e simplesmente se foi. - Eu falei minha teoria em voz alta. 

-Não é plausível. O Ricardo não gostava das obrigações dadas pelo pai, mas amava a primeira divisão, seus amigos, sua irmã, sua mãe. Não acho que ele teria coragem de ir embora sem dizer nada. 

-Pode me falar mais sobre ele? - Perguntei ainda mais curiosa. 

-Ele era o aluno mais talentoso da sala. Bom, era de se esperar por ser um absoluto, mas era de fato surpreendente, ele nunca teve que demostrar esforço para fazer uma ilusão se quer. Devo admitir que isso me dava inveja. - Ele disse com um sorriso saudoso. - Nos conhecemos no primeiro ano de preparação para a dracma. Naquela época, tínhamos 17 anos e ele já era um absoluto por inteiro. É realmente raro que isso aconteça, a maioria dos absolutos só recebem a totalidade de seu poder pós morte de seu antecessor, mas com ele foi diferente. Ele já era totalmente forte, astuto, habilidoso e poderoso. Foi muito fácil nos tornarmos amigos, assim como eu ele era muito carismático. Nossa amizade evoluiu muito rápido, nos afastamos um pouco quando conheci minha esposa, naquela época ele parecia ausente sempre que podia, eu nunca sabia para onde ele ia. 

-Não sabia que era casado.  

-Sou. O nome dela é Isabela. Trabalha no ministério. - Ele disse me mostrando uma foto, a mulher da foto era bonita, negra com cabelos muito cacheados que pendiam até os ombros. 

-Ela é muito bonita.  

-Eu também acho! - Ele disse brincalhão. 

-Não tem nenhuma ideia para onde ele ia quando se isolava? - Perguntei. 

-Nem ideia. - Ele disse dando de ombros. Acabei me lembrando do sonho que tive com os dois jovens no jardim da pousada do sr. Miller. Seria inacreditável se aquele sonho fosse um pouco real.- No que está pensando? 

-Eu preciso ir, o Leonardo deve está me procurando, não tenho permissão para andar por aí, mas foi muito bom conversar com o senhor, professor. - Eu disse me levantando e indo em direção à porta. 

-Volte quando quiser, Jasmim. - Eu dei um sorrisinho e saí do quarto. 

Andei rapidamente até a biblioteca, que era o local que o Leonardo e eu nos encontrávamos todos os dias. Entrei pela porta e ele já estava lá me esperando. 

-Onde estava? - Ele me perguntou com um risinho fofo ao me ver, eu retribuí. 

-Fui complementar o professor Schoemberger. 

-Eu deveria imaginar... 

-O que vamos fazer hoje? - Eu disse me sentando junto a ele. 

-Que bom que você perguntou, pensei em fazer algo diferente. - Ele disse revelando uma cesta que estava ao seu lado. - Que tal um piquenique?  

O Leo me levou por uma parte do palácio que eu nunca havia estado. Após subir inúmeras escadas, ele passou um cartão-Chave para abrir uma porta que deu no telhado. A vista me deixou absolutamente sem palavras. 

O horizonte revelava muitas arvores e um lindo verdeado, de longe dava pra ver partes da cidade primordial. A brisa fria entrava por minhas narinas como um sopro de vida a alguém que estava se afogando, os passarinhos passavam por nós cantando, os raios de sol batiam no topo da minha cabeça trazendo uma confortabilidade formidável. Naquele momento, me senti uma rainha com uma coroa dada pelo sol, com vestes lindas presenteadas pela brisa e os lindos passarinhos eram os meus súditos que cantavam para mim. 

Enquanto eu meditava nesse inusitado pensamento e aproveitava minha formidável visão, o Leonardo organizava o nosso piquenique pondo uma toalha vermelha no chão e tirando alguns doces e bebidas da cestinha que ele havia trazido. 

-Esse lugar é incrivel.- Eu disse muito satisfeita me juntando a ele. Peguei uma de suas mãos que estava ocupada com a cesta, retirei a cesta e beijei suavemente sua mão. - Obrigada. 

-Eu sabia que iria gostar. - Ele disse acariciando o meu rosto com a mesma mão. Ficamos assim por um momento, até que eu fugi um pouco da situação. 

-Essa comida parece ótima. - Eu disse começando a comer. 

-Não posso dizer que fiz, mas eu que escolhi. - Ele disse revelando novamente o seu sorriso encantador. Era difícil parar de olha-lo. 

Continuamos nossa refeição em silêncio, eu evitava olhá-lo na maior parte do tempo. Algo no azul dos seus olhos me parecia hipnotizante, poderia encará-lo por dias e não me cansaria, mas algo em mim detestaria que ele percebesse esses meus impulsos. 

-Preciso te dizer uma coisa. - Ele começou a dizer e eu fiquei feliz por simplesmente ter um motivo para olha-lo novamente. - Eu e a Suellen terminamos faz um bom tempo, quero dizer... foi uns dias antes das férias. - Tentei esconder ao máximo qualquer emoção que eu pudesse demostrar. 

-Por... algum motivo em específico? - Disse tentando parecer impassível. 

-Eu sinceramente não saberia responder nem qual o motivo de estarmos juntos. Nós dois não tínhamos mais nada em comum, mal conversávamos, acho que já não havia mais nada entre nós há muito tempo. - Ele disse gesticulando na tentativa de parecer um pouco mais claro. 

-Acho que entendo. - Comecei a dizer após dar uma golada no refrigerante. - Ela sempre foi tão... - Complementei meu pensamento fazendo uma careta. Ele riu. - E você está bem com isso? 

-Na verdade, eu me sinto perfeitamente comum, não senti nenhuma diferença. - Ele disse voltando a beber seu suco. - É claro que esses dias com você têm sido... - Fiquei ansiosa pela palavra que ele iria usar para frase. Talvez esplendidos, maravilhosos, formidáveis, excepcionais... - Bons. - Não pude evitar de demostrar insatisfação com esse complemento. 

-Só bom? - Perguntei. - Por que pra mim esses dias com você foram como o único ar que tive para respirar, ou a gota de sanidade em um mar de profunda loucura. 

-Pensei que pra você era difícil me aturar, assim como tudo aqui. - Ele disse me avaliando pensativo. 

-No fundo, gosto de tudo aqui, exceto como as pessoas me tratam e todo o preconceito, mas adoro a magia, adoro aprender tudo isso e adoro você. - Senti uma profunda vergonha logo após terminar a frase. Me senti uma boba, uma menininha infantil. 

-Também adoro você. - Ele me disse, talvez por pena por me ver toda ruborizada. 

Depois desse vexame preferi ficar quieta. Terminamos nossa refeição em silêncio. Esperamos para ver o pôr do sol e após disso partimos para nossos quartos. O Leonardo prometeu que amanhã iriamos estudar mais sobre a magia primordial. Entrei no meu quarto e me sentei na cama, repetindo cada momento do dia de hoje. A imagem do Leonardo parecia mais viva nos meus pensamentos, minha mente não conseguia fugir da lembrança dos olhos deles, do seu sorriso, do seu cheiro... Por mais que eu lutasse, as memórias sempre voltavam. 

Por um momento me lembrei do John, não seria muito errado pensar tanto no Leonardo quando as coisas terminaram tão inacabadas com o John. É claro que sentia muita falta do meu amigo, mas em nenhum momento tive pensamentos tão obsessivos por ele, quanto tenho agora pelo Leo. 

Para me afastar desses pensamentos cansativos, comecei a pensar na minha conversa com o professor e tudo que ele havia me dito sobre o Ricardo. Como gostaria de saber se há realmente alguma ligação entre o sonho que tive e o desaparecimento do Ricardo. Talvez ele tenha estado realmente apaixonado por uma garota desconhecida da segunda divisão, ou, o mais provável, é que aquele sonho foi um delírio do meu inconsciente. E não seria a primeira vez que meu inconsciente atormenta os meus sonhos. 

Seria muita loucura compartilhar minhas teorias com alguém? Com o professor talvez, ele saberia dizer melhor se isso fosse plausível. Saí do meu quarto, determinada a falar com o professor e torcendo para que não causasse aborrecimento. 

Ao chegar em seu quarto percebi a porta semi-aberta, bati por cordialidade. Ao entrar vi que não havia ninguém, mas mesmo assim chamei por ele, quem sabe estivesse no banheiro. Acabei me deparando com livro em sua escrivaninha que me chamou muita atenção. O peguei em minhas mãos, em sua capa estava escrito: “A causa progressista”. 

Ouvi um barulho no corredor e fui checar ainda com os livros em mão, era uma guarda que passava por perto que por sorte não me viu.  

Sei que é errado, mas estava ansiosa demais para saber o conteúdo daquele livro. Então, fechei minha porta e corri até a biblioteca para lê-lo. 

 

“A causa progressista- Mariaah Shirley” 

“O sucesso não vem sem luta. O objetivo da onda progressista é lutar pela igualdade, fraternidade e liberdade de todos e por todos, para ser quem somos, sem distinção” 

 

Eu continuei a ler o livro como um cão que devora um pedaço de carne. Havia muitas citações de outros pensadores. O livro retratava também, casos de pessoas com relação de amizade, parentesco e até mesmo romance entre as duas divisões. O que colocava em cheque a história de origem das dracmas, pois esses casos conseguiam viver em paz. A paz é possível. Havia também histórias de pessoas com poderes distintos que conseguiam manusear habilidades de ambas as divisões e alguns, até mesmo, poderes nunca antes documentados. Em uma parte, era um espaço destinado a lendas, uma delas falava sobre a pedra filosofal, usada pelos antigos sábios distintos para manter vivos por toda eternidade as pessoas com poderes distintos. Pois, o uso da dracma em distintos poderia aniquilar os seus poderes. A tal pedra era responsável por uma vida eterna, deixando a dracma inutilizada. 

Em um súbito estalo, me assustei ao ouvir uma voz atrás de mim. 

-Interrompo algo?  



Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...