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História Poeira ao vento - Capítulo 1


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Capítulo 1 - Eu fecho meus olhos...


Fanfic / Fanfiction Poeira ao vento - Capítulo 1 - Eu fecho meus olhos...

Seus passos eram incertos por aquele lugar. Não sabia ao certo como se sentia, ou como deveria se sentir... Era apenas uma criança, no fim das contas, um menino sozinho há muito tempo em sua terra natal, e agora mais sozinho ainda em um país estranho. Mas lá estava ele, em solo grego, seguindo aquele homem que mal sabia pronunciar o nome, mas que dissera ser o seu destino aquela viagem. Sentiu o corpo estremecer ao perceber que ele havia parado, quase trombara no corpo forte à sua frente...

-Veja, Shura... – o homem disse, passando uma de suas mãos sobre os cabelos negros e arrepiados do menino – Este será seu novo lar a partir de hoje... O Santuário da deusa Atena.

O menino ergueu os olhos negros, que dependendo a luz pareciam verdes musgo, mas nada disse. O receio sobre o que aconteceria em sua vida dali para frente era maior do que a curiosidade em saber mais sobre aquele lugar. Apenas pedia, de maneira constante em seu coração já doído, que as coisas fossem ao menos um pouco melhores dali por diante.

Que não tivesse mais que dormir na rua, ou roubar para comer. Que não encontrasse pela frente homens ou meninos mais velhos que pudessem se aproveitar de sua condição para certos favores, em troca de um cobertor quente ou uma refeição mais digna. Que pudesse ter uma noite de sono sem sentir seu corpo dolorido pelo frio ou pelos abusos sofridos.

O homem voltou a caminhar, Shura o acompanhou um pouco mais atrás, seus pequenos passos ainda mais incertos. Por que, afinal de contas, havia acreditado naquele homem e aceitado ir para aquele tal de “Santuário”? O estranho lhe dissera algo sobre destino e constelações, mas em sua cabecinha confusa nada daquilo fazia algum sentido... Levantou o olhar e então reparou que em sua direção vinha um jovem rapaz, acompanhado de um outro menor, mais novo que ele pelo que pôde perceber. O mais velho alternava o olhar de um verde brilhante entre ele e o homem que o acompanhava, era um misto de compaixão e seriedade.

-Então este é o aprendiz que trouxe da Espanha, Garan? – o rapaz perguntou, no que o home assentiu – ¿Cuál es tu nombre, pequeño? – ele perguntou, abaixando-se até ficar na altura de Shura, que apertou contra o peito a pequena malinha de roupas que carregava.

O rapaz sorriu, era de se esperar que reagisse assustado, como todos os demais aprendizes que pouco a pouco chegavam ao Santuário para iniciarem seus treinamentos como futuros cavaleiros de Atena. Por isso, toda vez que precisava receber um deles, levava o irmãozinho a tiracolo, era uma boa estratégia para quebrar o gelo e ganhar confiança.

-Veja, este é meu irmão Aiolia... Ele também é um aprendiz de cavaleiro, sabia? – ele puxou o menino para junto de si, ele tinha os olhos verdes também, mas eram mais claros. Assim como os cabelos castanhos, curtos e cacheados, eram de tonalidade diferente do mais velho.

-Meu nome é Aiolia, e o seu? – ele estendeu a mãozinha para um cumprimento, que Shura não devolveu. Continuava com a malinha apertada e o olhar baixo – Eu acho que o gato comeu a língua dele, Olos!

As mãozinhas foram parar na cintura, em uma atitude típica de indignação infantil, os olhinhos encarando o mais velho com ar de troça. O rapaz riu, achando graça na falsa contrariedade do irmão.

-Ele só não quer conversa agora, Olia... Mas, de todo modo, preciso saber seu nome, rapazinho! Não posso chamá-lo de pirralho ou moleque o tempo todo, não acha?

-É Shura... – ele disse, por fim, em um fiapinho quase inaudível de voz, ainda olhando desconfiado para o rapaz à sua frente.

-Muito prazer então, Shura! – ele bagunçou os cabelos do menino com uma das mãos – Eu me chamo Aiolos e vou ser seu mestre pelos próximos dias, tudo bem?

-O que é um mestre? – a curiosidade foi maior que o receio...

-É como se fosse um professor, eu vou te ensinar um monte de coisas novas, você vai gostar. Igual eu faço com o Aiolia, não é?

-Sim, Olos é meu mestre também!

-Você... Você vai ser meu irmão também?

Aquela pergunta pegou Aiolos desprevenido, por um momento ficou sem ação alguma, apenas encarando aqueles olhinhos negros sem brilho algum. Então, dando um suspiro baixo, ele voltou a bagunçar os cabelos de Shura, enquanto falava.

-Posso ser, se você precisar de um, Shura.


Notas Finais


E aqui temos uma fic que há muito tempo queria escrever com meus golds clássicos favoritos. Eu gosto muito da história dos dois e todas as implicações que ela traz para ambos, mas eu preferi amadurecer bem a ideia antes de começar a escrever e postar porque não quero "pesar" a mão na caracterização dos personagens e fatos, pois sabemos de toda tragédia que permeia essa amizade...

Espero que gostem!


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