História Poesia de Amor - Capítulo 4


Escrita por: e auraocean

Postado
Categorias Once Upon a Time
Personagens Emma Swan, Regina Mills (Rainha Malvada)
Tags Emma Swan, Jennifer Morrison, Lana Parrilla, Regina Mills, Swan Queen, Swanqueen
Visualizações 338
Palavras 5.110
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ecchi, FemmeSlash, LGBT, Literatura Feminina, Romance e Novela, Universo Alternativo, Yuri (Lésbica)
Avisos: Álcool, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Nudez, Sexo
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Oi, amores!!!

Ontem Ellenzinha falou de Emma lindamente! Amo muito!
Hoje sou eu falando mais um pouco da Regina e acredito que esse capítulo mostre muito do que ela sente e pensa com relação à própria vida.
Massss... Esse capítulo ainda vai ter aquele gostinho de "quase"... kkkkkkkkkkk

A melodia que embala o texto é Million Years Ago, por favor, ouçam, ela faz um paralelo com a história

Boa leitura!!!

Capítulo 4 - Million Years Ago


O celular de Regina tocou antes que ela pudesse alcançar a maçaneta da porta de casa. Havia deixado o carro nos fundos.

- Pensei que passaria aqui antes de ir para casa.

- Desculpe, mamãe… Preciso de um banho e… - pensou em desligar rápido, estava um pouco nervosa - … Mamãe, amanhã meus horários na faculdade estarão mais tranquilos e poderei passar mais tempo com Zel, o que acha?

- Claro, filha… Esperamos você amanhã. Boa noite.

Desligou o celular e atirou na poltrona da sala. Inclinou a cabeça para trás e fechou os olhos. Por um segundo e apenas um segundo, Regina arrependeu-se por ter recusado o convite de Liam Jones para lecionar na Inglaterra. Amigos de faculdade, ele sempre tocava no assunto com Regina, mas ela era arredia a respeito de sair de perto da família. Agora com Robin na faculdade e amadurecendo mais rápido, talvez fosse hora de distanciar-se um tanto para voltar a ver mãe e irmã com mais leveza. Ela amava as duas, mas sentia que o apego à sua presença ficara dependente demais. Compreendia, mas às vezes tornava-se um pouco irritante.

Subiu para seu quarto. Pelo corredor já foi ligando o som e Beethoven invadiu o ambiente com uma sonata, a número 8, um tanto pesada, mas que combinava com a rigidez dos nervos de Regina. Ela caminhou até o bar e serviu-se de uma taça generosa de vinho tinto. Foi deixando os sapatos pelo caminho e puxou o zíper da saia de uma só vez. Desabotoou a camisa calmamente olhando-se no espelho e observando o tempo em sua própria pele e expressões.

Sorveu um pouco do vinho e correu os dedos pelo rosto. Virou a cabeça de um lado para o outro e fechou os olhos. Suspirou. Desceu a mão por dentro da camisa e foi tirando a peça devagar. Os dedos dos pés moviam-se tímidos ao som da sonata. Observou o próprio corpo quando a camisa foi caindo pelas curvas, os olhos acompanharam cada pequeno brilho que a parca luz do quarto emitia.

Não. Ela não caminharia na praia naquela noite. Preferiu deitar-se na banheira e esquecer o tempo. Mais uma taça e mais música clássica. Relaxou por completo com a água quente e o sabor do vinho. Poderia beber toda aquela garrafa, mas teria sérios problemas para sair da cama no dia seguinte e suas aulas não seriam leves.

O celular tocou novamente, mas dessa vez ela privou-se em atender. No visor o nome que deixou-lhe apreensiva: Robert Gold. O que ele queria àquela hora da noite só saberia no dia seguinte. Ignorou as chamadas e terminou seu banho. Enfiou-se numa camisola bem folgada de algodão e desceu para a cozinha. Preparou um lanche rápido enquanto ouvia o noticiário pela televisão. Previsão de tempo bom para os próximos dias e no fim de semana aconteceria uma feira ao ar livre próxima à casa de sua mãe, no parque onde fazia seu cooper diário. Foi então que Regina se deu conta de que seu aniversário estava próximo e que deveria comemorar de forma diferente. Talvez uma distração positiva para a irmã, ajudá-la com os preparativos. Sorriu pensando em Zelena animada organizando uma festa.

Terminou seu lanche e foi dormir. O dia seguinte seria bem atarefado.

 

Mais uma corrida pelo Manhattan Beach Park. Mais um tempo para repensar suas atitudes. Teria uma tarde concentrada em visitar a irmã e tirá-la um pouco da escuridão. Também teria que pensar sobre o que o reitor da universidade tanto insistiu em falar com ela a noite passada e se isso tinha a ver com as mudanças que ele queria fazer no seu departamento e como ela deveria se comportar com relação a isso. Ela não arredaria pé em favor dele, defenderia suas convicções até o fim, mas também teria que prezar pelo seu emprego.

- Regina?!... - essa voz estava distante, mas ela nem se deu conta de que Kristin estava na porta de sua sala - Regina?! Está tudo bem?

A morena riu endireitando o corpo na cadeira, olhando diretamente para a professora.

- Desculpe, Kristin, estou tão preocupada que me perco pensando…

- E o que anda tirando seu sossego? - a amiga sentou-se e esperou que a outra desabafasse.

- Tanta coisa… - sorriu - … E quase nada ao mesmo tempo! - as duas riram juntas - … É Zelena que não consegue vencer essa maldita depressão e agora Gold resolveu investir contra o nosso trabalho!

- Ele tem procurado por todos nós para saber em quem pode se apoiar aqui dentro.

- E alguém já se manifestou?

- Belle acredita que não teremos surpresas, mas eu não confio em dois ou três do nosso quadro… Precisamos ficar alertas com isso ou nossos projetos irão pro ralo. - as duas ficaram em silêncio. Silêncio o suficiente para Kristin notar a diferença em Regina - … Mas isso não é tudo que está aborrecendo você…

- Não, minha querida… Vou almoçar com mamãe e Zelena hoje e minha irmã não está nos melhores dias, portanto…

- A irmã caçula deverá ser forte e segurar as pontas… - completou a loira com o tom pesado - … Regina! - exclamou ralhando - … Eu já disse que você não pode se meter tanto! Acaba ficando assim… - estendeu a mão em direção a morena - … Um poço de preocupações e que nem são suas!... Eu compreendo que Zelena é frágil e precisa de cuidados, mas não pode assumir esse fardo sozinha! - Regina permaneceu quieta durante o sermão, de olhos baixos - Sua mãe transferiu aos poucos essa responsabilidade e você foi absorvendo. A educação de Robin é responsabilidade sua desde quando?... - esperou que a amiga respondesse, mas Regina só ouviu - Desde que o pai dela desapareceu você tomou as rédeas…

- Faria isso mesmo com aquele traste por perto… - protestou Regina.

- … Ah, eu sei disso, meu amor! - Kristin riu, mas insistiu em continuar seu discurso - Eu admiro você, Regina! É uma mulher forte que poderia ter ganhado o mundo, mas conseguiu equilibrar tudo ao seu redor e continuar no comando. Mas eu também sei que isso custa muito à você, olhe agora… - Regina encarou a amiga e sorriu dando-se por vencida.

- Você me conhece muito bem, Kristin… Eu sei que quer o meu bem e agradeço profundamente por todo esse sermão. - suspirou - Talvez eu precise de férias…

- Não, minha querida… Você precisa de emoção na sua vida, Regina… - a morena gargalhou com a afirmação da amiga.

- Ah, Kristin, eu não tenho paciência para relacionamentos, conhecendo-me tão bem já deveria saber! - levantou-se e foi guardar dois livros que estavam na sua mesa.

- Permita-se, Regina… É uma mulher linda e interessante… - ergueu uma das sobrancelhas e fez um ar de mistério - Talvez um aluno, quem sabe…

- Ficou louca? - exclamou Regina alterando a voz - Kris! Eu jamais me envolveria com um aluno!... - baixou o tom - … Nem mesmo uma aluna… Eu não conseguiria, vai contra a ética, a minha ética!...

Kristin ainda ria muito quando foi-se levantando.

- Está certo, dona ética! - zombou - Vamos logo para nossas aulas… Do jeito que as coisas estão, Gold deve estar vigiando até nossos passos e vai ver que estamos atrasadas.

As aulas daquela manhã nem seriam muito pesadas. Regina conferiu seu material e partiu ao lado de Kristin pelo corredor ainda rindo da longa conversa que tiveram e da forma que havia terminado. Imagine! Ela envolvida com algum aluno ou aluna da universidade. Sabia o seu lugar e mantinha-se atenta a esse comportamento. Segundo seus princípios seria contra a ética profissional e haveria um grande conflito de interesses nisso tudo.

Caminhando pelo corredor externo do prédio avistou seu pai saindo da biblioteca e ignorou completamente. Uma mágoa ainda revolvia-se dentro dela, mas isso também Regina conseguia controlar bem. Apenas imaginava se Robin já tinha passado pela experiência de ter o avô desagradável como professor.

 

Se te comparo a um dia de verão

És por certo mais belo e mais ameno

O vento espalha as folhas pelo chão

E o tempo do verão é bem pequeno.

Às vezes brilha o Sol em demasia

Outras vezes desmaia com frieza;

O que é belo declina num só dia,

Na eterna mutação da natureza.

Mas em ti o verão será eterno,

E a beleza que tens não perderás;

Nem chegarás da morte ao triste inverno:

Nestas linhas com o tempo crescerás.

E enquanto nesta terra houver um ser,

Meus versos vivos te farão viver.

 

A classe toda permaneceu em silêncio e alguns murmúrios tímidos foram notados. Úrsula terminou sua interpretação do Soneto XVIII de Shakespeare e voltou para sua mesa frente à turma do 5º período de Artes Cênicas. Sentada na última fileira Regina admirava-se com a desenvoltura da professora.

- Eu espero que todos procurem pela professora Mills o quanto antes. Ela está bem ali… - apontou para o alto e todos se viraram - … E o projeto será apresentado na Semana de Literatura, portanto eu espero empenho de todos vocês!... Vejo vocês na próxima semana, qualquer dúvida estarei na minha sala a partir das 16 horas.

Os alunos foram se levantando e até alguns cumprimentaram Regina. Duas moças se aproximaram dizendo que a procurariam para saber mais detalhes do projeto. Não era uma turma grande, talvez uns 20 ou 22 alunos, mas seria um prazer como todas as vezes que as duas tocavam o projeto juntas. Regina desceu calmamente as escadas e foi até a professora Dungey.

- Teremos bastante trabalho esse período, se vamos nos apresentar na Semana literária temos que correr! - advertiu Regina.

- Claro! Eu já tenho algumas estratégias e podemos discutir sobre tudo quando quiser.

- Sim! Poderemos nos reunir na próxima terça, o que acha?

- Sem problemas, Regina… de repente Úrsula ficou séria - … Contanto que já tenhamos definida a famosa festa de encerramento! - as duas riram e regina aproveitou o assunto.

- Eu ainda tenho uma outra comemoração… - diante do olhar curioso da mulher à sua frente ela continuou - Meu aniversário é na próxima semana e quero fazer algo diferente… - seus olhos brilharam e Úrsula suspirou.

- Hmm… Regina Mills quer dar uma festinha! Vai abrir as portas do palacete?

- Exagerada! - riu da amiga - Provavelmente será na casada minha mãe… Mais espaço, um jardim grande e… - ressaltou - … Nada de casa bagunçada no dia seguinte!

- Sua aproveitadora!... Eu tenho pena da sua mãe…

- Não tenha! Cora vai planejar tudo na sua cabeça durante o almoço de hoje quando eu disser que quero fazer essa festa. E claro não será algo de outro mundo… Algo mais íntimo, para os meus amigos mais próximos…

As duas saíram da sala e voltaram para a ala das salas dos professores.

- Eu sei muito bem onde isso acaba… - Úrsula ria enquanto ajeitava a bolsa no ombro - Da última vez que ouvi isso, Belle fez parecer que o aniversário dela era o 4 de julho antecipado!

- Deixe de ser ranzinza, Dungey! Você vai na minha festa e se for à fantasia quero você vestida de sereia! - Regina gargalhou imaginando a amiga vestida com cauda de peixe sentada numa pedra. Úrsula não gostou nem um pouco da piada, mas concordou que seria uma fantasia bem inusitada.

A morena encerrou seu trabalho naquela manhã de quinta-feira com a sensação de que as coisas poderiam ser mais leves. As palavras de Kristin ainda retumbavam dentro de si, mas ela pondera todas as circunstâncias. Regina é uma mulher tranquila quanto aos seus anseios, ao menos é o que ela consegue equilibrar até este momento de sua vida. Quando era mais jovem, da idade de, pelo menos, mais da metade de seus alunos, ela queria se divertir. Aprendeu a caminhar com as próprias pernas, logo já estava correndo e poderia até voar se assim seu coração o quisesse. Ela ria de si mesma quando chegou ao estacionamento e jogou a bolsa no banco de trás. Olhou ao redor.

"Kristin não me conhece tanto assim."

Com esse pensamento ela ligou o som e partiu para a casa de Cora. Estava faminta.

Acelerou mais do que o habitual e até que o trânsito estava bem tranquilo. Quase meia hora depois Regina já estacionava em frente à casa de sua mãe. Um jardim verdinho e bem cuidado onde ela aproveitou bastante sua infância. Caminhou devagar pelo gramado lembrando do balanço de madeira antigo que Zelena e ela brincavam. A árvore não está mais lá e nem mesmo os canteiros de rosas, mas as macieiras estavam intactas, assim como era quando tinha 6 anos de idade e seu pai a colocava no colo para apanhar um fruto maduro no pé. Bons tempos.

Tocou a campainha e logo sua mãe veio atender. Cora estava radiante naquela manhã, deu um longo abraço na filha e entraram.

- Muito trabalho este período?

- O mesmo de sempre… - suspirou Regina olhando a sua volta - Humm… - puxou o ar - Que cheirinho bom!

- E pensou que sua mãe esqueceria da lasanha que você tanto gosta?

- Ah, mamãe! - passou o braço em volta da cintura de Cora e continuaram caminhando pela sala até a ponta da escada. Ali Regina cessou o riso e perguntou baixinho - Como ela está hoje?

- Está calada e ainda não saiu do quarto. Quem sabe você consiga fazê-la descer para o almoço?

- E Robin? - olhou para os lados.

- Ela almoçou mais cedo e foi para a Saint John’s.

Regina afastou-se um pouco da mãe e segurou suas mãos.

- Eu vi Henry hoje no campus.

- Aquele traste! - praguejou Cora - Robin já sabe o que a espera?

- Eu ainda não tive oportunidade de perguntá-la sobre isso, mas espero que ele se comporte com ela.

- Bem… - acariciou as mãos da filha e se afastou - Vá lá em cima e veja se tira Zelena daquela escuridão!... Vou servir o almoço.

Regina foi subindo as escadas calmamente e caminhou pelo corredor e parou na última porta à direita. Duas batidas e girou a maçaneta colocando a cabeça para dentro do cômodo em seguida.

- Eu não vim aqui para engordar sozinha!...

- Oi! - disse Zelena com um meio sorriso de quem se esforçava para ir além. Estava sentada na poltrona ao lado da cama e tinha um livro nas mãos que foi fechado assim que Regina entrou no quarto. Ela o deixou sobre a cabeceira e levantou-se para dar um longo e caloroso abraço na irmã caçula. As duas sentaram-se na cama, lado a lado, Regina olhava diretamente para Zelena que tentava esquivar um pouco o olhar.

- Como passou a noite?

- Consegui dormir um pouco…

- Está tomando a medicação, Zel?

- Sim… E se eu esqueço Robin ou mamãe lembram, não tem como falhar… - olhou para frente e suspirou - Pareço uma criança de 5 anos.

- Isso vai passar, Zelena… Você tem que confiar em você e lutar!

- Para quê, Regina?! Eu não vejo muita coisa para mim agora…

- Pois eu vejo! - a morena alterou a voz - Você é uma mulher linda e livre! Não tem que definhar pelo resto da vida… - Regina percebeu que poderia dizer algo de ruim sobre o cunhado e calou-se. - entrelaçou os dedos nos de Zelena e permaneceu em silêncio.

- Eu deveria ser como você…

- Ah, pare com isso! - Regina protestou.

- É sério!... É sempre segura de si, não tem medo de nada, não se apega a ninguém e vive sua vida da melhor maneira possível! Sempre tão carinhosa comigo, mamãe… É uma verdadeira mãe para Robin…

- Zelena! - apertou a mão da irmã - O que a faz pensar assim? Você é uma mulher incrível! Sempre bem humorada, culta, cheia de ideias e sempre disposta a ajudar!... Eu quero saber onde você se escondeu?!... - levou a mão no rosto da ruiva e afagou sua pele com carinho - Ah, Zelena… - suspirou - … Eu te amo tanto e me dói muito vê-la assim!

- Eu vou ficar bem, minha irmã! - deu um abraço na morena e permaneceram juntas por algum tempo até que Cora abriu a porta com todo o cuidado.

- Almoço na mesa, meninas!

Já fazia um tempo que não elas não tinham um momento entre elas três, como adultas, como confidentes. Vez ou outra Robin roubava a atenção ou Zelena estava elétrica demais e Regina tagarela demais. Uma bela travessa de lasanha, uma salada para disfarçar, como Cora mesma alegou, vinho e as Mills sentaram-se para uma longa conversa entre talheres.

- Vamos no pier mais tarde, Zel?

- Podemos… Eu quero estar aqui para conhecer a nova amiga de Robin…

- É colega do curso? - perguntou Regina e a irmã concordou acenando.

- E seu pai, Regina? - perguntou Cora entre uma garfada e outra. Zelena arregalou os olhos e virou-se rapidamente para a irmã.

- Ele é professor de Robin?

- Ainda não sei, mas tudo indica que está com disciplina nesse período. - Regina continuava a devorar o pedaço de lasanha e já pensava quantas corridas pelo parque seriam necessárias para eliminar toda aquela gostosura.

- Eu não entendo como é que aceitam múmias para dar aulas! - exclamou a Mills mais velha arrancando uma gargalhada de Zelena, o que fez Regina encher-se de alegria vendo a irmã divertir-se com o mau humor da mãe.

- Mamãe… - riu Regina - … Foi casada com essa múmia por vinte anos! - piscou para Zelena que continuou a caçoar da mãe.

- Ele era tão rabugento quando se conheceram?

- Não, meninas… Seu pai era um cavalheiro e não sei o que deu nele para mudar o comportamento dessa forma…

- Eu sou a resposta! - exclamou Regina.

- Não! - gritou Cora - Nunca repita isso, filha… Ele ama você do jeito dele, mas não consegue ser um homem compreensivo…

- Ora, mamãe, não precisa fazer toda essa média… Papai jamais aceitou que eu fosse tão atirada na vida! - ela riu novamente de forma aberta - Ele deve ficar escandalizado quando caminha pelo campus da Saint John’s e nem pode fazer nada ou vão acusá-lo de tudo: machista, homofóbico, preconceituoso...

- Ele não se metendo com Robin pode continuar com todo a sua amargura… - resmungou Zelena.

- Ele não vai. Ele sabe que eu estou ali por perto e não vai fazer nada que tenha que me enfrentar depois.

Elas ainda fizeram algumas observações sobre o pai, Regina mencionou a proximidade dele ao reitor da Saint John’s e o quanto isso poderia ser prejudicial caso ela enfrentasse Gold em suas investidas pelos cortes do seu departamento. A mãe sempre protetora pediu que a filha ficasse atenta.

- Se ele tentar algo eu acabo com ele!

- É… - Zelena estava cada vez mais solta - … A única pessoa de quem Henry Mills tem medo é a senhora, mamãe… Como se fosse um menino arteiro que quando ouve a voz da mãe sai correndo. - Cora riu da comparação e postou o guardanapo sobre a mesa e encarou as filhas.

- Ele sabe que tenho razão em todos os meus argumentos… Ele sabe com quem mexe… Mas, vamos esquecer esse assunto!... - levantou-se - Vou buscar a sobremesa…

- Nossa! Eu vou precisar de dobrar meus exercícios desse jeito! - Regina arregalou os olhos, mas já atenta ao que seria servido. Seus desejos foram atendidos e a mãe voltou da cozinha com a sobremesa que deixava a morena nas nuvens - Torta de maçã!!! - bateu palmas comemorando e logo Zelena foi servindo todas elas.,

- Mamãe… - disse baixinho - Semana que vem é o meu aniversário e pensei que seria interessante comemorar de forma diferente esse ano…

- Eu acho uma ótima ideia, Regina! - Zelena mostrou-se animada com a novidade, então Regina percebeu que estava no caminho certo. Uniria o útil ao agradável - Já pensou em algo?

- Olha, eu sinceramente não tenho a mínima ideia, mas sei que quero algo bem íntimo, amigos mais próximos e sem muita badalação.

- Ai, Regina… - gemeu a irmã sem mostrando desânimo - Por que sempre tem que limitar as coisas?

- Onde fará a festa, querida?

- Bem, mamãe… - foi devagar - ...Pensei que não se importaria se deixasse que fizesse aqui mesmo. - Cora parou com o garfo de torta no meio do caminho e olhou diretamente para a filha.

- Se deixar Zelena por conta dessa festa pode esquecer!

- Hei! O que eu fiz? - perguntou a ruiva.

- Ainda não fez nada, Zelena, mas se bem a conheço você tem habilidade de fazer Nova Iorque inteira caber no meu jardim! - ficou séria por um tempo olhando as filhas e Regina arrependeu-se por um instante, mas logo percebeu que era uma grande piada da mãe. Cora abriu um sorriso terno - Suas bobas… Não conhecem a mãe que tem! Claro, que poderá fazer aqui, Regina!... Zelena pode organizar, mas contanto que eu supervisione!

Enfim Regina teria sua festa de aniversário. Depois daquele almoço suas preocupações dissiparam-se um pouco, ela tinha a família para se apoiar e poderia contar com sua mãe e sua irmã. Essa ainda lhe causava receio, mas o que Zelena precisava era distração, uma festa de aniversário em casa poderia ser algo para que ela se sentisse útil.

Durante a tarde, as três ainda conversaram mais sobre a festa. Seria na semana seguinte, no sábado, o último livre de Regina, pois ela começaria o curso de Estrutura Poética. Já tinha lançado as inscrições pelo sistema e logo teria retorno de quantos alunos seriam. Aguardava uma turma não muito grande, seus cursos extras eram bem específicos e ela gostava que não expandisse o público. Aproveitou estar na casa da mãe para garimpar a velha biblioteca e encontrar algo que ainda não tivesse lido. Impossível. Regina havia devorado todas aquelas prateleiras. Zelena e ela ficaram ainda na biblioteca, Cora precisava ir até o supermercado para preparar o jantar e receber a amiga de Robin. Mesmo regina insistindo que poderiam fazer isso juntas, a mulher seguiu deixando as filhas à vontade.

- Ela não muda, não é? Sempre agitada e teimosa!

- Você se parece muito com ela… - comentou Zelena.

- Não, minha querida… Eu sou a tempestade que Henry Mills deixou de herança. Você pode ser a mais agitada de nós duas, mas eu tenho um gênio mais complicado, Zelena.

- Tempestade de Henry Mills… - balbuciou repetindo - … Sempre tão poética! Faça um poema pra mim, Regina! - fez cara de pidona e a irmã gargalhou.

- Já expliquei que não funciona assim… Você precisa me mostrar qual é o seu poema, meu amor… - cruzou os braços e franziu o cenho - … Falando nisso, faz tempo que não trabalho na minha pesquisa… Quem sabe você me ajude com ela…

- Eu?!... Não vejo como…

- Ora, mostre-me seu poema interior, Zelena… - desafiou Regina - … Eu sei que existe tanta coisa por trás desses olhos azuis e nessas ondas ruivas dos seus cabelos…

Zelena riu e parou um segundo pensando.

- Olha só, o poema pode começar assim… Minha irmã Zelena tem olhos azuis maravilhosos e o humor mais engraçado, quando ela caminha parece um pato desengonçado!

- Isso não teve graça… - zangou-se a morena.

- … Mas rimou! - rebateu Zelena.

Esse ritmo tranquilo e descontraído perdurou por toda a tarde. As duas lembraram-se de coisas que aprontavam quando eram crianças. Robin era um anjo se comparada às duas. Regina quis ligar para a sobrinha para saber se queria que fosse buscá-la, mas logo deixou a ideia de lado quando Zelena foi até o jardim para mostrar o que pretendia fazer na festa de aniversário. Um DJ deveria ser contratado e algumas mesas espalhadas pelo gramado, assim como o buffet deveria ficar nos fundos preparando tudo e passando pela lateral da casa, assim o interior ficaria livre para circulação e para que alguns convidados mais conservadores pudessem conversar sem o barulho da música. Regina achou o adjetivo “conservador” abusivo, mas Zelena deu de ombros considerando que os amigos de Regina eram bem estranhos.

- Que tal um baile de máscaras?! - exclamou a ruiva no meio do gramado do jardim enquanto observava Regina na varanda.

- Não acha um tanto excêntrico?

- Não acha um tanto misterioso? - Zelena rebateu já continuando o argumento - Podemos fazer a lista de convidados agora mesmo e vamos perceber que cabe sim um baile de máscaras no seu aniversário, Regina Mills! - ela era imbatível com a insistência, se caso Regina se opusesse ela daria mais mil motivos para que concordasse - Não precisa ser à fantasia até porque não temos tanto tempo, mas as máscaras de Veneza seriam o charme da festa. Traje passeio completo e as máscaras. Eu tenho ainda o contato do buffet que fez a festa de Robin, lembra-se? Um buffet temático!

- Zelena, mamãe tinha razão… Você vai colocar a cidade inteira aqui! - Regina mostrou-se preocupada com a amplitude que a festa poderia tomar e não era o que pretendia.

- Calma, meu amor… Quer fazer a lista agora?! Podemos fazer… Venha, o cartão do buffet está no meu quarto. - puxou a irmã pela mão e as duas entraram.

    Regina bem sabia que poderia estar entrando num caminho sem volta e fazer todas as vontades de Zelena não só por vê-la animada, mas também porque era a sua festa e ela queria muito se divertir como há muito não se divertia. Quando a mãe retornou do supermercado a conversa sobre o aniversário esquentou mais, pois Cora abraçou a ideia e, como Regina previa, ela planejaria tudo junto com a irmã.

    Gostava de estar em casa com a família e passar por momentos assim. As palavras que ouviu de Kristin mais cedo voltaram à sua mente e ela observava Zelena e Cora discutindo sobre o cardápio da festa. Por um momento Regina imaginou algo que a tenha feito arrepender-se de ter voltado para a América ou o convite de Jones que resistia. Não. Ela queria estar onde está e toda aquela atmosfera faz parte de si mesma.

    Conferiu as horas no celular, estava ficando tarde.

- Robin chega tarde? - perguntou para a mãe.

- Ela vem de carro com essa moça que conheceu na faculdade. - respondeu Zelena.

- Regina, você janta conosco, não é? - Cora tinha esperança de ter a filha caçula mais um pouco entre elas, mas sabia que Regina teria trabalho acumulado da faculdade.

- Eu preciso preparar um material para as aulas de amanhã, mamãe… Desculpe, mas não poderei ficar. - viu que a mãe desapontou-se um pouco, mas não poderia adiar o que precisava fazer.

- Ah... Robin gostaria de encontrá-la aqui! Não quer conhecer a menina?

- Sim, Zel, eu gostaria muito, mas não poderei… - foi se levantando calmamente e apanhando a bolsa - Não vai faltar oportunidade… Se eu bem conheço, Robin quando gosta de alguém é como um chicletinho… - riu e abraçou a mãe - Logo, logo estaremos todas juntas!.. Ah… E deixem Robin convidar quem ela quiser, ouviram? - olhou para mãe diretamente e depois Zelena que riu com a recomendação.

- Regina, não sou eu que fiscaliza com quem Robin se envolve… É você! - virou-se para a irmã e juntas caminharam para a porta.

- Ok… Eu estou aqui para ser recriminada por protegê-la demais! Já entendi! - as duas riram e despediram-se com um abraço carinhoso - Fique bem, minha querida! - sussurrou no ouvido de Zelena e afastou-se admirando os olhos azuis dela.

- Com tanto trabalho que deixou para essa festa eu não terei tempo de ficar mal! - riram novamente e Regina desceu as escadas rapidamente avançando pelo jardim.

Antes de entrar no carro conferiu o celular e viu as tentativas de Robin para falar com ela, mas não retornou. Faria isso quando chegasse em casa. Deu partida no carro e quando arrancou virando a esquina viu um fusca amarelo passando com uma Robin ansiosa por acenar para ela no banco do carona. Buzinou e sorriu. Acenou a cabeça para a moça que dirigia. Pelo retrovisor viu o automóvel estacionar em frente a casa de Cora. Por segundos não se encontrou com a sobrinha.

- Amanhã nos falamos, minha querida… - comentou alto ainda olhando pelo retrovisor e seguiu adiante.

Precisava mesmo organizar alguns textos, mas a maioria deles seria para o curso extra curricular. Regina estava empolgada com ele, pois ali era ela no comando sem seguir ementas educacionais de praxe como as outras disciplinas. Ela criaria e faria seus alunos criarem.

Estacionou e rapidamente ganhou as escadas dos fundos indo direto para o escritório e já preparando o que precisaria. Foi quando abriu uma gaveta e encontrou uma pasta preta recheada de papeis tanto impressos quanto rabiscados por ela mesma. Seu projeto, aquele dos poemas que ela tinha como um trabalho vagaroso e a longo prazo, sem burocracias. Sentou-se por um momento na poltrona e abriu. Passou algumas folhas, leu outras com mais vagar. Sorriu de algumas anotações e percebeu como aquele projeto poderia crescer mais ainda. Encheu os pulmões de ar e ficou pensativa olhando para um canto qualquer. Quem sabe seria uma boa hora de reprogramar aquela pesquisa e encontrar alguém com quem pudesse dividir o trabalho e o prazer do que era ir fundo na aura das pessoas e descobrir a poesia que cada uma tinha dentro de si. Antes de fechar a pasta, um rascunho um pouco rasgado caiu entre seus pés e tinha uma letra diferente da sua.

 

Quando seus anseios estiverem prestes a cessar, saiba que em algum lugar do mundo eu estarei pensando em como é bom ter seus braços em volta do meu corpo, minha querida.

 

Fiona. A letra era da ex-namorada. Regina olhou aquele pedaço de papel com carinho e passou os dedos pelas palavras como se fizesse carinho no rosto da mulher que as escreveu. Colocou o papel de volta na pasta e voltou com ela para a gaveta.

Subiu para seu quarto e foi direto para o banho. Pensou em Fiona como uma mulher que mexeu com seus sentimentos há muito tempo atrás, mas que agora não passava de uma boa lembrança. Apenas isso.

 


Notas Finais


Quem aí tá ansiosa?!
Dessa vez foi quase... hahahahaha

Até o próximo e já aflita pra essa festa de aniversário!!!

Deixem seus comentários e contem pra gente o que estão achando da história!
Estamos no TT também! @adeliakkk e @ejuliaci

Bjusss


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