História Point of Retreat (Yoonmin) - Capítulo 49


Escrita por: ~ e ~yehethesis

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Palavras 9.028
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Crossover, Ficção, Lemon, Mistério, Misticismo, Romance e Novela, Shonen-Ai, Suspense, Universo Alternativo, Yaoi (Gay)
Avisos: Adultério, Álcool, Drogas, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Suicídio, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Gente, por favor, desculpem a demora, é que eu realmente estava passando por alguns probleminhas de praxe ultimamente, resolvendo uns assuntos acadêmicos, e acabei deixando cada vez mais para trás a atualização da história, mas eu não esqueci não!

Esse capítulo está ENORME mesmo, dá quase uma os, mas eu não quis dividir porque ia ficar sem nexo demais, então leiam aos poucos, pra não morrer de cansaço, ok?. Aqui é o fim da reconstrução das tapes, então é pra ter umas respostas vindo junto com isso também.

Enfim, boa - longa - leitura!

Capítulo 49 - Capítulo Trinta


Nós decidimos voltar para a Coréia.

Jimin e eu já estávamos com saudades do nosso apartamento que provavelmente estaria coberto de poeira que precisaríamos limpar a essa altura. Mas eu precisei convencer Tae com todas as palavras e gestos e tudo o que estava a meu alcance para que ele finalmente cedesse.

Não é que eu não voltaria sem ele, apesar de que isso também é óbvio.

É que eu simplesmente não podia deixá-lo para trás.

Não de novo.

E eu não vou deixá-lo.

Mesmo que saiba o quanto a nossa volta pode quebrá-lo.


 

. . .


 

— Você me deixou pensando nisso por um tempo — começo a dizer.

É fim de tarde. Eu teria aula hoje, se não estivéssemos na época das férias de verão, então é um bom tempo para relaxar. Eu estava certo sobre a poeira no apartamento, Jimin e eu viramos a casa de cabeça para baixo e limpamos tudo quanto possível. Agora estou aqui com Tae, nesse farol esquisito para onde ele quis me trazer, coberto de poeira e suado, tentando pensar em uma forma delicada de forçá-lo a me contar mais sobre o que aconteceu com ele.

— Te deixei pensando no quê? — Tae questiona, esticando mais as pernas longas. Ele está deitado de costas, encarando o céu alaranjado. Parece triste, eu entendo que esteja. Ele realmente não queria voltar.

— Você… você nunca fala muito sobre a sua família. — Tento. Seus olhos se semicerram e os dedos entrelaçam-se fortemente uns aos outros, suas mãos apoiadas sobre sua barriga. Não sei dizer se ele está irritado, mas é bem provável. — Você disse que tem uma irmã… — Sua expressão se torna aliviada. Pelo menos um pouco. —… Ela nunca tentou… sabe… te encontrar?

Tae suspira, levantando os braços e colocando-os atrás da cabeça.

— Ela tentou, sim. Pelo menos cinquenta vezes — conta ele, com um tom divertido na voz e um sorriso brincalhão pairando em seus lábios. — É uma garota incrível, sabia? Eu realmente precisei afastá-la para que vivesse a sua própria vida com nossos pais. Ela me perguntou por que eu nunca quis voltar, e eu nunca cheguei a responder para ela, mas na verdade… sei lá. Não parecia certo que eu voltasse depois de tanto tempo para “desequilibrar” a família novamente, então fiquei onde estava. Acho que foi melhor para todo mundo. Ela costumava vir no meu aniversário, mas depois de um tempo… — Ele pausa, o sorriso de antes desaparecendo por completo de seus lábios, a expressão alegre em seu rosto sendo substituída por uma mais sombria, séria e fechada. —… as coisas ficaram ruins para ela. E agora ela está longe demais para vir.

Hesito, mordendo o lábio enquanto penso.

— E por que você não vai atrás dela? — digo, por fim.

Tae ri. Uma risada amarga e fria, tão diferente daquelas com as quais estou acostumado, calorosas e alegres. Me pergunto silenciosamente que lembrança o atingiu para transformá-lo tão drasticamente.

— Porque eu nunca mais vou vê-la novamente.

Semicerro os olhos, frustrado com isso, e procurando uma forma de tentar convencê-lo a encontrar sua irmã. Ou pelo menos mandar uma mensagem, ligar para ela, qualquer coisa. Só… não sei. Não parece justo com nenhum dos dois que eu não faça nada.

De repente, Tae se levanta, estendendo a mão para mim. Eu a pego, e ele me ajuda a ficar de pé.

— Vamos a um lugar — informa, seus dedos ásperos envolvendo meu pulso. — Quero te mostrar uma coisa.


 

. . .


 

Nós passamos no quarto de Tae na Auckland para pegar algumas coisas que ele precisa. Quer dizer, ele passa, já que eu fico esperando por ele no estacionamento, em seu carro.

Eu não lembrava que ele tinha um. Acho que realmente passamos tempo demais nos Estados Unidos, apesar de que foi uma viagem boa. Eu com certeza quero mais momentos como aqueles. Provavelmente, se eu conseguir juntar dinheiro até lá, já que não tenho nenhum rico para roubar, eu possa chamar Jimin para irmos para a França na semana do Dia dos Namorados. Ele tem fixação pela Torre Eiffel, por causa da arquitetura “interessante”, e eu tenho fixação nele, então nunca me esqueço.

É. Vou fazer isso.

Vai ser incrível.

Batuco os dedos contra meu joelho, esperando que Tae retorne.

Quando finalmente acontece, ele está vestindo roupas diferentes. Todo de preto, com um All-Star cinza. Há uma câmera fotográfica antiga em suas mãos, que ele joga de uma para a outra, entretido.

— Então — digo, assim que ele bate a porta ao entrar no carro. —, vai me dizer para onde vamos?

— Pinewood Break — responde, deixando a câmera cair sobre seu colo e ligando o carro após girar a chave na ignição. — É perto de Seoul, vai demorar um pouquinho, mas… é realmente importante. E eu gostaria que você fosse comigo.

Concordo com a cabeça, puxando o cinto de segurança sobre meu peito e esperando que ele nos tire do estacionamento. Sua expressão é calma, mas eu sei que ele não está, pela forma como seus dedos apertam firmemente o volante.

— Você precisa voltar para casa hoje? — Tae pergunta, voltando a falar após longos minutos de silêncio entre nós dois.

— Sim. — Sou vago. Não quero dizer que só estou voltando porque preciso dos braços de Jimin ao meu redor agora que estamos em Daegu novamente. Não parece certo, ainda mais porque Tae disse que, o que quer que seja que estamos indo fazer, é importante. — Por quê?

— Eu queria ir para aquele lugar onde você me levou depois que nos encontramos pela primeira vez, lembra? Aquele posto de gasolina. Eu… tem uma coisa lá que eu preciso pegar.

Ah.

— Tudo bem. Eu posso voltar tarde — informo, sorrindo para ele, que sorri de volta, embora com menos da metade da minha animação, que já não era muita. — Desde que eu volte.

Ele assente, e nós não dizemos mais nada pelo resto do caminho.


 

. . .


 

Tae se curva, deixando a câmera cair, apesar de com alguma delicadeza, sobre a terra escura e macia, lamacenta.

Estou nervoso sobre estarmos aqui, porque parece que estou invadindo a privacidade dele de um jeito horrível. Me sinto tão mal que minhas mãos tremem violentamente, balançando o feixe da lanterna junto.

— Você lembra que eu disse… — Tae ofega, esforçando-se para apagar o nome completamente da pequena plaquinha de madeira. —… que nunca mais ia ver minha irmã? É por causa disso, Yoongi.

Então ele se afasta alguns passos, tirando uma lata de tinta spray preta de uma mochila pequena e pintando o que restou do hangul.

E então eu entendo.

Entendo porque ele disse aquilo sobre não poder vê-la. E percebo que ele está certo.

Ele nunca mais vai ver sua irmã porque ela está morta.


 

. . .


 

Tae parece apenas tenso enquanto dirigimos para o posto de gasolina. Tenso e nada mais. Não sei se ele está escondendo suas emoções ou o quê, mas não pergunto. Parece certo deixá-lo livre de mais questionamentos por agora. Porém, como se lesse minha mente, ele começa a falar justamente sobre o que eu estou pensando.

— Ela morreu em um acidente de carro — conta, sua voz baixa e rouca, expressando sua dor. — Faz três anos, mas… é como se fosse ontem. Coisas ruins acontecem sempre com as melhores pessoas.

Não sei o que dizer, e não vou dizer que sinto muito porque é uma merda quando as pessoas dizem isso, eu sei. Experiência própria. Em vez de falar, estendo meus dedos e aperto seu joelho, que é o que está mais próximo.

— Choi é o único que sabe. Ele… ele leva flores para ela, e eu deixo alguns presentes que desaparecem com o tempo, enterrados na lama — Tae continua. Ele levanta o braço, enxugando uma lágrima solitária escorrendo por sua bochecha com o dorso da mão. — Meus pais nem providenciaram um enterro decente, eu…

— Você não precisa falar sobre isso — o interrompo. Na verdade, não quero que ele fale. Pego sua mão, tirando-a do volante, já que ele pode muito bem usar a outra, e a aperto entre as minhas calmamente, tentando mostrar-lhe que está tudo bem.

Demora, mas, em algum momento, sinto seus dedos apertando os meus de volta.

Então, de repente, ele olha para mim, e há algo em sua expressão que não estava lá antes: preocupação.

— Yoongi — ele chama, e eu sinto-me deslocar para frente quando o carro para abruptamente, sendo desviado para o acostamento. Os dedos cuidadosos de Tae deixam os meus e sobem para o meu rosto, tocando-o, então se afastam. E há um líquido escuro manchando as pontas deles. — Yoongi, seu nariz está sangrando.

Uso a manga da minha camisa, já suja, para limpar, esfregando até que o tecido não volte mais avermelhado ou rosado. Então inclino a cabeça para trás quando sinto o líquido escorrendo para baixo novamente. Os dedos de Tae tocam a lateral do meu rosto, deslizando com delicadeza para trás da minha cabeça, que ele inclina com o máximo de cuidado possível. Ouço o clique que indica que o cinto de segurança fora solto, e então o sinto deslizar para o lugar, passando devagar sobre meu peito.

Tae deita um pouco meu banco, para que eu consiga ficar com a cabeça inclinada para trás sem muita dificuldade.

— Vou levar você para o hospital — informa ele, afastando-se de volta para o volante, mas seguro seus dedos quando estão prestes a deixar meu rosto.

— Não. Vou ficar bem — afirmo, surpreso com a firmeza em minha voz. — Isso… isso tem acontecido ultimamente. Eu já me acostumei, é só… é só esperar um pouco. Já vai parar.

— Yoongi…

— É sério, Tae. Está tudo bem.

Eu vejo a forma como ele hesita, mas aperto seus dedos com mais força, encarando-o. Ele assente algum tempo depois, resignado, e se volta para o volante, colocando-nos de volta na estrada, de volta para o caminho onde estávamos antes.


 

. . .


 

Uma dor de cabeça dos infernos é o próximo estágio quando o sangramento nasal finalmente para.

Por sorte, há remédios no apartamento improvisado mantido no posto de gasolina abandonado, além de uma caixa de primeiros socorros, mas é só isso.

— O que… o que você precisa pegar? — pergunto, bocejando e tentando manter os olhos abertos, apesar de ser bem difícil.

— Só uma… — Ele semicerra os olhos ao me encarar. Então se aproxima a passos curtos e rápidos, seus movimentos desacelerando ao se inclinar sobre mim. Seus dedos gelados vão de encontro à minha testa, enquanto a mão livre segura minha cabeça, apoiando-a com cuidado. — Merda, Yoongi, você está com febre!

Suspiro, inclinando-me para trás, desvencilhando-me dele ao deitar de costas sobre a cama macia.

— É só uma dor de cabeça — afirmo, puxando minhas pernas para junto do peito ao deitar de lado. — Vai passar, Tae.

— Yoongi, por favor. — Ele contorna a cama, abaixando-se ao lado dela, nivelando seu rosto com o meu. — Por favor, deixe-me ajudá-lo. Por favor.

— Você vai ajudar se me deixar lidar com isso sozinho — resmungo, ouvindo minha própria voz soar baixa e cansada. — Eu vou melhorar, Tae, é temporário.

Ele suspira, mordendo o lábio inferior enquanto brinca com seu colar. Minhas pálpebras pesam, implorando para se fecharem, como se a gravidade e eu estivéssemos batalhando um contra o outro. Sinto algo quente molhar meu rosto, mas não tenho nem tempo de ver o que é antes de adormecer, murmurando que é temporário.

Mas eu sei, tanto quanto Tae, que não é.


 

. . .


 

Quando as pessoas estão febris, em níveis quase extremos, elas começam a delirar, pois não tem mais a capacidade de diferenciar a realidade da fantasia.

— Sabe, acho que essa banheira tem lugar para duas pessoas.

Eu olho para ele, seus dedos deslizam pela borda de porcelana, enquanto os joelhos, emergidos, se separam. Eu sorrio.

— Certo. — concordo.

Ele exibe um sorriso pequeno e me olha de baixo. Franzo os lábios.

— Como sou mais novo, eu fico atrás — exijo, erguendo as sobrancelhas sugestivamente.

Ele revira os olhos, embora tenha rido também, mas não me desafia, apenas desliza para frente até seus joelhos tocarem seu peito.

— É que você é menor — pondera ele. — Por isso deveria ficar na…

— Foda-se — murmuro.

— É. Bem, esqueci que você é adepto dessa ideologia.

Passo uma perna de cada vez para dentro da banheira e me abaixo para sentar atrás dele. Quando meu torso entra em contato com a água, é que percebo que ela está fria. Os pelos dos meus braços e da nuca se arrepiam, tanto pelo frio quanto pelo fato de que ele acabara de se inclinar para trás para se apoiar contra mim.

— Pensei que estivesse quente — comento. — Mas parece que você está tentando ter uma hipotermia.

— Não costumo tomar banho de água quente — replica ele, calmo enquanto deitava a cabeça sobre meu ombro.

— Isso é sério? Por quê?

Ele suspira, os olhos fechados.

— Parece que estou sempre ardendo em chamas, e isso ajuda a esfriar meu corpo.

Por algum motivo, me sinto cansado, então me inclino para trás, deixando a cabeça pender sobre a borda da banheira, sentindo o frio da água envolver meu corpo.

— Yoongi! — Taehyung chama, esticando seus braços para me alcançar, apesar de parecer acanhado com algo. Por fim, ele decide ignorar o que quer que seja e sinto seus braços deslizando por mim suavemente. Sinto a pressão da gravidade, então o ar gelado batendo contra meu corpo nu e molhado. Murmuro alguma coisa que até para mim soa desconexa, mas Tae me corta. — Chega. Vou levar você para o hospital. Eu… chega disso.

Antes que eu possa protestar, porém, sou novamente tomado pela falta de sentidos.


 

. . .


 

Acordo em casa.

Não em um hospital, rodeado de médicos, fios e máquinas. Não. Estou em casa. E Jimin está dormindo suavemente ao meu lado.

Minha cabeça lateja e algo está irritando minha pele do braço esquerdo, então eu o puxo de debaixo das cobertas para ver o que é. Meu antebraço está enfaixado, e eu nem sei porquê. E a única coisa que consigo lembrar de ontem é um Taehyung com o rosto tomado de preocupação esperando por mim em uma sala branca de hospital quando os médicos me liberaram depois de uma hora tomando soro. Eu ainda estava meio zonzo, andando lentamente, e curvado, então Tae pediu meu telefone, afirmando que queria ligar para Jimin, dizer a ele que eu estava realmente mal, que era para ele cuidar de mim, mas eu não deixei.

Fiz Taehyung me trazer para casa.

Quando cheguei, tirei as roupas e desabei ao lado de Jimin sobre o colchão, sentindo-o virar-se suavemente, então sua respiração calma e rítmica estava vindo em ondas constantes sobre minha bochecha, o indicativo de que ele ainda estava dormindo.

Eu fiz isso também.

Fechei os olhos, ignorando a tremedeira em minhas mãos, e simplesmente dormi.

Agora estou pensando no que raios está acontecendo comigo.

Que tem algo errado eu sei, mas por quê? E mais importante: o quê?

Procuro meu telefone, encontrando-o debaixo de meu próprio corpo, meio enrolado no lençol da cama, então o pego e deslizo a tela para o lado, abrindo a aba de pesquisa e procurando o que um sangramento nasal constante significa, mas tudo que encontro fala sobre inflamações e coisas normais que estão longe do que está acontecendo comigo, porque isso é tudo, menos normal.

Estou com a sensação estranha de que algo ruim está para acontecer pairando sobre mim há um bom tempo, e até agora não tive coragem de dizer para ninguém o que tenho passado, mas… talvez seja melhor falar logo. Se piorar, eu… Deus, tomara que não piore.

Porque, se piorar, não sei o que pode acontecer comigo.

Eu já não sei agora.


 

. . .


 


 

Seus dedos estavam enrolados em meu cabelo, puxando para trás levemente.

Nossas bocas estavam coladas, os suspiros e gemidos se misturando. Eu sentia sua pele quente contra a minha, e minhas mãos iam e vinham pelas suas costas, acariciando e arranhando, quando ele fazia um movimento que provocasse dor.

Minhas pernas estavam ao redor da sua cintura e, em algum lugar, havia música.

Ele estava dentro de mim, se movimentando. Parecia muito pior do que realmente era. E eu deveria estar de costas, mas não consegui separar nossas bocas.

Suas investidas eram intensas, provocando dor em lugares específicos, e prazer por toda parte. Eu sentia calafrios descendo pela minha espinha, tinha consciência da minha pele arrepiada, dos músculos contraindo-se na parte inferior da minha barriga. Não conseguia pensar em muita coisa. Aquilo estava me deixando lento. Lento de tanto prazer e coisas misturadas.

— Eu amo você — disse ele, sussurrando contra o meu ouvido, enquanto desacelerava dentro de mim, até finalmente gozar, levando-me consigo.

Arqueei as costas, agarrando os lençóis, sentindo-me como se houvesse sido atingido por um raio. Estávamos ofegantes, como dois desesperados, em uma espécie de necessidade mútua.

Meu peito ainda se movia rápido para recuperar o fôlego quando ele repetiu:

— Eu te amo.

Estiquei minha mão sobre a cama, procurando a sua, entrelaçando meus dedos aos seus.

— Meu amor por você… vai até a Lua e volta.

— E vai e volta.

E minha noite de domingo com Jimin foi basicamente isso.

Exceto que, enquanto ele se preparava para dormir, eu puxei seu braço e o abracei com o máximo de força que consegui, precisando sentir seu corpo contra o meu, forçando o anel de compromisso contra meu anelar para sentir sua presença ali. Os braços de Jimin envolveram-me calmamente, e ele riu baixinho, perguntando se eu estava bem, e eu disse que achava que estava ficando doente, e seu rosto ficou preocupado.

Ele disse “você sempre fica carente quando está doente, vou fazer um chá”, e me enxotou para a cama enquanto desaparecia na cozinha.

Eu esperei que ele retornasse com uma xícara de líquido fumegante, e então nós nos enrolamos juntos em nossa cama macia, minha cabeça sobre seu peito enquanto eu bebia o chá rapidamente, e depois nós dois misturados em uma confusão de braços e pernas quando ele finalmente adormeceu.

Sim, somente ele.

Meu corpo começou a tremer tão violentamente que precisei me afastar algum tempo depois, incapaz de dormir, incapaz de fechar os olhos novamente.

Mas que merda está acontecendo?, perguntei a mim mesmo, desespero tomando conta do meu peito quando senti o líquido quente e conhecido, com seu cheiro fraco de metal, escorrendo por minha narina e rapidamente chegando ao canto dos lábios.

Quando corri para fora do quarto, gotas pingavam do meu queixo, manchando o chão ao serem pisadas por mim. Empurrei a porta do banheiro com força, meus dedos esticando-se para abrir a torneira, mas eu não conseguiria colocar minha cabeça dentro da pia, então recorri à banheira, ligando a água e tirando minha camisa para limpar o sangue sujando meu rosto, apoiado sobre meus joelhos enquanto esperava a água subir o suficiente para que eu conseguisse mergulhar nela o bastante.

Quando achei que já havia água o bastante, desliguei o registro, inclinando-me para trás até sentar sobre meus calcanhares e, somente ao tomar consciência de minhas mãos limpando-as rapidamente, foi que percebi que não havia só sangue, como lágrimas também.

Eu estava cansado daquilo, de sangrar, das dores de cabeça, de tremer quase ao ponto de convulsionar, de delirar, de não saber se as coisas estavam realmente acontecendo ou não… era demais para mim. Levei as mãos ao meu cabelo, puxando as mechas com raiva. Eu queria que doesse, precisava de uma sensação mais real que aquelas que estavam tomando conta de mim. Eu precisava de dor. Porque a dor é sempre forte o bastante para mostrar se algo é real ou não.

Desesperado, curvei-me sobre a banheira, colocando a cabeça para dentro d’água. Abri os olhos, vendo o sangue saindo de mim misturar-se a ela, colorindo-a de vermelho e depois tornando-se rosa, pela quantidade.

Em algum momento, meu peito começou a arder, e foi aí que eu parei.

Joguei a cabeça para trás, trêmulo e dolorido, porém aliviado, molhando tudo ao redor com meus cabelos encharcados e a água gelada escorrendo de mim. Estiquei os dedos para dentro da banheira, puxando a tampa do ralo, deixando a água desaparecer por ele, então inclinei-me para trás lentamente, com o objeto de silicone, enfeitado por uma cordinha de aço usada para puxar ainda entre os dedos, deitando-me de costas no chão gelado.

Eu não dormi nem nada. Só fiquei ali, sem saber o que pensar sobre mim mesmo.

Quando Jimin apareceu sob o batente da porta, seus olhos semicerrados e as sobrancelhas franzidas em confusão, eu só disse que tinha ido ali para relaxar porque estava com muito calor.

Ele acreditou.


 

. . .


 

Eu disse a Jimin que meu nariz sangrava. Ele disse que pensava que fosse o diabetes, então marcou uma consulta para mim na semana seguinte. Seu rosto estava tranquilo, mas eu senti a preocupação nele. Sabia que, assim como eu, ele também pensava que talvez não fosse apenas aquilo. Diabetes não faz seu nariz sangrar, apesar de te deixar tonto e com dores de cabeça.

De qualquer forma, Jimin precisava me tranquilizar, então ele não ia dizer que eu provavelmente estava pior do que mal, ele ia fingir que estava tudo superbem e me deixaria descobrir pelo médico que eu estava morrendo lentamente de alguma doença degenerativa ou algo do tipo.

Porque não haviam outras coisas que poderiam me fazer passar por isso. Por favor, sangramento nasal é comum, mas não em grandes quantidades, não quando parece que você está tendo a porra de uma hemorragia!

Eu simplesmente cansei de simplesmente ficar naquela merda tanto tempo. Estava quase eu mesmo correndo para o hospital, mas, ironicamente, precisava esperar.

E, enquanto esperava que terça-feira chegasse, eu decidi fazer outras coisas.

Como ajudar Taehyung.

Ele me arrastou para a Auckland assim que viu que eu estava razoavelmente bem, informando que precisava pegar algumas outras coisas para levar para um hotel. De acordou com ele, houve um desentendimento entre ele e Choi, e agora ele precisava simplesmente ir embora da casa do outro, porque não aguentava mais ficar lá, e trancar sua cadeira de Fotografia parecia a melhor opção no momento, então foi o que ele fez.

Tae perguntou se eu estava bem o bastante para uma viagem de algumas horas até Seoul, e eu disse que sim. Havia tomado um remédio forte pela manhã, para curar a dor de cabeça, e ele me deixou sonolento o restante do dia, mas, fora isso, estava tudo bem, sim. Nenhum indício de que meu nariz voltaria a sangrar. Por ora.

Então nós fomos para Seoul, como ele queria.

Só que havia algo que Taehyung não estava me contando, algo que o assombrava. Eu sei porque sua apreensão era quase palpável. Mas, se ele não queria me dizer o que era, eu também não queria pressioná-lo.

Nós só saímos de Blackwood Pike.

Indo para Seoul para fugir.


 

. . .


 

Quando paramos para abastecer em um posto de gasolina há algumas milhas do centro de Seoul, Taehyung finalmente toma coragem para me dizer o que o está assustando.

— Jungkook estava na Auckland — conta ele, apoiando a testa contra o vidro frio da janela. — Falando com Choi como se fossem velhos amigos. O Choi sabe da minha história com ele, então… Aish. Foi meio frustrante, porque o Jungkook me viu, e tudo o que ele fez foi fingir que eu não existia. Na frente do Choi, pelo menos. Depois que saí da sala, ele me seguiu, me empurrou contra os armários dos corredores e disse que sabia o que eu andava fazendo. Achei que ele fosse me bater, mas havia outras pessoas presenciando, então ele só me olhou por um tempo e depois foi embora. Eu… Jungkook é uma pessoa… difícil. Então eu quero estar bem longe quando ele explodir. Por isso estamos indo para Seoul. Ele odeia Seoul.

Eu fico um tanto quanto atônito sobre essa informação. Não exatamente o que pensar. Eu imaginava que a história deles já havia terminado. Imaginava que a minha talvez fosse pior, mas parece que não. Isso me traz novos questionamentos, porque… o que raios Jungkook quer com Taehyung? Por que Tae está fugindo dele? Eu sei como Jungkook pode ser, eu o conheço, mas… Taehyung também o conhece? Será que Jungkook mostrou aquele lado de anos atrás para ele? Aquele lado fodido que só eu conheci de verdade? Foi isso que os arruinou?

Minha cabeça dói com tantas dúvidas, então eu só entro no carro com Tae depois que ele paga a gasolina e espero até chegarmos onde ele quer, um pequeno e simples hotel de estrada. Mal iluminado e com uma pintura descascada nas paredes, mas que o torna discreto em meio ao nada. É perfeito pra fugir.

Nós somos rápidos em pedir um quarto e em transportar as poucas coisas que Tae trouxe consigo para ele. Então, vinte minutos depois de estacionarmos na frente do Klamath Hotel, já estamos sentados lado a lado no chão em frente a cama larga e baixa, nossas costas apoiadas contra ela.

— Tae — começo a dizer, atraindo sua atenção. Ele para de comer uma barrinha de cereais e encarar a parede para olhar para mim. — Por que você e Jungkook terminaram?

Suas sobrancelhas se aproximam vagarosamente do centro da testa e os olhos se fixam no chão brevemente, expressando toda a tristeza que isso parece trazer para ele.

— Por que… por que você quer saber? — questiona, mordendo o lábio e olhando para todo lugar, menos para mim.

— Eu… é pessoal, Tae, mas você precisa me contar — insisto, estendendo uma mão para pegar a sua, apertando-a com cuidado, mas firmeza. — Por favor. Você sabe que pode confiar em mim.

Tae abaixa a cabeça lentamente, puxando sua mão da minha e tirando seu rosto da minha linha de visão.

— Nós brigamos porque ele é um imbecil, Yoongi. — Tae diz, alguns instantes depois. — Eu… eu pensei que ele me amasse, mas não ama. Eu… — noto sua hesitação momentânea, mas decido ignorar, esperando que ele tome seu próprio tempo para continuar com a história. Mas ele não continua. — Eu só me afastei dele. Eu estava me destruindo por nada. É… é por isso.

— Taehyung — chamo, segurando seu rosto. Ele levanta a cabeça lentamente, seus olhos encontrando os meus. — Não minta para mim.

Leva alguns minutos, mas ele cede, sua expressão contorcendo-se em dor pura. Por que você não quer me contar?, pergunto a mim mesmo. Eu o conheço melhor do que você, por que não me conta?

Espero que Tae abra a boca e me conte o que raios aconteceu entre esses dois, mas ele não faz isso.

Ele se levanta e se afasta, correndo para longe e enxugando lágrimas com o dorso da mão. E enquanto foge de mim ele murmura desculpas e soluça baixinho.


 

. . .


 

Estou disposto a descobrir sozinho o que aconteceu entre Taehyung e Jungkook. Mas, para isso, preciso de ajuda, e não tem pessoas melhores pra investigar a vida alheia do que JB e Mark.

Eu ligo para o JB no dia seguinte, pedindo a ele para que me encontre em frente a escola, aproveitando nosso período de férias, e ele diz que vai chamar o Mark também. Jimin me alerta sobre a consulta no médico no dia seguinte, e eu afirmo com o máximo de convicção que estou superbem, e que talvez aquilo tudo fosse só uma fase temporária de algum dos meus muitos problemas. Ele não riu.

Deixei Taehyung sozinho no hotel ontem pra voltar para casa, e porque eu preciso estar longe dele pra investigar sua vida. Mas hoje eu vou voltar lá, apenas para ver como ele está.

Encontro JB na frente da escola, no horário marcado, com Mark a tiracolo e um copo de café que ele estende para mim enquanto sorri, animado.

— Oi, bae — diz, aquele sorriso brilhante e bonito ainda em seus lábios. Mark está preocupado com algo em seu telefone, as sobrancelhas franzidas em confusão. — Que bom que você está vivo, inteiro, não foi devorado por lobos, não morreu engasgado, não foi vítima de um furacão, muito bom saber que você está tão bem.

Reviro os olhos.

— Deixa de ser dramático, Jaebum.

— Oh… — Mark guarda seu telefone no bolso e se volta para JB, que parece extremamente ofendido. — Chamou de JB há algo de errado. O que houve, Yoongi?

— Estou com um problema e preciso de ajuda — solto, sendo direto e sincero.

JB ri.

— Pra isso você decide dar as caras? — resmunga ele, cruzando os braços sobre o peito. — Por que não pede ajuda de quem estava sumido com você? Hein? O que é tão importante que você renasceu das cinzas, ó grande Yoongi?

— Preciso descobrir umas coisas sobre alguém — informo.

Noto que JB tenta parecer firme em sua posição de “amigo irritado que foi deixado para trás”, mas seu lado curioso e stalker e naturalmente metido é muito mais forte, então ele deixa os braços caírem ao lado do corpo e suas sobrancelhas se erguem.

— Quando começamos? — Mark diz por ele, estendendo as mãos e apertando tanto meu ombro quanto o de JB.

JB balança a cabeça, mas acaba sorrindo, e estende os braços para me puxar em um abraço, aproveitando para puxar Mark também.

— Vamos logo fazer o que fazemos de melhor.


 

. . .


 

Uma coisa que todo mundo sabe sobre o JB é que ele é ótimo em descobrir qualquer coisa sobre qualquer pessoa. Se há um boato sobre você, ele é provavelmente o único capaz de descobrir a verdade por trás, o que não significa que ele vai revelá-la. Se ele quiser, pode afirmar uma mentira, e todos vão acreditar.

Por isso as pessoas não brincam com ele. É aquele que sabe de tudo, e aquele que consegue desenterrar coisas do passado alheio que ninguém mais encontraria se for realmente necessário. O poder que o JB tem de destruir as pessoas é o mesmo que o da mídia, só que em proporções maiores.

Eu costumava me perguntar como é ser temido dessa forma, ter medo de provocá-lo e correr o risco de ter todo o seu histórico de vida exposto para o mundo, mas acho que perdi o interesse, porque, no fim das contas, ele se deixou amolecer um pouco ao longo dos anos e acabou parando de reunir informações sobre as vidas de todos os seus inimigos. Quando JB declarou trégua, a escola encontrou paz.

Ainda assim, ninguém o desafia.

Deve ser bom. Conseguir o que você quer o tempo todo.


 

. . .


 

Eu não fui direto sobre o que eu queria, eu nem mesmo mencionei Taehyung, eu só fiz o possível para descobrir o máximo de coisas sobre o Jungkook onde ele estivesse envolvido.

Mark estava lá para fazer companhia ao JB e trazer água enquanto o antigo rei das tretas da escola trabalhava em seu laptop, puxando o histórico de Jungkook com o máximo de cautela. Como ele faz isso? Eu não tenho nem ideia, mas algo me diz que tem a ver com o trabalho misterioso do seu pai. JB aprende muitas coisas com ele. A Im Zine Co. é a rainha da tecnologia ultramoderna na Coréia do Sul, então não é surpreendente que o filho único do CEO da empresa domine facilmente qualquer coisa tecnológica.

Algumas horas depois, JB se levanta, caminha até mim e me entrega o laptop.

— Eu não li nada — diz ele. — Mas acho que é isso que você está procurando.

Eu baixo o olhar dos olhos dele, para a tela do computador, semicerrando um pouco os olhos para enxergar com clareza, e sentindo meu coração acelerar como se estivesse prestes a explodir.

É uma conversa de Jungkook com alguma pessoa desconhecida, denominada C.

Isso não é nada demais, eu não tenho curiosidade sobre o que raios ele fala com gente aleatória, mas as palavras vão sendo substituídas por outras enquanto leio.

E o que me apavora, o que me faz gelar completamente, antes de sair correndo para voltar ao hotel, é a última frase da conversa.

Porque Kim Taehyung e morto estão na mesma frase.

Em uma conversa datada de hoje.


 

. . .


 

Sem muitas explicações, eu parto de casa com uma mochila nos ombros e o telefone na mão, junto com um bilhete para o metrô. Deixo apenas um bilhete pra Jimin informando que vou dormir na casa do JB para recuperar as aulas que tenho perdido.

JB e Mark vão me encobrir, como sempre.

Às 8pm, eu já estou no trem, com o coração ainda completamente acelerado de nervosismo.

Me sento com as pernas rígidas em um dos assentos que ladeiam uma mesa quadrada e espero o trem partir. Segundos depois, uma mulher morena, com traços esquisitos, senta-se em frente a mim, um jornal de hoje em mãos. Ela sorri, e eu aceno de volta, por educação, antes de voltar o rosto para a janela e focar na estação começando a sumir à medida que o trem ganha velocidade enquanto saímos de Daegu.

Minha cabeça dói, apesar de eu estar bem descansado, e meus dedos estão tremendo tanto… eu quase consigo sentir o suor frio molhando minha pele. É a premissa de algo ruim, tenho certeza. Não é só medo, é mais que isso.

— Meu jovem — a mulher chama, balançando seu jornal na minha direção. — Menino, seu nariz… está sangrando.

Lentamente, levanto os dedos e os posiciono abaixo do meu nariz, afastando-os em seguida apenas para ter a confirmação de que estão manchados de vermelho. Eu nem senti, penso.

Levanto-me rapidamente, agarrando minha mochila e caminhando a passos rápidos para o banheiro. Deixo minhas coisas sobre o vaso sanitário assim que tranco a porta atrás de mim e me volto para o espelho. Não é tanto sangue, mas é sangue, escuro e espesso. Começo a limpar, rapidamente tirando todo e qualquer resquício do líquido vermelho, enquanto espero que a água pare de sair rosa ao passar por meus dedos.

Depois de me limpar, sento no chão, colocando a cabeça entre as mãos, e tento pensar em alguma coisa que eu possa fazer para me distrair.

Eu não sou exatamente o tipo bagunceiro, mas ao olhar para minha mochila e ao olhar para a porta, não vejo nada mais interessante. Pego uma caneta de aquarela qualquer e começo a rabiscar coisas sem sentido, sem nem ver o que é.

E eu só paro quando sinto o trem desacelerando, porque significa que já estamos em Seoul, então eu recolho minhas coisas e saio para o corredor, me apressando até a saída e descendo na estação sem nem olhar para os lados. Não lembro qual o caminho exato para o hotel onde Tae está, mas não imagino que seja longe demais para ir andando, então é o que eu faço.

Ligo para ele no caminho, avisando que estou indo e perguntando se ele está bem. Ele confirma tudo, diz que estava assistindo TV no maior tédio, e que está ansioso para me ver de novo porque não é o maior fã de ficar sozinho.

Recebo uma mensagem de JB perguntando onde raios eu estou. Eu digo que vim dar uma volta em Seoul e ele começa a mandar mensagens falando sobre a minha ousadia e reclamando porque não o chamei para vir junto.

Desligo o celular, deslizando-o para o meu bolso, e apenas continuo andando.


 

. . .


 

Eu estava errado sobre não ser um caminho longo. Precisei andar muito para alcançar o Klamath, e estou completamente suado e cansado quando chego no quarto do Tae, de forma que apenas desabo sobre o chão acarpetado mesmo e fecho os olhos, arrancando uma risada dele.

— Você não veio a pé até aqui, veio? — sua voz calma pergunta alguns minutos depois. Eu assinto. — Mas que… meu Deus, você é tão idiota.

Levanto a cabeça para olhar para ele.

— Cala a boca. Eu vou passar a noite aqui te fazendo companhia, seu ingrato.

Tae balança a cabeça, estendendo as mãos para me ajudar a levantar.

— Vai tomar um banho, eu vou preparar alguma coisa pra jantarmos — diz ele, sorrindo timidamente. — E… obrigado por vir.

Assinto, bagunçando seus cabelos antes de me dirigir ao banheiro.


 

. . .


 

O resto da noite nós passamos conversando sobre nós dois. Tae decide abrir o jogo sobre Jungkook. Quer dizer, não exatamente “abrir o jogo”, mas falar mais abertamente sobre ele. Ele conta que Jungkook é um bom namorado, que ele o tratava bem, mas… colocava coisas demais na frente do relacionamento deles e isso incomodava porque Tae nunca tinha certeza se Jungkook estava namorando somente ele.

Aí um dia esse amigo do Jungkook, o Hoseok, o chamou para conversar e disse que ele devia segurar a cabeça para não cair no chão. Tae entendeu o que ele quis dizer e decidiu que era hora de terminar, mas quando falou sobre isso com Jungkook ele explodiu e agiu como um idiota, então ele mesmo terminou o namoro e falou um monte de coisas ruins para o Tae.

Então Tae acabou naquela ponte, achando que não havia nenhuma outra saída, só porque Jungkook é um imbecil.

Céus, eu o odeio tanto, penso.

Jungkook machucou tanta gente…

Queria poder pôr um fim nisso.

Mas, por enquanto, sei que não há muito que eu possa fazer.


 

. . .


 

Eu estava terminando de arrumar minhas coisas em uma mochila, e ele, terminando de estender a cama em que havíamos dormido, quando a porta foi aberta bruscamente.

Olho apavorado para a figura passando por ela, vindo até nós.

— Eu sempre sei onde encontrar você! — grita ele, me empurrando para ir até o garoto arrumando a cama.

Seus olhos se arregalam, e ele se afasta, assustado, tropeçando e quase caindo de joelhos.

— Quando você vai finalmente entender que não pode fugir de mim?

Com os punhos cerrados, vou até ele, agarro seu ombro, o viro e empurro as juntas da minha mão contra seu maxilar.

— Ele não pertence a você — retruco, encarando-o com raiva.

— Nem a você — responde, com um sorriso sarcástico. — Nem a ninguém.

Eu teria batido de novo, se o garoto não tivesse se movido para empurrá-lo, me puxando pelo pulso para corrermos pela porta. Parece desesperado, com medo e quase como se não tivesse para onde ir.

— Eu pertenço a mim mesmo — diz ele, afirmando, enquanto desce a escada dois degraus por vez, forçando-me a acompanhá-lo, sua mão nunca soltando a minha. — Mas meu coração é seu. E de mais ninguém.

Nós continuamos correndo até o carro, e vemos quando Jungkook sai do quarto, irritado e com o rosto vermelho, correndo até nós. Ele consegue chutar o para-choque antes que Tae arranque de volta para a estrada, mas não é nada demais.

Enquanto Tae dirige para onde quer que seja, eu penso sobre o que ele disse. Meu coração é seu. O que isso significa?

Mordisco meu lábio inferior até sentir o gosto de sangue tomar minha boca, então paro, tentando me focar em outras coisas. As juntas da mão que usei para socar Jungkook estão ficando avermelhadas, inchadas e estão doendo, mas é algo com o qual eu posso lidar. Há outras preocupações por agora.

— Como… — Tae de repente fala. — Como ele apareceu lá? Como ele encontrou a gente?

Ele volta a ficar em silêncio, provavelmente tirando a mesma conclusão que eu, alguns minutos depois: Jungkook me seguiu.

E eu nem percebi.

Quer dizer, eu deveria me concentrar mais nas coisas, isso não estaria acontecendo se eu tivesse prestado mais atenção, e eu sei que a culpa é minha porque não tem como ser de outra pessoa se eu sou a única ponte entre esses dois.

Aperto meus dedos uns contra os outros, irritado.

— O que vamos fazer agora? — questiono.

Tae dá de ombros, parecendo despreocupado, mas eu sei que é só atuação, porque seus dedos apertam o volante com força em uma tentativa de impedir suas mãos de tremerem. Sei que sim porque eu mesmo faço isso.

— Vamos fugir.

Concordei com a cabeça, sem nem saber direito o que pensar sobre tudo.

Eu só estaria com ele enquanto precisasse, e depois poderíamos decidir o que fazer, quando a poeira baixasse.

Por enquanto, se estivermos o mais longe de qualquer lugar, melhor.


 

. . .


 

Taehyung e eu voltamos para a Auckland por dois motivos: o primeiro é que Jungkook não vai atacá-lo lá, e o segundo é Shin Hoseok, um loiro platinado amigo do Tae que lhe ofereceu um abrigo seguro onde estar.

Novamente, deixei Taehyung em segurança e voltei para casa. Ficar longe por muito tempo significaria ter que explicar à Jimin coisas que já estavam se tornando inexplicáveis para mim mesmo, então eu precisei pensar muito no que fazer.

Tae disse que estava tudo ele ficar sozinho, mas eu não queria deixar, não com Jungkook agindo daquele jeito psicótico, não com Jungkook querendo machucá-lo. Então nós encontramos Shin Hoseok, que Tae parece confiar bastante ser capaz de protegê-lo.

De noite, quando volto para casa, eu fico me revirando na cama, completamente nervoso e alucinado, porque não sei o que está acontecendo e está tarde demais para ligar para Tae e perguntar, ou mesmo mandar uma mensagem. Ele provavelmente está dormindo, seguro, com Shin Hoseok protegendo-o das garras daquela criatura odiosa.

Rolo de um lado para o outro, nervoso e irritado demais para me acalmar o suficiente para conseguir dormir, então eu acabo me levantando e indo até a cozinha para pegar algo para beber, me encaminhando para o sofá em seguida e ligando a TV em um canal qualquer.

Esticado sobre o acolchoado, inclino a cabeça para trás, tentando ver através da janela, enxergar o céu escuro da noite, disposto a contar estrelas para dormir.

Não pensei que fosse ser tão eficiente.


 

. . .


 

No dia seguinte, eu estava decidido a fazer algo sobre essa situação com Jungkook. Já estava passando dos limites, eu estava pronto para ir à polícia.

Meu caminho até lá estava feito em minha mente, eu só precisava passar na casa do Shin Hoseok, uma residência subterrânea até que bem legal, passando por dentro do campus da Auckland, para buscar o Tae e nós poderíamos resolver isso do jeito certo, como deveríamos ter feito antes que a coisa tomasse proporções maiores.

Eu não sei do que eu estou mais arrependido. De não ter socado Jungkook com mais força ou de não ter descoberto o que raios ele ainda quer com Taehyung.

A Auckland ganha forma em minha linha de visão. Eu fico mais nervoso e tonto a cada instante, e apesar de empurrar isso para o fundo do meu peito, eu sei que é porque tem algo errado.

Tem se concretizado lentamente, sem que eu pudesse impedir, e agora é tarde demais para entender, então eu simplesmente não consigo colocar os pensamentos no lugar, e isso é pior do que muito incômodo. Odeio não ter respostas. Odeio não ter uma saída. Odeio não ter opções.

Eu…

Puxo o volante com força e rapidez para a direita, desviando meu carro para o acostamento a tempo, antes de causar um acidente na pista para o estacionamento da Auckland, porque outro carro estava vindo na faixa contrária.

O impacto da parada brusca joga meu corpo para frente. Meu rosto se choca dolorosamente contra o volante, e antes que eu possa sequer recobrar a consciência, a porta do meu lado é aberta e sou puxado para fora com certa falta de cuidado.

Não tenho ideia de como ele faz isso.

Não tenho ideia de como consegue sempre surgir nos momentos mais indevidos.

Ele estava aqui de novo.

Suas mãos agarravam as lapelas do meu casaco, empurrando-me contra a parede, para longe dele.

Eu estava tentando socar seu rosto, fazer qualquer coisa útil, mas ele parecia mais forte, me socando de volta, me empurrando. Agarrei a primeira coisa que encontrei no caminho e joguei contra a parede mais próxima, um dos muros cercando o estacionamento da escola, gritando, com raiva.

— Você não faz parte disso! — eu gritei, ainda tentando agredi-lo. Nossos rostos estavam próximos. Eu vi a dor em seus olhos, o medo que ele sentia por algo que eu era incapaz de compreender. — Vá embora!

Ele me empurrou uma última vez, que foi o suficiente para eu cair para trás, precisando me apoiar em mim mesmo para conseguir ficar de pé.

— Você podia ter sido meu mundo. Mas preferiu o dele — Jungkook profere, a voz num tom tão calmo e frio que faz um arrepio descer pela minha espinha.

Antes que ele consiga ir, agarro sua camisa, puxando-o para trás, sendo rápido ao me esticar para alcançá-lo.

— O que você quer dizer com isso?! — grito, usando toda a força que ainda tenho para continuar puxando-o para baixo, até que ele ceda e se curve na minha direção. — O que você quer comigo, Jungkook?! O que você quer com ele?! O que ele te fez?!

Suas mãos são firmes ao me empurrar para longe, tão firmes que quase machucam, mas já estou com dor demais para reparar se há outros ferimentos. Me esforço para ficar de pé, segurando-o novamente.

— Não vou deixar você fugir! — grito ao puxá-lo outra vez. — Chega dessa merda, eu já cansei de… — Meus lábios se unem imediatamente. Leva apenas um segundo para ele esticar uma mão até o cós da calça, e no instante seguinte o cano de uma arma encontra minha testa. — O que…

— Você não entenderia — diz ele, em um tom baixo.

A noite é silenciosa ao nosso redor. Meu rosto sangra e os cortes ardem. Minha visão está borrada por lágrimas, mas eu consigo controlá-las o bastante para ver com algum nível de clareza a expressão no rosto de Jungkook.

Nada. Além. De. Dor.

Ele está sofrendo por ter que fazer isso. Meus dedos afrouxam em suas roupas. Sei que ele não vai fazer. Sei que não vai puxar o gatilho. Não contra mim, não quando ele me conhece tão bem, não quando eu o conheço tão bem.

— Por quê? — pergunto, abaixando os braços. — Por que você precisa fazer isso? — questiono, inclinando a cabeça até o metal frio da arma tocar minha pele quente. — O que você ganha?

Eu ouço o clique da arma sendo engatilhada e quase recuo, por medo que ele tenha mudado mais do que eu consegui prever e seja realmente capaz de enfiar uma bala na minha testa, mas forço a mim mesmo a manter os pés firmes no chão, incapaz de me mover.

Chega de espera, chega de mentiras.

Eu quero a verdade e eu vou tê-la. Nem que precise arrancar isso dele.

— Uma nova chance — Jungkook responde, e eu só tenho tempo de abrir os olhos para encará-lo antes de ele bater com o punho da arma contra minha têmpora.


 

. . .


 

Já passei por tanta coisa em meus 19 anos de vida que não sei se algo pior pode vir a acontecer.

Eu gostaria que não, mas não tenho ideia, não tenho como impedir. Não tenho o poder de controlar o tempo. Não posso refazer nada. Não posso mudar nada.

Sou incapaz de fazer qualquer coisa que não ceder ao destino.

Eu simplesmente desisti de tudo quando acordei preso em um quarto escuro, amarrado a uma cama suja e com o corpo todo emanando dor. Eu simplesmente cansei. Deixei os últimos resquícios de qualquer força interior que eu tivesse para continuar lutando se esvaírem. Só vou fazer o que tiver que ser feito.

Sou um grande fã de mentir para mim mesmo.

Eu sei que não vou parar. Não posso desistir. Não é nem por mim, é por… Taehyung.

Que tipo de pessoa eu seria se o deixasse pra sofrer sozinho, quando eu sei que ele não fez nada.

— Eu vou voltar para você.

— Eu sei — disse ele, mas não parecia muito convicto.

Estiquei minha mão para segurar a sua, tentando beijá-lo por entre as barras.

— Eu vou voltar para te buscar. É uma promessa. Você confia em mim?

Ele assentiu, deslizando a língua pelo lábio inferior.

— Ótimo — eu disse, sorrindo. Levei meus dedos ao seu cabelo molhado de suor, bagunçando-o. — Espere por mim. Não vou ficar longe muito tempo.

Ele assentiu de novo. Eu estava me afastando, quando o ouvi me chamar, então me virei na sua direção novamente.

— Eu te amo, Yoongi.

— Eu te amo, Taehyung — repliquei. — Meu amor por você vai até a Lua e volta.

— E vai e volta — completou ele.

E eu continuo nesse delírio, indo e vindo lentamente.

Porque eu sei algo que ninguém sabe.

Eu ouvi Jungkook falando sobre um tal de Sungoh, eu ouvi Jungkook falando sobre Tae ser um mentiroso, eu ouvi cada coisa horrível… Mas eu também ouvi coisas interessantes, como o fato de que não faz muito tempo que estamos aqui, e que não estamos longe de Daegu.

Não quero nem saber onde estamos, só quero sair daqui em segurança e levar Tae comigo.

E é isso o que eu vou fazer.

Porém, para isso, eu preciso esperar, ser paciente.

O fim da minha espera chega junto com Jungkook.

Ele entra no quarto onde estou preso carregando uma cadeira, seu rosto machucado e as roupas sujas. Fecha a porta com cautela, posiciona a cadeira perto da cama e se senta nela despreocupadamente.

— O que você quer? — resmungo, fazendo-o revirar os olhos.

— Você quer a verdade, então eu vou te dar ela.

Faço o possível para não demonstrar minha surpresa. Fico inerte na cama, em parte porque não posso me mexer muito, já que ainda estou amarrado, mas também porque não quero fazer nenhum movimento errado que indique que estou planejando algo. Querendo ou não, Jungkook me conhece, e me conhece muito bem.

— O que você fez consigo mesmo? — sussurro.

Suas sobrancelhas se aproximam do centro da testa, e ele cruza os braços sobre o peito.

— O que eu fiz? — ele sussurra de volta. — Olha onde você está, Yoongi. Nada disso estaria acontecendo se você não tivesse metido o nariz onde não devia.

Inclino a cabeça.

— Do que você está falando?

— Em vez de me ouvir, em vez de ficar do meu lado como você prometeu que faria, em vez de me ajudar a sair disso, você se juntou a ele. Me diz como você quer que eu te salve se você não é nem capaz de cuidar de si mesmo? — Jungkook retruca, se curvando para frente até seus olhos estarem nivelados aos meus. — Você costumava dizer que tudo o que um homem tem é sua palavra, e se você mente, então você é uma mentira. Eu sei lidar com isso, comigo mesmo, mas e você? Como você vai lidar consigo mesmo depois que o Sungoh morrer?

— Quem é Sungoh? — questiono, franzindo as sobrancelhas ao encarar sua expressão séria.

Ele ri, a voz pingando sarcasmo.

— Taehyung não contou pra você? Não contou que ele é uma mentira? — Ele se inclina para trás, apoiando as costas contra o encosto da cadeira. — Que engraçado. Quando eu vi vocês dois no aeroporto, pensei que fossem grandes amigos.

Semicerro os olhos, confuso acima de tudo, porque ele não parece estar mentindo.

— Jungkook, do que você está falando?

Por favor, Yoongi, como você consegue ser tão idiota?! — Balançando a cabeça, ele fica de pé. — Você lembra cinco anos atrás, quando terminou comigo? Você lembra das coisas que você destruiu na nossa briga? Você lembra que eu te falei, antes de tudo aquilo, que quase fui assassinado por causa de um traficante? Foi ele. Ele quase me matou, ele estava com uma arma apontada pra minha cabeça, Yoongi. Ele, Sungoh. Ou Kim Taehyung. Depende do quanto ele escondeu de você.

Ele está prestes a sair, e eu preciso impedi-lo, mas estou confuso demais.

Isso que ele falou… não faz sentido.

Tae não faria isso, não seria capaz, eu não… Taehyung, se fosse realmente o que ele está dizendo, não teria fugido. Ele teria ficado e enfrentado Jungkook, e provavelmente me deixaria ficar na linha de frente junto a ele, ele não teria corrido para se proteger, o Taehyung não.

— Você está enganado! — afirmo, com mais convicção do que pensei que pudesse ter.

Jungkook para, voltando-se lentamente para mim, uma das sobrancelhas erguida.

— Você está errado sobre ele — reafirmo. — Completamente errado, Jungkook, ele não é assim, você errou.

Jungkook suspira.

— Foi pra minha cabeça que aquela arma foi apontada, não para a sua. Como você quer me dizer que eu estou errado?

— Por que você namorou com ele, então? — Solto, semicerrando os olhos ao encará-lo. Ele cerra os punhos com firmeza, então suas mãos se soltam, caindo levemente ao lado do corpo, o que é um indício de que ele está mais calmo, e não é isso o que eu quero. — Por que você esteve com ele? Por que ficou lá, se você tem tanta certeza de que era ele? Você não tem certeza, não é? Você nem sabe quem você viu, você só…

— Eu precisava de um álibi! — ele finalmente responde, irritado novamente, me interrompendo. — É isso, entendeu? Eu precisava de um álibi pra me livrar disso tudo. Não sou eu quem vai matá-lo. Não sou eu quem quer a morte dele, eu só vou me beneficiar com isso.

Mentiroso.

— Ah, é? E se você, princesa, não é quem vai sujar as mãos, então quem é?

Jungkook ri.

— Essa é uma história bem engraçada e bem longa — brinca ele, sorrindo de uma forma divertida, como se toda essa situação fosse muito engraçada. — Não sei se você o conhece, mas deve conhecer, já que “Taehyung” tem te arrastado pra cima e pra baixo o tempo todo.

— Direto ao ponto.

— Deixa de ser chato — retruca ele. — Enfim. Isso é o que prova que é você quem está errado aqui. Aquele não é o Taehyung, é o Sungoh, você só é tonto demais pra ver.

Respiro fundo, ficando irritado ao ponto de começar a puxar meus braços a fim de tentar me libertar, mas as cordas estão muito apertadas. Belos nós. A cara do Jungkook.

— Prove. Prove pra mim o quão certo você está, então — desafio, alto, encarando-o com nada além de raiva.

— Eu vou. Você vai ver. Não sou eu quem vai matá-lo.

E ele se vira para sair pela porta novamente, mas eu grito para impedi-lo. Preciso ouvir, preciso saber quem é, preciso ter uma ideia de com o que raios eu estou lidando aqui.

— Diga o nome — ordeno.

Jungkook ri.

— Choi Seunghyun.


Notas Finais


Provavelmente o próximo capítulo será o último, a parte onde tudo se encaixa, o "agora tudo faz sentido". Não sei quanto tempo ele vai demorar pra sair, mas antes do fim do mês a história já vai estar com rótulo de 'terminada', então não precisam se desesperar.

Espero que tenham ficado um pouquinho confusos sobre esse final, porque é o próximo que vai explicar o porquê, o que vai "fazer sentido" mesmo, tudo bem?

Até a próxima, ~chu.


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