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História Poison - Capítulo 2


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Notas do Autor


Olá! Tudo bem?? Espero que estejam todos bem e se cuidando, não esqueçam de lavar sempre as mãos e usar máscara para sair 🙏

Muito obrigada pelos comentários no capítulo anterior eu fiquei tão feliz, não esperava mas aaaaaaaaaaa Obrigada 🥺 Espero que gostem desse também, boa leitura ♥️

Capítulo 2 - Um estranho não se importa



O Meet era um bar famoso entre os universitários, ficava na metade do caminho entre o campus e o centro, bom para os que moravam nos alojamentos e fraternidades, e também para os que residiam mais longe. 

O lugar sempre tinha música ao vivo nos fins de semana, as bebidas não custavam um absurdo e os petiscos eram gostosos, por isso o bar ficava sempre cheio. 

Amontoados em uma das mesas estavam Mark, Bambam, Jinyoung e suas companhias, além de Yugyeom, um colega de Bambam que o Park duvidava ter idade para beber, e mais dois amigos dele. Eram um completo caos de conversas atravessadas, risadas escandalosas e assuntos confusos.

 Park não estava tão interessado naquelas pessoas quanto nas carícias nada discretas em suas coxas debaixo da mesa. Jiwoo, ou seria Jiyoo, parecia alterada com duas bebidas e ele começava a se perguntar se devia pedir para ela parar, quando sentiu beijinhos no pescoço. Aquela área era demasiadamente sensível e Jinyoung precisou se afastar rapidamente da mulher para não soltar nenhum som estranho.

— Espere um pouco, seja mais discreta Kim. — Pediu, a chamndo pelo sobrenome porque ainda estava em dúvida sobre o nome correto. — Você está um pouco alterada demais, beba água. 

— Oppa, vamos para a sua casa? — A mão retornou para a coxa de Jinyoung, ele não conteve o sorriso malicioso antes de beijar os lábios dela e se levantar.

— Espere um pouco, já pedi. 

Caminhou por entre as pessoas e foi até o banheiro, na volta pegou mais um drink e estava em seu caminho de volta para a mesa quando esbarrou em Im Jaebeom. 

Que diabos ele fazia ali? Quis gritar e nem soube direito porquê, e ele parecia tão surpreso quanto.

— O-oi! — Sorriu abertamente, foi quando Jinyoung desejou poder se dar um soco. Ele estava completamente bêbado. 

— O que está fazendo aqui? — Indagou, sentiu uma pontada de dor de cabeça. Ele beberia todo o conteúdo em seu copo de um vez, mas talvez precisasse estar sóbrio.

Jinyoung queria o caminho mais fácil e Jaebeom sempre complicava tudo. 

— Vim com o Youngjae. — Deu uma risadinha. Um estranho que passou atrás esbarrou nele e ele tropeçou para a frente, apoiou nos dois braços de Jinyoung para não cair. — Oops... sua namorada vai ver.

— Eu não tenho namorada. — Soou um pouco ríspido demais, tirou as mãos dele de si e o fez ficar de pé sozinho.

— É bom mesmo que não tenha! — disse um pouco estridente, apontando o dedo na cara de Jinyoung. Park suspirou, queria se dar dez socos ou mais, queria morrer e se desintegrar para não ter de lidar com nada daquilo.

— Olha, vai para casa, não faça besteiras. — Respirou fundo e fez um grande esforço para deixá-lo para trás. 

De volta à mesa, Kim Jiwoo ou Jiyoo, parecia um pouco mais sóbria, a garrafinha de água de Jinyoung estava vazia. 

— Onde você foi? — Os olhos dela pareciam de um gatinho pidão, e Jinyoung percebeu que pareciam demais com os olhos felinos de outra pessoa. Olhar para ela ficou um pouquinho mais difícil. 

— Pegar uma bebida. — Forçou um pequeno sorriso e se esforçou para fazer parte da conversa do grupo. Percebeu que um amigo de Yugyeom e Mark já não estavam mais ali. — Bambam, cadê o Mark? 

— Não sei, mas disse que já volta. —  E ele voltou para a conversa com sua acompanhante e Yugyeom. 

Jinyoung encarou o copo cheio de um líquido azulado muito convidativo, sentiu a mão da Kim procurando pela sua e quando encontrou, ela deixou um comprido pressionado na palma dele.  

— Mark deixou para você… — Um beijo no canto da boca de Jinyoung. — Vamos juntos? 

Jinyoung queria tanto poder ficar chapado com aquela garota bonita e depois ter uma festa privada em algum quarto de hotel. Ele só queria se embebedar e poder curtir sem se importar com absolutamente nada, a garota ao seu lado parecia muito interessada nisso também e seria muito fácil passar a noite se divertindo com ela. 

Ele estava com o comprimido na metade do caminho até a boca, quando ouviu Bambam rindo alto, enquanto dizia que Mark iria "tirar o cabaço" do nerd. O coração deu um solavanco e a enxaqueca se agravou. 

Não poderia ser outra pessoa. Não depois da conversa que tiveram no meio da semana. 

Jinyoung se levantou possuído por um sentimento que ele não ousou dar nome, mas não pôde conter. Os olhos atentos como os de uma águia vasculharam todo o lugar até encontrar Jaebeom em um canto, Mark estava perigosamente perto. Chegou até eles em dois tempos.

— O que é isso?! — Indagou, puxando Tuan pelo ombro, colocando-se entre eles. 

— Estou apenas conversando com o JB, sabia que ele é amigo do Youngjae? — Mark perguntou, animado demais para o próprio bem. Jinyoung rolou os olhos.

— Todo mundo é amigo do Youngjae. — Sua voz era de tédio, mas o olhar de raiva direcionado a Mark entregava tudo. — Estou indo para casa, te dou uma carona. 

— Como?! — Jaebeom que tentava se situar, o álcool o deixava um pouco lento, perguntou com dois segundos de atraso. Jinyoung não tinha a coragem de olhar para ele.

— Te dou uma carona. Vamos. — Segurou o antebraço de Jaebeom, estava com pressa. 

— Espera, por que já vai? E a Jiyoo? — Mark não entendeu porque seu amigo estava tão nervoso de repente. 

Park quis berrar que não dava a mínima para ela, mas os resquícios de juízo remanescentes fizeram ele suspirar.  Tudo era tão complicado.

— Eu vou dar meu jeito. Vamos, Jaebeom.

— Mas eu não quero ir! — Soltou seu braço de Jinyoung.

— Não estou com paciência, Im Jaebeom! — Rebateu, o Im forçou uma risada mais falsa que o cabelo loiro de Mark. 

— Isso não é problema meu. — Disparou, quando foi que Jaebeom havia ficado tão audacioso? O sangue quente de Jinyoung ferveu, queria colocar Jaebeom o mais longe possível de Mark, e ele continuava ali, se fazendo de difícil… 

— Eu posso te dar uma carona depois, JB. — Tuan sorriu, e seu sorriso era tão perigoso quanto dirigir a duzentos quilômetros por hora numa pista molhada. Jinyoung sabia bem o estrago que ele podia causar. — Pode ir ficar com a Jiyoo, nós estávamos muito bem antes.

— Como? — Ergueu ambas as sobrancelhas, Mark não percebia onde estava pisando. Não fazia a menor ideia. — Então estou atrapalhando?

— Sim. — Jaebeom foi direto. Jinyoung ficou petrificado, não tinha certeza se estava respirando. Ele só poderia estar fazendo aquilo de propósito. — Pode ir embora, vou ficar com o Mark.

— Não acredito. 

— No quê? — Mark ainda não entendia porque diabos Jinyoung estava ali. 

— Você não pode fazer isso, Mark. Não pode. — Foi firme, Tuan continuou confuso. — NÃO VAI TOCAR NELE! 

— Ei! — Jaebeom interviu, porque Jinyoung estava prestes a partir para cima de Mark. Segurou os braços dele, puxando-o para trás. 

— Como assim, Jinyoung? Por que se importa? — Recuou um passo para trás, confuso com aquela explosão repentina. Jaebeom soltou Jinyoung, tremendo um pouco, também queria ouvir aquela resposta.

— Não é certo! — Disse por fim, agarrou o braço de Jaebeom com mais força e o arrastou até sua mesa, ignorando todas as interjeições de dor e reclamações. — Jiyoo, vamos embora. 

E a Kim se levantou, levemente tonta. Seguiu os dois para fora sem entender, a brisa fria da noite envolveu os três. Jinyoung respirou fundo e soltou Jaebeom, correu as mãos pelos fios negros de seu cabelo.  

— O que há de errado com você? — Im questionou. Procurou nos olhos dele algum resquício do Jinyoung que conhecia, qualquer coisa que fosse familiar, porque não estava entendendo nada.

— Vem, Jiyoo… — Segurou a mão da garota e acenou para um táxi que se aproximava na rua, o motorista parou e ele abriu a porta para ela. — Surgiu uma emergência, desculpa. 

— Não vem comigo, oppa? — O beicinho entristecido e a voz infantil demais não eram tão atraentes nela, que tinha olhar mais desafiador. 

— Não. — A ajudou a entrar no carro e se despediu com um selinho. Pagou ao taxista uma quantia mais do que suficiente e fechou a porta do carro. 

Encarou Jaebeom atrás de si, os braços cruzados na altura do peito e o olhar distante. Se recusava a ver Jinyoung com aquela garota. 

— Vamos. — Chamou, mas ele não se moveu. — Vamos, Jaebeom.

— O que é isso, Jinyoung? — Virou seu rosto, os olhos felinos estavam marejados e vermelhos. A boca do Park pareceu estar colada, não se abriu para dizer nenhuma palavra sequer. Ele não fazia ideia do que era aquilo. 

O peito doía, a cabeça ainda latejava de maneira infernal. Queria tanto um cigarro, a segurança de seu quarto, um pouco de sossego. Era culpa de Jaebeom, ele quem bagunçava e complicava tudo. Precisava se afastar logo.

Segurou a mão de Jaebeom com mais delicadeza do que fizera antes, e ele não ofereceu tanta resistência enquanto o seguia até onde estava a sua moto. Uma rápida olhada no jeans rasgado dele e a camisa oversized foi o bastante para outro suspiro escapar. Quem se vestia daquela maneira no fim de Outubro? 

— Vai fazer frio. 

 Antes que Jaebeom pudesse raciocinar, a jaqueta de Jinyoung estava sobre seus ombros. Ainda com o calor do corpo dele, e o cheiro de colônia masculina misturada a couro, tabaco e cerveja. Uma combinação infernal para os sentidos lentos do Im. 

Jinyoung colocou seu capacete e subiu na moto, estendeu o outro e esperou por Jaebeom, era óbvio que ele estava hesitando. Suspirou de maneira impaciente e olhou para ele, estava completamente perdido e acuado. 

— Não tenho a noite toda. — O olhar impaciente permaneceu fixo num ponto abaixo dos olhos dele, até que pegou o capacete e subiu também, o coração martelando com força quando abraçou Jinyoung.

O Park achou que fosse ter um derrame cerebral quando sentiu os braços de Jaebeom ao redor de sua cintura. Ignorou sua vontade de surtar e deu partida na ignição, cada vez que acelerava um pouco mais, o aperto ficava mais forte e uma dor diferente surgia no coração de Jinyoung. 

Queria gritar para Jaebeom se afastar, mas se fizesse isso, ele saberia o quanto lhe afetava e então jamais deixaria Jinyoung em paz. 

Encostou a moto na entrada de sua garagem, esperou Jaebeom criar coragem para soltá-lo e descer da moto. Ficaram de pé se encarando, ninguém arriscava olhar nos olhos.

— Por que fez aquilo? — perguntou, receoso e agoniado. Não aguentava continuar no escuro.

— Não precisa agradecer. — Forçou um sorriso e deu as costas para ele, Jaebeom agarrou seu braço com as duas mãos, seu  corpo se retesou com o toque. 

— Você me deve uma explicação, eu mereço pelo menos isso! 

— Ele só queria te comer. – Soltou, sem  cerimônias. As mãos frias em seu antebraço estavam lhe deixando atordoado, só queria ir embora e esquecer  aquela noite horrenda. 

— Por que se importa? 

— Me solta, Jaebeom. — Pediu, soltando o ar devagar. 

— Por que você fez aquilo? É porque se importa?! — A voz saiu trêmula, mal podia respirar com toda a agonia pesando no peito. 

— Porra, me larga, Jaebeom! — Se soltou dele e o encarou. 

Doeu como o inferno ter que olhar naqueles olhos tão bonitos marejados, com toda a dor transbordando. Teve de assistir a luta dele para manter um pouco de esperança. Odiava o fato de Jaebeom ser tão transparente, odiava tanto conhecê-lo o bastante para saber que estava lhe machucando daquele jeito. Tentou manter a compostura.

— Porque você merece mais do que alguém como ele, pelo seu próprio bem, fique longe do Mark.

— Você é ridículo! — Gritou, algumas lágrimas lhe escaparam. Levou uma mão a frente da boca, sem acreditar. — Você não precisa me proteger, nem cuidar de mim… 

— Não estava te protegendo!

— Então estava fazendo o quê? — O desafio e a mágoa em sua voz podiam muito bem matar Jinyoung bem ali. 

— Se você acha que eu errei, então vai lá dar para ele… Mas quando ele te deixar todo machucado e sozinho no dia seguinte, lembre-se de que eu avisei! — Deu as costas para Jaebeom outra vez, saiu pisando duro.

— Quer saber? — Jinyoung parou no mesmo instante. Cada músculo existente em seu corpo travou. Sabia pelo tom desafiador que uma grande merda estava para acontecer. — Você não manda em mim, não tem nada a ver comigo.

— Tem toda razão… — Cerrou os punhos e a voz estava ácida. O vento frio cortava sua pele exposta e o arrepiava.

— Pois eu vou agora mesmo para o bar mais próximo, encher a cara e sabe o quê mais? — Jinyoung realmente não queria saber, mas ele não tinha escolha e Jaebeom queria acabar com os resquícios de sua paciência. — Vou dar para o primeiro que se interessar… 

— Use camisinha — disse, olhando por sobre o ombro. Entrou em casa e bateu a porta. 

 Inferno, Jaebeom era tão estúpido e teimoso e complicado! 

Ele admitia para si mesmo que só atrapalhou as investidas de Mark para proteger Jaebeom, mas admitir para o Im trazia muitas complicações. Ele não podia simplesmente entender que Mark era um problema e deixar por isso mesmo? 

Invadiu a cozinha de casa e tomou duas aspirinas, as mãos ansiosas buscaram pelo maço de cigarros no bolso. Não conseguiu dar três tragadas antes de perceber que não conseguia fazer aquilo, não conseguia ignorar o que Jaebeom disse. 

— Porra… — Apagou o cigarro e saiu de casa. Precisou rodar por alguns bares do bairro até encontrá-lo, queria tanto poder socar ele por toda a burrice.

Estava completamente alterado, não queria nem saber quanto e o que tinha bebido para ficar daquele jeito em pouco tempo. E para piorar tudo, estava largado em cima de um cara que claramente era um tarado, acariciando os cabelos longos dele. Inferno! 

— Jaebeom levanta! — Comandou, segurou os dois braços dele e o ajudou a se firmar de pé. — Eu odeio você, está me ouvindo? Você é tão estúpido! Merda…

— Eu também te odeio — disse, sua língua embolava um pouco. — Você partiu meu coração, também te odeio.

Park fechou os olhos por um instante, respirou fundo e tentou entender como poucas palavras podiam doer mais do que um soco. Precisou de alguns segundos para se recuperar do golpe, e quando abriu os olhos Jaebeom ainda estava lá, bêbado e estúpido, mas tão ridiculamente bonito e inocente como sempre. Merda, ele o odiava tanto.

Pagou pelas bebidas de Jaebeom e o levou para fora, não tinha mais o que dizer a ele e por isso Jinyoung apenas esperou o Im vomitar tudo o que tinha em seu estômago na calçada, para depois subir junto dele na moto.

Parou na porta da casa de Jaebeom, e esperou ele descer. Pegou o capacete de volta e deu a ele um olhar sério, sem margem para contestar.

— Entra e não faça nenhuma estupidez, já esgotou sua cota por hoje. 

E como que para provar a si mesmo que ele não ligava, não se importava nem um pouquinho, arrancou com sua moto e já estava virando na esquina quando Jaebeom chegou na porta de casa.



Notas Finais


Não deve ter pessoa mais confusa do que o Jaebeom nesse momento... Vou falar mais do que rolou entre eles depois, mas espero que tenham gostado, deixem comentários para eu saber 🥺

Beijos, até o próximo ♥️♥️♥️♥️


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